{"id":27850,"date":"2015-01-01T11:10:54","date_gmt":"2015-01-01T13:10:54","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=27850"},"modified":"2025-03-11T20:32:26","modified_gmt":"2025-03-11T23:32:26","slug":"filmografia-comentada-federico-fellini","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/01\/filmografia-comentada-federico-fellini\/","title":{"rendered":"Filmografia comentada: Federico Fellini"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cavaleiro da Grande Cruz (t\u00edtulo de honra mais alto concedido pelo governo italiano) e diretor vencedor de quatro Oscars na categoria Melhor Filme Estrangeiro (ele ganhou um quinto Oscar pelo conjunto da obra em 1993), Federico Fellini nasceu em Rimini, uma pequena cidade no Mar Adri\u00e1tico, em janeiro de 1920, e viveu na cidade (que relembraria em v\u00e1rios filmes) at\u00e9 os 18 anos, quando partiu para Roma para estudar Direito, deixando a advocacia (desejo do pai) de lado para trabalhar com jornalismo e cartuns.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contratado da revista humor\u00edstica Marc\u2019Aurelio, entre 1939 e 1942, Fellini se aproximou do cinema, passando a colaborar com roteiros, dois deles indicados ao Oscar: \u201cRoma, Cidade Aberta\u201d, de 1946, e \u201cPaisan\u201d, de 1947, ambos dirigidos por Roberto Rossellini. Em 1950 estreou como diretor com \u201cMulheres e Luzes\u201d, dividindo a posi\u00e7\u00e3o com o amigo Alberto Lattuada, e dois anos depois, ap\u00f3s Michelangelo Antonioni desistir de dirigir \u201cAbismo de Um Sonho\u201d, se viu sozinho na cadeira de dire\u00e7\u00e3o e, pelo jeito, gostou da experi\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs Boas Vidas\u201d (1953), o filme seguinte (com mem\u00f3rias \u2013 reais e inventadas \u2013 dos anos de Rimini), fez um grande sucesso na Fran\u00e7a, o que alavancou a carreira do diretor, premiado no mesmo ano com o Le\u00e3o de Prata em Veneza \u2013 ele voltaria a ganhar o Le\u00e3o de Prata (pr\u00eamio concedido ao Melhor Diretor) tamb\u00e9m no ano seguinte &#8211; por \u201cA Estrada da Vida\u201d. Dai em diante sua carreira deslancharia e, em menos de 10 anos, Fellini contar\u00e1 com, ao menos, quatro filmes absolutamente cl\u00e1ssicos em seu curr\u00edculo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Observando com aten\u00e7\u00e3o seus 24 filmes (entre curtas, m\u00e9dias e longas metragens) lan\u00e7ados oficialmente entre 1950 e 1990, torna-se poss\u00edvel tra\u00e7ar quatro fases distintas, todas entrincheiradas em d\u00e9cadas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anos 50<\/strong>: a primeira fase vai de \u201cMulheres e Luzes\u201d (1950) at\u00e9 \u201cNoites de Cab\u00edria\u201d (1957) e flagra um cineasta influenciado pelo neorrealismo italiano, ainda que os neorrealistas considerassem (em tom acusat\u00f3rio) seus filmes desse per\u00edodo como exageradamente cat\u00f3licos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anos 60<\/strong>: a segunda fase, simbolista e psicod\u00e9lica, come\u00e7a com \u201cA Doce Vida\u201d (1960) e alcan\u00e7a o auge com \u201cOito e Meio\u201d (1963). Seguem-se um per\u00edodo on\u00edrico e lis\u00e9rgico de altos e baixos (contando com um filme n\u00e3o terminado) finalizado com \u201cSatyricon\u201d, de 1969.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anos 70<\/strong>: a terceira fase \u00e9 a mais prol\u00edfica do diretor em mensagens. Ele anuncia a morte do circo em \u201cOs Palha\u00e7os\u201d (1971), esbofeteia e acaricia a cidade que o abrigou em \u201cRoma\u201d (1972), cr\u00edtica a coniv\u00eancia pol\u00edtica em \u201cAmarcord\u201d (1973) e \u201cEnsaio de Orquestra\u201d (1978), e o machismo em \u201cCasanova\u201d (1976) e \u201cCidade das Mulheres\u201d (1980).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anos 80<\/strong>: A quarta fase traz seu \u00faltimo grande filme, \u201cE La Nave Va\u201d (1983), onde ele filma um vel\u00f3rio que anuncia o fim da \u00f3pera, do cinema e do pr\u00f3prio mundo. Dai em diante lhe resta reclamar da vit\u00f3ria da TV (e seus programas apelativos) sobre o cinema em \u201cGinger e Fred\u201d (1986), \u201cEntrevista\u201d (1987) e \u201cA Voz da Lua\u201d (1990), filmes que, ainda menores, trazem momentos de brilho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 filmografia comentada abaixo est\u00e3o acrescidos cinco filmes que ajudam a entender o mito em assuntos que sempre v\u00eam \u00e0 baila quando o nome do diretor \u00e9 citado, como o fato dele n\u00e3o escrever roteiros (\u201cEstava tudo na cabe\u00e7a dele, sempre\u201d, conta Donald Sutherland) ou fazer \u201catores\u201d contarem n\u00fameros que seriam dublados depois (\u201cFellini gostava de rostos, e grande parte das vezes o rosto que o agradava n\u00e3o era de uma pessoa que atuava e conseguia decorar falas, ent\u00e3o ele criou um m\u00e9todo para trabalhar\u201d, explica Marcello Mastroianni).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com dois filmes no <a href=\"http:\/\/explore.bfi.org.uk\/sightandsoundpolls\/2012\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Top 100 dos cr\u00edticos<\/a> da Sight &amp; Sound (\u201cA Doce Vida\u201d e \u201cOito e Meio\u201d), e quatro no <a href=\"http:\/\/explore.bfi.org.uk\/sightandsoundpolls\/2012\/directors\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Top 100 dos diretores<\/a> (\u201cA Doce Vida\u201d, \u201cOito e Meio\u201d, \u201cA Estrada da Vida\u201d e \u201cAmarcord\u201d), Federico Fellini criou um universo cinematogr\u00e1fico pessoal, e, ali dentro, fez maravilhas. Na lista que segue ap\u00f3s a descri\u00e7\u00e3o dos filmes, no final do texto, as sete primeiras obras s\u00e3o absolutamente impec\u00e1veis, geniais, m\u00e1gicas, o que n\u00e3o desmerece de forma alguma as outras 17 de um dos maiores cineastas de todos os tempos. Um m\u00e1gico. Divirta-se.<\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>FILMOGRAFIA COMENTADA<br \/>\n<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27852\" title=\"mulhereseluzes\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/mulhereseluzes.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/mulhereseluzes.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/mulhereseluzes-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: Luci del Variet\u00e0 (1950)<br \/>\nTitulo nacional: Mulheres e Luzes<\/strong><br \/>\nDe 1939 a 1949, Fellini assinou mais de 20 roteiros (dois deles indicados ao Oscar: \u201cRoma, Cidade Aberta\u201d, de 1946, e \u201cPaisan\u201d, de 1947, ambos de Rossellini), e sua estreia na dire\u00e7\u00e3o surgiu dividida com o amigo Alberto Lattuada, que j\u00e1 tinha sete filmes no curr\u00edculo como diretor. Juntos eles montaram uma cooperativa para auto produzir \u201cMulheres e Luzes\u201d, cujo roteiro tinha como inspira\u00e7\u00e3o um tema caro a Federico: a vida dos artistas mambembes. O ponto de partida \u00e9 uma apresenta\u00e7\u00e3o num pequeno teatro que desperta o olhar sonhador de uma jovem, Liliana (a musa Carla Del Poggio, esposa de Lattuada), que, seduzida pelos holofotes, faz de tudo para entrar na trupe. O bando de p\u00e9s-rapados n\u00e3o aceita a ideia (mais uma para dividir o parco lucro e aumentar os gastos com comida e trem), mas ela seduz um dos palha\u00e7os, Checco (Peppino De Filippo), para desespero de sua namorada, Melina (Giulietta Masina, a musa de Fellini). A fotografia de Otello Martelli flagra uma It\u00e1lia pobre, decadente e \u00e1rida enquanto o roteiro alcan\u00e7a bons momentos c\u00f4micos (a piada da gota d\u2019\u00e1gua \u00e9 \u00f3tima) focando o \u201ccanalha simp\u00e1tico\u201d, que se apaixona e enlouquece e vira joguete nas m\u00e3os de uma mulher esperta. O resultado \u00e9 um bom filme, que antecipa ideias que Fellini ir\u00e1 desenvolver de melhor forma posteriormente. Fracassou nos cinemas por problemas de distribui\u00e7\u00e3o, foi boicotado pelo comit\u00ea ministerial italiano e incomodou grandes produtores, que n\u00e3o admitiam diretores se auto produzindo. Ou seja, uma estreia promissora.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27854\" title=\"abismodeumsonho\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/abismodeumsonho.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: Lo Sceicco Bianco (1952)<br \/>\nTitulo nacional: Abismo de Um Sonho<\/strong><br \/>\nPrimeiro filme assinado unicamente por Fellini (ap\u00f3s Antonioni desistir de dirigir pouco antes das grava\u00e7\u00f5es come\u00e7arem), \u201cAbismo de um Sonho\u201d \u00e9 uma deliciosa f\u00e1bula de erros \u2013 aos moldes de Shakespeare. Fellini consegue ser espirituoso e cruel (sempre com bom humor) exibindo uma delicadeza hoje em dia inexistente no cinema. Ivan (o excelente Leopoldo Trieste) e sua rec\u00e9m-esposa Wanda (a sonhadora Brunella Bovo) chegam a Roma para uma lua-de-mel. O marido agenda diversos compromissos para o casal sendo um encontro com o Papa o mais importante, mas Wanda tem outros planos. Ela mant\u00e9m uma correspond\u00eancia inocentemente apaixonada com um grande ator de fotonovela (o tal Sheik Branco). Enquanto o marido dorme, Wanda vai ao encontro de seu her\u00f3i para presentear-lhe com um desenho feito por ela e acaba sendo levada para um set afastado da cidade com uma trupe de atores. O Sheik aceita o desenho, mas quer mais \u2013 e a confus\u00e3o se forma (as cenas do marido tentando despistar sua fam\u00edlia sobre o paradeiro de Wanda s\u00e3o impag\u00e1veis) em um filme inocente e divertido. N\u00e3o bastasse ser o primeiro filme solo de Fellini, \u201cAbismo de um Sonho\u201d foi tamb\u00e9m sua primeira colabora\u00e7\u00e3o com o compositor Nino Rota e marca a primeira apari\u00e7\u00e3o da prostituta Cab\u00edria (Giulietta Masina). Em seu filme \u201citaliano\u201d de 2012, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/07\/03\/cinema-para-roma-com-amor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Para Roma Com Amor<\/a>\u201d, Woody Allen praticamente refilmou \u201cLo Sceicco Bianco\u201d acrescentando Penelope Cruz (magnifica em cena) numa homenagem meio torta, que s\u00f3 quem conhece essa estreia de Fellini percebeu.