{"id":30864,"date":"2015-06-02T15:53:39","date_gmt":"2015-06-02T18:53:39","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=30864"},"modified":"2020-07-02T23:54:42","modified_gmt":"2020-07-03T02:54:42","slug":"discografia-comentada-os-paralamas-do-sucesso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/06\/02\/discografia-comentada-os-paralamas-do-sucesso\/","title":{"rendered":"Discografia: Os Paralamas do Sucesso"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30866\" title=\"paralamas1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"454\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas1-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1983, uma banda de estudantes universit\u00e1rios residentes no Rio de Janeiro ensaiava seu repert\u00f3rio na casa da av\u00f3 do baixista. Eram influenciados por punk rock, 2Tone e new wave, embora sua dieta musical inclu\u00edsse tamb\u00e9m hard rock, reggae e at\u00e9 nomes da MPB pouco lembrados ent\u00e3o, como Jo\u00e3o Bosco, Jorge Ben e Tim Maia. Logo lan\u00e7ariam seu primeiro \u00e1lbum, provavelmente sem imaginar que 32 anos depois estariam lan\u00e7ando uma caixa com 20 CDs fazendo retrospecto de sua carreira, na qual se estabeleceram como um dos nomes de refer\u00eancia para o rock brasileiro e at\u00e9 latino-americano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa \u00e9 uma sinopse bastante resumida e superficial da narrativa que os Paralamas do Sucesso \u2013 Herbert Vianna, Bi Ribeiro e Jo\u00e3o Barone \u2013 vem construindo. H\u00e1 outros elementos nela que colaborariam para um roteiro hollywoodiano: per\u00edodos de baixas vendagens e ataques da cr\u00edtica especializada, sucesso no exterior enquanto perdiam mercado em seu pa\u00eds natal, trag\u00e9dias pessoais (o acidente automobil\u00edstico envolvendo Barone, que lhe rendeu pinos na perna e for\u00e7ou a banda a uma pausa; o incidente de 2001 que feriu violentamente Herbert Vianna e vitimou sua esposa, Lucy). Por\u00e9m, se tal filme viesse a ser feito, o melhor fio condutor para a hist\u00f3ria da banda seria sua coer\u00eancia e consist\u00eancia, acompanhadas de enorme apego aos palcos e respeito ao p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio de alguns colegas geracionais, os Paralamas sempre tiveram claro quais os rumos que sua m\u00fasica deveria tomar. Se por um lado isso lhes custou uma rejei\u00e7\u00e3o feroz da cr\u00edtica no come\u00e7o dos anos 1990, por outro os ajudou a encontrar novos p\u00fablicos e desbravar mercados nunca antes trilhados pelo rock brasileiro \u2013 fossem eles o interior do pa\u00eds, por onde a banda excursionou sem cessar em uma \u00e9poca em que mal haviam condi\u00e7\u00f5es para isso; ou os pa\u00edses latino-americanos, nos quais estabeleceram uma empatia com as plateias que os mant\u00e9m como uma \u201cbanda cl\u00e1ssica\u201d at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m as incurs\u00f5es musicais por ritmos populares do Brasil e da Am\u00e9rica Latina sem se desapegar da influ\u00eancia angl\u00f3fila foram determinantes para criar um pop de apelo universal, t\u00e3o cosmopolita quanto sertanejo. Em vez de romper com o passado, os Paralamas dialogavam com ele, trazendo Jackson do Pandeiro para o Caribe, jogando psicodelia em Alceu Valen\u00e7a ou traduzindo em harmonias o experimentalismo textual de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Chico Science a Bixiga70, de Los Hermanos a Saulo Duarte, h\u00e1 muita gente cujas ra\u00edzes vem das sementes lan\u00e7adas pelo trio. O box \u201cOs Paralamas do Sucesso \u2013 1983-2005\u201d, caixa com 18 relan\u00e7amentos e dois CDs de in\u00e9ditas, \u00e9 um testemunho s\u00f3lido do conjunto da obra \u2013 e certamente abre caminho para um novo momento da banda. A prop\u00f3sito desse lan\u00e7amento, o Scream &amp; Yell repassa a extensa discografia (sem esquecer compila\u00e7\u00f5es, discos em espanhol, DVDs e carreira solo, entre outros quitutes) do trio que ensinou o ent\u00e3o sisudo e endurecido rock brasileiro a beber cacha\u00e7a, requebrar os quadris, andar descal\u00e7o e sair pra ver o c\u00e9u e se perder entre as estrelas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30867\" title=\"paralamas2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas2.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas2-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Cinema Mudo (1983)<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora tenha se dito o contr\u00e1rio alguns par\u00e1grafos atr\u00e1s, em seu \u00e1lbum de estreia os Paralamas n\u00e3o sabiam bem para onde levar sua m\u00fasica. O ponto de partida do disco foi uma fita demo com quatro m\u00fasicas (&#8220;Vital e sua Moto&#8221;, &#8220;Patrulha Noturna&#8221;, &#8220;Encruzilhada Agr\u00edcola-Industrial&#8221; e &#8220;Solidariedade N\u00e3o!&#8221;) mandada \u00e0 r\u00e1dio Fluminense FM em 1982. Tirando &#8220;Solidariedade N\u00e3o&#8221; (sobre o sindicato polon\u00eas), todas as m\u00fasicas da fita entraram no \u00e1lbum, mas a inexperi\u00eancia do trio em est\u00fadio deixou que a \u201cdire\u00e7\u00e3o art\u00edstica\u201d da gravadora ditasse a sonoridade do \u00e1lbum (produzido por Marcelo Sussekind), tirando o peso e a energia que davam brilho ao pastiche de The Police que faziam na \u00e9poca (o pr\u00f3prio Herbert diz que a grava\u00e7\u00e3o foi \u201cmanipulada\u201d). Sem essa energia bruta, e com arranjos cheios de teclados frouxos e vocais clich\u00eas, \u201cCinema Mudo\u201d n\u00e3o se sustentou na \u00e9poca e envelheceu pior ainda. Verdade seja dita, o repert\u00f3rio tamb\u00e9m n\u00e3o ajudava muito (ainda que haja uma parceria pouco conhecida de Herbert e Barone com Renato Russo, \u201cO Que Eu N\u00e3o Disse\u201d, que traz Lulu Santos na guitarra slide). Pense que h\u00e1 at\u00e9 uma m\u00fasica sobre caganeira (\u201cEncruzilhada\u201d). Mesmo \u201cQu\u00edmica\u201d, porrada punk adolescente do Aborto El\u00e9trico ent\u00e3o in\u00e9dita, vinha sem peso e sem convic\u00e7\u00e3o. D\u00e1 para aliviar a bronca na contagiante faixa-t\u00edtulo e na simp\u00e1tica \u201cPatrulha Noturna\u201d, e para por a\u00ed. Vale como documento hist\u00f3rico para os f\u00e3s mais empedernidos. E s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: \u201cVital e Sua Moto\u201d, \u201cCinema Mudo\u201d.<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cCinema Mudo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30868\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"paralamas3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas3.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"300\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">O Passo do Lui (1984)<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Herbert, Bi e Barone come\u00e7aram a gravar \u201cO Passo do Lui\u201d, o primeiro disco n\u00e3o tinha ultrapassado 5 mil c\u00f3pias vendidas. Frustrados com a sonoridade e a vendagem do \u00e1lbum de estreia, mas tarimbados pela experi\u00eancia na estrada (os \u00f3timos shows, lotados, vinham sendo comentados boca a boca) e dedicados a estudar t\u00e9cnicas de grava\u00e7\u00e3o (\u201cEmpurramos o t\u00e9cnico de est\u00fadio nesse sentido\u201d, conta Herbert na biografia \u201cVamo Bat\u00ea Lata\u201d, de Jamari Fran\u00e7a), o trio se aproveitou da aus\u00eancia do produtor Marcelo Sussekind no est\u00fadio para definir a sonoridade do novo \u00e1lbum: \u201cTinha que ser cru, muito (power) trio mesmo\u201d, diz Herbert. O resultado \u00e9 t\u00e3o diferente que surpreende que seja a mesma banda. A influ\u00eancia de The Police, English Beat e Madness ainda est\u00e1 l\u00e1, mas est\u00e3o tamb\u00e9m uma din\u00e2mica instrumental impressionante, o peso r\u00edtmico e apuro t\u00e9cnico de Bi e Barone (que logo se firmariam como uma das melhores cozinhas do pa\u00eds) e letras muito mais pessoais e maduras. Ali\u00e1s, o clima uptempo da maioria das can\u00e7\u00f5es esconde a tem\u00e1tica cheia de frustra\u00e7\u00f5es, culpa e rancor emocional. S\u00e9rio: voc\u00ea j\u00e1 parou para prestar aten\u00e7\u00e3o aos versos de \u201cMeu Erro\u201d e \u201cSka\u201d? At\u00e9 a molecagem fazia mais sentido: \u201c\u00d3culos\u201d e a balada \u201cMe Liga\u201d eram (boas) m\u00fasicas feitas por e para jovens \u2013 algo ent\u00e3o raro no pa\u00eds. A rigor, quase todas as faixas foram hits em maior ou menor escala, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de \u201cMenino e Menina\u201d e da faixa-t\u00edtulo. Entre os sucessos menores, pelo menos uma p\u00e9rola merecia ter tido maior destaque: \u201cFui Eu\u201d, um pop certeiro e contundente sobre timidez e platonismo na cidade grande, que fez mais sucesso com o grupo Sempre Livre (com Dulce Quental \u00e0 frente) do que com os Paralamas. Lulu Santos (com a esposa Scarlet Moon) participa de \u201cAssaltaram a Gram\u00e1tica\u201d enquanto Jotinha Moraes, da RC9 (a banda de Roberto Carlos), fez os teclados de \u201c\u00d3culos\u201d, \u201cMeu Erro\u201d e \u201cMe Liga\u201d, tr\u00eas grandes hits do \u00e1lbum que, aliados a uma apresenta\u00e7\u00e3o consagrat\u00f3ria na primeira edi\u00e7\u00e3o do Rock in Rio, em 1985, ampliou a proje\u00e7\u00e3o da banda para o resto do pa\u00eds, e \u00e0 popularidade seguiu-se a busca pela profissionaliza\u00e7\u00e3o das turn\u00eas, com a banda levando seu potente show para todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: \u201c\u00d3culos\u201d, \u201cMeu Erro\u201d, \u201cMe Liga\u201d, \u201cSka\u201d, \u201cRomance Ideal\u201d, \u201cAssaltaram a Gram\u00e1tica\u201d.<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cFui Eu\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30870\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"paralamas41\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas41.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas41.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas41-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Selvagem? (1986)<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO futuro do rock \u00e9 negro\u201d, anunciavam as revistas de m\u00fasica e os cadernos de cultura dos jornais, pegando embalo na revolu\u00e7\u00e3o proposta por \u201cSelvagem?\u201d \u2013 em especial, por \u201cAlagados\u201d, onde uma guitarra africana fazia par com um batuque sambista, amparados por um groove caribenho, tudo adornado pelos vocais de Gilberto Gil. Era um abandono consciente da sisudez inglesa almejada por v\u00e1rias bandas (e incentivada pela cr\u00edtica) da \u00e9poca. Um acidente de carro sofrido por Barone for\u00e7ou a banda a dar uma pausa na turn\u00ea de \u201cO Passo do Lui\u201d, e isso fez com que Herbert se lan\u00e7asse na composi\u00e7\u00e3o com ousadia e introspec\u00e7\u00e3o que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o havia tentado. Outro ponto positivo: sai Marcelo Sussekind e entra Liminha, mais antenado e aberto ao que estava acontecendo na m\u00fasica pop brasileira naquele momento. Deste processo sa\u00edram, entre outras, \u201cAlagados\u201d e \u201cA Novidade\u201d, com letra composta (em tr\u00eas horas, segundo se conta) por Gil. S\u00f3 \u201cThere\u2019s a Party\u201d e \u201cA Dama e o Vagabundo\u201d guardavam alguma rela\u00e7\u00e3o direta com o trabalho anterior. Apesar da men\u00e7\u00e3o africana, o que dava o tom maior era a Jamaica, com os toasts de \u201cMel\u00f4 do Marinheiro\u201d (composi\u00e7\u00e3o de Bi e Barone, com cita\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cMarinheiro S\u00f3\u201d), o lovers\u2019 rock da vers\u00e3o de \u201cVoc\u00ea\u201d (de Tim Maia, e que muitos at\u00e9 hoje pensam ser da banda), e os tons dub da espetacular \u201cO Homem\u201d (uma das melhores letras de Herbert) e da pesada \u201cSelvagem\u201d. Ali\u00e1s, duas faixas \u2013 \u201cMel\u00f4 do Marinheiro\u201d e \u201cTeer\u00e3\u201d \u2013 teriam vers\u00f5es dub inclu\u00eddas (no caso da \u00faltima, exclusiva do cassete original, depois reeditada em CD). A execu\u00e7\u00e3o maci\u00e7a ao longo de quase tr\u00eas d\u00e9cadas pode ter diminu\u00eddo o impacto do \u00e1lbum, mas n\u00e3o h\u00e1 como negar que ele \u00e9 um marco no pop brasileiro, e que continua essencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: \u201cAlagados\u201d, \u201cMel\u00f4 do Marinheiro\u201d, \u201cVoc\u00ea\u201d, \u201cA Novidade\u201d, \u201cSelvagem\u201d.<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cAlagados\u201d, \u201cO Homem\u201d, \u201cSelvagem\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30871\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"paralamas5\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas5.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"300\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Bora Bora (1988)<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da introdu\u00e7\u00e3o grave e pesada de \u201cO Beco\u201d (\u201cNo beco escuro explode a viol\u00eancia \/ eu tava preparado\u201d) \u00e0 dolorida suavidade de \u201cO Fundo do Cora\u00e7\u00e3o\u201d (\u201cSou quase feliz \/ Eu sempre pergunto \/ Voc\u00ea nunca diz se \u00e9 assim o amor \/ sempre por um triz\u201d), dava para saber e sentir, j\u00e1 na primeira audi\u00e7\u00e3o, que se estava diante de um disco intenso. Produzido por Carlos Savalla em conjunto com o trio, \u201cBora Bora\u201d levou mais longe a polirritmia de seu antecessor, incorporando ritmos latinos (salsa, calipso, merengue), afro-brasileiros e jamaicanos, numa linguagem que dialogava tanto com o pop elegante do argentino Charly Garc\u00eda (que toca piano em \u201cQuase um Segundo\u201d), como com o reggae de brit\u00e2nicos como Aswad e Maxi Priest e as r\u00e1dios populares do Nordeste. O vinil original separava bem duas facetas do disco: uma dan\u00e7ante, das ruas e algo otimista, e outra \u00edntima e sofisticada. Na primeira, o lado A, a j\u00e1 citada \u201cO Beco\u201d, um reggae pesado com uma trama brilhante de baixo e bateria, vinha acompanhada das guitarradas de \u201cBundalel\u00ea\u201d, do toast \u00e0 Yellowman de \u201cDon\u2019t Give Me That\u201d (cantada pelo DJ ingl\u00eas Peter Metro), de um cover do Jackson do Pandeiro (\u201cUm a Um\u201d) e da genial \u201cSanfona\u201d (\u201cquem sabe um dia \/ numa rua da Bahia \/ tudo tenha solu\u00e7\u00e3o?\u201d), entre outras. No lado B, a barra pesava nas letras, com Herbert Vianna \u201cno fundo do po\u00e7o\u201d, como ele mesmo declarou, tentando lidar com a dor da separa\u00e7\u00e3o de Paula Toller. O tema j\u00e1 aparecia na faixa-t\u00edtulo, no lado A, mas era no B que a coisa ficava evidente, mesmo que oculta na grandiosidade do arranjo de \u201cUns Dias\u201d (\u201ceu chorava de amor, e n\u00e3o porque eu sofria \/ mas voc\u00ea chegou, j\u00e1 era dia e n\u00e3o tava sozinha\u201d) ou na beleza de \u201cQuase Um Segundo\u201d. O instrumental passava a incorporar metais em muitas das faixas, e teclados em todas elas (marcando a entrada de Jo\u00e3o Fera, agregado ao grupo na turn\u00ea do disco anterior), algo que se tornaria quase uma regra na maioria dos discos seguintes. As vers\u00f5es em cassete e CD contam com a faixa b\u00f4nus \u201cThe Can\u201d, uma homenagem ao \u201cver\u00e3o da lata\u201d (quando latas de maconha invadiram praias do litoral brasileiro, vazadas de um navio italiano) que aproveitava a base de \u201cDon\u2019t Give Me That\u201d e contava com o mesmo Peter Metro tirando onda com a diamba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: \u201cO Beco\u201d, \u201cQuase Um Segundo\u201d, \u201cUns Dias\u201d.<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cUns Dias\u201d, \u201cSanfona\u201d, \u201cO Beco\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30872\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"paralamas6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas6.