{"id":31391,"date":"2015-07-04T10:27:55","date_gmt":"2015-07-04T13:27:55","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=31391"},"modified":"2020-11-09T00:22:05","modified_gmt":"2020-11-09T03:22:05","slug":"conexao-latina-do-peru-bareto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/07\/04\/conexao-latina-do-peru-bareto\/","title":{"rendered":"Conex\u00e3o Latina: do Peru, Bareto"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-31392\" title=\"bareto1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/bareto1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"420\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/bareto1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/bareto1-300x208.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong><span>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/span><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNo Brasil, fazer sucesso \u00e9 pecado\u201d. A frase j\u00e1 foi usada tantas vezes que sua autoria j\u00e1 se perdeu na profus\u00e3o de cita\u00e7\u00f5es. Mas continua valendo para muitas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o, principalmente nas art\u00edsticas \u2013 teatro e m\u00fasica, possivelmente mais que as outras (ou pelo menos o estardalha\u00e7o contra quem \u201cse vende\u201d \u00e9 maior). Ela s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 equivocada geograficamente: o problema de se incomodar com o \u00eaxito alheio n\u00e3o est\u00e1 restrito a territ\u00f3rio nacional. Vide o caso da banda peruana <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/bareto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bareto<\/a>: \u00edcone maior do underground de seu pa\u00eds at\u00e9 que, em 2008, estourou no mainstream de seu pa\u00eds gra\u00e7as ao disco \u201cCumbia\u201d, composto de releituras de cumbias antigas, a maioria delas conhecidas no registro da banda Juaneco y Su Combo. As \u201cacusa\u00e7\u00f5es\u201d foram muitas: de terem \u201ctra\u00eddo\u201d a m\u00fasica alternativa, de terem \u201cse aproveitado\u201d de Juaneco y Su Combo (o fato de terem dado cr\u00e9dito, citarem sempre a influ\u00eancia e trazerem o cantor de Juaneco para gravar com eles n\u00e3o amenizava a f\u00faria dos detratores), de serem c\u00famplices da programa\u00e7\u00e3o de m\u00e1 qualidade da TV&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sete anos se passaram, a banda segue famosa em seu pa\u00eds e conquistou muitos outros ouvintes em pa\u00edses t\u00e3o diferentes quanto M\u00e9xico, Col\u00f4mbia, Argentina, Estados Unidos e at\u00e9 Brasil, onde tocou em 2012 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/11\/11\/festival-el-mapa-de-todos-2012\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">num antol\u00f3gico show em Porto Alegre<\/a>. Por aqui, ali\u00e1s, \u00e9 presen\u00e7a obrigat\u00f3ria em qualquer \u201cfesta latina\u201d que se preze (\u201cYa Se H\u00e1 Muerto Mi Abuelo\u201d, \u201dCari\u00f1ito\u201d e sua vers\u00e3o de \u201cLlorando se Fue\u201d costumam ser infal\u00edveis nas pistas). O que diriam os f\u00e3s mais afeitos a conceito se soubessem que a banda \u00e9 estrela de programas dominicais de TV e toca nas FMs mais populares? Distante dos preconceitos locais, fica mais f\u00e1cil apreciar a m\u00fasica de um artista pelo que ela de fato \u00e9. A do Bareto \u00e9 rica, com fundamentos assumidos na chicha (variante peruana e psicod\u00e9lica da cumbia) e no reggae, mas que traz tantos detalhes e varia\u00e7\u00f5es nos arranjos e na harmonia que fica dif\u00edcil dizer que \u201ch\u00e1 elementos\u201d disso e daquilo. \u00c9 mais justo dizer que conseguiram criar uma identidade que transcende suas influ\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A