{"id":29137,"date":"2015-02-12T23:52:38","date_gmt":"2015-02-13T01:52:38","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=29137"},"modified":"2020-11-09T00:19:30","modified_gmt":"2020-11-09T03:19:30","slug":"entrevista-projeto-ccoma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/02\/12\/entrevista-projeto-ccoma\/","title":{"rendered":"Entrevista: Projeto Ccoma"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-29138\" title=\"projetoccoma\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/projetoccoma.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/projetoccoma.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/projetoccoma-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><\/strong>Como absolutamente tudo no planeta, a m\u00fasica tamb\u00e9m muda ao longo dos anos. H\u00e1 quem se oponha a essa mudan\u00e7a, dizendo que ela descaracteriza g\u00eaneros consolidados. O escritor Luis Fernando Ver\u00edssimo, por exemplo, j\u00e1 escreveu que desistiu de Miles Davis quando ele eletrificou seu som e se aproximou do rock, e o cartunista Robert Crumb tem HQs e cartuns nos quais critica qualquer forma de m\u00fasica surgida a partir dos anos 1950. Por outro lado, h\u00e1 quem entenda a mudan\u00e7a como natural e mesmo necess\u00e1ria: Neil Young, Pete Townshend, o pr\u00f3prio Miles&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro grupo, portanto, jamais aceitaria a defini\u00e7\u00e3o de \u201cjazz\u201d para o duo ga\u00facho <a href=\"http:\/\/www.projetoccoma.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Projeto Ccoma<\/a>, enquanto o segundo, muito provavelmente, n\u00e3o veria problema algum nisso. Mas pense: jazz \u00e9 m\u00fasica urbana, dan\u00e7ante, sem fronteiras \u00e9tnicas, vira-lata na ess\u00eancia. E o Ccoma se vale majoritariamente de ritmos urbanos da Am\u00e9rica Latina para compor, com o aux\u00edlio de recursos eletr\u00f4nicos, de elementos percussivos e de instrumentos de sopro, uma m\u00fasica que mexe tanto com os sentidos como com o esp\u00edrito, que se presta tanto para o som do carro como para as pistas de dan\u00e7a ou at\u00e9 para a introspec\u00e7\u00e3o. Nada mais jazz, portanto. Dos bons.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luciano Balen (percuss\u00e3o e programa\u00e7\u00f5es) e Roberto Scopel (instrumentos de sopro) formaram o Projeto Ccoma em 2005, em Caxias do Sul. \u201cDas Ccoma Project\u201d, seu \u00e1lbum de estreia de 2009, cobre um repert\u00f3rio que vai de \u201cO Trenzinho do Caipira\u201d, de Villa-Lobos, ao standard \u201cBridge Over Troubled Water\u201d em vers\u00f5es pouco surpreendentes. Foi no lan\u00e7amento do ano seguinte, \u201cIncoming Jazz\u201d, que a personalidade da banda come\u00e7ou a aparecer, gra\u00e7as a um repert\u00f3rio autoral e ao abandono da pegada \u201ccool jazz downtempo\u201d que dava uma cara de muzak ao antecessor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da qualidade do segundo lan\u00e7amento, n\u00e3o h\u00e1 como compar\u00e1-lo ao terceiro. \u201cPeregrino\u201d, de 2012, \u00e9 possivelmente um dos melhores discos concebidos sob o signo da eletr\u00f4nica no Brasil \u2013 se n\u00e3o o melhor. Na abertura, com \u201cGrand Bazaar\u201d, j\u00e1 fica claro o alto padr\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o, capaz de coloc\u00e1-los em p\u00e9 de igualdade com coisas t\u00e3o diferentes como Bajofondo ou os eventuais momentos inspirados do Thievery Corporation. Mergulhando com gosto num amplo universo de refer\u00eancias, que vai da milonga a cumbia, da psicodelia ao \u201celectropicalismo\u201d do P18, o disco consegue legar um estado de esp\u00edrito mais elevado, ou pelo menos mais alegre, ao fim da audi\u00e7\u00e3o, apesar de ser majoritariamente instrumental. E embora muitas faixas tenham potencial de hit imediato, \u00e9 um disco que faz sentido especial quando ouvido inteiro, na sequ\u00eancia