{"id":28997,"date":"2015-02-04T19:51:11","date_gmt":"2015-02-04T21:51:11","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=28997"},"modified":"2023-06-06T23:56:39","modified_gmt":"2023-06-07T02:56:39","slug":"entrevista-paulo-henrique-fontenelle","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/02\/04\/entrevista-paulo-henrique-fontenelle\/","title":{"rendered":"Entrevista: &#8220;Quem for ver o filme vai conhecer outra C\u00e1ssia Eller&#8221;, afirma o diretor Paulo Henrique Fontenelle"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher, sou minha m\u00e3e e minha filha, minha irm\u00e3, minha menina\u201d. Os versos de Renato Russo em \u201c\u20191\u00ba de Julho\u201d, can\u00e7\u00e3o escrita especialmente para C\u00e1ssia Eller, talvez sejam os que melhor simbolizem a personalidade da cantora, morta em 2001. Russo, no entanto, n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico a tentar decifrar a esfinge-Eller: lan\u00e7ado no \u00faltimo dia 29 de janeiro, o document\u00e1rio \u201cC\u00e1ssia Eller\u201d, do diretor Paulo Henrique Fontenelle, quer mostrar ao mundo as m\u00faltiplas facetas da artista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMuita gente s\u00f3 conhecia a C\u00e1ssia pelo que via na TV e nos shows, com a imagem da mulher que cospe e mostra os peitos em um show. Quem for ver o filme vai conhecer outra C\u00e1ssia: amiga, irm\u00e3 e m\u00e3e de fam\u00edlia\u201d, explica o cineasta, que come\u00e7ou a conceber o filme em 2010. Segundo ele, a fa\u00edsca para a realiza\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio foi a aus\u00eancia de trabalhos sobre a artista. \u201cEstava em casa ouvindo um disco dela e queria saber mais sobre sua hist\u00f3ria. Tirando uma biografia fora de cat\u00e1logo, n\u00e3o havia nada: nenhum filme, nenhum document\u00e1rio\u201d, diz Fontenelle, que demorou quatro anos para realizar o projeto, baseado em cerca de 40 entrevistas e com mais de 400 horas de imagens de arquivo. \u201cCada fita que a gente conseguia encontrar parecia um Santo Graal\u201d, brinca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 a primeira vez, por\u00e9m, que Fontenelle se depara com um biografado de trajet\u00f3ria pol\u00eamica e sens\u00edvel: sua estreia em longas-metragem foi com \u201cLoki\u201d, de 2008, que contava a hist\u00f3ria do mutante Arnaldo Baptista de forma delicada. Feito em parceria com o Canal Brasil, o filme acabou promovendo uma revitaliza\u00e7\u00e3o da obra de Arnaldo, com novas edi\u00e7\u00f5es de seus discos e a volta do artista aos palcos. \u00c9 gra\u00e7as a \u201cLoki\u201d que o cineasta conseguiu a autoriza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia de C\u00e1ssia Eller para fazer seu filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA Eug\u00eania [companheira de C\u00e1ssia durante 15 anos] tinha uma resist\u00eancia ao projeto, mas como ela e o Chic\u00e3o [filho da cantora] tinham gostado do \u2018Loki\u2019, eles aceitaram conversar comigo\u201d, conta o diretor. \u201cEla s\u00f3 me pediu para que mostrasse tudo da C\u00e1ssia: as drogas, os casos amorosos, mas tamb\u00e9m o lado fam\u00edlia e companheiro\u201d, completa o diretor, que tamb\u00e9m realizou \u201cDossi\u00ea Jango\u201d em 2013 \u2013 uma esp\u00e9cie de filme den\u00fancia sobre as circunst\u00e2ncias da morte do ex-presidente Jo\u00e3o Goulart.