entrevista a seguir d\u00e1 ind\u00edcios de que a riqueza ir\u00e1 aumentar no pr\u00f3ximo \u00e1lbum, \u201cImpredecible\u201d, que j\u00e1 teve duas can\u00e7\u00f5es lan\u00e7adas publicamente: \u201cLa Pantalla\u201d, primeiro single do disco, e \u201cLa Voz del Sinchi\u201d, instrumental chapad\u00e3o dispon\u00edvel para download gratuito no site da banda. Mas antes do lan\u00e7amento mundial do novo \u00e1lbum, vem uma turn\u00ea europeia e&#8230; bem, \u00e9 melhor deixar as muitas novidades por conta de Jorge Olazo, percussionista da banda, que conversou por Skype com o Scream &amp; Yell dois dias antes da banda embarcar para o Velho Continente. Olazo tem muito a dizer sobre preconceito, autogest\u00e3o, dificuldades de manter uma banda e, claro, m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/dIcKEiDw7Dg\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/dIcKEiDw7Dg\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00eas esperam dessa turn\u00ea pela Europa?<\/strong><br \/>\n\u00c9 a primeira vez que tocamos l\u00e1. J\u00e1 t\u00ednhamos tocado em outros pa\u00edses antes, tocamos v\u00e1rias vezes nos Estados Unidos, j\u00e1 tocamos no Brasil em 2012, no El Mapa de Todos&#8230; Mas na Europa, como \u00e9 mais caro, nunca t\u00ednhamos ido. V\u00e3o ser uns dez shows, pera\u00ed que j\u00e1 te passo as datas e locais&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pelo visto, voc\u00ea, al\u00e9m de percussionista, \u00e9 tamb\u00e9m porta-voz, assessor de imprensa e respons\u00e1vel pela agenda da banda&#8230;<\/strong><br \/>\n(risos) \u00c9, acabo acumulando um pouco de tudo. Aqui est\u00e1: o primeiro ser\u00e1 justamente no festival de Roskilde, na Dinamarca. Depois tem Paris, Lyon e Marselha (Fran\u00e7a), Barcelona (Espanha), Zurique (Su\u00ed\u00e7a) e Estocolmo (Su\u00e9cia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ok. Mas vamos voltar a esse \u201cac\u00famulo de fun\u00e7\u00f5es\u201d. Imagino que isso seja por uma quest\u00e3o pr\u00e1tica, de ter que cuidar desses aspectos para a banda ser vi\u00e1vel. Mas voc\u00eas atingiram sucesso mainstream em seu pa\u00eds. Chegou ao ponto de viverem exclusivamente da banda?<\/strong><br \/>\nFaz uns cinco ou seis anos que largamos nossos trabalhos e nos dedicamos somente ao grupo. De fato, aprendemos com o tempo que a demanda de trabalho de uma banda \u00e9 c\u00edclica: \u00e0s vezes exige demais, outras nem tanto, h\u00e1 momentos de ficar isolados do mundo para poder compor e gravar e outros em que pouca coisa acontece. Por isso, estamos procurando reativar algumas de nossas atividades paralelas [\u00e0 m\u00fasica] para n\u00e3o depender tanto da banda. Al\u00e9m disso, uma banda requer um investimento muito alto. Pagamos muito em est\u00fadio, equipamentos, divulga\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o o que nos sobra, o que fica como rendimento individual, \u00e9 muito pouco. E nenhum de n\u00f3s \u00e9 empres\u00e1rio, n\u00e3o temos forma\u00e7\u00e3o administrativa. Com o tempo aprendemos a fazer nossa gest\u00e3o n\u00f3s mesmos. J\u00e1 tivemos empres\u00e1rios, mas no Peru a ind\u00fastria musical n\u00e3o \u00e9 bem desenvolvida, ent\u00e3o n\u00e3o havia algu\u00e9m que realmente soubesse como gerir a banda de forma a fazer dinheiro sem que tiv\u00e9ssemos de nos envolver diretamente. At\u00e9 tr\u00eas anos atr\u00e1s nosso ent\u00e3o gerente de turn\u00ea era tamb\u00e9m nosso empres\u00e1rio, mas ele decidiu parar por motivos pessoais e no fim acabamos tendo de assumir n\u00f3s mesmos a gest\u00e3o. Creio que todos fazemos um pouco de tudo. Sergio [Sarria], o outro percussionista, cuida das contas. Rolo [Gallardo], o guitarrista, cuida das quest\u00f5es t\u00e9cnicas de palco&#8230; Fazemos de tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acho que voc\u00ea j\u00e1 imaginou porque perguntei isso. Mesmo o Brasil sendo um mercado musica maior e mais s\u00f3lido, n\u00e3o s\u00e3o muitos os artistas que conseguem viver somente de m\u00fasica, e muitos que tentam sucumbem ao despreparo para lidar com quest\u00f5es financeiras, jur\u00eddicas, fiscais, todas fundamentais para que a banda continue existindo. Eu supunha que, por voc\u00eas terem chegado ao mainstream, talvez j\u00e1 tivessem superado essas quest\u00f5es.