{"id":29240,"date":"2015-02-20T10:47:33","date_gmt":"2015-02-20T13:47:33","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=29240"},"modified":"2016-12-29T18:56:33","modified_gmt":"2016-12-29T20:56:33","slug":"peter-hook-hoje-eu-sou-o-bode-velho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/02\/20\/peter-hook-hoje-eu-sou-o-bode-velho\/","title":{"rendered":"Peter Hook: Hoje eu sou o bode velho!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-29241\" title=\"peterhook1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/peterhook1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/peterhook1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/peterhook1-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/MarcoAntonioBarbosaJr\" target=\"_blank\">Marco Antonio Barbosa<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea fundou uma das mais lend\u00e1rias bandas do p\u00f3s-punk ingl\u00eas. Seu pr\u00f3ximo grupo demoliria as barreiras entre o indie rock e o pop eletr\u00f4nico, influenciando sucessivas gera\u00e7\u00f5es. Esteve \u00e0 frente de uma das casas noturnas que catalisaram a explos\u00e3o da acid house e da eletr\u00f4nica dos anos 1990. Finalmente separado dos companheiros, passou a rever o repert\u00f3rio de suas duas bandas em turn\u00eas-tributo. N\u00e3o contente com tudo isso, ainda \u2013 com o perd\u00e3o do clich\u00ea \u2013 ataca de DJ mundo afora, combinando a experi\u00eancia acumulada em 40 anos de palco com uma curiosidade voraz sobre novos sons. O que resta?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o seu nome \u00e9 Peter Hook, nem voc\u00ea pode prever. O baixista do Joy Division e do New Order hoje alterna-se entre as excurs\u00f5es com sua banda The Light (com a qual revisita o cat\u00e1logo das duas bandas), lan\u00e7amentos de livros (&#8220;Unknown Pleasures: Inside Joy Division&#8221; foi lan\u00e7ado em 2013 e &#8220;The Hacienda: How Not to Run a Club&#8221; saiu em 2014) e apari\u00e7\u00f5es como disc-jockey . E foi nessa \u00faltima condi\u00e7\u00e3o que o m\u00fasico ingl\u00eas de 58 anos voltou ao Brasil, meros tr\u00eas meses depois de sua \u00faltima visita. Discotecando na festa de abertura da Rio Music Conference 2015, no come\u00e7o de fevereiro, Hook mandou remixes meio estranhos de cl\u00e1ssicos como \u201cLove Will Tear Us Apart\u201d e coisas novas de gente como Disclosure e Tinnie Tempah.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-29242\" title=\"peterhook2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/peterhook2.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas antes, participando de um r\u00e1pido Q&amp;A (Questions and Answers), compartilhou alguns bem-humorados tost\u00f5es de sua experi\u00eancia com uma seleta plateiazinha. Falou de tudo: Joy Division, New Order, as rusgas com o (ex)amigo Bernard Sumner, a morte de Ian Curtis, os perrengues como administrador do clube Ha\u00e7ienda, em Manchester, e a nova vida como DJ. E garantiu: encontra-se no melhor momento de sua carreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De volta ao Brasil: \u201cA primeira vez em que vim ao Brasil foi espantoso\u2026 tocamos aqui em est\u00e1dios para cinco, dez mil espectadores, enquanto que na Inglaterra toc\u00e1vamos para 500, mil pessoas\u2026\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vida de DJ: \u201cSer pago para tocar minhas pr\u00f3prias m\u00fasicas \u00e9 bom. Ser pago para tocar as m\u00fasicas dos outros \u00e9 excelente!