{"id":27615,"date":"2005-05-28T00:30:22","date_gmt":"2005-05-28T03:30:22","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=27615"},"modified":"2019-11-28T11:53:14","modified_gmt":"2019-11-28T14:53:14","slug":"make-believe-do-weezer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/05\/28\/make-believe-do-weezer\/","title":{"rendered":"&#8220;Make Believe&#8221;, do Weezer"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/weezerbelieve.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/tomazalvarenga\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Tomaz de Alvarenga<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><\/strong>Na culin\u00e1ria da m\u00fasica pop, n\u00e3o \u00e9 muito f\u00e1cil voc\u00ea agradar a todos os paladares. Deve-se dosar os temperos, n\u00e3o exagerar nos detalhes, n\u00e3o se esquivar da import\u00e2ncia do prato principal e o mais importante: agradar a clientela, \u00e1vida por riffs saborosos, refr\u00f5es grudentos e doces, letras que descem sem problemas e um aroma pop certeiro, celebrado pelos quatro cozinheiros e pelo chef, como \u00e9 o caso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma indigesta responsabilidade. mas &#8220;Make Believe&#8221;, quinta oferenda do Weezer \u00e9 um prato cheio pra quem tem fome de boa m\u00fasica. O chef Rick Rubin conseguiu colocar aquele providencial tempero pop, o que deixa o \u00e1lbum palat\u00e1vel para todos os gostos, algo como um arroz com feij\u00e3o, gra\u00e7as a um teclado mais do que providencial em alguns trechos, substituindo aquelas distor\u00e7\u00f5es, com todos os seus dissabores, o que espantou os consumidores com o sup\u00e9rfluo &#8220;Maladroit&#8221; (2002), que era gostoso em algumas partes, mas n\u00e3o sustentava, tipo biscoito polvilho antes do almo\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes dele, &#8220;Weezer (Green Album)&#8221; (2001) tinha causado um pouco de mal-estar, pois muitas can\u00e7\u00f5es eram exageradamente deliciosas, mas pouco nutritivas, mostrando uma dieta pouco balanceada. Os pratos causavam um certo enjoo ap\u00f3s v\u00e1rias degusta\u00e7\u00f5es. Que tal algo como uma receita antiga?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os f\u00e3s aguardavam alguns ingredientes que constavam em maravilhas da culin\u00e1ria, como &#8220;Pinkerton&#8221; (1996) e principalmente &#8220;Weezer (Blue Album)&#8221; (1994), um banquete e tanto. Depois de alguns anos enclausurado procurando a f\u00f3rmula certa para dosar seus ingredientes, Rivers Cuomo apresenta um disco delicioso, que pode ser devorado de uma s\u00f3 vez ou degustado aos poucos, absorvendo com maior aten\u00e7\u00e3o cada um dos 12 ingredientes que tornam &#8220;Make Believe&#8221; uma das mais deliciosas aquisi\u00e7\u00f5es do ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O card\u00e1pio n\u00e3o come\u00e7a t\u00e3o bem. o primeiro single do \u00e1lbum abre o disco, e &#8220;Beverly Hills&#8221; causa um certo mal-estar, pois farofa logo na entrada de uma refei\u00e7\u00e3o nunca faz bem mesmo. A letra (assim como o clipe) \u00e9 ir\u00f4nica, mas quase n\u00e3o se percebe, pois muitos tossem com a dif\u00edcil degluti\u00e7\u00e3o. S\u00f3 alguns cabeludos de jeans apertado aprovam, mastigando de boca aberta. &#8220;Perfect Situation&#8221;, a seguinte, \u00e9 um al\u00edvio, lembra bastante o que os cariocas do Los Hermanos cozinhavam em meados de 2001, at\u00e9 abandonarem a dieta powerpop e abra\u00e7arem a culin\u00e1ria essencialmente tupiniquim. O piano \u00e9 uma del\u00edcia, o refr\u00e3o \u00e9 saboroso. Daqui pra frente a maionese n\u00e3o desanda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida um cheirinho de anos 80 infesta o ambiente, &#8220;This is Such a Pity&#8221; segue a cartilha de uma boa m\u00fasica pop com aqueles tecladinhos dando um sabor extra. &#8220;Hold Me&#8221; \u00e9 algo tremendamente Weezer, lembrando perfeitamente o que a banda j\u00e1 elaborava dez anos atr\u00e1s. Prato requentado? S\u00f3 na tem\u00e1tica, mas isso \u00e9 algo recorrente na banda, \u00e9 como quem sempre coloca ketchup na comida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando bate aquela fome por um riff que fica na sua cabe\u00e7a ou por um refr\u00e3o tipo chiclete, aprecie &#8220;Peace&#8221;, uma das mais gostosas can\u00e7\u00f5es que o Weezer j\u00e1 preparou. \u00c9 incr\u00edvel como um singelo &#8220;u\u00f4\u00f4\u00f4\u00f4&#8221;, d\u00e1 um sabor inesperado. \u00c9 como aquele salzinho providencial que faltava na batata frita. &#8220;We Are All On Drugs&#8221; \u00e9 uma