{"id":288,"date":"2007-05-10T18:39:49","date_gmt":"2007-05-10T20:39:49","guid":{"rendered":"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/2007\/05\/10\/manic-street-preachers-lanca-oitavo-disco\/"},"modified":"2017-09-28T19:15:30","modified_gmt":"2017-09-28T22:15:30","slug":"manic-street-preachers-lanca-oitavo-disco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/05\/10\/manic-street-preachers-lanca-oitavo-disco\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: &#8220;Send Away The Tigers&#8221;, Manic Street Preachers"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;\">\u00a0<strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;Quais bandas influenciaram voc\u00eas no inicio de carreira&#8221;<\/em>, pergunta o apresentador Jools Holland. <em>&#8220;The Clash. No come\u00e7o, s\u00f3 eles&#8221;<\/em>, responde Nicky Wire, baixista e principal letrista do Manic Street Preachers. Corte de 1998 para 2007. Em um longo texto no site oficial do trio, Nicky Wire explica que &#8220;Send Away The Tigers&#8221;, oitavo disco oficial dos galeses, \u00e9 uma tentativa de volta \u00e0quele per\u00edodo em que o Clash era a \u00fanica coisa que importava, em que o idealismo moleque dos 19 aos 21 anos fazia tudo valer a pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como voc\u00ea, eu e os milh\u00f5es de pessoas que j\u00e1 compraram um disco do Manic Street Preachers devem saber, a influ\u00eancia do Clash no grupo gal\u00eas \u00e9 muito mais tem\u00e1tica que mel\u00f3dica. Ent\u00e3o, quando Nicky Wire avisa que a banda est\u00e1 retrocedendo no tempo, pode acreditar que ele est\u00e1 falando s\u00e9rio, que voc\u00ea ir\u00e1 ouvir muito sobre pol\u00edtica (mesmo quando o assunto \u00e9 amor), por\u00e9m, tudo isso vir\u00e1 embalado ao som de doses cavalares de guitarradas influenciadas por hard rock (eles fazem quest\u00e3o de assumir suas <em>guilty pleasures<\/em>: Eagles, Boston e REO Speedwagon). E tudo isso surge, agora, com a experi\u00eancia de \u00e1lbuns como &#8220;Holy Bible&#8221; e &#8220;Everything Must Go&#8221; nas costas. Vale a pena prestar aten\u00e7\u00e3o nesses caras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, voc\u00ea, leitor esperto, ainda deve estar se perguntando: mas o Manics n\u00e3o iria acabar? Com a palavra, Nicky Wire: <em>&#8220;N\u00f3s nunca pensamos em acabar com a banda, mas havia uma indisposi\u00e7\u00e3o geral&#8221;<\/em>, conta o baixista, lembrando que os discos solos lan\u00e7ados por ele (&#8220;I Killed The Zeitgeist&#8221;) e James Dean Bradfield (&#8220;The Great Western&#8221;) serviram para relaxar o grupo, e que o processo de reconex\u00e3o com o Manics come\u00e7ou quando os tickets para a nova turn\u00ea esgotaram-se rapidamente assim que foram colocados \u00e0 venda.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/A_OnFHJou4o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso tudo encontra refor\u00e7o em &#8220;Send Away The Tigers&#8221;, o disco, a partir da faixa t\u00edtulo, que abre o \u00e1lbum com riffs fortes e refr\u00e3o grandioso, levando o Manics 2007 para a fase &#8220;Holy Bible&#8221; circa 1993\/1994. Wire resume a can\u00e7\u00e3o como &#8220;All You Need Is Love&#8221; sendo tocada pelo Guns&#8217;n Roses. \u00c9 uma compara\u00e7\u00e3o c\u00ednica que d\u00e1 o tom da nova fase do trio. &#8220;Send Away The Tigers&#8221; \u00e9 uma frase do comediante Tony Hancock, que ele costumava repetir quando come\u00e7ava a beber. Nicky Wire enxergou um paralelo entre o triste desabafo et\u00edlico e a imagem dos animais libertados do zool\u00f3gico em Bagd\u00e1 quando da invas\u00e3o do ex\u00e9rcito aliado, e ainda encontrou uma maneira de falar sobre Tony Blair, que perdeu todo reconhecimento que tinha conseguido em oito anos apoiando Bush na Guerra do Iraque.