{"id":29611,"date":"2015-03-10T09:50:30","date_gmt":"2015-03-10T12:50:30","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=29611"},"modified":"2018-08-21T11:45:47","modified_gmt":"2018-08-21T14:45:47","slug":"bob-dylan-na-sombra-cantando-sinatra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/10\/bob-dylan-na-sombra-cantando-sinatra\/","title":{"rendered":"Bob Dylan na sombra cantando Sinatra"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-29612\" title=\"dylan_shadows\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/dylan_shadows.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"448\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/dylan_shadows.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/dylan_shadows-300x268.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/eduardomarciano\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gabriel Innocentini<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele est\u00e1 de volta. Mas qual Bob Dylan? H\u00e1 um Bob Dylan para mudar a cultura pop, h\u00e1 um Bob Dylan que l\u00ea a B\u00edblia e recria a mitologia norte-americana num por\u00e3o em Woodstock, h\u00e1 tantos Bob Dylans quanto voc\u00ea quiser. O mais novo \u00e9 o mais antigo: um pr\u00e9-Dylan.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Robert sempre soube se apoderar muito bem de can\u00e7\u00f5es alheias (e de livros memorialistas da Yakuza, mas ningu\u00e9m pode dizer que estava sendo enganado, o t\u00edtulo do disco era \u201cLove and Theft\u201d, com aspas mesmo). Come\u00e7a com Woody Guthrie e termina&#8230; bem, no caso dele jamais podemos dizer que algo est\u00e1 terminado (a\u00ed est\u00e3o os bootleg$, uma narrativa subterr\u00e2nea de uma carreira acidentad\u00edssima). Dylan sabe muito bem sua can\u00e7\u00e3o antes de cant\u00e1-la (Allen Ginsberg, o poeta mais popular da Am\u00e9rica em nossa era, diz ter ficado tranquilo ao ouvir esse verso, pois sabia que sua tradi\u00e7\u00e3o iria continuar) e \u201cShadows in the night\u201d \u00e9 o mais recente exemplo de que ele \u00e9 um dos artistas mais autoconscientes a surgir no universo popular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Competir com The Voice? Pra quem foi chamado de \u201cVoice of Generation\u201d, cortar o qualificativo n\u00e3o deveria espantar ningu\u00e9m. Os indies brit\u00e2nicos perguntam: Bob Dylan est\u00e1 nos trollando? Parece que desde o grito de \u201cJudas\u201d no Royal Albert Hall em 1966 os ingleses tentam entender Mr. Zimmerman sem sucesso&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cShadows in the Night\u201d \u00e9 um projeto antigo, e Dylan declarou que a inten\u00e7\u00e3o era tirar essas can\u00e7\u00f5es da cova e traz\u00ea-las \u00e0 luz do dia. Uma afirma\u00e7\u00e3o tipicamente dylaniana: ent\u00e3o Frank Sinatra n\u00e3o fez jus a elas? \u201cFools give you reasons, wise men never try\u201d. Bob parece sempre ver algo que n\u00e3o estamos vendo. Ou ouvindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O velhinho inicia os trabalhos com \u201cI&#8217;m a Fool To Want You\u201d, que remete \u00e0 desola\u00e7\u00e3o inicial do magn\u00edfico e mort\u00edfero \u201cTime Out of Mind\u201d (1997). Aqui n\u00e3o h\u00e1 o enjoo de \u201cLove Sick\u201d, antes um pedido calmo: volte, preciso de voc\u00ea. Ou\u00e7a com o Superbonder na m\u00e3o pra ir colando os caquinhos do cora\u00e7\u00e3o. \u201cThe Night We Called It a Day\u201d, que ganhou um belo clipe noir (e, claro, solit\u00e1rio), segue a mesma linha (pera l\u00e1, Dylan j\u00e1 havia pronunciado a palavra \u201cdark\u201d de modo t\u00e3o vacilante e fr\u00e1gil antes?) e \u201cStay With Me\u201d n\u00e3o melhora em nada o clima solit\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quase dez minutos de um discurso monoman\u00edaco e o tom est\u00e1 estabelecido: as sombras noturnas est\u00e3o aqui pra ficar. Apelos, mem\u00f3rias, tristeza e solid\u00e3o. \u201cAutumn Leaves\u201d se arrasta, como se a conhecid\u00edssima melodia n\u00e3o precisasse ser refor\u00e7ada, apenas espalhada como as folhas mortas que caem, notas esparsas apontando de um lugar distante. Vers\u00e3o espectral \u00e9 isso a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quinta can\u00e7\u00e3o n\u00e3o oferece novidades: por que mudar agora? A conten\u00e7\u00e3o se mant\u00e9m, o ritmo nunca sai do trilho paciente, as escovinhas marcam a percuss\u00e3o, o baixo ac\u00fastico enfatiza algumas notas, e Donny Herron vai tornando o mundo mais belo a cada can\u00e7\u00e3o com seu feeling perfeito na steel guitar. O som de \u201cShadows In The Night\u201d \u00e9 impens\u00e1vel sem seu slide m\u00e1gico sobrevoando os acordes, elegante como a capa do \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Dylan \u201ccrooner\u201d \u00e9 outra conversa (busque \u201cTomorrow Night\u201d, &#8220;Pretty Saro&#8221; ou \u201cLay Lady Lay\u201d), esta \u00e9 uma antiga voz soando firme e bem posta (Dylan disse ao produtor Al Schmitt que nunca ouviu a pr\u00f3pria voz soar t\u00e3o bem), arranhando quando necess\u00e1rio (porque no fim das contas ele jamais vai soar doce o tempo todo, nem as musas Sara e Suze provocaram tal feito), por\u00e9m estranhamente suave. Como quando canta o verso \u201cwhere is my happy ending?