{"id":29977,"date":"2015-04-01T11:36:30","date_gmt":"2015-04-01T14:36:30","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=29977"},"modified":"2015-07-17T11:29:57","modified_gmt":"2015-07-17T14:29:57","slug":"entrevista-cabaret","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/04\/01\/entrevista-cabaret\/","title":{"rendered":"Entrevista: Cabaret"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-29978\" title=\"cabaret1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/cabaret1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"382\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/cabaret1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/cabaret1-300x189.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcelo.costa.5855\" target=\"_blank\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante um bate papo em agosto de 2010 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/08\/11\/entrevista-iuri-freiberger\/\" target=\"_blank\">publicado aqui no Scream &amp; Yell<\/a>), o produtor Iuri Freiberger contava animado sobre \u201cA Paix\u00e3o Segundo Cabaret\u201d, segundo disco dos cariocas do Cabaret, um \u00e1lbum que havia acabado de produzir: \u201cCreio que chegamos a um n\u00edvel de trabalho que, comparativamente, n\u00e3o deixa a desejar a nenhum disco feito fora do Brasil, e com qualidade que n\u00e3o \u00e9 costume ser ouvido nas produ\u00e7\u00f5es realizadas por aqui\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finada a grava\u00e7\u00e3o e a mixagem, com o disco pronto, o tempo foi passando, passando, passando, e nada do \u00e1lbum ganhar as ruas (ainda que, desde 2011, aparecesse aqui e ali em listas de melhores do ano). No primeiro semestre de 2014, M\u00e1rvio dos Anjos (voz e letras) decidiu colocar o disco para streaming, <a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/blogs\/amplificador\/posts\/2014\/03\/06\/cabaret-enfim-lanca-seu-segundo-disco-526749.asp\" target=\"_blank\">contando ao Amplificador<\/a>, do O Globo: \u201cA gente enfrentou diversos problemas internos, de v\u00e1rias naturezas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lan\u00e7amento oficial de \u201cA Paix\u00e3o Segundo Cabaret\u201d, por\u00e9m, foi na virada de 2014 para 2015, quando, finalmente, os discos f\u00edsicos chegaram da f\u00e1brica, tornando o \u00e1lbum realidade. \u201cChegou mesmo? Rapaz, eu nem fui avisado, hehehe\u201d, brinca M\u00e1rvio em uma troca de e-mails que aprofunda a tem\u00e1tica conceitual de um \u00e1lbum que percorre as etapas da paix\u00e3o. \u201cCada can\u00e7\u00e3o seria uma etapa, uma fase vivida por algu\u00e9m que se deixa apaixonar\u201d, explica Marvio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tem\u00e1tica escolhida permite que o disco soe atemporal fazendo com que \u201cA Paix\u00e3o Segundo Cabaret\u201d continue t\u00e3o urgente hoje quanto em 2010\/2011. Gravado por Iuri Freiberger na Toca do Bandido, no Rio, mixado no Est\u00fadio Casona, em Recife, e masterizado por Alex Wharton e J\u00falio Porto nos est\u00fadios Abbey Road, em Londres, \u201cA Paix\u00e3o Segundo Cabaret\u201d soa potente, arisco, nervoso, excelente. E merece ser ouvido alto, muito alto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No papo abaixo, M\u00e1rvio fala sobre o disco, relacionamentos, mercado, grandes gravadoras, rock nacional e muito mais. Acompanhado de Felipe Aranha (guitarras) e Marcelo Caldas (baixo) mais bateristas convidados, ele bate no peito: \u201cSituo o Cabaret como uma banda de rock, refr\u00e3o e palco. E a\u00ed te digo: onde houver espa\u00e7o para tudo isso, eu subo, canto e provo a voc\u00ea que existe espa\u00e7o para n\u00f3s\u201d. Como diria uma can\u00e7\u00e3o do primeiro disco deles, o palco n\u00e3o pode ser pouco. Com voc\u00ea, Cabaret.