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista a seguir, realizada em S\u00e3o Paulo poucos dias antes da estreia comercial do filme, Fontenelle explica os detalhes da produ\u00e7\u00e3o de \u201cC\u00e1ssia Eller\u201d e conta como come\u00e7ou a fazer document\u00e1rios, al\u00e9m de falar sobre as diferen\u00e7as entre seu novo trabalho e o filme de Arnaldo Baptista e a mudan\u00e7a de percep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico sobre o document\u00e1rio. \u201cAs pessoas est\u00e3o descobrindo que o document\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 mais aquela coisa chata dos anos 80, um filme de duas horas que mostrava a pesca do camar\u00e3o\u201d, brinca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Beatleman\u00edaco, o cineasta ainda faz sua lista flemingniana de docs sobre m\u00fasica e opina sobre a perspectiva do cinema como neg\u00f3cio no Brasil. \u201cPara mim, a cinematografia brasileira \u00e9 a melhor do mundo: temos uma diversidade de temas, hist\u00f3rias e estilos sem igual. Dif\u00edcil \u00e9 chegar at\u00e9 o p\u00fablico\u201d, avalia. Com a palavra&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/URc7JzKFm4Y\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/URc7JzKFm4Y\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00ea quer com \u201cC\u00e1ssia Eller\u201d?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma maneira de prestar homenagem, mas tamb\u00e9m de mostrar a C\u00e1ssia Eller que as pessoas n\u00e3o conheceram. Acho que todo mundo que cresceu nos anos 1990 teve a C\u00e1ssia como trilha sonora de suas vidas, mas s\u00f3 a conhecia pelo que a gente via na televis\u00e3o e nos shows: a imagem da mulher que cospe, que mostra os peitos no meio do show. \u00c9 uma vis\u00e3o reducionista. Quem for ver o filme vai conhecer outra C\u00e1ssia Eller, que era o oposto de sua imagem p\u00fablica: amiga, m\u00e3e de fam\u00edlia e tamb\u00e9m artista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tenho a impress\u00e3o de que, al\u00e9m de s\u00f3 conhecerem a C\u00e1ssia artista, as pessoas conhecem pouco a obra dela. Muita gente s\u00f3 foi escut\u00e1-la depois do \u201cCom Voc\u00ea&#8230; Meu Mundo Ficaria Completo\u201d (1999), que \u00e9 o \u00faltimo disco de est\u00fadio dela.<\/strong><br \/>\nExatamente. No filme, tentamos mostrar toda a carreira da C\u00e1ssia \u2013 incluindo a pr\u00e9-hist\u00f3ria, com imagens dos shows dela em barzinhos de Bras\u00edlia. Passamos tamb\u00e9m pelos primeiros discos, muito voltados para a m\u00fasica paulista, Arrigo Barnab\u00e9, Itamar Assump\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o pouco falados, e pelo show \u201cViol\u00f5es\u201d, de 1995, que foi quando ela come\u00e7ou a fazer um pouco de sucesso. At\u00e9 aquele momento, \u201cPor Enquanto\u201d [vers\u00e3o da can\u00e7\u00e3o da Legi\u00e3o Urbana inclusa no primeiro disco de C\u00e1ssia, hom\u00f4nimo, de 1990] at\u00e9 tocava nas r\u00e1dios, mas era s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E por que falar de C\u00e1ssia Eller agora? Como nasceu esse projeto?<\/strong><br \/>\nNa verdade, o projeto come\u00e7ou h\u00e1 quatro anos, como uma curiosidade pr\u00f3pria minha. Tinha acabado de fazer o \u201cLoki\u201d (2008), e j\u00e1 estava no processo de fazer o \u201cDossi\u00ea Jango\u201d (2012), e estava em casa ouvindo um disco da C\u00e1ssia em casa. Foi quando eu tive vontade de saber mais sobre ela, porque ela fez parte da minha vida. Fui procurar, e vi que n\u00e3o tinha quase nada publicado ou escrito sobre a vida dela, a n\u00e3o ser uma biografia fora de cat\u00e1logo [\u201cApenas uma Garotinha\u201d, publicada pela editora Planeta em 2005]. N\u00e3o tinha tamb\u00e9m nenhum filme ou document\u00e1rio para assistir se eu quisesse saber mais sobre ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c0 exce\u00e7\u00e3o da biografia, voc\u00ea fez o filme sem ter uma boa bibliografia. Como foi seu trabalho de pesquisa?<\/strong><br \/>\nFoi a parte mais dif\u00edcil. O que eu fiz foi tentar descobrir quem era C\u00e1ssia Eller atrav\u00e9s dos depoimentos, quase como em uma investiga\u00e7\u00e3o policial \u2013 semelhante ao que eu j\u00e1 tinha feito no \u201cDossi\u00ea Jango\u201d. Fui colhendo material de arquivo, lendo hist\u00f3rias, entrevistando mais de quarenta pessoas, para conseguir montar um painel de quem foi ela. Fui a todas as televis\u00f5es e procurei por grava\u00e7\u00f5es caseiras feitas pelos amigos \u2013 acabei tendo mais de 400 horas de material para usar no filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi a negocia\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia para que o filme pudesse ser feito?