{"id":29871,"date":"2015-03-23T09:28:13","date_gmt":"2015-03-23T12:28:13","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=29871"},"modified":"2016-09-05T10:29:14","modified_gmt":"2016-09-05T13:29:14","slug":"olavo-rocha-fala-da-cidade-das-aguas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/23\/olavo-rocha-fala-da-cidade-das-aguas\/","title":{"rendered":"HQ: Olavo Rocha e a Cidade das \u00c1guas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-29872\" title=\"cidadedasaguas\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cidadedasaguas.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma expedi\u00e7\u00e3o para conhecer os rios subterr\u00e2neos de S\u00e3o Paulo parte da Catedral da S\u00e9 rumo a Santo Amaro. Pode ser um roteiro tur\u00edstico para mochileiros alternativos, mas trata-se de \u201c<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/CidadedasAguasemQuadrinhos\" target=\"_blank\">Cidade das \u00c1guas<\/a>\u201d, HQ escrita por Olavo Rocha (tamb\u00e9m vocalista e letrista dos <a href=\"http:\/\/www.lestics.com.br\/\" target=\"_blank\">Lestics<\/a>) e desenhada por Guilherme Caldas. Lan\u00e7ada em janeiro de 2015, pela editora HQ P\u00f3len, a graphic novel baseada numa pe\u00e7a de teatro (\u201cOrigem-Destino\u201d, da Companhia Auto-Retrato) discute um dos temas mais presentes nas manchetes dos jornais neste ano que corre: \u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO que a gente quis colocar em discuss\u00e3o no \u2018Cidade das \u00c1guas\u2019 foi a escolha de um modelo de desenvolvimento de S\u00e3o Paulo e a forma desastrosa como a cidade lida com seus recursos h\u00eddricos\u201d, diz Rocha, em entrevista por e-mail ao Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem redu\u00e7\u00e3o de press\u00e3o e com personagens tipicamente paulistanos (o migrante, o mendigo da Pra\u00e7a da S\u00e9, o empres\u00e1rio cheio da grana), a graphic novel tem um n\u00edvel narrativo-visual diferente do comum nas HQs brasileiras, com um roteiro n\u00e3o-linear e grande for\u00e7a visual. \u201cLogo de cara, rejeitamos a possibilidade de fazer algo convencional. Mas a viagem vale a pena\u201d, aposta Rocha, cujo envolvimento com quadrinhos j\u00e1 soma mais de duas d\u00e9cadas, com destaque para \u201c<a href=\"http:\/\/www.candyland.com.br\/\" target=\"_blank\">Candyland<\/a>\u201d, feita em parceria com Caldas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que simplesmente contar uma hist\u00f3ria, \u201cCidade das \u00c1guas\u201d quer mostrar a rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca da cidade de S\u00e3o Paulo com seus rios, e chamar aten\u00e7\u00e3o para um problema que, coincidentemente, se tornou mais grave na \u00e9poca do lan\u00e7amento do livro. \u201cA \u00e1gua n\u00e3o pode ser vista como bem inesgot\u00e1vel nem como objeto de com\u00e9rcio visando ao lucro de alguns\u201d, discursa Rocha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSanto Amaro! Quem vai? Quem vai? Vai sair!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-29873\" title=\"cidadedasaguas1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cidadedasaguas1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"234\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cidadedasaguas1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cidadedasaguas1-300x116.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cCidade das \u00c1guas\u201d era originalmente uma pe\u00e7a de teatro. Por que adapt\u00e1-la para os quadrinhos?<\/strong><br \/>\nA pe\u00e7a \u201cOrigem-Destino\u201d, que deu origem \u00e0 HQ, foi encenada nas ruas de S\u00e3o Paulo em 2012. O Marcos Gomes, que escreveu a pe\u00e7a, queria publicar o texto em um formato n\u00e3o tradicional, porque a pe\u00e7a tem uma estrutura polif\u00f4nica, fragmentada, al\u00e9m de uma rela\u00e7\u00e3o forte com a paisagem e a geografia da cidade. Foi da\u00ed que surgiu a op\u00e7\u00e3o pelos quadrinhos \u2013 algo com o que eu trabalho faz tempo, junto com o Guilherme Caldas \u2013 e o Marcos chegou na gente porque a minha mulher, Andrea Tedesco, \u00e9 uma das diretoras da pe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi a adapta\u00e7\u00e3o? Foi dif\u00edcil transformar cenas em \u201cbal\u00f5es e rabiscos\u201d?