<\/strong><br \/>\nMesmo tendo feito essa passagem \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de artista massivo, temos que cuidar muito disso. Posso dizer que muitas vezes tivemos crises por esses motivos. Olhando para tr\u00e1s, me surpreendo e fico feliz que estejamos todos juntos. Principalmente quando nos tornamos massivos, foi muito dif\u00edcil. Tivemos que nos transformar em uma empresa para dar conta de tudo, e n\u00e3o que seja ruim ter que virar uma empresa, mas o problema foi que viramos uma empresa grande demais. Ficou uma coisa complicada em termos de sal\u00e1rios, de custos, at\u00e9 que chegou a hora em que tivemos de terminar tudo e recome\u00e7ar do zero. Dissolvemos a empresa e refizemos nossa estrutura. Esse disco novo j\u00e1 vem nessa nova estrutura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando vai sair? Ele estava previsto para a segunda quinzena de maio&#8230;<\/strong><br \/>\nVai sair nesses pr\u00f3ximos meses. O plano era que sa\u00edsse pouco antes da turn\u00ea, mas conseguimos um contrato com uma gravadora \u2013 do qual n\u00e3o posso adiantar nada ainda porque o tr\u00e2mite ainda n\u00e3o est\u00e1 conclu\u00eddo \u2013 e seguramos um pouco para garantir o lan\u00e7amento mundial. N\u00e3o quer\u00edamos lan\u00e7ar s\u00f3 no Peru agora, porque com essa nova gravadora o disco estar\u00e1 em v\u00e1rios pa\u00edses (nota: o Brasil n\u00e3o est\u00e1 inclu\u00eddo, lamentavelmente), e vamos sair para divulga-los em v\u00e1rios lugares, ent\u00e3o realmente optamos por fazer o lan\u00e7amento mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o vamos retomar o assunto da turn\u00ea europeia: o que ela representa para voc\u00eas? Uma estrat\u00e9gia comercial? Uma realiza\u00e7\u00e3o pessoal?<\/strong><br \/>\nBuscamos muito que nos conhecessem no mercado peruano. Isso aconteceu com o disco \u201cCumbia\u201d, de 2008, que marcou um antes e depois na carreira do grupo. Ali faz\u00edamos essa coisa de recriar can\u00e7\u00f5es antigas e j\u00e1 conhecidas. As pessoas aqui [no Peru] nos pediam para continuar com isso, mas quer\u00edamos tamb\u00e9m fazer m\u00fasicas pr\u00f3prias. Na Europa, as pessoas n\u00e3o t\u00eam esse preconceito de querer que o grupo fa\u00e7a as coisas que elas desejam. E sim, \u00e9 uma conquista, porque&#8230; (pausa) V\u00ednhamos carregando uma mochila um pouco pesada demais para carregarmos&#8230; (nova pausa) Quando sa\u00edamos para tocar no estrangeiro, principalmente nos Estados Unidos, era sempre em festivais de imigrantes. No come\u00e7o, eram apenas shows para a col\u00f4nia peruana. Mas ent\u00e3o passamos a tentar fazer shows mais abertos para outros p\u00fablicos. Era bom tocar para a col\u00f4nia peruana, mas era como se estiv\u00e9ssemos fazendo shows aqui, entende? Essa tour europeia \u00e9 o contr\u00e1rio: s\u00e3o s\u00f3 festivais e clubes, estaremos nos comunicando com pessoas de todos os tipos, e tamb\u00e9m tocando com artistas diferentes. Espero que possamos aprender com todos, p\u00fablico e outros m\u00fasicos. Vai ser uma turn\u00ea na r\u00e9dea curta, com aquele pensamento de que \u201cse ficarmos no azul, j\u00e1 \u00e9 sucesso\u201d. E estamos com nossos n\u00fameros