{"id":27607,"date":"2014-12-13T00:18:05","date_gmt":"2014-12-13T03:18:05","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=27607"},"modified":"2019-02-21T12:02:36","modified_gmt":"2019-02-21T15:02:36","slug":"no-final-tudo-vai-dar-certo-rivers","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/12\/13\/no-final-tudo-vai-dar-certo-rivers\/","title":{"rendered":"No final, tudo vai dar certo, Rivers"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27608\" title=\"weezer1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/weezer1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/weezer1.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/weezer1-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/weezer1-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/MarcoAntonioBarbosaJr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marco Antonio Barbosa<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por um bom tempo entre os distantes anos de 1996 e 1997, \u201cPinkerton\u201d, o segundo \u00e1lbum do Weezer, tornou-se a coisa mais importante da minha vida. N\u00e3o o disco mais importante: A COISA mais importante. N\u00e3o apenas porque eu, ent\u00e3o na flor dos meus 22 anos, era basicamente o f\u00e3-padr\u00e3o da banda: o introspectivo-peganingu\u00e9m-sens\u00edvel-f\u00e3-de-melodias-pop-e-guitarras-distorcidas-que-sempre-levou-o-rock-a-s\u00e9rio-demais. Mas porque tamb\u00e9m, dentro do mundinho do college rock noventista (uma cena j\u00e1 em queda criativa na \u00e9poca), \u201cPinkerton\u201d representou um marco hist\u00f3rico. Eram 10 can\u00e7\u00f5es curtas e aparentemente simples, sem arranjos mirabolantes nem experimentos radicais. No entanto, sutilezas mil desdobravam-se a cada nova audi\u00e7\u00e3o: das mudan\u00e7as de tom em \u201cAcross the Sea\u201d \u00e0 progress\u00e3o de acordes no refr\u00e3o de \u201cFalling for You\u201d, do compasso torto de \u201cEl Scorcho\u201d \u00e0s varia\u00e7\u00f5es de din\u00e2mica em \u201cThe Good Life\u201d. Cada m\u00fasica contava uma historinha pr\u00f3pria e mesmo assim o conjunto formava uma narrativa coesa. O carinha cansado do sexo f\u00fatil e sem conex\u00e3o (\u201cTired of Sex\u201d) se apaixonava de novo (\u201cGetchoo\u201d, \u201cNo Other One\u201d), decidia que n\u00e3o valia \u00e0 pena (\u201cWhy Bother?\u201d) e resolvia fantasiar com uma garota distante (\u201cAcross the Sea\u201d). Depois chuta o balde e resolve cair na vida de novo (\u201cThe Good Life\u201d), mas acaba se apaixonando por uma l\u00e9sbica (\u201cPink Triangle\u201d). Ao final, exausto com a montanha-russa de paix\u00f5es, usa uma fr\u00e1gil borboleta capturada (\u201cButterfly\u201d) como met\u00e1fora para a impossibilidade de se aprisionar o amor. Ou seja, um \u00e1lbum conceitual sobre (i)maturidade emocional e (des)educa\u00e7\u00e3o sentimental, embalado por melodias grudentas e guitarras altas e que ganhava v\u00e1rios pontos de b\u00f4nus por soar extremamente sincero\u2026 algo que, a longo prazo, teria uma parcela de culpa sobre o aparecimento do choror\u00f4 emo. Eu havia me apaixonado pelo Weezer j\u00e1 no primeiro disco, e a combina\u00e7\u00e3o alto n\u00edvel de inspira\u00e7\u00e3o musical + resson\u00e2ncia emocional foi letal para mim. Decorava as letras, tocava (ou tentava tocar) as m\u00fasicas no viol\u00e3o, buscava qualquer informa\u00e7\u00e3o sobre o disco e a banda. Reouvir \u201cPinkerton\u201d hoje me remete diretamente \u00e0queles dias, em que eu acabara de sair da faculdade e encarava meu primeiro emprego como jornalista, um jovem adulto com milhares de d\u00favidas e frustra\u00e7\u00f5es sobre amor, sexo, dinheiro e carreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta cr\u00f4nica, entretanto, n\u00e3o \u00e9 sobre \u201cPinkerton\u201d: \u00e9 sobre \u201cEverything Will Be Alright in the End\u201d, o disco novo do Weezer. Na verdade, \u00e9 mais sobre como o disco novo me fez pensar em como n\u00f3s?\u2014?eu e o Weezer?