{"id":27354,"date":"2014-11-18T01:12:02","date_gmt":"2014-11-18T03:12:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=27354"},"modified":"2020-11-09T00:16:52","modified_gmt":"2020-11-09T03:16:52","slug":"balancao-festival-el-mapa-de-todos-2014","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/11\/18\/balancao-festival-el-mapa-de-todos-2014\/","title":{"rendered":"Balan\u00e7\u00e3o: El Mapa de Todos 2014"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27355\" title=\"elmapa2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/elmapa2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/elmapa2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/elmapa2-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quinta edi\u00e7\u00e3o do El Mapa de Todos foi a maior e mais ambiciosa da hist\u00f3ria do festival: cinco dias (antes eram tr\u00eas), dezoito atra\u00e7\u00f5es, quatro locais diferentes para as apresenta\u00e7\u00f5es. Tudo sem perder de vista a proposta original do evento, que \u00e9 promover a integra\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina pela m\u00fasica, e mantendo o status informal de festival mais \u201cbuena onda\u201d entre os muitos eventos bacanas que est\u00e3o se consolidando no calend\u00e1rio brasileiro de shows.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os trabalhos foram abertos no dia 11 de novembro, com um sarau el\u00e9trico no Bar Ocidente, reunindo os escritores Santiago Nazarian, Claudia Tajes, Katia Suman, Claudio Moreno e Diego Grando, mais o m\u00fasico colombiano Andr\u00e9s Correa, para leitura de textos de Jorge Luis Borges, J\u00falio Cort\u00e1zar, Mario Vargas Llosa e outros. Embora com pequenas participa\u00e7\u00f5es musicais de Andr\u00e9s, o primeiro show propriamente dito aconteceria somente no dia seguinte no hist\u00f3rico Theatro S\u00e3o Pedro, com apresenta\u00e7\u00f5es do ga\u00facho Luiz Marenco e do uruguaio Daniel Viglietti.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marenco despontou como nome de destaque da m\u00fasica nativista ga\u00facha na d\u00e9cada de 90, tornando-se uma refer\u00eancia no g\u00eanero. Quem nunca visitou um CTG (Centro de Tradi\u00e7\u00f5es Ga\u00fachas) certamente teria um choque cultural com as milongas e baladas que ele apresentou junto \u00e0 sua banda, da qual faz parte o excelente acordeonista \u2013 ou gaitista, para os locais \u2013 Aluisio Rockembach. O come\u00e7o lento tamb\u00e9m n\u00e3o ajudou muito a conquistar \u201cn\u00e3o convertidos\u201d, mas a participa\u00e7\u00e3o de Thedy C\u00f4rrea \u2013 em \u201cQuer\u00eancia, Tempo e Aus\u00eancia\u201d e numa linda vers\u00e3o de \u201cDiga a Ela\u201d, do Nenhum de N\u00f3s \u2013 e a acelera\u00e7\u00e3o em ritmo de baile no final (com o hit local \u201dCantador de Campanha\u201d cantado em alto volume pelo p\u00fablico) garantiu a divers\u00e3o para ne\u00f3fitos e f\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27356\" title=\"elmapa3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/elmapa3.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/elmapa3.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/elmapa3-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a noite era do septuagen\u00e1rio Viglietti, nome maior da can\u00e7\u00e3o de protesto uruguaia. Come\u00e7ou \u201cpelo final\u201d, ensaiando com o p\u00fablico o refr\u00e3o da \u00faltima can\u00e7\u00e3o que tocaria, brincou com diferen\u00e7as e semelhan\u00e7as entre \u201cga\u00fachos\u201d e \u201cgauchos\u201d (sin\u00f4nimo de \u201curuguaios\u201d), e, mais importante que tudo, caprichou no repert\u00f3rio, que evidentemente incluiu \u201cMilonga de Andar Lejos\u201d, de onde os organizadores do festival tiraram a impress\u00e3o \u201cEl Mapa de Todos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Explicava, em portugu\u00eas ou em espanhol, a hist\u00f3ria de cada can\u00e7\u00e3o, pr\u00f3pria ou alheia \u2013 contou, por exemplo, que incluiu \u201cMulher Rendeira\u201d na