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27855\" title=\"boasvidas\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/boasvidas.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: I Vitelloni (1953)<br \/>\nTitulo nacional: Os Boas Vidas<\/strong><br \/>\nEm italiano, \u201cvitelloni\u201d era uma g\u00edria para \u201cpregui\u00e7oso\u201d e \u201cvagabundo\u201d, e se o t\u00edtulo em Portugal \u00e9 mais direto (\u201cOs In\u00fateis\u201d), o brasileiro permite certo romanceamento que parece combinar melhor com o roteiro de Ennio Flaiano e Federico. Em uma pequena cidade do interior, cinco \u201cadultescentes\u201d (adultos que agem como adolescentes) vivem na farra: com idade entre 25 e 30 anos, o intelectual Leopoldo (o \u00f3timo Leopoldo Trieste, marido de Wanda em \u201cAbismo de um Sonho\u201d), o mulherengo Fausto (Franco Fabrizi), o observador Moraldo (Franco Interlenghi), o moleque Alberto (Alberto Sordi, o sheik branco de \u201cAbismo de um Sonho\u201d) e o jogador Riccardo (Riccardo Fellini, irm\u00e3o do diretor) passam o dia vagando entre corridas de cavalo, bares e festas \u00e0 custa da boa vontade da fam\u00edlia: Alberto (e sua m\u00e3e) depende(m) do dinheiro da irm\u00e3. Fausto \u00e9 bancado pelo pai at\u00e9 engravidar uma garota, e ser obrigado a se casar com ela (o que n\u00e3o o impedir\u00e1 de seguir seduzindo todas as mulheres que encontra). Com tra\u00e7os autobiogr\u00e1ficos, ainda que Fellini tenha trocado Rimini por Roma aos 19 anos, e tem\u00e1tica mais s\u00e9ria, \u201cI Vitelloni\u201d relata mem\u00f3rias de uma gera\u00e7\u00e3o sem trabalho (a It\u00e1lia vivia uma enorme crise de desemprego) e com vontade de aproveitar a vida. O filme deu a Fellini seu primeiro Le\u00e3o de Prata de Melhor Diretor em Veneza, e sua terceira indica\u00e7\u00e3o ao Oscar, pelo roteiro.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27857\" title=\"amornacidade\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/amornacidade.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: L&#8217;Amore in Citt\u00e0 (1953)<br \/>\nTitulo nacional: O Amor na Cidade<\/strong><br \/>\nProjeto do diretor neorrealista Cesare Zavattini, \u201cL&#8217;Amore in Citt\u00e0\u201d re\u00fane sete diretores em seis epis\u00f3dios tendo o amor em Roma como pano de fundo. As hist\u00f3rias foram retiradas de jornais, e algumas contam com participa\u00e7\u00e3o dos personagens reais que viveram o fato. O resultado \u00e9 irregular e flagra um momento de transi\u00e7\u00e3o no cinema italiano da \u00e9poca, que come\u00e7ava a deixar o neorrealismo para tr\u00e1s. Carlo Lizzani dirige \u201cO Amor Que Se Paga\u201d, quase um curta document\u00e1rio (11 minutos) sobre a prostitui\u00e7\u00e3o na cidade (Godard foi mais incisivo em \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/24\/tres-filmes-anna-karina-e-godard\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Viver a Vida<\/a>\u201d, de 1962). \u201cTentativa de Suic\u00eddio\u201d tem o dobro do tempo (22 minutos), mas Antonioni consegue apenas ati\u00e7ar a curiosidade. \u201cPara\u00edso por Tr\u00eas Horas\u201d (11 minutos), de Dino Risi, descreve o ambiente dos sal\u00f5es de dan\u00e7a no sub\u00farbio com gra\u00e7a e charme. Fellini assina o quarto epis\u00f3dio, e um dos melhores: em \u201cAgencia de Casamento\u201d (16 minutos), um rep\u00f3rter investiga matrim\u00f4nios arranjados, e Fellini come\u00e7a a narrativa com certo tom de humor e lirismo para terminar comovendo o espectador \u2013 e focando na pobreza. O melhor epis\u00f3dio da s\u00e9rie, no entanto, \u00e9 de Zavattini e Francesco Maselli, \u201cHist\u00f3ria de Catherine\u201d (27 minutos), um exerc\u00edcio neorrealista bel\u00edssimo. Para fechar a s\u00e9rie, uma bobagem sexista de Alberto Lattuada: \u201cOs Italianos se Viram\u201d, com homens se contorcendo para acompanhar o quadril de belas damas. No caso de Fellini, \u201cAgencia de Casamento\u201d sugere um elo entre o humor de \u201cOs Boas Vidas\u201d com a tristeza de \u201cA Estrada da Vida\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27858\" title=\"1lastrada1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/1lastrada1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/1lastrada1.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/1lastrada1-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: La Strada (1954)<br \/>\nTitulo nacional: A Estrada da Vida<\/strong><br \/>\n\u201cOs Boas-Vidas\u201d, de 1953, j\u00e1 havia levado Fellini ao Oscar (indicado por roteiro) e dado a ele o seu primeiro Le\u00e3o de Prata em Veneza (Melhor Diretor), mas foi com \u201cLa Strada\u201d que o diretor conseguiu seu primeiro Oscar, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro (ele havia sido novamente indicado por roteiro e reprisado o Le\u00e3o de Prata em Veneza), o primeiro de quatro Oscars que ele iria ganhar para a It\u00e1lia na categoria. Nesta delicada obra-prima (que os neorrealistas acusaram de ser \u201cexageradamente cat\u00f3lica\u201d), dois perdidos em mundo sujo vagam por uma It\u00e1lia p\u00f3s-guerra entregue \u00e0 decad\u00eancia, \u00e0 mis\u00e9ria e \u00e0 fome. Ele \u00e9 Zampano (Anthony Quinn espetacular), um homem rude que ganha sua vida fazendo apresenta\u00e7\u00f5es mambembes em ruas e circos. Ela \u00e9 Gelsomina (Giulietta Masina cativante), mo\u00e7a pobre que \u00e9 vendida pela m\u00e3e ao artista por 10 mil liras (como a mesma havia feito com a irm\u00e3). Gelsomina o acompanha e o ajuda nos n\u00fameros circenses, e passa a admir\u00e1-lo em sua inoc\u00eancia, mas sua admira\u00e7\u00e3o n\u00e3o sobrevive \u00e0 viol\u00eancia, \u00e0 trai\u00e7\u00e3o e aos crimes que ele comete. Fellini n\u00e3o concede a \u201cA Estrada da Vida\u201d um final feliz (como em \u201cAbismo de Um Sonho\u201d), e parte o cora\u00e7\u00e3o do espectador aprofundando um personagem que exibe um cora\u00e7\u00e3o de pedra, mas, ainda assim, um cora\u00e7\u00e3o. Ao resumir o filme para Anthony Quinn (o ator conta no document\u00e1rio \u201cA Magia de Fellini\u201d), Federico disse: \u201cEsse filme \u00e9 sobre a trag\u00e9dia de nunca conhecermos o amor at\u00e9 o perdermos\u201d. E o ator completa: \u201cFoi isso que interpretei: um homem que n\u00e3o sabia que estava apaixonado at\u00e9 ouvir a can\u00e7\u00e3o que sua amada tocava\u201d. Po\u00e9tico e absolutamente melanc\u00f3lico, \u201cLa Strada\u201d \u00e9 o primeiro cl\u00e1ssico absoluto de Fellini. A hist\u00f3ria ganha ainda mais impacto com uma trilha sonora delicada, que transforma uma frase musical (que ficar\u00e1 n\u00e3o apenas na mem\u00f3ria de Zampano, mas tamb\u00e9m do espectador) em um momento eterno do cinema.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27859\" title=\"2trapaca\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/2trapaca.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: Il Bidone (1955)<br \/>\nTitulo nacional: A Trapa\u00e7a<\/strong><br \/>\nNuma It\u00e1lia decadente sofrendo a mis\u00e9ria p\u00f3s-guerra, um grupo de trapaceiros ganha a vida enganando pessoas inocentes e curtindo a vida adoidado numa Roma festeira, que n\u00e3o dorme e gosta de esbanjar dinheiro. O roteiro aprofunda o olhar sobre tr\u00eas destes pilantras: Picasso (Richard Basehart), um simpl\u00f3rio pintor casado com Iris (Giulietta Masina), esposa apaixonada que desconfia do dinheiro f\u00e1cil que entra em casa (quase que uma sequencia da hist\u00f3ria do Louco e da Gelsomina, de \u201cLa Strada\u201d); Ricardo (Franco Fabrizi), um boa vida que engana todo mundo, n\u00e3o se preocupa com nada (al\u00e9m de carros e mulheres), e tem tudo para se dar bem no final \u2013 Fellini opta por n\u00e3o castig\u00e1-lo moralmente, pois parece reconhecer que existem milhares de Ricardos pelo mundo, e que boa parte deles consegue se safar. No centro da trama, Augusto (Broderick Crawford), um homem que sente o peso da idade nas costas (ele tem 48 anos), sente algo mudar com a proximidade da filha, mas que a \u00fanica coisa que sabe fazer na vida \u00e9 ludibriar pessoas. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para o humor no quinto filme de Fellini, mas sim para um olhar s\u00e9rio (ainda que delicado e dram\u00e1tico) sobre a natureza humana. \u201cA Trapa\u00e7a\u201d passou batido pelas premia\u00e7\u00f5es, pois muita gente viu semelhan\u00e7as com discurso e cenas de filmes anteriores de Fellini e acusou-o de estar se repetindo. Bobagem. Denso, \u201cA Trapa\u00e7a\u201d \u2013 o segundo da trilogia cat\u00f3lica do diretor, que se encerra com o pr\u00f3ximo \u2013 se insere entre os melhores filmes da primeira fase do cineasta.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27860\" title=\"3cabiria\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/3cabiria.