{"id":30724,"date":"2015-05-22T12:23:35","date_gmt":"2015-05-22T15:23:35","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=30724"},"modified":"2016-08-31T03:41:54","modified_gmt":"2016-08-31T06:41:54","slug":"entrevista-tiago-monteiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/05\/22\/entrevista-tiago-monteiro\/","title":{"rendered":"Entrevista: Tiago Monteiro"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30725\" title=\"tiago_monteiro\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/tiago_monteiro.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/tiago_monteiro.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/tiago_monteiro-234x300.jpg 234w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe voc\u00ea perguntar para qualquer pessoa na rua o que \u00e9 m\u00fasica portuguesa, ela vai dizer o qu\u00ea? Roberto Leal, folclore, vai lembrar-se do vira, talvez at\u00e9 por conta da coisa c\u00f4mica dos Mamonas, e talvez, quem sabe, lembre do fado\u201d, diz o pesquisador de m\u00fasica portuguesa Tiago Monteiro, autor do livro \u201c<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/tudoistoepop\" target=\"_blank\">Tudo Isto \u00e9 Pop<\/a>\u201d, trabalho que \u00e9 fruto de sua tese de doutorado pela Universidade Federal Fluminense. Lan\u00e7ado pela editora Caet\u00e9s no come\u00e7o de 2014, o trabalho procura reduzir a dist\u00e2ncia de um oceano entre a can\u00e7\u00e3o popular do Brasil e de Portugal, apresentando a m\u00fasica d\u2019al\u00e9m-mar para os brasileiros &#8211; algo que quem l\u00ea o Scream &amp; Yell h\u00e1 algum tempo sabe que tem sido uma das principais bandeiras do site.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do teor acad\u00eamico, a pesquisa nasceu de uma curiosidade \u00edntima de Monteiro, que \u00e9 filho de um casal de portugueses. \u201cQuando meu pai morreu, comecei a buscar esse imagin\u00e1rio. Quis entender que eu vinha de Portugal, e o que essa heran\u00e7a tinha a dizer sobre a minha vida.\u201d, explica ele durante a entrevista, realizada na do\u00e7aria portuguesa Casa Mathilde, no centro de S\u00e3o Paulo. (Dica do rep\u00f3rter: n\u00e3o saia de l\u00e1 sem provar um pastel de bel\u00e9m).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa a seguir, Tiago comenta mais sobre sua pesquisa, buscando combater o estere\u00f3tipo de um pa\u00eds congelado no tempo, \u201ccom caravelas, Cam\u00f5es e Fernando Pessoa\u201d, e mostrar um Portugal moderno, cuja m\u00fasica \u00e9 bastante conectada com o que se ouve no Brasil \u2013 afinal, tudo isto \u00e9 pop mesmo. \u201cEu queria chegar para o brasileiro que acha que Portugal \u00e9 s\u00f3 Roberto Leal e mostrar que havia mais coisas. Mas, para isso, precisava falar do fado, precisava falar do Roberto Leal. E claro, falar do Portugal de hoje\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Monteiro ainda fala sobre a maneira como os portugueses veem a nossa m\u00fasica (al\u00f4, Los Hermanos) e destaca a experi\u00eancia da gravadora independente FlorCaveira (cujo mote \u00e9 \u201cReligi\u00e3o e Panque Roque\u201d). Para os iniciantes, o pesquisador monta ainda uma lista b\u00e1sica com cinco nomes do passado e cinco nomes do presente para quem quiser come\u00e7ar a se aventurar pela can\u00e7\u00e3o pop lusitana. Ent\u00e3o, pronto: vamos a isto?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-30726 aligncenter\" title=\"tudoistoepop\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/tudoistoepop.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes de tudo: quem \u00e9 Tiago Monteiro, e por que falar da m\u00fasica de Portugal?