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30235\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"paixao\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/paixao.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"604\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/paixao.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/paixao-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/paixao-298x300.jpg 298w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Finalmente, &#8220;A Paix\u00e3o Segundo Cabaret&#8221; \u00e9 uma realidade. Lembro que ele chegou a aparecer em listas de Melhores do Ano em 2012 e 2013, e ainda nem tinha sido lan\u00e7ado oficialmente. O que aconteceu entre o final da produ\u00e7\u00e3o e o disco realmente sair?<\/strong><br \/>\nChegou mesmo? Rapaz, eu nem fui avisado, hehehehehe. Pessoalmente, posso dizer que tenho boa parcela de culpa nisso. O Cabaret sempre foi uma banda autoproduzida, e quase sempre eu era o respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o, agendamento de shows etc. O que aconteceu foi que, depois de termos feito um disco que consumiu muito de mim no processo criativo, eu n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de retomar essa fun\u00e7\u00e3o. Eu sabia que tinha me tornado mais fr\u00e1gil psicologicamente depois da composi\u00e7\u00e3o desse disco, que n\u00e3o ia aguentar receber os &#8220;n\u00e3os&#8221; habituais da produ\u00e7\u00e3o, de batalhar espa\u00e7o em shows e festivais e ouvir recusas sem sofrer muito. Foi uma \u00e9poca dif\u00edcil, cheguei at\u00e9 a subir ao palco com uma sensa\u00e7\u00e3o de baixa autoconfian\u00e7a. Al\u00e9m disso, eu tamb\u00e9m fui promovido como jornalista e assumi responsabilidades a mais no jornal Destak. Abri o jogo para a banda e disse que n\u00e3o tinha mais como arcar com a produ\u00e7\u00e3o, que isso tinha que sair da minha m\u00e3o e ser terceirizado. Isso levou a discuss\u00f5es, des\u00e2nimos, at\u00e9 o ent\u00e3o baterista, Marcos Hermes, saiu da banda. No fim, s\u00f3 no ano passado conseguimos contornar isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso parece um \u201cSome Kind of Monster\u201d, do Metallica, vers\u00e3o independente brasileira (risos). Como est\u00e1 a forma\u00e7\u00e3o atual? A Cabaret est\u00e1 pronta para voltar aos palcos? Esse disco deve soar muito bem ao vivo.<\/strong><br \/>\nEu adoro esse document\u00e1rio, acho obrigat\u00f3rio. Mas o nosso caso \u00e9 mais simples. N\u00e3o h\u00e1 milh\u00f5es de d\u00f3lares envolvidos, \u00e9 basicamente estar apaixonado pelas can\u00e7\u00f5es e tocar. O Cabaret hoje \u00e9 Felipe Aranha (guitarra), Marcelo Caldas (baixo) e eu. A gente conta com excelentes ajudas para executar o disco: o onipresente Melvin Ribeiro nas guitarras de base, as backings Natasha Nunes e Tatiana Rojas e, na bateria, temos nos alternado entre Cid Boechat, que foi o primeiro baterista do Cabaret, e o Iuri Freiberger, que produziu o disco. A banda virou um lugar para amigos se encontrarem no palco, e isso oxigenou bastante, principalmente nos momentos mais \u00e1rduos.  