{"id":27492,"date":"2014-12-02T22:18:58","date_gmt":"2014-12-03T00:18:58","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=27492"},"modified":"2020-11-09T00:16:26","modified_gmt":"2020-11-09T03:16:26","slug":"livro-o-cao-que-guarda-as-estrelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/12\/02\/livro-o-cao-que-guarda-as-estrelas\/","title":{"rendered":"LIvro: O C\u00e3o Que Guarda As Estrelas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27493\" title=\"cao1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cao1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO c\u00e3o que guarda as estrelas\u201d \u00e9 uma express\u00e3o idiom\u00e1tica japonesa que significa almejar o imposs\u00edvel. \u00c9 tamb\u00e9m o t\u00edtulo da primeira hist\u00f3ria sequencial do artista Takashi Murakami, que vendeu mais de 400 mil c\u00f3pias em seu pa\u00eds natal, Jap\u00e3o, e chega ao Brasil em 2014 (seis anos ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do original, \u201cHoshi Mamoru Inu\u201d) numa bem-cuidada e acess\u00edvel edi\u00e7\u00e3o da JBC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O personagem da hist\u00f3ria perdeu muitas coisas, menos aquilo que escolheu manter. Nada \u00e9 mais importante para ele do que Happy, o cachorro que sua filha o convenceu a adotar. Nada mesmo: nem a pr\u00f3pria filha ou sua esposa, que o abandonam quando decidem viver suas pr\u00f3prias vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somente nesse \u201cabandono\u201d \u2013 que acontece nas primeiras p\u00e1ginas do livro \u2013 Murakami j\u00e1 prop\u00f5e tantas quest\u00f5es que n\u00e3o d\u00e1 para passar impune pelas p\u00e1ginas. Teria o abandono acontecido porque o homem adquiriu uma doen\u00e7a cr\u00f4nica? Ou porque sua passividade o impediu de estabelecer liga\u00e7\u00f5es reais com sua fam\u00edlia? Ou porque fam\u00edlia enquanto unidade indivis\u00edvel \u00e9 um conceito ut\u00f3pico, quase opressor?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A constru\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es, e como lidamos com o resultado delas, est\u00e1 presente na obra, assim como est\u00e1 presente a aparente falta de sentido nas escolhas emocionais que fazemos \u2013 por que amar este, e n\u00e3o aquele? Por que unir-se n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de amar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem fam\u00edlia, sem emprego, e com pouco dinheiro, o homem sai com seu carro rumo ao sul do Jap\u00e3o, onde nasceu e cresceu, para tentar encontrar uma nova vida no interior, j\u00e1 que a vida atual s\u00f3 existe ao lado de Happy e n\u00e3o s\u00e3o muitos os lugares em uma grande cidade onde uma pessoa pode viver com um cachorro (apartamentos e casas com permiss\u00e3o para abrigar animais s\u00e3o bem mais caros na terra do sol nascente).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas logo se percebe que o destino importa menos para o protagonista do que estar ao lado de Happy. E tamb\u00e9m ele, Happy, abandonado pelas mulheres da fam\u00edlia \u00e0 qual pertenceu, j\u00e1 tem uma liga\u00e7\u00e3o forte demais com seu \u201cpai\u201d para n\u00e3o aproveitar cada minuto ao lado dele, descobrindo o mar, a mis\u00e9ria, a generosidade e o desapego, e apreciando cada momento, mesmo os mais dolorosos, ao lado de quem ele mais ama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa \u00e9 a primeira parte do livro. Na segunda, um assistente social, por raz\u00f5es que v\u00e3o se esclarecendo aos poucos, decide refazer o caminho de Happy e seu \u201cpai\u201d. E tamb\u00e9m a\u00ed ele ter\u00e1 contato com sentimentos e descobertas muito similares \u00e0s da dupla, ainda que por meios totalmente diferentes, e tendo que lidar com uma m\u00e1goa que eles felizmente n\u00e3o sofriam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO C\u00e3o que Guarda as Estrelas\u201d \u00e9 o tipo de hist\u00f3ria que pode ser contada no cinema (tanto que ganhou uma adapta\u00e7\u00e3o em 2011), na TV ou em um romance, mas que em quadrinhos ganha uma dimens\u00e3o maior, valorizada tanto pelos sil\u00eancios como pela arte ou pela concis\u00e3o e veracidade do texto. Murakami fez uma obra passional, mas jamais apelativa ou excessiva em sua delicadeza. H\u00e1 tristeza e dor, porque sempre h\u00e1, mas tamb\u00e9m alegria e paz \u2013 porque, por incr\u00edvel que pare\u00e7a aos mais c\u00ednicos, elas podem existir tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao t\u00e9rmino, o leitor vai gastar muitas horas pensando em quem \u00e9 o c\u00e3o que guarda as estrelas, no sentido idiom\u00e1tico da express\u00e3o. A resposta \u00e9 individual, e certamente surpreender\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27494\" title=\"cao2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/cao2.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>&#8211; Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a><span>) no Scream &amp; Yell. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Veja tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cGilberto Bem Perto\u201d, a biografia chapa branca de Gilberto Gil (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/11\/25\/a-biografia-chapa-branca-de-gilberto-gil\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cBlack Sabbath \u2013 A Biografia\u201d \u00e9 repleto de hist\u00f3rias inacredit\u00e1veis (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/11\/14\/biografia-black-sabbath-por-mick-wall\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Sucesso na Fran\u00e7a, o best seller de Romain Pu\u00e9rtolas decepciona (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/10\/06\/o-best-seller-do-frances-romain-puertolas\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cDoutor Octopus: Origem\u201d\u00a0 se equilibra entre clich\u00eas cl\u00e1ssicos e boas ideias (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/09\/11\/hq-doutor-octopus-origem\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cFama e Loucura\u201d: jornalista tenta entender por que damos import\u00e2ncia aos artistas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/09\/10\/olhando-os-idolos-de-perto\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Fernanda Torres surpreende e cativa o leitor com tom debochado no livro \u201cFim\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/07\/19\/livro-fim-de-fernanda-torres\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Livro \u201cA Fant\u00e1stica F\u00e1brica\u201d conta a hist\u00f3ria do Garagem Herm\u00e9tica, em Porto Alegre (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/28\/livro-a-fantastica-fabrica\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cNo Cora\u00e7\u00e3o do Mar\u201d \u00e9 um belo trabalho que desafia lentamente o leitor (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/16\/no-coracao-do-mar-charlotte-rogan\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; O futebol holand\u00eas \u00e9 tema de \u201cBrilliant Orange: The Neurotic Genius Of Dutch Football\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/28\/livro-a-fantastica-fabrica\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cDinheiro Queimado\u201d, de Ricardo Piglia: vers\u00e3o argentina de uma trag\u00e9dia grega (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/02\/16\/dinheiro-queimado-de-ricardo-piglia\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas\nVencedor de duas categorias do Da Vinci Book of the Year  (&#8220;Livro para chorar&#8221; e &#8220;Escolha dos leitores&#8221;), &#8220;O C\u00e3o&#8221; surpreende\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/12\/02\/livro-o-cao-que-guarda-as-estrelas\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27492"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27492"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27492\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58235,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27492\/revisions\/58235"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27492"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27492"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27492"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}