{"id":296,"date":"2007-06-11T06:00:00","date_gmt":"2007-06-11T08:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/2007\/06\/11\/primeiros-discos-de-leonard-cohen-ganham-reedicao-luxuosa\/"},"modified":"2016-01-06T11:08:12","modified_gmt":"2016-01-06T14:08:12","slug":"primeiros-discos-de-leonard-cohen-ganham-reedicao-luxuosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/06\/11\/primeiros-discos-de-leonard-cohen-ganham-reedicao-luxuosa\/","title":{"rendered":"Os primeiros discos de Leonard Cohen"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-36237\" title=\"cohen2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/cohen2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"481\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/cohen2.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/cohen2-150x120.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/cohen2-300x240.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">por Marcelo Costa<\/span><\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo precisa de amor, ok? Humm, entre outras coisas, pode ser que sim, pode ser que n\u00e3o. Na verdade, o mundo precisa tomar vergonha na cara, assumir seus erros, deixar de choramingar pelos cantos, acreditar em um futuro melhor, e parar de reclamar enquanto este futuro n\u00e3o se transforma em realidade. E ouvir Leonard Cohen. Ele n\u00e3o \u00e9 o mais feliz dos caras que j\u00e1 pisaram no Planeta Terra (na verdade, ele deve estar nos \u00faltimos lugares da fila, se preparando para apagar o luz quando a Terra dizer adeus para o resto do espa\u00e7o), mas sabe falar de amor, se apaixonar, reclamar e sofrer com uma dignidade rara em tempos de relacionamentos politicamente corretos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando decidiu ser cantor, em 1967, Leonard Cohen j\u00e1 vinha de uma elogiada carreira como poeta. Ao se lan\u00e7ar no mundo pop com folk songs que exalavam amor e \u00f3dio, Cohen abria um territ\u00f3rio novo para a literatura, e esta inicia\u00e7\u00e3o se deu, principalmente, com a trilogia de \u00e1lbuns que chega agora, remasterizada, ao mercado, visando comemorar os 40 anos do primeiro disco do poeta canadense. &#8220;Songs of Leonard Cohen&#8221; (1967), &#8220;Songs From a Room&#8221; (1969) e &#8220;Songs of Love and Hate&#8221; (1971) trazem tudo o que voc\u00ea precisa ouvir de Leonard Cohen, n\u00e3o desmerecendo a discografia posterior, que deve ser redescoberta ap\u00f3s essa apresenta\u00e7\u00e3o inicial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria toda come\u00e7a com o quase best of &#8220;Songs of Leonard Cohen&#8221;, \u00e1lbum que traz can\u00e7\u00f5es emblem\u00e1ticas como &#8220;Suzanne&#8221;, &#8220;Sisters of Mercy&#8221;, &#8220;So Long, Marianne&#8221; e &#8220;Hey, That&#8217;s No Way To Say Goodbye&#8221;. Cohen canta de forma jovial nesta estr\u00e9ia, modo que ele iria abandonar nos \u00e1lbuns posteriores em favorecimento de um modelo grave de cantar. A tristeza est\u00e1 presente, mas o encantamento \u00e9 not\u00e1vel desde os primeiros acordes de &#8220;Suzanne&#8221;, can\u00e7\u00e3o que narra a paix\u00e3o real do poeta por uma mulher casada, at\u00e9 seu encerramento, com &#8220;One of Us Cannot Be Wrong&#8221;, que traz o personagem da letra exibindo seu cora\u00e7\u00e3o a um doutor, que prescreve o nome da amada como cura para todo seu sofrimento. Nesta reedi\u00e7\u00e3o, duas b\u00f4nus das mesmas sess\u00f5es do \u00e1lbum: &#8220;Store Room&#8221; e &#8220;Blessed Is The Memory&#8221;, que ao contr\u00e1rio das dez faixas do disco, essencialmente ac\u00fasticas, trazem bateria, guitarra e \u00f3rg\u00e3o hammond.