introdu\u00e7\u00e3o de \u201cLamarca\u201d em refer\u00eancia aos \u00faltimos anos do homenageado, passados no Nordeste. Ali\u00e1s, \u00e9 not\u00e1vel como Viglietti consegue cantar sobre personagens revolucion\u00e1rios sem parecer piegas ou anacr\u00f4nico. Essa l\u00edrica e sua m\u00e3o direita inimit\u00e1vel s\u00e3o os maiores respons\u00e1veis pela singularidade de sua m\u00fasica, e uma interpreta\u00e7\u00e3o delicada de \u201cTiza y Bast\u00f3n\u201d, repercutida pela \u00f3tima ac\u00fastica do Theatro S\u00e3o Pedro, serviu como exemplo preciso dessa combina\u00e7\u00e3o. Foram uma hora e dez minutos t\u00e3o agrad\u00e1veis que poderiam ter se estendido pela madrugada \u2013 embora parte do p\u00fablico tivesse sa\u00eddo antes do final, para n\u00e3o perder os \u00faltimos \u00f4nibus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na quinta-feira, dia 13, a chuva que vinha caindo sem parar nos dois dias anteriores n\u00e3o manifestou nenhuma inten\u00e7\u00e3o de aparecer, como que preparando o clima para o \u201cBaile Tropical\u201d \u2013 nome dado \u00e0 primeira noite do festival a acontecer no Opini\u00e3o, casa das edi\u00e7\u00f5es anteriores.  Os Skrotes, de Florian\u00f3polis, deram a largada com seu rock pesado cheio de nuances dub, passagens jazz, quebras imprevis\u00edveis, muitos graves e bom humor (o que \u00e9 a cita\u00e7\u00e3o de \u201cRun to The Hills\u201d sen\u00e3o uma bela brincadeira?). O encerramento, \u201cStevie Hot\u201d (uma rendi\u00e7\u00e3o de \u201cHigher Ground\u201d cheia de f\u00faria e efeitos com alguns cacos da pr\u00f3pria banda), foi o ponto de exclama\u00e7\u00e3o em um show surpreendente. Pode acreditar que parte do p\u00fablico ficou t\u00e3o embasbacado que nem sentiu falta de vocal na banda&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27357\" title=\"elmapa4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/elmapa4.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/elmapa4.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/elmapa4-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a integra\u00e7\u00e3o proposta pelo festival n\u00e3o \u00e9 apenas de nacionalidades, mas tamb\u00e9m de estilos, n\u00e3o foi exatamente esquisito que na sequ\u00eancia viessem Molina y Los C\u00f3smicos, que tratam a m\u00fasica folcl\u00f3rica uruguaia com uma \u00f3tica inspirada por Calexico e Iron &amp; Wine. O \u00e1lbum \u201cEl Desencanto\u201d foi um dos grandes lan\u00e7amentos de 2014, por isso a expectativa de quem os conhecia era grande, mas a banda ainda \u00e9 inexperiente no palco e se atrapalhou com os problemas de som (vozes muito altas, m\u00fasicos sem retorno no palco), prejudicando bastante as primeiras quatro m\u00fasicas. Na segunda metade da apresenta\u00e7\u00e3o, com o som j\u00e1 corrigido, ficaram mais \u00e0 vontade e puderam entregar o que o p\u00fablico esperava. A partir de \u201cGallos de Kentucky\u201d, foram criando uma ambi\u00eancia mais sexy (e as belas figuras do frontman Nicol\u00e1s Molina e da tecladista e cantora Emma Ralph s\u00f3 contribu\u00edam para tanto), que levou a um crescendo que explodiu em uma empolgante vers\u00e3o de \u201cCowboy Fora-da-Lei\u201d, na qual contaram com as participa\u00e7\u00f5es vocais de Santiago Neto (da banda ga\u00facha Los Misionerotr\u00f3nicos) e Clarissa Mombelli. Uma \u00f3tima metade final para compensar um in\u00edcio decepcionante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um Opini\u00e3o j\u00e1 entupido (mas com mezanino fechado) dan\u00e7ava sem parar ao som da discotecagem de eletrocumbia, n\u00e3o deixando d\u00favidas de que o p\u00fablico tinha comparecido majoritariamente para ver o Bomba Est\u00e9reo. Como os colombianos tinham que estar no aeroporto \u00e0s 4h da manh\u00e3, a organiza\u00e7\u00e3o foi obrigada a reescal\u00e1-los para o meio da noite \u2013 inicialmente, seriam os headliners. De qualquer forma, foi este o papel que desempenharam: ao vivo, o Bomba \u00e9 impressionante, uma esp\u00e9cie de