{"id":30338,"date":"2015-04-27T11:02:59","date_gmt":"2015-04-27T14:02:59","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=30338"},"modified":"2020-11-09T00:18:33","modified_gmt":"2020-11-09T03:18:33","slug":"festival-brasileiro-de-musica-de-rua-2015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/04\/27\/festival-brasileiro-de-musica-de-rua-2015\/","title":{"rendered":"Festival Brasileiro de M\u00fasica de Rua 2015"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30342\" title=\"musicaderua1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua1.jpg\" alt=\"\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong><span>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/span><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Fotos do Facebook oficial do evento: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/fmusicaderua\/photos_stream\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">confira galeria<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rua \u00e9 um espa\u00e7o de muitas possibilidades e interpreta\u00e7\u00f5es. Na boemia mais autocomiserativa de Charles Bukowski, nas cr\u00f4nicas de esp\u00edrito leve de Rubem Braga, na observa\u00e7\u00e3o cotidiana de Paul Auster, em teses de sociologia e urbanismo, e tantas outras premissas: j\u00e1 se usou muito papel e tinta de impress\u00e3o para lembrar que a rua \u00e9 onde a vida tende a acontecer com mais plenitude, pois leva a acolher diferen\u00e7as, a respirar melhor (mesmo com o ar cheio de fuligem), a encontrar o que n\u00e3o se conhece. E n\u00e3o precisa ser muito idoso para se recordar de uma \u00e9poca onde a rua era espa\u00e7o de brincadeiras, esportes e, claro, arte \u2013 principalmente em cidades de pequeno e m\u00e9dio porte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo isso, e tamb\u00e9m outras coisas, em mente, uma turma de artistas e produtores ga\u00fachos criou um evento para levar a m\u00fasica \u00e0s ruas e pra\u00e7as de Caxias do Sul e outras cidades da regi\u00e3o serrana do Rio Grande do Sul. O Festival Brasileiro de M\u00fasica de Rua foi idealizado pelas produtoras De Guerrilha e Vars\u00f3via, e \u00e9 realizado por ambas em parceria com o SESC-RS, com recursos captados via Lei de Incentivo e Cultura junto \u00e0 prefeitura de Caxias do Sul e governo do Estado do Rio Grande do Sul. Em sua quarta edi\u00e7\u00e3o, ocorrida entre os dias 17 e 26 de abril, trouxe pela primeira vez nomes do cen\u00e1rio latino-americano, diversificando a oferta musical, que j\u00e1 era ampla gra\u00e7as \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos de outros Estados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira metade do festival ocorre em sete cidades da Serra, not\u00f3rias pela beleza natural, pela arquitetura tradicional e pela manuten\u00e7\u00e3o das ra\u00edzes culturais dos colonos europeus. Ent\u00e3o seria de esperar algum choque cultural pela presen\u00e7a dos neopsicod\u00e9licos pernambucanos do Tagore, pela combina\u00e7\u00e3o de ritmos latinos e eletr\u00f4nica do duo Finl\u00e2ndia ou at\u00e9 pelo folk assumidamente \u201canglofilizado\u201d do Spangled Shore. Mas o mundo, felizmente, n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30343\" title=\"musicaderua2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"823\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua2.