<\/strong><br \/>\nIsso foi mais tranquilo: em 2011, eu fiz minha primeira imers\u00e3o no \u201cuniverso C\u00e1ssia Eller\u201d em uma viagem de tr\u00eas dias para Macei\u00f3. A R\u00fabia, irm\u00e3 dela, estava organizando um show tributo para a C\u00e1ssia, e seria a primeira vez que os m\u00fasicos da banda iriam se reunir ap\u00f3s a morte. Ali, eu me identifiquei muito com a R\u00fabia e vice-versa. A partir disso, a fam\u00edlia foi bem tranquila e sol\u00edcita quando ao document\u00e1rio. Talvez, a dificuldade maior tenha sido convencer a Maria Eug\u00eania, a companheira da C\u00e1ssia. Foi a primeira pessoa que a gente contatou quando tivemos a ideia do filme, ainda em 2010. Eu j\u00e1 tinha quase desistido do projeto quando a resposta chegou, mais de um m\u00eas depois. A princ\u00edpio, ela disse que a resposta seria n\u00e3o, mas como ela e o Chic\u00e3o tinham visto e gostado muito do \u201cLoki\u201d, eles aceitaram conversar comigo. A \u00fanica exig\u00eancia que ela fez \u00e9 que eu mostrasse a C\u00e1ssia por inteiro. Ela falou: \u201cQuero que voc\u00ea fa\u00e7a um filme que n\u00e3o santifique nem estigmatize a C\u00e1ssia. Pode falar sobre drogas, sobre casos amorosos, mas tamb\u00e9m fale do lado fam\u00edlia e companheiro dela, de todas as contradi\u00e7\u00f5es que faziam dela uma pessoa especial e \u00fanica\u201d. Em um momento em que a gente est\u00e1 discutindo biografias autorizadas, \u00e9 um para\u00edso encontrar algu\u00e9m assim, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/g-z88n8Y9WU\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/g-z88n8Y9WU\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m da Eug\u00eania, voc\u00ea tamb\u00e9m tinha que lidar com o Chic\u00e3o, o filho da C\u00e1ssia. Como foi?<\/strong><br \/>\nEle \u00e9 um cara muito legal. O \u00fanico problema \u00e9 que ele \u00e9 muito t\u00edmido, algo que ele herdou da C\u00e1ssia. Ele ficava todo nervoso na hora que a gente tentava gravar entrevistas, mas \u00e9 um cara que adora m\u00fasica. Tivemos uma grande conviv\u00eancia enquanto eu fazia o filme. Quando a C\u00e1ssia morreu, ele era pequeno, ent\u00e3o ele n\u00e3o tinha muitas lembran\u00e7as dela. Toda vez que eu ligava para ele, ele pedia para ir \u00e0 minha casa ver o material que eu estava recolhendo, tentando saber mais sobre a m\u00e3e dele. Foi muito bacana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que voc\u00ea encontrou de material que as pessoas nunca viram?<\/strong><br \/>\nPara mim, pesquisa de imagens \u00e9 a parte mais fant\u00e1stica de um document\u00e1rio. \u00c9 algo que eu privilegio bastante, mas \u00e9 a parte mais penosa. Cada fita que a gente consegue achar \u00e9 um Santo Graal. Al\u00e9m das grava\u00e7\u00f5es caseiras, achamos coisas incr\u00edveis como o parto do Chic\u00e3o, a C\u00e1ssia cantando em festinhas de anivers\u00e1rio ou tocando Billie Holliday em um teatro em Bras\u00edlia aos 16 anos. O que ela mais gostava de fazer era cantar \u2013 n\u00e3o importava se ia fazer sucesso ou n\u00e3o. Tanto que, no auge da fama, logo depois de estourar com \u201cO Segundo Sol\u201d (em 1999), ela come\u00e7ou a ficar de saco cheio de tantos shows. Por v\u00e1rias vezes, ela pegava a banda dela, fugia do empres\u00e1rio e ia para uma cidade do interior tocar em uma churrascaria ou em um clubinho pequeno. Imagina: o cara t\u00e1 ali comendo uma picanha e de repente aparece a C\u00e1ssia Eller cantando? E n\u00f3s conseguimos umas imagens desses shows piratas que ela fazia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O fato de ela ter feito carreira em uma \u00e9poca que mais pessoas j\u00e1 tinham c\u00e2meras de v\u00eddeo foi algo que ajudou a tua pesquisa, em compara\u00e7\u00e3o com o \u201cLoki\u201d e o \u201cDossi\u00ea Jango\u201d?