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"300\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Big Bang (1989)<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA partir deste disco, chamar o Paralamas de \u2018banda de rock\u2019 passaria a ser mera conven\u00e7\u00e3o. Ou comodismo\u201d. Assim o jornalista Arthur Dapieve definiu \u201cBig Bang\u201d em seu livro \u201cBRock \u2013 O Rock Brasileiro dos Anos 80\u201d. E de fato, a variedade r\u00edtmica e harm\u00f4nica tinha o rock como ingrediente menor, aparecendo bem colocado aqui (na letra e no andamento de \u201cP\u00f3lvora\u201d) e ali (no riff e nas voz de \u201cDos Restos\u201d). Produzido novamente por Carlos Savalla e o trio, e apontando mais para o Nordeste brasileiro do que para a Am\u00e9rica Latina, \u201cBig Bang\u201d comportava toada (a linda \u201cSe Voc\u00ea Me Quer\u201d), repente (\u201cRabicho do Cachorro Rabugento\u201d, cantada em pergunta-e-resposta por Bi e Barone), batidas baianas (o hit \u201cPerplexo\u201d) e at\u00e9 a ent\u00e3o ascendente ax\u00e9 music (\u201cJubiab\u00e1\u201d, vers\u00e3o do original de Jer\u00f4nimo). \u00c9 verdade que, quando a bola baixava, a qualidade descia junto \u2013 vide a aborrecida \u201cL\u00e1 em Algum Lugar\u201d e a bossa pra turista \u201cNebulosa do Amor\u201d. Mas \u201cLanterna dos Afogados\u201d, uma preciosidade, ajudava a perdoar tudo, com o piano de Jo\u00e3o Fera a conduzir uma melodia t\u00e3o sombria quanto sensual, pontuada por um belo e econ\u00f4mico solo e fraseios de metais. Usando o agreste para viver sua voca\u00e7\u00e3o cosmopolita, os Paralamas entregaram um disco s\u00f3lido e important\u00edssimo para, assim como seus dois antecessores, ampliar o leque do pop brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: \u201cPerplexo\u201d, \u201cLanterna dos Afogados\u201d.<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cP\u00f3lvora\u201d, \u201cSe Voc\u00ea Me Quer\u201d, \u201cEsque\u00e7a o que Te Disseram sobre o Amor\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30873\" title=\"paralamas7\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas7.jpg\" alt=\"\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Os Gr\u00e3os (1991)<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Disca\u00e7o \u2013 quem hoje escuta \u201cOs Gr\u00e3os\u201d consegue dizer isso sem medo. Por\u00e9m, o p\u00fablico n\u00e3o se animou e a cr\u00edtica (num momento em que queria enterrar o rock nacional oitentista) odiou: diziam ser um \u201cdisco solo de Herbert\u201d, e que Bi e Barone eram desperdi\u00e7ados devido a um suposto egocentrismo do cantor, ou por alheamento volunt\u00e1rio da dupla (dependendo de qual a vers\u00e3o na qual voc\u00ea preferir acreditar). De fato, Herbert assume a frente, chegando inclusive a co-assinar a produ\u00e7\u00e3o (sob o pseud\u00f4nimo Teabag V.) com Liminha e Carlos Savalla. Por outro lado, Renato Russo declarava que \u201ceste disco dos Paralamas \u00e9 o mais Paralamas deles\u201d, o que significava, aparentemente, letras mais sentimentais e\/ou introspectivas, arranjos mais sofisticados, produ\u00e7\u00e3o esmerada , influ\u00eancia ostensiva do pop argentino&#8230; Daqui sa\u00edram dois hits: a vers\u00e3o de \u201cTrac-Trac\u201d (Fito P\u00e1ez) e a bela \u201cTendo a Lua\u201d (composta a partir de um bilhete que uma amiga escreveu para Herbert). Mesmo assim, o \u00e1lbum teve vendagens mais baixas que seus antecessores. Para piorar, saiu na \u00e9poca em que tudo que n\u00e3o era distorcido parecia n\u00e3o interessar ao p\u00fablico roqueiro (1991 foi o ano de \u201cNevermind\u201d, do Nirvana, e do \u201cBlack Album\u201d, do Metallica), e tudo que n\u00e3o era dupla sertaneja tinha pouco ou nenhum espa\u00e7o em r\u00e1dio ou TV. Com o passar dos anos, tornou-se um dos preferidos dos f\u00e3s mais fi\u00e9is, e n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o s\u00ea-lo: entenda porque ouvindo o delicado pop sobre separa\u00e7\u00e3o \u201cA Outra Rota\u201d, o cruzamento entre Charly Garc\u00eda e o soul dos Stones que \u00e9 \u201cO Rouxinol e a Rosa\u201d (com letra \u201cemprestada\u201d de um conto de Oscar Wilde), o embalo de festa na rua de \u201cCarro Velho\u201d (com a participa\u00e7\u00e3o de um ent\u00e3o pouco conhecido Carlinhos Brown), o aceno ao Gilberto Gil de \u201cRefazenda\u201d em \u201cVai Valer\u201d, e a jazzy \u201cTrinta Anos\u201d&#8230; \u00c9 verdade que a sequ\u00eancia das faixas n\u00e3o favorecia a frui\u00e7\u00e3o (coisas de uma era pr\u00e9-digital, quando os discos eram escutados tal como eram concebidos), e que ningu\u00e9m precisava de \u201cTribunal de Bar\u201d, um mea culpa sobre um vexame p\u00fablico de Herbert Vianna, que subiu tr\u00eabado ao palco num show da Midnight Blues Band e, entre outras baixarias, mostrou a bunda para a plateia e caiu em cima de um bolo de anivers\u00e1rio. Mas convenhamos que isso \u00e9 muito pouco para estragar um disco t\u00e3o bonito, e que traz em seu meio \u201cAh, Maria\u201d, can\u00e7\u00e3o t\u00e3o \u00e9pica quanto esparsa, digna de merecer a designa\u00e7\u00e3o de obra-prima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: \u201cTrac-Trac\u201d, \u201cTendo a Lua\u201d.<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cAh, Maria\u201d, \u201cA Outra Rota\u201d, \u201cO Rouxinol e a Rosa\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30874\" title=\"paralamas8\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas8.jpg\" alt=\"\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Severino (1994)<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu \u00faltimo disco vendeu menos que os outros, o que voc\u00ea faz? No caso dos Paralamas, a resposta foi arriscar ainda mais (e vender ainda menos), combinando Tom Z\u00e9, Linton Kwesi Johnson, Brian May e Egberto Gismonti, em carne e osso, no mesmo \u00e1lbum. Pop na ess\u00eancia, experimental na est\u00e9tica, \u201cSeverino\u201d j\u00e1 anunciava sua estranheza no projeto gr\u00e1fico, que se valia de ilustra\u00e7\u00f5es de Artur Bispo do Ros\u00e1rio (que, diagnosticado com esquizofrenia, passou anos em um manic\u00f4mio) para dar apar\u00eancia \u00e0 sua m\u00fasica. Os quatro convidados citados resumem bem a proposta do disco: o lado mais experimental do tropicalismo, os caminhos mais sinuosos do dub, a sofistica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica \u2013 valorizando o poder da palavra cantada. \u201cDos Margaritas\u201d e \u201cVamo Bat\u00ea Lata\u201d (grandes hits na Argentina), em especial, s\u00e3o not\u00e1veis por fazer as palavras circularem reafirmando a melodia. \u201cM\u00fasico\u201d hipnotiza com graves e um arranjo quase dissonante, enquanto \u201cN\u00e3o Me Estrague o Dia\u201d provoca o corpo e pede movimento. Parceria de Herbert com Fito P\u00e1ez trazendo um solo \u201cestilo Queen\u201d de Brian May, \u201cEl Vampiro Bajo el Sol\u201d comove. E falando em vers\u00f5es, fecham o disco duas em espanhol: uma esquisita reinven\u00e7\u00e3o de \u201cGo Back\u201d, dos Tit\u00e3s, e \u201cCasi un Segundo\u201d \u2013 sim, aquela, com Egberto Gismonti ao piano. Ambas refletiam a excelente fase que a banda atravessava no mercado latino-americano, especialmente na Argentina, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 indiferen\u00e7a das r\u00e1dios brasileiras (ainda que os shows seguissem lotados por aqui). Gravado em Londres e produzido pelo ex-Roxy Music Phil Manzanera, \u201cSeverino\u201d tivesse atingido uma sonoridade mais assimil\u00e1vel com um produtor brasileiro o \u00e1lbum, mas sua bela estranheza merece ser ouvida de qualquer forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: nenhum (pelo menos no Brasil).<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cCaga\u00e7o\u201d, \u201cDos Margaritas\u201d, \u201cEl Vampiro Bajo el Sol\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30875\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"paralamas9\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas9.