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Songs From a Room&#8221; inicia o processo de rendi\u00e7\u00e3o ao desespero que se concluir\u00e1 (e persistir\u00e1 aqui e acol\u00e1 na obra musical do bardo) com o \u00e1lbum seguinte, &#8220;Songs Of Love and Hate&#8221;. A produ\u00e7\u00e3o dos dois \u00e1lbuns, a cargo de Bob Johnston, torna o som mais grandioso com o acr\u00e9scimo de cordas, contrabaixo, guitarra e efeitos. Cohen praticamente se esconde na capa de &#8220;Songs From a Room&#8221;, que traz faixas luminosas como &#8220;Bird on the Wire&#8221;, &#8220;The Butcher&#8221;, &#8220;The Partisan&#8221; e &#8220;Tonight Will Be Fine&#8221;. Como b\u00f4nus dessa edi\u00e7\u00e3o, demos de &#8220;Bird on the Wire&#8221; (sem as cordas) e &#8220;You Know Who I Am&#8221;, que nada acrescentam a obra, mas servem como curiosidade em um bel\u00edssimo \u00e1lbum que funciona como ponte de liga\u00e7\u00e3o entre o acanhado compositor da estr\u00e9ia e o dram\u00e1tico interprete que surge no \u00e1lbum seguinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fundo do po\u00e7o coheniano encontra-se no poderoso &#8220;Songs Of Love and Hate&#8221;. A voz cavernosa do poeta se faz notar logo na faixa de abertura, &#8220;Avalanche&#8221; (n\u00e3o a toa, regravada por Nick Cave), cuja letra diz: <em>&#8220;Voc\u00ea que deseja conquistar a dor, deve aprender o que me faz am\u00e1vel \/ as migalhas do amor que voc\u00ea me oferece, s\u00e3o as migalhas que eu deixei atr\u00e1s \/ sua dor n\u00e3o \u00e9 nenhuma credencial aqui, \u00e9 apenas a sombra, sombra de minha ferida&#8221;.<\/em> &#8220;Dress Rehearsal Rag&#8221; aparece em sua vers\u00e3o original, do ano anterior, inferior a oficial presente em &#8220;Songs Of Love and Hate&#8221;. J\u00e1 &#8220;Famous Blues Raincoat&#8221; (uma das cinco m\u00fasicas preferidas de Ian McCulloch, Echo and The Bunnymen, em todos os tempos) exibe o car\u00e1ter pessoal do disco: o poeta termina a letra assinando <em>&#8220;Sinceramente, L. Cohen&#8221;.<\/em> H\u00e1 aqui &#8211; mais do que nos dois \u00e1lbuns anteriores &#8211; uma ironia que brilha tanto quanto a dor (seja na capa, que traz um Cohen barbudo e rindo abaixo do t\u00edtulo &#8220;Can\u00e7\u00f5es de Amor e \u00d3dio&#8221;; seja nas letras, como na brincadeira dos versos de &#8220;Love Calls You By Your Name&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de boa m\u00fasica, nestes tr\u00eas \u00e1lbuns que chegam remasterizados \u00e0s lojas, a poesia de Leonard Cohen (hoje com 72 anos) ganha um acompanhamento especial: letras (ou poesias, como queira, leitor) desenhos de pr\u00f3prio punho e fotos de \u00e9poca selecionadas pelo pr\u00f3prio poeta. E um texto ilustrativo, que analisa a produ\u00e7\u00e3o de cada um dos tr\u00eas discos, assinado por Anthony DeCurtis, editor da Rolling Stone americana. &#8220;Songs of Leonard Cohen&#8221;, &#8220;Songs From a Room&#8221; e &#8220;Songs of Love and Hate&#8221; servem para explicar a devo\u00e7\u00e3o de gente como Michael Stipe (R.E.M.), Bono (U2), Jarvis Cocker (Pulp), Nick Cave, Morrissey, Ian McCulloch, Renato Russo (que gravou uma vers\u00e3o de &#8220;Hey, That&#8217;s No Way To Say Goodbye&#8221;, registrada no CD p\u00f3stumo &#8220;O \u00daltimo Solo&#8221;) e Jeff Buckley a este homem. O mundo precisa de amor, ok. Mas de \u00f3dio tamb\u00e9m. N\u00e3o sejamos c\u00ednicos. Ou melhor: sejamos. Leonard Cohen viu o futuro, leitor: \u00e9 violento. Preste muita aten\u00e7\u00e3o nesse homem, e olhe dos dois lados quando for atravessar a rua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Songs of Leonard Cohen<\/strong>, Leonard Cohen (Columbia\/Sony\/BMG\/Legacy)<br \/>\n<strong>Songs From a Room<\/strong>, Leonard Cohen (Columbia\/Sony\/BMG\/Legacy)<br \/>\n<strong>Songs of Love and Hate<\/strong>, Leonard Cohen (Columbia\/Sony\/BMG\/Legacy)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nQuando decidiu ser cantor, em 1967, Leonard Cohen j\u00e1 vinha de uma elogiada carreira como poeta. Ao se lan\u00e7ar no mundo pop com folk songs&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/06\/11\/primeiros-discos-de-leonard-cohen-ganham-reedicao-luxuosa\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/296"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=296"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/296\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":484,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/296\/revisions\/484"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=296"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=296"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=296"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}