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Underdogs&#8221;, segunda faixa do CD, \u00e9 dedicada aos freaks, e por mais que Nicky veja coisas de punk-metal, Alice Cooper e Stooges na m\u00fasica, \u00e9 o mesmo Manic Street Preachers fase &#8220;Know Your Enemy&#8221; de volta ap\u00f3s o mediano (e oitentista demais) &#8220;Lifeblood&#8221;. A m\u00fasica foi liberada antecipadamente para o f\u00e3 clube, e engordou o primeiro single do \u00e1lbum, &#8220;Your Love Alone Is Not Enough&#8221;, delicioso dueto da banda com Nina Perrson, do Cardigans. O vocal feminino e as guitarradas fazem lembrar o Hole de &#8220;Celebrity Skin&#8221;, mas em se tratando de Nicky Wire, n\u00e3o basta falar do amor de uma pessoa. <em>&#8220;O que estou tentando dizer nessa letra \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o pode ter apenas a religi\u00e3o, ou o amor, ou a democracia. Voc\u00ea precisa de tudo isso para ter um pa\u00eds coerente&#8221;<\/em>, explica o letrista. Quantas pop songs hoje em dia podem se vangloriar de desejar transmitir tanto?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Indian Summer&#8221; revisita os arranjos orquestrais do \u00e1lbum &#8220;A Design For Life&#8221;. O clima \u00e9 bonito e a letra diz que se Deus persistir em dizer sim, voc\u00ea vai ter que se testar. <em>&#8220;The Second Great Depression&#8221; (a pr\u00f3xima) \u00e9 como &#8220;How Soon Is Now&#8221; tocada pelo Smashing Pumpkins&#8221;<\/em>, tenta resumir Nicky. N\u00e3o chega a tanto, nem aos Pumpkins, nem aos Smiths, mas \u00e9 outra boa m\u00fasica com arranjo sinf\u00f4nico. &#8220;Rendition&#8221; come\u00e7a pesada, densa, depois se transforma em um bom rock pol\u00edtico que centra foco nos horrores cometidos na baia de Guant\u00e1namo para falar de tortura, da CIA e dos ideais falidos dos EUA. Em uma das melhores frases do \u00e1lbum, Nicky Wire escreve: <em>&#8220;Rendi\u00e7\u00e3o, rendi\u00e7\u00e3o: eu nunca soube que o c\u00e9u era uma pris\u00e3o&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a Wikipedia, a baia de Guant\u00e1namo, em Cuba, foi concedida aos Estados Unidos como esta\u00e7\u00e3o naval em 1903, em troca do pagamento de 2 mil d\u00f3lares por ano. L\u00e1 existe uma ilha desabitada em que se encontram os prisioneiros das guerras do Afeganist\u00e3o e Iraque. Fidel Castro tentou em v\u00e3o desfazer a concess\u00e3o, e desde ent\u00e3o, em sinal de protesto, nunca utilizou o pagamento do &#8220;aluguel&#8221; pago pelos EUA, que se mant\u00e9m no mesmo valor at\u00e9 hoje. Ao redor da base encontra-se ainda o \u00fanico campo minado do ocidente. A manuten\u00e7\u00e3o da base n\u00e3o encontra amparo em nenhuma conven\u00e7\u00e3o internacional e, por isto, n\u00e3o h\u00e1 como fiscalizar o que acontece em seu interior. Os presos muitas vezes n\u00e3o possuem direito a advogados, visitas ou sequer a um julgamento. Den\u00fancias de torturas, estupros e assassinatos s\u00e3o comuns.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MlX-QidSHIA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No meio de tanta cr\u00edtica pol\u00edtica, a punk-ballad &#8220;Autumnsong&#8221; surge como um doce lampejo de esperan\u00e7a inspirada no Ramones de &#8220;Baby, I Love You&#8221;: <em>&#8220;Quando voc\u00ea ouvir esta can\u00e7\u00e3o do outono, lembre-se que dias melhores vir\u00e3o&#8221;<\/em>, diz o refr\u00e3o pop. &#8220;I Am Just A Patsy&#8221;, outra das can\u00e7\u00f5es novas, recebe outro resumo ir\u00f4nico de Nicky Wire: &#8220;Goddess On A Highway&#8221;, do Mercury Rev, tocada pelo Boston. Ou\u00e7a voc\u00ea mesmo, caro leitor, e tire as suas conclus\u00f5es. &#8220;Imperial Bodybags&#8221; \u00e9 muito mais acelerada, mas segue a mesma linha tem\u00e1tica de porrada nos Estados Unidos. &#8220;Winterlovers&#8221; fecha o disco de forma lenta, e abre caminho para a