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua2-218x300.jpg 218w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dia 17 \u2013 Ant\u00f4nio Prado<\/strong><br \/>\nO munic\u00edpio de Ant\u00f4nio Prado, com cerca de 13 mil habitantes, \u00e9 daqueles em que dif\u00edcil \u00e9 encontrar quem n\u00e3o saiba falar o dialeto v\u00eaneto, oriundo da It\u00e1lia. A arquitetura local reflete a linguagem: a bela pra\u00e7a Garibaldi concentra a Igreja Matriz, a Prefeitura e os principais escrit\u00f3rios p\u00fablicos em pequenos edif\u00edcios bem preservados, como se fosse uma vila italiana. Assim, n\u00e3o era de estranhar que, \u00e0s 18h de uma sexta-feira, o caxiense Gabriel Balbinot, vulgo Spangled Shore, abrisse oficialmente o festival tendo uma plateia de poucos mais de 20 pessoas. Valendo-se de banjo, bandolim e uma percuss\u00e3o comandada pelos p\u00e9s, tocou um set curto e empolgante, conquistando passantes desavisados e conseguindo ades\u00e3o do p\u00fablico, com palmas e at\u00e9 t\u00edmidas dancinhas de uma ou outra espectadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A venezuelana Yoyo Borobia n\u00e3o usou bem a deixa: com problemas no som, ficou desconfort\u00e1vel e fez uma apresenta\u00e7\u00e3o acidentada, falando muito entre uma can\u00e7\u00e3o e outra. O som de seu cuatro (instrumento t\u00edpico de seu pa\u00eds natal) mais parecia o viol\u00e3ozinho sem gra\u00e7a da Clarice Falc\u00e3o, e passou meio batido. Com o \u201cpalco\u201d transferido para o centro da pra\u00e7a, Nicol\u00e1s Molina, do Molina y Los C\u00f3smicos, veio com os vocais cheios de efeito e com o viol\u00e3o algo abafado, deixando seu folk mais espacial do que em disco, o que funcionou especialmente bem na noite que j\u00e1 ca\u00edra, mesmo com o uruguaio mostrando uma timidez pouco comum a um m\u00fasico em ascens\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A essa altura, os antoniopradenses j\u00e1 estavam sentados no ch\u00e3o da pra\u00e7a, ou em cadeiras de praia, cuias de mate no colo. Veio ent\u00e3o Tagore Suassuna (foto acima), acompanhado de Jo\u00e3o Cavalcanti no baixo e Caramuru Baumgartner na percuss\u00e3o e vocais. Desfalcado da guitarra, que n\u00e3o se entendeu com o sistema de som, pegou emprestado o viol\u00e3o de Molina e deixou a pedaleira de lado, comprovando, como que para n\u00e3o restar d\u00favidas, a enorme influ\u00eancia que Alceu Valen\u00e7a, Belchior, Ednardo e outros tiveram em sua forma\u00e7\u00e3o.  Performer endiabrado, levou a m\u00fasica do \u201cBrasil brasileiro\u201d ao \u201cBrasil italiano\u201d, com facilidade e alegria. O show termina, as pessoas v\u00eam conversar com os m\u00fasicos, e sorrisos aparecem tanto nos garotos que decidem tomar uma cerveja em frente \u00e0 igreja ouvindo Black Sabbath, nas fam\u00edlias que v\u00e3o \u00e0 pizzaria de algumas quadras \u00e0 frente ou naqueles que retornam direto as pr\u00f3prias casas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30353\" title=\"musicaderua12\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua12.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua12.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua12-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dia 18 \u2013 Nova Petr\u00f3polis<\/strong><br \/>\nO s\u00e1bado de feriad\u00e3o teve Spangled Shore em S\u00e3o Marcos \u00e0s 11h da manh\u00e3 e Cuscobayo, a grande aposta caxiense, em Vacaria \u00e0s 18h, mas o movimento maior era em Nova Petr\u00f3polis, uma esp\u00e9cie de Gramado sem a explora\u00e7\u00e3o tur\u00edstica ostensiva. Na Pra\u00e7a das Flores (nome auto-explicativo), repetiria-se o line-up do dia anterior: o pernambucano Adiel Luna, escalado para v\u00e1rios dias do festival, simplesmente cancelara sua apresenta\u00e7\u00e3o de \u00faltima hora, e Tagore, que originalmente n\u00e3o tocaria aqui, foi reescalado em seu lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sorte dos neopetropolenses, que viram a vers\u00e3o trio da banda pernambucana ainda mais psicod\u00e9lica que na apresenta\u00e7\u00e3o anterior. Resolvidas as incompatibilidades eletr\u00f4nicas, a guitarra deu o caminho para uma chapaceira guiada pelo baixo preciso