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNo come\u00e7o eu tinha uma atitude meio provocadora. Tocava m\u00fasicas para desafiar o p\u00fablico \u2013 botava Johnny Cash, por exemplo, e a\u00ed a pista esvaziava. Um DJ tem muita responsabilidade. Eu frequentemente fico mais tenso antes de me apresentar como DJ, diante de uma pista de dan\u00e7a, do que antes de entrar no palco para tocar ao vivo. Porque num show, o p\u00fablico j\u00e1 sabe o que esperar, e o m\u00fasico tamb\u00e9m\u2026 mas como DJ, se voc\u00ea come\u00e7ar errado, e n\u00e3o sintonizar com o p\u00fablico, a pista esvazia em 10 minutos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs pessoas esperam que eu toque m\u00fasicas do New Order e do Joy Division e eu quase nunca as toco. Pelo menos, n\u00e3o as vers\u00f5es originais. Prefiro investir em remixes das coisas antigas. Vejo que a maioria dos DJs prefere se concentrar em sons novos, novidades, mas eu tenho uma grande bagagem como m\u00fasico e gosto de recorrer a essa heran\u00e7a. Tenho tocado um remix de \u201cBlue Monday\u201d exclusivo, feito por Todd Terry, e tamb\u00e9m uma vers\u00e3o hard house super-r\u00e1pida, com os BPMs l\u00e1 em cima. Toco tamb\u00e9m um mashup com uma m\u00fasica da Madonna, que ficou muito bom\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/PeYQagrCqWU\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/PeYQagrCqWU\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEu aprendi com Mani (Stone Roses). Est\u00e1vamos num festival em Barcelona e ele seria o DJ. Perguntei qual era o segredo e ele disse apenas: \u2018Voc\u00ea s\u00f3 precisa ficar l\u00e1 de p\u00e9 e parecer bonit\u00e3o\u2019. Pensei ent\u00e3o: ora, isso eu consigo fazer (risos). A\u00ed Mani estava l\u00e1 fazendo seu set, e estava fazendo scratches num vinil, mas a vitrola estava desligada. Ele estava realmente se esfor\u00e7ando, girando o disco, mas n\u00e3o sa\u00eda som algum \u2013 e ele n\u00e3o conseguia perceber, pois estava usando fones de ouvido. Tentei avisa-lo, mas ele n\u00e3o escutava\u2026 A faixa que estava tocando acabou e o p\u00fablico ficou l\u00e1, parado, olhando sem entender. Quando ele finalmente notou que ningu\u00e9m estava dan\u00e7ando, pegou v\u00e1rios discos de seu case e come\u00e7ou a arremessa-los contra o p\u00fablico! E pensei ent\u00e3o: ser pago para arremessar LPs nas pessoas\u2026 isso eu tamb\u00e9m posso fazer (gargalhadas).\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00fasica eletr\u00f4nica: \u201cEu vi a eletr\u00f4nica nascer na Inglaterra, eu estava l\u00e1 no come\u00e7o, 1984, 1985. A grande quest\u00e3o com a eletr\u00f4nica \u00e9 que as pessoas passaram a poder fazer tudo por conta pr\u00f3pria, e isso tem seus pr\u00f3s e seus contras\u2026 Os artistas daquela \u00e9poca, que acabaram gerando a acid house, eram muito influenciados pelos sons americanos, os pioneiros do techno e da house. Eu acompanho o cen\u00e1rio da EDM e hoje em dia, creio que aquele tipo de som dos anos 80 continua a ser muito influente; v\u00e1rios artistas novos que tenho acompanhado soam como coisas daquela \u00e9poca.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00e9poca punk em Manchester: \u201cPensar em ter uma carreira musical em Manchester, em 1976, era uma ideia completamente alien\u00edgena\u2026 Na escola, eu disse a meu orientador vocacional que pretendia ser m\u00fasico e ele me deu um tapa. \u2018N\u00e3o seja burro!\u2019 Ningu\u00e9m levava a ideia a s\u00e9rio, nem meus pais, nem meus amigos. Mas n\u00f3s \u2013 Bernard e eu \u2013 \u00e9ramos muito teimosos. Acredit\u00e1vamos na ideia. Quando Johnny Rotten apareceu e mostrou que qualquer um podia fazer tamb\u00e9m\u2026 Ser punk era bem dif\u00edcil\u2026 n\u00f3s fizemos parte da turma original. Hoje em dia, os adolescentes podem escolher a que tribo pertencem: voc\u00ea pode ser um g\u00f3tico, um punk, um clubber\u2026 Em 1976 n\u00e3o tinha isso, era perigoso andar vestido como um punk.