\u2014?envelhecemos nessas duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poucas bandas me decepcionaram tanto quanto o Weezer nos \u00faltimos 10 anos. (Entre as bandas com as quais me importo, claro.) Desde \u201cMake Believe\u201d, o quinto disco, e l\u00e1 se v\u00e3o quase 10 anos, Rivers Cuomo e seu grupo v\u00eam descendo desembestadamente a ladeira da irrelev\u00e2ncia. Dos quatro \u00e1lbuns que eles lan\u00e7aram entre 2008 e 2010, s\u00f3 consigo me lembrar de uma \u00fanica can\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, estoico e fiel, comprei-os todos, nem sei bem por que. Provavelmente iria comprar tamb\u00e9m \u201cEverything Will Be Alright in the End\u201d, sem qualquer esperan\u00e7a de que o \u00e1lbum fosse quebrar a longa sequ\u00eancia de mediocridades. Algo parecia diferente desta vez, entretanto. Gente que tinha ouvido o disco andava por a\u00ed comentando que tratava-se de \u201cum retorno aos bons tempos\u201d. Os relatos davam conta de que as guitarras estavam de volta, as melodias estavam melhores, e que algumas m\u00fasicas at\u00e9?\u2014?gasp!?\u2014?lembravam o Weezer dos anos 1990! Seria poss\u00edvel? Baixei o disquinho no Soulseek, meti no iPod e resolvi ouvi-lo num ambiente adequado: deitado na areia da praia do Leme, no Rio de Janeiro, no feriado do Dia da Consci\u00eancia Negra.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pnTIsubYbCU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEverything Will Be Alright in the End\u201d n\u00e3o \u00e9 o anunciado retorno ao Weezer dos tr\u00eas primeiros discos. \u00c9, no m\u00e1ximo, um esfor\u00e7o para retomar o rumo esbo\u00e7ado em \u201cMake Believe\u201d e que a banda n\u00e3o teve capacidade (ou vontade) de seguir nos anos seguintes. Eu j\u00e1 tinha ouvido o primeiro single, \u201cBack to the Shack\u201d, e n\u00e3o ficara muito entusiasmado. Junto ao resto do disco, a can\u00e7\u00e3o faz um pouco mais de sentido, perfilada a outras que remetem ao \u00e1lbum de 2005: \u201cEulogy for a Rock Band\u201d, \u201cLonely Girl\u201d e \u201cFoolish Father\u201d. Outros momentos?\u2014?especificamente \u201cCleopatra\u201d, \u201cDa Vinci\u201d e \u201cI\u2019ve Had it Up Here\u201d?\u2014?se limitam a requentar o pop-rock gen\u00e9rico dos discos mais recentes, com resultados entediantes. \u201cGo Away\u201d, com vocais da cantora do Best Coast, Bethany Cosentino, \u00e9 bonitinha, mas nos bons tempos n\u00e3o passaria de um B-side. A melhor e mais ambiciosa can\u00e7\u00e3o do novo disco \u00e9 a \u00fanica que realmente recupera o clima dos dois primeiros discos: \u201cThe Futurescope Trilogy\u201d, que vem dividida em tr\u00eas partes (d\u00e3), das quais duas s\u00e3o instrumentais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema ao confrontar \u201cEverything\u201d com o passado do Weezer \u00e9 que isso tamb\u00e9m for\u00e7a um confronto entre o ouvinte de hoje (40) e o do passado (22). Quando Rivers olha para o passado e busca resgatar uma sonoridade \u201cvintage Weezer\u201d, inevitavelmente se imp\u00f5e uma reflex\u00e3o sobre o tempo que passou e sobre como a banda atual se resume a um simulacro do que fora h\u00e1 20 anos. A\u00ed surge o paradoxo 1: o Weezer de \u201cPinkerton\u201d est\u00e1 inextricavelmente ligado \u00e0 pessoa que eu era em 1996. Eu segui adiante, e isso me habilita a olhar para tr\u00e1s com nostalgia, mas tamb\u00e9m com distanciamento. J\u00e1 o Rivers Cuomo de 2014 agarra-se desesperadamente ao Rivers de 1996 e n\u00e3o parece conceber um presente (nem um futuro) desenraizado do passado. Paradoxo 2: \u201cEverything\u201d, na pr\u00e1tica, nem \u00e9 t\u00e3o diferente assim de \u201cPinkerton\u201d. A diferen\u00e7a \u00e9 que como n\u00f3s, ouvintes, amadurecemos?\u2014?e a m\u00fasica, n\u00e3o?