<\/strong><br \/>\nSou carioca, me formei em Radialismo pela Escola de Comunica\u00e7\u00f5es da UFRJ, e acabei emendando a gradua\u00e7\u00e3o com o mestrado \u2013 quando estava para me formar, percebi que n\u00e3o tinha feito um est\u00e1gio sequer e ia ter um diploma de radialista sem utilidade. Por sugest\u00e3o de um professor, acabei embarcando no mestrado, que era um trabalho sobre a cultura de f\u00e3s da Legi\u00e3o Urbana. Quando acabei o mestrado, meu pai tinha acabado de falecer, e a\u00ed as coisas se cruzam. Toda a minha fam\u00edlia \u00e9 portuguesa \u2013 meus pais vieram de Portugal pequenos e se conheceram no Brasil. A despeito dessa origem, nunca fui ligado nessa heran\u00e7a que recebi deles. Quando eu era moleque, o que chegava at\u00e9 mim sobre a cultura portuguesa era algo engessado. Se voc\u00ea perguntar para qualquer pessoa na rua o que \u00e9 m\u00fasica portuguesa, ela vai dizer o qu\u00ea? Roberto Leal, folclore, vai lembrar-se do vira, talvez at\u00e9 por conta da coisa c\u00f4mica dos Mamonas, e talvez, quem sabe, lembre do fado. Era isso o que os meus pais perpetuavam em casa. Era um imagin\u00e1rio que n\u00e3o me dizia nada, congelado no tempo e distante da minha realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Era um Portugal da \u00e9poca que eles vieram para o Brasil.<\/strong><br \/>\nMais do que isso: \u00e9 o Portugal da \u00e9poca que eles vieram e do lugar de onde eles vieram. A maioria dos imigrantes n\u00e3o veio de Lisboa. Minha m\u00e3e \u00e9 contempor\u00e2nea da gera\u00e7\u00e3o de protesto de Portugal, mas passou ao largo disso. Ela trouxe o imagin\u00e1rio senso comum que vem na bagagem de qualquer imigrante. Quando meu pai morreu, comecei a buscar esse imagin\u00e1rio. Quis entender que eu vinha de Portugal, e o que essa heran\u00e7a tinha a dizer sobre a minha vida. Lembro-me da primeira vez que eu vi o Xutos e Pontap\u00e9s na TV. A Globo passou de noite no Rock in Rio Lisboa, mais ou menos nessa \u00e9poca, e fui me aproximando: Xutos e Pontap\u00e9s, Madredeus. S\u00e3o coisas que voc\u00ea descobre depois que s\u00e3o \u00f3bvias, mas s\u00e3o incr\u00edveis. Logo depois do mestrado, me dei de presente uma viagem para Portugal \u2013 e foi um arrebatamento total. Decidi que tinha que dar um jeito de ir morar l\u00e1 por um tempo, e acabei resolvendo transformar a minha pesquisa sobre a m\u00fasica portuguesa no meu doutorado. Que, no fim das contas, era tamb\u00e9m para resolver essa coisa familiar: como a pessoa n\u00e3o est\u00e1 mais ali do lado, voc\u00ea resolve descobrir por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu sei que \u00e9 complexo, mas basicamente ia pedir para voc\u00ea tentar resumir a tua pesquisa, que acaba desembocando no \u201cTudo Isto \u00e9 Pop\u201d.<\/strong><br \/>\nFui para l\u00e1 em julho de 2009 e voltei em fevereiro de 2010. Era uma \u00e9poca rica, no final da onda da [gravadora independente] FlorCaveira, mas que acabou me capturando. Por um breve instante, minha tese quase foi sobre aquilo \u2013 mas a\u00ed minha orientadora revidou falando que eu precisava mostrar todo um panorama da m\u00fasica portuguesa, do folclore \u00e0 m\u00fasica de matriz africana, passando pelo rock e pelo hip-hop. Eu queria chegar para o brasileiro que acha que Portugal \u00e9 s\u00f3 Roberto Leal e mostrar que havia mais coisas. Mas, para isso, precisava falar do fado, precisava falar do Roberto Leal. E claro, falar do Portugal de hoje: que \u00e9 um pa\u00eds diferente depois que entrou na Uni\u00e3o Europeia. Nos anos 1990, era um pa\u00eds que recebia pessoas, depois de