{"id":29901,"date":"2015-03-25T10:11:32","date_gmt":"2015-03-25T13:11:32","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=29901"},"modified":"2020-11-09T00:19:11","modified_gmt":"2020-11-09T03:19:11","slug":"de-florianopolis-conheca-o-skrotes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/25\/de-florianopolis-conheca-o-skrotes\/","title":{"rendered":"De Florian\u00f3polis, conhe\u00e7a o Skrotes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-29902\" title=\"skrotes1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/skrotes1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><\/strong>Caminhos mel\u00f3dicos imprevis\u00edveis, com composi\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias partes orientadas pela m\u00fasica cl\u00e1ssica, mas que n\u00e3o dispensam o peso; cita\u00e7\u00f5es \u2013 pertinentes, jamais gratuitas \u2013 que podem ir de Beethoven a Stevie Wonder; harmonias de jazz que v\u00e3o mais em busca da concis\u00e3o do que das jams livres&#8230; Uma m\u00fasica surpreendente, uma banda sem nenhum paralelo por aqui, e ela se chama&#8230; Skrotes?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO nome \u00e9 rid\u00edculo, nem a gente gosta\u201d, reconhece, aos risos, o tecladista Igor de Patta. \u201cNasceu como piada ruim e ficou. E j\u00e1 \u00e9 tarde pra mudar\u201d, completa.  \u201cAo mesmo tempo, nego ouve o nome uma vez e n\u00e3o esquece. Vira tipo uma senha, fica associado \u00e0 banda. E se ela faz uma sonzeira, ningu\u00e9m se importa se \u00e9 rid\u00edculo ou n\u00e3o\u201d, completa o baterista Guilherme Ledoux.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Patta, Ledoux e o baixista Chico Abreu formaram os Skrotes em 2009, em Florian\u00f3polis (SC), terra natal de todos, exceto Igor, que nasceu no munic\u00edpio catarinense de Tubar\u00e3o e se mudou para a capital do Estado na adolesc\u00eancia. A ideia inicial era desconstruir can\u00e7\u00f5es e g\u00eaneros, brincar de juntar \u201ccoisas que n\u00e3o combinam, como heavy metal e reggae\u201d, e assim as composi\u00e7\u00f5es nasciam majoritariamente a partir de improvisos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida para Igor, na adolesc\u00eancia, era \u201cskate, skate, skate. E surf\u201d. Guilherme e Chico estavam em frequ\u00eancia parecida. Mas como o baterista reconhece, \u201cem lugares como S\u00e3o Paulo, o skate est\u00e1 mais associado ao hip hop, \u00e0 coisa urbana. Aqui fica tudo mais solto, mais leve. Tem um espa\u00e7o amplo, tem o mar, e isso muda sua rela\u00e7\u00e3o com tudo, inclusive com a m\u00fasica\u201d. Tudo influenciou nas escolhas da vida adulta e, claro, na proposta musical dos Skrotes, onde esses improvisos eram, tamb\u00e9m, soltos e leves, quase debochados.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/nGE7Gt9RvX4\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/nGE7Gt9RvX4\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2011 lan\u00e7aram seu primeiro disco, um EP hom\u00f4nimo, e a partir da\u00ed, mantiveram a regularidade de lan\u00e7ar um disco por ano: o primeiro \u00e1lbum, tamb\u00e9m hom\u00f4nimo, de 2012; outro EP, &#8220;Deboche \u00d1 \u00c9 Crime&#8221; (com vers\u00f5es imprevis\u00edveis de temas de Black Sabbath, Sepultura, Stevie Wonder e Tom Jobim), em 2013; e o segundo \u00e1lbum, &#8220;Nessun Dorma&#8221;, em 2014. \u201cJ\u00e1 temos 80% do novo disco pronto, em termos de composi\u00e7\u00e3o\u201d, antecipa Chico, \u201cestamos tentando viabilizar a produ\u00e7\u00e3o agora\u201d. Mas estamos nos adiantando. Voltemos \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da banda \u2013 mais especificamente, sua forma\u00e7\u00e3o erudita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme: \u201cEu venho de fam\u00edlia de m\u00fasicos eruditos. Tenho primo