e sinuoso de Jo\u00e3o Cavalcanti, pelos efeitos guitarr\u00edsticos do homem que d\u00e1 nome \u00e0 banda e pela percuss\u00e3o de Caramuru Baumgartner. O resultado fez efeito mesmo nas sinapses n\u00e3o adulteradas quimicamente: este rep\u00f3rter ocultou-se voluntariamente no labirinto vegetal da pra\u00e7a, aspirando o aroma da planta que serve de parede para o mesmo, ouvidos focados no som que sa\u00eda das caixas&#8230; Acredite, foi das experi\u00eancias que se leva para a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes dos pernambucanos, os outros tr\u00eas artistas fizeram apresenta\u00e7\u00f5es superiores \u00e0s do dia anterior. Yoyo Borobia deixou sua voz assumir o protagonismo. Spangled Shore manteve o pique e encerrou seu show chamando Nico Molina (foto acima) ao palco, para uma vers\u00e3o conjunta de \u201cEn El Camino del Sol\u201d, e o uruguaio prosseguiu, com mais confian\u00e7a e carisma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O p\u00fablico era maior do que na sexta, ainda que mais contido \u2013 \u201ccoisa de alem\u00e3o\u201d, na avalia\u00e7\u00e3o de uma porto-alegrense que havia viajado a Nova Petr\u00f3polis para assistir ao show. Talvez, j\u00e1 que foi impag\u00e1vel ver, antes de qualquer show, um t\u00edpico \u201calem\u00e3o da Serra\u201d observar a passagem de som, se aproximar do filho adolescente e dizer, com forte sotaque: \u201cn\u00e3o \u00e9 sempre que v\u00eam esses malucos pra aqui\u201d. Ap\u00f3s longo sil\u00eancio, completou: \u201c\u00c9 bom que venham\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bom mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30352\" title=\"musicaderua11\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua11.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua11.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua11-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dia 19 \u2013 Flores da Cunha<\/strong><br \/>\nO munic\u00edpio de Flores da Cunha, o maior produtor de vinhos do Brasil, \u00e9 outra das belas cidades italianas da Serra. Mas \u201ct\u00e1 parecendo Recife\u201d, diz Tagore ao p\u00f4r do sol, ao ver o grande p\u00fablico que se achegou desde o primeiro show da tarde na Pra\u00e7a da bandeira. Gente participativa, food trucks (convidados pela organiza\u00e7\u00e3o do festival) de comida mexicana (Cartel Andante) e cerveja artesanal (Salvador Brew Kombi, com uma bela Witbier de fabrica\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e a impec\u00e1vel Melonhead APA, da Baldhead), algumas das ga\u00fachas mais lindas que muitos olhos j\u00e1 viram, e sol e calor. Quer dizer, algu\u00e9m at\u00e9 consegue reclamar, se quiser. Mas tem que ser algum com \u201cpobrema\u201d s\u00e9rio para procurar encrenca num dia t\u00e3o bonito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os quatro que j\u00e1 haviam se apresentado at\u00e9 ent\u00e3o atuaram \u00e0 altura: Molina e Yoyo (foto acima) contaram com a participa\u00e7\u00e3o do saxofonista caxiense Jo\u00e3o Andr\u00e9, que improvisou e trouxe ares diferentes \u00e0s composi\u00e7\u00f5es dos estrangeiros (e ainda teve a seus p\u00e9s seu c\u00e3o Spock, que levou seu carisma para o palco). \u201cPeque\u00f1as Cosas\u201d, do uruguaio, mudou at\u00e9 de sentido com o sax, e \u201cBlues del Rechazo\u201d, da venezuelana, ganhou corpo e sofistica\u00e7\u00e3o no novo arranjo, apesar de algumas trombadas no andamento.  