<\/strong><br \/>\nFacilitou bastante. No \u201cLoki\u201d, eu tive dois problemas s\u00e9rios: al\u00e9m de precisar recorrer a tudo que era televis\u00e3o, a conserva\u00e7\u00e3o dos filmes era muito complicada. A C\u00e1ssia j\u00e1 pegou a era do VHS, e isso tornou as coisas mais f\u00e1ceis \u2013 pelo menos com as pessoas que conseguiram n\u00e3o mofar suas fitas. Uma vez, eu consegui achar uma caixa com sete fitas de duas horas, tudo da C\u00e1ssia Eller. Fui l\u00e1 e peguei a caixa, e quando apertei o play, estava tudo desmagnetizado\u2026 (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vou tomar a liberdade de fazer um exerc\u00edcio de futurologia. Daqui a alguns anos, quando algu\u00e9m quiser fazer um document\u00e1rio sobre os anos 2010, a profus\u00e3o de v\u00eddeos e imagens vai ser um problema? Como voc\u00ea imagina o futuro do document\u00e1rio nesse sentido?<\/strong><br \/>\nP\u00f4, mas eu acho que quanto mais, melhor. Para o montador, ter muito material \u00e9 uma coisa triste, mas para o diretor \u00e9 \u00f3timo. No meu caso, como sou as duas coisas, acabo ficando no meio termo. Dif\u00edcil vai ser achar alguma coisa in\u00e9dita, porque tudo j\u00e1 vai estar no YouTube, mas acho que, quanto mais imagens existirem, melhor. \u00c9 quest\u00e3o de saber lidar com o desapego: teve muita coisa no \u201cC\u00e1ssia Eller\u201d que ficou de fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que ficou de fora, por exemplo?<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m de \u00f3timas imagens de shows e imagens caseiras, teve \u00f3timas entrevistas que, apesar de serem sensacionais, iam criar \u201cbarriga\u201d no filme. Gente como Luiz Melodia, Frejat, Milton Nascimento, que me fizeram chorar nas grava\u00e7\u00f5es, mas cujos depoimentos emocionados eu tive de cortar. Foi dif\u00edcil. Quem sabe isso n\u00e3o aparece na edi\u00e7\u00e3o em DVD?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-28999\" title=\"cassia1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/cassia1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao fazer um document\u00e1rio, voc\u00ea acaba se tornando um pouco \u201cdono\u201d do assunto do teu filme. Como funciona isso para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nMas eu n\u00e3o sou dono do assunto: s\u00f3 tive a oportunidade de mostrar um lado da hist\u00f3ria que as pessoas n\u00e3o conheciam. \u00c9 um trabalho \u00e1rduo: como sou roteirista, diretor e montador, fico muito envolvido. Depois de quatro anos nesse projeto, talvez seja hora de descansar \u2013 mas n\u00e3o descansar dos temas dos meus filmes. Vou sempre continuar ouvindo a C\u00e1ssia Eller e o Arnaldo Baptista apaixonadamente. N\u00e3o existe isso de ser dono da hist\u00f3ria: eu sou s\u00f3 uma refer\u00eancia, mas espero que outros trabalhos aconte\u00e7am.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma boa para perguntar ent\u00e3o: afinal, quem \u00e9 Paulo Henrique Fontenelle? Por que ele faz document\u00e1rios?<\/strong><br \/>\nComecei a fazer cinema em 2000. Trabalhei como editor de televis\u00e3o desde 1996, primeiro no Multishow, depois no Canal Brasil, e sempre quis fazer cinema. Tamb\u00e9m fui assistente de montagem do Roberto Santucci nos primeiros filmes dele. Hoje, ele faz v\u00e1rias com\u00e9dias da Globo Filmes, mas no come\u00e7o ele fazia uns thrillers, como \u201cOl\u00e9 &#8211; Um Movie Cabra da Peste\u201d (2000) e \u201cBellini e a Esfinge\u201d (2001). Aprendi muita coisa de montagem e dire\u00e7\u00e3o com ele. Em 2005, resolvi fazer meu primeiro filme, mas n\u00e3o tinha dinheiro nenhum. Um amigo sugeriu fazer um