{"id":29910,"date":"2015-03-26T08:31:05","date_gmt":"2015-03-26T11:31:05","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=29910"},"modified":"2026-01-28T13:49:40","modified_gmt":"2026-01-28T16:49:40","slug":"entrevista-frank-turner","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/26\/entrevista-frank-turner\/","title":{"rendered":"Entrevista: Frank Turner"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-29911\" title=\"frank_turner\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/frank_turner.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/_ana_c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ana Clara Matta<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 mesmo na era da (quase) livre, (\u00e0s vezes) r\u00e1pida e (praticamente) desnorteante troca globalizada de informa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer que a m\u00fasica perdeu sua rela\u00e7\u00e3o com as fronteiras geogr\u00e1ficas. Frank Turner \u00e9 uma prova viva dos atritos ainda existentes entre o local e o global. Turner foi um dos artistas convidados a se apresentar na Cerim\u00f4nia de Abertura dos Jogos Ol\u00edmpicos de Londres, perante um est\u00e1dio de Wembley lotado, em um show que inclu\u00eda Paul McCartney e Arctic Monkeys, foi transmitido mundialmente e alcan\u00e7ou pa\u00edses em que o artista se apresenta em clubes com capacidades para 200 sortudos. Mas esse n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico contraste que chama a nossa aten\u00e7\u00e3o na figura do cantor e compositor brit\u00e2nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frank Turner se formou na Eton College, na mesma turma do Pr\u00edncipe William, e come\u00e7ou sua carreira musical em um g\u00eanero tradicionalmente ligado \u00e0 classe trabalhadora do Reino Unido, o punk, com a banda Million Dead. Com o fim do grupo, Turner abandonou a guitarra el\u00e9trica pelo viol\u00e3o, e abra\u00e7ou uma paleta diferente de influ\u00eancias na sua sonoridade, como o country, o folk e o heartland rock de Bruce Springsteen \u2013 acompanhado pelo quarteto The Sleeping Souls. Recentemente se tornou o alvo de amea\u00e7as de morte por ter se declarado como, politicamente, um liberal cl\u00e1ssico para o jornal The Guardian.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conversamos com Frank Turner em um momento frut\u00edfero de sua carreira. Seu novo single, \u201cGet Better\u201d, acaba de ser lan\u00e7ado oficialmente, e em algumas semanas o brit\u00e2nico pretende divulgar as informa\u00e7\u00f5es sobre o seu novo \u00e1lbum, sucessor do elogiado \u201cTape Deck Heart\u201d, de 2012. Al\u00e9m disso, Frank est\u00e1 explorando um caminho in\u00e9dito em sua trajet\u00f3ria \u2013 a literatura. Seu di\u00e1rio de turn\u00ea, \u201cThe Road Beneath My Feet\u201d, chegou \u00e0s livrarias inglesas neste m\u00eas de mar\u00e7o. Saiba mais sobre Frank Turner, todos os seus d\u00edpticos, o local, o global, o folk, o punk, a esquerda, a direita, letra e m\u00fasica \u2013 nas suas pr\u00f3prias palavras.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Frank Turner - Get Better (Lyric Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tB4Avdlz3lk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma vez entrei em um debate com um amigo e colega de trabalho quando ele declarou que &#8220;o g\u00eanero folk-punk n\u00e3o existe, \u00e9 contradit\u00f3rio&#8221;. Como um artista comumente identificado como parte desse g\u00eanero h\u00edbrido, o que voc\u00ea pensa da rela\u00e7\u00e3o entre esses dois g\u00eaneros musicais? Voc\u00ea se considera folk-punk?<\/strong><br \/>\nAntes de mais nada, acho que discuss\u00f5es sobre classifica\u00e7\u00e3o de g\u00eanero s\u00e3o, em sua totalidade, uma perda de tempo tit\u00e2nica. Escute a m\u00fasica, goste ou n\u00e3o, siga com a sua vida. Em segundo plano, acho que a declara\u00e7\u00e3o de seu amigo \u00e9 especialmente boba \u2013 The Pogues? The Levellers? Existe toda uma hist\u00f3ria da m\u00fasica que liga os dois g\u00eaneros, e esteve presente praticamente desde o primeiro dia do movimento punk. Talvez ele deveria ouvir mais. N\u00e3o tenho certeza se eu faria qualquer coisa t\u00e3o brutal como tentar definir o meu g\u00eanero, mas eu cresci com o punk e eu estou interessado tanto na musicalidade quanto na filosofia (como ela \u00e9) da m\u00fasica folk.