<\/strong><br \/>\nAntes do \u201cCidade das \u00c1guas\u201d, eu nunca tinha adaptado coisas para os quadrinhos, sempre escrevi roteiros originais. Foi bem dif\u00edcil, principalmente porque eu adoro a pe\u00e7a na forma que ela foi encenada, e porque n\u00e3o \u00e9 um texto linear\/narrativo. Acabei desenhando sketches bem toscos ao inv\u00e9s de sair escrevendo, colocando a imagem no primeiro plano. O roteiro foi feito em cima de cortes, e eu mandava para o Guilherme, que transformava as coisas em desenhos de verdade. Mas tamb\u00e9m teve muitos quadros e p\u00e1ginas que eu nem rabiscava, deixando para o Guilherme (que n\u00e3o viu a pe\u00e7a) inventar. Justi\u00e7a seja feita: s\u00e3o algumas das p\u00e1ginas que eu acho mais legais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nas HQs nacionais \u00e9 comum ver a predomin\u00e2ncia de um texto forte, narrativo, ou de uma componente gr\u00e1fica virtuosa. O \u201cCidade das \u00c1guas\u201d foge \u00e0 regra: ele tem muito texto e muito visual, mas o texto \u00e9 herm\u00e9tico e nem um pouco simples. Foi de prop\u00f3sito?<\/strong><br \/>\nA pe\u00e7a nasceu de um processo colaborativo, com pesquisas e exerc\u00edcios teatrais feitos na rua, al\u00e9m de recortes e cita\u00e7\u00f5es diversos. O texto do Marcos Gomes foi elaborado em cima disso, e tentei transpor essa experi\u00eancia nos quadrinhos. Logo de cara, rejeitamos a possibilidade de fazer uma HQ convencional, assumindo o risco de tentar outro tipo de narrativa, que de fato n\u00e3o \u00e9 simples. Mas vale muito a viagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O tema da HQ parece bem apropriado para o momento de S\u00e3o Paulo hoje. Foi de prop\u00f3sito?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. No come\u00e7o dos anos 2000, j\u00e1 havia estudos que apontavam o risco de crise no abastecimento, mas em 2012, quando a pe\u00e7a foi feita, pouca gente imaginava que chegar\u00edamos ao ponto de hoje. O que a gente quis colocar em discuss\u00e3o no \u201cCidade das \u00c1guas\u201d foi a escolha do nosso modelo de \u201cdesenvolvimento\u201d e a forma desastrosa como S\u00e3o Paulo lida com seus recursos h\u00eddricos \u2013 o que gera consequ\u00eancias tanto com alagamentos como na crise de abastecimento que estamos vivendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso aparece numa das partes que eu mais gostei do livro, que \u00e9 o embate entre o sanitarista Saturnino de Brito e o prefeito Prestes Maia. Que luta foi essa, e como ela definiu a maneira como o paulistano lida com a \u00e1gua?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um embate entre duas vis\u00f5es muito opostas de progresso. O Saturnino tinha um plano de melhoramentos para o rio Tiet\u00ea que atacava os problemas das enchentes e criava um imenso parque fluvial ao longo do rio. Mas prevaleceu a vis\u00e3o do Prestes Maia, com o Plano de Avenidas que deu origem \u00e0s Marginais Tiet\u00ea e Pinheiros. Um modelo que esconde os rios sob avenidas e privilegia o transporte individual, superlotando a cidade de carros. O mais grave da crise atual \u00e9 a forma como o governo estadual gere os recursos h\u00eddricos. Sabia-se h\u00e1 pelo menos uma d\u00e9cada que era preciso investir no sistema de abastecimento, combatendo o desperd\u00edcio na distribui\u00e7\u00e3o e no consumo. Mas o que se fez foi garantir o lucro dos acionistas privados da Sabesp e rezar pra chover bastante. Um \u201cplano\u201d fr\u00e1gil, irrespons\u00e1vel. A pol\u00edtica ambiental pavorosa