{"id":30529,"date":"2015-05-12T03:09:34","date_gmt":"2015-05-12T06:09:34","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=30529"},"modified":"2023-07-23T22:43:00","modified_gmt":"2023-07-24T01:43:00","slug":"cd-the-magic-whip-blur","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/05\/12\/cd-the-magic-whip-blur\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: \u201cThe Magic Whip\u201d, do Blur, ganha muito mais for\u00e7a pelo contexto do que pelo que ele oferece em termos de sonoridade"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30530\" title=\"blur2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/blur2.jpg\" alt=\"\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/silva.leonel.900\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Leonel<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cGravamos sim algumas m\u00fasicas, mas n\u00e3o temos certeza se algum dia elas ser\u00e3o lan\u00e7adas para o p\u00fablico\u201d, disse o vocalista Damon Albarn durante uma entrevista em 2013. Foi o que bastou para que especula\u00e7\u00f5es sobre um (aguardado) novo disco, o oitavo de est\u00fadio da banda, come\u00e7assem a tomar forma, mas, desta vez, com um fundo de refer\u00eancia oficial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo praticamente apostava contra. Para muitos, o Blur caminhava para se tornar uma imagem caricata do que j\u00e1 foi um dia, ainda que fosse capaz de emocionar o p\u00fablico em shows e turn\u00eas. Muitos n\u00e3o \u2018botavam f\u00e9\u2019. Como soaria um novo disco do Blur em 2015? Seria poss\u00edvel os quatro integrantes se reunirem e lan\u00e7arem algo musicalmente excitante e ainda cativante 12 anos depois do \u00faltimo \u00e1lbum?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As sess\u00f5es para o que viria a ser \u201cThe Magic Whip\u201d foram fruto de uma eventualidade: o Blur estava escalado para tocar no Tokyo Rocks Music 2013, em Honk Kong, e, ap\u00f3s terem chegado \u00e0 cidade, foram informados de que o tal festival n\u00e3o aconteceria, o que subitamente deu \u00e0 banda alguns dias livres para trabalhar em material novo. As sess\u00f5es come\u00e7aram no Avon Studios em uma temporada de cinco dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O material foi deixado de lado (Damon Albarn estava finalizando na mesma \u00e9poca o que viria a ser \u201cEveryday Robots\u201d, sua estreia solo, lan\u00e7ada em abril de 2014) e s\u00f3 em novembro de 2014 o grupo voltou a trabalhar nas can\u00e7\u00f5es sobre a batuta de Stephen Street (eterno produtor dos Smiths e de v\u00e1rios discos do Blur). Ap\u00f3s mais uma parada em Hong Kong no m\u00eas de dezembro (para inspira\u00e7\u00e3o nas letras, segundo o pr\u00f3prio Albarn) e mais alguns trabalhos em est\u00fadio o material foi finalizado e o disco completado em fevereiro de 2015.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Blur - Go Out (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Sp1ks7PTzng?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O an\u00fancio do lan\u00e7amento de \u201cThe Magic Whip\u201d foi feito em uma postagem de Facebook acompanhada da primeira faixa divulgada oficialmente do \u00e1lbum, \u201cGo Out\u201d, como que para mostrar ao p\u00fablico que, sim, o Blur estava de volta, n\u00e3o era um sonho. As novidades foram recebidas pelos f\u00e3s com entusiasmo, cercando o lan\u00e7amento do disco (datado para 27 de abril) de expectativa, o que acabou colocando o \u00e1lbum em uma posi\u00e7\u00e3o perigosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 fato que uma banda que chega ao seu oitavo disco n\u00e3o deve ter ainda l\u00e1 muita coisa para provar, mas o intervalo de 12 anos que separa \u201cThe Magic Whip\u201d de \u201cThink Tank\u201d (2003) acabou colocando o novo trabalho em um terreno pantanoso, o que, em v\u00e1rios casos, exige da banda uma extrema confian\u00e7a no material que ser\u00e1 apresentado depois de tanto tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa situa\u00e7\u00e3o vira e mexe povoa a trajet\u00f3ria de bandas j\u00e1 com uma longa carreira. Aconteceu com os Rolling Stones quando lan\u00e7aram \u201cA Bigger Bang\u201d oito anos ap\u00f3s o trabalho anterior; foi assim tamb\u00e9m com o My Bloody Valentine, que demorou 22 anos pra lan\u00e7ar o sucessor de \u201cLoveless\u201d; e ser\u00e1 assim com \u201cSol Invictus\u201d, o novo do Faith no More, que surge 18 aninhos ap\u00f3s o trabalho anterior. Uma coisa \u00e9 certa: em todos os casos foi uma atitude no m\u00ednimo respeit\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso do Blur, \u201cThe Magic Whip\u201d re\u00fane elementos de empreitadas anteriores da banda e tamb\u00e9m de projetos solo de cada integrante. Tudo isso imerso em um caldeir\u00e3o fren\u00e9tico oriental p\u00f3s-moderno no qual a banda estava imersa durante a composi\u00e7\u00e3o do trabalho \u2013 a capa com letras chinesas e t\u00edtulos de faixas como \u201cOng Ong\u201d deixam isso bem claro. Com \u201cThe Magic Whip\u201d, o Blur parece ter deixado de lado os maneirismos e caricaturas de tipos brit\u00e2nicos para ampliar o olhar para o mundo ao redor. Algumas letras remetem quase a um di\u00e1rio de viagens com impress\u00f5es do lado oriental do mundo, no qual a banda estava inserida.