cr\u00edtica aos junkies de plant\u00e3o, que se alimentam pouco (ou em demasia, dependendo da subst\u00e2ncia). Rivers Cuomo despeja forte teor de ironia e a digest\u00e3o \u00e9 satisfat\u00f3ria, can\u00e7\u00e3o um pouco mais agitada, como aquelas bebidas mais energ\u00e9ticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um pouco mais de a\u00e7\u00facar e surge &#8220;The Damage in Your Heart&#8221;, onde recomenda-se uma audi\u00e7\u00e3o sem exageros, at\u00e9 porque o refr\u00e3o \u00e9 demasiadamente saboroso e de r\u00e1pida contempla\u00e7\u00e3o. A banda prossegue sedenta por ser a cereja do bolo e n\u00e3o mais os alfaces que apenas escoram os tira-gostos. &#8220;Pardon Me&#8221; ainda apresenta uma &#8220;bridge&#8221; (ponte) adocicada que conduz ao refr\u00e3o que faz lamber os l\u00e1bios. A total simplicidade permeia a maravilhosa &#8220;My Best Friend&#8221;, letra que at\u00e9 uma crian\u00e7a de 8 anos teria preparado, que arrepia de t\u00e3o direta e bela. Singela declara\u00e7\u00e3o de amor ao seu melhor amigo, com \u00f3timas guitarras e aquele coralzinho que j\u00e1 conhecemos t\u00e3o bem o sabor. Satisfaz plenamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;The Other Way&#8221; \u00e9 outro destaque, com ingredientes da culin\u00e1ria loser, melodia que remete ao que a banda melhor sabe servir (com palmas inclu\u00eddas). O disco nem chegou ao fim e voc\u00ea j\u00e1 fica satisfeito, valeu muito a pena. &#8220;Freak Me Out&#8221; \u00e9 calma, linda e enigm\u00e1tica, por\u00e9m simples. \u00c9 um peixe saboroso, mas que voc\u00ea precisa se desdobrar pra n\u00e3o engolir nenhum espinho. A melodia \u00e9 sutil e agrada, \u00e9 aquela torta doce que voc\u00ea fingiu que n\u00e3o viu, mas que n\u00e3o resistiu, assim como a gaita no meio da can\u00e7\u00e3o e alguns farelos de Beach Boys que ficaram no canto do prato e voc\u00ea buscou com o dedo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea, feliz da vida, satisfeito, vai embora, mas acaba voltando pra dar aquela \u00faltima e famosa &#8220;beliscada&#8221;, &#8220;Haunt You Every Day&#8221;, onde o Weezer humilha qualquer banda que posa de tristonha (e suas diet songs), mas que n\u00e3o tem uma grama da melancolia, ora apreciada na melodia, ora avidamente nas letras. O refr\u00e3o d\u00f3i de t\u00e3o belo, talvez depois de tantos anos sem ingerir Weezer, deve-se ir devagar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De qualquer forma, &#8220;Make Believe&#8221; \u00e9 uma del\u00edcia, mas tome cuidado: seu uso recorrente, (trocando em mi\u00fados:gula mesmo), acarretar\u00e1 no risco de voc\u00ea expelir certos gases provenientes da mais absoluta excita\u00e7\u00e3o, pois a banda enfim reencontrou sua melhor forma. Portanto, sirva-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/r5muPp2_Ac4\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/r5muPp2_Ac4\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Tomaz de Alvarenga (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/tomazalvarenga\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@tomazalvarenga<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o blog <a href=\"http:\/\/blogcontratempo.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Contratempo<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n-\u201dPoucas bandas me decepcionaram tanto quanto o Weezer nos \u00faltimos 10 anos\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/12\/14\/no-final-tudo-vai-dar-certo-rivers\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n-Brian Bell: &#8220;N\u00e3o gosto de emo &#8211; ainda que muita gente possa me odiar por dizer isso (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/10\/12\/entrevista-brian-bell-weezer\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Tomaz de Alvarenga\nO Weezer enfim reencontrou sua melhor forma! \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/05\/28\/make-believe-do-weezer\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":82,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27615"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/82"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27615"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27615\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53840,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27615\/revisions\/53840"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27615"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27615"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27615"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}