em que foi concebido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse, ali\u00e1s, \u00e9 um diferencial do Projeto Ccoma em rela\u00e7\u00e3o a alguns de seus bons contempor\u00e2neos que enveredam pelo mesmo caminho. Finl\u00e2ndia e Coutto Orchestra, por exemplo, t\u00eam em disco uma resolu\u00e7\u00e3o diferente, qui\u00e7\u00e1 aqu\u00e9m, do que apresentam ao vivo, enquanto o Ccoma conseguiu com \u201cPeregrino\u201d traduzir em est\u00fadio uma proposta que \u00e9 poderosa no palco. O ritmo de prepara\u00e7\u00e3o do novo \u00e1lbum estava intenso at\u00e9 que um grave acidente rodovi\u00e1rio no final de 2014 fez o duo pisar no freio. Luciano Balen, tamb\u00e9m conhecido como Swami Sagara, relata esse epis\u00f3dio e suas consequ\u00eancias, e aproveita o papo para dar uma repassada no objetivo de sua banda: deixar esse mundo um pouco melhor do que estava quando chegaram nele.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/IFUIgs3woQE\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/IFUIgs3woQE\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No final do ano passado, voc\u00eas estiveram envolvidos em um acidente de tr\u00e2nsito bem s\u00e9rio. Voc\u00ea pode contar como foi? E mais importante, o impacto dele parece ter sido enorme, fez voc\u00ea reavaliar coisas da sua vida. O que isso provoca na banda, j\u00e1 que o Ccoma \u00e9 uma parte essencial da vida de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nA gente estava saindo de um festival em Correntes, interior de Pernambuco. Chanadi Macuca Jazz e Improviso, uma esp\u00e9cie de Woodstock do agreste! O show foi tri bom! Eram onze da noite e nosso destino era Macei\u00f3, pois t\u00ednhamos um voo para Porto Alegre \u00e0s cinco da manh\u00e3. Numa estrada de terra, um carro dirigido por um motorista visivelmente embriagado bateu de frente contra o ve\u00edculo em que est\u00e1vamos. Eu estava na frente, ao lado do motorista, e de cinto. Fiquei com muitas dores pelo impacto, mas n\u00e3o me cortei. O Beto estava atr\u00e1s, mas sem cinto. Acabou raspando a testa na pe\u00e7a que segura o cinto de seguran\u00e7a dianteiro, e fez um corte que lhe rendeu 15 pontos.  Garanto que essa experi\u00eancia de encontrar a morte \u00e9 transformadora! S\u00e3o cicatrizes que vamos levar at\u00e9 o fim de nossas vidas, ou at\u00e9 \u00e0s pr\u00f3ximas vidas tamb\u00e9m. A gente decidiu levar a vida de uma forma menos corrida. Por exemplo, agora, durante as grava\u00e7\u00f5es do novo CD, n\u00e3o pretendemos fazer muitos shows. Desaceleramos para nos manter vivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando os vi ao vivo, notei tua preocupa\u00e7\u00e3o de, entre as m\u00fasicas, sempre falar sobre integra\u00e7\u00e3o, respeito \u00e0s diferen\u00e7as. Por que isso \u00e9 t\u00e3o importante para voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nBom, primeiro \u00e9 importante dizer que tanto eu quanto o Beto temos nossas convic\u00e7\u00f5es espirituais, e talvez a maior delas seja deixar esse mundo melhor do que quando chegamos aqui. E esse caminho, seguramente, passa por mais respeito com as diferen\u00e7as, sejam elas quais forem. Nossa m\u00fasica \u00e9 instrumental, e acho que falar entre uma m\u00fasica e outra, no show, ajuda a melhorar o di\u00e1logo com quem nos assiste. A m\u00fasica instrumental, por n\u00e3o ter palavras faladas, deixa margem para uma s\u00e9rie de distintos entendimentos. Acho que conversar com o p\u00fablico, contando de onde nasceu cada can\u00e7\u00e3o, ajuda muito nessa miss\u00e3o maior que assumimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gosto que voc\u00eas definam seu som como \u201cjazz\u201d, porque acho que isso engloba a diversidade cultural que est\u00e1 na m\u00fasica de voc\u00eas. Mas onde come\u00e7ou esse caminho? Caxias do Sul, embora uma boa cidade, n\u00e3o \u00e9 exatamente conhecida por ser uma \u201cjanela para