Gabriel Balbinot incorporou com galhardia o personagem Spangled Shore e Tagore fez outra grande apresenta\u00e7\u00e3o, mesmo que com o baixo e os vocais de Caramuru Baumgartner em volume impercept\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Houve mais nomes agregados ao line-up: o violonista Valdir Verona e o acordeonista Rafael De Bonna trouxeram chamam\u00e9s e milongas instrumentais reverentes \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o, sim, mas arejadas o suficiente para sua tradi\u00e7\u00e3o transparecer. E a banda caxiense Cuscobayo, com voca\u00e7\u00e3o para Onda Vaga (vide os vocais em un\u00edssonos, a predomin\u00e2ncia de arranjos ac\u00fasticos e as letras \u201cdo bem\u201d e andarilhas), mostrou dom\u00ednio do p\u00fablico e de suas composi\u00e7\u00f5es, trazendo uma esp\u00e9cie de chamam\u00e9 roqueiro, mais urbano que campeiro, com po\u00e9tica simples (simples demais, talvez) e apelo aos \u201cveintea\u00f1eros\u201d. Em show, funciona , mas letras menos juvenis n\u00e3o fariam mal \u00e0 banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo terminou cedo, e sobrou tempo para um lanche gigantesco no Banana Pink (uma disputada lanchonete com mais op\u00e7\u00f5es de vinho que de cerveja no card\u00e1pio), e para sair com a certeza de que Flores da Cunha \u00e9 um lugar para onde vale voltar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00edvia: quando voc\u00ea sabe que uma banda \u00e9 muito boa? Resposta: quando mesmo depois de assistir a tr\u00eas shows consecutivos dela, chega em \u201ccasa\u201d (no caso, seu alojamento) e coloca o \u00e1lbum da mesma para ouvir. O relato deste dia foi escrito ao som de \u201cMovido a Vapor\u201d, de Tagore, na madrugada do dia 20.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30346\" title=\"musicaderua5\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua5.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua5.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua5-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dia 20 \u2013 Caxias do Sul \u201cextraoficial\u201d<\/strong><br \/>\nUma tempestade iniciou a manh\u00e3 e se transformou numa daquelas chuvas intensas que n\u00e3o v\u00e3o embora. Por isso, a primeira leva de shows em Farroupilha, com Yoyo Borobia e o Quarteto New Orleans, de Caxias do Sul, foram transferidos para o concorrido dia seguinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fora da programa\u00e7\u00e3o do festival, Tagore, Molina, Yoyo Borobia, os caxienses Bob ShuT se juntaram a v\u00e1rios m\u00fasicos de Caixas (alguns deles, organizadores do evento; outros, participantes das edi\u00e7\u00f5es anteriores) para uma s\u00e9rie de jams no Zarabatana Caf\u00e9, um dos atrativos do belo Centro de Cultura Ordov\u00e1s. Luciano Balen, do Projeto Ccoma e gestor do festival, assumiu a bateria com Yoyo Borobia e injetou swing em \u201cMundo Virtual\u201d, da venezuelana; Molina, com Spangled Shore e quatro \u00f3timos m\u00fasicos locais, se soltou como nunca no palco e cometeu uma vers\u00e3o inesquec\u00edvel de \u201cEn El Camino del Sol\u201d; Marcelo Birck (Graforreia Xilarm\u00f4nica) puxou uma esp\u00e9cie de \u201cdub folk\u201d, e assim o \u201cpalco livre\u201d ia se sucedendo. Em dado momento, perdeu-se a raz\u00e3o de registrar quem tocava com quem: era m\u00fasica acontecendo fora da rua, mas com o esp\u00edrito mais \u201ccallejero\u201d e contagiante poss\u00edvel. A comida era \u00f3tima e acess\u00edvel, a bebida era boa e a situa\u00e7\u00e3o parecia se recusar a terminar. Evidentemente, uma hora chegou ao fim, mas est\u00e1vamos todos felizes demais para perceber.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30347\" title=\"musicaderua6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua6.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua6.