celebra\u00e7\u00e3o xam\u00e2nica em ritmo de cumbia eletr\u00f4nica, em que a voz monoc\u00f3rdica da saltitante Li Saumet refor\u00e7a a hipnose dos arranjos psicod\u00e9licos e do \u201cespiritualismo hedonista\u201d (ou algo assim) das letras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O forte aparato de luzes deixa a banda praticamente invis\u00edvel. \u00c9 como se a m\u00fasica fosse mais importante do que quem a faz. Os poucos momentos em que o palco fica mais vis\u00edvel s\u00e3o para refor\u00e7ar a inten\u00e7\u00e3o da can\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o para atrair aten\u00e7\u00e3o para os m\u00fasicos. \u00c9 tudo estudado e nem sempre espont\u00e2neo, mas nem por isso menos sincero ou potente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27358\" title=\"elmapa5\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/elmapa5.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estendida no tempo previsto (1h20 em vez de uma hora) e o atraso na troca de palco fizeram com que a Coutto Orchestra, de Aracaju (SE), entrasse no palco bem depois da 1h (estava prevista para 0h20). O que evitou a dispers\u00e3o do p\u00fablico foi a compet\u00eancia do DJ Maur\u00edcio Cunha \u2013 se algu\u00e9m ainda pensa que ser DJ \u00e9 apenas dar o play em can\u00e7\u00f5es pr\u00e9-selecionadas, recomenda-se testemunhar Cunha em a\u00e7\u00e3o. E a Coutto soube pegar a deixa e dar seguimento ao clima dan\u00e7ante com seu bail\u00e3o nordestino em vers\u00e3o high-tech. A presen\u00e7a de palco de Alisson Couto \u2013 que chegou a puxar um \u201ctrenzinho\u201d no meio do p\u00fablico durante a cover de \u201cPagode Russo\u201d, de Luiz Gonzaga \u2013 compensa o car\u00e1ter algo repetitivo das can\u00e7\u00f5es, e a festa n\u00e3o perde em intensidade, mesmo com p\u00fablico cerca de 20% menor que no Bomba Est\u00e9reo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infelizmente o mesmo n\u00e3o aconteceu no show dos Buenos Muchachos. Programados para tocar como terceira atra\u00e7\u00e3o da noite, foram terrivelmente prejudicados com a troca imposta pela necessidade do Bomba Est\u00e9reo. O p\u00f3s-punk tardio e sombrio dos uruguaios j\u00e1 destoava do \u201cBaile Tropical\u201d por si s\u00f3, mas ap\u00f3s a orgia dan\u00e7ante que foram Bomba, Mauricio Cunha e Coutto, ficaram ainda mais inadequados. A hora tardia s\u00f3 piorou a situa\u00e7\u00e3o. Nas duas \u00faltimas m\u00fasicas, pouco mais de dez pessoas permaneciam na casa. Ainda que a sonoridade dos Buenos Muchachos esteja aqu\u00e9m de suas pretens\u00f5es, eles n\u00e3o mereciam passar por isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A noite de sexta-feira, novamente no Opini\u00e3o, come\u00e7ou com um atraso de quarenta minutos. Ainda assim, uma s\u00e9rie de outros compromissos ligados ao festival (participa\u00e7\u00e3o em debates, entrevistas com bandas) complicou meu cronograma e por isso perdi a maior parte do show do La Cumbia Negra, banda montada por Gabriel Guedes (ex-Pata de Elefante) ap\u00f3s este ter se maravilhado em um show da banda peruana Bareto. A banda \u2013 formada por gente do naipe de Guedes, Guri Assis Brasil (guitarra), o j\u00e1 citado DJ Mauricio Cunha e o famigerado Carlos Eduardo Miranda na percuss\u00e3o, entre outros \u2013 vai fundo na chicha, a cumbia peruana, mais \u201cenguitarrada\u201d e psicod\u00e9lica que as encarna\u00e7\u00f5es colombianas e argentinas do g\u00eanero. O pouco que vi foi o suficiente para ter me deixado dolorido pela perda. Imagine que o Bareto fizesse uma jam com o Pata de Elefante&#8230; O projeto \u00e9 assumidamente um encontro entre amigos, sem a pretens\u00e3o de ser \u201ctrabalho\u201d, por isso talvez voc\u00ea n\u00e3o os encontre facilmente nos palcos. Se encontrar, sacrifique qualquer compromisso para assisti-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27359\" title=\"elmapa6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/elmapa6.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/elmapa6.