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/6mpZUPPTyjo\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/6mpZUPPTyjo\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ian Curtis, Joy Division: \u201cT\u00ednhamos um sentimento do tipo \u2018n\u00f3s quatro contra o mundo\u2019. Ian sempre dizia que \u00e9ramos grandes, os melhores, e aquilo era muito importante. Quando est\u00e1vamos no palco e eu o observava, dan\u00e7ando e cantando, eu sentia muita verdade e sinceridade nele. Nem me importava com o que ele estava cantando \u2013 mas soava verdadeiro. Recentemente, passei a tocar as m\u00fasicas do Joy Division com minha banda e fui reler as letras para canta-las, e foi como levantar um v\u00e9u sobre o significado dos versos. Pode-se dizer que ele estava dando v\u00e1rias pistas sobre o que iria acontecer. Ian sentia-se muito infeliz\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMuita gente tentou ajuda-lo: seus pais, amigos, a banda, mas ele estava fora de alcance. Foi triste ver algu\u00e9m ficar doente daquele jeito. Quando ele descobriu que era epil\u00e9tico, a primeira ordem que recebeu dos m\u00e9dicos foi para abandonar a banda\u2026 e era justamente a coisa mais importante da vida dele, e est\u00e1vamos \u00e0s v\u00e9speras de finalmente fazer algum sucesso. Ele lutou o quanto podia, mas n\u00e3o conseguiu vencer. E os rem\u00e9dios que ele tomava \u2013 um monte, estimulantes e sedativos \u2013 iriam acabar o matando de qualquer maneira, mesmo que ele n\u00e3o se suicidasse. Quando Ian se foi, deixou um verdadeiro vazio. Um buraco que Gillian (Gilbert, tecladista do New Order), lamento dizer, nunca esteve nem perto de preencher\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPor muitos anos, n\u00f3s ignor\u00e1vamos nosso passado no Joy Division. Simplesmente n\u00e3o fal\u00e1vamos a respeito e foc\u00e1vamos no grupo novo. Ent\u00e3o, em algum momento do final dos anos 80, voltamos a tocar algumas m\u00fasicas do JD, e chegamos at\u00e9 mesmo a fazer um show s\u00f3 com o repert\u00f3rio do Joy Division. Havia a ideia de tocarmos o mesmo repert\u00f3rio, como o New Order, mas Bernard n\u00e3o quis. Disse que as m\u00fasicas o \u2018deixavam pra baixo\u2019. Bem, as m\u00fasicas do New Order s\u00e3o mais alegres, e s\u00e3o letras dele, ele as escreveu, ent\u00e3o \u00e9 natural que ele se sinta assim\u2026 Mas quando eu sa\u00ed em turn\u00ea tocando as m\u00fasicas do Joy Division, naturalmente que o New Order voltou a toca-las tamb\u00e9m!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/kmqtaROrqcs\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/kmqtaROrqcs\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O New Order e a eletr\u00f4nica: \u201cSempre digo que foi uma mistura de habilidade, talento e sorte. N\u00f3s nunca conversamos sobre m\u00fasica, nem na \u00e9poca do Joy Division, nem no New Order\u2026 Nunca nos reunimos e dissemos, por exemplo, \u2018Vamos fazer uma m\u00fasica tipo Kraftwerk!\u2019 Tudo se resumia \u00e0 qu\u00edmica que n\u00f3s tr\u00eas, Bernard, Steve (Morris) e eu t\u00ednhamos, \u00e9 o tipo de qu\u00edmica que leva um grupo adiante e que, infelizmente, tamb\u00e9m \u00e9 a respons\u00e1vel pelo fim de um grupo. \u00c9 algo que n\u00e3o se pode dominar. Na fase do Joy Division, n\u00f3s quatro est\u00e1vamos em p\u00e9 de igualdade. Ian nunca nos disse o que tocar. N\u00f3s nunca desistimos. Minha m\u00e3e me ensinou a nunca desistir, a sempre olhar adiante. No momento em que voc\u00ea para, est\u00e1 fodido.