document\u00e1rio, j\u00e1 que a gente n\u00e3o tinha grana para fazer fic\u00e7\u00e3o. \u201cMas tinha que ser uma hist\u00f3ria que parecesse ser de fic\u00e7\u00e3o\u201d, disse ele. Foi a\u00ed que n\u00f3s fizemos um curta-metragem chamado \u201cMauro Shampoo \u2013 Jogador, Cabeleireiro e Homem\u201d, a hist\u00f3ria de um jogador do \u00cdbis Esporte Clube, o time pernambucano que entrou no Guinness Book como o pior time de todos os tempos. Mauro Shampoo era o camisa 10 titular, e mesmo tendo jogado 10 anos no \u00cdbis, s\u00f3 fez um gol. Al\u00e9m disso, ele era cabeleireiro. E homem! \u00c9 importante frisar: e homem! Era um document\u00e1rio de 22 minutos, feito com R$ 500 e uma equipe de tr\u00eas pessoas: eu, meu amigo, e a namorada dele. Acabamos ganhando mais de 20 pr\u00eamios pelo mundo depois que o filme estreou, em 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E do \u201cMauro Shampoo\u201d para o \u201cLoki\u201d, como foi?<\/strong><br \/>\nEm 2005, eu trabalhava no Canal Brasil, dentro de um programa chamado \u201cLuz, C\u00e2mera, Can\u00e7\u00e3o\u201d, em que a gente entrevistava cineastas dizendo como a m\u00fasica influenciou na arte deles, e vice-versa. O Andr\u00e9 Saddy, que era gerente do Canal Brasil, era fan\u00e1tico por Mutantes e pilhou a gente para ir entrevistar o Arnaldo Baptista. Eu respondi: \u201cquem \u00e9 Arnaldo Baptista?\u201d. \u201c\u00c9 o cara dos Mutantes, ele tem uma hist\u00f3ria maravilhosa\u201d. Nisso, eu me lembrei de uma mat\u00e9ria que tinha visto com o Arnaldo muito tempo antes, em que ele dizia algo como \u201cagora eu vou me dedicar a descobrir porque as baratas n\u00e3o v\u00e3o morrer caso ocorra uma hecatombe nuclear\u201d, e a mat\u00e9ria terminava com \u201cBalada do Louco\u201d. Fui para Juiz de Fora sem conhecer os discos, ouvindo na van para fazer a pauta, e quando passei a tarde inteira com ele, acabei tendo uma epifania. Ele parece um cara que est\u00e1 em outra esfera, falando coisas sem sentido, mas, na van, eu pensava nelas e descobri que ele tinha toda a raz\u00e3o. Acabei passando 2005 inteiro fazendo entrevistas para fazer um especial de meia hora de dura\u00e7\u00e3o com ele. Quando foi para o ar, achei bacana, mas parecia um desperd\u00edcio contar a hist\u00f3ria do Arnaldo Baptista em meia hora. A\u00ed, tentamos fazer um programa de uma hora, mas no meio do caminho, resolvi que ia ser um filme. Logo depois disso, os Mutantes se juntaram para tocar em Londres e eu fui junto filmar. A\u00ed, foram mais tr\u00eas anos de trabalho, convivendo intensamente com o Arnaldo. No fim, foi legal porque acabou mudando a vida dele \u2013 ele at\u00e9 voltou a fazer shows!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/J3NlWOVA5FY\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/J3NlWOVA5FY\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na realiza\u00e7\u00e3o, como o \u201cC\u00e1ssia Eller\u201d \u00e9 diferente do \u201cLoki\u201d?<\/strong><br \/>\nA grande dificuldade no \u201cC\u00e1ssia Eller\u201d foi o fato de n\u00e3o poder entrevist\u00e1-la. No \u201cLoki\u201d, sempre que eu tinha uma d\u00favida ou precisava de mais uma entrevista, o Arnaldo Baptista estava \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. A ideia de pedir para que ele pintasse um quadro sobre a vida dele surgiu dessa disponibilidade dele, da possibilidade dele estar presente. Era bom tamb\u00e9m para gerar imagens de cobertura. Com a C\u00e1ssia, infelizmente, n\u00e3o teve isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como um documentarista que tamb\u00e9m faz suas vezes de bi\u00f3grafo, como \u00e9 fazer filmes em um pa\u00eds no qual as biografias n\u00e3o autorizadas s\u00e3o proibidas?