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/elmapa6-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o pernambucano Juvenil Silva promete mais que entrega. O rapaz se esfor\u00e7a por honrar a assumida influ\u00eancia de Raul Seixas, mas, como seu pr\u00f3prio nome sugere, ainda falta muita maturidade. A habilidade na guitarra n\u00e3o encontra par com sua vozl, e ainda h\u00e1 momentos em que o rapaz se atrapalha ao tocar e cantar, principalmente quando a m\u00fasica exige mais. Deve ser levado em conta, por\u00e9m, que sua carreira ainda n\u00e3o somam dois anos. O tempo e a estrada podem fazer dele um nome bem interessante mais para frente. Por enquanto, \u00e9 uma boa banda com boas ideias, mas muito verde. H\u00e1 de se ressaltar, por\u00e9m, sua esperteza ao convidar Wander Wildner para dividir o palco com ele em uma excelente vers\u00e3o de \u201cEu N\u00e3o Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro\u201d, que come\u00e7ou Jovem Guarda e terminou num frevocore.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguran\u00e7a n\u00e3o faltou a Andr\u00e9s Correa. O cantor e compositor colombiano \u00e9 apaixonado pelo formato pop mais cl\u00e1ssico e bem executado, \u00e0 la Fito Paez. Simp\u00e1tico e visivelmente feliz com a ideia de estar tocando no Brasil, cativou parte do p\u00fablico com seu alto astral e alienou outra parte por insistir na ala mais introspectiva de seu repert\u00f3rio. Realmente, teria sido um show mais adequado a um teatro; no Opini\u00e3o, ele poderia ter privilegiado can\u00e7\u00f5es com mais balan\u00e7o. Por\u00e9m, Andr\u00e9s \u00e9 um compositor engenhoso e sens\u00edvel, dono de uma voz digna da grande tradi\u00e7\u00e3o vocal de seu pa\u00eds natal, e o trio que o acompanha \u00e9 absurdamente capaz.  Ian Ramil apareceu t\u00edmido e desajambrado para dividir os vocais em uma can\u00e7\u00e3o, mas o maior aceno ao Brasil veio na bossa \u201dMedias Nuevas\u201d, que fechou um \u00f3timo, ainda que deslocado, show.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de uma complicada troca de equipamento, uma irritada Camila Moreno subiu ao palco para recolocar, com muito peso, o Opini\u00e3o em trilhos roqueiros. Por seu pequeno tamanho e por suas letras fortes, \u00e9 tentador cham\u00e1-la de \u201cPJ Harvey chilena\u201d, mas \u00e9 injusto: o espectro musical de Camila \u00e9 mais restrito que o de Polly Jean, mas muito eficiente em seus climas que transitam num espa\u00e7o entre o p\u00f3s-punk mais denso e percussivo e um rock de inspira\u00e7\u00e3o industrial, quase dissonante. A mo\u00e7a \u00e9 uma rara artista a merecer o r\u00f3tulo de \u201calternativa\u201d, pois sua m\u00fasica \u00e9 realmente desafiadora.  E a excelente resposta do p\u00fablico ajudou a mo\u00e7a a ficar mais calminha, tanto que depois do show ela ficou pessoalmente vendendo vinis em meio \u00e0 \u201cgente comum\u201d. S\u00f3 n\u00e3o digo \u201cmelhor show da noite\u201d porque, caramba, ainda me d\u00f3i ter perdido o Cumbia Negra&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27360\" title=\"elmapa7\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/elmapa7.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato \u00e9 que, depois de um show t\u00e3o bom e com a \u201ctorcida\u201d a favor, estava f\u00e1cil para o mundo livre s\/a fazer uma apresenta\u00e7\u00e3o consagradora. Afinal, iriam tocar na \u00edntegra seu \u00e1lbum de estreia, o elogiado \u201cSamba Esquema Noise\u201d, em anivers\u00e1rio de 20 anos de lan\u00e7amento. J\u00e1 eram quase 3h quando Zeroquatro subiu ao palco&#8230; para come\u00e7ar brochado,  dizendo que \u201cvinte anos atr\u00e1s a gente lan\u00e7ou uma experi\u00eancia que pouca gente ouviu at\u00e9 hoje\u201d. O tom ressentido e desanimado parece ter contaminado os arranjos, de modo que a primeira can\u00e7\u00e3o, \u201cManguebit\u201d, viesse totalmente modificada, embalada por um riff decalcado de \u201cLondon Calling\u201d. O problema \u00e9 que o resultado