quase um s\u00e9culo mandando pessoas para fora. O livro acabou ficando fragmentado, mas, entre mortos e feridos, d\u00e1 para dar uma ideia sobre o que \u00e9 esse grande cen\u00e1rio nesse pa\u00eds pequenininho que tem 10 milh\u00f5es de pessoas e t\u00e1 espremido ali na ponta da Europa. Por outro lado, \u00e9 um pa\u00eds que tem grandes cidades europeias \u2013 Lisboa, por exemplo, tem constru\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, mas tamb\u00e9m tem \u00edcones modernos como o Ocean\u00e1rio ou a Ponte Vasco da Gama. Eu quis entender como o brasileiro cultiva a ideia de \u201cportugalidade congelada\u201d, como se fosse um pa\u00eds que parou no tempo. \u00c9 mais f\u00e1cil de entender, mas um Buraka Som Sistema ou um Linda Martini n\u00e3o \u00e9 menos portugu\u00eas que um Roberto Leal. A l\u00edngua pode ser uma identidade, mas n\u00e3o pode ser s\u00f3 isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/oiMC6DLMzzw\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/oiMC6DLMzzw\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 apresentei a m\u00fasica portuguesa para muita gente, e muitos amigos dizem que n\u00e3o conseguem ouvir por que d\u00e3o risada do sotaque\u2026<\/strong><br \/>\nIsso tem a ver com a coloniza\u00e7\u00e3o: nossa forma de exercitar o ressentimento de colonizado \u00e9 atrav\u00e9s da piada. \u00c9 o portugu\u00eas burro, o portugu\u00eas trapaceiro, a camisa regata do Vasco&#8230; a m\u00fasica dos Mamonas Assassinas [\u201cVira Vira\u201d], \u00e9 isso: um exerc\u00edcio jocoso da figura colonizadora. Mas isso cria um bloqueio: se o cara come\u00e7a a cantar com o sotaquinho, voc\u00ea quer rir. Mas por qu\u00ea? Outros dizem que n\u00e3o conseguem entender o portugu\u00eas de Portugal. L\u00edngua n\u00e3o tem disso: de ser mais ou menos dif\u00edcil. \u00c9 uma quest\u00e3o de h\u00e1bito. O fato dos portugueses estarem acostumados a consumir a cultura brasileira faz com que eles percebam o Brasil melhor que a gente. J\u00e1 tive a experi\u00eancia de passar o filme \u201cTabu\u201d (2012), do Miguel Gomes, em uma aula, e os alunos n\u00e3o entenderem nada. E mesmo assim, sem entender, a gente sabe que o prazer da m\u00fasica pop n\u00e3o vem necessariamente da letra. Tem alguns casos que \u00e9 at\u00e9 melhor sem entender a letra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quantas pessoas gostam de \u201cBohemian Rhapsody\u201d ou de \u201cStairway to Heaven\u201d, por exemplo, sem saber o que aquela m\u00fasica diz?<\/strong><br \/>\nSim. O prazer est\u00e9tico que aquela can\u00e7\u00e3o desperta aciona outros departamentos. Por que na m\u00fasica portuguesa isso \u00e9 um problema? A gente consolidou a imagem de Portugal dos livros de hist\u00f3ria, das navega\u00e7\u00f5es e do Cam\u00f5es, e parou ali. Tudo o que oferece uma imagem nova de Portugal a gente rejeita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem uma coisa engra\u00e7ada: dos v\u00e1rios artistas portugueses com quem eu pude conversar, todos adoravam os Los Hermanos e diziam que o Marcelo Camelo \u00e9 um g\u00eanio. O que \u00e9 engra\u00e7ado para n\u00f3s, que \u00e0s vezes sentimos que os Hermanos fazem parte de um passado j\u00e1 um bocado distante\u2026 parece que eles pararam nisso.