{"id":292,"date":"2007-05-24T05:00:00","date_gmt":"2007-05-24T07:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/2007\/05\/24\/e-o-preco-dos-cds-comeca-a-cair\/"},"modified":"2015-01-13T12:51:35","modified_gmt":"2015-01-13T15:51:35","slug":"e-o-preco-dos-cds-comeca-a-cair","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/05\/24\/e-o-preco-dos-cds-comeca-a-cair\/","title":{"rendered":"E o pre\u00e7o dos CDs come\u00e7a a cair&#8230;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2007\/05\/cds_mac.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Uma vez, alguns anos atr\u00e1s, assisti (aqui mesmo no pr\u00e9dio do iG) a uma palestra de Andr\u00e9 Midani, um dos poderosos presidentes de majors no Pa\u00eds entre os anos 60 e 90. Na \u00e9poca (2004, acho), Midani estava em evid\u00eancia por uma excelente entrevista concedida ao jornalista Pedro Alexandre Sanches, que escancarava o jabacul\u00ea, pagamento clandestino feito por gravadoras para que emissoras de r\u00e1dio e televis\u00e3o tocassem determinadas m\u00fasicas. No meio do papo, muito interessante, questionei: <em>&#8220;Por que o pre\u00e7o final de um CD de major no Brasil \u00e9 t\u00e3o caro?&#8221;<\/em> O argumento do ex-presidente de gravadora era de que as majors haviam padronizado os pre\u00e7os, e que um CD de R$ 39 no Brasil custava US$ 13 nos Estados Unidos (em tempos de d\u00f3lares a R$ 3).<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 l\u00f3gico que n\u00e3o me convenci. Na \u00e9poca, Wander Wildner vendia o seu CD solo, &#8220;Paraquedas de Cora\u00e7\u00e3o&#8221; (prensado em f\u00e1brica, com encarte e acabamento profissional), por R$ 15, e gravadoras como a Trama e a (falida) Sum Records chegavam ao mercado com lan\u00e7amentos, no m\u00e1ximo, a R$ 23. Enquanto isso, a Universal lan\u00e7ava um \u00e1lbum de PJ Harvey no Brasil por R$ 39. Falei sobre tudo isso para o empres\u00e1rio, al\u00e9m, claro, do \u00f3bvio: n\u00e3o d\u00e1 para comparar a renda norte-americana com a brasileira. Ele, lac\u00f4nico, disse que &#8211; al\u00e9m da padroniza\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os &#8211; os compradores de CDs pagavam as viagens dos executivos para v\u00e1rios lugares do mundo, hot\u00e9is cinco estrelas e jantares regados a tudo que existe de melhor. E voc\u00ea achando que s\u00f3 estava comprando um CD, certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo passou, a crise das gravadoras frente \u00e0 m\u00fasica digital virou pauta de grandes revistas, a venda de CDs caiu assustadoramente (ser\u00e1 que ningu\u00e9m mais &#8220;consome&#8221; m\u00fasica?) e muitos futur\u00f3logos de boteco anunciaram o fim do disquinho prateado aos quatro ventos no mesmo momento em que artistas pop comemoravam 1 milh\u00e3o de downloads pagos de suas can\u00e7\u00f5es. Mesmo assim, os benditos CDs continuavam chegando \u00e0s lojas, e, pasmen, algumas gravadoras come\u00e7am a baratear seus pre\u00e7os. Nos \u00faltimos dois meses, os lan\u00e7amentos da Universal (Kaiser Chiefs, Klaxons, Amy Winehouse) chegaram ao patamar dos R$ 23, m\u00e1ximo R$ 25 em uma loja honesta. Na sua cola, a Sony\/BMG (Travis, Beyonc\u00e9, Avril Lavigne) tamb\u00e9m baixou a tabela, e suas novidades est\u00e3o chegando as prateleiras entre R$ 26 e R$ 28. Na seq\u00fc\u00eancia, a EMI (Stooges, Arctic Monkeys, The Good, The Band and The Queen) ultrapassa a barreira dos R$ 30 batendo nos R$ 32, e a independente Slag Records colocou &#8220;N\u00e9on Bible&#8221;, dos canadenses do Arcade Fire, no mesmo patamar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Penso comigo: R$ 30 em um CD \u00e9 pra l\u00e1 de abuso. Mas tem como piorar: a Warner (Bloc Party, Linkin Park, White Stripes) chega \u00e0s lojas com CDs entre R$ 38 e R$ 42. A Warner deve acreditar realmente que a renda do p\u00fablico comprador equivale ao do mercado norte-americano. Mas em tempos de d\u00f3lares abaixo dos R$ 2, comprar CD importado com frete gratuito se tornou uma vantagem para os f\u00e3s de m\u00fasica dispostos a ter o disquinho em casa (e os MP3 no computador): recebi nesta semana uma edi\u00e7\u00e3o especial do \u00e1lbum &#8220;At San Quentin&#8221;, de Johnny Cash, contendo dois CDs (31 m\u00fasicas), mais um DVD com um document\u00e1rio da \u00e9poca (1969), pela bagatela de US$ 19,95. Pelo d\u00f3lar de hoje, esse pacote bonitinho com um CD duplo mais um DVD me saiu mais barato que o novo disco do White Stripes, que ser\u00e1 lan\u00e7ado pela Warner por algo em torno de R$ 40.