{"id":28842,"date":"2005-06-13T10:20:22","date_gmt":"2005-06-13T13:20:22","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=28842"},"modified":"2015-01-26T10:45:16","modified_gmt":"2015-01-26T13:45:16","slug":"musica-xy-o-novo-disco-do-coldplay","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/06\/13\/musica-xy-o-novo-disco-do-coldplay\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: X&#038;Y, o novo disco do Coldplay"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-28844\" title=\"xy_coldplay\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/xy_coldplay.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/xy_coldplay.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/xy_coldplay-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/xy_coldplay-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 que o Para\u00edso \u00e9 realmente um lugar legal? Vamos l\u00e1 ent\u00e3o: imagine um local bem calmo, sem sexo, drogas, rock&#8217;n&#8217;roll, Coca-Cola, chocolates, cigarros, filmes do Tarantino e picanha no &#8216;r\u00e9chaud&#8217;. Chato? Agora imagina a trilha sonora para este lugar: \u201cX&amp;Y\u201d, terceiro disco do grupo de Chris Martin, \u00e9 perfeito para tanta perfei\u00e7\u00e3o. N\u00e3o fica muito dif\u00edcil de escolher o Inferno, n\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cX&amp;Y\u201d, a rigor, eleva a mil\u00e9sima pot\u00eancia a grandiloqu\u00eancia exibida no multiplatinado \u201cA Rush Of Blood To the Head\u201d. A banda precisou de tr\u00eas anos para lan\u00e7ar um novo \u00e1lbum de in\u00e9ditas (nos anos 60, Beatles, Beach Boys e Stones lan\u00e7avam dois discos por ano) e continua na \u00e1rdua caminhada para se transformar no novo U2. \u201cX&amp;Y\u201d, ali\u00e1s, tem tudo para fazer pelo Coldplay o que \u201cThe Joshua Tree\u201d fez por Bono e cia em 1987. Por\u00e9m, copiando o U2, o Coldplay est\u00e1 mais para um Simple Minds que est\u00e1 dando certo&#8230; nas paradas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande diferen\u00e7a, por\u00e9m, \u00e9 que se \u201cThe Joshua Tree\u201d popularizou o som U2 para mais de 20 milh\u00f5es de pessoas em quase baladas como \u201cWhere The Streets Have No Name\u201d, \u201cI Still Haven\u2019t Found What I\u2019m Loooking For\u201d e, principalmente, \u201cWith Or Whitout You\u201d, o disco trazia tamb\u00e9m rocks poderosos como \u201cExit\u201d e \u201cBullet The Blue Sky\u201d (que ganhou cover do Sepultura) e bons countrys como \u201cRunning To Stand Still\u201d e \u201cIn God\u2019s Country\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 \u201cX&amp;Y\u201d alterna baladinhas, baladas e balad\u00f5es. Quando as can\u00e7\u00f5es aceleram, geralmente depois do primeiro minuto da m\u00fasica, v\u00eam recheadas de teclados, pianos e sintetizadores. \u00c9 tudo t\u00e3o pomposo, grandiloquente e produzido que joga pelo ralo toda inoc\u00eancia exibida na estreia, com \u201cParachutes\u201d, em 2000. Pior: se l\u00e1 a banda se justificava monotem\u00e1tica ao falar de amor (e s\u00f3 de amor), em \u201cX&amp;Y\u201d Chris Martin se tocou que \u00e9 ouvido no mundo todo, e decidiu bancar o bom mo\u00e7o e mandar recados messi\u00e2nicos. Mais um capitulo especial da s\u00e9rie &#8220;o politicamente correto vai fuder com o mundo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a vida pessoal de Martin mudou muito nos \u00faltimos tr\u00eas anos (ele casou com a bela atriz Gwyneth Paltrow com quem teve uma menina chamada Apple &#8211; n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 o selo dos Beatles), o som do Coldplay continua na mesma: um pop rock com cada vez mais sotaque de U2 e menos de Echo &amp; The Bunnymen. Os teclados tomam a frente dos arranjos aposentando a guitarra em pelo menos metade das doze can\u00e7\u00f5es. E o viol\u00e3o aparece conduzindo a melodia apenas na oitava faixa do disco, a boazinha \u201cA Message\u201d. Martin parece Ian McCulloch quando mastiga &#8220;heart of stone&#8221; no final de uma frase. &#8220;Minha can\u00e7\u00e3o \u00e9 amor&#8221;, canta o vocalista logo no in\u00edcio da m\u00fasica. A gente j\u00e1 tinha entendido a mensagem, n\u00e3o precisa ficar repetindo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSquare One\u201d abre o disco com teclados e guitarras microfonando na mixagem. N\u00e3o se engane. \u00c9 rebeldia calculada. &#8220;Voc\u00ea est\u00e1 no controle&#8221;, canta Martin. Bateria eletr\u00f4nica e boas guitarras passeiam pelas duas sa\u00eddas do est\u00e9reo. A grandiosidade do refr\u00e3o, por\u00e9m, amea\u00e7a jogar tudo na vala dos comuns, mas n\u00e3o d\u00e1 para dizer que a m\u00fasica seja ruim, principalmente porque a pr\u00f3xima, \u201cWhat If\u201d, \u00e9 uma balada em que escorre sacarina. Chris cantando em falsete &#8211; &#8220;como voc\u00ea pode saber se n\u00e3o tentar?