{"id":30285,"date":"2015-04-23T08:46:04","date_gmt":"2015-04-23T11:46:04","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=30285"},"modified":"2019-02-14T02:07:48","modified_gmt":"2019-02-14T04:07:48","slug":"a-segunda-vinda-do-alabama-shakes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/04\/23\/a-segunda-vinda-do-alabama-shakes\/","title":{"rendered":"A segunda vinda do Alabama Shakes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30286\" title=\"alabama1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/alabama1.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/alabama1.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/alabama1-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/alabama1-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/cemcruzeiros\" target=\"_blank\">Lucas Guarni\u00e9ri<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das coisas mais frustrantes sobre \u201cSound &amp; Color\u201d (2015), o novo trabalho do Alabama Shakes, \u00e9 a impossibilidade de ouvir a voz de Brittany Howard pela primeira vez de novo. A novidade, por\u00e9m, fica por conta da forma encantadora pela qual os integrantes do grupo superaram os desafios de lan\u00e7ar um segundo \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A qualidade e maturidade de \u201cBoys &amp; Girls\u201d (2012), o disco de estreia, praticamente isentou a banda de precisar provar qualquer coisa a qualquer um. Um \u00e1lbum acima da m\u00e9dia n\u00e3o s\u00f3 em seu pr\u00f3prio g\u00eanero, mas tamb\u00e9m no contexto onde ele se encaixa, que, felizmente, encontrou um p\u00fablico: 500 mil c\u00f3pias vendidas os levando ao sexto lugar do Hot 200 da Billboard.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Howard e Cia est\u00e3o acostumados a quebrar barreiras. A primeira delas foi a regional ao se desvencilharem do fardo de ficarem enclausurados apenas no estere\u00f3tipo caracter\u00edstico do southern. N\u00e3o d\u00e1 pra n\u00e3o dizer que a regi\u00e3o sul dos Estados Unidos onde cresceram n\u00e3o tenha reflexos em seu trabalho, mas \u00e9 mais correto afirmar que eles parecem se sentir estrangeiros em sua pr\u00f3pria casa. Seus empregos di\u00e1rios \u2013 Cockrell trabalhava como veterin\u00e1rio, Fogg pintava casas, Johnson dava duro em uma usina nuclear, Brittany era carteira \u2013 podem parecer hoje uma realidade distante, mas \u00e9 dali que veio toda a for\u00e7a e mod\u00e9stia necess\u00e1ria para evitar a queda no buraco profundo do hype e afogar-se em seu pr\u00f3prio pastiche.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSound &amp; Color\u201d \u00e9 mais confiante e abrangente que seu antecessor. Ainda que n\u00e3o tenha algo com o mesmo impacto de \u201cHold On\u201d, cujas primeiras frases continham uma pot\u00eancia impressionante (\u201cBless my heart, bless my soul \/ Didn\u2019t think I\u2019d make it to 22 years old\u201d), o que veio a seguir seria algo mais caleidosc\u00f3pico, como a can\u00e7\u00e3o de sete minutos \u201cGemini\u201d, uma jam psicod\u00e9lica desacelerada na qual o vocal de Howard \u00e9 acompanhado de badalares de sinos e riffs moment\u00e2neos. O produtor do \u00e1lbum, Blake Mills, contou em entrevista que a vocalista se sentiu incapaz de terminar a letra da m\u00fasica: \u201cEla pincelou v\u00e1rias frases, misturou e as distribuiu aleatoriamente\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/t3Lu1WbImPE\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/t3Lu1WbImPE\"><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cGemini\u201d \u00e9 o exemplo mais proeminente da experimenta\u00e7\u00e3o de \u201cSound &amp; Color\u201d, mas basta dar o play e ouvir a m\u00fasica t\u00edtulo para saber que n\u00e3o h\u00e1, em todo o conjunto, a aura de \u201cisso de novo?\u201d. O que se segue s\u00e3o m\u00fasicas que v\u00e3o desde ritmos barulhentos (\u201cThe Greatest\u201d) ao blues suave (\u201cDunes\u201d) e jams de soul psicod\u00e9lico (\u201cFuture People\u201d). Um caldeir\u00e3o de refer\u00eancias de deixar qualquer ouvido com fome por mais. Causa espanto pensar que o grupo possui apenas dois discos pr\u00f3prios, pois parecem veteranos, transitando entre o tradicional e o atual, ora unificando-os, ora inserindo elementos de outros g\u00eaneros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A faixa que mais mede for\u00e7as com o grande hit do \u00e1lbum anterior, \u201cHold On\u201d, \u00e9, sem d\u00favidas, o primeiro single \u201cDon\u2019t Wanna Fight\u201d, que antecipou o clima do \u00e1lbum quando lan\u00e7ada em 10 de fevereiro. Howard come\u00e7a \u201cgritando em sil\u00eancio\u201d, como se sua voz n\u00e3o quisesse emitir som algum e deixar a contempla\u00e7\u00e3o a cargo da melodia R&amp;B. Agora mais mansa, ela lembra um pouco Prince e, por mais que o refr\u00e3o seja repetitivo, n\u00e3o parece ser artif\u00edcio mercadol\u00f3gico para fixar a m\u00fasica na cabe\u00e7a dos ouvintes. Funciona mais como elemento de contexto, em que a banda pensou fazer sentido para a faixa. O resultado \u00e9 a vontade incontrol\u00e1vel de interromper a audi\u00e7\u00e3o completa do \u00e1lbum e colocar a faixa no repeat.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cGimme All Your Loving\u201d tamb\u00e9m \u00e9 um ponto alto do disco que quase n\u00e3o possui oscila\u00e7\u00f5es. Aqui, a faixa sintetiza toda a atmosfera de \u201cSound &amp; Color\u201d, uma vez que as misturas de g\u00eaneros trabalham quase como paradoxos que, de repente, resolveram se unificar em prol de um bem maior. O mix de Blues, Rock, Soul e Pop somado a voz agora pesada de Brittany \u2013 que transmite um sofrimento enorme por meio de seu timbre \u2013 pincela lirismo e uma solidez que, por pouco n\u00e3o se torna literal e se materializa e nos atravessa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSound &amp; Color\u201d \u00e9 um segundo disco em que o deslumbre passou longe dando lugar a pluralidade e ao escapismo do lugar comum. Os desafios continuam para o Alabama Shakes, que, sem d\u00favida, ser\u00e3o vencidos com a mesma facilidade na qual Howard alcan\u00e7a as notas mais altas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/_sNNTpORtDQ\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/_sNNTpORtDQ\"><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Lucas Guarni\u00e9ri (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/cemcruzeiros\" target=\"_blank\">@cemcruzeiros<\/a>) \u00e9 paulistano, publicit\u00e1rio e inquieto cultural<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Lucas Guarni\u00e9ri\nSound &#038; Color \u00e9 um segundo disco em que o deslumbre passou longe dando lugar a pluralidade e ao escapismo do lugar comum\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/04\/23\/a-segunda-vinda-do-alabama-shakes\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":64,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30285"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/64"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30285"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30285\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":50426,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30285\/revisions\/50426"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30285"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30285"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30285"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}