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua6-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dia 21 \u2013 Farroupilha e Bento Gon\u00e7alves<\/strong><br \/>\nO sol que veio nas primeiras horas do dia se mostrou enganoso, e uma chuva fina e fria veio para abaixar as temperaturas do feriado de Tiradentes na Serra Ga\u00facha. As condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e o dia livre deixaram as ruas de Farroupilha, com sua curiosa mistura de casas antigas (muitas de madeira) e pequenos pr\u00e9dios novos, pouco ocupadas. Assim, quando o Quarteto New Orleans saiu, \u00e0s 15h, em cortejo pelas ruas centrais, levou muitas fam\u00edlias a janelas e varandas, mas poucas se animaram a seguir o excelente quarteto caxiense em prociss\u00e3o at\u00e9 a Pra\u00e7a da Emancipa\u00e7\u00e3o, onde um n\u00famero maior de pessoas j\u00e1 assistia o Homem-Banda, atra\u00e7\u00e3o de Porto Alegre trazida pelo SESC Farroupilha, parceiro do festival na etapa local. Enquanto isso, alguns quil\u00f4metros \u00e0 frente, no Parque dos Pinheiros. Molina e a dupla Verona e De Boni se apresentavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em todo festival h\u00e1 o momento de se escolher uma atra\u00e7\u00e3o em detrimento da outra. Optei por seguir na pra\u00e7a e ver as Meninas Cantoras de Novas Petr\u00f3polis (foto acima), em vez de ir ao parque. O nome talvez o fa\u00e7a pensar \u2013 como eu preconceituosamente pensei, reconhe\u00e7o \u2013 que seria um daqueles corais condescendentes, mais simp\u00e1ticos que interessantes. Mas n\u00e3o bastasse o repert\u00f3rio surpreendente \u2013 que vai desde can\u00e7\u00f5es s\u00e9rvias \u00e0 \u201cCada Voz\u201d, de Tulipa Ruiz \u2013 os arranjos de banda (h\u00e1 um trio que acompanha as cantoras) e as nuances das vozes das 18 cantoras criam um espet\u00e1culo imperd\u00edvel, que ganhou aten\u00e7\u00e3o incondicional da audi\u00eancia, que bravamente resistia ao frio. Uma recria\u00e7\u00e3o de \u201cJorge de Capad\u00f3cia\u201d provocou arrepios nos pelos j\u00e1 eri\u00e7ados de frio. Psicodelia vinda de um coral de adolescentes? Pois \u00e9. E no mesmo festival que trouxe bai\u00e3o psicod\u00e9lico a um labirinto vegetal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O duo Finlandia, formado pelo argentino Mauricio Candussi e o brasileiro Raphael Evangelista, mal p\u00f4de fazer sua estreia no festival: no meio da segunda m\u00fasica, a chuva voltou, encerrando a apresenta\u00e7\u00e3o e a etapa farroupilhense bruscamente. Enquanto isso, em Bento Gon\u00e7alves, Spangled Shore, Yoyo Borobia e o Quarteto New Orleans davam in\u00edcio \u00e0s apresenta\u00e7\u00f5es na Pra\u00e7a S\u00e3o Bento (a do cart\u00e3o postal cl\u00e1ssico da cidade, com a igreja em forma de barrica de vinho). Chego em tempo de ver o final do New Orleans, ainda mais festivo que nas ruas de Farroup\u00edlha, e ainda vejo Molina fazer dois temas com seguran\u00e7a e precis\u00e3o de veterano (ele, que come\u00e7ou o festival t\u00edmido e algo inseguro) antes de ceder espa\u00e7o para Tagore, ainda em formato trio, botar o grande p\u00fablico serrano para dan\u00e7ar (ou alucinar).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30348\" title=\"musicaderua7\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua7.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cuscobayo aproveitou a plateia aquecida para fazer um show mais intenso que a de Flores da Cunha. Para lavar a frustra\u00e7\u00e3o da apresenta\u00e7\u00e3o interrompida, o Finlandia (foto acima), que n\u00e3o estava escalado para Bento, fechou a etapa serrana do festival. Com o escurecer do c\u00e9u, o cello de Raphael e o acorde\u00e3o de Mauricio ficaram ainda mais graves, por\u00e9m os beats e o swing da banda, afiados como nunca no recente \u00e1lbum \u201cMundo Rural\u201d (2015), s\u00e3o usados a favor da dan\u00e7a. A combina\u00e7\u00e3o deu certo? O duo s\u00f3 conseguiu encerrar sua apresenta\u00e7\u00e3o depois de dois bises&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo com a grande tarde