n\u00e3o honrou nem o Clash nem o pr\u00f3prio mundo livre. Depois de algumas can\u00e7\u00f5es, que inclu\u00edram uma an\u00eamica desconstru\u00e7\u00e3o de \u201cHomero, o Junkie\u201d, decidi que n\u00e3o queria ver um dos discos que mais escutei em minha adolesc\u00eancia ser maltratado por seu pr\u00f3prio compositor. At\u00e9 porque o dia seguinte come\u00e7aria cedo, e prometia coisa bem melhor&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob o azul muito particular da primavera porto-alegrense, que coroava um s\u00e1bado bel\u00edssimo, o p\u00fablico que se dirigia \u00e0 Casa de Cultura M\u00e1rio Quintana j\u00e1 encontrava intenso movimento de pedestres na regi\u00e3o, gra\u00e7as \u00e0 tradicional Feira do Livro, que acontece anualmente na Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega. Os bares na rua da Praia (\u00e9 rua dos Andradas, na verdade, mas ningu\u00e9m a chama assim) ofereciam ref\u00fagio do calor e combust\u00edvel para quem quisesse chegar ao mais famoso espa\u00e7o cultural da capital ga\u00facha. E era l\u00e1 (mais especificamente no Teatro Bruno Kiefer), pontualmente \u00e0s 16h, que J\u00eaf subia ao palco para dar in\u00edcio ao melhor dia do festival, que teve entrada franca \u2013 outra prova da ousadia desta edi\u00e7\u00e3o do El Mapa. O rapaz de Tr\u00eas Coroas (cidade pr\u00f3xima \u00e0 Canela) faz o tipo de m\u00fasica que voc\u00ea adoraria que sua filha adolescente ouvisse, s\u00f3 para voc\u00ea mesmo poder admirar em segredo. \u00c9 um rock moleque \u2013 t\u00e3o moleque que eram muitos os adolescentes em meio ao teatro lotado \u2013, cheio de boas refer\u00eancias, com letras simples e melodias redondas. Em disco n\u00e3o encanta muito, mas ao vivo tem aquela energia de deixar o espectador com um sorris\u00e3o sem que ele se d\u00ea conta disso. D\u00e1 at\u00e9 para esquecer que a banda adota aquele rid\u00edculo visual de terninhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O esp\u00edrito juvenil continuou com o Bob Shut, tamb\u00e9m oriundos do interior ga\u00facho \u2013 no caso, de Caxias do Sul. Embora se definam como \u201cfolk montanh\u00eas\u201d, fazem \u00e9 indie pop mesmo. S\u00f3 que, garotos do interior que s\u00e3o, foram influenciados tanto por Nada Surf como pelo que tocava em r\u00e1dios locais, de Men At Work a can\u00e7\u00f5es de caminhoneiros, o que deixa tudo mais solto, mais sincero \u2013 e menos \u201cquero ser gringo\u201d. Conquistam  pela convic\u00e7\u00e3o com que executam seus rocks simples de refr\u00f5es desavergonhados (\u201cEita Velho Sentimento\u201d \u00e9 um achado). E como ainda s\u00e3o iniciantes, s\u00e3o beneficiados pela pr\u00f3pria inoc\u00eancia. Mas claro, uma hora ter\u00e3o que dar passos \u00e0 frente. Por ora \u2013 e naquele momento espec\u00edfico \u2013 funcionam muito bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27361\" title=\"elmapa8\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/elmapa8.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/elmapa8.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/elmapa8-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caxias do Sul cedeu outro nome ao festival: o Projeto Ccoma, duo formado por Swami Sagara (percuss\u00e3o e programa\u00e7\u00f5es) e Roberto Scopel (trumpete e outros instrumentos de sopro). Definem-se como \u201cjazz instrumental contempor\u00e2neo\u201d, e se voc\u00ea lembrar que jazz era inicialmente sin\u00f4nimo de m\u00fasica suja, sacana e bonita, sem fronteiras culturais e pronta para fazer as pessoas dan\u00e7arem, a defini\u00e7\u00e3o \u00e9 justa. Porque foi isso que o Ccoma fez. Sagara vez por outra tomava o microfone para criticar o preconceito desavergonhado que tomou conta das redes sociais, soltando frases como \u201cse n\u00e3o \u00e9 para morar no pa\u00eds onde nasceu Luiz Gonzaga, qual \u00e9 a gra\u00e7a?