{"id":2723,"date":"2009-12-05T08:44:04","date_gmt":"2009-12-05T10:44:04","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=2723"},"modified":"2021-08-17T01:12:53","modified_gmt":"2021-08-17T04:12:53","slug":"entrevista-juliano-polimeno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/12\/05\/entrevista-juliano-polimeno\/","title":{"rendered":"Entrevista:  Juliano Polimeno"},"content":{"rendered":"<p style=\"TEXT-ALIGN: center\"><strong><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"600\" height=\"593\" class=\"alignnone size-full wp-image-2724\" title=\"Juliano Polimeno\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/juliano.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/juliano.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/juliano-300x296.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: center\"><strong>por Tiago Agostini<\/strong><\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">\u00a0Juliano Polimeno \u00e9 a cabe\u00e7a por tr\u00e1s da Phonobase, empresa que faz, em conjunto com os m\u00fasicos, a gest\u00e3o das bandas C\u00e9rebro Eletr\u00f4nico e Jumbo Elektro. Para o lan\u00e7amento de &#8220;Terrorist&#8221;, \u00faltimo \u00e1lbum do Jumbo (<a href=\"http:\/\/www.jumboelektro.com.br\">http:\/\/www.jumboelektro.com.br<\/a>), eles montaram uma estrat\u00e9gia com diversos formatos de MP3 para venda e mais: lan\u00e7aram uma plataforma Fan2Fan, para que cada pessoa que quiser monte uma loja vendendo o disco em seu site e ganhe uma porcentagem disso. Juliano bateu um papo com o Scream &amp; Yell para falar sobre a plataforma, a nova ind\u00fastria musical e como C\u00e9rebro, Jumbo e as bandas independentes se encaixam nisso tudo.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>Voc\u00eas fizeram uma pesquisa no come\u00e7o de 2009 sobre consumo de m\u00fasica pelo p\u00fablico. Quais foram os principais resultados? O p\u00fablico de hoje ainda compra discos?<\/strong><br \/>\nNa verdade, foi uma pesquisa feita para a banda C\u00e9rebro Eletr\u00f4nico em que constavam quest\u00f5es sobre o relacionamento do p\u00fablico com a banda e tamb\u00e9m perguntas sobre a forma de consumo de m\u00fasica. Nossa expectativa inicial era de cerca de 200 respondentes, mas tivemos quase 700 inscritos. \u00c9 preciso ficar claro que se trata de uma parcela do p\u00fablico, aquele com acesso \u00e0 internet (j\u00e1 que a pesquisa era online) e, para n\u00f3s, representa uma parcela \u2013 ainda que bastante representativa \u2013 da totalidade do p\u00fablico do C\u00e9rebro Eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Entre os principais resultados, destacaria a forma como as pessoas conheceram a banda, com a vit\u00f3ria da \u201crecomenda\u00e7\u00e3o de amigos\u201d com 21%, seguida dos blogs com 17%, programas de TV com 16% e atrav\u00e9s de shows com 11%. Outro dado importante \u00e9 que 43% dos respondentes disseram que baixaram o \u00e1lbum \u201cPare\u00e7o Moderno\u201d gratuitamente tanto atrav\u00e9s do EP que disponibilizamos para blogs e sites quanto atrav\u00e9s de links \u201cpiratas\u201d, torrent, etc. Em contrapartida, \u00e9 interessante observar os resultados da pergunta seguinte:<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Q25. Em que formato voc\u00ea gostaria de adquirir o pr\u00f3ximo disco da banda?<br \/>\nUm CD normal com pre\u00e7o honesto\u00a0\u00a0\u00a0 23.29%<br \/>\nMP3 de gra\u00e7a\u00a0\u00a0\u00a0 20.89%<br \/>\nUm CD simples e barato\u00a0\u00a0\u00a0 11.64%<br \/>\nUm CD com conte\u00fado extra, vers\u00f5es, v\u00eddeos, fotos, etc\u00a0\u00a0\u00a0 10.85%<br \/>\nMP3 a um pre\u00e7o honesto\u00a0\u00a0\u00a0 9.89%<br \/>\nUm formato especial e exclusivo, mesmo que um pouco mais caro\u00a0\u00a0\u00a0 8.29%<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Nesse sentido, me parece que h\u00e1 uma certa ambiguidade entre a \u201cpr\u00e1tica\u201d do consumo e a \u201copini\u00e3o\u201d pr\u00e9via ou \u201cintuito\u201d sobre a forma de consumo de m\u00fasica. Ainda na pergunta seguinte, o resultado tamb\u00e9m parece comprovar essa \u201cteoria da ambiguidade\u201d entre pr\u00e1tica e pensamento. Quando perguntados se topariam comprar o pr\u00f3ximo \u00e1lbum da banda antes dele ficar pronto (cerca de 6 meses antes) para ter acesso a conte\u00fados exclusivos como pr\u00e9via das m\u00fasicas, v\u00eddeos da grava\u00e7\u00e3o, faixas extras, etc, 57,7% disseram que sim e 31,2% que n\u00e3o topariam.