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: Le notti di Cab\u00edria (1957)<br \/>\nTitulo nacional: Noites de Cab\u00edria<\/strong><br \/>\nFellini alcan\u00e7a o auge de sua primeira d\u00e9cada nesta f\u00e1bula tristonha que recupera um personagem de \u201cAbismo de Um Sonho\u201d (1952) e exibe uma trama de final t\u00e3o dram\u00e1tico quanto \u201cA Trapa\u00e7a\u201d (1955). \u201cNoites de Cab\u00edria\u201d, por\u00e9m, supera os dois filmes (e os demais anteriores) pelo avan\u00e7o no dom\u00ednio da t\u00e9cnica de dire\u00e7\u00e3o de Fellini e por uma atua\u00e7\u00e3o m\u00e1gica de Giulietta Masina, consagrada como Melhor Atriz em Cannes (o filme deu a Fellini seu segundo Oscar na categoria Melhor Filme Estrangeiro) e totalmente envolvente como a prostituta sonhadora, que trabalha na noite de Roma, mas deseja ter uma vida tradicional, casando-se com um homem que a ame (para desespero dos neorrealistas). O roteiro (al\u00e9m de Fellini colaboram Ennio Flaiano, Tullio Pinelli e Pasolini), acompanha a trajet\u00f3ria da prostituta que num dia \u00e9 quase assassinada por um amante aproveitador (ela reluta a acreditar que ele s\u00f3 quisesse seu dinheiro) e em outro se torna companhia de um famoso e rica\u00e7o ator do cinema italiano, que a leva para uma boate (com um show surreal de mambo) e depois para jantar em sua casa. Fellini humaniza Cab\u00edria, que conquista o espectador com seu jeito espevitado, enquanto cr\u00edtica a Igreja, que se aproveita do ide\u00e1rio do milagre para dominar seus fieis. Numa passagem reveladora em um show de hipnotismo, Cab\u00edria desnuda sua alma, e entrega seu corpo. O final, impec\u00e1vel, \u00e9 de um lirismo assustador, e parte do tr\u00e1gico para o sublime amplificado por uma trilha sonora magistral de Nino Rota. Um cl\u00e1ssico.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27861\" title=\"4doce\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/4doce.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: La Dolce Vita (1960)<br \/>\nTitulo nacional: A Doce Vida<\/strong><br \/>\nTr\u00eas anos separam \u201cNoites de Cab\u00edria\u201d de \u201cA Doce Vida\u201d, e impressiona como Fellini cresce cinematograficamente neste tempo. Normalmente citado como o marco da transi\u00e7\u00e3o de seus estilos, do neorrealismo para o simbolismo, \u201cA Doce Vida\u201d \u00e9 uma epopeia on\u00edrica sobre o hedonismo e a decad\u00eancia da alta sociedade italiana p\u00f3s-guerra na vis\u00e3o de um homem comum, o jornalista Marcello Rubini (Marcello Mastroianni em sua primeira colabora\u00e7\u00e3o com Fellini), que sonha em ter uma carreira de escritor, mas passa seu tempo escrevendo sobre futilidades para um jornaleco romano. Filmado no formato de (sete) epis\u00f3dios, Fellini flagra o rep\u00f3rter ora acompanhando a entrega de uma est\u00e1tua de Jesus ao Vaticano (na memor\u00e1vel cena de abertura, que acena com um dos temas do filme: a incomunicabilidade, em diversas cenas algu\u00e9m tenta se comunicar, mas o outro n\u00e3o ouve), ora seguindo uma atriz sueca contratada para uma produ\u00e7\u00e3o italiana (a deslumbrante Anita Ekberg numa das hist\u00f3rias mais divertidas do filme \u2013 sobrando espetadas para Hollywood, Marilyn, o mundo brega dos famosos \u2013 que culmina na hist\u00f3rica cena da Fontana de Trevi), ora se envolvendo com uma rica\u00e7a, Madalena (a francesa Anouk Aim\u00e9e), ora seguindo duas crian\u00e7as que inventam ter visto a Virgem Maria. A loura Christa Paffgen, Nico (do Velvet Underground), ent\u00e3o com 22 anos, participa de uma das hist\u00f3rias (a da fam\u00edlia burguesa que invade uma velha casa buscando fantasmas \u2013 e sexo). Grandioso, \u201cA Doce Vida\u201d \u00e9 o atestado de maioridade de Fellini, que se liberta do neorrealismo num filme com tons er\u00f3ticos, cr\u00edtica \u00e0 Igreja e um final melanc\u00f3lico, com Marcello (re)vendo um anjo, se ajoelhando, mas n\u00e3o o ouvindo. N\u00e3o s\u00f3 um dos melhores filmes de Fellini, mas um dos melhores filmes de todos os tempos (Palma de Ouro em Cannes, que, com quatro indica\u00e7\u00f5es ao Oscar, incluindo diretor e roteiro original, levou apenas Melhor Figurino P&amp;B). Ganhou uma \u201cvers\u00e3o\u201d novo s\u00e9culo por Paolo Sorrentino: o tamb\u00e9m maravilhoso \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/01\/07\/cinema-a-grande-beleza\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Grande Beleza<\/a>\u201d (2013).<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27862\" title=\"5tentacao\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/5tentacao.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/5tentacao.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/5tentacao-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: Le Tentazioni del Dottor Antonio (1962)<br \/>\nTitulo nacional: As Tenta\u00e7\u00f5es do Doutor Ant\u00f4nio<\/strong><br \/>\nCom formato semelhante ao de \u201cL&#8217;Amore in Citt\u00e0\u201d (mas aqui com filmes mais longos, entre 48 e 52 minutos cada), \u201cBoccaccio 70\u201d (1962) buscava imaginar como seria o amor na d\u00e9cada seguinte atrav\u00e9s da adapta\u00e7\u00e3o de quatro contos do cl\u00e1ssico \u201cDecameron\u201d, de Giovanni Boccaccio, escritos no s\u00e9culo XII, por quatro lend\u00e1rios diretores italianos. O resultado \u00e9 divertido e equilibrado, ainda que Luchino Visconti se saia melhor ao dirigir uma sensual\u00edssima Romy Schneider no epis\u00f3dio \u201cO Trabalho\u201d, o mais interessante dos quatro. Mario Monicelli conta uma hist\u00f3ria graciosa e quase inocente em \u201cRenzo e Luciana\u201d enquanto Vittorio De Sica arma uma trama c\u00f4mica para uma deslumbrante Sophia Loren brilhar (e ela n\u00e3o deixa escapar a oportunidade). Em sua primeira experi\u00eancia com cores, Fellini faz gracejo com a censura (que dificultou seu trabalho em \u201cA Doce Vida\u201d): \u201cAs Tenta\u00e7\u00f5es do Dr. Ant\u00f4nio\u201d apresenta um homem moralista e puritano que \u00e9 perseguido pela imagem da musa Anita Ekberg (fazendo o papel dela mesma), toda sensual \u201cvendendo\u201d leite em um enorme outdoor. O narrador infantil incomoda, mas a trilha sonora \u00e9 \u00f3tima. Em certo momento, Anita sai do outdoor e come\u00e7a a perseguir Dr. Ant\u00f4nio numa das passagens mais hil\u00e1rias do filme. Vale assistir para (re)ver Anita Ekberg sob a batuta de Fellini (dois anos ap\u00f3s \u201cLa Dolce Vita\u201d) em uma hist\u00f3ria divertida e provocativa, mas levemente exagerada (e que pode ter inspirado Woody Allen em \u201cA Rosa P\u00farpura do Cairo\u201d, de 1985).<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27863\" title=\"6oito\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/6oito.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: 8\u00bd (1962)<br \/>\nTitulo nacional: Oito e Meio<\/strong><br \/>\nNa contagem de Fellini, seu d\u00e9cimo filme era, na verdade, seu oitavo projeto e meio, j\u00e1 que ele tinha seis longas, dois curtas (que somam um filme) e mais a metade de \u201cMulheres e Luzes\u201d (1950), dividido com Alberto Lattuada, alcan\u00e7ando um total de 7 filmes e meio. \u201c8\u00bd\u201d surge como nome provis\u00f3rio, e como Fellini n\u00e3o conseguiu encontrar nome melhor at\u00e9 sua conclus\u00e3o, transformou o provis\u00f3rio em oficial, e assim o cinema ganhava um dos melhores filmes de toda sua hist\u00f3ria. Focando em sua pr\u00f3pria crise criativa (Fellini tinha produtor, investidor e elenco, mas n\u00e3o tinha um roteiro), ele transforma o problema em inspira\u00e7\u00e3o, e o resultado soberbo traz Mastroianni como Guido Anselmi, um diretor em crise perseguido por seu produtor (\u201cPercebi o que queres narrar: \u00e9 a confus\u00e3o que o homem tem dentro de si\u201d), por um roteirista colaborador cr\u00edtico (\u201cEsta pode ser a demonstra\u00e7\u00e3o mais pat\u00e9tica de que o cinema est\u00e1 irremediavelmente atrasado 50 anos face \u00e0s outras artes\u201d), e atores, amantes, esposa e seu pr\u00f3prio passado, que surge na tela em diversos momentos, num misto de sonho, loucura, viagem e genialidade (na cena inicial, estupenda, o diretor est\u00e1 flutuando nas nuvens \u2013 literalmente \u2013 quando \u00e9 puxado para a terra por uma corda) que discute o papel do cinema, da cr\u00edtica, dos f\u00e3s e do pr\u00f3prio diretor (\u201cVoc\u00ea n\u00e3o sabe fazer filme de amor?\u201d, algu\u00e9m questiona) inspirando obras sensacionais como \u201cA Noite Americana\u201d, de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/06\/filmografia-comentada-francois-truffaut\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fran\u00e7ois Truffaut<\/a>, e \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/04\/08\/esse-voce-precisa-ver-adaptacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Adapta\u00e7\u00e3o<\/a>\u201d, de Spike Jonze e Charlie Kaufman. Um dos filmes da vida de Woody Allen, h\u00e1 v\u00e1rios momentos em cena que parecem ter inspirado passagens cl\u00e1ssicas do diretor norte-americano, que chegou a fazer a \u201csua pr\u00f3pria vers\u00e3o\u201d de \u201c8\u00bd\u201d: \u201cMem\u00f3rias\u201d (1980). Metalingu\u00edstico, inteligente e soberbo, \u201c8\u00bd\u201d foi indicado a seis Oscars e ganhou dois: Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Figurino. Mas esque\u00e7a a Academia (Fellini foi indicado quatro vezes como Melhor Diretor; nunca venceu): \u201c8\u00bd\u201d \u00e9 um dos dois melhores filmes de todos os tempos. Pode escolher o outro.