<\/strong><br \/>\nTodo mundo para em algum momento. Todo mundo sente a necessidade de congelar o cen\u00e1rio musical do outro em um ponto que \u00e9 seguro para si. A gente est\u00e1 um pouco cansado de ver os Los Hermanos como modelo, mas talvez a gente consiga ver daqui a um tempo o quanto isso \u00e9 importante, sem o bode de hoje. Por outro lado, nos incomoda v\u00ea-los falando dos Los Hermanos da mesma maneira que deve incomod\u00e1-los quando a gente fala do Roberto Leal ou da Am\u00e1lia Rodrigues. A Am\u00e1lia est\u00e1 longe de ser uma figura de consenso em Portugal. Apesar de nunca ter declarado apoio ao Salazarismo [governo ditatorial que comandou Portugal entre as d\u00e9cadas de 1920 e 1970], ela sempre foi neutra quanto ao assunto, e o governo do Salazar sempre usou muito a imagem dela. \u00c9 complicado. Mas vamos l\u00e1: Chico, Caetano Veloso, eles s\u00e3o refer\u00eancia de m\u00fasica brasileira para uma gera\u00e7\u00e3o de portugueses. Os Los Hermanos s\u00e3o para uma gera\u00e7\u00e3o mais nova. Talvez daqui a 20 anos, outra coisa vire refer\u00eancia. O que eu acho \u00e9 que pelo menos eles chegaram nos Los Hermanos. A gente continua na Am\u00e1lia e no Roberto Leal. Quando voc\u00ea fala dos Xutos e Pontap\u00e9s, as pessoas s\u00f3 riem do nome engra\u00e7ado. \u00c9 preciso come\u00e7ar por algum lugar: a gera\u00e7\u00e3o dos anos 1980 deles \u00e9 interessante. Mas \u00e9 legal buscar um Antonio Varia\u00e7\u00f5es, um Her\u00f3is do Mar, ir al\u00e9m do discurso consagrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/SJYM47mWaR4\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/SJYM47mWaR4\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o vamos l\u00e1: agora vamos para a parte Rob Fleming da entrevista. Eu quero cinco nomes hist\u00f3ricos da m\u00fasica de Portugal que merecem ser ouvidos, como se voc\u00ea fosse apresentar a m\u00fasica pop portuguesa a um amigo brasileiro.<\/strong><br \/>\nLista \u00e9 sempre um problema, n\u00e9? Vou abrir m\u00e3o da Am\u00e1lia, e colocar no lugar que seria dela o Carlos do Carmo. \u00c8 um cara que come\u00e7a como um fadista comum, e no meio da carreira dele h\u00e1 uma guinada em que ele reorienta o fado dele. Recomendo especificamente a audi\u00e7\u00e3o do disco \u201cUm Homem na Cidade\u201d, de 1972, pouco antes da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, e reconecta o fado com a cr\u00f4nica urbana, como ele havia nascido. O fado representa para Portugal o que o samba \u00e9 para o Rio de Janeiro \u2013 uma m\u00fasica que fala sobre a realidade da cidade. Outro que n\u00e3o tem como n\u00e3o colocar \u00e9 o Zeca Afonso. Para entender a can\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a can\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o dos anos 1970 n\u00e3o tem como n\u00e3o falar dele. \u201cGr\u00e2ndola, Vila Morena\u201d \u00e9 a senha para a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, e \u00e9 dele. Se fosse para indicar, eu indicaria \u201cCan\u00e7\u00f5es de Maio\u201d, que \u00e9 um disco fundamental para entender aquele momento, embora o Zeca n\u00e3o me toque tanto quanto seus contempor\u00e2neos, como S\u00e9rgio Godinho e Jos\u00e9 Mario Branco. O Godinho \u00e9 mais universal, enquanto Zeca \u00e9 mais portugu\u00eas \u2013 voc\u00ea at\u00e9 precisa de uma bula para entender o que ele diz ali, enquanto n\u00e3o precisa de nada para entender uma m\u00fasica como \u201cMar\u00e9 Alta\u201d, do Godinho. O terceiro nome da lista s\u00e3o os Xutos e Pontap\u00e9s. \u00c9 uma banca incontorn\u00e1vel pelo potencial midi\u00e1tico que tem. Ver um show dos Xutos \u00e9 uma experi\u00eancia interessante, as pessoas cantam o tempo inteiro, \u00e9 muito forte. Eles s\u00e3o animais de palco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu vi os Xutos em Coimbra, em 2013, e a sensa\u00e7\u00e3o que eu tive foi pr\u00f3xima a de ver um DVD do U2 ou dos Stones.