{"id":281,"date":"2007-04-12T00:29:17","date_gmt":"2007-04-12T02:29:17","guid":{"rendered":"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/2007\/04\/12\/o-arctic-monkeys-continua-o-mesmo\/"},"modified":"2015-01-13T12:52:50","modified_gmt":"2015-01-13T15:52:50","slug":"o-arctic-monkeys-continua-o-mesmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/04\/12\/o-arctic-monkeys-continua-o-mesmo\/","title":{"rendered":"O Arctic Monkeys continua o mesmo"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2007\/04\/arctic_favourite.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea aperta o play e \u00e9 sumariamente atropelado por&#8230; barulho. Uma batida de bumbo acelerad\u00edssima clama por aten\u00e7\u00e3o. Uma guitarrinha sacana risca um dos lados do fone at\u00e9 se transformar em quase riff. O baixo de marca\u00e7\u00e3o forte, no meio, poderia derrubar um pr\u00e9dio. Confus\u00e3o. Tudo isso junto causa um estranhamento que exige aten\u00e7\u00e3o: &#8220;o que est\u00e1 acontecendo&#8221;, pensa o ouvinte, enquanto o massacre continua. Essa viol\u00eancia dura pouco mais de vinte segundos, e serve para apresentar &#8220;Favourite Worst Nightmare&#8221;, segundo \u00e1lbum do Arctic Monkeys. Trata-se de &#8220;Brianstorm&#8221;, can\u00e7\u00e3o que abre o disco, e o representa como primeiro single. Sem meias palavras: \u00e9 o single com abertura mais violenta de um \u00e1lbum de &#8220;rock&#8221; desde que o Nirvana colocou &#8220;Smells Like a Teen Spirit&#8221; nas lojas, quinze anos atr\u00e1s.<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a poeira baixa, ap\u00f3s os vinte e tr\u00eas segundos de barulho que abrem a m\u00fasica (e o \u00e1lbum), &#8220;Brianstorm&#8221; se transforma em uma can\u00e7\u00e3o dan\u00e7ante carregada por um baixo marcante, guitarras quadradinhas entupidas de eco, um tecladinho no fundo, e o vocal de Alex Turner bem \u00e0 frente. O arranjo \u00e9 esperto e variado. Os riffs de guitarra se repetem, mas a bateria faz v\u00e1rios caminhos diferentes, incluindo o comando de breaks que servem para se olhar para os lados e perceber os destro\u00e7os deixados pelo ch\u00e3o. &#8220;Brianstorm&#8221; (n\u00e3o confundir com Brainstorm) conta a hist\u00f3ria do tal Brian, um anti-her\u00f3i moderno, amado por uns e odiado por outros. <em>&#8220;Alguns querem te beijar, outros querem te chutar&#8221;<\/em>, canta Alex. A tempestade no formato de dois bumbos retorna no final da can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s vender 360 mil c\u00f3pias de seu \u00e1lbum de estr\u00e9ia na primeira semana de lan\u00e7amento, o Arctic Monkeys decidiu n\u00e3o facilitar neste retorno. Em sua primeira audi\u00e7\u00e3o, &#8220;Brianstorm&#8221; assusta. O ouvinte s\u00f3 consegue digerir a m\u00fasica ali pela terceira audi\u00e7\u00e3o, quando ela j\u00e1 entrou em algum lugar do c\u00e9rebro e ir\u00e1 clamar por repeti\u00e7\u00e3o. E escolher uma m\u00fasica dif\u00edcil como &#8220;Brianstorm&#8221; para primeiro single diz muito sobre a banda. Porque qualquer uma das quatro excelentes faixas seguintes poderia ter aberto o caminho para o disco com mais &#8216;facilidade&#8217;. Por\u00e9m, o quarteto de Sheffield optou pela via contr\u00e1ria, e jogou no colo do p\u00fablico a can\u00e7\u00e3o mais esporrenta e complicada do \u00e1lbum, o que pode funcionar para delimitar o dom\u00ednio da banda sobre seu futuro, tanto quanto para testar os limites de aceita\u00e7\u00e3o de seu repert\u00f3rio. Especula\u00e7\u00f5es a parte, &#8220;Brianstorm&#8221; \u00e9 um dos hits do ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Favourite Worst Nightmare&#8221; n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 feito de &#8220;Brianstorm&#8221;. Embora nenhuma das outras onze can\u00e7\u00f5es tenha a mesma obsess\u00e3o pelo barulho &#8211; e a mesma qualidade deste primeiro single &#8211; ao menos mais cinco can\u00e7\u00f5es duelam guitarra a guitarra por sua aten\u00e7\u00e3o. S\u00e3o elas: &#8220;Teddy Picker&#8221;, &#8220;D Is For Dangerous&#8221;, &#8220;Balaclava&#8221;, &#8220;Fluorescent Adolescent&#8221; e &#8220;If You Were There, Beware&#8221;. Nestas cinco can\u00e7\u00f5es o ouvinte poder\u00e1 observar as principais influ\u00eancias do Arctic Monkeys muito mais lapidadas nesta segunda investida. O rap quase discursivo ganha espa\u00e7o no som da banda envolvido por batidas funkeadas, mas a melodia vocal tamb\u00e9m marca presen\u00e7a num interessante duelo. E numa audi\u00e7\u00e3o cuidadosa ser\u00e1 poss\u00edvel perceber ecos de Strokes, Smiths e White Stripes perdidos pelo \u00e1lbum, quase que na mesma dose. E Queens On The Stone Age, mas bem r\u00e1pido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Teddy Picker&#8221; parece sa\u00edda dos anos oitenta com sua linha de baixo saltitante. &#8220;D Is For Dangerous&#8221; tem um come\u00e7o Strokes que \u00e9 logo esquecido pelo vocal em dueto suingado de Alex Turner com o baterista Matt Helders. \u00c9 a can\u00e7\u00e3o que traz o t\u00edtulo do \u00e1lbum na letra, e uma das que lembram White Stripes (no refr\u00e3o). &#8220;Balaclava&#8221;, a pr\u00f3xima, \u00e9 acachapante. Come\u00e7a com Alex cantando sobre uma linha de baixo at\u00e9 entrarem os outros instrumentos, em uma freq\u00fc\u00eancia alucinada. Dif\u00edcil decidir se acompanhamos o vocal ou prestamos aten\u00e7\u00e3o na cama instrumental feita por baixo dele, completamente ensandecida. &#8220;Fluorescent Adolescent&#8221; \u00e9 outra em que a introdu\u00e7\u00e3o exala audi\u00e7\u00f5es de Strokes numa primeira ouvida, mas cujas ra\u00edzes remontam aos Smiths fase final. Baixo, vocal e guitarra fazem linhas mel\u00f3dicas diferentes que se encontram no refr\u00e3o pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;If You Were There, Beware&#8221; \u00e9 outra das boas can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum a rivalizar em sandice com &#8220;Brianstorm&#8221;. Lembra algo de White Stripes (novamente, e para ser mais especifico, \u00e9 a melodia do refr\u00e3o de &#8220;Seven Nation Army&#8221;) e tem potencial de single. &#8220;The Bad Thing&#8221; \u00e9 outra das que lembram Smiths, agora fase inicial (na letra, Alex culpa o vinho vermelho pela trai\u00e7\u00e3o) enquanto &#8220;Old Yellow Bricks&#8221; tamb\u00e9m tem algo de White Stripes. Esse \u00e9 o lado dan\u00e7ante de &#8220;Favourite Worst Nightmare&#8221;. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m calmaria no disco, representado n\u00e3o a toa pelas can\u00e7\u00f5es que fecham o lado A e B da vers\u00e3o em vinil do \u00e1lbum: &#8220;Only One Who Knows&#8221; (lado A) \u00e9 uma baladinha sixtie de voz e duas guitarras que conta sobre um romance verdadeiro que n\u00e3o poderia ser vivido nos dias de hoje. &#8220;505&#8221; (lado B) narra o amor separado por um v\u00f4o de 45 minutos. Come\u00e7a com a voz sobre teclados clim\u00e1ticos, e depois cresce at\u00e9 virar barulho, e morrer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com seu segundo disco, o Arctic Monkeys mostra que continua o mesmo. Como bem disse o baterista em entrevista para a revista Bizz, apenas um ano separa &#8220;Favourite Worst