E sim, ele soa muito bem ao vivo, porque as m\u00fasicas s\u00e3o muito diferentes. A cada troca de faixa, muda-se o sentimento, a inten\u00e7\u00e3o e a perspectiva. \u00c9 um show de cenas, as can\u00e7\u00f5es pedem um ator e a banda executa a troca de cen\u00e1rios e os movimentos de c\u00e2mera atrav\u00e9s do instrumental. A gente explora v\u00e1rios tipos de rock para criar as cenas, coisa que n\u00e3o inventamos: David Bowie, Queen, Blur, Faith No More, Pulp e Nick Cave &amp; the Bad Seeds fazem isso h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma das vantagens do disco \u00e9 que o tema \u00e9 absolutamente atemporal: essa por\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica do amor ainda pode ser vista em milhares de situa\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas. Como surgiu a ideia de um disco tem\u00e1tico sobre as desventuras rom\u00e2nticas de um personagem?<\/strong><br \/>\nSurgiu da minha pr\u00f3pria experi\u00eancia. Eu j\u00e1 tinha come\u00e7ado a escrever novas can\u00e7\u00f5es \u2013 &#8220;Dentro de Voc\u00ea&#8221;, por exemplo, j\u00e1 estava pronta \u2013, mas foi depois de um fim de relacionamento particularmente amargo que as coisas ficaram muito claras para mim. O nome do disco me tomou de assalto \u2013 &#8220;A Paix\u00e3o Segundo Cabaret&#8221; \u2013 e a\u00ed eu propus \u00e0 banda, e eles aceitaram. Expliquei que ia ser conceitual: eu ia fazer com a paix\u00e3o algo semelhante ao que a psicanalista Elizabeth Kubler-Ross fez com o processo do luto, que ela dividiu em cinco fases. Cada can\u00e7\u00e3o seria uma etapa, uma fase vivida por algu\u00e9m que se deixa apaixonar. Eu ia ter n\u00e3o apenas que cantar o sentimento como musicalmente a banda iria descrev\u00ea-lo. E a\u00ed surgiram essas &#8220;cenas&#8221; \u2013 o disco todo \u00e9 muito teatral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muita gente alega que a maneira que as pessoas (principalmente a molecada) ouvem m\u00fasica hoje desconstr\u00f3i o formato \u201c\u00e1lbum\u201d: a pessoa ouve 10 segundos de uma can\u00e7\u00e3o, pula para outra de outro \u00e1lbum ou artista e o dia inteiro \u00e9 uma via-crucis musical. Como \u00e9 \u201cdefender\u201d um disco conceitual (que al\u00e9m de teatral tem tamb\u00e9m um pouco de \u00f3pera) nesse cen\u00e1rio?<\/strong><br \/>\nTudo que poder\u00edamos fazer era um encarte que sugerisse a conex\u00e3o entre as m\u00fasicas, mas que n\u00e3o obrigasse \u00e0 imers\u00e3o na hist\u00f3ria. Eu tinha claro na cabe\u00e7a que as m\u00fasicas teriam que viver por si mesmas, independentemente do conceito do \u00e1lbum. O que se pode oferecer \u00e9 uma experi\u00eancia mais profunda a quem se interessar por essa camada &#8220;oper\u00edstica&#8221;, encadeada, das m\u00fasicas, mas que de maneira alguma \u00e9 determinante. Quem se interessar por ela talvez concorde que a \u00faltima justificativa para se fazer um disco hoje \u00e9 contar uma hist\u00f3ria. E talvez &#8220;A Paix\u00e3o Segundo Cabaret&#8221; seja uma autobiografia, sim, mas sobre muita gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apesar desse componente atemporal, o relacionamento rom\u00e2ntico entre as pessoas mudou radicalmente nos \u00faltimos 100 anos, e nos \u00faltimos 20 virou de cabe\u00e7a pra baixo. Como voc\u00ea v\u00ea a paix\u00e3o na era das redes sociais? Vale outro disco?