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00f3s voamos para Nova York para trabalhar com Arthur Baker, e n\u00e3o t\u00ednhamos ideia alguma pronta \u2013 uma atitude bem radical. Hoje, com computadores, em poucos minutos voc\u00ea tem uma base para trabalhar, mas n\u00e3o era assim em 1983. Baker n\u00e3o parecia ter muita no\u00e7\u00e3o do que estava fazendo, mas uma vez que ele come\u00e7ava, ningu\u00e9m conseguia para-lo (risos). Gravamos \u2018Confusion\u2019 em uma \u00fanica sess\u00e3o de 24 horas no est\u00fadio, trabalhando em turnos. James Brown estava trabalhando no mesmo est\u00fadio naquele dia e cheguei a esbarrar com ele na sa\u00edda\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/c_L_-CKg6pw\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/c_L_-CKg6pw\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTalvez tenha sido o ponto em que finalmente deixamos a sombra do Joy Division. Eu mesmo n\u00e3o gostava da ideia de termos colaboradores de fora. Sempre fui visto como o \u2018dinossauro\u2019 da banda. \u2018Se somos t\u00e3o bons s\u00f3 n\u00f3s quatro, por que chamar gente de fora?\u2019, era o que eu sempre dizia. Lembro que em 1983 um famoso DJ de Manchester me procurou. Ele queria fazer um remix de \u2018Blue Monday\u2019 e eu mandei o cara se foder. \u2018Como ousa?!\u2019 (risos) Hoje, claro, todo mundo lan\u00e7a remixes de tudo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Ha\u00e7ienda: \u201cA ida a New York para trabalhar com Baker nos deu a ideia do clube. Fomos a muitas boates legais l\u00e1 e parecia um conceito muito simples \u2013 uma grande caixa de concreto preta, um sistema de som e um bar. Rob Gretton (empres\u00e1rio do New Order) e Tony Wilson (dono da Factory Records) pegaram dinheiro do New Order para fundar o Ha\u00e7ienda. Era maravilhoso, mas custava uma fortuna. Uma quantia ridiculamente alta de dinheiro. Uma coisa que n\u00e3o entend\u00edamos sobre o neg\u00f3cio de casas noturnas \u00e9 que tudo se baseia em modismos que vem e v\u00e3o, e que s\u00e3o muito imprevis\u00edveis. Tony sempre era otimista, dizia que \u2018no ver\u00e3o que vem, tocaremos um novo tipo de m\u00fasica e a casa ficar\u00e1 cheia!\u2019 E o ver\u00e3o chegava e\u2026 onde est\u00e3o as pessoas, Tony? Ningu\u00e9m vinha! E ent\u00e3o os preju\u00edzos se acumulavam\u2026 Quando as d\u00edvidas estavam em 4 milh\u00f5es de libras, o New Order passou a ter que fazer turn\u00eas extras e lan\u00e7ar mais discos para tentar cobrir as contas do Ha\u00e7ienda. E isso foi o come\u00e7o do fim da banda, por volta de 1987 ou 1988. Bernard era pregui\u00e7oso \u2013 n\u00e3o gostava de fazer turn\u00eas, embora acabasse se divertindo quando est\u00e1vamos na estrada. Em 1987, ele, Steven e Gillian se desligaram do clube e eu fiquei s\u00f3 com Rob, at\u00e9 fecharmos em 1997.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA viol\u00eancia era terr\u00edvel. O Ha\u00e7ienda virou ponto de encontro de gangues, quatro ou cinco gangues toda noite. Voc\u00eas sabem como \u00e9, aqui no Rio voc\u00eas t\u00eam as (brigas entre) favelas \u2013 o Ha\u00e7ienda era como cinco ou seis favelas reunidas, s\u00f3 que com todo mundo chapado de ecstasy (risos). A pol\u00edcia n\u00e3o se importava, na verdade eles gostavam. N\u00f3s faz\u00edamos um favor a eles: todo s\u00e1bado \u00e0 noite, todos os marginais da cidade estavam reunidos no clube, e o resto da cidade ficava em paz (risos). Minha sorte \u00e9 que as gangues respeitavam os m\u00fasicos locais. Ent\u00e3o, se eu, Bernard ou Shaun Ryder (Happy Mondays) aparec\u00edamos, t\u00ednhamos passe livre entre todas as fac\u00e7\u00f5es. Cheg\u00e1vamos e todo mundo dizia: \u2018Ei, chega mais, tome um E, cheire uma carreira\u2026\u2019 (risos)\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/jJqqmScn-Qg\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/jJqqmScn-Qg\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esp\u00edrito punk: \u201cAinda me vejo como um punk. H\u00e1 40 anos, quer\u00edamos nos livrar dos bodes velhos que dominavam a m\u00fasica. Hoje, EU sou um bode velho, ent\u00e3o tenho que dar um jeito de continuar em cena! O punk era apenas um meio de dizer: fa\u00e7a do seu jeito. Voc\u00ea tem que fazer seu pr\u00f3prio caminho, n\u00e3o ser guiado por outra pessoa.