Nightmare&#8221; de &#8220;Whatever People Say I Am, That&#8217;s What I&#8217;m Not&#8221;, a estr\u00e9ia recordista. N\u00e3o mudou muita coisa na vida destes quatro moleques. Eles ainda est\u00e3o vivendo os 15 minutos de fama prof\u00e9ticos de Andy Warhol. E \u00e9 por isso que, mais do que mudan\u00e7as ou evolu\u00e7\u00e3o, o que &#8220;Favourite Worst Nightmare&#8221; revela \u00e9 a m\u00e3o de James Ford na produ\u00e7\u00e3o. Muitos acreditavam que o produtor (de bandas como o Klaxons e Simian Moble Disco) fosse levar os Monkeys para o lado eletr\u00f4nico da for\u00e7a, mas isso n\u00e3o acontece. O que Ford real\u00e7ou foi o acento funk\/rap do grupo. Ele limpou quase toda a sujeira das guitarras, colocou a voz de Alex \u00e0 frente dos instrumentos, e ao lado dela o baixo, respons\u00e1vel pelo suingue de can\u00e7\u00f5es como &#8220;Brianstorm&#8221;, &#8220;Teddy Picker&#8221; e &#8220;D Is For Dangerous&#8221; (e tamb\u00e9m &#8220;Temptation Greets You Like Your Naughty Friend&#8221;, b-side do single &#8220;Brianstorm&#8221;, que conta com a participa\u00e7\u00e3o do rapper Dizzee Rascal). Assim, as guitarradas ficaram em segundo plano, mas est\u00e3o por ali fazendo barulho e charme. Com exce\u00e7\u00e3o dos tais vinte e tr\u00eas segundos demolidores do primeiro single, o Arctic Monkeys que conquistou a Inglaterra no ano passado ainda \u00e9 exatamente o mesmo. E isso \u00e9 uma boa not\u00edcia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se voc\u00ea \u00e9 daqueles que se incomodam com o hype em torno da banda, por alguns minutos, feche os olhos e preste aten\u00e7\u00e3o na m\u00fasica. O Arctic Monkeys n\u00e3o tem culpa de ser o queridinho da imprensa brit\u00e2nica, do mesmo jeito que n\u00e3o t\u00ednhamos culpa de sermos os queridinhos daquela tia rechonchuda que adorava apertar nossas bochechas (argh!) quando \u00e9ramos crian\u00e7as enquanto repetia &#8220;que beb\u00ea fofo, que beb\u00ea fofo&#8221; (e que hoje, dezenas de anos depois, nem se lembra do nosso nome &#8211; hehe). Tampouco, a banda pode ser culpada por ser apontada como o novo Messias do rock por cr\u00edticos exagerados que enxergam coisas que n\u00e3o existem (ainda). Em dois anos, estes quatro moleques ingleses lan\u00e7aram dois \u00e1lbuns acima da m\u00e9dia. Eles est\u00e3o amadurecendo frente ao p\u00fablico (e a imprensa), e est\u00e3o se saindo muito bem. &#8220;Favourite Worst Nightmare&#8221; \u00e9 prova disso, mas voc\u00ea precisar\u00e1 deixar seus preconceitos de lado. E ouvir a m\u00fasica. Ela vale a pena.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"425\" height=\"350\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/30w8DyEJ__0\" \/><param name=\"wmode\" value=\"transparent\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"425\" height=\"350\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/30w8DyEJ__0\" wmode=\"transparent\"><\/embed><\/object><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;Favourite Worst Nightmare&#8221; ser\u00e1 lan\u00e7ado no Jap\u00e3o (em edi\u00e7\u00e3o especial com duas can\u00e7\u00f5es a mais: &#8220;Da Frame&#8221; e &#8220;Matador&#8221;) no pr\u00f3ximo dia 18, na Inglaterra no dia 23, e nos Estados Unidos no dia 24 de abril. A EMI brasileira promete o lan\u00e7amento simult\u00e2neo ao mercado europeu, dia 23. \u00c9 esperar para ver.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Voc\u00ea aperta o play e \u00e9 sumariamente atropelado por&#8230; barulho. Uma batida de bumbo acelerad\u00edssima clama por aten\u00e7\u00e3o. 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