{"id":30105,"date":"2015-04-09T09:40:16","date_gmt":"2015-04-09T12:40:16","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=30105"},"modified":"2018-01-29T18:59:25","modified_gmt":"2018-01-29T20:59:25","slug":"cinema-frank-de-lenny-abrahamson","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/04\/09\/cinema-frank-de-lenny-abrahamson\/","title":{"rendered":"Cinema: Frank, de Lenny Abrahamson"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30106\" title=\"frank\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/frank.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"667\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/frank.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/frank-202x300.jpg 202w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ponto de partida do diretor irland\u00eas Lenny Abrahamson em \u201cFrank\u201d (2014), seu quarto filme (seus tr\u00eas longas anteriores fizeram sucesso local lhe rendendo tr\u00eas vezes o pr\u00eamio de Melhor Diretor no Irish Film &amp; Television Awards), \u00e9 inusitado e interessante: um jovem m\u00fasico olha o mar enquanto busca inspira\u00e7\u00e3o para compor uma can\u00e7\u00e3o. Acompanhando os pensamentos de Jon (o \u00f3timo Domhnall Gleeson), como se estivesse dentro de sua cabe\u00e7a (bela antecipa\u00e7\u00e3o de ideia), o espectador \u00e9 bombardeado por tentativas de can\u00e7\u00f5es que n\u00e3o v\u00e3o a lugar algum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida de Jon (que trabalha em um grande escrit\u00f3rio corporativo e divide seus sonhos com poucos seguidores numa conta de Twitter) muda radicalmente quando, na beira do praia, ele presencia uma tentativa de afogamento. O homem em quest\u00e3o era o tecladista da banda indie psicod\u00e9lica Soronprfbs, que, o espectador ir\u00e1 descobrir depois (e Jon tamb\u00e9m), soa como uma jun\u00e7\u00e3o do lado psycho dan\u00e7ante dos Butthole Surfers com o Flaming Lips de in\u00edcio de carreira. Com o tecladista no hospital, Jon \u00e9 convidado a tocar num show, e ent\u00e3o tudo come\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Soronprfbs \u00e9 liderada por Frank (Michael Fassbender), um homem que usa uma enorme m\u00e1scara de papel mache, que ele n\u00e3o tira absolutamente para nada (desde os 14 anos!). A enorme cabe\u00e7a remete ao U2 e ao Arcade Fire (do clipe \u201cReflektors\u201d), mas, na verdade, \u00e9 uma homenagem de Lenny Abrahamson ao m\u00fasico e comediante brit\u00e2nico Chris Sievey, que em 1984 criou o personagem cabe\u00e7udo Frank Sidebottom, que fez apari\u00e7\u00f5es regulares na TV at\u00e9 in\u00edcio dos anos 90 tornando-se at\u00e9 mesmo rep\u00f3rter de Granada Reports.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30107\" title=\"frank1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/frank1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jon \u00e9 convidado a entrar para a banda e praticamente sequestrado. O grupo parte para um retiro numa casa de campo que servir\u00e1 de laborat\u00f3rio para o novo \u00e1lbum que os Soronprfbs pretendem gravar. Em meio a grava\u00e7\u00f5es de folhas de \u00e1rvores se mexendo, canto de p\u00e1ssaros, portas se abrindo e o barulho do rio, Jon sofre com a adapta\u00e7\u00e3o ao cotidiano de uma banda de rock cujo empres\u00e1rio \u00e9 sexualmente viciado em manequins e a theremista Clara (Maggie Gyllenhaal), uma indie g\u00f3tica ciumenta apaixonada por Frank, n\u00e3o vai com a sua cara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Delicado, musical e inocentemente engra\u00e7ado, \u201cFrank\u201d discute adequa\u00e7\u00e3o e inadequa\u00e7\u00e3o. Com as cartas na mesa, o roteiro trabalha com sutileza uma pequena j\u00f3ia indie pop cin\u00e9fila. Jon tem l\u00e1 sua musicalidade, e batalha para ser aceito pelos companheiros, que n\u00e3o d\u00e3o muita bola. Suas tentativas de can\u00e7\u00f5es s\u00e3o lineares, diretas, com come\u00e7o, meio e fim, enquanto o Soronprfbs \u00e9 puro caos. Ao mesmo tempo, ele n\u00e3o entende porque Frank se esconde atr\u00e1s de um enorme cabe\u00e7\u00e3o, e passa a questionar a sanidade do l\u00edder aos outros membros da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30108\" title=\"frank2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/frank2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/frank2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/frank2-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo vai passando, as barbas v\u00e3o crescendo, e o disco n\u00e3o sai. Jon divide o cotidiano do grupo experimental com o mundo atrav\u00e9s de suas contas de Twitter e Youtube, o que acaba formando um s\u00e9quito de f\u00e3s e chama a aten\u00e7\u00e3o de um importante festival alternativo dos Estados Unidos, que os convida para se apresentar e lan\u00e7ar o disco do Soronprfbs l\u00e1. Frank vislumbra uma possibilidade de sucesso, de aceita\u00e7\u00e3o, enquanto Clara prev\u00ea confus\u00e3o. Jon, por sua vez, quer compor um hit, sem perceber que hits s\u00e3o a ant\u00edtese do Soronprfbs.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais um \u00f3timo filme que funciona como manual para bandas novas (tipo \u201cThe Commitments\u201d, de Alan Parker), \u201cFrank\u201d tamb\u00e9m questiona (de forma delicada) o universo dos \u2018likes\u2019 em redes sociais e o fasc\u00ednio do p\u00fablico pelo absurdo (filmada e postada no Youtube, uma briga que termina com uma canivetada transforma a banda em uma das sensa\u00e7\u00f5es do festival), mas parte de seu encanto reside em exibir a poesia (talvez inocente) das bandas alternativas que est\u00e3o pouco se fodendo para paradas de sucesso, porque a m\u00fasica \u00e9 mais importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com trilha sonora composta por Stephen Rennicks (m\u00fasico que, nos anos 80, tocava em uma banda chama The Prunes e, em entrevista, diz que nesse tempo viu bandas muito mais malucas que o Soronprfbs na estrada \u2013 leia <a href=\"http:\/\/www.movies.ie\/interviews\/frank__interview_with_composer_stephen_rennicks\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.laweekly.com\/arts\/the-story-behind-the-bizarre-songs-michael-fassbender-sings-in-frank-5009769\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>) tendo como base Kraut-Rock e The Fall, e cantada por Maggie Gyllenhaal e Michael Fassbender (que recebe um r\u00e1pido Peter Murphy no trecho final do filme), \u201cFrank\u201d aposta na bizarrice e na excentricidade para mostrar que a beleza pode estar em todos os lugares. Basta deixar de lado as conven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oNbFdtltpXE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EEJu9WJaMLo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TNSbRj8sKAs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zOt6ppIBOd4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nDelicado, musical, bizarro e inocentemente engra\u00e7ado, \u201cFrank\u201d discute adequa\u00e7\u00e3o e inadequa\u00e7\u00e3o inspirado em kraut e The Fall\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/04\/09\/cinema-frank-de-lenny-abrahamson\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30105"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30105"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30105\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46323,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30105\/revisions\/46323"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}