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"300\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\">9 Luas (1996)<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se os dois anteriores de est\u00fadio tinham tido vendas decepcionantes, Herbert, Bi e Barone fizeram as pazes com o sucesso de massa atrav\u00e9s de tr\u00eas hits num EP de quatro faixas que acompanhava o \u00e1lbum vivo \u201cVam\u00f4 Bat\u00ea Lata\u201d, de 1995 \u2013 \u201cSaber Amar\u201d, \u201cLuis In\u00e1cio e \u201cUma Brasileira\u201d \u2013 e que serviu de embri\u00e3o para este grande disco. Renato Russo que nos perdoe, mas este pode ser chamado de \u201co disco mais Paralamas dos Paralamas\u201d com maior justi\u00e7a. Produzido novamente por Carlos Savalla e trio, \u201c9 Luas\u201d consolidou a identidade da banda para f\u00e3s antigos e novos, e conseguiu isso principalmente ao deixar claro que a banda compunha, mais que nunca, olhando para dentro: de si, de seu pa\u00eds, de seu continente e dos muitos universos sociais onde vivia. Por isso, \u00e9 sintom\u00e1tico que estejam aqui vers\u00f5es (\u201cDe M\u00fasica Ligeira\u201d, do Soda Stereo, \u201cLourinha Bombril\u201d, recria\u00e7\u00e3o de \u201cP\u00e1rate y Mira\u201d, de Los Pericos; e \u201cCapit\u00e3o de Ind\u00fastria\u201d, de Marcos e Paulo Sergio Valle) e parcerias (\u201cOutra Beleza\u201d, com Lulu Santos; \u201cUm Pequeno Imprevisto\u201d, com Thedy Corr\u00eaa; e \u201cO Caro\u00e7o da Cabe\u00e7a\u201d, com Nando Reis e Marcelo Fromer, tamb\u00e9m gravada pelos Tit\u00e3s no \u00e1lbum \u201cDomingo\u201d). Elas surgem como uma maneira de transformar o mundo exterior em algo muito pr\u00f3prio. Musicalmente, as cores se multiplicavam, trazendo corais de pastoras, ska acelerado, rock de guitarras, baladas caribenhas e pop sonhador, entre outras coisas. Tematicamente, vinham a sensa\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia perdida, a inevitabilidade do t\u00e9dio e do apalermamento na vida adulta, o otimismo e o escapismo dos sonhos, a luta para fazer algo bom com isso tudo. Nesse sentido, \u201cBusca Vida\u201d resume todo o ide\u00e1rio do disco com louvor. Mas pra que resumir? \u201c9 Luas\u201d \u00e9 uma viagem que, ao contr\u00e1rio de n\u00f3s, ouvintes, e da pr\u00f3pria banda, n\u00e3o envelhece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: \u201cLourinha Bombril\u201d, \u201cLa Bella Luna\u201d, \u201cCapit\u00e3o de Ind\u00fastria\u201d, \u201cBusca Vida\u201d.<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cCapit\u00e3o de Ind\u00fastria\u201d, \u201cDe M\u00fasica Ligeira\u201d, \u201cOutra Beleza\u201d, \u201cBusca Vida\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30876\" title=\"paralamas10\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas10.jpg\" alt=\"\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Hey Na Na (1998)<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com produ\u00e7\u00e3o de Chico Neves, o nono \u00e1lbum de est\u00fadio dos Paralamas chegava quando a banda completava 15 anos de carreira. Parecia um bom momento para pensar sobre si mesma a partir da maturidade art\u00edstica e pessoal conquistada, e assim foi, desde sua abertura: \u201cPor Sempre Andar\u201d, dilacerante ao enunciar os prazeres e alegrias que s\u00e3o perdidos conforme se envelhece, apresentada como um rock intrincado em sua trama de metais, batidas programadas, cozinha \u201cgroovada\u201d e guitarras \u00e0 Santana. Na sequ\u00eancia, \u201cDepois da Queda, o Coice\u201d, um \u201chit-que-n\u00e3o-foi-mas-poderia-ter-sido\u201d, outro rock, mais suingado, cujo refr\u00e3o batiza o disco, e que amadurece a proposta de \u201c9 Luas\u201d. \u201cO Trem da Juventude\u201d celebra o novo em formato quase ac\u00fastico (e com um toque de Beck), e faz bom par com \u201cBras\u00edlia 5:31\u201d, sobre o t\u00e9dio e a melancolia da vida na estrada, e conta com Dado Villa-Lobos na guitarra. O legion\u00e1rio ainda participa do reggaezinho meio sem sal e sem corpo de \u201cO Amor N\u00e3o Sabe Esperar\u201d (em duo com Marisa Monte) e de \u201cUm Dia Em Proven\u00e7a\u201d enquanto o pop volta a se assumir sem meios-termos na poderosa \u201cEla Disse Adeus\u201d e a estranheza mostra sua beleza em \u201cScream Poetry\u201d, \u00faltima composi\u00e7\u00e3o in\u00e9dita de Chico Science, entregada postumamente \u00e0 banda e aqui musicada como uma \u201ctoada schizo\u201d, com direito \u00e0 voz e ao violino de Jorge Mautner. \u201cViernes 3 AM\u201d \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o roqueira de uma can\u00e7\u00e3o jazz\u00edstica dos argentinos Seru Giran sobre suic\u00eddio, e \u00e9 simplesmente avassaladora. E \u201cSantorini Blues\u201d rivaliza com \u201cAh, Maria\u201d no quesito obra-prima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: \u201cEla Disse Adeus\u201d, \u201cO Amor N\u00e3o Sabe Esperar\u201d.<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cScream Poetry\u201d, \u201cPor Sempre Andar\u201d, \u201cViernes 3 AM\u201d, \u201cSantorini Blues\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30877\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"paralamas11\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas11.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas11.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas11-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Longo Caminho (2002)<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado cerca de um ano ap\u00f3s o acidente de ultraleve que deixou Herbert Vianna parapl\u00e9gico e vitimou sua esposa Lucy Needham, \u201cLongo Caminho\u201d trazia a banda reduzida ao formato trio na maioria das m\u00fasicas \u2013 uma proposta que vinha sendo planejada desde antes da trag\u00e9dia, tanto que a maior parte das faixas havia sido composta previamente a ela. Resgatando a sonoridade de power trio (com um teclado aqui e ali) que aparecia em \u201cO Passo do Lui\u201d e \u201cSelvagem?\u201d, Herbert, Bi e Barone convocaram Carlo Bartolini para a produ\u00e7\u00e3o, o guitarrista que gravou alguns dos maiores sucessos do primeiro disco do Ultraje a Rigor nos anos 80, e deixou a banda antes do segundo disco para ir estudar o instrumento nos EUA. Desta forma, o \u00e1lbum j\u00e1 abre mostrando a que veio com o riff zepelliniano (e a bateria \u00e0 The Who) de \u201cO Calibre\u201d. Arrepiante, como tamb\u00e9m era a delicadeza de \u201cSeguindo Estrelas\u201d e seu doloroso clipe, dor que se repetia em \u201cAmor em V\u00e3o\u201d. Guitarras falavam alto novamente na lenta \u201cFlores do Deserto\u201d (letra de Marcelo Yuka), na acelerada \u201cSoldado da Paz\u201d (que redimia a piegas vers\u00e3o gravada originalmente pelo Cidade Negra em seu \u201cAc\u00fastico MTV\u201d) e na cover de \u201cRunning on the Spot\u201d, do The Jam, a \u00fanica com o naipe de metais. A melodia entre Kinks e Beatles de \u201cHinckley Pond\u201d fechava o disco e sublinhava que a vida seria, sim, diferente, mas seguiria, com a mesma for\u00e7a e a mesma gana musical de sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: \u201cO Calibre\u201d, \u201cCuide Bem do seu Amor\u201d, \u201cSeguindo Estrelas\u201d.<br \/>\nOu\u00e7a: os sucessos, \u201cSoldado da Paz\u201d, \u201cAmor em V\u00e3o\u201d, \u201cRunning on the Spot\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30878\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"paralamas12\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas12.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"300\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Hoje (2005)<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas anos depois de \u201cLongo Caminho\u201d chega o primeiro disco com composi\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas de Herbert, as primeiras compostas na cadeira de rodas. E a condi\u00e7\u00e3o de cadeirante \u00e9 tema de muitas delas, direta ou indiretamente. De uma sinceridade brutal, as letras s\u00e3o sublinhadas por um instrumental encorpado, denso (\u00e0s vezes denso demais, devido \u00e0 ousadia de Carlo Bartolini, que divide a produ\u00e7\u00e3o aqui com Liminha). Aqui os Paralamas soam como uma unidade \u2013 n\u00e3o apenas o trio, mas os demais m\u00fasicos (Jo\u00e3o Fera, o percussionista Eduardo Lyra, o saxofonista Monteiro Jr. e o trombonista Bid\u00fa Cordeiro), todos profundamente entrosados. O clima de uni\u00e3o se estende aos convidados. Exemplos perfeitos disso s\u00e3o a grandiosa \u201cP\u00e9talas\u201d (com o viol\u00e3o de Nando Reis, tamb\u00e9m parceiro na composi\u00e7\u00e3o), a paulada emocional e r\u00edtmica de \u201cPonto de Vista\u201d (com a guitarra de Andreas Kisser) e o suingue urbano de \u201cSoledad Cidad\u00e3o \/ Me Llaman Calle\u201d, com Manu Chao. Quando buscava o pop, acertava em cheio, como se nota em \u201cDe Perto\u201d, \u201cNa Pista\u201d (tal qual \u201cMeu Erro\u201d, com o arranjo \u201cfeliz\u201d mascarando uma poesia cheia de dor) e a j\u00e1 citada \u201cP\u00e9talas\u201d. Os ritmos jamaicanos eram incorporados a essa nova sonoridade em \u201cAo Acaso\u201d (que tamb\u00e9m tinha uma vers\u00e3o dub como b\u00f4nus) e \u201c2A\u201d. Por outro lado, a faixa-t\u00edtulo, \u201cPasso Lento\u201d e a vers\u00e3o de \u201cDeus lhe Pague\u201d, de Chico Buarque (escolhida pelos f\u00e3s atrav\u00e9s de vota\u00e7\u00e3o na internet) traziam um Paralamas mais sombrios que jamais se escutaria. Um excelente disco, quase ignorado em seu tempo, e que merece uma reavalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: \u201cNa Pista\u201d, \u201cDe Perto\u201d.