o mundo\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\nHoje, qualquer lugar com Internet \u00e9 uma janela para o mundo. E se tiver um aeroporto perto, \u00e9 uma ponte! Nossa cidade oferece muitas formas de financiamento \u00e0 cultura, e quando produzimos o document\u00e1rio \u201cProfiss\u00e3o: M\u00fasico\u201d, nos demos conta de que essa era uma das formas de viver de m\u00fasica, nos tempos p\u00f3s-revolu\u00e7\u00e3o-mp3 e quedas das grandes gravadoras. A gente se definiu com jazz por ser um g\u00eanero que evolui constantemente e em diversas dire\u00e7\u00f5es. Embora os puristas discordem de n\u00f3s. Eu j\u00e1 fui purista, mas hoje estou curado (risos)! Acho que quanto mais explorarmos estas fus\u00f5es de g\u00eaneros, mais diversa a m\u00fasica vai se tornando. No CD \u201cPeregrino\u201d (2012), a m\u00fasica mais dif\u00edcil de produzir foi \u201cAmaz\u00f4nica Fever\u201d, pois era cumbia-electro. Na \u00e9poca, n\u00e3o existiam muitas m\u00fasicas com esta proposta. Foi um desafio tentar a uni\u00e3o de timbres eletr\u00f4nicos dos anos 70 e 80 com a guitarra da selva colombiana. E essa uni\u00e3o de opostos, essas misturas de timbres que, teoricamente, n\u00e3o combinam, refletem a nossa vontade de aproximar os opostos. Afinal os opostos n\u00e3o est\u00e3o na mesma linha, s\u00f3 em dire\u00e7\u00f5es diferentes \u2013 sempre achei que a m\u00fasica fosse uma outra perspectiva da f\u00edsica e da matem\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/CZf7EKPGSUg\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/CZf7EKPGSUg\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse trabalho de misturar v\u00e1rios ritmos mundiais entre si, e filtr\u00e1-los pela eletr\u00f4nica, tem ganhado mais adeptos. Mas bandas como o Ccoma e o Finl\u00e2ndia parecem fazer mais shows fora do Brasil do que dentro. O que acontece? \u00c9 uma simples quest\u00e3o de mercado, de oferta e procura, ou \u00e9 mais complexo que isso?<\/strong><br \/>\nA gente tem feito alguns shows fora do Brasil, e realmente eu acho que l\u00e1 existe uma chance maior de encontrarmos pessoas que estejam mais abertas \u00e0 nossa m\u00fasica. Especialmente na Europa. L\u00e1 a m\u00fasica eletr\u00f4nica n\u00e3o \u00e9 entendida como dance music, mas como \u2018m\u00fasica\u2019, que pode servir para dan\u00e7ar ou para ouvir. Al\u00e9m da gente, o Finl\u00e2ndia, a Coutto Orquestra, o DJ Mam, toda uma s\u00e9rie de produtores novos que est\u00e3o focando seus trabalhos nessas fus\u00f5es de eletr\u00f4nico com m\u00fasica de raiz, seja essa raiz do extremo sul do Brasil, da Am\u00e9rica do Sul, do Par\u00e1 ou do Nordeste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aproveitando o gancho: onde est\u00e3o as \u201cra\u00edzes\u201d da m\u00fasica eletr\u00f4nica brasileira? T\u00ednhamos o Harry nos anos 80, o Loop B e outros nomes&#8230; Isso teve alguma influ\u00eancia em voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nSinceramente, n\u00e3o conhe\u00e7o esses nomes.  Minhas influ\u00eancias da m\u00fasica brasileira, com pegada eletr\u00f4nica passam pelo \u201cRa\u00e7a Humana\u201d, do Gil; pelo Dalto, com aquele [disco] do \u201cPessoa\u201d (Nota: Balen se refere ao disco \u201cMuito Estranho\u201d, de 1982), alguns \u00e1lbuns do Kleiton e Kledir. Eu comecei a ouvir m\u00fasica produzida eletronicamente h\u00e1 uns dez anos, depois de uma viagem \u00e0 Europa, quando comprei um CD do [duo austr\u00edaco] Dzihan &amp; Kamien, ali entendi que a fus\u00e3o da m\u00fasica eletr\u00f4nica com  a org\u00e2nica poderia apresentar algo novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 o ouvi dizer que \u201cMilonga para los Perros\u201d foi um divisor de \u00e1guas para o Projeto Cccoma. Por que essa can\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o importante?