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Blur - Ong Ong - Later... with Jools Holland - BBC Two\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Shja1fzmPhU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira refer\u00eancia \u00e9 o disco solo de Damon Albarn, \u201cEveryday Robots\u201d. A segunda fica por conta do lado mais mel\u00f3dico e at\u00e9 \u2018down\u2019 de \u201c13\u201d (1999). O Blur de 2015 mant\u00e9m v\u00e1rias caracter\u00edsticas que fizeram o grupo se tornar not\u00e1vel: melodias cativantes e animadas (como a boa \u201cLonesome Street\u201d, que facilmente poderia intregrar \u201cParklife\u201d, de 1994), baladas e can\u00e7\u00f5es permeadas por barulhinhos e efeitos malucos \u201c(Ice Cream Man\u201d e \u201cThere Are Too Many of Us\u201d) e um peculiar olhar ao cotidiano do mundo atual (a soturna \u201cNew World Towers\u201d e a espertinha \u201cI Broadcast\u201d mostram bem isso). Faixas como a boa \u201cMy Terracotta Heart\u201d e a derradeira \u201cMirrorball\u201d (com inusitado clima western aliado \u00e0 arranjos de cordas) certamente ir\u00e3o se encaixar bem ao j\u00e1 extenso repert\u00f3rio dos brit\u00e2nicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 ainda a \u00f3tima \u201cThought I Was a Spaceman\u201d, repleta de ecos e vozes (que remete \u00e0 faixas experimentais como \u201cTheme From Retro\u201d e \u201cBattle\u201d), a psicodelia mel\u00f3dica de \u201cPyongyang\u201d (uma faixa excelente que, sozinha, j\u00e1 justificaria o \u00e1lbum inteiro: seu minuto final \u00e9 um dos grandes momentos de \u201cThe Magic Whip\u201d) e a aconchegante \u201cGhost Ship\u201d (nost\u00e1lgica e at\u00e9 rom\u00e2ntica daquele jeito Blur, outra entre os destaques do \u00e1lbum). \u201cY\u2019all Doomed\u201d, faixa b\u00f4nus lan\u00e7ada s\u00f3 no Jap\u00e3o, mistura teclados com batidas quebradas e, l\u00e1 no meio, uma guitarreira insana \u2013 entra para o hall de m\u00fasicas esquizofr\u00eanicas como \u2018Yuko &amp; Hiro\u2019 e \u2018Essex Dogs\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um disco do Blur \u00e9 sempre bem vindo. Depois de um longo inverno, que incluiu pausa da banda, sa\u00edda\/volta do guitarrista Graham Coxon, incertezas e milhares de projetos musicais, o grupo parece em uma posi\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel para se reunir e voltar a criar junto uma obra coesa. \u201cThe Magic Whip\u201d ganha muito mais for\u00e7a pelo contexto do que pelo que ele oferece em termos de sonoridade. N\u00e3o v\u00e1 esperando nenhuma m\u00fasica \u00e9pica ou obra-prima do quilate de \u201cUniversal\u201d, \u201cThis is a Low\u201d ou \u201cTender\u201d, mas, ainda assim, o trabalho agrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que n\u00e3o figure entre os melhores discos da banda, \u201cThe Magic Whip\u201d serve como uma boa lufada de renova\u00e7\u00e3o a uma banda que sempre chamou aten\u00e7\u00e3o pela criatividade e despretens\u00e3o do modo de trabalho. Sobre o futuro do grupo, fica a d\u00favida se este oitavo \u00e1lbum representa um acerto de contas com o passado ou, melhor, o in\u00edcio de um novo caminho para o quarteto. F\u00e3s torcem pela segunda alternativa enquanto aguardam a nova passagem da banda pelo Brasil, em outubro: o palco poder\u00e1 dar uma ideia do que vem por ai. Enquanto isso, \u201cCause I&#8217;m on a ghost ship driving my heart Home, come\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Magic Whip\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_myO9aphD6IiebhQt_-E2FreFheDA2NecA\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Bruno Leonel (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/silva.leonel.900\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.facebook.com\/silva.leonel.900<\/a>) \u00e9 jornalista e dedica este texto \u00e0 Camilla, &#8220;que no long\u00ednquo ano de 2001 me presenteou com o disco amarelinho do Blur que me ajudou a mudar a cabe\u00e7a pra novas sonoridades e me fez conhecer muita coisa \ud83d\ude09<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m: <\/strong><br \/>\n&#8211; Blur no Hyde Park, 2009: um fragmento de perfei\u00e7\u00e3o no mundo pop (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/10\/06\/fragmentos-de-perfeicao-no-mundo-pop\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;No Brasil ap\u00f3s 14 anos, o Blur s\u00f3 n\u00e3o fez chover no Planeta Terra 2013&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/11\/balancao-planeta-terra-2013\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cThink Tank\u201d, aquela banda que todo mundo conhecia como Blur acabou (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/blur_think_tank.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; A Inglaterra tem cheiro de Blur&#8230; por v\u00e1rias raz\u00f5es (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/02\/19\/a-inglaterra-tem-cheiro-de-blur\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Conhe\u00e7a o livro \u201cA Ascen\u00e7\u00e3o e Queda do Britpop\u201d, de John Harris (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/03\/19\/livros-a-ascencao-e-a-queda-do-britpop\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cBest Of Special Edition &#8211; Blur Live Wembley\u201d, do Blur, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2000\/12\/01\/cds-blur-gomez-e-oasis\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Novo \u00e1lbum do Blur ganha muito mais for\u00e7a pelo contexto do que pelo que ele oferece em termos de sonoridade\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/05\/12\/cd-the-magic-whip-blur\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":13,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1861],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30529"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30529"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30529\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":76074,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30529\/revisions\/76074"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30529"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30529"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30529"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}