<\/strong><br \/>\nGuardadas as propor\u00e7\u00f5es, eles representam isso mesmo \u2013 o classic rock portugu\u00eas. Musicalmente, o GNR me agrada mais, mas o Xutos \u00e9 bem mais representativo. Em quarto na lista, Ant\u00f3nio Varia\u00e7\u00f5es. \u00c9 um cara sem forma\u00e7\u00e3o, um barbeiro de Braga, que foi a primeira celebridade portuguesa a morrer por causa do HIV. Era uma figura ins\u00f3lita \u2013 e eu imagino o impacto que ele teve na \u00e9poca, no come\u00e7o dos anos 1980. Voc\u00ea escuta e parece ing\u00eanuo, mas \u00e9 uma forma muito particular de se apropriar da m\u00fasica angl\u00f3fona e da realidade portuguesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apesar de toda a quest\u00e3o da sexualidade, vejo nele uma \u00e9tica crist\u00e3 \u2013 \u00e9 como \u201cquando a cabe\u00e7a n\u00e3o tem ju\u00edzo, o corpo \u00e9 que paga\u201d, de \u201cO Corpo \u00c9 Que Paga\u201d.<\/strong><br \/>\nEle faz a \u201cCan\u00e7\u00e3o do Engate\u201d, que \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o absurda [e ousada] sobre amor e depois vai l\u00e1 e rel\u00ea \u201cPovo Que Lavras no Rio\u201d, da Am\u00e1lia. Pela brevidade da carreira \u2013 ele lan\u00e7ou s\u00f3 dois discos \u2013 e pelo que criou, Varia\u00e7\u00f5es \u00e9 muito importante para entender a m\u00fasica de hoje. Para fechar, continuo insistindo na import\u00e2ncia hist\u00f3rica do Madredeus. \u00c9 representativo de um momento que Portugal tenta transbordar as pr\u00f3prias fronteiras na \u00e9poca que o pa\u00eds entra na Uni\u00e3o Europeia, e \u00e9 um grupo que atualiza o imagin\u00e1rio do fado de uma forma muito interessante \u2013 especialmente na fase inicial, at\u00e9 o disco Movimento. Ou seja: Madredeus, Ant\u00f3nio Varia\u00e7\u00f5es, Xutos e Pontap\u00e9s, Zeca Afonso e Carlos do Carmo. Se sobrar tempo, vale tamb\u00e9m ver os outros nomes que eu comentei tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/gaLWqy4e7ls\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/gaLWqy4e7ls\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bacana. Esses s\u00e3o os nomes hist\u00f3ricos. Agora, cinco nomes atuais, isto \u00e9, que tenham feito trabalhos interessantes nos \u00faltimos dez anos na m\u00fasica portuguesa?<\/strong><br \/>\nCome\u00e7o com o Deolinda. N\u00e3o tem como contornar. Inclusive, eu continuo achando que se precisasse mostrar algo que pudesse emplacar por aqui, seriam eles. \u00c9 uma banda que consegue ao mesmo tempo dialogar com o imagin\u00e1rio consolidado que a gente tem sobre Portugal e atualizar isso de forma bacana. Eles se tornaram cronistas da juventude da crise, desse Portugal p\u00f3s 2008. N\u00e3o \u00e9 algo declaradamente pol\u00edtico, mas se tornou ap\u00f3s o \u201cParva Que Sou\u201d. Mas at\u00e9 mesmo em outros discos: quando voc\u00ea pega uma \u201cGar\u00e7onete da Casa de Fado\u201d, \u00e9 uma m\u00fasica que exp\u00f5e de forma clara a quest\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o brasileira para Portugal. \u00c9 um atalho f\u00e1cil para quem quer come\u00e7ar a ouvir a pop portuguesa. Acho que todos os nomes que vou citar fazem bem a ponte entre tradi\u00e7\u00e3o e uma ideia de modernidade portuguesa. O segundo \u00e9 o B Fachada. Alguns dizem que ele \u00e9 chato, e tudo mais, mas ele atualiza a matriz e entrega can\u00e7\u00f5es \u00f3timas. N\u00e3o consigo fazer uma playlist rom\u00e2ntica sem colocar \u201cEstar \u00e0 Espera ou Procurar\u201d, do B Fachada, bem como o \u201cSeja Agora\u201d do Deolinda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vejo no Fachada um compositor mais completo, capaz de fazer can\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, de amor ou can\u00e7\u00f5es completamente surreais \u2013 e todas incr\u00edveis.