<br \/>\nOu\u00e7a: os sucessos, \u201cPonto de Vista\u201d, \u201cSoledad Cidad\u00e3o\u201d, \u201cP\u00e9talas\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30879\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"paralamas13\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas13.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas13.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas13-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Brasil Afora (2009)<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO disco foi feito sem contrato com gravadora. Com a EMI, tivemos apenas um contrato de distribui\u00e7\u00e3o (&#8230;). Fomos n\u00f3s quem bancamos. Eu acho que n\u00e3o vendeu nem 20 mil c\u00f3pias. \u00c9 estranho, tem m\u00fasicas bem pop l\u00e1\u201d, declarou Jo\u00e3o Barone a respeito deste disco em uma exclusiva para o Scream &amp; Yell em 2013. E de fato, os Paralamas n\u00e3o soavam t\u00e3o radiof\u00f4nicos desde o EP de est\u00fadio de \u201cVamo Bat\u00ea Lata\u201d. Mas onde estavam as r\u00e1dios em 2009? No mesmo lugar que est\u00e3o hoje, sem espa\u00e7o para o que n\u00e3o \u00e9 popularesco. Assim, desperdi\u00e7a-se hits como \u201cMeu Sonho\u201d, \u201cSem Mais Adeus\u201d (Carlinhs Brown e Alain Tavares), \u201cA Lhe Esperar\u201d (de Arnaldo Antunes e Liminha), \u201cAposte em Mim\u201d (apesar da letra simplesinha) e \u201cEl Amor\u201d (regrava\u00e7\u00e3o de \u201cEl Amor Despu\u00e9s del Amor\u201d, de Fito P\u00e1ez), que possivelmente teriam cravado presen\u00e7a nas FMs se lan\u00e7adas no passado. Apesar disso, n\u00e3o \u00e9 um disco datado: em produ\u00e7\u00e3o e em esp\u00edrito, \u201cBrasil Afora\u201d soa fresco e moderno, e faz um felic\u00edssimo resgate das ra\u00edzes nordestinas dos Paralamas com \u201cMorma\u00e7o\u201d (com o melhor vocal de Herbert em anos, e uma bela participa\u00e7\u00e3o de Z\u00e9 Ramalho). Merecem destaque ainda o groove c\u00e1lido e downtempo (quase psicod\u00e9lico) de \u201cTempero Zen\u201d e as guitarras altas da faixa-t\u00edtulo (\u201csendo 100% honesto \/ eu s\u00f3 sonho em ter acesso \/ em ter como chegar perto \/ sem chamar tanta aten\u00e7\u00e3o\u201d) e de \u201cT\u00e3o Bela\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sucessos: nenhum.<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cMorma\u00e7o\u201d, \u201cSem Mais Adeus\u201d, \u201cTempero Zen\u201d, \u201cBrasil Afora\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30880\" title=\"paralamas14\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas14.jpg\" alt=\"\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\">AO VIVO<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 o acidente de Herbert, os shows eram famosos pelo pique incessante, pela excel\u00eancia instrumental e pelo repert\u00f3rio imprevis\u00edvel, que podia conter lados B, recria\u00e7\u00f5es, dubs e outros improvisos. \u201cD\u201d (1987), o primeiro registro, n\u00e3o \u00e9 o melhor exemplo disso: com Jo\u00e3o Fera rec\u00e9m-incorporado \u00e0 banda e com o trio sentindo o peso de gravar um disco ao vivo em Montreux, a execu\u00e7\u00e3o fica um pouco amarrada, e a mixagem embolada tampouco colabora. Apesar disso, cont\u00e9m uma vers\u00e3o de \u201cAlagados\u201d mesclada com \u201cDe Frente pro Crime\u201d (Jo\u00e3o Bosco) que ficou famosa \u2013 e a in\u00e9dita \u201cSer\u00e1 que Vai Chover?\u201d, um reggae rock cheio de graves, tamb\u00e9m teve boa execu\u00e7\u00e3o nas r\u00e1dios (est\u00e1 presente no disco tamb\u00e9m uma vers\u00e3o em est\u00fadio, bem inferior). \u201cSelvagem?\u201d recebeu cita\u00e7\u00e3o \u201cPolicia\u201d, dos Tit\u00e3s, e o grupo ainda gravou uma vers\u00e3o de \u201cCharles Anjo 45\u201d, de Jorge Ben. \u00c9 bom? Sim, mas poderia ter sido muito melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30881\" title=\"paralamas15\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas15.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVamo Bat\u00ea Lata\u201d (1995) \u00e9 \u201cmuito melhor\u201d! Reflexo da excelente fase da banda nos palcos, com shows poderosos que podiam superar as tr\u00eas horas de dura\u00e7\u00e3o, cheios de reinven\u00e7\u00f5es do repert\u00f3rio, covers, cita\u00e7\u00f5es e muita energia bruta. Quatro faixas de \u201cSeverino\u201d apareciam em releituras empolgantes, e duas delas (\u201cDos Margaritas\u201d e \u201cVamo Bat\u00ea Lata\u201d) enfim se tornaram os hits que mereciam s\u00ea-lo desde o in\u00edcio. O medley do repert\u00f3rio de Tim Maia, \u201cVoc\u00ea\/Gostava Tanto de Voc\u00ea\u201d e a vers\u00e3o de \u201cA Novidade\u201d, que reaproveitava elementos introduzidos por Gilberto Gil em seu \u201cMTV Unplugged\u201d, tamb\u00e9m mantiveram os Paralamas em alta rota\u00e7\u00e3o nas r\u00e1dios, impulsionando uma inesquec\u00edvel turn\u00ea e abrindo caminho para uma nova fase da banda \u2013 caminho esse que j\u00e1 se insinuava no EP de est\u00fadio que vinha junto com o disco, trazendo quatro faixas, das quais tr\u00eas (!) foram hits: a balada \u201cSaber Amar\u201d (novamente com Charly Garc\u00eda ao piano), o rap \u201cLuis In\u00e1cio (300 Picaretas)\u201d (que rendeu pol\u00eamica ao reciclar uma fala de Lula na qual ele dizia haver no Congresso Nacional \u201c300 picaretas com anel de doutor\u201d) e a luminosa \u201cUma Brasileira\u201d, parceria com Carlinhos Brown cantada a duo com Djavan, estourada\u00e7a nas r\u00e1dios e na ent\u00e3o influente MTV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30882\" title=\"paralamas16\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas16.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o constante na discografia oficial, os Paralamas se juntaram aos Tit\u00e3s para fazer algo que nem mesmo Humberto Gessinger poderia imaginar: virar uma banda numa propaganda de absorventes. \u201cSempre Livre Mix \u2013Tit\u00e3s e Paralamas Juntos ao Vivo\u201d foi fruto de uma a\u00e7\u00e3o de marketing da Johnson &amp; Johnson, que patrocinou uma turn\u00ea conjunta das duas bandas por 13 cidades do pa\u00eds. A apresenta\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro virou um CD com oito can\u00e7\u00f5es (quatro de cada banda), executadas por ambas em conjunto, mais uma entrevista com elas. A mistura \u00e9 mais divertida que boa, por\u00e9m funciona muito bem em \u201cNem 5 Minutos Guardados\u201d e \u201cP\u00f3lvora\u201d. Em 2008, a dobradinha se repetiria, dessa vez de forma \u201coficial\u201d, em \u201cParalamas e Tit\u00e3s \u2013 Juntos ao Vivo\u201d. Acredite: o disco do absorvente era melhor&#8230; Na verdade, \u201cParalamas e Tit\u00e3s&#8230;\u201d faz parte da infeliz tend\u00eancia de mercado para o per\u00edodo p\u00f3s-2000 no pop brasileiro, em que discos ao vivo rivalizavam (ou superavam) em n\u00famero os lan\u00e7amentos de in\u00e9ditas. Sa\u00edram, ent\u00e3o, dois discos sob o selo \u201cMultishow ao Vivo\u201d: o \u00f3timo \u201cBrasil Afora\u201d e o previs\u00edvel \u201cOs Paralamas do Sucesso \u2013 30 Anos\u201d. O primeiro entrega vigor, criatividade, boas participa\u00e7\u00f5es de Pitty (em \u201cTendo a Lua\u201d) e Z\u00e9 Ramalho (numa \u201cMorma\u00e7o\u201d mais veloz) e um repert\u00f3rio menos \u00f3bvio; o segundo \u00e9 mais uma colet\u00e2nea de hits com participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, que n\u00e3o traz muitas novidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30883\" title=\"paralamas17\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas17.