{"id":28859,"date":"2002-02-01T10:52:28","date_gmt":"2002-02-01T13:52:28","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=28859"},"modified":"2024-08-27T01:45:50","modified_gmt":"2024-08-27T04:45:50","slug":"musica-the-invisible-band-travis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/02\/01\/musica-the-invisible-band-travis\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: &#8220;The Invisible Band&#8221;, o retrato perfeito do Travis, para o bem e para o mal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-28860  aligncenter\" title=\"travis1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/travis1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo na vida pode ser dividido em bom e ruim, claro, sempre ao gosto do fregu\u00eas. Sorvete de morango \u00e9 delicioso, de creme deixa a desejar, coisas assim. Mas existe a classe intermedi\u00e1ria, aquela que fica entre o bom e o ruim. No caso, o sorvete de abacaxi. A m\u00fasica pop tamb\u00e9m tem seus morangos, cremes e abacaxis. O morango da atualidade atende pelo nome de Radiohead, mas pode ser chamado tamb\u00e9m de Manic Street Preachers. O sorvete de creme t\u00eam v\u00e1rios representantes, mas vamos ficar com Blink 182, ok. E \u00e9 da classe intermedi\u00e1ria, sorvete de abacaxi, que vem o Travis, bandinha escocesa radicada em Londres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fran Heally, o l\u00edder da banda, \u00e9 o que todos chamam de &#8220;um cara delicado&#8221;. Ele e seus amigos lan\u00e7aram tr\u00eas discos at\u00e9 agora. O razo\u00e1vel \u201cGood Feeling\u201d (na cola do Oasis, isso em 97), o sublime \u201cThe Man Who\u201d e o xerox \u201cThe Invisible Band\u201d, \u00e1lbum lan\u00e7ado meses atr\u00e1s, mas que ainda gera discuss\u00f5es onde quer que seja (muito) comentado (e pouco ouvido).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira pista que veio de \u201cThe Invisible Band\u201d era uma brincadeira com o nome do grande \u00e1lbum da banda: \u201cThe Man Two\u201d. Mas, como acontece na maioria das vezes no cinema, a continua\u00e7\u00e3o n\u00e3o supera o original. A culpa, na verdade, nem \u00e9 da banda, mas do p\u00fablico. \u201cThe Invisible Band\u201d \u00e9 o retrato perfeito do quarteto de Glasgow e sugere \u201cThe Man Who\u201d como um belo acidente de percurso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O p\u00fablico que amou \u201cThe Man Who\u201d esperava algo na linha, mas atirar no escuro e acertar no alvo duas vezes \u00e9 muita sorte, para qualquer um. Com isso, certo ar de decep\u00e7\u00e3o paira sobre \u201cThe Invisible Band\u201d. N\u00e3o deveria. O Travis \u00e9 apenas uma bandinha bacana que surgiu num espa\u00e7o de tempo carente de \u00eddolos e na falta de tu, vai tu mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que se pode esperar desses escoceses \u00e9 algo sublime na linha de \u201cThe Man Who\u201d e \u201cThe Man Who\u201d n\u00e3o \u00e9 um \u201cActhung Baby\u201d, n\u00e3o \u00e9 um \u201cNevermind\u201d, n\u00e3o \u00e9 um \u201cOk Computer\u201d e nem um \u201cPsychocandy\u201d, ou seja, n\u00e3o \u00e9 um \u00e1lbum que mere\u00e7a adjetivo maior do que&#8230; sublime? E sublime \u00e9 pouco, n\u00e3o se conven\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com \u201cThe Invisible Band\u201d, o buraco \u00e9 mais embaixo (talvez seja preciso ajoelhar para enxergar). Fran Heally \u00e9 um cara simples que escreve letras simples. Nada de arremedos po\u00e9ticos, ent\u00e3o. O grande problema \u00e9 que suas letras dependem de sua tristeza e a felicidade, meu caro, \u00e9 um p\u00e9ssimo neg\u00f3cio para sua &#8220;arte&#8221;. Assim, a tristeza que sublimou \u201cThe Man Who\u201d faz falta em \u201cThe Invisible Band\u201d. A alegria do l\u00edder (que casou no fim do ano passado e vive uma fase happy) acabou contaminando de pieguice o \u00e1lbum do quarteto. Fran Heally \u00e9 o que todos chamam de um cara de bem com a vida. Sua tristeza j\u00e1 n\u00e3o convence, ent\u00e3o, o que faz soar constrangedor ouvir um puta marmanjo barbado cantando com voz delicada \u201cDear Diary\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como o Eagles nos anos 70 e o Simple Minds nos 80, o Travis \u00e9 uma banda limitada. E assim como o Eagles nunca chegou a ser um Led Zeppelin, assim como o Simple Minds nunca chegou a ser um U2, o Travis nunca chegar\u00e1 a ser um&#8230; Radiohead? Travis sempre ser\u00e1 uma bandinha mediana lan\u00e7ando discos medianos. E s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso tudo n\u00e3o deveria incomodar, mas incomoda. Retrato de uma \u00e9poca, a banda recebe toda luz pop sobre si, abusando da economia nas can\u00e7\u00f5es. Com isso, baladinhas singelas ao viol\u00e3o soam (para alguns) como obras-primas pop. N\u00e3o