\u201d. O Ccoma s\u00f3 n\u00e3o gerou pandem\u00f4nio dan\u00e7ante maior que o do Bomba Est\u00e9reo porque a estrutura f\u00edsica do Teatro Bruno Kiefer n\u00e3o permite. Mas teve gente com os olhos marejados quando o quarteto senegalense Tam Tam \u00c1frica subiu ao palco para se juntar aos caxienses em duas m\u00fasicas. Me falta repert\u00f3rio cultural e verve liter\u00e1ria para detalhar o momento com precis\u00e3o, mas, repito, o Ccoma faz jazz \u2013 n\u00e3o no sentido tradicional e reverente da express\u00e3o, mas no sentido mais puro e comovente. E o Tam Tam \u00c1frica n\u00e3o fica atr\u00e1s. Showza\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suados (o ar-condicionado n\u00e3o funcionava)  e beatificados, eu e outros companheiros de festival aproveitamos a troca de equipamento para nos reabastecermos e reidratarmos, e topamos com o \u00fanico problema relevante do dia: o \u00fanico bar do s\u00e9timo andar, o Caf\u00e9 Santo de Casa, tem fila de espera e&#8230; cobra entrada (pre\u00e7o para ver o \u201cp\u00f4r-do-sol mais lindo do mundo\u201d, como insistem os locais?). A outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 descer at\u00e9 o t\u00e9rreo e encarar o Caf\u00e9 dos Cataventos ou o disputado boteco da frente, o que toma bastante tempo tamb\u00e9m. Movimentada como estava a regi\u00e3o, qualquer escolha implicava em significativa perda de tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, perdi as tr\u00eas primeiras do brasiliense Beto S\u00f3, que veio acompanhado do Phonopop e do violoncelista Ata\u00edde Mattos para apresentar pela primeira vez seu novo disco \u201cPra Toda Superquadra Ouvir\u201d, ainda n\u00e3o lan\u00e7ado. O \u00e1lbum \u00e9 composto de can\u00e7\u00f5es pin\u00e7adas da gera\u00e7\u00e3o de bandas \u201cp\u00f3s-internet\u201d, ou seja, o pessoal que apareceu de 2000 para frente. Beto \u00e9 um cantor acima da m\u00e9dia brasileira (vozes masculinas parecem n\u00e3o se preocupar muito com afina\u00e7\u00e3o por aqui, independente do g\u00eanero musical), e sua interpreta\u00e7\u00e3o ajuda a apreciar melhor can\u00e7\u00f5es como \u201cEnquanto Uns Dormem\u201d, dos Los Porongas, e \u201cCom Sabor de Choque El\u00e9trico\u201d, do Volver (executada no show com a participa\u00e7\u00e3o de Frank Jorge). A camiseta do Big Star do baixista parecia quase uma declara\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios, e o violoncelo era essencial para ressaltar a singularidade dos arranjos. Chega a dar aperto no cora\u00e7\u00e3o pensar que esse show provavelmente passar\u00e1 por poucos palcos brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27362\" title=\"elmapa9\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/elmapa9.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 que nem deu tempo de ficar triste: o Bestia Beb\u00e9 n\u00e3o tardou a se posicionar e j\u00e1 come\u00e7ar com \u201cOmar\u201d. Se voc\u00ea me pedir uma defini\u00e7\u00e3o sobre a banda, eu vou dizer que \u00e9 \u201csem frescura\u201d. Se voc\u00ea insistir querendo detalhes, eu vou pedir pra voc\u00ea calar a boca porque t\u00e1 uma puta sonzeira no palco, cacete. Incr\u00edvel como uns moleques que n\u00e3o falam mais que duas frases com o p\u00fablico (no caso, \u201cgrac\u00edas\u201d e \u201cuna canci\u00f3n m\u00e1s\u201d) e se apresentam com roupas de quem t\u00e1 indo para a rua lavar o carro do pai podem fazer um show t\u00e3o poderoso. A equa\u00e7\u00e3o \u00e9 simples: sensibilidade pop + despretens\u00e3o + zero vontade de copiar outros artistas. Adicione o talento de Tom Quintans como compositor, letrista e arranjador e pronto, voc\u00ea tem tudo o que precisa para pogar mesmo sentado na cadeira. A se lamentar, s\u00f3 a impossibilidade de dar v\u00e1rios stage dives durante a dupla final, \u201cLo Quiero Mucho a Ese Muchacho\u201d e \u201cLuchador de Boedo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podia ter acabado ali, mas ainda tinha Boogarins. E embora a m\u00fasica deles n\u00e3o me fale ao cora\u00e7\u00e3o, reconhe\u00e7o que o show deles \u00e9 excelente: pesado, psicod\u00e9lico e com solu\u00e7\u00f5es musicais