&#8221; &#8211; d\u00e1 arrepios. Brega pacas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cWhite Shadows\u201d abre com bom riff de guitarra e uma \u00f3tima linha de baixo, mas os malditos teclados voltam a marcar presen\u00e7a. Na letra, Chris Martin exagera cantando \u00e0 la Bono: &#8220;N\u00f3s somos parte da ra\u00e7a humana. Todas as estrelas no espa\u00e7o s\u00e3o parte de um sistema&#8221;. Lenga lenga bravo, hein. \u201cFix You\u201d \u00e9 daquelas que come\u00e7am lentinhas e v\u00e3o celebrar isqueiros em est\u00e1dios. O problema \u00e9 ser paciente o bastante para esperar entrar o riff de guitarra l\u00e1 pelos 2m35 da m\u00fasica&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTalk\u201d empresta a melodia de \u201cComputer Love\u201d, do Kraftwerk, e a transforma em riff de guitarra. F\u00e3s dizem que a primeira vers\u00e3o da m\u00fasica \u00e9 muito melhor que esta contida em \u201cX&amp;Y\u201d, mas mesmo assim esta vers\u00e3o \u00e9 uma das melhores can\u00e7\u00f5es do disco, embora tenha uns breaks desnecess\u00e1rios ali pelo meio. \u201cX&amp;Y\u201d, a faixa t\u00edtulo, \u00e9 uma das poucas em que o arranjo dos teclados funciona a favor da m\u00fasica, e n\u00e3o contra, levando a melodia para outros caminhos. A letra, apesar de chorosa, tamb\u00e9m \u00e9 boa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco \u00e9 dividido em lado &#8220;X&#8221; e lado &#8220;Y&#8221;. As seis primeiras faixas formam o lado &#8220;X&#8221; enquanto \u201cSpeed of Sound\u201d, primeiro single, comandado por teclados e bateria, abre o lado &#8220;Y&#8221;. Se tirassem o riff de guitarra que surge ali pelo meio ia ficar parecendo Keane. Falta pique e sobra teclados. Depois de \u201cA Message\u201d surge \u201cLow\u201d, outra que lembra Echo &amp; The Bunnymen, e lembraria mais se os teclados exagerados n\u00e3o chamassem tanto a aten\u00e7\u00e3o. Se tivesse metade dos cinco minutos que tem, e menos teclados, talvez soasse muito melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cThe Hardest Part\u201d padece do mesmo mal que \u201cLow\u201d e quase todas as faixas de \u201cX&amp;Y\u201d: excesso de teclados. Um bom riff de guitarra abre a m\u00fasica e Chris Martin surpreende ao cantar sem chorar, mas eles n\u00e3o aguentam e despejam piano e teclados no arranjo. O disco est\u00e1 chegando ao fim, mas parece que nunca termina. \u201cSwallowed In The Sea\u201d meio que assusta quando Chris conta que &#8220;poderia escrever uma can\u00e7\u00e3o de cem milhas de comprimento&#8221;. Ok, eu estava brincando quando o disco demorava para acabar&#8230; mas a melodia \u00e9 boa, a letra tamb\u00e9m e um vocal calmo de Martin transforma esta em outra das boas can\u00e7\u00f5es do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTwisted Logic\u201d, a dita \u00faltima m\u00fasica, come\u00e7a com Chris sussurrando a letra. Bateria quebrada e os indefect\u00edveis teclados marcam presen\u00e7a em longos cinco minutos. A tortura acabou? N\u00e3o. Ainda resta \u201cTill Kindgom Come\u201d, &#8220;faixa escondida&#8221; e quase ac\u00fastica que surge para ser uma das grandes can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum. Ap\u00f3s 62 minutos e 35 segundos, \u201cX&amp;Y\u201d termina deixando no ar uma certeza: o mundo est\u00e1 caminhando em dire\u00e7\u00e3o ao Para\u00edso, um lugar chato, em que n\u00e3o ser\u00e1 permitido xingar o juiz, ter sonhos libidinosos com Angelina Jolie, fazer piadas de argentinos, portugueses ou ga\u00fachos, e devorar lanches do McDonalds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Coldplay pinta ser a grande banda da d\u00e9cada, por\u00e9m, ainda deve um grande \u00e1lbum aos cr\u00edticos. Nenhum dos tr\u00eas discos da banda entra num TOP 100 de todos os tempos, Chris Martin precisa aprender a cantar sem chorar, e algum produtor foda\u00e7o (como Daniel Lanois e Brian Eno) precisa mostrar para os m\u00fasicos que n\u00e3o existem apenas teclados, pianos e sintetizadores no mundo. Enquanto isso n\u00e3o acontecer, o Coldplay vai ser, eternamente, uma banda coxinha. E eu vou desejar, sem nenhuma d\u00favida, viver no Inferno.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/S1fiKG12L2A\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/S1fiKG12L2A\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Coldplay surpreende com \u201cViva la Vida or Death and All His Friends\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/06\/16\/disco-da-semana-viva-la-vida-or-coldplay\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Coldplay ao vivo em 2001: show provoca catarse, mas n\u00e3o surpreende  (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2001\/04\/30\/coldplay-ao-vivo-em-londres-2001\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Sete motivos para rir de Chris Martin, vocalista do Coldplay (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/03\/01\/sete-motivos-para-rir-de-chris-martin\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Coldplay, Travis e Starsailor pertencem ao grupo das bandas coxinhas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/outros\/macquatro.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cViva La Vida Special Edition\u201d, Coldplay: reedi\u00e7\u00e3o \u00e9 indicada para completistas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/08\/the-doors-coldplay-e-johnny-cash\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Os dois primeiros discos do Coldplay e a estreia do Starsailor (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/04\/22\/dois-discos-do-coldplay-e-um-do-starsailor\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa Ser\u00e1 que o Para\u00edso \u00e9 realmente um lugar legal? 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