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27864\" title=\"7julieta\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/7julieta.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/7julieta.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/7julieta-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: Giulietta Degli Spiriti (1965)<br \/>\nTitulo nacional: Julieta dos Esp\u00edritos<\/strong><br \/>\nAp\u00f3s tr\u00eas obras primas em sequencia, Fellini trope\u00e7a em seu primeiro longa colorido (\u201cAs Tenta\u00e7\u00f5es do Doutor Ant\u00f4nio\u201d, de 1962, era um m\u00e9dia metragem), um del\u00edrio ornamental feito para Giulietta Masina brilhar (ainda que Sandra Milo \u2013 a amante do diretor Guido em \u201c8 \u00bd\u201d \u2013 roube v\u00e1rias cenas), mas que perde foco num roteiro que escorrega na leitura espiritual (deve ser motivo de piada em centros de macumba e terreiros de candombl\u00e9) e na vis\u00e3o machista. Federico fez o filme tentando entender os conflitos femininos atrav\u00e9s de uma crise conjugal, e fracassa no desejo. No document\u00e1rio \u201cFellini, a Hist\u00f3ria de um Mito\u201d, a pr\u00f3pria Giulietta, insatisfeita, diz que s\u00f3 entendeu seu personagem ap\u00f3s o filme terminado, avaliando que se o refizesse depois, aumentaria sua carga feminista. A hist\u00f3ria come\u00e7a com a esposa Julieta se preparando para uma festa surpresa de anivers\u00e1rio de casamento, mas o marido mulherengo Giorgio (Mario Pisu) trouxe amigos para farrear em casa, esquecendo-se da data. Descuidado, Giorgio d\u00e1 sinais de trai\u00e7\u00e3o, e Julieta (que sempre acreditou nele) come\u00e7a a desconfiar a ponto de procurar um detetive. Trai\u00e7\u00e3o descoberta, ela decide devolver na mesma moeda, mas n\u00e3o consuma o ato (o marido pode trair, a mulher n\u00e3o). A partir dai, Julieta passa a ser assombrada por esp\u00edritos enquanto o marid\u00e3o foge com uma bela modelo (o homem trai e se d\u00e1 bem, a mulher sofre e enlouquece). Tematicamente raso, \u201cJulieta dos Esp\u00edritos\u201d \u00e9 o primeiro filme de Fellini a soar decepcionante e, mesmo com tom sombrio, marca o meio da d\u00e9cada on\u00edrica e lis\u00e9rgica do cineasta.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27865\" title=\"8toby\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/8toby.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/8toby.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/8toby-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: Toby Dammit (1968)<br \/>\nTitulo nacional: Toby Dammit<\/strong><br \/>\nO tom sombrio de \u201cJulieta dos Esp\u00edritos\u201d deve ter influenciado na escolha de Fellini para integrar \u201cTales of Mystery\u201d (\u201cTre Passi Nel Delirio\u201d na It\u00e1lia; \u201cHist\u00f3rias Extraordin\u00e1rias\u201d nos EUA, Fran\u00e7a e Brasil), sequencia de tr\u00eas adapta\u00e7\u00f5es de contos de Edgar Allan Poe. Encaixado no g\u00eanero Horror, o filme fica devendo no quesito suspense, mas tem certo charme ps\u00edquico. Na primeira hist\u00f3ria, a mediana &#8220;Metzengerstein&#8221;, o diretor Roger Vadim tem em m\u00e3os os belos irm\u00e3os Jane e Peter Fonda. Ela faz o papel de Frederica, uma condessa devassa que se sente atra\u00edda pelo primo, Bar\u00e3o Wilhelm (Peter), que a rejeita. Ela se vinga, mas ser\u00e1 perseguida por seus atos. Muito porn\u00f4 soft, pouco suspense. Sob a dire\u00e7\u00e3o de Louis Malle, Alain Delon \u00e9 \u201cWilliam Wilson\u201d, um homem s\u00e1dico que sempre \u00e9 interrompido por um duplo numa trama (excelente de Edgar Allan Poe) que pode ter influenciado Chuck Palahniuk em \u201cClube da Luta\u201d. Brigitte Bardot \u00e9 subaproveitada numa hist\u00f3ria que n\u00e3o honra o conto. Fechando a trilogia, Fellini d\u00e1 sequencia a sua d\u00e9cada on\u00edrica com uma recria\u00e7\u00e3o chapada do conto \u201cNunca Aposte Sua Cabe\u00e7a Com o Diabo\u201d, aqui chamada de &#8220;Toby Dammit&#8221;. Com a carreira em decad\u00eancia devido ao alcoolismo, o ator Toby (o brit\u00e2nico Terence Stamp) vai a Roma filmar um western spagueti e, entre vis\u00f5es chapadas de uma garotinha com uma bola, \u00e9 recebido por padres que trabalham na produ\u00e7\u00e3o e o levam para uma cerim\u00f4nia de premia\u00e7\u00e3o \u2013 em que Fellini esculacha a classe cinematogr\u00e1fica italiana. Dos tr\u00eas curtas este \u00e9\u00a0 o que tem final mais sombrio, mas ainda assim \u00e9 uma obra menor que, no entanto, serve de ponto de partida para \u201cRoma\u201d (1972), com v\u00e1rias cenas rascunho para um dos grandes filmes de Fellini na d\u00e9cada seguinte.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27867\" title=\"9anotacoes\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/9anotacoes.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: Block-Notes di un Regista (1969)<br \/>\nTitulo nacional: Anota\u00e7\u00f5es de um Diretor<\/strong><br \/>\nEncomendado pela TV norte-americana NBC, \u201cAnota\u00e7\u00f5es de um Diretor\u201d \u00e9 uma deliciosa jun\u00e7\u00e3o de document\u00e1rio, imagina\u00e7\u00e3o, sonhos, frustra\u00e7\u00f5es e loucuras. Dirigido pelo pr\u00f3prio Fellini, lan\u00e7a luz sobre seu filme inacabado (um dos filmes n\u00e3o feitos mais famosos do cinema) \u201cA Viagem de Giuseppe Mastorna\u201d, projeto iniciado ap\u00f3s o fracasso de \u201cJulieta dos Esp\u00edritos\u201d, que contaria a hist\u00f3ria do violoncelista Giuseppe Mastorna (Marcello Mastroianni) que, ap\u00f3s morrer, desembarca de avi\u00e3o numa cidade que deveria parecer um resumo de todas as cidades do mundo, habitada por gente de todas as partes do planeta. O projeto fracassou (Fellini chegou a ser processado por seu produtor), assombrou Fellini durante d\u00e9cadas e o diretor exibe aqui a \u00fanica cena filmada, recria testes com Mastroianni (numa passagem interessante) e elenco e leva a c\u00e2mera para o cen\u00e1rio de seu novo projeto, \u201cSatyricon\u201d, entrevistando atores (Giulietta fala sobre o filme) e ca\u00e7oando de si mesmo e do cinema. Tr\u00eas momentos deliciosos: uma passagem com Mastroianni sendo entrevistado para revistas femininas em sua casa, outra com um professor num passeio de metr\u00f4 em busca de ind\u00edcios do in\u00edcio de Roma (rascunho de ideia para uma passagem genial que ser\u00e1 apresentada em \u201cRoma\u201d, de 1972) e os divertidos e tradicionais testes de personagens do diretor. Real, recria\u00e7\u00e3o do real (que pode ser real ou inventado), farsesco e imaginativo, \u201cAnota\u00e7\u00f5es de um Diretor\u201d \u00e9 um delicioso exerc\u00edcio de Fellini repleto de pistas sobre o modo como ele produzia seus filmes.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27868\" title=\"91satyricos\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/91satyricos.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/91satyricos.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/91satyricos-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: Satyricon (1969)<br \/>\nTitulo nacional: Satyricon<\/strong><br \/>\nBaseado livremente e lisergicamente na obra hom\u00f4nima de Petr\u00f4nio, um cortes\u00e3o romano que viveu durante o reinado de Nero no s\u00e9culo I, \u201cSatyricon\u201d narra as desventuras rom\u00e2nticas de Encolpio em uma Roma amoral e decadente. O filme come\u00e7a em uma sauna romana, local em que Encolpio enfrenta o amigo Ascilto, que vendeu seu amante Gitone para um ator de teatro. \u00c9 o ponto de partida para uma s\u00e9rie de pequenos contos surreais que juntam cenas passadas num bordel, palco de dezenas de passagens sensuais, segue-se num Museu de Arte, onde um poeta critica o capitalismo, depois num enorme (e nojento) banquete e bacanal servido por um homem rico, que corteja duas crian\u00e7as sob o olhar reprovador da esposa. Encolpio, o amigo Ascilto e o amante Gitone s\u00e3o presos pelos soldados do imperador e levados para um barco. Um comerciante, Licas, seduzido pela beleza de Encolpio, decide-se casar com o rapaz, em cerim\u00f4nia aben\u00e7oada pela esposa Trifena, e tudo segue bem at\u00e9 o barco ser tomado por inimigos. Calma, n\u00e3o terminou: ainda h\u00e1 um conto com uma hermafrodita e outro em que Encolpio enfrenta um minotauro, que decide n\u00e3o mata-lo. Seu pr\u00eamio pela liberdade: a bela Ariadne, e Encolpio dever\u00e1 copular com ela frente a um est\u00e1dio lotado (e falha). O trecho final \u00e9 a saga do rapaz em busca da virilidade perdida. On\u00edrico, de dif\u00edcil digest\u00e3o, mas com bons momentos, \u201cSatyricon\u201d \u00e9 um conto adulto que soa como o ponto de partida para a &#8220;Trilogia da Vida&#8221;, que Pasolini come\u00e7aria a filmar em 1971.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27869\" title=\"92palhacos\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/92palhacos.