imprevis\u00edveis. M\u00fasica n\u00e3o \u00e9 competi\u00e7\u00e3o, claro, mas \u00e9 tentador apontar que eles s\u00e3o capazes de fazer em quatro minutos o que o Mars Volta faz, com menos qualidade, em 20. Os mais de 100 shows que fizeram desde o lan\u00e7amento de \u201cAs Plantas que Curam\u201d (2013) lhes d\u00e3o confian\u00e7a para ter presen\u00e7a de palco de veteranos, e se Fernando Almeida n\u00e3o \u00e9 um grande vocalista, ao menos sabe fazer sua voz se encaixar bem na sonoridade da banda, tornando-se quase um instrumento em vez de um ve\u00edculo de palavras. S\u00f3 pesaram um pouco a m\u00e3o no final, t\u00e3o \u201cviajand\u00e3o\u201d que requeria aditivos para a devida aprecia\u00e7\u00e3o. Mas isso nem de longe comprometeu um show consagrador, para a banda e para o festival.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A edi\u00e7\u00e3o de 2014 do El Mapa de Todos entregou mais do que prometeu. Mesmo com problemas a ser ajustados nas edi\u00e7\u00f5es vindouras (o controle de tempo no Opini\u00e3o sendo a principal delas),  conseguiu integrar diferentes nacionalidades no palco e na plateia, levar m\u00fasica independente a diferentes espa\u00e7os da cidade, e conciliar as mais diversas propostas criativas, tudo isso para um p\u00fablico maior que nos anos anteriores \u2013 e ainda por cima, com uma data, de seis shows, totalmente gratuita. O festival j\u00e1 est\u00e1 inserido no calend\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27363\" title=\"elmapa1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/elmapa1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"406\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/elmapa1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/elmapa1-300x201.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span> <\/span><span>&#8211; Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a><span>) no Scream &amp; Yell. Todas as fotos s\u00e3o de divulga\u00e7\u00e3o do Festival El Mapa de Todos. <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/elmapadetodos\/photos_stream\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Veja galeria completa<\/a>. <\/span><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; El Mapa de Todos 2012: Exemplo de qualidade e perseveran\u00e7a, festival chega ao \u00e1pice (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/11\/11\/festival-el-mapa-de-todos-2012\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; El Mapa de Todos 2013 exibe programa\u00e7\u00e3o inteligente e respeito de um bom p\u00fablico (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/03\/festival-el-mapa-de-todos-2013\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; El Mapa de Todos 2014: Buen\u00edsima onda que amea\u00e7a ficar mais valorosa a cada edi\u00e7\u00e3o (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/11\/18\/balancao-festival-el-mapa-de-todos-2014\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; El Mapa de Todos 2015\u00a0 apostou na diversidade de g\u00eaneros e acerta novamente\u00a0 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/11\/17\/balancao-el-mapa-de-todos-2015\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas\nFestival entregou mais do que prometeu conseguindo integrar diferentes nacionalidades no palco e na plateia\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/11\/18\/balancao-festival-el-mapa-de-todos-2014\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[45,287],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27354"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27354"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27354\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52279,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27354\/revisions\/52279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27354"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27354"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27354"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}