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Outras perguntas tamb\u00e9m demostraram essa ambiguidade e, de modo geral, isso foi o que mais nos chamou a aten\u00e7\u00e3o. Se o p\u00fablico ainda compra discos? Ele pensa que sim, mas na pr\u00e1tica n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>Esses resultados j\u00e1 foram usados para o lan\u00e7amento do Jumbo Elektro tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>\nDe certa forma sim, pois tanto a pesquisa quanto o acompanhamento do mercado, de outras empresas e estrat\u00e9gias, etc, acabam reformatando diariamente nossa forma de pensar e agir no mercado fonogr\u00e1fico. Mas acho tamb\u00e9m que o lan\u00e7amento do novo \u00e1lbum do Jumbo Elektro foi mais um experimento da Phonobase para tentar entender o p\u00fablico a partir de estrat\u00e9gias diferentes. Com o C\u00e9rebro oferecemos diversos produtos f\u00edsicos e com o Jumbo a id\u00e9ia foi oferecer diferentes op\u00e7\u00f5es de produtos digitais para ver o que acontece.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>Voc\u00eas est\u00e3o com a proposta do Fan2Fan, que \u00e9 uma loja virtual para cada usu\u00e1rio. Como surgiu essa id\u00e9ia?<br \/>\n<\/strong>Surgiu em uma noite de ins\u00f4nia na qual minha cabe\u00e7a n\u00e3o soube mais onde ficava o bot\u00e3o de desligar. Trabalhar com m\u00fasica hoje, mais do que tudo, envolve uma coisa que o mercado parece ter deixado de lado em nome do \u201cmodelo \u00fanico de neg\u00f3cios\u201d: a criatividade. Tudo aqui na Phonobase parte de uma id\u00e9ia criativa, \u00e9 a partir dela que montamos as planilhas e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">A id\u00e9ia do Fan2Fan \u00e9 muito simples e, basicamente, une certos conceitos das \u201credes sociais\u201d com os \u201cprogramas de afiliados\u201d de empresas como a Amazon, na qual o usu\u00e1rio recebe porcentagens sobre as vendas efetuadas. O Fan2Fan une distribui\u00e7\u00e3o, divulga\u00e7\u00e3o e relacionamento direto com a base de f\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>Qual o impacto que est\u00e1 tendo? E qual a expectativa a longo prazo?<\/strong><br \/>\nAinda \u00e9 cedo para tirar conclus\u00f5es e apresentar resultados consistentes, mas s\u00f3 a repercuss\u00e3o da plataforma Fan2Fan no mercado, na imprensa e na opini\u00e3o direta dos f\u00e3s j\u00e1 representa uma vit\u00f3ria para n\u00f3s e para o pessoal do Jumbo.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>O que \u00e9 o Direct-to-fan? Pode falar algo?<\/strong><br \/>\nSer\u00e1 uma plataforma de servi\u00e7os para artistas e bandas que queiram gerir sua carreira sem muitos intermedi\u00e1rios e atingir os f\u00e3s de forma direta. A id\u00e9ia \u00e9 oferecer ferramentas \u2013 como por exemplo o Fan2Fan, mas tamb\u00e9m servi\u00e7os no mundo \u201creal\u201d \u2013 para que ele possa administrar sua carreira. Isso tudo com o aux\u00edlio profissional da Phonobase.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>Ano passado o C\u00e9rebro teve um problema com a APCM, que tirou um link de um EP, disponibilizado pela pr\u00f3pria banda, do 4Shared, o que mostra que talvez a pol\u00edtica de varrer links pela web segue apenas crit\u00e9rios quantitativos. Qual a sua vis\u00e3o do epis\u00f3dio e desse m\u00e9todo?<\/strong><br \/>\nQuando isso aconteceu, deixamos claro que somos a favor dos direitos autorais e sua prote\u00e7\u00e3o, mas contra a\u00e7\u00f5es de \u201cterrorismo autoral\u201d que parecem nem ao menos tentar entender como e para onde est\u00e1 caminhando o mercado de m\u00fasica. A\u00e7\u00f5es como essa ao inv\u00e9s de alimentar uma cultura do \u201cpague pela m\u00fasica que voc\u00ea gosta\u201d geram mais argumentos para que as pessoas n\u00e3o comprem m\u00fasica, pois elas s\u00e3o tratadas como bandidos e n\u00e3o como consumidores em potencial. \u00c9 uma estrat\u00e9gia burra e imbecil a de processar os pr\u00f3prios clientes, isso s\u00f3 os afasta mais ainda.