{"id":27610,"date":"2005-10-12T00:18:07","date_gmt":"2005-10-12T03:18:07","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=27610"},"modified":"2019-11-28T11:45:45","modified_gmt":"2019-11-28T14:45:45","slug":"entrevista-brian-bell-weezer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/10\/12\/entrevista-brian-bell-weezer\/","title":{"rendered":"Entrevista: Brian Bell (Weezer)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27612\" title=\"weezer2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/weezer2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"432\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/weezer2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/weezer2-300x214.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/MarcoAntonioBarbosaJr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marco Antonio Barbosa<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><\/strong>&#8220;Nossos shows s\u00e3o como uma bizarra, estranha congrega\u00e7\u00e3o de pessoas que cantam nossas musicas de cor, do in\u00edcio ao fim. Acho que eles cantam t\u00e3o alto que mal conseguem nos ouvir tocando&#8221;. Brian Bell n\u00e3o estava exagerando quando afirmou isso, por telefone, cerca de duas semanas antes do Weezer fazer seu &#8211; primeiro e \u00fanico &#8211; show brasileiro. O fato \u00e9 que, quando a banda come\u00e7ou o set, tocando &#8220;My Name Is Jonas&#8221; (a primeira m\u00fasica do primeiro disco deles), realmente n\u00e3o deu para ouvir direito o dedilhado de guitarra feito pelo pr\u00f3prio Brian. A gritaria que o p\u00fablico do Curitiba Rock Festival fez para receber Rivers Cuomo (guitarra e voz), Pat Wilson (bateria), Scott Shrine (baixo) e Brian (guitarra, teclados) soterrou os primeiros acordes da m\u00fasica. E naquela gelada noite de s\u00e1bado, esse tipo de rea\u00e7\u00e3o foi a regra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 claro que o quarteto, reconhecidamente uma banda que excursiona muito (basta conferir o progresso das turn\u00eas no site <a href=\"http:\/\/www.weezer.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.weezer.com<\/a>), j\u00e1 tinha uma ideia de como seria a recep\u00e7\u00e3o do povo brasileiro. &#8220;Estou muito excitado com a viagem, acho que vamos ser recebidos calorosamente, com muita energia. Vejo na minha cabe\u00e7a muita gente bonita (risos), energia, exuber\u00e2ncia, dan\u00e7a, alegria de viver&#8221;, chutou Brian em sua entrevista pr\u00e9-show. Ele certamente tinha alguma ideia do que estava falando. &#8220;Recebemos cartas dos f\u00e3s brasileiros desde o come\u00e7o da banda, n\u00e3o sei porque demoramos tanto tempo para vir&#8221;, diz o guitarrista, membro fundador do Weezer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A visita ao Brasil serviu oficialmente para divulgar &#8220;Make Believe&#8221;, o quinto disco de est\u00fadio do grupo. Quatro meses depois do lan\u00e7amento do \u00e1lbum, a banda parece satisfeita com o resultado. &#8220;Eu ainda n\u00e3o me cansei de &#8216;Make Believe&#8217;. Acho que no processo de gravar o disco eu talvez tenha me cansado um pouco das m\u00fasicas, mas foi s\u00f3. N\u00e3o foi um disco que ouvimos muito logo depois de acabarmos de grav\u00e1-lo; agora s\u00f3 ouvimos as m\u00fasicas ao vivo, ou quando precisamos pegar o disco de novo por ter esquecido como tocar algum peda\u00e7o. N\u00f3s estamos tocando um punhado de m\u00fasicas novas, tentando fazer justi\u00e7a \u00e0s vers\u00f5es de est\u00fadio. N\u00e3o estamos preocupados em mudar as can\u00e7\u00f5es ou faze-las &#8216;evoluir&#8217;; o disco tem muitas texturas sonoras que nunca t\u00ednhamos feito antes. Apenas recri\u00e1-las ao vivo j\u00e1 \u00e9 um desafio&#8221;, elabora Brian. &#8220;\u00c9 diferente de pegarmos m\u00fasicas antigas e tentarmos adicionar coisas a elas para fortalec\u00ea-las, pensando &#8216;era assim que dever\u00edamos ter gravado originalmente&#8217;. Agora \u00e9 o oposto, estamos tentando igualar o CD. N\u00f3s pusemos muitos teclados nesse disco, e eu toco os teclados ao vivo&#8221;, completa. Detalhe: o Moog que Bell tocou em Curitiba foi emprestado pelos ga\u00fachos da Bid\u00ea Ou Balde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o aos shows que a banda tem feito nos \u00faltimos meses, o show no Curitiba Master Hall teve algumas altera\u00e7\u00f5es no set list. Saiu, por exemplo, &#8220;Pardon Me&#8221;, para entrar &#8220;This Is