<\/strong><br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil voc\u00ea se desviar de toda uma educa\u00e7\u00e3o para um modelo de paix\u00e3o rom\u00e2ntica, que nos \u00e9 passado por literatura, cinema e m\u00fasica, esse em que surge um amor que vale o sacrif\u00edcio de abandonar a in\u00e9rcia que se vive, seja ela a frustra\u00e7\u00e3o de uma vida de amores n\u00e3o correspondidos, seja o t\u00e9dio das rela\u00e7\u00f5es l\u00edquidas, aquilo que os antigos chamavam de devassid\u00e3o, orgia ou simplesmente promiscuidade. Enfim, um amor que nos salva, nos redime, um ideal que vem desde os romances de cavalaria. O personagem principal do disco vive as duas coisas. Na primeira m\u00fasica, &#8220;A Paix\u00e3o Segundo Cabaret&#8221;, ele \u00e9 um adolescente desiludido com o amor. Na segunda, &#8220;O Amor de Ningu\u00e9m&#8221;, ele j\u00e1 virou um trint\u00e3o acostumado a n\u00e3o se envolver. Sobre a paix\u00e3o nas redes sociais&#8230; n\u00e3o sei se elas jogam algo novo. Acho que as velocidades se intensificam, para o bem e para o mal. Rola tanto a acelera\u00e7\u00e3o da pega\u00e7\u00e3o via Tinder quanto uma lentid\u00e3o insuport\u00e1vel do processo de desapego, a coisa de ser atacado no<br \/>\nFacebook pela foto de algu\u00e9m que voc\u00ea gostaria de estar esquecendo, o que retarda a sa\u00edda, aprofunda o rancor. Rede social \u00e9 aquele neg\u00f3cio em que todo mundo est\u00e1 obrigatoriamente bem; numa sociedade em que todo mundo lida muito mal com a ideia de digerir a melancolia, acho que a paix\u00e3o ali tende a ser profundamente destrutiva quando se instala, porque sua trag\u00e9dia \u00e9 travestida com selfies gloriosas, frases de autoestima e todo um mundo de pequenas fraudes, em nome da perp\u00e9tua euforia. N\u00e3o sei se vale outro CD, mas ainda precisa no m\u00ednimo de um manual de instru\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse quesito \u201cmanual de instru\u00e7\u00f5es\u201d, pode-se dizer que &#8220;A Paix\u00e3o Segundo Cabaret&#8221; \u00e9 um comp\u00eandio para entender a cabe\u00e7a (e o cora\u00e7\u00e3o) de um homem? Ou seja, \u00e9 um disco muito mais masculino que feminino (pra entrarmos num dos grandes debates atuais)?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei, eu ainda me impressiono com os limites disso. Vejo que muitas mulheres gostam, por exemplo, de &#8220;Nada Vai Ser Amor&#8221;, que tem versos como &#8220;Garota, hoje eu chego \u00e0s dez\/e quero voc\u00ea nua aos meus p\u00e9s&#8221; e &#8220;eu tenho coisas a propor:\/vou te ensinar uma outra dor\/e nada vai ser amor&#8221;. Se bem que, com o sucesso de &#8220;Cinquenta Tons de Cinza&#8221;, n\u00e3o deveria me surpreender. Talvez a separa\u00e7\u00e3o do lugar entre o masculino e o feminino hoje seja cada vez menos poss\u00edvel. Eu tava pensando aqui: &#8220;Um Dia no Para\u00edso&#8221; \u00e9 uma m\u00fasica sobre obsess\u00e3o, que eu escrevi um pouco sob efeito do tr\u00e1gico sequestro de Elo\u00e1, em Santo Andr\u00e9 (ela foi sequestrada pelo namorado em casa e acabou morta durante o resgate: &#8220;Invado teu edif\u00edcio e n\u00e3o tenho pressa de ir embora\/e agora o maior perigo \u00e9 voc\u00ea me querer do lado de fora&#8221;). Ela me parecia uma m\u00fasica masculina, mas depois eu percebi que v\u00e1rios relacionamentos l\u00e9sbicos que acompanhei tinham a obsess\u00e3o e a urg\u00eancia. E a\u00ed acho que n\u00e3o \u00e9 tanto o masculino e feminino, porque a paix\u00e3o doentia anula o apaixonado, subtrai a ess\u00eancia do que ele \u00e9: ele se deixa definir pelo alvo da paix\u00e3o. Homens deixam de ser homens e mulheres deixam de ser mulheres para serem oferendas, no altar de um deus ou deusa que quase nunca escuta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma pergunta inevit\u00e1vel: como voc\u00ea se sente ouvindo Ney Matogrosso cantando uma can\u00e7\u00e3o sua? Como rolou a aproxima\u00e7\u00e3o e a grava\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAbsolutamente realizado. A m\u00fasica era perfeita