regente, primo spalla (nota: o \u2018n\u00famero 2\u2019 em uma orquestra). Toquei percuss\u00e3o durante anos em orquestra sinf\u00f4nica. Parei porque \u00e9 algo que exige demais, sua vida acaba girando em torno disso. Eu j\u00e1 tinha algumas bandas, e vivia tendo que cancelar shows delas por causa do cronograma da orquestra \u2013 que ali\u00e1s, nunca era o cumprido, o maestro era um cara desorganizado nesse sentido. Mas ainda toco, por prazer e pelos cach\u00eas, e ou\u00e7o muita m\u00fasica do tipo, principalmente dos compositores brasileiros\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chico: \u201cEstudei Licenciatura em M\u00fasica na faculdade. L\u00e1 que tive mais contato com o erudito, at\u00e9 ent\u00e3o era mais jazz e rock. Hoje sou professor de m\u00fasica, e o erudito \u00e9 parte da forma\u00e7\u00e3o do m\u00fasico\u201d.<br \/>\nIgor: \u201cEstudei piano cl\u00e1ssico dos 6 aos 15 anos de idade, conservat\u00f3rio mesmo. E \u00e9 a m\u00fasica que mais ou\u00e7o at\u00e9 hoje, principalmente os \u2018classic\u00f5es\u2019\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, o erudito n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica base do som. \u201cOs tr\u00eas s\u00e3o apaixonados por Ramones\u201d, diz Igor. \u201cE a gente gosta muito de m\u00fasica pesada: Sepultura, Ratos de Por\u00e3o, Pantera\u201d, completa. Citam ainda Mike Patton e suas bandas, porque, como explica Guilherme, \u201cele faz um disco de hip hop, outro pesad\u00e3o, outro lindo de m\u00fasicas em italiano, outro mais pop. Essa liberdade \u00e9 algo que nos impressiona e fica como uma grande influ\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNessun Dorma\u201d tem, sim, bastante peso. Mas jamais do tipo inaud\u00edvel ou gratuito. \u201c\u2019Deboche \u00f1 \u00e9 crime\u2019 foi um disco de transi\u00e7\u00e3o\u201d, comenta Chico. \u201cMas em est\u00fadio a gente ainda n\u00e3o est\u00e1 com o peso e a sonoridade que a gente quer\u201d, emenda Guilherme. Ainda assim, a mudan\u00e7a \u00e9 evidente. Em \u201cNessun Dorma\u201d, a desconstru\u00e7\u00e3o de g\u00eaneros deixou de ser t\u00e3o importante, valendo mais a flu\u00eancia das composi\u00e7\u00f5es. Consequ\u00eancia do processo de cria\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m mudou, e do amadurecimento da proposta musical. \u201cFoi um disco para o qual a gente se reunia para ensaiar com alguns de n\u00f3s j\u00e1 trazendo coisas prontas\u201d, diz Igor. Havia, portanto, uma dire\u00e7\u00e3o mais clara a seguir. \u201cMas tudo mudava muito tamb\u00e9m. Porque a gente j\u00e1 est\u00e1 numa comunica\u00e7\u00e3o musical t\u00e3o forte que eu fa\u00e7o um \u2018paammmm\u2019 no teclado e os caras j\u00e1 sabem pra onde ir a partir dali, ou o Ledoux d\u00e1 uma batida e a gente j\u00e1 encontra o caminho. Se a gente come\u00e7ar a compor, n\u00e3o tem hora para parar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em ensaios ou ao vivo, o entrosamento entre os tr\u00eas \u00e9 n\u00edtido, e caminhos que poderiam ser tortuosos viram, na medida do poss\u00edvel dentro da proposta da banda, pop. Ao contr\u00e1rio de outros \u201cdesconstrutores\u201d, os Skrotes n\u00e3o renegam o prazer obtido pela energia roqueira, nem a import\u00e2ncia de saber a hora de parar de tocar, algo geralmente negligenciado por m\u00fasicos de forma\u00e7\u00e3o mais rebuscada. \u00c9 o ponto onde a influ\u00eancia ram\u00f4nica se relaciona bem com a veia erudita.