Such a Pity&#8221;. De resto, prezando o ineditismo da visita, o Weezer fez um show que reviu (quase) todas as fases da carreira da banda. O povo parecia n\u00e3o acreditar. Seria real? Talvez o t\u00edtulo do disco, &#8220;faz de conta&#8221;, seja o que se passou na cabe\u00e7a dos quase quatro mil presentes \u00e0 primeira noite do CRF. Para Bell, a express\u00e3o que d\u00e1 nome ao CD \u00e9 mais um enigma para os fan\u00e1ticos. &#8220;\u00c9 dif\u00edcil para mim responder o que significa realmente. Ele (Rivers) veio com o t\u00edtulo h\u00e1 dois anos e ele apenas gostava da express\u00e3o, sem pensar se era negativo ou positivo. A defini\u00e7\u00e3o que ele deu&#8230; me lembro que me pareceu um bom t\u00edtulo na capa e que caiu bem com a arte do CD. Sobre o que significa, ou como se encaixa no contexto das letras ou at\u00e9 da m\u00fasica&#8230; \u00e9 realmente algo que ningu\u00e9m pode dizer, s\u00f3 ele&#8221;, diz o guitarrista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas h\u00e1 algumas pistas. Como por exemplo, a sinceridade, caracter\u00edstica muito associada aos versos de Cuomo (e que tanto agrada, por exemplo, a mo\u00e7adinha emo). &#8220;Rivers disse que queria se distanciar totalmente da ironia com as novas m\u00fasicas&#8221;, explica Bell. &#8220;Ironicamente (risos), os dois primeiros singles s\u00e3o justamente os que t\u00eam letras ir\u00f4nicas!&#8221;, continua, referindo-se a versos como &#8220;Meu autom\u00f3vel \u00e9 um peda\u00e7o de lixo\/ Meu gosto para roupas \u00e9 meio maluco\/ E meus amigos s\u00e3o t\u00e3o cool quanto eu&#8221; (de &#8220;Beverly Hills&#8221;) ou num refr\u00e3o como &#8220;Estamos todos drogados\/ Nunca \u00e9 demais \/ Estamos todos drogados \/ Me d\u00ea mais desse neg\u00f3cio&#8221; (&#8220;We Are All on Drugs&#8221;). &#8220;Acho que, mesmo sem perceber, ele acabou sendo ir\u00f4nico, ou melhor, os versos soaram como ironia. Mas ele disse que s\u00e3o letras muito s\u00e9rias, que foram escritas no calor do momento, com emo\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Brian.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria apenas mais uma das contradi\u00e7\u00f5es e esquisitices de Cuomo? O bom cantor, compositor de m\u00e3o cheia e h\u00e1bil guitarrista que influenciou mais de uma gera\u00e7\u00e3o de roqueiros, indies ou n\u00e3o, tem uma tremenda fama de maluco. Bell come\u00e7a a definir sua rela\u00e7\u00e3o com Cuomo, meio hesitante: &#8220;Bem&#8230; isso vai ser impresso em portugu\u00eas? Ent\u00e3o acho que posso dizer.. (risos)&#8221; Ele prossegue, relaxado: &#8220;\u00c9 uma boa pergunta, mas sempre que me perguntam isso eu tento enrolar um pouco para responder, dependendo de como Rivers se comportou na \u00faltima semana. Se ele foi legal eu dou uma resposta, se n\u00e3o, eu mudo o que vou dizer. Mas na maior parte do tempo, olhando para o lado positivo, eu tenho de dizer que tenho muita sorte de trabalhar com algu\u00e9m como ele. Mesmo que \u00e0s vezes n\u00e3o consigamos nem ensaiar regularmente, porque ele vive fora da cidade (de Los Angeles).&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bell segue: &#8220;Ele \u00e9 muito motivado e inteligente, e sempre que se decide a fazer algo, vai at\u00e9 as ultimas consequ\u00eancias. Ele \u00e9 um cara extremado. Eu definitivamente aprendi olhando os m\u00e9todos dele. \u00c9 muito met\u00f3dico. Conviver com ele \u00e9 como fazer um estudo sociol\u00f3gico (risos). Gostaria de ter escrito sobre essa experi\u00eancia ao longo dos anos. N\u00e3o gostaria de explor\u00e1-lo ou coisa parecida, mas acho que poderia ganhar um monte de dinheiro escrevendo sobre como ele \u00e9 na intimidade. \u00c9 interessante. N\u00e3o importa o que eu diga, nunca vai fazer justi\u00e7a sobre a verdade. N\u00e3o d\u00e1 para resumir em uma palavra. Ele pode ser um cara frio? Sim, pode. Mas tamb\u00e9m \u00e9 muito f\u00e1cil trabalhar junto com ele. Definitivamente, nunca se sabe o que esperar de Rivers.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito por causa de Rivers, de suas letras desabridas sobre paix\u00f5es juvenis e inadequa\u00e7\u00e3o social, e de sua imagem p\u00fablica, o Weezer carrega a pecha &#8211; inc\u00f4moda? &#8211; de reis do &#8220;nerd rock&#8221;. Faz sentido, Brian? &#8220;Dizem que fazemos &#8216;geek rock&#8217;. Quando o termo surgiu, eu nunca tomei como algo pessoal. Nunca me considerei um nerd, talvez na s\u00e9tima s\u00e9rie, na escola&#8230;&#8221;, come\u00e7a o guitarrista. \u00c9 claro que com m\u00fasicas como &#8220;In the Garage&#8221; ou &#8220;Why Bother?