{"id":28928,"date":"2015-01-31T12:28:34","date_gmt":"2015-01-31T15:28:34","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=28928"},"modified":"2025-03-10T13:30:28","modified_gmt":"2025-03-10T16:30:28","slug":"cinema-birdman-de-inarritu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/31\/cinema-birdman-de-inarritu\/","title":{"rendered":"Cinema: &#8220;Birdman&#8221;, de Alejandro I\u00f1\u00e1rritu"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-28929\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"bridman1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/bridman1.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"648\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s um indistinto ru\u00eddo de vozes, uma pancada num prato de bateria \u00e9 o sinal para a largada de \u201cBirdman ou (A Inesperada Virtude da Ignor\u00e2ncia)\u201d (2014), de Alejandro Gonz\u00e1lez I\u00f1\u00e1rritu, e o que se seguir\u00e1 nos 119 minutos de proje\u00e7\u00e3o seguintes ser\u00e1 um exerc\u00edcio pretensioso e plenamente alcan\u00e7ado de rebuscar com ousadas t\u00e9cnicas cinematogr\u00e1ficas a hist\u00f3ria simples de um artista no limite de explodir perante a press\u00e3o \u00e1s v\u00e9speras do momento da cria\u00e7\u00e3o. O resultado final \u00e9 absolutamente esplendoroso, ainda que acrescente mais aos aspectos t\u00e9cnicos de filmagem do que a tem\u00e1tica do artista em crise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tal artista atende pelo nome de Riggan Thomson (Michael Keaton envelhecido e perfeito no papel), um ator que fez muito sucesso interpretando Birdman, um super-her\u00f3i que usa uma capa semelhante a do Batman, voa como o Super-Homem, e se tornou um \u00edcone cultural numa franquia que ganhou duas continua\u00e7\u00f5es. Riggan abandonou o barco quando lhe convidaram para filmar \u201cBirdman 4\u201d, e, ap\u00f3s vagar como um fantasma por Hollywood, decide uma nova cartada atr\u00e1s do reconhecimento como ator: dirigir, roteirizar e estrelar a adapta\u00e7\u00e3o de um texto do escritor Raymond Carver para a Broadway.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-28930\" title=\"birdman2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/birdman2.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7a, ent\u00e3o, o mart\u00edrio de Riggan, que, conforme se aproxima da estreia, sente a press\u00e3o art\u00edstica lhe sufocar tanto que ele quase enlouquece (quase?) num ambiente claustrof\u00f3bico de teatro (palco, coxia, cozinha, camarim) dividido com as atrizes Lesley (Naomi Watts) e Laura (Andrea Riseborough), o ator Mike Shiner (Edward Norton), a filha Sam (Emma Stone), o produtor e advogado Jake (Zach Galifianakis) e a ex-esposa Sylvia (Amy Ryan) amparados por clich\u00eas (o ator que s\u00f3 se excita no palco, as atrizes que se beijam, a jovem que voltou da rehab, o produtor que n\u00e3o deixa o barco afundar) que, surpreendentemente, funcionam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2015\/01\/31\/roteiros-birdman-boyhood-whiplash\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O roteiro brilhante<\/a>, escrito a oito m\u00e3os, segue o padr\u00e3o pretensioso da obra como um todo, pois busca (e consegue) explicitar (em tons c\u00f4micos) o rid\u00edculo dos filmes de super-her\u00f3is, t\u00e3o em voga atualmente em Hollywood, dos v\u00edcios dos bastidores do teatro tanto quanto da cr\u00edtica jornal\u00edstica e dos memes de internet, e ainda \u201cbrinca\u201d metalinguisticamente com a ideia de que a vida imita a arte (e vice-versa): passagens do livro \u201cO que falamos quando falamos de amor\u201d (1981), de Raymond Carver, que est\u00e1 sendo encenado no teatro, s\u00e3o revividas pelos atores em suas vidas pessoais (o marido que atirou uma faca na esposa, a mulher que perdeu um beb\u00ea).