em Flores da Cunha, \u00e9 justo dizer que n\u00e3o houvera at\u00e9 ent\u00e3o p\u00fablico mais animado e participativo que o de Bento, que pedia can\u00e7\u00f5es, aplaudia, dan\u00e7ava e conversava com os m\u00fasicos ap\u00f3s suas apresenta\u00e7\u00f5es. Se seria o ambiente, o vinho, a qualidade das apresenta\u00e7\u00f5es, tudo isso junto, ou outro fator n\u00e3o cogitado aqui, n\u00e3o d\u00e1 para saber. Assim como n\u00e3o d\u00e1 para entender como a chuva nem se avizinhou, mesmo sendo a cidade t\u00e3o pr\u00f3xima de Farroupilha. O frio, por sua vez, n\u00e3o dava tr\u00e9gua, mesmo com o c\u00e9u aberto, e beber vinho era uma quest\u00e3o de auto-preserva\u00e7\u00e3o (ok, havia alternativas n\u00e3o-alco\u00f3licas, mas est\u00e1vamos em Bento Gon\u00e7alves, e assim&#8230;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de nos despedirmos (tristemente) das pra\u00e7as da Serra, fomos \u2013 artistas, produtores, equipe t\u00e9cnica \u2013 nos encantar com os opulentos lanches do Sierra Burger. O sandu\u00edche que d\u00e1 t\u00edtulo \u00e0 casa, com 150g de carne, creme de gorgonzola e cebolas caramelizadas, entra na categoria \u201cdepois deste, todos os que vierem depois podem empalidecer em compara\u00e7\u00e3o\u201d. Ainda que alguns caxienses presentes tenham declarado que era \u201cgourmet demais\u201d e que \u201cbom mesmo \u00e9 xis\u201d. Certas tradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o dif\u00edceis de derrubar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30350\" title=\"musicaderua9\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua9.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua9.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua9-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dias 22 a 26 \u2013 Caxias do Sul<\/strong><br \/>\nNa quarta-feira, a programa\u00e7\u00e3o n\u00e3o incluiu shows, mas a m\u00fasica seguiu como o tema central, com Leonardo Salazar, autor do livro e do blog M\u00fasica Ltda., discorrendo sobre a viabiliza\u00e7\u00e3o comercial de m\u00fasicos, produtores (musicais e culturais) e demais profissionais ligados a esta arte. Raphael Evangelista (Finlandia), Nicol\u00e1s Molina e este rep\u00f3rter foram chamados ao palco para falar tamb\u00e9m sobre o tema. As charlas continuaram no dia seguinte, com a produtora cultural Marta Carvalho falando sobre o neg\u00f3cio da m\u00fasica \u2013 mais especificamente, sobre leis de incentivo e organiza\u00e7\u00e3o de eventos. Na sequ\u00eancia, Marta se juntou aos participantes da noite anterior para um bate-papo sobre os rumos da m\u00fasica, comandado por Luciano Balen.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dia 23 ainda viu muita m\u00fasica: a local Bob ShuT (foto acima) \u201cjogou em casa\u201d abrindo a etapa caxiense do festival tocando sob a entrada da Casa de Cultura, j\u00e1 que a chuva voltou a aparecer. Ac\u00fastico (\u00e0 exce\u00e7\u00e3o do baixo plugado), a banda se aproxima muito mais do \u201cfolk montanh\u00eas\u201d que almeja do que em sua vers\u00e3o el\u00e9trica: no viol\u00e3o, suas boas melodias conquistam com mais facilidade, e os trechos cantados em coro pelo baixista Douglas Trancoso e pelo baterista Juliano Mengatto parecem ressoar em algum lugar entre Kleiton &amp; Kledir e Teenage Fanclub. \u201cGet Back Home\u201d e \u201cDe Vez em Quando\u201d, em especial, foram muito representativas dessa identidade mais pessoal que apenas se insinua em sua vers\u00e3o el\u00e9trica. E \u201cN\u00e3o Quero Anoitecer\u201d \u00e9 uma daquelas can\u00e7\u00f5es lindas e simples, que com poucos versos e notas se multiplica em sensa\u00e7\u00f5es e sugest\u00f5es no ouvinte. Foi at\u00e9 sintom\u00e1tico que aparecesse durante o show um grande grupo de alunos de um