em azul (sorri e suspira aliviado), ent\u00e3o estamos com uma boa expectativa de que vai ser bom e vamos entrar no circuito [europeu]. Espero que nos pr\u00f3ximos anos possamos conseguir espa\u00e7o para tocar no WOMEX (World Music Expo, mais importante mercado para a m\u00fasica \u201c\u00e9tnica\u201d, isso \u00e9, \u201ctudo que \u00e9 pop n\u00e3o feito por anglos\u201d, como j\u00e1 se definiu) e em mais festivais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse dado do preconceito que voc\u00ea citou era algo que eu queria comentar, porque depois que voc\u00eas tocaram aqui no Brasil, ficaram relativamente bem conhecidos num circuito indie. S\u00f3 que esse p\u00fablico daqui nem desconfia que voc\u00eas s\u00e3o super mainstream, de tocar em programa dominical na TV. Capaz que, ao saberem disso, deixem de gostar de voc\u00eas (risos) ou digam: \u201colha s\u00f3, o Peru sim \u00e9 que tem m\u00fasica comercial boa, n\u00e3o \u00e9 como aqui\u201d (mais risos). E sei que voc\u00eas tiveram que lidar com essa acusa\u00e7\u00e3o de \u201ctrair\u201d o underground a\u00ed no Peru, depois do sucesso de \u201cCumbia\u201d. Acho que o ideal seria justamente entender que a m\u00fasica tinha que ser apreciada pela m\u00fasica em si, e n\u00e3o se ela \u00e9 \u201cvendida\u201d, \u201cmassiva\u201d, \u201cunderground\u201d ou sei l\u00e1 o que mais.<\/strong><br \/>\nFico muito feliz com isso que voc\u00ea me diz, feliz mesmo. E olha, faz pouco fomos convidados para tocar em S\u00e3o Paulo. Era na&#8230; Virada Cultural, \u00e9 esse o nome? Ficamos muito felizes por termos recebido o convite, ficou claro que o pa\u00eds nos tem como op\u00e7\u00e3o, mas infelizmente a data se chocava com datas que j\u00e1 t\u00ednhamos aqui. No fim, foi o Sonido Gallo Negro, que \u00e9 uma banda de cumbia peruana, mas que vem do M\u00e9xico (risos). Mas queremos ir ao Brasil para continuar trabalhando [no mercado brasileiro]. O El Mapa de Todos que participamos foi o de 2012, e voc\u00ea sabe, o mercado musical \u00e9 algo que tem que ser trabalhado com const\u00e2ncia. E isso \u00e9 o que queremos buscar quando tocamos fora, na realidade: estar integrados \u00e0quele mercado. Al\u00e9m disso, adoramos saber que estamos tocando em lugares onde as pessoas querem receber algo novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/THwnlAxqj0A\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/THwnlAxqj0A\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bom, aqui no Brasil voc\u00eas realmente gozam desse carinho e admira\u00e7\u00e3o. O show que voc\u00eas fizeram no <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/11\/11\/festival-el-mapa-de-todos-2012\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">El Mapa de Todos de 2012<\/a> ficou na mem\u00f3ria coletiva como um dos melhores. Estive nas edi\u00e7\u00f5es de 2013 e 2014 e muita gente comentava do show. Inclusive houve uma banda que se formou depois do show de Porto Alegre&#8230;<\/strong><br \/>\n(sorrindo) S\u00e9rio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=REdh4AV3ssE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">La Cumbia Negra<\/a>, de Porto Alegre. O guitarrista Guri Assis Brasil disse que teve a ideia de montar a banda com o Gabriel Guedes (ex-Pata de Elefante), um grande f\u00e3 de cumbia, depois de ver o show de voc\u00eas. Uma coisa meio Ramones, meio Sex Pistols, de influ\u00eancia, sabe? (risos)<\/strong><br \/>\nSeria incr\u00edvel se voc\u00ea pudesse me passar a informa\u00e7\u00e3o desse pessoal, porque quero falar com eles, quero ter esses la\u00e7os. Pelo menos escutar algo deles!