<\/strong><br \/>\nEu sou totalmente a favor de acabar com essa proibi\u00e7\u00e3o. \u00c9 complicado escrever uma hist\u00f3ria sem autoriza\u00e7\u00e3o \u2013 fazer um filme, nem se fala. \u00c9 dific\u00edlimo fazer um filme de den\u00fancia. \u00c9 aquela coisa: se eu quiser fazer um filme sobre o governo M\u00e9dici, vou ter que pedir autoriza\u00e7\u00e3o para a fam\u00edlia para falar sobre as torturas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A coisa come\u00e7a a ficar em um n\u00edvel kafkaniano\u2026<\/strong><br \/>\n(risos) Sim! A gente precisa entender nossa hist\u00f3ria da maneira correta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acha que a C\u00e1ssia deixou herdeiras na m\u00fasica brasileira?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o acho. Ela foi um vazio que ficou na m\u00fasica e n\u00e3o vai ser preenchido. Ela tinha uma sinceridade e uma cultura musical incr\u00edvel: ela cantava no que acreditava, sem ser moldada por gravadoras, e cantava de samba a Nirvana sem querer parecer ser \u201cecl\u00e9tica\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cAc\u00fastico MTV\u201d dela prova isso.<\/strong><br \/>\n\u00c9 um disco que vai para todos os lados, mas de uma maneira muito natural. Al\u00e9m disso, essa hist\u00f3ria que eu comentei de tocar em churrascaria mostra a paix\u00e3o dela pela m\u00fasica. \u00c9 essa sinceridade que a fez ser quem \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A hist\u00f3ria da C\u00e1ssia Eller tamb\u00e9m tem uma quest\u00e3o importante ap\u00f3s a morte dela, que \u00e9 a batalha da Maria Eug\u00eania para ter a guarda do Chic\u00e3o. Como voc\u00ea mostra isso no filme?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma quest\u00e3o forte para n\u00f3s. No filme, n\u00f3s mostramos todo o processo, com a ang\u00fastia da Eug\u00eania de ter perdido a companheira e ser amea\u00e7ada de perder o filho. Para mim, esse foi \u00faltimo ato de revolu\u00e7\u00e3o da C\u00e1ssia. Com esse caso, ela abriu um precedente que faz com que as pessoas falem mais sobre o assunto. Nos anos 1990, quando havia grande preconceito, ela assumiu a homossexualidade dela, meio \u201csou sapat\u00e3o mesmo\u201d. Todo mundo a chamava de sapat\u00e3o, isso e aquilo, e de repente ela aparece linda, gr\u00e1vida. \u201cP\u00f4, mas como assim? Quem \u00e9 o pai?\u201d, e ela respondia que o pai era ela mesmo, que era ela quem ia criar. Tudo o que ela fazia era de uma maneira sempre sincera. Mesmo sem dar entrevistas, e n\u00e3o gostando de falar, ela disse muita coisa que ajudou a mudar a vida de muita gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea v\u00ea o momento dos document\u00e1rios no Brasil?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma cena que tem crescido muito. As pessoas est\u00e3o descobrindo que o document\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 mais aquela coisa chata dos anos 80, um filme de duas horas que mostrava a pesca do camar\u00e3o. N\u00f3s deixamos a fase do cinema verdade para tr\u00e1s, e estamos nos preocupando mais com aspectos como montagem e trilha sonora, que acaba atraindo p\u00fablico. E h\u00e1 diversidade: voc\u00ea tem um filme como o \u201cElena\u201d, da Petra Costa, que \u00e9 uma coisa mais subjetiva, ou o \u201cSimonal \u2013 Ningu\u00e9m Sabe O Duro Que Dei\u201d, um filme mais emocionado. Fiquei muito feliz com o fato do \u201cC\u00e1ssia Eller\u201d ter esgotado ingressos no Festival do Rio e ter ganhado um pr\u00eamio de p\u00fablico concorrendo contra longas de fic\u00e7\u00e3o. \u00c9 algo que mostra a valoriza\u00e7\u00e3o do formato.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/izGLQUGZZMs\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/izGLQUGZZMs\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o cinema brasileiro enquanto neg\u00f3cio?