col\u00e9gio que estava visitando a Casa de Cultura, e ali ficasse para ver o show. A Bob ShuT tem voca\u00e7\u00e3o para falar com adolescentes, e quando sua proposta sua assim bem resolvida, o faz sem alienar adultos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que viesse na sequ\u00eancia o gaiteiro Araju Haas com seu espet\u00e1culo \u201cDescend\u00eancia\u201d, tamb\u00e9m foi sintom\u00e1tico, mas de outra quest\u00e3o ainda mais importante: a confirma\u00e7\u00e3o de que o festival n\u00e3o se prende a nenhum g\u00eanero musical. \u00c9 ainda pouco comum no Brasil que a uma banda de indie pop se suceda um m\u00fasico que traz um show calcado no folclore ga\u00facho, mas que tamb\u00e9m acena para os Balc\u00e3s (em muitos momentos, foi poss\u00edvel lembrar de A Hawk and a Hacksaw). Uma apresenta\u00e7\u00e3o bastante intensa e bonita, capaz de confundir a cabe\u00e7a de quem olhasse para aquela dupla (um violeiro o acompanhava), pilhada como se para um show em um CTG (Centro de Tradi\u00e7\u00f5es Ga\u00fachas), e desse de cara com a ousadia interpretativa da dupla.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30349\" title=\"musicaderua8\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua8.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua8.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua8-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s 15 na Esta\u00e7\u00e3o \u00d3pera, uma longa parada de \u00f4nibus de arquitetura peculiar, Spangled Shore (foto acima) fazia com que at\u00e9 os pedreiros de uma obra em frente parassem para assistir o show mais longo que fizera at\u00e9 ent\u00e3o, que ainda incluiu excelentes releituras de \u201cI Fought The Law\u201d (Bobby Fuller) e \u201cNew England\u201d (Billy Bragg). No Zarabatana Caf\u00e9, j\u00e1 \u00e0 noite, o Finlandia vinha com seu show completo, e foi uma amplifica\u00e7\u00e3o do encantamento que se vira em Bento Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fim de semana ainda traria muitos shows: as vers\u00f5es \u201cbanda completa\u201d de Tagore e Molina y Los C\u00f3smicos, J\u00eaf (o ganhador do Breakout Brasil), Cuscobayo, Kleiton e Kledir, o multi-instrumentista peruano Carlos Carty, um tributo a Teixeirinha conduzido por seu neto e outros, todos na Esta\u00e7\u00e3o F\u00e9rrea de Caxias, que receberia ainda oito food trucks, um bazar comandado pela casa noturna Paralela, entre outras atra\u00e7\u00f5es. Isso sem falar de a\u00e7\u00f5es como um show da Cuscobayo na APAE, o \u201cserrotista\u201d Marco Binatti tocando para as crian\u00e7as na Biblioteca P\u00fablica e tantas mais (foram quase 70 shows ao todo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por motivos pessoais, n\u00e3o pude permanecer na cidade para cobrir os do final de semana (\u201ca vida tem dessas coisas\u201d, dizia certo hit oitentista). Por\u00e9m, sa\u00ed com a certeza de que a proposta do Festival Brasileiro de M\u00fasica de Rua resgata muito do potencial de surpreender que \u00e9 inerente \u00e0 m\u00fasica, com uma mistura de g\u00eaneros que funciona bem tanto para esvaziar preconceitos  quanto para unir p\u00fablicos diferentes. Mais que isso, congrega pessoas e d\u00e1 \u00e0s ruas, as mesmas ruas pela qual as pessoas passam todos os dias, a dimens\u00e3o greg\u00e1ria e encantadora que elas podem ter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E na forma com que a log\u00edstica do evento permitiu esta cobertura, entraram experi\u00eancias que somente a condi\u00e7\u00e3o de jornalista proporciona em um festival como esse. Coisas que n\u00e3o t\u00eam a ver com suposta camaradagem do artista para com o rep\u00f3rter ou adula\u00e7\u00e3o deste com o artista, e sim com a oportunidade de passear pelos corredores do alojamento do festival