chegada da cover de &#8220;Working Class Hero&#8221;, de John Lennon, que fecha o \u00e1lbum ap\u00f3s alguns segundos de sil\u00eancio da faixa derradeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Send Away The Tigers&#8221; est\u00e1 longe de constar entre o melhor que o Manic Street Preachers j\u00e1 colocou nas ruas. N\u00e3o arranha o status majestoso do trio &#8220;The Holy Bible&#8221; (1994), &#8220;Everything Must Go&#8221; (1996) e &#8220;This Is My Truth Tell Me Yours&#8221; (1998), e ainda fica atr\u00e1s do desabafo p\u00f3s-sucesso de &#8220;Know Your Enemy&#8221; (2001). Mesmo assim, exala um frescor raro na m\u00fasica pop. Ao resgatar seu lado juvenil, James Dean Bradfield (guitarra e voz), Sean Moore (bateria) e Nicky Wire (baixo e letras) conseguiram colocar a cabe\u00e7a para fora do oceano de marasmo que move a m\u00fasica pop moderna, embalada por barulho sem conte\u00fado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No longo texto postado no site oficial da banda, Nicky Wire escreve que o cinismo \u00e9 brilhante. Em se tratando de pol\u00edtica mundial, por mais que voc\u00ea queira ser s\u00e9rio, o cinismo sempre estar\u00e1 ao alcance das m\u00e3os. Principalmente em se tratando de assuntos relacionados aos Estados Unidos da Am\u00e9rica. Woody Allen poderia dizer que for\u00e7a f\u00edsica talvez fosse melhor do que o cinismo, pois \u00e9 dif\u00edcil ironizar algu\u00e9m que tenha armas de fogo. Nicky Wire, no entanto, ainda acredita no poder das palavras. E isso \u00e9 muito mais do que qualquer pessoa pode esperar de um artista pop. Ele acredita realmente que dias melhores vir\u00e3o, mas pede para que voc\u00ea tome cuidado com os tigres. Eles est\u00e3o soltos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Cw9tazfA3aY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Faixa a Faixa: \u201cThis Is My Truth, Tell Me Yours\u201d, Manic Street Preachers (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/1999\/03\/13\/faixa-a-faixa-manics-this-is-my-trut\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Faixa a Faixa: \u201cKnow Your Enemy\u201d, Manic Street Preachers (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2001\/01\/28\/faixa-a-faixa-know-your-enemy\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Tr\u00eas discos: \u201cForever Delayed\u201d, \u201cLipstick Traces\u201d e \u201cLifeblood\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/03\/15\/tres-discos-do-manic-street-preachers\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cJournal For Plague Lovers\u201d, Manic Street Preachers: sonoridade \u00e1rida (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/06\/22\/fleet-foxes-manics-e-pavement\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cPostcards from a Young Man\u201d, Manic Street Preachers: chocolate amargo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/09\/16\/cds-brandon-flowers-weezer-e-manics\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; V\u00eddeo: Tr\u00eas can\u00e7\u00f5es do Manic Street Preachers no formato ac\u00fastico (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/03\/08\/tres-cancoes-manic-street-preachers\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; V\u00eddeo: Tr\u00eas can\u00e7\u00f5es do Manic Street Preachers ao vivo em Oslo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2013\/06\/20\/tres-videos-manic-street-preachers-em-oslo\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Manic Street Preachers ao vivo no Norwegian Wood Festival, Oslo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2013\/06\/16\/norwegian-wood-festival-2013-oslo\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"No longo texto postado no site oficial da banda, Nicky Wire escreve que o cinismo \u00e9 brilhante. 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