<\/strong><br \/>\nPara mim, a cinematografia brasileira \u00e9 a melhor do mundo. Digo isso sem querer ser pol\u00edtico. Temos uma diversidade de temas, hist\u00f3rias e estilos sem igual, at\u00e9 mesmo pelo tamanho do Brasil. O cinema do Nordeste \u00e9 muito diferente do cinema do Sul e do eixo Rio-SP. Dif\u00edcil, agora, \u00e9 chegar at\u00e9 o p\u00fablico. Acho que a cota de telas estabelecida agora pelo governo pode ser uma iniciativa interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por outro lado, uma pol\u00edtica dessas n\u00e3o pode afastar o p\u00fablico do cinema? H\u00e1 a chance de o cara olhar o guia da semana e n\u00e3o se interessar por nada que est\u00e1 em cartaz.<\/strong><br \/>\nMas como o cara vai saber se o filme \u00e9 chato ou n\u00e3o sem nem ao menos ver o filme? (risos). Tem que incentivar o cara a ver o filme. O preconceito de que filme brasileiro s\u00f3 mostra droga, putaria, palavr\u00e3o e tem som ruim \u00e9 algo totalmente antiquado. Quanto mais n\u00f3s mostrarmos nossos filmes, mais r\u00e1pido esse preconceito vai acabar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hora das listas: como um cara que j\u00e1 fez dois docs sobre m\u00fasica, quero um top 5 de document\u00e1rios musicais.<\/strong><br \/>\nComo beatleman\u00edaco, preciso citar o \u201cBeatles Anthology\u201d (1995), que \u00e9 maravilhoso. Quando eu fiz o \u201cLoki\u201d, pensava que um dia precisava fazer o \u201cMutantes Anthology\u201d. Gosto do \u201cThe Devil and Daniel Johnston\u201d (2005). Outro bom \u00e9 o que o Martin Scorsese fez sobre o George Harrison, \u201cLiving in a Material World\u201d (2011). Dos brasileiros tem o \u201cSimonal\u201d (2009), que \u00e9 bem legal. P\u00f4, t\u00f4 tentando lembrar da minha prateleira de DVDs e n\u00e3o consigo&#8230; Para fechar, o \u201cSearching for Sugarman\u201d (2012).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea come\u00e7ou o \u201cDossi\u00ea Jango\u201d depois de fazer o \u201cLoki\u201d, e come\u00e7ou o \u201cC\u00e1ssia Eller\u201d enquanto fazia o \u201cDossi\u00ea Jango\u201d. E agora, o que voc\u00ea j\u00e1 come\u00e7ou?<\/strong><br \/>\nAs minhas f\u00e9rias! Desde 2006, estou trabalhando e fazendo filmes. Vai ser a primeira vez que eu vou parar um pouco. Estou com algumas ideias na cabe\u00e7a, mas n\u00e3o h\u00e1 nada concreto. Vou ficar um m\u00eas fora, e quando eu voltar come\u00e7o a colocar as coisas no papel, mas n\u00e3o tenho nenhum projeto firme ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda falando sobre o cinema como neg\u00f3cio, voc\u00ea tem alguma expectativa de p\u00fablico para o \u201cC\u00e1ssia Eller\u201d?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei. Sem demagogia, quando fa\u00e7o um filme, n\u00e3o me preocupo se ele vai render. S\u00e9rio mesmo. O \u201cLoki\u201d, por exemplo, deu 20 mil pessoas em bilheteria, mas \u00e9 um filme que se tornou conhecido com a divulga\u00e7\u00e3o no boca-a-boca, via internet, e as pessoas ainda est\u00e3o descobrindo o filme. Acho que o \u201cC\u00e1ssia Eller\u201d pode seguir o mesmo caminho, talvez com um apelo maior, pela divulga\u00e7\u00e3o que est\u00e1 acontecendo. Os festivais de cinema foram um grande term\u00f4metro, as pr\u00e9-estreias j\u00e1 atra\u00edram bastante gente\u2026 espero s\u00f3 que as pessoas gostem bastante. Eu n\u00e3o gosto de fazer previs\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea consegue sobreviver s\u00f3 fazendo os teus filmes? Imagino que seja um trabalho caro, se dedicar a uma pesquisa de quatro anos, com viagens e v\u00e1rias entrevistas\u2026<\/strong><br \/>\n\u00c9 complicado. Tanto no \u201cLoki\u201d quanto no \u201cJango\u201d, eu trabalhava no Canal Brasil e fazia os filmes paralelamente ao meu emprego. Os dois filmes foram feitos com meu sal\u00e1rio, eu nunca ganhei nada com eles. Se eles vendessem mais ou menos ingressos, para mim n\u00e3o fazia diferen\u00e7a nenhuma. Fa\u00e7o filmes pelo prazer e pelo amor ao cinema. O \u201cC\u00e1ssia Eller\u201d foi o primeiro filme que eu fiz fora do canal. Talvez eu s\u00f3 possa responder essa pergunta com precis\u00e3o daqui a um ano, agora que eu n\u00e3o tenho mais sal\u00e1rio (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra encerrar, uma pergunta batida, mas v\u00e1 l\u00e1: voc\u00ea tem vontade de fazer cinema de \u201cfic\u00e7\u00e3o\u201d?