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Passemos ao disco novo. Vi que, em algumas entrevistas recentes, voc\u00ea disse que estariam abordando alguns g\u00eaneros musicais pela primeira vez, mas n\u00e3o entrou em detalhes. Voc\u00ea pode adiantar algo da paisagem musical desse \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nVai se chamar \u201cImpredecible\u201d (\u201cImprevis\u00edvel\u201d). Tem uma can\u00e7\u00e3o com esse nome, mas o disco se chama assim porque nos arriscamos muito, at\u00e9 a arte do encarte e da capa reflete isso. Quando voc\u00ea escuta o disco na sequ\u00eancia, se surpreende com o quanto uma faixa \u00e9 diferente da outra. Pela primeira vez tocamos um \u201cfestejo\u201d, inclusive com um caj\u00f3n, que \u00e9 um elemento caracter\u00edstico da m\u00fasica do Peru, mas que nunca hav\u00edamos usado. Foi uma das muitas primeiras vezes desse disco. Susana Baca (cantora e ex-ministra da Cultura do Peru) canta nessa can\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma mistura de zamacueca peruana com ranchera mexicana e joropo  venezuela&#8230; Ontem a tocamos ao vivo pela primeira vez e te digo que as pessoas adoraram! Um sujeito me chegou e disse que adorou a letra, e isso me alegrou tamb\u00e9m. As letras est\u00e3o mais redondas que no disco anterior. \u201cVes lo que Queres Ver\u201d (2012) \u00e9 um disco muito pol\u00edtico, que fala bastante das coisas da sociedade peruana de que n\u00e3o gostamos. Esse disco \u00e9 mais introspectivo, mais pessoal, h\u00e1 can\u00e7\u00f5es de amor e desamor. \u201cLa Pantalla\u201d \u00e9 talvez a \u00fanica que tem um la\u00e7o com o disco anterior, com um tema social, no caso contra a TV. Outra coisa a se destacar \u00e9 que h\u00e1 quatro can\u00e7\u00f5es instrumentais. Em \u201cVes lo que Queres Ver\u201d foi o contr\u00e1rio: decidimos que todas seriam cantadas. Mas agora recuperamos um pouco da nossa pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o de recriar a m\u00fasica instrumental, que come\u00e7amos em 2008 com vers\u00f5es, e agora fazemos isso com nossas composi\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o mais experimentais. O reggae tamb\u00e9m foi algo que voltamos a ter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O reggae era muito importante no come\u00e7o, n\u00e3o? Voc\u00eas come\u00e7aram tocando reggae e ska&#8230;<\/strong><br \/>\nTotalmente importante. Nosso p\u00fablico mais \u201cunder\u201d sempre pedia muito para voltarmos com o reggae. Nossa inten\u00e7\u00e3o, quando iniciamos a banda, era faz\u00ea-lo bem fiel ao estilo jamaicano, mas depois mudamos o jeito, e virou outra coisa. O que mais temos de novidades? Bom, o papel da bateria mudou. Usamos uma programa\u00e7\u00e3o muito b\u00e1sica de bumbo e hi-hat e em cima fizemos a percuss\u00e3o cl\u00e1ssica da cumbia. Foi o oposto do que faz\u00edamos, que era fazer a base percussiva primeiro e em cima dela trazer outros elementos. Temos dois bateristas, eu e Sergio, mas antes disso, somos dois percussionistas. Isso fez com que fossemos mudando as linguagens. Tem ainda uma can\u00e7\u00e3o que o Joaqu\u00edn [Mari\u00e1tegui, guitarrista] canta. At\u00e9 ent\u00e3o, s\u00f3 o Mauricio [Mesones] tinha cantado, o Joaqu\u00edn n\u00e3o fazia nem os vocais de apoio. Mas ele tentou fazer um vocal algo em um tema mais doce, e decidimos que ficaria a voz dele. Ficou muito boa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O vocal tamb\u00e9m foi outra quest\u00e3o que atraiu muitas cr\u00edticas a voc\u00eas, n\u00e3o? Outra prova de que voc\u00eas tinham \u201cse vendido\u201d. Isso me chamou a aten\u00e7\u00e3o especialmente porque a \u00fanica banda brasileira instrumental que gozou de certo sucesso mainstream, A Cor do Som, foi vilipendiada quando incorporou m\u00fasicas cantadas por exig\u00eancia da gravadora. E n\u00e3o demorou muito para eles se descaracterizarem e chegarem ao fim depois disso. Mas com voc\u00eas a hist\u00f3ria foi diferente. Como contornaram isso?