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: I Clowns (1970)<br \/>\nTitulo nacional: Os Palha\u00e7os<\/strong><br \/>\nProduzido originalmente para a televis\u00e3o italiana, \u201cOs Palha\u00e7os\u201d \u00e9 metade document\u00e1rio, metade fantasia (nos mesmos moldes de \u201cAnota\u00e7\u00f5es de um Diretor\u201d), sobre um tema que sempre seduziu o cineasta italiano. Na primeira bela cena do filme, um menino observa um circo se erguer em frente a sua casa. A m\u00e3e coloca medo no garoto: \u201cSe n\u00e3o se comportar, vou dizer a esses ciganos que te levem com eles\u201d. Fellini se recorda, ent\u00e3o, que teve medo de palha\u00e7os quando os viu pela primeira vez porque eles o lembravam de personagens surreais de sua cidade. Come\u00e7a assim, com mem\u00f3rias autobiogr\u00e1ficas, a rela\u00e7\u00e3o do cineasta com o universo circense, em bonitas cenas de picadeiro, que se juntam a entrevistas dispersas com velhos palha\u00e7os em asilos (na It\u00e1lia e na Fran\u00e7a), todas conduzidas pelo pr\u00f3prio cineasta interpretando a si mesmo acompanhado de um c\u00e2mera, de um assistente e de uma secret\u00e1ria (todos atores filmando um filme dentro do filme). Her\u00f3is do passado relembram outros \u00edcones do picadeiro, numa mistura de nostalgia e tristeza. Um estudioso de clowns os divide em dois grupos \u2013 o branco (elegante e inteligente) e o augusto (atrapalhado e bagunceiro) \u2013 mas acredita que os palha\u00e7os est\u00e3o mortos. Fellini junta os dois tipos de palha\u00e7o em cena para uma homenagem, mas falta intensidade e corpo ao filme (que tem uma ponta de Anita Ekberg), que inteiro perde para a cena de circo de \u201cOito e Meio\u201d, muito mais l\u00edrica e contemplativa, mas tem seu valor no elogio a uma arte cada vez mais esquecida.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27870\" title=\"93roma\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/93roma.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/93roma.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/93roma-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: Roma (1972)<br \/>\nTitulo nacional: Roma<\/strong><br \/>\nNa primeira cena, a morte caminha em uma estrada devastada. Close na placa: Roma, 340 quil\u00f4metros. A declara\u00e7\u00e3o de amor do cineasta \u00e0 cidade eterna \u00e9 um conjunto devastador e emocionante de esquetes. Numa delas, estudantes pressionam Fellini porque n\u00e3o querem ver a Roma \u201csimp\u00e1tica, confusa e maternal\u201d de todos os filmes, mas sim os problemas dos trabalhadores, da educa\u00e7\u00e3o. Um produtor se preocupa: \u201cEste filme ser\u00e1 exibido no estrangeiro. O que v\u00e3o pensar da nossa querida Roma cheia de vadios, drogados, hippies nojentos, travestis e estudantes que n\u00e3o querem estudar?\u201d, diz. A sa\u00edda de Fellini \u00e9 voltar ao passado, direto para um velho teatro pr\u00e9-guerra, em que artistas desafiam o p\u00fablico em n\u00fameros de com\u00e9dia, m\u00fasica e dan\u00e7a. No entanto, o alarme soa e todos s\u00e3o levados para um abrigo antia\u00e9reo. Bombas caem sobra cidade do Papa enquanto geringon\u00e7as perfuram o subterr\u00e2neo tentando expandir as linhas de metr\u00f4. \u201cA cada 100 metros encontramos uma obra hist\u00f3rica\u201d, diz em tom de pesar o dono da companhia. \u201cChamamos os arque\u00f3logos e as obras param por quase um ano. Sabe desde quando existem planos de metr\u00f4 em Roma? 1880. Sempre paramos na burocracia e nas obras hist\u00f3ricas\u201d, ele conclui. O ponto alto do filme (e uma das passagens cl\u00e1ssicas da carreira de Fellini): um corrosivo desfile de moda eclesi\u00e1stica! O diretor destr\u00f3i a cidade e a acaricia. Na sequencia, um escritor norte-americano explica: \u201cQuer saber por que vivo em Roma? Porque \u00e9 a cidade das ilus\u00f5es. \u00c9 uma cidade, antes de tudo, da Igreja, do governo e do cinema, todos fabricantes de ilus\u00f5es. Eu tamb\u00e9m fabrico ilus\u00f5es. E quer lugar melhor do que esta cidade, que j\u00e1 morreu tantas vezes, e ressuscitou outras tantas, para ver o verdadeiro final da humanidade atrav\u00e9s da superpopula\u00e7\u00e3o e da polui\u00e7\u00e3o? Me parece o local perfeito para ver se acabamos de vez ou n\u00e3o\u201d. A cena termina com um brinde ao final da humanidade. E de Roma. Os \u201crestos da cidade\u201d s\u00e3o iluminados em um passeio de moto na madrugada que \u00e9 pura poesia cinematogr\u00e1fica.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27871\" title=\"94amarcord\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/94amarcord.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/94amarcord.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/94amarcord-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: Amarcord (1973)<br \/>\nTitulo nacional: Amarcord<\/strong><br \/>\nUma refer\u00eancia \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o fon\u00e9tica da express\u00e3o \u2018io me ricordo\u2019 (eu me lembro) usada como dialeto na regi\u00e3o da Em\u00edlia-Romana, onde Fellini nasceu, nomeia o quarto filme do diretor a levar para a It\u00e1lia o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Fellini negava o car\u00e1ter autobiogr\u00e1fico da obra, mas admitia certa inspira\u00e7\u00e3o (muitas vezes inventada) dos anos de Rimini. \u201cAmarcord\u201d se passa nos anos de 1932 e 1933 com um admir\u00e1vel n\u00famero de personagens marcantes: de uma charmosa cabeleireira que encanta a todos os homens a uma bela ninfoman\u00edaca; de um vendedor ambulante que adora contar causos a um acordeonista cego; de um advogado apaixonado por sua cidade a um motoqueiro; de uma dona de tabacaria com seios fartos a uma freira an\u00e3 at\u00e9 uma autentica fam\u00edlia italiana, os Biondi, representada pelo engra\u00e7ado av\u00f4, pela m\u00e3e Miranda, pelo pai Aur\u00e9lio, pelos tios Nanno (o conquistador) e Teo (que enlouqueceu) e pelo filho Titta, este \u00faltimo o fio condutor da trama, pois s\u00e3o suas mem\u00f3rias (boa parte delas na companhia de amigos que podem ser os mesmos de \u201cI Vitelloni\u201d, de 20 anos antes) que permitem ao diretor reviver fam\u00edlia, religi\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e os desejos sexuais tanto cravar a ferro e fogo na testa italiana a pol\u00edtica fascista dos anos Mussolini, vergonhosamente (e inocentemente) idolatrada por muitos. Simples e comovente, \u201cAmarcord\u201d se valoriza pela delicadeza ora c\u00f4mica, ora dram\u00e1tica, em que Fellini se apoia para recontar sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, e, por conseguinte, da It\u00e1lia. O resultado \u00e9 outra das obras primas do diretor.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27872\" title=\"95casanova\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/95casanova.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/95casanova.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/95casanova-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: Il Casanova di Federico Fellini (1976)<br \/>\nTitulo nacional: Casanova<\/strong><br \/>\nGiacomo Casanova nasceu em Veneza em 1725, e v\u00e1rios adjetivos sucedem seu nome: aos conhecidos conquistador e aventureiro se juntam charlat\u00e3o, fil\u00f3sofo, matem\u00e1tico, trapaceiro, herege e muito mais. Morreu em Dux, na Bohemia, aos 73 anos, deixando para tr\u00e1s mais de 3.500 p\u00e1ginas contando a hist\u00f3ria de sua vida (lan\u00e7adas numa obra de 12 volumes em 1820, com edi\u00e7\u00e3o de Jean Laforge, que, dizem, apimentou as passagens sexuais \u2013 que acabaram por fazer a fama do veneziano). Para esta adapta\u00e7\u00e3o, Fellini escalou Donald Sutherland para o papel principal, e o ator canadense brilha num personagem caricato, infantil e g\u00e9lido, que usa seu poder de ret\u00f3rica para dobrar rica\u00e7os e galantear donzelas nas principais cortes da Europa. Na cama (seja num quarto sujo, seja em um pal\u00e1cio), Giacomo \u00e9 um atleta perform\u00e1tico e insens\u00edvel, e a mulher a sua frente \u00e9 apenas um pretexto para suas fantasias, uma fantoche, e duas das grandes cenas do filme s\u00e3o fruto da vis\u00e3o corrosiva do diretor, que faz o amante se encantar por uma boneca, t\u00e3o sem alma quanto ele, que ele tira para uma dan\u00e7a, e a seduz. Fellini critica n\u00e3o s\u00f3 a vulgaridade de Casanova (adorado por muitos&#8230; tal qual a Mussolini), mas tamb\u00e9m sua infantilidade eterna e seu obstinado desejo por fama. Uma vers\u00e3o profunda e teatral daquilo que inspiraria os melhores filmes de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/01\/31\/um-lugar-qualquer-sofia-coppola\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sofia Coppola<\/a>, \u201cCasanova\u201d ilumina o vazio existencial n\u00e3o s\u00f3 do homem, mas de toda a humanidade em 2 horas e 35 minutos. Viver \u00e9 uma eterna encena\u00e7\u00e3o, provoca o diretor. Palmas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27875\" title=\"96ensaio\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/96ensaio.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/96ensaio.