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pretens\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 presente nos excelentes <a href=\"http:\/\/www.theguardian.com\/film\/2014\/dec\/04\/tracking-shot-film-making-magic-or-stylistic-self-indulgence-birdman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">planos sequencia<\/a>, que fazem com que o filme seja uma deliciosa maratona quase impenetr\u00e1vel para o espectador (a sensa\u00e7\u00e3o melhora na segunda vez que se v\u00ea o filme), que, embasbacado na poltrona, acompanha a trajet\u00f3ria dos personagens como se estivesse assistindo a uma persegui\u00e7\u00e3o de carros t\u00edpica de filmes de a\u00e7\u00e3o em Hollywood. A hist\u00f3ria vai sendo absorvida de forma vertiginosa, o que ganha impacto com uma trilha sonora impec\u00e1vel movida a m\u00fasicas de Rachmaninoff, Ravel, Bach, Tchaikovsky e Mahler tanto quanto de uma condu\u00e7\u00e3o jazz\u00edstica, nervosa e empolgante de bateria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-28931\" title=\"birdman3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/birdman3.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo \u00e9 intencionalmente exagerado em \u201cBirdman\u201d: o roteiro, a filmagem, a trilha, as atua\u00e7\u00f5es, os clich\u00eas. E tudo funciona de modo brilhante ao fotografar em tr\u00eas dimens\u00f5es a persona de um homem sonhador: no primeiro plano (esse que eu e voc\u00ea vivemos) est\u00e1 Riggan vivendo o mundo real, com seus desejos, d\u00favidas e desafios; no segundo, sua imagina\u00e7\u00e3o, o Homem-P\u00e1ssaro, que faz com que ele questione sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a, levite, arremesse coisas na parede apenas com a for\u00e7a do pensamento e imagine Manhattan sendo invadida por pterod\u00e1ctilos. Como terceiro ponto de foco, a maneira como as pessoas (a filha, o produtor, a cr\u00edtica, os f\u00e3s na rua) o veem. Do choque destas tr\u00eas dimens\u00f5es nasce um grande filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que a tem\u00e1tica do artista em crise j\u00e1 tenha rendido obras fenomenais e (pol\u00eamica?) mais bem acabadas na hist\u00f3ria do cinema (do diretor perdido em \u201cOito e Meio\u201d, de Federico Fellini, ao roteiro absurdamente metalingu\u00edstico e genial de Charlie Kaufman em \u201cAdapta\u00e7\u00e3o\u201d, de Spike Jonze), \u201cBirdman\u201d merece todos os elogios que vem recebendo porque \u00e9 o triunfo de tudo o que cinema pode alcan\u00e7ar quando suas pequenas engrenagens s\u00e3o executadas de forma impec\u00e1vel. Exagerado, pretensioso e divertido, \u201cBirdman\u201d \u00e9 como uma grande can\u00e7\u00e3o do Radiohead: uma estrutura simples envolta num arranjo grandioso. Palmas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/n7kPKVxuz6k\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/n7kPKVxuz6k\" \/><\/object><\/p>\n<p>&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Em \u201cAdapta\u00e7\u00e3o&#8221;, de Spike Jonze, mundo real e imagina\u00e7\u00e3o se misturam (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/04\/08\/esse-voce-precisa-ver-adaptacao\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201c8\u00bd\u201d \u00e9 um dos dois melhores filmes de todos os tempos. Pode escolher o outro (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/01\/filmografia-comentada-federico-fellini\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cBiutiful\u201d, de I\u00f1\u00e1rritu, trata a vida como uma pe\u00e7a preciosa que deve ser respeitada (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/01\/20\/cinema-biutiful-alejandro-inarritu\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Um liquidificador dram\u00e1tico chamado \u201cBabel\u201d, de I\u00f1\u00e1rritu (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinemadois\/babel.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; O moralismo de \u201cAmores Brutos\u201d n\u00e3o incomoda: eis um filme excepcional (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/08\/25\/cinema-contemporaneo-na-america-latina\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Em 90% de &#8220;Amores Brutos&#8221;, de Alejandro I\u00f1arritu, o clima \u00e9 de caos completo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/08\/28\/dvd-amores-brutos-inarritu\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nTudo \u00e9 intencionalmente exagerado em &#8220;Birdman&#8221;: o roteiro, a filmagem, a trilha, as atua\u00e7\u00f5es. 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