s\u00e3o. \u00c9 constrangedor que a m\u00fasica pop chegue aonde chegou. Ap\u00f3s Morrisson, Dylan, Cohen e Patti Smith. Ap\u00f3s Curtis e McCuloch, Morrissey e Cobain, o p\u00fablico pop celebra versos como &#8220;Oh, wow, look at you now \/ Flowers in the window \/ It&#8217;s such a lovely day and I&#8217;m glad you feel the same&#8221;. Chega a ser constrangedor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cThe Invisible Band\u201d come\u00e7a com \u201cSing\u201d, o primeiro single do \u00e1lbum. Sabe aquele dito popular &#8220;quem canta, os males espanta&#8221;? Ent\u00e3o, &#8220;If you sing \/ For the love you bring won&#8217;t mean a thing \/ Unless you sing&#8221;. Bonitinha. Na sequ\u00eancia, \u201cDear Diary\u201d, joga tudo janela a fora. As coisas parecem que v\u00e3o tomar rumo na \u00f3tima \u201cSide\u201d, com excelente refr\u00e3o (&#8220;That the grass is always greener on the other side&#8221;), mas \u201cPipe Dreams\u201d volta a deixar as coisas em n\u00edvel mediano. \u201cFlowers In The Window\u201d chega t\u00e3o cafona que \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o rir. Roberto Carlos se saiu melhor em \u201cAs Flores do Jardim da Nossa Casa\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A melhor letra do \u00e1lbum, \u201cThe Cage\u201d, se arrasta na melodia delicada. A bateria, sumida no \u00e1lbum, aparece em \u201cFollows The Light\u201d e, bem, deixa pra l\u00e1, e mais uma dispens\u00e1vel chega at\u00e9 alcan\u00e7armos \u201cAfterglow\u201d, outro bom momento de \u201cThe Invisible Band\u201d. As guitarras sabem trilhar caminhos diferentes, isso (no caso deles) impressiona, mas, mesmo assim, muita do\u00e7ura, muito a\u00e7\u00facar (diab\u00e9ticos, fujam). O \u00e1lbum chega ao fim logo em seguida e eu fico perguntando se ele chegou a come\u00e7ar. Talvez seja por isso que, sintomaticamente, o \u00e1lbum termine com o som de despertador&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim, \u201cThe Invisible Band\u201d renderia um \u00f3timo single. Sintom\u00e1tico que a banda tenha deixada de fora a bonita \u201cComing Around\u201d, single pr\u00e9-\u201cThe Invisible Band\u201d. O contraste dela com o repert\u00f3rio do \u00e1lbum \u00e9 gritante.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Travis - Side (Official HD Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VK3Q4SLVkAU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Travis - Flowers In The Window (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AFvfX3Mfd9E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Travis - Sing (Official HD Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eYO1-gGWJyo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Coldplay ao vivo em 2001: show provoca catarse, mas n\u00e3o surpreende (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2001\/04\/30\/coldplay-ao-vivo-em-londres-2001\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Sete motivos para rir de Chris Martin, vocalista do Coldplay (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/03\/01\/sete-motivos-para-rir-de-chris-martin\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Coldplay, Travis e Starsailor pertencem ao grupo das bandas coxinhas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/outros\/macquatro.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cViva La Vida Special Edition\u201d, Coldplay: reedi\u00e7\u00e3o \u00e9 indicada para completistas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/08\/the-doors-coldplay-e-johnny-cash\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Em \u201cX&amp;Y\u201d, Coldplay alterna baladinhas, baladas e balad\u00f5es. E d\u00e1 sono. (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/06\/13\/musica-xy-o-novo-disco-do-coldplay\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Os dois primeiros discos do Coldplay e a estreia do Starsailor (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/04\/22\/dois-discos-do-coldplay-e-um-do-starsailor\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa Tudo na vida pode ser dividido em bom e ruim, claro, sempre ao gosto do fregu\u00eas. Sorvete de morango \u00e9 \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/02\/01\/musica-the-invisible-band-travis\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28859"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28859"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28859\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":83029,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28859\/revisions\/83029"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28859"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28859"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28859"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}