<\/strong><br \/>\nClaro que tenho. Sou viciado em cinema; o primeiro filme que eu queria fazer era de fic\u00e7\u00e3o, e virou document\u00e1rio por falta de dinheiro mesmo. Mas comecei a gostar tanto do document\u00e1rio que comecei a pratic\u00e1-lo. Sinto vontade de fazer fic\u00e7\u00e3o, mas preciso de um bom roteiro. N\u00e3o \u00e9 uma necessidade que eu tenha, como se eu precisasse provar algo para algu\u00e9m. Lembro quando eu fiz o \u201cMauro Shampoo\u201d, ganhei o Festival do Rio, e logo me perguntaram: \u201cP\u00f4, quando voc\u00ea vai fazer um longa?\u201d. Ok, a\u00ed fiz o \u201cLoki\u201d, ganhei pr\u00eamios pra caramba, e a\u00ed os jornalistas diziam: \u201cP\u00f4, parab\u00e9ns, fez um \u00f3timo document\u00e1rio, mas quando \u00e9 que voc\u00ea vai fazer um filme de verdade agora?\u201d. Porra, sabe? (risos). Quando aparecer uma boa hist\u00f3ria, vou atr\u00e1s. Mas sempre que eu come\u00e7o a esbo\u00e7ar um roteiro, acontece alguma coisa na vida real que \u00e9 muito mais surreal que a fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-29000\" title=\"cassia2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/cassia2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"364\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/cassia2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/cassia2-300x180.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@noacapelas<\/a>) \u00e9 jornalista, escreve para o Scream &amp; Yell desde 2010 e assina o blog <a href=\"http:\/\/pergunteaopop.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pergunte ao Pop<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foto de Paulo Henrique Fontenelle por Bruno Capelas \/ Fotos de C\u00e1ssia Eller por Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; 10 anos sem C\u00e1ssia Eller: a chama da cantora permanece forte (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/01\/17\/dez-anos-sem-cassia-eller\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Nando Reis: &#8220;Gosto de fazer m\u00fasicas para poder cantar&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/09\/21\/entrevista-nando-reis\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cLoki\u201d exibe uma sinceridade t\u00e3o toc\u00e1vel que anula qualquer cr\u00edtica (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/10\/29\/mostra-sp-loki-arnaldo-baptista\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; A vers\u00e3o domesticada de C\u00e1ssia Eller ao vivo em Taubat\u00e9, 1999 (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/cassiaeller.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Respons\u00e1vel pelo document\u00e1rio &#8220;Loki&#8221;, sobre Arnaldo Baptista, Paulo fala sobre seu novo projeto: o filme sobre C\u00e1ssia Eller\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/02\/04\/entrevista-paulo-henrique-fontenelle\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":75286,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4,3],"tags":[6499,6733],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28997"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28997"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28997\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":75288,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28997\/revisions\/75288"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/75286"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28997"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28997"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28997"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}