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/cRnzyoNG6Bw\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/cRnzyoNG6Bw\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nicol\u00e1s Molina, da banda uruguaia Molina y Los C\u00f3smicos, tocou ap\u00f3s o trio catarinense na edi\u00e7\u00e3o de 2014 do festival El Mapa de Todos. Sua vis\u00e3o da banda \u00e9 sucinta e exata. \u201cAcho que os Skrotes conseguem unir bom gosto com virtuosismo de uma maneira divertida, que n\u00e3o chateia\u201d, diz. \u201cEles t\u00eam tudo: groove bom, postura de palco, e s\u00e3o originais. Isso faz deles algo diferente na cena musical do continente. E ainda n\u00e3o usam guitarra! Ficamos amigos, e estamos planejando um interc\u00e2mbio musical\u201d. Assim, invertendo o caminho do fluxo tur\u00edstico na Ilha de Santa Catarina, \u00e9 prov\u00e1vel que a estreia dos Skrotes em palcos internacionais se d\u00ea em praias (ou campos) do pa\u00eds vizinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas nos palcos brasileiros, a coisa vai bem, obrigado. S\u00e3o 150 shows em cinco anos de exist\u00eancia. A presen\u00e7a em festivais \u00e9 constante: Psicod\u00e1lia (duas vezes), Grito Rock, Goi\u00e2nia Noise, Natal Instrumental, Macondo Circus e outros, incluindo os locais Floripa Noise (onde dividiram palco com Jards Macal\u00e9) e Maratona Cultural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO legal dos festivais \u00e9 que p\u00fablicos diferentes podem nos conhecer\u201d, diz Igor. \u201cNosso p\u00fablico era de roqueiros no come\u00e7o, agora \u00e9 de&#8230; Como \u00e9 que o pessoal fala mesmo? Hipsters? Mas a gente toca pra todo mundo, sem erro\u201d, completa Guilherme, sem nenhuma ironia. Assim, a banda consegue se comunicar com qualquer tipo de plateia \u2013 no dia da entrevista, por exemplo, ensaiavam para se apresentar em uma festa fechada perante uma audi\u00eancia mais afeita ao jazz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, n\u00e3o deixa de ser curioso ver como essa abordagem musical \u00e9 percebida por p\u00fablico e cr\u00edtica. \u201cJ\u00e1 compararam a gente at\u00e9 com Deep Purple\u201d, espantam-se os tr\u00eas. \u201cSei l\u00e1 se por causa do som do [\u00f3rg\u00e3o] Hammond&#8230;\u201d, completa Igor. \u201cOu ent\u00e3o falam que parece progressivo, Rick Wakeman, s\u00f3 por causa da parafern\u00e1lia de teclados do Igor\u201d, acrescenta Guilherme. No fim, os tr\u00eas concordam que o r\u00f3tulo \u201cfreak instrumental\u201d, dado por um amigo, pode n\u00e3o ser muito preciso, mas soa muito bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conversa seguiu tarde adentro, tendo a m\u00fasica como assunto, pretexto e combust\u00edvel. \u201cAdoro ficar ostentando meus vinis\u201d, diz Igor, sucedendo bolachas que iam de Som Nosso de Cada Dia a Phenomenal Handclap Band, passando por Mr. Bungle e Lucifer\u2019s Friend. \u201cTodo mundo aqui j\u00e1 tem uma trajet\u00f3ria consider\u00e1vel, mais de vinte anos na m\u00fasica\u201d, diz Chico (e n\u00e3o \u00e9 exagero: a m\u00e9dia de idade do trio \u00e9 35 anos, e todos j\u00e1 tocavam profissionalmente no come\u00e7o da adolesc\u00eancia). \u201cMas o g\u00e1s que a gente tem agora \u00e9 mais forte do que em tudo que a gente fez\u201d. Guilherme emenda: \u201cEu nunca me senti t\u00e3o \u00e0 vontade em qualquer outra banda como nos Skrotes. Aqui tem um encontro de m\u00fasica que era tudo o que sempre quis\u201d. Enfim, est\u00e1 a\u00ed outro grande diferencial dos Skrotes (e perdoe-se a alitera\u00e7\u00e3o): m\u00fasicos que amam a m\u00fasica, fazendo a m\u00fasica que amam.  N\u00e3o \u00e9 sempre que se encontra isso por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/IyFLukoaFvU\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/IyFLukoaFvU\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>&#8211; Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a><span>) no Scream &amp; Yell. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas\nEis um trio de m\u00fasicos que amam a m\u00fasica, fazendo a m\u00fasica que amam. 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