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/96ensaio-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: Prova d\u2019Orchestra (1978)<br \/>\nTitulo nacional: Ensaio de Orquestra<\/strong><br \/>\nO cen\u00e1rio: uma antiga capela do s\u00e9culo 13, t\u00famulo de tr\u00eas Papas e sete Bispos, de sensacional ac\u00fastica, usada agora para o ensaio de uma orquestra. Os personagens: um grupo de m\u00fasicos italianos regidos por um maestro alem\u00e3o. Uma equipe de TV, comandada por Fellini (com voz em off), est\u00e1 no local para entrevistar os m\u00fasicos, e isso j\u00e1 serve como ponto de partida para uma revolta trabalhista (\u201cVou perguntar ao Sindicato se devo ganhar um b\u00f4nus para a entrevista\u201d, diz algu\u00e9m) tanto quanto para uma an\u00e1lise sarc\u00e1stica do ego de cada m\u00fasico tendo como foco seus pr\u00f3prios instrumentos. No auge da crise na orquestra, ap\u00f3s uma greve (tempo h\u00e1bil para que um dos m\u00fasicos transe com a pianista embaixo do piano enquanto ela devora um sandu\u00edche \u2013 ela n\u00e3o se importa nem com o sexo, nem com a m\u00fasica), o grupo decide trocar o maestro por um enorme metr\u00f4nomo. A revolta aumenta, a hist\u00f3ria sufoca o espectador, e, em certo momento, o cen\u00e1rio \u00fanico e o caos que se instala remetem a \u201cO Anjo Exterminador\u201d, obra prima de Bu\u00f1uel (o filme de Fellini \u00e9 inferior), mas a cr\u00edtica aqui \u00e9 pol\u00edtica: troque a capela pela It\u00e1lia, os m\u00fasicos pelo povo e o maestro por Mussolini (ou Hitler) e eis uma met\u00e1fora brilhante da for\u00e7a do poder sobre a individualidade. N\u00e3o \u00e0 toa, o filme termina com o maestro gritando com os m\u00fasicos em&#8230; alem\u00e3o. Terceiro filme seguido do diretor com potente acento pol\u00edtico, \u201cEnsaio de Orquestra\u201d tamb\u00e9m \u00e9 sua \u00faltima parceria com Nino Rota, que o acompanhava desde 1952 (em \u201cAbismo de Um Sonho\u201d) e faleceu ap\u00f3s o lan\u00e7amento.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27876\" title=\"97cidade\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/97cidade.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/97cidade.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/97cidade-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: La Citt\u00e0 Delle Donne (1980)<br \/>\nTitulo nacional: Cidade das Mulheres<\/strong><br \/>\nPrimeiro filme com Mastroianni em mais de 10 anos, e n\u00e3o por acaso, \u201cCidade das Mulheres\u201d transporta o personagem inocentemente mulherengo (e nem por isso menos \u201cculpado\u201d) de \u201cA Doce Vida\u201d para um cen\u00e1rio de desejo e confronto que soa como um mea culpa do diretor por certa misoginia e tantos personagens femininos estereotipados, ainda que tenha contrariado feministas \u2013 mesmo com seu desfecho on\u00edrico. \u201cCidade das Mulheres\u201d come\u00e7a com um homem (Snaporaz \/ Marcello) que se sente atra\u00eddo por uma bela mulher. No jogo de sedu\u00e7\u00e3o, ele a segue e o destino ser\u00e1 um hotel em que est\u00e1 acontecendo um encontro feminista, e Snaporaz, num primeiro momento, se sente num para\u00edso repleto de mulheres (o desejo infantil) para, na sequencia, se sentir acuado pelo que ele mesmo representa (o confronto adulto). Ap\u00f3s ser abusado por uma senhora (a invers\u00e3o de valores num ataque \u00e0 ditadura da beleza: ele a repele, mas depois desejar\u00e1 Donatella, a bela jovem de seios fartos) e perseguido por um grupo de jovens l\u00e9sbicas, acaba na mans\u00e3o de um velho amigo conquistador. \u00c9 l\u00e1, ap\u00f3s uma longa DR com a esposa e um julgamento por feministas (em que ele \u00e9 considerado culpado \u2013 inclusive por urinar em p\u00e9), que Snaporaz vive o grande momento do filme, quando desce um escorregador de mem\u00f3ria e observa a influ\u00eancia das mulheres em sua vida desde quando era crian\u00e7a. Ap\u00f3s isso, Fellini se estende mais do que deveria buscando a mulher ideal, e finaliza deixando personagem e espectador (cansado e) em reflex\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27877\" title=\"98elanave\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/98elanave.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/98elanave.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/98elanave-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: E La Nave Va (1983)<br \/>\nTitulo nacional: E La Nave Va<\/strong><br \/>\n\u00daltima obra-prima de Federico, \u201cE La Nave Va\u201d come\u00e7a com uma das cenas de abertura mais belas da hist\u00f3ria do cinema: \u00e9 1914, e um grupo de pessoas chega ao porto de N\u00e1poles para embarcar no navio Gloria N., que tem como miss\u00e3o, o espectador descobrir\u00e1 depois, levar as cinzas da grande cantora de \u00f3pera Edmea Tetua para serem despejadas em torno da ilha de Erimo, onde ela nasceu. O filme come\u00e7a mudo e em PB e o som de vozes vai aumentando gradativamente enquanto as cenas ganham cor, num exerc\u00edcio absolutamente sublime. No navio, o jornalista Orlando, que acompanha o funeral para um programa de TV, introduz os tripulantes: cantores l\u00edricos, donos de casas de \u00f3pera, cr\u00edticos e o arquiduque de Herzog (parte do Imp\u00e9rio Austro-H\u00fangaro). As idiossincrasias de cada personagem s\u00e3o ca\u00e7oadas na primeira parte do filme, que come\u00e7a a mudar de foco quando o grupo de cantores visita a caldeira do navio, repleta de trabalhadores: \u201cQuanto tempo eles ficam aqui?\u201d, pergunta uma cantora. \u201cEst\u00e3o t\u00e3o acostumados que ficam doentes quando saem\u201d, diz o oficial do navio. Segue-se, ent\u00e3o, uma disputa de egos vocais. No dia seguinte, o comandante resgata um grupo de s\u00e9rvios (camponeses, ciganos e estudantes) fugindo do pa\u00eds ap\u00f3s o caos que tomou a regi\u00e3o devido ao assassinato do arquiduque austr\u00edaco Franz Ferdinand em Sarajevo (que deflagrar\u00e1 a Primeira Guerra Mundial). Focando os conflitos sociais a bordo do Gloria N., o diretor cr\u00edtica a alta sociedade europeia da Belle \u00c9poque, culminando na entrega dos fugitivos ao ex\u00e9rcito austro-h\u00fangaro. Num gesto de autoan\u00e1lise tardia, o jornalista admite: \u201cTeria sido melhor se n\u00f3s tiv\u00e9ssemos dito: N\u00e3o entregamos os s\u00e9rvios\u201d. Mas a hist\u00f3ria foi outra&#8230; e o que sobrar\u00e1? Um homem e um rinoceronte, alus\u00e3o direta \u00e0 pe\u00e7a \u201cO Rinoceronte\u201d (1959), de Eug\u00e8ne Ionesco, que flagra a sociedade francesa tomando o absurdo como normal (e aceitando a propaga\u00e7\u00e3o do nazismo): \u201cE o rinoceronte d\u00e1 um \u00f3timo leite\u201d, conclui o jornalista. Normal? Melanc\u00f3lico (a \u00f3pera como trilha e o funeral como tema amplificam a sensa\u00e7\u00e3o), \u201cE La Nave Va\u201d \u00e9 o come\u00e7o do fim do mundo (ou \u201cbum, bum, bum\u201d, como explica o arquiduque), do cinema (perdendo espa\u00e7o para a TV, inclusive no pr\u00f3prio filme) e da pr\u00f3pria \u00f3pera (num belo vel\u00f3rio) na vis\u00e3o felliniana.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27878\" title=\"99ginger\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/99ginger.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/99ginger.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/99ginger-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: Ginger e Fred (1986)<br \/>\nTitulo nacional: Ginger e Fred<\/strong><br \/>\nApesar de seu status posterior de obra-prima, \u201cE La Nave Va\u201d n\u00e3o obteve a recep\u00e7\u00e3o calorosa do p\u00fablico (nem das premia\u00e7\u00f5es), e Fellini, ruminando algo que j\u00e1 falava desde o come\u00e7o dos anos 70, tinha seu culpado: a televis\u00e3o. N\u00e3o foi estranho ent\u00e3o quando, ao anunciar seu pr\u00f3ximo projeto, contou que seria um filme sobre os bastidores de um programa de TV. Para os papeis principais, o diretor escalou Giulietta Masina e Marcello Mastroiani, que viveriam dois antigos dan\u00e7arinos que, 30 anos antes, foram famosos imitando Ginger Rogers e Fred Astaire. Como era de se esperar, Fellini sacaneia a televis\u00e3o, fotografa uma Roma polu\u00edda por cartazes e outdoors (e tomada por ambulantes) e culpa a publicidade pela decad\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 da arte, mas da pr\u00f3pria cidade. O tal programa \u00e9 algo como esses dominicais brasileiros, sempre atr\u00e1s do bizarro e da l\u00e1grima f\u00e1cil para \u201ccativar\u201d a audi\u00eancia. A ira do diretor escorre pela tela de forma c\u00ednica, mas, ainda assim, \u201cGinger e Fred\u201d t\u00eam belos momentos emocionais, muito pelas atua\u00e7\u00f5es delicadas de Giulietta e Marcello, dois dos principais atores de Fellini, atuando juntos pela primeira vez (no antepen\u00faltimo filme do diretor). S\u00e1tira afiada, mas datada, \u201cGinger e Fred\u201d sinaliza, com nostalgia aparente, o envelhecimento de Fellini e, por conseguinte, de seu cinema \u2013 n\u00e3o \u00e0 toa, Martin Scorsese conseguiu um resultado mais focado sobre o poder da TV e o v\u00edcio da fama com o excelente \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/12\/20\/tres-filmes-scorsese-1977-1981-1993\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Rei da Com\u00e9dia<\/a>\u201d, tr\u00eas anos antes. Um filme menor, mas ainda assim, interessante.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27879\" title=\"entrevista\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/entrevista.