para ele, ele foi generoso demais ouvindo e topando gravar e isso foi o carimbo que eu precisava como compositor. Era o selo de garantia dado por um \u00eddolo, um cara que continua absolutamente necess\u00e1rio e atual. O lan\u00e7amento do disco era algo que a gente devia no m\u00ednimo a ele. E digo mais: de l\u00e1 para c\u00e1, ele gravou com muita gente, mas o Cabaret deu sorte: nenhum desses duetos ficou t\u00e3o sensual, perigoso e roqueiro quanto &#8220;Dentro de Voc\u00ea&#8221;. Uma amiga me levou ao camarim de um show dele, em 2006. Ali eu pedi o contato dele e ele topou ouvir o primeiro disco do Cabaret, sem que houvesse qualquer compromisso. Depois, eu o entrevistei para a Rolling Stone em 2007, batemos um grande papo, mas eu ainda n\u00e3o tinha escrito &#8220;Dentro de Voc\u00ea&#8221;. No ano seguinte, a banda come\u00e7ou a pensar o repert\u00f3rio do disco, e eu resolvi oferecer a m\u00fasica pra ele, e ela j\u00e1 era a melhor do \u00e1lbum. Gravamos a base com a minha voz e eu deixei na casa dele. Quando ele me ligou dizendo que topava, eu estava trabalhando no &#8220;Jornal do Brasil&#8221;. Minha vontade foi de sair gritando, largar a porra do jornal e correr pelado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/9309440\" width=\"600\" height=\"281\" frameborder=\"0\" webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A sonoridade de &#8220;A Paix\u00e3o Segundo Cabaret&#8221; depura o modelo de rock que voc\u00eas utilizaram no \u00e1lbum de estreia deixando as can\u00e7\u00f5es ainda mais cruas, diretas. O rock tem espa\u00e7o num pa\u00eds em que a Banda Malta \u00e9 modelo de rock, o Capital Inicial \u00e9 um dinossauro oitentista e f\u00e3s lamentam o fim do Restart, um s\u00edmbolo de rock para eles?<\/strong><br \/>\nO rock foi assaltado no dia em que o Chor\u00e3o deu o soco no Marcelo Camelo; ali ficou claro que dois mundos se afastariam para sempre. De um lado, o rock de guitarra alta, de r\u00e1dio e refr\u00e3o, de moleque. Do outro, o rock dilu\u00eddo em m\u00fasica brasileira e erudi\u00e7\u00e3o, o rock que j\u00e1 n\u00e3o era mais rock e que j\u00e1 tinha a b\u00ean\u00e7\u00e3o da linha evolutiva da MPB. Era um processo que j\u00e1 vinha acontecendo, mas ali a coisa se escancara, porque esse cen\u00e1rio costuma levar artistas, cr\u00edticos e p\u00fablico a escolher lados, a coisa mais &#8220;certa&#8221; a se comprometer. Depois, rolou todo o sequestro de uma cena de rock, quando o primeiro circuito independente de festivais falhou em se tornar autossustent\u00e1vel por diversos motivos, coincidentemente no momento em que o Brasil entrou na rota internacional de qualquer show. E a\u00ed, como o que resistiu foi a velharia e a molecagem industrial, o rock nacional virou esse subg\u00eanero semelhante ao cinema nacional e ao u\u00edsque nacional: precisa ter coragem para encarar e nada garante que d\u00ea certo, \u00e9 o que todo mundo pensa. Se a pergunta for &#8220;o rock vai voltar a ser um fen\u00f4meno de massas no Brasil como foi nos anos 1980?&#8221;, a\u00ed duvido. Talvez dependa de uma conjun\u00e7\u00e3o de fatores muito distante do momento atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Los Hermanos seria a l\u00e1pide do rock brasileiro ent\u00e3o?