e testemunhar Nicol\u00e1s Molina compondo; escrever um texto enquanto, no quarto ao lado, Carlos Carty repassa seu repert\u00f3rio; entender as influ\u00eancias do Spangled Shore ou discutir as possibilidades comerciais da m\u00fasica com o escritor e empres\u00e1rio Leonardo Salazar e o duo Finlandia. \u00c9, sim, um privil\u00e9gio, e que talvez n\u00e3o caiba em uma reportagem, mas certamente transforma o entendimento da m\u00fasica e do ambiente que a cerca para o rep\u00f3rter. Permite uma profundidade e uma vis\u00e3o \u201cdesde adentro\u201d, como diriam os vizinhos, que n\u00e3o se consegue em outras oportunidades mais formais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O exemplo do M\u00fasica de Rua, em organiza\u00e7\u00e3o, alcance e curadoria, \u00e9 \u00fanico no Brasil. E que ele se expanda a cada edi\u00e7\u00e3o, e nesta tenha atingido um padr\u00e3o de refer\u00eancia para as que vir\u00e3o, prova sua viabilidade, tanto do ponto de vista cultural quanto financeiro. Basta a combina\u00e7\u00e3o \u2013 dif\u00edcil de obter, \u00e9 verdade \u2013 entre planejamento, bom uso de recursos, curadoria e vontade. E, claro, \u00f3timos artistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30351\" title=\"musicaderua10\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua10.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua10.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/musicaderua10-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>&#8211; Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a><span>) no Scream &amp; Yell. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Finlandia: A gente d\u00e1 prioridade a coisas que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o \u201cfor export\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/03\/especial-sim-finlandia\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Prata da Casa 2014: Tagore fecha com chave de ouro projeto do Sesc Pompeia (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2014\/12\/23\/prata-da-casa-27-tagore\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Projeto Ccoma: &#8216;Hoje, qualquer lugar com Internet \u00e9 uma janela para o mundo&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/02\/12\/entrevista-projeto-ccoma\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Molina Y Los Cosmicos: &#8220;Me importa fazer a m\u00fasica que quero fazer&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/14\/conexao-latina-molina-y-los-cosmicos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Download gratuito: baixe a colet\u00e2nea \u201cSomos Todos Latinos\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/17\/download-somos-todos-latinos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cSomos Todos Latinos\u201d: compare as vers\u00f5es originais com as da colet\u00e2nea (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/21\/somos-todos-latinos-as-cancoes-originais\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas\nEm sua quarta edi\u00e7\u00e3o, evento percorreu sete cidades da Serra Ga\u00facha e prova ser uma iniciativa excelente e \u00fanica no Brasil\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/04\/27\/festival-brasileiro-de-musica-de-rua-2015\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30338"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30338"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30338\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58246,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30338\/revisions\/58246"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30338"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30338"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30338"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}