<\/strong><br \/>\nSim! Ele tem um disco infantil \u2013 \u201c\u00c9 Pra Meninos\u201d, de 2010 \u2013 que \u00e9 uma gra\u00e7a. Ele fazia matin\u00eas para crian\u00e7as e depois fazia o show adulto com outro repert\u00f3rio. Dessa gera\u00e7\u00e3o que surge da FlorCaveira, o Fachada \u00e9 o mais importante. Outro bacana \u00e9 o Legendary Tigerman, saindo totalmente fora do \u00f3bvio. \u00c9 um cara que canta em ingl\u00eas, fazendo uma m\u00fasica que, \u00e0 primeira vista, n\u00e3o tem nada de Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cFemina\u201d [disco de 2009 que Tigerman se une a diferentes cantoras] \u00e9 um disco que poderia ser feito em qualquer lugar do mundo.<\/strong><br \/>\nPoderia, mas foi feito l\u00e1. \u00c9 uma m\u00fasica feita com outro tipo de alcance, com outra pretens\u00e3o, mas que \u00e9 produzida por um m\u00fasico portugu\u00eas contempor\u00e2neo. \u00c0 maneira dele, ele leva outra imagem da m\u00fasica portuguesa adiante \u2013 \u00e9 um cara que consegue circular bem na Europa. As matrizes da m\u00fasica dele s\u00e3o as mesmas, por exemplo, de um Jack White: a m\u00fasica americana e o blues. Tem a mesma sonoridade, o mesmo universo. Acho muito representativo o trabalho do Paulo Furtado nesse sentido. Em quarto, o Buraka Som Sistema. N\u00e3o faz parte do meu universo, mas ver um show deles \u00e9 algo muito s\u00e9rio em termos de pot\u00eancia sonora. \u00c9 algo que atinge o est\u00f4mago. \u00c9 uma m\u00fasica f\u00edsica, \u00e9 absurdo. Eu n\u00e3o sou uma pessoa muito f\u00edsica, mas \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o dan\u00e7ar, e \u00e0 maneira deles, eles universalizam um discurso musical. Nos primeiros discos, eles estavam pr\u00f3ximos ao kuduro (que n\u00e3o \u00e9 a m\u00fasica do Latino!), e agora eles foram al\u00e9m do discurso portugu\u00eas-angolano. Uma banda como o Buraka Som Sistema faz a fus\u00e3o entre o tradicional e o moderno por outra via, e tem em seu fundo um processo hist\u00f3rico da descoloniza\u00e7\u00e3o, dos imigrantes angolanos que v\u00e3o para Portugal. \u00c9 o barato da arte: o portugu\u00eas escuta o Buraka, mas o fato dele escutar o Buraka n\u00e3o significa que ele vai tratar melhor o angolano da lojinha da esquina. A tens\u00e3o hist\u00f3rica n\u00e3o se resolve por causa disso. Gosto dessas coisas que incorporam tens\u00f5es. \u00c9 muito incr\u00edvel ver a patricinha portuguesa perdendo a linha no palco de um show do Buraka. Para fechar, poderia ter muita gente bacana: pode ser o Diabo na Cruz, ou algu\u00e9m como Manuel F\u00faria e os Golpes. S\u00e3o bandas que pegaram a receita de um Chico Science: ir na matriz regional e buscar o rock. D\u00e1 para colocar o Linda Martini nessa turma tamb\u00e9m, ou algumas bandas de hip-hop, como o Orelha Negra, a Cap\u00edcua. Mas esse j\u00e1 \u00e9 um territ\u00f3rio mais complicado para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Zp0j9CIyUR8\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Zp0j9CIyUR8\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea comentou que a sua tese quase foi apenas sobre a FlorCaveira, que \u00e9 uma das coisas mais importantes que aconteceram no rock portugu\u00eas nos \u00faltimos 10 anos. O que \u00e9 a FlorCaveira?