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o,  eu n\u00e3o daria a eles essa relev\u00e2ncia toda. O caix\u00e3o do rock brasileiro  tem muito mais pregos. Mas voc\u00ea v\u00ea: se ainda surge um Boogarins, se  ainda h\u00e1 um Apanhador S\u00f3, se um Autoramas viaja pelo exterior, a gente  n\u00e3o pode ficar tratando o rock brasileiro como uma civiliza\u00e7\u00e3o perdida,  nem ficar avaliando os grupos pela &#8220;m\u00e9dia&#8221; da produ\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 burro. Em  termos de autoria, chegamos ao melhor momento do rock nacional: a maior  parte daqueles que o fazem n\u00e3o vivem dele. N\u00e3o somos obrigados a lan\u00e7ar  \u00e1lbuns burocr\u00e1ticos por causa de contratos milion\u00e1rios, n\u00e3o temos que  viver do Ibope e das demandas de um p\u00fablico. Estamos fora do mercado,  nos sustentamos com outros trabalhos e essa \u00e9 a melhor forma de voltar a  ser arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>At\u00e9 porque a tecnologia atual possibilita voc\u00ea gravar um disco de forma independente, e ele ter um puta som, algo que antes era praticamente exclusivo da grande ind\u00fastria. Por\u00e9m, ela ainda det\u00e9m o monop\u00f3lio de divulga\u00e7\u00e3o em m\u00eddias tradicionais (r\u00e1dio e TV). Gostei de um tweet seu: \u201cDisco rec\u00e9m-lan\u00e7ado na m\u00e3o, sinto-me um pouco como aqueles poetas de rua, que abordam pessoas com &#8220;GOSTA DE ROCK EM PORTUGU\u00caS, JOVEM?&#8221;. Como chamar a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico sem usar o m\u00e9todo das grandes gravadoras?<\/strong><br \/>\nNo meu Twitter eu n\u00e3o resisto a fazer piadas, tu sabe&#8230; Acho que a gente tem que acreditar nas possibilidades. Primeiro, porque esses monop\u00f3lios n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o impenetr\u00e1veis assim: sempre h\u00e1 algu\u00e9m fazendo a revolu\u00e7\u00e3o por dentro, aberto, querendo se guiar pelo que \u00e9 novo e relevante. Segundo, que esses monop\u00f3lios, no ambiente da internet, significam pouco: j\u00e1 est\u00e1 mais do que provado que uma banda que se sabe trabalhar em clipes e sites de compartilhamento consegue acessos, p\u00fablico e impulsiona sua carreira \u2013 talvez n\u00e3o a ponto de viver exclusivamente do trabalho autoral, mas, sim, cria-se demanda de shows. Fora isso, voc\u00ea tem os licenciamentos de m\u00fasica para plataformas como videogames e a inclus\u00e3o em trilhas de audiovisual independente. E no fim, n\u00e3o tem jeito: tem que tocar mesmo. A experi\u00eancia ao vivo ainda \u00e9 o maior confirmador da pot\u00eancia do rock, mesmo que toda a babaquice do senso comum diga ao contr\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por outro lado, n\u00f3s vamos ter v\u00e1rios grandes festivais (Lollapalooza, Monsters, Rock in Rio) em que o rock, majoritariamente internacional, \u00e9 a grande estrela. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que se Legi\u00e3o Urbana, Tit\u00e3s e Paralamas surgissem hoje n\u00e3o teriam o mesmo sucesso e impacto que tiveram quando apareceram nos anos 80. Ent\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel imaginar que temos equivalentes a Tit\u00e3s, Legi\u00e3o e Paralamas &#8220;perdidos&#8221; nesse momento, e que est\u00e1 faltando algu\u00e9m que os conecte com a grande massa. Vale fazer uma marcha na Paulista pedindo a cabe\u00e7a dos presidentes de gravadoras? (risos). Ou, no m\u00ednimo, trata-los de igual pra igual: &#8220;Eu tenho uma banda com um puta disco foda, e voc\u00eas tem canais para fazer isso avan\u00e7ar. Vamos trabalhar juntos?