\u2014?falta a resson\u00e2ncia emocional que, outrora, fazia do banal algo grandioso. Exemplo: a letra de \u201cAin\u2019t Got Nobody\u201d, a m\u00fasica de abertura do disco novo, \u00e9 vergonhosa. Como um sujeito adulto n\u00e3o se embara\u00e7a ao escrever (e cantar! Em p\u00fablico!) aqueles versos? Mas no fundo, n\u00e3o h\u00e1 muita dist\u00e2ncia entre versos como \u201cAin\u2019t got nobody \/ Ain\u2019t got nobody \/ Ain\u2019t got no one to really love me\u201d e \u201cNo, there is no other one \/ No, there is no other one \/ I won\u2019t have any other one \/ Though I would \/ Now I never could with one\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 que, como dizia algu\u00e9m mais s\u00e1bio, a hist\u00f3ria se repete primeiro como farsa, depois como trag\u00e9dia? Na trajet\u00f3ria do Weezer, \u201cMake Believe\u201d seria a farsa e \u201cEverything Will Be Alright in the End\u201d, a trag\u00e9dia? Menos, menos. N\u00e3o seria o primeiro caso de uma banda que atinge seu \u00e1pice cedo demais e, exaurida, gasta o resto de sua discografia tentando buscar o brilho perdido. Voltando \u00e0 an\u00e1lise confessional, digo que sempre ouvirei \u201cPinkerton\u201d como um souvenir de uma \u00e9poca importante de minha vida\u2026 e tamb\u00e9m como um tremendo disco de rock, que se sustenta independentemente de qualquer contexto emocional\/hist\u00f3rico. Algu\u00e9m diria o mesmo sobre \u201cEverything Will Be Alright in the End\u201d? E mais: tenho certeza de que hoje, em 2014, n\u00e3o apenas mudei em compara\u00e7\u00e3o com quem eu era em 1996, mas mudei para melhor. Poderia Rivers Cuomo dizer o mesmo? Talvez ele apenas se conforte na cren\u00e7a de que tudo vai dar certo, no final.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eiyczpeHZDc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0&#8211; Texto de Marco Antonio Bart (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/BartBarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@bartbarbosa<\/a>), jornalista que assina o blog <a href=\"http:\/\/fubap.org\/telhadodevidro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Telhado de Vidro<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<br \/>\n<\/strong>&#8211; Entrevista: Brian Bell: &#8220;Nossas m\u00fasicas deixam as pessoas felizes&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/10\/12\/entrevista-brian-bell-weezer\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Hurley&#8221;, do Weezer: Ainda n\u00e3o foi dessa vez que eles voltaram a ser geniais (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/09\/16\/cds-brandon-flowers-weezer-e-manics\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Weezer: \u201cRed Album\u201d soa pregui\u00e7oso mas supera \u201cMaladroit\u201d e \u201cMake Believe\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/06\/04\/disco-da-semana-weezer-red-album-weezer\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Raditude&#8221;, do Weezer: Rivers Cuomo prefere bancar o dif\u00edcil (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/30\/ben-kweller-weezer-e-lemonheads\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cMake Believe\u201d, do Weezer: a banda enfim reencontrou sua melhor forma (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/05\/28\/make-believe-do-weezer\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Weezer em Curitiba: Dezenas de cl\u00e1ssicos cantados em coro pelo p\u00fablico (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/crf_tim.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Descendo desembestadamente a ladeira, poucas bandas me decepcionaram tanto quanto o Weezer nos \u00faltimos 10 anos\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/12\/13\/no-final-tudo-vai-dar-certo-rivers\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":36,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27607"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/36"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27607"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27607\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":50531,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27607\/revisions\/50531"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27607"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27607"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27607"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}