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: Intervista (1987)<br \/>\nTitulo nacional: Entrevista<\/strong><br \/>\nAssim como tr\u00eas de seus quatro filmes anteriores, \u201cEntrevista\u201d traz a televis\u00e3o para frente das c\u00e2meras, mas seu tom \u00e9 mais melanc\u00f3lico do que o caos crescente (e depois domado) de \u201cEnsaio de Orquestra\u201d, do que o distanciamento f\u00fanebre de \u201cE La Nave Va\u201d e do que a cr\u00edtica c\u00ednica de \u201cGinger e Fred\u201d. Em \u201cEntrevista\u201d, temos quatro filmes dentro de um: no primeiro, uma equipe japonesa visita o est\u00fadio Cinecitt\u00e0 para entrevistar o diretor, que diz estar filmando uma adapta\u00e7\u00e3o de \u201cAmerika\u201d, de Kafka (o segundo filme), e aproveita para reconstruir mem\u00f3rias de seu passado para que os japoneses (e, por conseguinte, o p\u00fablico) visualizem sua primeira visita \u00e0 Cinecitt\u00e0, os bastidores do cinema e relembre alguns personagens cl\u00e1ssicos (surgindo um terceiro filme). A reuni\u00e3o destes tr\u00eas filmes rende o quarto filme e produto final, \u201cEntrevista\u201d. Bonito e equilibrado, a pen\u00faltima obra de Federico traz ao menos dois momentos de puro lirismo: no primeiro, dois pintores jogam conversa fora enquanto pintam a parede de um est\u00fadio; no segundo, Mastroianni, vestido como o m\u00e1gico Mandrake para uma propaganda de TV (v\u00e1rias s\u00e3o encenadas durante as caminhadas de Fellini pela Cinecitt\u00e0) visita Anita Ekberg em sua casa no campo, nas proximidades de Roma, e juntos eles assistem a uma proje\u00e7\u00e3o de \u201cA Doce Vida\u201d, 26 anos depois, e Anita se emociona. Na \u00faltima cena, com uma antena televisiva em foco, um personagem diz que o filme j\u00e1 deveria acabar e j\u00e1 acabou, declara\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da derrocada do cinema frente \u00e0 televis\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27880\" title=\"avozdalua\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/avozdalua.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/avozdalua.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/avozdalua-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: La Voce Della Luna (1990)<br \/>\nTitulo nacional: A Voz da Lua<\/strong><br \/>\nObra derradeira do diretor, que morreria em 1993, \u201cA Voz da Lua\u201d se baseia no livro \u201cO Poema dos Lun\u00e1ticos\u201d, de Ermanno Cavazzoni (que colabora no roteiro), flagrando dois paranoicos vagando pela Em\u00edlia-Romana: Ivo Salvini (Roberto Benigni, \u00f3timo no papel), um rapaz que ouve vozes e \u00e9 apaixonado por Aldina (que ser\u00e1 coroada Rainha da Farinha 1989 no Festival do Gnocchi da cidade &#8211; uma cena hil\u00e1ria), e Gonella (Paolo Villaggio, tamb\u00e9m \u00f3timo), um ex-prefeito afastado do cargo por acreditar estar sendo perseguido todo o tempo por pessoas que queriam derruba-lo. H\u00e1 ainda um m\u00fasico que, assombrado pelas notas do tr\u00edtono &#8216;Diabolo in Musica&#8217;, decide viver em uma gaveta de cemit\u00e9rio. Fellini realiza outro filme on\u00edrico em que rememora situa\u00e7\u00f5es da adolesc\u00eancia, esbarra na tem\u00e1tica de seus primeiros filmes cat\u00f3licos (principalmente \u201cA Estrada da Vida\u201d) tanto quanto de sua cr\u00edtica ao catolicismo (do magistral \u201cRoma\u201d) e volta a criticar a televis\u00e3o (e n\u00e3o s\u00f3 ela: o magnata da comunica\u00e7\u00e3o Silvio Berlusconi, desenhado na porta da cozinha de um restaurante, leva v\u00e1rios chutes) e, nominalmente, a publicidade. Refugiado na loucura de seus personagens, \u201cA Voz da Lua\u201d n\u00e3o deixa de ser um epit\u00e1fio marcante, principalmente quando, em seu trecho final, um personagem questiona ao Papa: \u201cPor que temos que nascer? O que estou fazendo neste mundo?\u201d, causando uma grande confus\u00e3o. O filme e a hist\u00f3ria baixam o pano com uma frase significativa: \u201cSe todos fiz\u00e9ssemos um pouco de sil\u00eancio, talvez pud\u00e9ssemos entender qualquer coisa\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>CINCO FILMES SOBRE FELLINI<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27882\" title=\"fellinie\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/fellinie.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/fellinie.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/fellinie-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: Fellini Racconta \u2013 Un Autoritratto Ritrovato, de Paquito Del Bosco (2000)<br \/>\nTitulo nacional: Fellini, um Autorretrato<\/strong><br \/>\nDocument\u00e1rio dirigido por Paquito Del Bosco e produzido pela TV RAI, \u201cFellini Racconta\u201d tra\u00e7a um perfil biogr\u00e1fico do diretor a partir de entrevistas e cenas raras de arquivo da pr\u00f3pria emissora num interessante apanhado da TV (que Fellini tanto iria criticar em seus \u00faltimos anos) italiana acompanhando o diretor nos sets de filmagem de \u201cAbismo de um Sonho\u201d (1952), \u201cA Doce Vida\u201d (1960), \u201cOito e Meio\u201d (1963) e \u201cJulieta os Esp\u00edritos\u201d (1965), entre outros, mostrando cenas deletadas destes filmes al\u00e9m do \u00fanico trecho filmado do n\u00e3o acabado \u201cA Viagem de Mastorna\u201d (exibido tamb\u00e9m em \u201cAnota\u00e7\u00f5es de um Diretor\u201d, de 1969). \u00c9 interessante para ouvir declara\u00e7\u00f5es de Fellini, como essa no set de seu primeiro filme: &#8220;Eu n\u00e3o quero mostrar nada, n\u00e3o tenho mensagens para a humanidade. Lamento. Para ser sincero, quis fazer apenas um filme divertido. Sobretudo um filme para me divertir&#8221;. H\u00e1 um refor\u00e7o dessa ideia em v\u00e1rios momentos da carreira de Federico, que defendia o uso do cinema como um objeto muito mais de divers\u00e3o do que de cr\u00edtica. O document\u00e1rio ainda mostra uma reuni\u00e3o dele com Ingmar Bergman, para um projeto que n\u00e3o foi realizado, a expectativa que cercou a indica\u00e7\u00e3o de \u201cAmarcord\u201d ao Oscar e sua experi\u00eancia de levar \u201cOito e Meio\u201d para uma plateia sovi\u00e9tica (\u201cHavia 8 mil pessoas assistindo, e eles aplaudiram no final\u201d, ele conta). Segundo ele, &#8220;vivemos num mundo brutal, assustador, e ao mesmo tempo espl\u00eandido, sedutor e divino&#8221;. Fellini preferiu focar no segundo grupo para criar sua obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ps. Presente nos extras da edi\u00e7\u00e3o nacional do filme \u201cOito e Meio\u201d, da Vers\u00e1til<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27883\" title=\"magic\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/magic.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/magic.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/magic-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: The Magic of Fellini, de Carmen Piccini (2002)<br \/>\nTitulo nacional: A Magia de Fellini<\/strong><br \/>\nProduzido pela atriz e documentarista italiana Carmen Piccini, \u201cA Magia de Fellini\u201d re\u00fane \u00f3timas entrevistas de arquivo do diretor e conversas com atores, produtores, cineastas e profissionais que trabalharam com Federico, criando um painel amplo e did\u00e1tico sobre o modo como ele dirigia (e escolhia seus atores). \u201cEm primeiro lugar: ele n\u00e3o me deu um roteiro\u201d, relembra Anthony Quinn, o Zampano de \u201cLa Strada\u201d (1954). \u201cN\u00e3o existe roteiro em \u2018Oito e Meio\u2019. Foi tudo improvisado\u201d, diz Claudia Cardinale. \u201cE o roteiro?\u201d, perguntou Anita Ekberg. \u201cEu n\u00e3o tenho roteiro\u201d, respondeu Fellini. \u201cMas eu preciso saber os di\u00e1logos!\u201d, disse a atriz. \u201cN\u00e3o h\u00e1 di\u00e1logos\u201d, ele respondeu. \u201cEscrevemos o roteiro juntos durante as filmagens\u201d, acalmou-a. Funcionou? Bem, \u00e9 um dos melhores filmes de todos os tempos. \u201cA Magia de Fellini\u201d ainda traz \u00f3timas declara\u00e7\u00f5es de Martin Scorsese, Woody Allen, Roberto Benigni e Donald Sutherland (\u201cDe vez em quando rolava um \u2018est\u00fapido\u2019 no set\u201d, comenta o ator, no que Fellini responde \u2013 para uma atriz magoada com seu m\u00e9todo de trabalho: \u201cEm Roma falamos assim, \u00e9 uma coisa afetuosa\u201d), que atuou no filme \u201cCasanova\u201d (1976), e de Fiammetta Profili, assistente pessoal do diretor, que fala sobre um de seus pontos cr\u00edticos: a dublagem (Fellini nunca gravava o som ambiente). \u201c\u00c0s vezes, na dublagem, ele mudava completamente o di\u00e1logo dos atores. Obviamente, havia problemas grav\u00edssimos de sincronismo\u201d, diz a assistente citando algumas hist\u00f3rias \u00f3timas num document\u00e1rio que ajuda a entender o mito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ps. Presente nos extras da edi\u00e7\u00e3o nacional dupla do filme \u201cA Doce Vida\u201d, da Vers\u00e1til.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27885\" title=\"mentiroso\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/mentiroso.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: Fellini, Je Suis Un Grand Menteur, de Damian Pettigrew (2002)<br \/>\nTitulo nacional: Eu Sou Um Grande Mentiroso<\/strong><br \/>\nO melhor document\u00e1rio sobre Fellini surgiu ao acaso. O cineasta canadense Damian Pettigrew queria fazer um filme sobre Italo Calvino, e marcou alguns encontros com o escritor em Roma, em que o assunto, invariavelmente, era \u201cOito e Meio\u201d. Calvino, ent\u00e3o, levou Pettigrew a um almo\u00e7o na Cinecitt\u00e0 em que Fellini seria o cozinheiro. \u201cCheguei e l\u00e1 estava ele cortando alho\u201d, contou o canadense numa entrevista. L\u00e1 conversaram sobre como um personagem e o local podiam se fundir, e Pettigrew ficou impressionado como Fellini lembrava onde cada cena sua havia sido filmada ou o que inspirara cen\u00e1rios (do local derradeiro de Augusto, de \u201cA Trapa\u00e7a\u201d, passando por loca\u00e7\u00f5es de \u201cA Estrada da Vida\u201d e tudo que inspirou \u201cOito e Meio\u201d). Seguiu-se, entre 1991 e 1992, uma das mais reveladoras entrevistas de Fellini (cerca de 10 horas de filmagens), que Pettigrew queria intercalar com imagens dos filmes e as imagens reais que as inspiraram. Demorou 10 anos para ele conseguir o financiamento necess\u00e1rio para viajar pela It\u00e1lia registrando os lugares, e o resultado \u00e9 este excelente \u201cEu Sou Um Grande Mentiroso\u201d, que come\u00e7a, 40 anos depois, na praia em que Saraghina dan\u00e7a rumba em \u201cOito e Meio\u201d e segue com Fellini condenando a liberdade art\u00edstica, sendo acusado de \u201cditador e torturador\u201d por Donald Sutherland (de \u201cCasanova\u201d), que, assim como Terence Stamp (de \u201cToby Dammit\u201d), enxergou em Fellini um ventr\u00edloquo (sendo eles, os atores, seus bonecos, suas marionetes). Um produtor, em certo momento, define com perfei\u00e7\u00e3o: &#8220;Mastroianni foi o maior ator felliniano porque era o \u00fanico que n\u00e3o se importava com a hist\u00f3ria. N\u00e3o fazia perguntas. Chegava de manh\u00e3 sempre cansado e dormia entre as filmagens. Fellini dizia: V\u00e1 at\u00e9 aquela porta, e ele ia. Os outros, ingleses e americanos, perguntavam: vou at\u00e9 a porta fazer o que? Para abri-la?