&#8221; A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que, em 2015, as bandas ainda t\u00eam medo das grandes gravadoras&#8230;<\/strong><br \/>\nN\u00e3o acho que passeata ainda seja relevante como g\u00eanero art\u00edstico (risos). Eu n\u00e3o sei o que fazer das grandes gravadoras, porque vejo que hoje elas se dedicam mais a contratar aquilo que j\u00e1 est\u00e1 garantido na demanda e que s\u00f3 precisa escoar mais. Assim como nos anos 80 sempre tinha gente boa que ficava de fora, assim ser\u00e1 nos nossos anos, e o rock tende mesmo a ser esse g\u00eanero de n\u00fameros inferiores quando comparados ao pagode, ao funk e ao sertanejo universit\u00e1rio, que s\u00e3o os principais TINDERS musicais do momento, m\u00fasica de pega\u00e7\u00e3o. O rock s\u00f3 \u00e9 m\u00fasica para dan\u00e7ar em pa\u00edses que n\u00e3o desenvolveram as nossas tecnologias de bate-coxa e rebolado, cara! O que \u00e9 o rock perto do forr\u00f3? No entanto, o rock tem suas vantagens: \u00e9 muito mais parente do teatro e da poesia que da dan\u00e7a, no contexto em que vivemos. E outra: o rock fica muito mais importante quando tem um inimigo. Tenho a impress\u00e3o de que, depois de muitos anos de bonan\u00e7a, n\u00f3s brasileiros estamos descobrindo que ainda temos inimigos a superar. Talvez o rock tenha a chance de uma nova sobrevida por esse caminho, porque na sua natureza h\u00e1 uma tradi\u00e7\u00e3o de cronismo, de coment\u00e1rio social. Nos momentos de maior politiza\u00e7\u00e3o, o rock sempre pode ganhar mais espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na categoria &#8220;cronismo&#8221;, o rap est\u00e1, segundo alguns, tomando esse espa\u00e7o comportamental do rock. Essa semana algu\u00e9m cravou: &#8220;O rock n\u00e3o morreu, ele virou hip-hop&#8221;. Dai Jack White j\u00e1 gravou um blues rap (&#8220;Blues On Two Trees&#8221;) e Emicida foi crucificado por feministas enquanto Lob\u00e3o, Roger e Dinho Ouro Preto s\u00e3o alvos de piadas. O rap \u00e9 o novo rock? Criolo \u00e9 o novo Ozzy? Por fim, voc\u00ea v\u00ea o Cabaret gravando um rap futuramente?<\/strong><br \/>\nVou te fazer outra pergunta: ser\u00e1 que Lou Reed foi o primeiro rapper, com &#8220;Walk on the Wild Side&#8221;? Ou ter\u00e1 sido Bob Dylan, com suas letras quilom\u00e9tricas e melodias de notas mortas no \u201cHighway 61\u201d? Quantas notas uma melodia precisa N\u00c3O ter para deixar de ser rock? Can\u00e7\u00e3o de protesto \u00e9 um estilo datado, \u00e9 quase um blazer de ombreiras, fica rid\u00edculo quando voc\u00ea v\u00ea esses grupos de rock fazendo &#8220;o som das manifesta\u00e7\u00f5es&#8221; hoje. Mas o cronismo-falado-na-can\u00e7\u00e3o \u00e9 coisa do rock de muito tempo atr\u00e1s. Como g\u00eanero esteticamente estabelecido, o rap \u00e9 hoje muito mais contundente no cronismo, sem d\u00favida. O funk-ostenta\u00e7\u00e3o do MC Guim\u00ea \u00e9 muito mais representativo da nova classe m\u00e9dia brasileira do que qualquer texto da esquerda ligada ao governo. E agora nos EUA os caras t\u00e3o vendo o poder do cronismo ambicioso, como o Kanye West, coisa de quem t\u00e1 no topo do mundo. Respondendo tua \u00faltima pergunta: n\u00e3o vejo problema algum em compor um rap. Esses territ\u00f3rios s\u00e3o decididos pelo que se quer dizer, na minha opini\u00e3o. Por isso que no disco do Cabaret n\u00f3s tratamos obsess\u00e3o como metal, arrependimento como sertanejo universit\u00e1rio e concilia\u00e7\u00e3o com a mem\u00f3ria como psicodelia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea situa o Cabaret nesse cen\u00e1rio?