<\/strong><br \/>\nPorque ela nos ajudou na tarefa de nos posicionarmos como um duo eletr\u00f4nico do extremo sul do Brasil. O Rio Grande do Sul, por uma s\u00e9rie de quest\u00f5es geogr\u00e1ficas, hist\u00f3rica e comportamentais, n\u00e3o tem apresentado nada de muito novo ao Brasil. Estamos ainda muito presos \u00e0 est\u00e9tica \u201crock ga\u00facho\u201d. Isso foi bom por um tempo, mas como aqui tudo tem que virar uma tradi\u00e7\u00e3o intoc\u00e1vel, penso que o mesmo aconteceu com esse g\u00eanero. Uma boa parte dos novos m\u00fasicos do Rio Grande do Sul est\u00e1 seguindo uma tradi\u00e7\u00e3o. E a\u00ed, nada de novo pode se criar. \u00c9 quase uma religi\u00e3o. Assim como \u00e9 o tradicionalismo ga\u00facho. Quando existe um \u201cismo\u201d no final da palavra, \u00e9 um sinal de que ali existe um dogma. Garanto a voc\u00ea que tanto eu como o Beto passamos longe de qualquer \u201cismo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 not\u00e1vel a diferen\u00e7a do \u201cPeregrino\u201d em rela\u00e7\u00e3o aos dois discos anteriores. N\u00e3o s\u00f3 na produ\u00e7\u00e3o, mas nos arranjos, nas harmonias, na \u201dorganicidade\u201d (em termos de soarem mais naturais) das composi\u00e7\u00f5es.  O que provocou essa mudan\u00e7a?<\/strong><br \/>\nO \u201cPeregrino\u201d \u00e9 um CD feito em cinco meses de trabalho quase que di\u00e1rio. Os outros anteriores foram feitos em 45 dias, talvez um pouco mais. O \u201cPeregrino\u201d foi produzido ap\u00f3s algumas andan\u00e7as, j\u00e1 t\u00ednhamos cumprido uma parte do trajeto. Acho natural e obrigat\u00f3rio que os discos sejam sempre mais maduros com o passar do tempo. Al\u00e9m disso, quando lan\u00e7amos o document\u00e1rio do qual te falei, larguei o trabalho que pagava minhas contas pra me dedicar somente \u00e0 m\u00fasica. Acho que essa seja a raz\u00e3o principal da diferen\u00e7a. Quando produzimos este CD, eu era 100% m\u00fasico. No CD anterior, \u201cIncoming Jazz\u201d, a m\u00fasica entrava quando eu conseguia um tempinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando sai o pr\u00f3ximo?<\/strong><br \/>\nSai este ano. J\u00e1 estamos produzindo algumas m\u00fasicas. N\u00e3o sei quando vamos lan\u00e7\u00e1-lo, mas garanto que estamos tentando encontrar formas de ampliar nosso di\u00e1logo com o p\u00fablico. Teremos algumas m\u00fasicas cantadas, e provavelmente um disco mais r\u00edtmico, menos contemplativo, que o \u201cPeregrino\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/AdiGIsKJa8c\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/AdiGIsKJa8c\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando em peregrinar: imagino que as viagens para tocar fora alimentem e inspirem as composi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nClaro que sim. Qualquer viagem! Quando tocamos num festival, ao lado de Felipe Cordeiro, ou de Maria Jo\u00e3o, ou de Chucho Valdez, n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o ser tocado pela m\u00fasica deles. Cada vez que assisto a um show que gosto, minha forma de entender a m\u00fasica se transforma. Sou um buscador de novas possibilidades sonoras, e poder ver e ouvir m\u00fasica \u201cbem elaborada\u201d \u00e9 sorte tremenda. A gente fez uma escolha de tocar mais em festivais do que em clubes ou bares. Com isso tocamos menos vezes, mas sempre temos bastante p\u00fablico e podemos assistir a outros colegas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vi uma entrevista de 2011 em que voc\u00eas se mostravam reticentes quanto \u00e0 participa\u00e7\u00e3o nos coletivos de artistas independentes.  E voc\u00eas permanecem distantes deles, at\u00e9 hoje. Depois de tudo o que envolveu o Fora do Eixo, como voc\u00eas veem essa organiza\u00e7\u00e3o em coletivos hoje?