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cRock in Rio ao Vivo \u2013 Os Paralamas do Sucesso 1985\u201d foi lan\u00e7ado apenas em 2007, e pega a banda na consagrat\u00f3ria apresenta\u00e7\u00e3o no primeiro grande festival do Brasil. Ao contr\u00e1rio de \u201cD\u201d, tem um som muito bem cuidado, no qual inclusive aparece a limita\u00e7\u00e3o do equipamento da banda. Ainda muito influenciada pela new wave, mas j\u00e1 buscando (e dando mostras) de sua identidade, \u00e9 um registro hist\u00f3rico valoroso, e uma bela fonte de divers\u00e3o. De curiosidade, a vers\u00e3o de \u201cIn\u00fatil\u201d, do Ultraje a Rigor (piv\u00f4 da antipatia gratuita de Roger Rocha Moreira, que se incomodou \u2013 e se incomoda at\u00e9 hoje \u2013 por n\u00e3o ter sido citado como autor da can\u00e7\u00e3o no palco). No mesmo esp\u00edrito revisionista, \u201cLegi\u00e3o Urbana e Paralamas Juntos\u201d (2009) resgata um especial que a Rede Globo levou ao ar uma \u00fanica vez, em 1988, trazendo um concerto das duas bandas no Teatro F\u00eanix (RJ) que culminou com as duas bandas juntas no palco. Bastante recomend\u00e1vel!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30884\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"paralamas18\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas18.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"419\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas18.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas18-300x209.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes destes todos, \u201cUns Dias ao Vivo\u201d (2004) celebrava a recupera\u00e7\u00e3o de Herbert com um repert\u00f3rio bem selecionado de 25 can\u00e7\u00f5es, entre grandes sucessos e faixas menos conhecidas, mas dignas de estarem na festa. Por\u00e9m, o entra-e-sai de convidados (nove ao todo, de Gustavo Black Alien a Edgard Scandurra) e o fato de que Herbert ainda estava se readaptando aos palcos deixa o disco com um valor mais sentimental que art\u00edstico. Se \u00e9 para celebrar o presente, o j\u00e1 citado \u201cMultishow ao Vivo: Brasil Afora\u201d \u00e9 uma festa mais animada e duradoura.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30885\" title=\"paralamas19\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas19.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"406\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas19.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas19-300x203.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\">AC\u00daSTICO<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A edi\u00e7\u00e3o presente na caixa limou o \u201cMTV\u201d do nome, mas o disco existe por causa do programa da emissora. Na \u00e9poca (2000), o formato ac\u00fastico j\u00e1 dava sinais de desgaste, mas mantinha sua fama de \u201crevitalizador de carreiras\u201d (ou \u201cressuscitador\u201d, diriam os mais maldosos). Nem tanto o c\u00e9u nem tanto a Terra: a carreira dos Paralamas, embora n\u00e3o estourada, estava longe de estar mal, assim como o disco n\u00e3o teve a repercuss\u00e3o massiva que tiveram iniciativas semelhantes assinadas por Tit\u00e3s e Capital Inicial. Fugindo da obviedade no repert\u00f3rio e nos arranjos, que privilegiavam os metais e a percuss\u00e3o, os Paralamas entregaram um disco econ\u00f4mico, bonito, que est\u00e1 em sintonia com o resto de sua discografia e se sustenta independentemente de tend\u00eancias ou apresenta\u00e7\u00f5es gravadas em v\u00eddeo. \u00c9 verdade que a mixagem e a masteriza\u00e7\u00e3o t\u00eam pecados: o produto final soa alto, quase saturado, com vozes muito \u00e0 frente. Por\u00e9m, n\u00e3o d\u00e1 pra chiar depois de ouvir a renova\u00e7\u00e3o operada em \u201cVai Valer\u201d, com os sopros substituindo as cordas; ou a transforma\u00e7\u00e3o de \u201cMeu Erro\u201d em uma balada jazzy, adequadamente interpretada por Zizi Possi (a \u00fanica convidada da empreitada\u2013 o legion\u00e1rio Dado Villa-Lobos seria incorporado \u00e0 banda para este disco e a subsequente turn\u00ea). Havia novidades de monte: a balada pop \u201cUm Amor, Um Lugar\u201d (composi\u00e7\u00e3o de Herbert gravada primeiro por Fernanda Abreu), covers impec\u00e1veis de Beto Guedes (\u201cFeira Moderna\u201d), Chico Science (\u201cManguetown\u201d) e Talking Heads (uma \u201cLife During Wartime\u201d que supera a original), a salsa urbana \u201cSincero Breu\u201d (que Pedro Luis entregou, in\u00e9dita, \u00e2 banda), vers\u00f5es corretas de Tim Maia e Legi\u00e3o Urbana (\u201cQue Pa\u00eds \u00c9 Este?\u201d viraria hit, assim como a da Na\u00e7\u00e3o Zumbi) e muitas faixas esquecidas na discografia da banda, a maior parte delas bem recriada (\u201cVulc\u00e3o Dub\u201d introduzindo \u201cFui Eu\u201d, \u201cBora Bora\u201d, \u201cNavegar Impreciso\u201d, entre outras). N\u00e3o fosse a produ\u00e7\u00e3o e a sequ\u00eancia esquisita das faixas, que n\u00e3o flui bem, seria um cl\u00e1ssico.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30886\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"paralamas20\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas20.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas20.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas20-300x100.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\">COMPILA\u00c7\u00d5ES<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o tr\u00eas as colet\u00e2neas oficiais dos Paralamas do Sucesso: \u201cArquivo\u201d foi lan\u00e7ada em 1990 e era uma festa dos hits da primeira fase (at\u00e9 \u201cBig Bang\u201d), incluindo ainda duas in\u00e9ditas: a fenomenal \u201cCaleidosc\u00f3pio\u201d (composta originalmente para Dulce Quental) e \u201cVital e sua Moto (Vers\u00e3o 90)\u201d, em que o primeiro hit era despido dos elementos que tanto incomodavam a banda em seu primeiro registro. Ambas acabaram por se tornar grandes hits tamb\u00e9m. J\u00e1 \u201cArquivo II\u201d era mais modesto na sele\u00e7\u00e3o (apenas 12 faixas) e privilegiava baladas rom\u00e2nticas \u2013 inclusive as faixas in\u00e9ditas, \u201cAonde Quer que Eu V\u00e1\u201d e \u201cMensagem de Amor (2000)\u201d, se encaixavam neste r\u00f3tulo. A aus\u00eancia de \u201cCapit\u00e3o de Ind\u00fastria\u201d, de qualquer faixa de \u201cSeverino\u201d ou dos hits ao vivo de \u201cVamo Bat\u00ea Lata\u201d \u00e9 injustific\u00e1vel. \u201cArquivo 3\u201c foi lan\u00e7ado em 2010 e cont\u00e9m m\u00fasicas de todos os \u00e1lbuns lan\u00e7ados entre 2001 e 2010, sendo o primeiro &#8220;Arquivo&#8221; a n\u00e3o conter m\u00fasicas in\u00e9ditas ou regrava\u00e7\u00f5es (exceto uma vers\u00e3o ao vivo de &#8220;Selvagem&#8221;). H\u00e1 ainda os dois volumes da \u201cPerfil\u201d, s\u00e9rie de colet\u00e2neas-padr\u00e3o lan\u00e7ada pelo Som Livre, mas n\u00e3o constam da discografia oficial.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30887\" title=\"paralamas21\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas21.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"296\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas21.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas21-300x148.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1982 \u2013 2015 \u00e9 a caixa lan\u00e7ada em 2015 (e que deveria ter sa\u00eddo em 2013) com 18 relan\u00e7amentos (o ao vivo comemorativo dos 30 anos ficou de fora) e mais dois CDs que compilam material raro. O primeiro deles junta material tirado dos discos que a banda gravou em espanhol: \u201cSeverino\u201d (com o t\u00edtulo \u201cDos Margaritas\u201d) \u201c9 Luas\u201d e \u201cHey Na Na\u201d tiveram vers\u00f5es diferentes para o mercado latino, com outras capas e algumas can\u00e7\u00f5es vertidas para o idioma dos Hermanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30888\" title=\"paralamas22\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas22.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"298\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas22.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas22-300x149.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, em 1992 lan\u00e7aram uma colet\u00e2nea em que regravavam, com letras mal vertidas para o espanhol e Herbert ainda desconfort\u00e1vel no idioma, seus maiores sucessos. Desta caixa, o disquinho \u201cParalamas en Espa\u00f1ol\u201d faz um apanhado justo desse material todo, e ainda traz duas covers in\u00e9ditas: \u201cQue me Pisen\u201d (do Sumo) e \u201cHablando a Tu Coraz\u00f3n\u201d (Charly Garc\u00eda), gravadas especialmente para a ocasi\u00e3o. Entre as aus\u00eancias, \u201cElla Dice Adios\u201d e \u201cUna Brasilera\u201d fazem falta, mas vale prestar aten\u00e7\u00e3o na comicidade de \u201cCancion Del Marinero\u201d, no arrepiante acento Motown acrescido em \u201cInundados\u201d e na homenagem a Charly Garcia em \u201cDos Margaritas\u201d (que entra na letra no lugar de Vital).