<\/strong><br \/>\nQuando come\u00e7amos com o Mauricio, n\u00e3o o conhec\u00edamos. \u00c9ramos todos amigos, e chegou esse cara que era f\u00e3 do grupo. No disco \u201cCumbia\u201d decidimos que tudo tinha que ser instrumental, e nas duas \u00fanicas que seriam cantadas, \u201cMujer Hilandera\u201d e \u201cYa se Ha Muerto Mi Abuelo\u201d, teriam que ter o cantor original de Juaneco y su Combo (Willindoro Casique Flores), mas agora ele tem 70 anos, n\u00e3o iria poder fazer os shows, sair em turn\u00ea. Ent\u00e3o chamamos Mauricio, que era muito amigo de um antigo integrante da banda. E n\u00e3o foi f\u00e1cil, te digo sinceramente, porque ele teve que se adaptar a um grupo \u2013 digo n\u00e3o s\u00f3 uma adapta\u00e7\u00e3o musical, mas humana mesmo. Foi lento, mas posso dizer que agora ele est\u00e1 completamente adaptado. Vendo em perspectiva, posso dizer que foi algo deu para fazer. Mas, olha&#8230; quando voc\u00ea acabou de formular a pergunta, pensei em responder: \u201cFizemos isso com culh\u00f5es\u201d (risos). Porque alguns aceitaram [a incorpora\u00e7\u00e3o de um vocalista], outros n\u00e3o gostaram nem um pouco, mas assim \u00e9 a vida. Decidimos que ter\u00edamos um vocalista, e levamos isso adiante e arcamos com as consequ\u00eancias. Al\u00e9m disso, Mauricio \u00e9 percussionista, toca bong\u00f4s, g\u00fcira, maracas, ele colabora muito como m\u00fasico. E o publico aqui se deu muito bem com ele. Mauri sabe falar com a classe mais popular, com o pov\u00e3o mesmo, ele pode projetar uma energia que o resto do grupo n\u00e3o consegue, somos mais introspectivos. Tinha gente que preferia a n\u00f3s com esse perfil mais discreto, Por\u00e9m, para muita gente, aqui no Peru inclusive, ele \u00e9 o Bareto (risos). Identificam-no como sendo o artista, a banda. Isso \u00e9 parte do processo. N\u00e3o d\u00e1 para controlar o efeito do que voc\u00ea entrega ao p\u00fablico. Ent\u00e3o temos que saber lidar e continuar em frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tantas misturas musicais, nunca cogitaram se arriscar num g\u00eanero brasileiro? Temos a\u00ed \u201cMujer Hilandera\u201d para provar que a rela\u00e7\u00e3o entre a cumbia e alguns ritmos do Nordeste n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o distante assim&#8230;<\/strong><br \/>\nTemos no \u201cImpredecible\u201d uma can\u00e7\u00e3o que inconscientemente&#8230; (pausa) Joaquin sempre se refere a ela \u2013 \u201cNo Es para Mi\u201d \u00e9 o t\u00edtulo \u2013 como uma \u201ccumbia bossa nova\u201d (risos). N\u00e3o \u00e9, claro. Nem um, nem outro, nem uma mistura dos dois. Mas tem uma guitarra que tem um feeling que podia relacionar-se com a tradi\u00e7\u00e3o brasileira. \u201cMujer Hilandera\u201d \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o que tocamos em todos os shows. Sonhamos em fazer uma turn\u00ea a\u00ed em que possamos passar por tr\u00eas ou quatro cidades, ir a lugares diferentes e conhecer de verdade a m\u00fasica da\u00ed. Porque aqui no Peru pode at\u00e9 se encontrar algumas cidades que se sintam mais pr\u00f3ximas do Brasil, culturalmente, mas n\u00e3o \u00e9 o caso de Lima. Ent\u00e3o ter\u00edamos que estar a\u00ed, sentir o clima, entender de onde isso vem. Realmente sonhamos com isso. O clipe de \u201cLa Pantalla\u201d foi feito por um diretor (Percy C\u00e9spedes) que faz v\u00eddeos muito comerciais, dessas cantoras cheias de penteados e figurinos elaborados (risos). Dissemos a ele que n\u00e3o somos assim, mas queremos chegar a muita gente. Esperamos que isso nos ajude a tocar a\u00ed no Brasil novamente e voc\u00eas possam nos receber para transmitir as muitas coisas boas que voc\u00eas t\u00eam.