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da falta de no\u00e7\u00e3o da alta c\u00fapula da Warner, a atitude da Universal e da Sony\/BMG mostra que as gravadoras est\u00e3o apostando as poucas fichas que lhes restam na redu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do CD. E a \u00faltima tenta uma cartada a partir do pr\u00f3ximo dia 28: o CD Zero, um formato de \u00e1lbum que trar\u00e1 cinco m\u00fasicas, pre\u00e7o de R$ 9,99 estampado na capa, e que ser\u00e1 uma esp\u00e9cie de &#8220;vers\u00e3o resumida&#8221; do disco (que ser\u00e1 lan\u00e7ado em seu formato &#8220;cheio&#8221; ao mesmo tempo). Opini\u00e3o deste colunista: o formato vai fracassar miseravelmente. N\u00e3o \u00e9 m\u00e1 vontade, juro. Tenho mais de 5 mil CDs em casa, continuo comprando CDs (apesar de come\u00e7ar a achar o ato muito mais v\u00edcio do que necessidade) e acho essa id\u00e9ia tremendamente tola e canibalizadora. Se voc\u00ea comprar o CD Zero, voc\u00ea ir\u00e1 se animar a desembolsar seu dinheiro suadinho para comprar um disco do qual voc\u00ea j\u00e1 tem cinco m\u00fasicas? Mais: Para que pagar R$ 9,99 em um CD com cinco m\u00fasicas se o CDR cheio estar\u00e1 sendo vendido nos camel\u00f4s por R$ 5, m\u00e1ximo R$ 10? Mais: os donos de loja v\u00e3o mesmo vender o CD por R$ 9,99? Testes anteriores de singles com pre\u00e7o fixo n\u00e3o vingaram. Ou seja, esse CD Zero \u00e9 um beb\u00ea morto no parto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos planos da Sony\/BMG, no entanto, depois de Vanessa da Mata, est\u00e3o os CDs Zero dos novos lan\u00e7amentos de Capital Inicial e Lob\u00e3o, que fracassaram em suas primeiras semanas nas lojas. Lob\u00e3o anda cantando aos quatro ventos que seu disco \u00e9 um sucesso de cr\u00edtica e p\u00fablico, mas seu &#8220;Ac\u00fastico MTV&#8221; n\u00e3o comoveu as massas. Com um show agendado para Curitiba, duas semanas atr\u00e1s, ap\u00f3s ter marcado (alugado?) presen\u00e7a por meia hora no Doming\u00e3o do Faust\u00e3o, e suas m\u00fasicas terem voltado misteriosamente a tocar nas r\u00e1dios, Lob\u00e3o fez uma apresenta\u00e7\u00e3o para 600 pessoas em um local preparado para receber 2.500, um fiasco t\u00e3o retumbante quanto as vendas p\u00edfias do novo \u00e1lbum do Capital Inicial. Se no caso Lob\u00e3o, o ouvinte pode argumentar que nem se lembra do velho lobo ap\u00f3s tanto tempo fora da m\u00eddia, com o Capital Inicial a coisa \u00e9 bem diferente. Uma das principais bandas dos anos 80 em atividade no Pa\u00eds, o Capital viu seu p\u00fablico rejunescer, foi abra\u00e7ado pela gera\u00e7\u00e3o MTV, e a pouca procura dos CDs nas lojas \u00e9 muito mais sinal de crise econ\u00f4mica do que de esquecimento dos f\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o bastasse o fantasma das trocas de arquivos de MP3, e os camel\u00f4s descolados que diversificam cada vez mais seu leque de &#8220;ofertas&#8221; para o p\u00fablico, as grandes gravadoras nacionais voltam a enfrentar outro vil\u00e3o: a queda do d\u00f3lar. Com a moeda norte-americana batendo R$ 2, o novo disco do Wilco, &#8220;Sky Blue Sky&#8221;, que a gravadora EMI est\u00e1 prestes a lan\u00e7ar no mercado nacional (por volta de R$ 30\/32), pode chegar as m\u00e3os do consumidor brasileiro em uma vers\u00e3o importada por R$ 29 em uma loja virtual internacional isenta de frete. Se o comprador quiser pagar um pouco mais do que a edi\u00e7\u00e3o nacional, por R$ 38 ele assegura a vers\u00e3o limitada com CD e DVD do mesmo produto, in\u00e9dita no Pa\u00eds. A vida \u00e9 dura, meu amigo, mas poderia ser mais f\u00e1cil. Se as gravadoras abrirem o olho, diminu\u00edrem a margem de lucro, e entregarem um CD em pre\u00e7os competitivos para as lojas, \u00e9 poss\u00edvel que ainda exista um pr\u00f3ximo round nesta dura batalha das gravadoras contra o avan\u00e7o da tecnologia (e da pirataria). Do jeito que as coisas est\u00e3o, infelizmente, o nocaute est\u00e1 bem pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, <strong>me conta caro leitor(a)<\/strong>: voc\u00ea ainda compra CDs? Qual o pre\u00e7o que voc\u00ea consideraria justo pagar por um CD? Se o CD fosse mais barato, voc\u00ea compraria? O MP3 veio para ficar? Os comments est\u00e3o a sua disposi\u00e7\u00e3o. :o)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Rapidinhas &#8211; justi\u00e7a seja feita: a ST2, que acabou de lan\u00e7ar o \u00e1lbum da atriz e duble de roqueira Juliette Lewis com sua banda The Licks, bate na casa dos R$ 20. E independentes como a Monstro Discos e a Mondo 77 quase sempre n\u00e3o passam desse valor. E &#8220;Send Away The Tigers&#8221;, disco do Manic Street Preachers que foi tema desta coluna algumas semanas atr\u00e1s, s\u00f3 chegar\u00e1 ao Brasil como download pago (?!?).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma vez, alguns anos atr\u00e1s, assisti (aqui mesmo no pr\u00e9dio do iG) a uma palestra de Andr\u00e9 Midani, um dos poderosos presidentes de \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/05\/24\/e-o-preco-dos-cds-comeca-a-cair\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/292"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=292"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/292\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28099,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/292\/revisions\/28099"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=292"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=292"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=292"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}