<\/strong><br \/>\nA FlorCaveira \u00e9 uma pequena gravadora que surge de uma forma muito ins\u00f3lita, pelas m\u00e3os de um cara chamado Tiago Cavaco, que \u00e9 pastor de uma igreja protestante em Queluz, um sub\u00farbio de Lisboa. Ele come\u00e7a a aglutinar diversos m\u00fasicos \u2013 como o B Fachada, os Pontos Negros, o Diabo na Cruz ou o Samuel \u00daria (outro que poderia estar na lista l\u00e1 de cima). O selo tem como mote \u201creligi\u00e3o e panque roque\u201d, em grava\u00e7\u00f5es lo-fi, sempre trabalhando com pouqu\u00edssimos recursos. S\u00e3o coisas simples em termos de arranjos e orquestra\u00e7\u00e3o. Nunca me esque\u00e7o quando comprei um disco da FlorCaveira e eles chegaram em casa: a capa era um primor gr\u00e1fico, super bem pensada, e dentro voc\u00ea tinha um CD-R, escrito \u00e2 m\u00e3o. Aos poucos, essas bandas viraram o mainstream do rock portugu\u00eas, em meados dos anos 2000. O primeiro passo foi com Os Pontos Negros, que gravaram o primeiro disco j\u00e1 pela Universal e estouraram com \u201cContos de Fada de Lisboa a Sintra\u201d. Isso \u00e9 mais ou menos na mesma \u00e9poca que o Deolinda aparece. Depois da euforia angl\u00f3fona dos anos 1990, com muitas bandas cantando em ingl\u00eas e deixando para o rap a m\u00fasica falada em portugu\u00eas, nos meados dos anos 2000 o canto em portugu\u00eas \u00e9 redescoberto como forma de afirma\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria, recuperando matrizes como as do Ant\u00f3nio Varia\u00e7\u00f5es ou do S\u00e9rgio Godinho. O Tiago Cavaco disse uma vez que queria fundir o \u201cS\u00e9rgio Godinho com a m\u00fasica pimba [sin\u00f4nimo de brega, em Portugal]\u201d \u2013 ou seja, misturar a alta e a baixa cultura. Talvez a FlorCaveira tenha sido mais importante nas coisas que proporcionou do que exatamente pela visibilidade que ela teve em si. Hoje, voc\u00ea j\u00e1 v\u00ea certa dispers\u00e3o nesses artistas, mas hoje j\u00e1 apareceram boas pequenas gravadoras em Portugal que surgiram ap\u00f3s o impacto da FlorCaveira. Foi algo representativo no sentido de renovar e oxigenar a m\u00fasica pop portuguesa, independente do que tenha acontecido depois. Isso \u00e9 o bacana da m\u00fasica pop: daqui a cinco anos, ningu\u00e9m pode se lembrar deles. Voc\u00ea nunca sabe no que aquilo ali vai se desdobrar ou vai perdurar. Mas enquanto existiu, foi importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 me disse antes que n\u00e3o acredita que a rela\u00e7\u00e3o da m\u00fasica entre Brasil e Portugal possa ser mais pr\u00f3xima do que \u00e9 hoje. Por que essa sensa\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nPrimeiro, pela perman\u00eancia do estere\u00f3tipo: n\u00e3o \u00e9 de uma hora para a outra que voc\u00ea vai desconstruir a imagem do portugu\u00eas da padaria. Eu tinha uma ligeira expectativa que a mudan\u00e7a do fluxo de migra\u00e7\u00e3o portuguesa alterasse alguma coisa. Hoje, voc\u00ea v\u00ea jovens universit\u00e1rios ou rec\u00e9m-sa\u00eddos da universidade migrando de Portugal para o Brasil. \u00c9 um fluxo diferente de quem veio at\u00e9 os anos 1950 para c\u00e1, e eu tinha esperan\u00e7a que isso mudasse a bagagem que Portugal traz para o Brasil. Foi uma utopia minha, talvez. Al\u00e9m disso, tem a quest\u00e3o da dificuldade de manter uma carreira. O Deolinda pode vir ao Brasil e lotar um show num SESC. \u00c9 bacana, mas d\u00e1 para dizer que significa uma carreira no exterior? N\u00e3o \u00e9 suficiente. \u00c9 pregar aos convertidos: quem foi ao show, j\u00e1 conhecia a banda ou faz parte da col\u00f4nia portuguesa. Isso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 com a m\u00fasica portuguesa: \u00e9 com qualquer imagin\u00e1rio musical que n\u00e3o seja angl\u00f3fona. A gente n\u00e3o conhece: ou porque a gente