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/UD9SqgFEgik\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/UD9SqgFEgik\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/EhNub45OUxg\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/EhNub45OUxg\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/PcFx80W_xtU\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/PcFx80W_xtU\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; <span> Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a><span>) no Scream &amp; Yell. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; &#8220;Somos Todos Latinos&#8221;: m\u00fasicos brasileiros gravam cl\u00e1ssicos latinos. Baixe <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/17\/download-somos-todos-latinos\/\">aqui<\/a><br \/>\n&#8211; The Broken Toys: &#8220;Tarantino e Rodriguez encabe\u00e7am uma lista de diretores favoritos&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/05\/12\/conexao-latina-broken-toys\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; La Hermana Menor: &#8220;Faz quinze anos que n\u00e3o vou ao Brasil e tenho saudade&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/02\/01\/conexao-latina-la-hermana-menor\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Molina Y Los Cosmicos: a \u00fanica maneira de viver de m\u00fasica no Uruguai \u00e9 ser professor (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/14\/conexao-latina-molina-y-los-cosmicos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Crema del Cielo: \u201c\u00c9 dif\u00edcil entrar no circuito seja voc\u00ea de Buenos Aires ou n\u00e3o\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/11\/28\/conexao-latina-crema-del-cielo\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Cinco ac\u00fasticos da MTV Latina para assistir online na integra (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/10\/29\/cinco-acusticos-mtv-da-musica-latina\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Cinco m\u00fasicas para entender\u2026 Los Fabulosos Cadillacs\u00a0 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/10\/09\/para-entender-los-fabulosos-cadillacs\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Caf\u00e9 Tacvba: \u201cTalvez estejamos numa etapa mais \u00e9pica em nossas vidas\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/02\/27\/entrevista-cafe-tacvba\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Bestia Bebe: Esp\u00edrito de intimidade e camaradagem traduzido em m\u00fasica (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/08\/entrevista-bestia-bebe\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Jo\u00e3o Barone: \u201cCharly Garc\u00eda e Fito P\u00e1ez influenciaram Herbert mais que qualquer artista (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/11\/entrevista-joao-barone-fala-dos-paralamas\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas\n\u00cdcone maior do underground peruano, o Bareto estourou em 2008, segue famoso em seu pa\u00eds e busca ouvintes al\u00e9m fronteira\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/07\/04\/conexao-latina-do-peru-bareto\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[45],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31391"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31391"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31391\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58264,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31391\/revisions\/58264"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31391"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31391"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31391"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}