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o acredito em artista independente. A gente sempre est\u00e1 dependente. Dependemos que o poder p\u00fablico apoie nossos projetos. Dependemos que o patrocinador entenda que a m\u00fasica que fazemos n\u00e3o toca na TV, mas mesmo assim ser\u00e1 bom pra marca dele estar ao nosso lado. Dependemos que os festivais nos chamem pra tocar. Dependemos, dependemos, dependemos\u2026 Acho que o FdE cumpriu um papel importante de forma\u00e7\u00e3o e acho que eles est\u00e3o se reorganizando e se reavaliando. Aqui no RS, o pessoal de Santa Maria, do Macondo Coletivo, faz um trabalho muito bom e respons\u00e1vel. Aqui em nossa cidade, o pessoal que era ligado ao FdE, agora trabalha com a gente no Festival Brasileiro de M\u00fasica de Rua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, voc\u00ea \u00e9 um dos organizadores deste festival. Fale um pouco sobre ele, e o que esperar para a edi\u00e7\u00e3o de 2015.<\/strong><br \/>\nEm 2015, caso a gente capte todos os patroc\u00ednios, o festival vai crescer bastante. A gente vai trazer cada vez mais artistas latino-americanos, cada vez mais a m\u00fasica de raiz\u2026 E sempre com todas as atividades gratuitas. A proposta do Festival Brasileiro de M\u00fasica de Rua \u00e9 pegar as pessoas pelo bra\u00e7o e fazerem-nas escutar m\u00fasica da melhor qualidade poss\u00edvel, dos g\u00eaneros mais diversos\u2026 \u00c9 levar a m\u00fasica que a TV n\u00e3o mostra at\u00e9 onde as pessoas est\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hoje, com o festival e o Ccoma, \u00e9 poss\u00edvel dizer que voc\u00ea vive exclusivamente de m\u00fasica, como sonham v\u00e1rios m\u00fasicos independentes?<\/strong><br \/>\nSim!  Foi uma escolha que fiz quando finalizamos o doc. Me perguntei: \u201cent\u00e3o fa\u00e7o um document\u00e1rio que se chama  \u2018Profiss\u00e3o: M\u00fasico&#8217;, e n\u00e3o tenho essa profiss\u00e3o.\u201d.  Algo estava errado.  Foram quatro anos de muito trabalho pra entender a din\u00e2mica do neg\u00f3cio da m\u00fasica neste momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/B90XxJYzGgs\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/B90XxJYzGgs\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/DZbYkRVps4k\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/DZbYkRVps4k\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/SHxf5wkbVvc\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/SHxf5wkbVvc\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; <span>Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a><span>) no Scream &amp; Yell. <\/span><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Coutto Orchestra: &#8220;Enxergamos o download gratuito como algo muito positivo&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/03\/04\/cenario-download-alcance\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; V\u00eddeos e fotos do show da Coutto Orchestra no Prata da Casa, em S\u00e3o Paulo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2014\/06\/06\/prata-da-casa-4-coutto-orchestra\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Projeto Ccoma no El Mapa de Todos: &#8220;M\u00fasica suja, sacana e bonita&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/11\/18\/balancao-festival-el-mapa-de-todos-2014\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas\n&#8220;N\u00e3o acredito em artista independente. A gente sempre est\u00e1 dependente. Do poder p\u00fablico, do patrocinador, de festivais&#8230;&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/02\/12\/entrevista-projeto-ccoma\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29137"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29137"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29137\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58250,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29137\/revisions\/58250"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29137"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29137"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29137"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}