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30889\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"paralamas23\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas23.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 \u201cRaridades\u201d faz jus ao nome, tomando faixas de tributos, programas de TV (como a poderosa parceria com a Legi\u00e3o Urbana em \u201cAinda \u00e9 Cedo\u201d, com cita\u00e7\u00e3o de \u201cJumpin\u2019 Jack Flash\u201d, dos Stones) e participa\u00e7\u00f5es em outros discos (de Lulu Santos, Ira!, Gilberto Gil e outros), al\u00e9m das faixas exclusivas do dois \u201cArquivo\u201d. Um brinde precioso aos f\u00e3s, com \u00f3timas vers\u00f5es de Jorge Ben, Djavan e Wilson Simonal, entre outros. Mas poderiam ter inclu\u00eddo \u201cRap de las Hormigas\u201d (presente em \u201cParte de la Religi\u00f3n\u201d, \u00e1lbum de Charly Garc\u00eda), \u201cBrasileiro em T\u00f3quio\u201d (no \u201c\u00c9 Tudo 1 Real\u201d, de Pedro Luis e a Parede) e \u201cAi Quem Me Dera a Mim Rolar Contigo Num Palheiro\u201d (do tributo ao m\u00fasico portugu\u00eas Rui Veloso). N\u00e3o se pode ter tudo&#8230;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30890\" title=\"paralamas24\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas24.jpg\" alt=\"\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\">HERBERT VIANNA SOLO E CURIOSIDADES<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bi Ribeiro e Jo\u00e3o Barone s\u00e3o \u201cautossatisfat\u00f3rios\u201d, nas palavras deste \u00faltimo. Mesmo assim, n\u00e3o negam convites para tocar em discos de amigos, ou mesmo produzi-los (Barone pilotou a mesa em discos de Los Djangos, sua esposa Katia B e at\u00e9 Supla, entre outros). Por\u00e9m, nenhum dos dois gravou algo, fosse sob seus pr\u00f3prios nomes ou travestidos como projeto paralelo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juntos, os tr\u00eas foram banda de apoio de Eduardo Dusek no lado A (o lado brega) do cult \u201cBrega e Chique\u201d, de 1984. N\u00e3o s\u00f3: Herbert cedeu duas m\u00fasicas suas in\u00e9ditas para Dusek, as \u00f3timas \u201cRecebi seu Bilhetinho\u201d e \u201cO Cr\u00e1pula\u201d, esta \u00faltima registrada ao vivo com os Paralamas no epis\u00f3dio \u201cHoje \u00e9 Dia de Rock\u201d, da s\u00e9rie Arma\u00e7\u00e3o Ilimitada, cuja trama focava no sumi\u00e7o de sua guitarra. Sem seu instrumento, Herbert \u00e9 flagrado (com os outros Paralamas) tocando m\u00fasica brega (\u201cO Cr\u00e1pula\u201d) numa churrascaria. Al\u00e9m das duas, os Paralamas acompanham Dusek em \u201cMaldito Dinheiro\u201d (sobre uma professora que se prostituia) e \u201cOh! My Darling Bezerr\u00e3o\u201d, hino vegetariano dos Miquinhos Amestrados (Leo Jaime, Claudio Killer e Selvagem Big Abreu) sobre um rapaz que v\u00ea em um bezerro, que ser\u00e1 assado pelo pai, um \u201camigo de ouro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra curiosidade: \u201cSo Lonely\u201d \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o do Police lan\u00e7ada no \u00e1lbum \u201cOutlandos d\u2019Amour\u201d, de 1978. A vers\u00e3o \u201cSolange\u201d (\u201chomenagem\u201d a uma famosa censora federal), assinada por Leo Jaime e Leoni, aparece no \u00e1lbum \u201cSess\u00e3o da Tarde\u201d, lan\u00e7ado por Leo Jaime em 1985. \u201cSolange\u201d traz Herbert Vianna na guitarra, Bi Ribeiro no baixo, Jo\u00e3o Barone na bateria e o ent\u00e3o casal Leoni e Paula Toller nos backings\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30891\" title=\"paralamas25\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas25.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Herbert, por sua vez, tem quatro \u00e1lbuns solo. \u201c\u00ca Batumar\u00e9\u201d (1992), com seus acenos a Tom Z\u00e9, Jo\u00e3o Cabral de Mello Neto e Television, \u00e9 praticamente um ensaio para \u201cSeverino\u201d \u2013 e portanto, muito bom (procure as can\u00e7\u00f5es \u201cA Nova Cruz\u201d, Li\u00e7\u00e3o de Astronomia\u201d e \u201cMobral\u201d, est\u00e1 \u00faltima com cita\u00e7\u00e3o de Z\u00e9 Ramalho. \u201cSantorini Blues\u201d (1997) recupera can\u00e7\u00f5es que ele fez para os Paralamas e para outros artistas (como \u201cSpeed Racer\u201d, gravada por Fernanda Abreu), al\u00e9m de covers de Eric Clapton (\u201cAnnie\u201d, do disco gravado por Pete Townshend e Ronnie Lane) e Fito P\u00e1ez (\u201cPor Siete Vidas\u201d) \u2013 tudo registrado ao viol\u00e3o (tem uma guitarra aqui, um piano ali e uma percuss\u00e3o acol\u00e1). Soa aborrecido, mas na verdade \u00e9 um disco bel\u00edssimo, t\u00e3o viciante quanto subestimado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30892\" title=\"paralamas26\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas26.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO Som do Sim\u201d (2000) era colaborativo: feito com uma penca de m\u00fasicos e cantores convidados, traz momentos inspirados (\u201cMr. Scarecrow\u201d, em dueto com C\u00e1ssia Eller, \u201cPartir, Andar\u201d, com Z\u00e9lia Duncan, e \u201cO Muro\u201d, com Black Alien), mas carece de organicidade. \u201cVictoria\u201d (2012) podia ser um \u201cSantorini Blues volume 2\u201d, j\u00e1 que o conceito \u00e9 parecido, mas o resultado n\u00e3o encanta na mesma propor\u00e7\u00e3o: parece apressado em seus andamentos, quase atropelando a melodia e a dura\u00e7\u00e3o natural de algumas can\u00e7\u00f5es. Assim, se misturam excelentes oportunidades desperdi\u00e7adas (\u201cNada por Mim\u201d e \u201cJunto ao Mar\u201d mereciam mais cuidado) com surpresas (\u201cSe Eu N\u00e3o te Amasse Tanto Assim\u201d, despida da grandiloqu\u00eancia de Ivete Sangalo, \u00e9 uma p\u00e9rola). Como \u201cD\u201d, um disco bom que ficou aqu\u00e9m de seu potencial.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30893\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"paralamas27\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/paralamas27.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"473\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\">V\u00cdDEOS<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quase todos os \u00e1lbuns ao vivo do Paralamas tiveram sua vers\u00e3o em v\u00eddeo: \u201cD\u201d foi lan\u00e7ado em VHS com a apropriada renomea\u00e7\u00e3o \u201cV \u2013 O V\u00eddeo\u201d, hoje indispon\u00edvel. \u201cVamo Bat\u00ea Lata\u201d n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 t\u00e3o bom quanto o CD como traz ainda faixas b\u00f4nus: \u201cCaga\u00e7o\u201d (com \u201cHero\u00edna\u201d, do Sumo, citada no meio) e \u201cNavegar Impreciso\u201d, al\u00e9m de um trechinho de \u201cWhole Lotta Love\u201d, do Led Zeppelin. Outros registros do tipo s\u00e3o os DVDs de \u201cAc\u00fastico\u201d, \u201cUns Dias ao Vivo\u201d, \u201cRock in Rio ao Vivo \u2013Os Paralamas do Sucesso 1985\u201d, \u201cLegi\u00e3o Urbana e Paralamas Juntos\u201d, \u201cParalamas e Tit\u00e3s Juntos ao Vivo\u201d e\u201d Multishow ao Vivo \u2013 Brasil Afora\u201d, sem maiores surpresas. O DVD com a Legi\u00e3o, ali\u00e1s, peca em oferecer extras apenas simp\u00e1ticos (clipes, apari\u00e7\u00f5es em playback no programa Globo de Ouro) em vez de resgatar coisas que apareciam apenas em trechos no programa original, como \u201cPurple Haze\u201d (de Jimi Hendrix), \u201cThe Song Remains the Same\u201d (Led Zeppelin) e \u201cGet Back\u201d (Beatles), al\u00e9m de faixas executadas durante os ensaios. \u201cLongo Caminho\u201d e \u201cHoje\u201d viraram DVDs. O primeiro tem tom documental, e mistura entrevista a trechos de grava\u00e7\u00f5es e ensaios para o disco hom\u00f4nimo. O segundo pega a banda ao vivo em est\u00fadio, sem firulas, executando na ordem as faixas do disco de 2006, mais vers\u00f5es renovadas de \u201cBusca Vida\u201d (mais \u201crockificada\u201d) e \u201cO Muro\u201d (do disco solo de Herbert, \u201cO Som do Sim\u201d), formando uma apresenta\u00e7\u00e3o poderosa. H\u00e1 ainda \u201cArquivo de Imagens\u201d, que compila todos os clipes lan\u00e7ados at\u00e9 2003. Por fim, dois itens que vale muito ir atr\u00e1s: o document\u00e1rio dolorido \u201cHerbert de Perto\u201d, de Pedro Bronz, lan\u00e7ado em 2008 (com alguns momentos delicad\u00edssimos) e um filme para a TV feito em 1998, \u201cParalamas em Close Up\u201d, que pode ser assistido abaixo, e soa como um document\u00e1rio sobre a gera\u00e7\u00e3o 80 do rock brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/x-7CuuKoeFI\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/x-7CuuKoeFI\" \/><\/object><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">DUAS LISTAS<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando o impacto para a \u00e9poca em que foram lan\u00e7ados, as circunst\u00e2ncias para a banda e tamb\u00e9m o inevit\u00e1vel passar do tempo, elaboramos uma lista dos discos por relev\u00e2ncia, o que tamb\u00e9m serviria como um guia para aqueles que querem mergulhar fundo na obra dos Paralamas. Logo abaixo, a lista de discos favoritos do autor.