e o nosso consumo desmedido de \u00e1gua tamb\u00e9m n\u00e3o podem ser desconsiderados. O importante, agora, \u00e9 que esse desastre nos fa\u00e7a repensar o uso da \u00e1gua como consumidores individuais (que representam a menor fatia), mas tamb\u00e9m como coletividade. Os maiores consumidores de \u00e1gua no Estado de S\u00e3o Paulo s\u00e3o incentivados a consumir mais, porque s\u00e3o considerados clientes VIP e pagam uma tarifa menor pela \u00e1gua. \u00c9 esse tipo de racioc\u00ednio que tem que ser colocado em xeque agora. A \u00e1gua n\u00e3o pode ser vista como bem inesgot\u00e1vel nem como objeto de com\u00e9rcio visando ao lucro de alguns, em detrimento do interesse comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A maioria dos leitores do Scream &amp; Yell conhece teu trabalho no Lestics, mas n\u00e3o a sua carreira nos quadrinhos. Como voc\u00ea se envolveu com isso?<\/strong><br \/>\nEu me envolvi com os quadrinhos mais ou menos na mesma \u00e9poca que comecei com a m\u00fasica, no in\u00edcio dos anos 90. Eu tinha experimentado fazer um fanzine de quadrinhos ainda em Uberl\u00e2ndia, antes de vir pra S\u00e3o Paulo. Mas foi por aqui que eu fiz os primeiros zines mais bacanas, junto com o Guilherme Caldas, o Murilo Martins e o Adriano Rodrigues, que tinham entrado comigo na ECA. No come\u00e7o eu roteirizava e desenhava (mal), mas depois de algumas hist\u00f3rias em parceria com o Guilherme eu desencanei de desenhar. N\u00f3s dois seguimos trabalhando juntos desde ent\u00e3o, publicando esporadicamente. Tem uma s\u00e9rie nossa que vem daquela \u00e9poca, a Candyland, que acabou virando um livro bem legal publicado pela Caderno Listrado\/Barba Negra em 2010. Agora o que vem pela frente \u00e9 mist\u00e9rio\/surpresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra encerrar: como t\u00e3o as coisas com o Lestics? Teremos novidades em 2015?<\/strong><br \/>\nNeste momento estamos compondo material novo, ent\u00e3o podemos dizer que sim, teremos novidades em 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-29874\" title=\"cidadedasaguas2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cidadedasaguas2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"316\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cidadedasaguas2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cidadedasaguas2-300x156.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/noacapelas\" target=\"_blank\">@noacapelas<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o blog <a href=\"http:\/\/pergunteaopop.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\">Pergunte ao Pop<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Lestics: &#8220;Deve ter um jeito de tocar na novela, mas eu n\u00e3o sei qual \u00e9&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/17\/entrevista-lestics-e-o-sexto-disco\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Entrevista: Sidney Gusman -&gt; \u201cTem quadrinho para todos os p\u00fablicos\u201d.\u00a0 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/01\/06\/entrevista-sidney-gusman\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Lan\u00e7ada em janeiro, graphic novel baseada em pe\u00e7a de teatro foca um dos temas mais discutidos em S\u00e3o Paulo no ano: a \u00e1gua.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/23\/olavo-rocha-fala-da-cidade-das-aguas\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29871"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29871"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29871\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39966,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29871\/revisions\/39966"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29871"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29871"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29871"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}