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em uma entrevista para a MTV, voc\u00ea disse que ap\u00f3s o lan\u00e7amento de \u201cTape Deck Heart\u201d era um al\u00edvio &#8220;n\u00e3o ter que falar mais sobre cora\u00e7\u00f5es partidos e fracassos pessoais e desastres&#8221;. Como que essa perspectiva se contrasta com o novo single e o novo \u00e1lbum? \u201c<a href=\"http:\/\/www.frank-turner.com\/GetBetter\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Get Better<\/a>\u201d \u00e9 um di\u00e1logo direto com o \u00faltimo disco, um ponto final em uma frase escrita anteriormente?<\/strong><br \/>\nEu gosto de pensar que &#8220;Get Better&#8221; \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o por si pr\u00f3pria. Tendo dito isso, eu escrevo autobiograficamente e cronologicamente, ent\u00e3o existe uma preced\u00eancia natural de um disco em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo. O novo \u00e1lbum trata de desafio, se levantar do ch\u00e3o ap\u00f3s uma queda e seguir em frente. Em parte isso se refere \u00e0 desilus\u00e3o amorosa que inspirou o \u00faltimo disco, mas h\u00e1 mais nele do que apenas isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Existem v\u00e1rias can\u00e7\u00f5es escritas por voc\u00ea que lidam com temas como come\u00e7os dif\u00edceis, shows vazios e bares, noites dormidas em vans e carpetes de estranhos. A sua din\u00e2mica com essas can\u00e7\u00f5es e temas mudaram nessa nova fase de sua carreira, com shows em grandes arenas?<\/strong><br \/>\nMinha din\u00e2mica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s coisas que fiz e escrevi sobre nos meus 20 anos de idade mudou enquanto eu envelhecia, como acontece com todas as pessoas que realmente vivem a vida. Existem algumas can\u00e7\u00f5es sobre o lado cru das turn\u00eas que soam um pouco estranhas em grandes espa\u00e7os para shows, mas sei como cheguei at\u00e9 l\u00e1 ent\u00e3o acho que ainda h\u00e1 uma milhagem para toc\u00e1-las \u2013 eu as escrevi, afinal. E n\u00f3s n\u00e3o tocamos em espa\u00e7os enormes em todos os pa\u00edses que visitamos \u2013 longe disso. Passamos boa parte do nosso tempo tocando para 200 pessoas ainda em v\u00e1rias partes do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>At\u00e9 os 21 anos de idade voc\u00ea se identificava com a ideologia straight-edge, e com o passar do tempo, v\u00e1rias de suas composi\u00e7\u00f5es lidaram com o tema de abuso de subst\u00e2ncias. Como tal mudan\u00e7a operou em sua vida, e o que te fez afrouxar os la\u00e7os com aquela ideologia?<\/strong><br \/>\nEu fui sXe dos 16 anos 21 anos, na verdade. Eu consumia \u00e1lcool e drogas antes disso, tive alguns anos de abstin\u00eancia, e depois voltei novamente. Meus motivos s\u00e3o pessoais, na verdade. Eu diria que sou velho demais para assinar embaixo de uma ideologia t\u00e3o r\u00edgida nos dias de hoje. A vida \u00e9, ainda bem, muito mais complexa do que isso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Frank Turner: NPR Music Tiny Desk Concert\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nF3U_t3yjic?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por um lado, \u00e9 percept\u00edvel um conceito abstrato de &#8220;britanicidade&#8221; na sua m\u00fasica. Por outro lado, ela est\u00e1 em constante di\u00e1logo com a cultura norte-americana, o country, o som de Nashville e dos outlaws texanos. Como essas duas identidades se enfrentam no seu processo criativo?<\/strong><br \/>\nEu cresci ouvindo basicamente a m\u00fasica norte-americana \u2013 sempre preferi o punk dos EUA, por exemplo, e a Inglaterra, geralmente, \u00e9 afogada em cultura da Am\u00e9rica, para o bem ou para o mal. Mas eu nunca quis me apresentar como algo diferente do que realmente sou. Ent\u00e3o at\u00e9 certo ponto o que quero fazer \u00e9 seguir as mesmas deixas culturais e art\u00edsticas de pessoas como, digamos, Gram Parsons e Springsteen, mas de uma perspectiva brit\u00e2nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Grande parte dos seus \u00eddolos pessoais s\u00e3o grandes compositores, e voc\u00ea se considera, acima de tudo, um entertainer dos palcos. Um come\u00e7o estranho para uma quest\u00e3o, eu sei. Mas com essas duas coisas em mente, como voc\u00ea v\u00ea seu relacionamento com o p\u00fablico em um pa\u00eds no qual voc\u00ea nunca se apresentou ao vivo e no qual h\u00e1 uma barreira lingu\u00edstica (um pa\u00eds como o Brasil, por exemplo)?