se acha autossuficiente com a m\u00fasica brasileira ou porque \u00e9 bombardeado com a m\u00fasica angl\u00f3fona. Romper essa imagem tradicional de Portugal, aqui no Brasil, exige um esfor\u00e7o brutal: o cara teria que reorientar a carreira dele \u2013 e nisso o Roberto Leal foi um g\u00eanio \u2013 para achar o p\u00fablico dele aqui. E seria uma aposta no escuro. A longo prazo, eu n\u00e3o vejo como d\u00e1 para romper essa barreira. Mas h\u00e1 nichos interessantes que podem dar visibilidade \u00e0 m\u00fasica portuguesa, como o que voc\u00eas fazem no Scream &amp; Yell. \u00c9 a ideia do beija-flor com a \u00e1gua: algu\u00e9m vai ser atingido por isso e de repente aquilo muda a vida da pessoa. Hoje, acredito nesse trabalho de formiga \u2013 j\u00e1 consegui convencer meus amigos e alunos a ouvir um B Fachada, por exemplo. Se algum dia ele vier aqui, sei que n\u00e3o vou sozinho no show. \u00c9 para isso que serviu minha tese e, espero, essa entrevista.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/5gM3Z77lDdY\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/5gM3Z77lDdY\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/9vjS0NO1PVw\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/9vjS0NO1PVw\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/2XH5_qafR8k\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/2XH5_qafR8k\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/noacapelas\" target=\"_blank\">@noacapelas<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o blog <a href=\"http:\/\/pergunteaopop.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\">Pergunte ao Pop<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Ou\u00e7a: 15 can\u00e7\u00f5es do pop portugu\u00eas (de Sergio Godinho a Legendary Tigerman) (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/02\/24\/ouca-15-cancoes-do-pop-portugues\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Tr\u00eas discos de 2015: Capit\u00e3es da Areia, Cap\u00edcua e Diabo na Cruz\u00a0 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/04\/30\/cds-capitaes-capicua-e-diabo-na-cruz\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Download: \u201cProjeto Visto 2? une artistas portugueses e brasileiros em EP gratuito (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/12\/14\/download-projeto-visto-2\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Rita Braga: &#8220;O prop\u00f3sito era fazer um disco em S\u00e3o Paulo&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/13\/a-nova-cena-portuguesa-rita-braga\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Em\u00e9: \u201cA m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de l\u00edngua, mas sim de linguagem\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/28\/a-nova-cena-portuguesa-eme\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Tiago \u00e9 autor o livro &#8220;Tudo Isto \u00e9 Pop&#8221;, que pode ajudar muita gente a entender e se aproximar do novo rock e pop portugu\u00eas\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/05\/22\/entrevista-tiago-monteiro\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30724"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30724"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30724\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39654,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30724\/revisions\/39654"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30724"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30724"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30724"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}