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um segredinho: \u201cRoubei duas linhas de baixo do Hot Chocolate para fazer m\u00fasicas do New Order. Espero que ningu\u00e9m jamais reconhe\u00e7a em quais m\u00fasicas est\u00e3o. Sou f\u00e3 da banda. Um dia encontrei (o vocalista) Errol Brown e confessei o roubo a ele. E ele disse: \u2018Ah, que bom!&#8217;\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O melhor momento da carreira?: \u201cAgora! Hoje tenho a oportunidade de tocar com meu pr\u00f3prio filho, o que \u00e9 algo maravilhoso. S\u00f3 falta eu acertar as pontas com o New Order \u2013 legalmente falando \u2013 para tudo ficar perfeito.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-29243\" title=\"peterhook3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/peterhook3.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Texto de Marco Antonio Bart (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/BartBarbosa\" target=\"_blank\">@bartbarbosa<\/a>), jornalista que assina o blog <a href=\"http:\/\/fubap.org\/telhadodevidro\" target=\"_blank\">Telhado de Vidro<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Fotos: Divulga\u00e7\u00e3o \/ <a href=\"http:\/\/www.riomusicconference.com.br\/\" target=\"_blank\">Rio Music Conference<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; &#8220;Tocando a Dist\u00e2ncia&#8221;: Deborah Curtis humaniza e mitifica vocalista do Joy Division (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/12\/livros-the-who-ian-curtis-e-smiths\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Assista na integra: document\u00e1rio de Grant Gee conta a hist\u00f3ria do Joy Division (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/06\/15\/cinema-joy-division-de-grant-gee\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cLow Life\u201d, do New Order: De Manchester para a alma de quem escuta (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/04\/11\/esse-voce-precisa-ouvir-low-life\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cBest Of\u201d, colet\u00e2nea do Joy Division, \u00e9 apenas para quem descobriu Ian Curtis ontem (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/05\/28\/500-toques-joy-division-radiohead-e-mundo-livre-sa\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Na Col\u00f4mbia, 2013, New Order faz de seu show uma experi\u00eancia bastante divertida (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/04\/11\/new-order-ao-vivo-na-colombia\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Em S\u00e3o Paulo, 2006, quem esperava perfei\u00e7\u00e3o do New Order deve ter se frustrado (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/11\/16\/atmosphere\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Por muitos anos, n\u00f3s ignor\u00e1vamos nosso passado no Joy Division. Simplesmente n\u00e3o fal\u00e1vamos a respeito&#8221;, conta Peter Hook\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/02\/20\/peter-hook-hoje-eu-sou-o-bode-velho\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":36,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29240"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/36"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29240"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29240\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41439,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29240\/revisions\/41439"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29240"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29240"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29240"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}