<\/strong><br \/>\nO motivo pelo qual destaco a parte &#8220;entertainer&#8221; do que fa\u00e7o \u00e9 que gasto a maior parte do meu tempo trabalhando nos aspectos ao vivo do que eu fa\u00e7o. N\u00e3o digo isso diminuindo as can\u00e7\u00f5es que escrevo, por\u00e9m \u2013 eu trabalho duro nelas e tendo faz\u00ea-las t\u00e3o boas quanto meus talentos limitados permitem. O fato de que existe qualquer pessoa em partes do mundo que n\u00e3o visitei ouvindo as minhas can\u00e7\u00f5es \u00e9 um pouco embasbacante para mim, e me faz querer ir para a\u00ed em turn\u00ea assim que conseguir (e estou trabalhando nisso). Tamb\u00e9m preciso exercitar meu portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse novo \u00e1lbum voc\u00ea est\u00e1 trabalhando pela primeira vez com o produtor vers\u00e1til Butch Walker, que j\u00e1 produziu faixas de bandas indie at\u00e9 Keith Urban, de Taylor Swift at\u00e9 emocore. Como essa parceria foi concretizada e o que podemos esperar do som do novo \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nTrabalhar com Butch foi um sonho. Eu n\u00e3o estava ciente na verdade de que ele era um produtor, eu s\u00f3 era f\u00e3 de suas composi\u00e7\u00f5es e de seus \u00e1lbuns. \u201cThe Spade\u201d, seu pen\u00faltimo disco, em particular, pareceu estar exatamente na dire\u00e7\u00e3o que eu queria seguir \u2013 cru, mas poderoso. Quando descobri que ele mesmo o produziu entrei em contato e n\u00f3s nos encontramos, e basicamente de primeira j\u00e1 nos demos bem. Penso que o \u00e1lbum tem o melhor som de todos que j\u00e1 fiz at\u00e9 ent\u00e3o. Eu e a The Sleeping Souls ensaiamos as m\u00fasicas em conjunto por muito tempo, e Butch conseguiu muito eficientemente capturar aquele som e aquela energia, para abrir caminho para que f\u00f4ssemos t\u00e3o bons quanto poder\u00edamos ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A estrada est\u00e1 no centro de v\u00e1rias de suas m\u00fasicas, como uma maneira de vida em \u201cThe Road\u201d, como um espa\u00e7o de ansiedade e fuga em \u201cI Am Disappeared\u201d. Tamb\u00e9m povoa a mitologia do trabalho de seus \u00eddolos como Bruce Springsteen e Bob Dylan. E agora voc\u00ea lan\u00e7ou um livro sobre a vida na estrada. O que \u00e9 A ESTRADA para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nA Estrada \u00e9 a vida vivida ao m\u00e1ximo, uma vida que n\u00e3o se contenta. \u00c9 tudo que eu sempre quis.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Frank Turner &amp; The Sleeping Souls - Live from The Forum, London\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mv3Dfoims1k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Ana Clara Matta (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/_ana_c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@_ana_c<\/a>) \u00e9 editora do <a href=\"http:\/\/www.rocknbeats.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rock \u2018n\u2019 Beats<\/a> e do <a href=\"http:\/\/ovodefantasma.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ovo de Fantasma<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Discografia comentada: conhe\u00e7a todos os discos de Bob Dylan (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/09\/discografia-comentada-bob-dylan-parte-1\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: conhe\u00e7a todos os discos de Bruce Springsteen (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/16\/discografia-comentada-bruce-springsteen\/\">aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Ana Clara Matta\n&#8220;Quero seguir as mesmas deixas art\u00edsticas de Gram Parsons e Bruce Springsteen, mas de uma perspectiva brit\u00e2nica&#8221;, diz Frank\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/26\/entrevista-frank-turner\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29910"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29910"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29910\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":93588,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29910\/revisions\/93588"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29910"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29910"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29910"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}