\u201d. Assim como os outros document\u00e1rios, este tamb\u00e9m traz cenas de bastidores de filmes como \u201cAmarcord\u201d, \u201cJulieta dos Esp\u00edritos\u201d e \u201cA Viagem de Mastorna\u201d. Imperd\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ps. Presente nos extras da edi\u00e7\u00e3o nacional do filme \u201cOs Palha\u00e7os\u201d, da Mais Filmes<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27886\" title=\"fellinimito\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/fellinimito.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/fellinimito.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/fellinimito-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo original: Fellini Dice&#8230;, de Gianni Paolucci (2006)<br \/>\nTitulo nacional: Fellini, a Hist\u00f3ria de um Mito<\/strong><br \/>\nRelevando a montagem equivocada (com alguns assuntos desconexos surgindo em sequencia) e a op\u00e7\u00e3o constrangedora de utilizar as cenas dos filmes recortadas como cart\u00f5es postais (que mais parecem filmagem em c\u00e2mera lenta), \u201cFellini Dice&#8230;\u201d tem seu valor pelo \u00f3timo trabalho de pesquisa da equipe, que conseguiu declara\u00e7\u00f5es de diversos atores de Fellini (muitos da primeira fase!), que contam suas experi\u00eancias com o diretor. Alberto Sordi, Franco Fabrizi e Leopoldo Trieste relembram \u201cAbismo de um Sonho\u201d (1952) e \u201cOs Boas Vidas\u201d (1953); Giulietta Masina fala sobre \u201cNoites de Cab\u00edria\u201d (1957) e abre o cora\u00e7\u00e3o sobre o fracasso de \u201cJulieta dos Esp\u00edritos\u201d (1965) \u2013 Sandra Milo tamb\u00e9m fala sobre seu marcante personagem no filme, uma \u2018vamp\u2019. Donald Sutherland fala sobre \u201cCasanova\u201d, com o pr\u00f3prio diretor explicando as press\u00f5es que sofreu para tornar o filme aceit\u00e1vel pelos produtores. Anouk Aim\u00e9e e Marcello Mastroianni relembram as filmagens de \u201cOito e Meio\u201d (1963), e o ator \u00e9 o que mais consegue se aproximar de uma resposta pr\u00e1tica sobre o modo de Fellini dirigir atores que, em cena, falavam n\u00fameros que depois seriam dublados em est\u00fadio: \u201cFellini gostava de rostos, e, muitas vezes, o dono do rosto n\u00e3o era um ator de verdade, n\u00e3o estava acostumado a decorar textos, e Fellini criou um modo mais f\u00e1cil para alcan\u00e7ar o resultado que queria\u201d, ele explica. O diretor ainda defende a dublagem e assiste a raras cenas exclu\u00eddas de \u201cNoites de Cab\u00edria\u201d e \u201cCasanova\u201d, n\u00e3o vistas em outros document\u00e1rios, comentando-as. Muito interessante.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27887\" title=\"federico\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/federico.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/federico.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/federico-300x126.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Titulo Original: Che Strano Chiamarsi Federico! Scola Racconta Fellini (2012)<br \/>\nTitulo Nacional: Que Estranho Chamar-se Federico! Scola conta Fellini<\/strong><br \/>\nUma emocionante homenagem do diretor e amigo Ettore Scola para Federico Fellini nos 20 anos da morte do cineasta de Rimini. Scola (que tamb\u00e9m teve Marcello Mastroianni em seus filmes) relembra seus 50 anos de amizade com Fellini numa cr\u00f4nica cinematogr\u00e1fica que mistura fic\u00e7\u00e3o e document\u00e1rio, e o resultado \u00e9 uma obra que emociona desde a sua abertura, em espanhol, com a voz de Federico Garcia Lorca declamando a frase que d\u00e1 t\u00edtulo ao filme. Ettore Scola ent\u00e3o corta para os anos 30, quando um jovem Fellini chega a reda\u00e7\u00e3o da revista sat\u00edrica Marc\u2019Aurelio (a mesma que Scola come\u00e7aria a trabalhar oito anos depois), e dezenas de cartuns e memorias emocionais povoam a tela. Entre os v\u00e1rios bel\u00edssimos momentos de \u201cQue Estranho Chamar-se Federico!\u201d est\u00e3o a recria\u00e7\u00e3o dos passeios noturnos de Fellini por Roma (destacando as passagens sensacionais com a prostituta Monalisa e um artista de rua) e um trecho magnifico que diz que os cinco Oscars alcan\u00e7ados por Fellini foram um pr\u00eamio n\u00e3o s\u00f3 para o diretor, mas para todas as pessoas de bem na It\u00e1lia, que se emocionavam com o trabalho do homem. No final, focando o cortejo de tr\u00eas dias que se seguiu a sua morte, com seu corpo sendo velado no famoso est\u00fadio 5 da Cinecitt\u00e0, o pr\u00f3prio Fellini d\u00e1 o mote para Scola: \u201cMeu produtor, sempre que via a fita terminada, me dizia: \u2018Mas vai acabar assim? Sem um tra\u00e7o de esperan\u00e7a? Por favor, me de uma pontinha de esperan\u00e7a\u2019\u201d. E Scola o faz de forma magnifica em um filme atemporal, emocional e obrigat\u00f3rio.<\/p>\n<hr \/>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27888\" title=\"oito1meio\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/oito1meio.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"316\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/oito1meio.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/oito1meio-300x156.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/h1>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><strong>TOP 24 FILMES DE FELLINI<\/strong><\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Por ordem, os preferidos de Marcelo Costa, editor do Scream &amp; Yell:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">01) &#8220;Oito e Meio&#8221;, 1963<br \/>\n02) &#8220;A Doce Vida&#8221;, 1960<br \/>\n03) &#8220;E La Nave Va&#8221;, 1983<br \/>\n04) &#8220;Amarcord&#8221;, 1973<br \/>\n05) &#8220;Roma&#8221;, 1972<br \/>\n06) &#8220;Noites de Cab\u00edria&#8221;, 1957<br \/>\n07) &#8220;A Estrada da Vida&#8221;, 1954<br \/>\n08) &#8220;Casanova&#8221;, 1976<br \/>\n09) &#8220;A Trapa\u00e7a&#8221;, 1955<br \/>\n10) &#8220;Ensaio de Orquestra&#8221;, 1978<br \/>\n11) &#8220;Os Boas Vidas&#8221;, 1953<br \/>\n12) &#8220;Anota\u00e7\u00f5es de um Diretor&#8221;, 1969<br \/>\n13) &#8220;Satyricon&#8221;, 1969<br \/>\n14) &#8220;Cidade das Mulheres&#8221;, 1980<br \/>\n15) &#8220;Entrevista&#8221;, 1987<br \/>\n16) &#8220;As Tenta\u00e7\u00f5es do Dr. Ant\u00f4nio&#8221;, 1962<br \/>\n17) &#8220;Toby Dammit&#8221;, 1968<br \/>\n18) &#8220;Agencia Matrimonial&#8221;, 1953<br \/>\n19) &#8220;A Voz da Lua&#8221;, 1990<br \/>\n20) &#8220;Abismo de um Sonho&#8221;, 1952<br \/>\n21) &#8220;Ginger e Fred&#8221;, 1986<br \/>\n22) &#8220;Os Palha\u00e7os&#8221;, 1970<br \/>\n23) &#8220;Mulheres e Luzes&#8221;, 1950<br \/>\n24) &#8220;Julieta dos Esp\u00edritos&#8221;, 1965<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27889\" title=\"fellini_oscar\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/fellini_oscar.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"728\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/fellini_oscar.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/fellini_oscar-247x300.jpg 247w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Filmografia comentada: os 26 filmes de Billy Wilder (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/07\/27\/cinematografia-comentada-billy-wilder\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Filmografia comentada: os 25 filmes de Fran\u00e7ois Truffaut (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/06\/filmografia-comentada-francois-truffaut\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um dos maiores cineastas de todos os tempos, o italiano Fellini dirigiu 24 filmes (entre curtas e longas). Conhe\u00e7a todos! \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/01\/filmografia-comentada-federico-fellini\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":88049,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[5370,1222],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27850"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27850"}],"version-history":[{"count":21,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27850\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":88053,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27850\/revisions\/88053"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/88049"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27850"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27850"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27850"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}