<\/strong><br \/>\nEu situo o Cabaret como uma banda de rock, refr\u00e3o e palco. E a\u00ed te digo: onde houver espa\u00e7o para tudo isso, eu subo, canto e provo a voc\u00ea que existe espa\u00e7o para n\u00f3s. Vai ter gente gritando o refr\u00e3o de &#8220;Nada Vai Ser Amor&#8221;, dan\u00e7ando o refr\u00e3o de &#8220;Animal&#8221; e se identificando com &#8220;J\u00e1 \u00c9 Tarde&#8221;, e que vai se lembrar do poder transformador que s\u00f3 o rock tem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco est\u00e1 pronto, mas como coloca-lo nas m\u00e3os (e nos ouvidos) do p\u00fablico? Ele est\u00e1 dispon\u00edvel para download? Como encontrar &#8220;A Paix\u00e3o Segundo Cabaret&#8221; para comprar?<\/strong><br \/>\nVamos oferecer em breve o download pago nas melhores vendas do ramo, al\u00e9m de vender em shows e em lojas especializadas. Mas quem quiser o disco f\u00edsico \u00e9 s\u00f3 entrar em contato comigo pelo Twitter <a href=\"https:\/\/twitter.com\/marvio\" target=\"_blank\">@marvio<\/a>, pelo <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marviodosanjos\" target=\"_blank\">Facebook<\/a>. Sem atravessadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Passado o trauma &#8220;Chinese Democracy&#8221;, quais os pr\u00f3ximos passos do Cabaret? O pr\u00f3ximo disco s\u00f3 em 2020?<\/strong><br \/>\nA gente tem discutido esse assunto. N\u00e3o sei mesmo, Marcelo. Gosto de pensar em lan\u00e7ar singles mensais e esco\u00e1-los pela web, talvez reunindo-os depois. At\u00e9 para nos obrigar a produzir m\u00fasica com mais frequ\u00eancia, talvez mensalmente, como um coment\u00e1rio peri\u00f3dico. Mas ainda precisamos sistematizar isso, conversar entre n\u00f3s e experimentar. &#8220;A Paix\u00e3o Segundo Cabaret&#8221; foi pensado para ser o \u00faltimo LP com raz\u00f5es para ser um LP, o \u00faltimo conjunto de m\u00fasicas que tinha que ser um CD f\u00edsico, com um encarte elucidador, que permitisse uma experi\u00eancia maior \u2013 e olha que o planeta m\u00fasica j\u00e1 estava na era do single quando o conceito ordenou o formato, que moldou o conte\u00fado. Agora \u00e9 ver com que ideias a gente esbarrar\u00e1 pela frente. Na minha opini\u00e3o, s\u00e3o elas que mandam.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/G8mWbMKKYJg\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/G8mWbMKKYJg\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/qnlPlh02rvI\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/qnlPlh02rvI\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/VFyhLukfsv0\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/VFyhLukfsv0\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Iuri Freiberger: \u201cM\u00fasica hoje pode ser bem mais sincera\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/08\/11\/entrevista-iuri-freiberger\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; <span>M\u00e1rvio dos Anjos: &#8220;<\/span>Nick Cave \u00e9 o artista que mais me impressiona&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/08\/24\/3299\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nLan\u00e7ando finalmente o segundo disco do Cabaret, M\u00e1rvio fala sobre rock, cena independente, Los Hermanos e mais\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/04\/01\/entrevista-cabaret\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29977"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29977"}],"version-history":[{"count":27,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29977\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31607,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29977\/revisions\/31607"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29977"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29977"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29977"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}