\u201d. A autoridade dos arranjos n\u00e3o concede nenhuma ironia a essas regrava\u00e7\u00f5es. 73 anos nas costas e letras sentimentais n\u00e3o conseguem torn\u00e1-lo um velho bab\u00e3o. \u00c9 admir\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cThat Lucky Old Sun\u201d, que j\u00e1 era tocada ao vivo desde 1985, encerra o disco com chave de ouro. 10 can\u00e7\u00f5es para ninar cotovelos, ideais para as pequeninas horas, as horas solit\u00e1rias e min\u00fasculas em que a verdade vem, sem desespero, irremedi\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Irremedi\u00e1vel? Mentira. A m\u00fasica nunca abandona aqueles que sabem escut\u00e1-la. Uns dizem que amor \u00e9 luz. Bob Dylan vem cantar as sombras na noite. Est\u00e1 certo: \u00e9 o velho Dylan de sempre, aquele que conhecemos de cor e salteado, ainda capaz de dizer, como nos turbulentos anos 60: eu fa\u00e7o m\u00fasica norte-americana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem quiser que cante outra.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iOxy_hy22CA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Gabriel Innocentini (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/eduardomarciano\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@eduardomarciano<\/a>) \u00e9 jornalista e dissecou a discografia completa de Dylan:<span style=\"font-size: 16px;\">\u00a0<\/span><a style=\"font-size: 16px;\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/09\/discografia-comentada-bob-dylan-parte-1\/\">Confira aqui<\/a><span style=\"font-size: 16px;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; Discografia Comentada: todos os discos de Bob Dylan (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/09\/discografia-comentada-bob-dylan-parte-1\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Bob Dylan ao vivo em S\u00e3o Paulo, 2008: retrato borrado da era de ouro do rock \u2018n roll (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/03\/07\/bob-dylan-e-o-retrato-borrado-da-era-de-ouro-do-rock-n-roll\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Bob Dylan ao vivo em Bras\u00edlia, 2012: Deixou todo mundo chapado (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/22\/bob-dylan-ao-vivo-em-brasilia\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Bob Dylan ao vivo em S\u00e3o Paulo, 2012: Uma noite inspirada (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/22\/bob-dylan-ao-vivo-em-sao-paulo-2012\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Os tempos modernos de Bob Dylan: ou\u00e7a com bastante aten\u00e7\u00e3o (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/09\/28\/os-tempos-modernos-de-bob-dylan\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cThe Other Side of Mirror: Bob Dylan at the Newport\u201d, de Murray Lerner, \u00e9 essencial (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/07\/05\/alguns-filmes-do-7%C2%BA-in-editbrasil\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Bob Dylan e a can\u00e7\u00e3o que mudou todas as can\u00e7\u00f5es: \u201cLike a Rolling Stone\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/04\/20\/a-cancao-que-mudou-as-cancoes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Original vs Vers\u00e3o: Bob Dylan e Skank (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/07\/original-vs-versao-bob-dylan-e-skank\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Original vs Vers\u00e3o: It\u2019s All Over Now, Baby Blue (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/10\/05\/original-vs-versao-it%E2%80%99s-all-over-now-baby-blue\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Talvez as melhores can\u00e7\u00f5es de \u201cTempest\u201d s\u00f3 apare\u00e7am daqui alguns anos (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/09\/18\/anticlimax-tempest-e-bob-dylan\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cBob Dylan \u2013 Letra e M\u00fasica\u201d: Um passatempo ok, mas\u2026 v\u00e1 ouvir as originais (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/04\/17\/george-harrison-paul-mccartney-e-bob-dylan\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; A bela trilha sonora do filme \u201cI\u2019m Not There\u201d, de Todd Haynes (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/11\/05\/trilha-sonora-do-filme-im-not-there-e-o-disco-da-semana\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cI\u2019m Not There\u201d, o mais pr\u00f3ximo que o p\u00fablico chegou de Bob Dylan (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/11\/04\/mostra-de-sao-paulo-im-not-there\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cNo Direction Home\u201d, a cinebiografia de Bob Dylan por Martin Scorsese (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/09\/2006\/12\/28\/os-dez-discos-mais-influentes-de-todos-os-tempos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Bob Dylan, Martin Scorcese e a Hist\u00f3ria Universal, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/outros\/macoito.htm\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Gabriel Innocentini\nEle est\u00e1 de volta. 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