&#8221; no curr\u00edculo, fica dif\u00edcil de contestar&#8230; &#8220;Acho que, pelo fato de n\u00e3o escrever as can\u00e7\u00f5es, sou capaz de n\u00e3o levar esse papo para o lado pessoal. Rivers talvez tenha uma imagem completamente diferente a respeito disso&#8221;, pensa Bell. E ele continua, afinal concordando: &#8220;Quando penso em nossa imagem e reflito em como as pessoas nos veem, sei que elas veem &#8220;o-carinha-de-\u00f3culos&#8221;. E essa imagem na cabe\u00e7a das pessoas diz: nerd. Por mim est\u00e1 tudo bem. Acho bom que a m\u00eddia tenha achado um nicho para escrever a respeito, para que as pessoas nos conhe\u00e7am. E isso na verdade nos ajudou a conseguir um lugar na historia do rock como os &#8216;nerd rockers&#8217;. Definitivamente nos separou das outras bandas. Ent\u00e3o acho que na verdade foi uma b\u00ean\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">B\u00ean\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o b\u00ean\u00e7\u00e3o, \u00e9 verdade que existe um lugar especial na hist\u00f3ria para o Weezer. Nenhuma banda surgida no v\u00e1cuo da explos\u00e3o p\u00f3s-grunge fez uma ponte t\u00e3o peculiar entre o rock alternativo e o mainstream. As melodias grudentas e inesquec\u00edveis, as guitarras tentaculares e as letras repletas de &#8220;confiss\u00f5es&#8221; (pessoais ou n\u00e3o, verdadeiras ou n\u00e3o) n\u00e3o conquistaram simplesmente milh\u00f5es de f\u00e3s &#8211; na verdade, formaram uma legi\u00e3o de adoradores, a ponto de o grupo poder ser reconhecido como um dos mais influentes no rock alternativo dos \u00faltimos dez anos. Que o digam compatriotas como Los Hermanos, Leela e os j\u00e1 citados Bid\u00ea ou Balde (que gravaram uma vers\u00e3o em portugu\u00eas para &#8220;Buddy Holly&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;As pessoas me falam, me d\u00e3o demos, e eu escuto todos me dizendo &#8216;oh, h\u00e1 esta nova banda, eles soam como o Weezer, voc\u00ea vai amar&#8217;. E tudo o que penso \u00e9: por que tenho de am\u00e1-los por se parecerem conosco? Na verdade, estamos sempre tentando fazer com que o Weezer N\u00c3O soe como o Weezer! \u00c9 como quando dizem que influenciamos as bandas de emocore. N\u00e3o gosto de emo &#8211; ainda que muita gente possa me odiar por dizer isso&#8221;, dispara Bell, refletindo sobre a malta de grupos influenciados por sua banda. &#8220;Acho que as pessoas podem tentar, mas ainda n\u00e3o s\u00e3o capazes de rotular o nosso som. Nossas m\u00fasicas deixam as pessoas felizes, o que \u00e9 \u00f3timo. \u00c9 isso o que importa.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/-_XV6rVgty4\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/-_XV6rVgty4\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Texto de Marco Antonio Bart (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/BartBarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@bartbarbosa<\/a>), jornalista que assina o blog <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/MarcoAntonioBarbosaJr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Telhado de Vidro<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n-&#8220;Poucas bandas me decepcionaram tanto quanto o Weezer nos \u00faltimos 10 anos&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/12\/14\/no-final-tudo-vai-dar-certo-rivers\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marco Antonio Barbosa\n&#8220;Nossos shows s\u00e3o como uma bizarra, estranha congrega\u00e7\u00e3o de pessoas que cantam nossas musicas de cor, do in\u00edcio ao fim&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/10\/12\/entrevista-brian-bell-weezer\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":36,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27610"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/36"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27610"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27610\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27650,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27610\/revisions\/27650"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27610"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27610"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27610"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}