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>POR ONDE COME\u00c7AR<\/strong><br \/>\n1) Selvagem?<br \/>\n2) Bora Bora<br \/>\n3) Severino<br \/>\n4) Nove Luas<br \/>\n5) O Passo do Lui<br \/>\n6) Vamo Bat\u00ea Lata<br \/>\n7) Longo Caminho<br \/>\n8 ) Os Gr\u00e3os<br \/>\n9) Hoje<br \/>\n10) Brasil Afora<br \/>\n11) Big Bang<br \/>\n12) Hey Na Na<br \/>\n13) Cinema Mudo<br \/>\n14) D<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>OS FAVORITOS DO AUTOR<\/strong><br \/>\n1) Hey Na Na<br \/>\n2) Hoje<br \/>\n3) Selvagem?<br \/>\n4) Bora Bora<br \/>\n5) Nove Luas<br \/>\n6) Vamo Bat\u00ea Lata<br \/>\n7) Big Bang<br \/>\n8 ) O Passo do Lui<br \/>\n9) Os Gr\u00e3os<br \/>\n10) Longo Caminho<br \/>\n11) Severino<br \/>\n12) Brasil Afora<br \/>\n13) D<br \/>\n14) Cinema Mudo<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/4FMqLi9dCJ8\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/4FMqLi9dCJ8\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/zbq0kdvlvhI\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/zbq0kdvlvhI\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/2L5przuODhI\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/2L5przuODhI\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/qbost5nvAnc\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/qbost5nvAnc\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Jo\u00e3o Barone: &#8220;\u00c9 l\u00f3gico que a gente j\u00e1 quebrou o pau algumas vezes&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/14\/brasil-afora-paralamas\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Herbert Vianna apoia o projeto &#8220;Somos Todos Latinos&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2015\/03\/18\/somostodoslatinos-herbert-vianna\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cBrasil Afora\u201d mostra um Paralamas inspirado e inspirando-se (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/14\/brasil-afora-paralamas\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cLegi\u00e3o Urbana e Paralamas Juntos\u201d \u00e9 retrato exemplar de \u00e9poca (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/04\/27\/legiao-urbana-e-paralamas-juntos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Raridades dos Paralamas do Sucesso chegam na web (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2015\/02\/25\/raridades-dos-paralamas-do-sucesso\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;De Musica Ligeira&#8221;: Soda Stereo, Paralamas e Capital Inicial (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2013\/09\/27\/soda-stereo-paralamas-e-capital-inicial\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Especial: Herbert Vianna encontra Mestre Vieira (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/10\/07\/herbert-vianna-encontra-mestre-vieira%E2%80%8F\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outras discografias comentadas<\/strong><br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Pin Ups, por Richard Cruz (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/04\/20\/discografia-comentada-pin-ups\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Ramones, por Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/01\/discografia-comentada-ramones\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: The Clash, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/16\/discografia-comentada-the-clash\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Sin\u00e9ad O\u2019Connor, por Renan Guerra (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/07\/08\/discografia-comentada-sinead-oconnor\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Babasonicos, por Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/13\/discografia-comentada-babasonicos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Suede, por Eduardo Palandi (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/08\/15\/discografia-comentada-suede\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Alanis Morissette, por Renata Arruda (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/08\/13\/discografia-comentada-alanis-morissette\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Pato Fu, por Tiago Agostini (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/07\/26\/discografia-comentada-pato-fu\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Mogwai, por Elson Barbosa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/09\/discografia-comentada-mogwai\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Wander Wildner, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/06\/discografia-comentada-wander-wildner\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Foo Fighters, por Tomaz de Alvarenga (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/discografia-comentada-foo-fighters\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Morrissey, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/21\/discografia-comentada-morrissey\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Bob Dylan, por Gabriel Innocentini (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2010\/11\/09\/discografia-comentada-bob-dylan-parte-1\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Paul McCartney, por Wilson Farina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2011\/06\/22\/discografia-comentada-paul-mccartney\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Elvis Costello, por Marco Antonio Bart (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2010\/09\/20\/discografia-comentada-elvis-costello\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Echo and The Bunnymen, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2010\/11\/09\/2009\/06\/11\/discografia-comentada-echo-the-bunnymen\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: The Cure, por Samuel Martins (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2010\/11\/09\/2010\/09\/20\/2009\/04\/23\/discografia-comentada-the-cure\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Leonard Cohen, por Julio Costello (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/leonardcohen.html\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Midnight Oil, por Leonardo Vinhas (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/midnightoil_discografia.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: Nick Cave, por Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/10\/04\/discografia-comentada-nick-cave\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um passeio pelos 12 discos, os v\u00e1rios ao vivo, \u00e1lbuns em espanhol, colet\u00e2neas e solos de Herbert Vianna, Bi Ribeiro e Barone\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/06\/02\/discografia-comentada-os-paralamas-do-sucesso\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30864"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30864"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30864\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":56594,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30864\/revisions\/56594"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30864"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30864"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30864"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}