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>Estamos passando por um momento de transi\u00e7\u00e3o no mercado fonogr\u00e1fico. Voc\u00ea acha que esse modelo que conhecemos hoje e que reinou por d\u00e9cadas pode sobreviver ainda ou est\u00e1 fadado a morrer?<\/strong><br \/>\nO modelo baseado exclusivamente na venda de c\u00f3pias f\u00edsicas est\u00e1 sim fadado a morrer. \u00c9 s\u00f3 olhar os n\u00fameros. Mas isso n\u00e3o quer dizer que ele n\u00e3o possa conviver com outras formas, m\u00e9todos e modelos. Como dizem por a\u00ed, acredito que a ind\u00fastria deixar\u00e1 de vender c\u00f3pias para vender servi\u00e7os.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>Qual \u00e9 o melhor modelo de neg\u00f3cio com m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nO per\u00edodo de \u201cca\u00e7a ao novo modelo\u201d est\u00e1 aberto j\u00e1 h\u00e1 algum tempo e eu realmente acho que n\u00e3o existe o modelo \u00fanico, aplic\u00e1vel a todos. Isso \u00e9 tudo o que a \u201cvelha\u201d ind\u00fastria quer: um modelo substituto que possibilite os mesmos ganhos de 20 anos atr\u00e1s. Desse ponto de vista, \u00e9 engra\u00e7ado ver a dita \u201cnova ind\u00fastria\u201d tamb\u00e9m entrar na ca\u00e7a ao modelo \u00fanico. O paradigma \u00e9 n\u00e3o ter mais paradigma. Vamos voltar a ter um relacionamento mais pr\u00f3ximo com o artista e montar modelos customizados para cada um deles, de acordo com a fase da carreira em que ele se encontra e, mais importante, de acordo com sua proposta art\u00edstica seja ela \u201cindie\u201d ou \u201cmainstream\u201d. E isso inclui tudo: direitos autorais, shows, produtos f\u00edsicos e digitais, licenciamentos, parcerias com outras empresas, etc.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>Sobre a quest\u00e3o do download levatanda pelo Zero Quatro recentemente. O download de MP3 gr\u00e1tis pode ser prejudicial para bandas independentes tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>\nAcho que \u00e9 mais prejudicial para os artistas pequenos e em in\u00edcio de carreira. O Radiohead est\u00e1 em um patamar em que pode perguntar quanto voc\u00ea quer pagar pelo download, pois uma base de milh\u00f5es de f\u00e3s garante que pelo menos alguns milhares ir\u00e3o pagar. Al\u00e9m disso, no caso do Radiohead, tamb\u00e9m j\u00e1 estava previsto o lan\u00e7amento do CD, da edi\u00e7\u00e3o especial, da vers\u00e3o com as m\u00fasicas que ficaram de fora, e mesmo que todos os milh\u00f5es de f\u00e3s n\u00e3o tivessem pago pelo download, uma renda significativa estaria garantida com a venda desses produtos.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Apesar do discurso vigente de que as novas tecnologias de produ\u00e7\u00e3o musical reduziram bastante o custo de grava\u00e7\u00e3o de um \u00e1lbum (o que \u00e9 relativo), a verdade \u00e9 que uma produ\u00e7\u00e3o com qualidade, em um bom est\u00fadio, pagando todos os m\u00fasicos, t\u00e9cnicos e equipe, montando um plano de divulga\u00e7\u00e3o m\u00ednimo, etc, tem um custo significativo que certamente n\u00e3o se aproxima do zero. Al\u00e9m disso, a \u201cfacilidade\u201d de distribui\u00e7\u00e3o pela internet trouxe um outro problema que tamb\u00e9m requer investimento: chamar a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Sinceramente, n\u00e3o acredito na f\u00f3rmula \u201cgrave em casa, coloque no MySpace e aguarde o sucesso\u201d. Isso \u00e9 mentira. O \u00fanico que ganha alguma coisa com isso \u00e9 o MySpace.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">De outro lado, acho que s\u00f3 um relacionamento mais pr\u00f3ximo com a base de f\u00e3s, de uma forma em que ele se sinta \u201cparceiro\u201d da banda pode fazer com que ele pague alguma coisa pela m\u00fasica. Gosto muito de projetos como o Sellaband e o ArtistShare em que o f\u00e3 \u00e9 chamado para ajudar a financiar um \u00e1lbum. N\u00e3o \u00e9 um modelo, mas uma ferramenta interessante.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>Tanto no lan\u00e7amento do C\u00e9rebro como no do Jumbo voc\u00eas colocaram v\u00e1rias formas da pessoa comprar, ou at\u00e9 podendo baixar de gra\u00e7a, dependendo da qualidade do \u00e1udio. As pessoas pagam para baixar com mais qualidade?<\/strong><br \/>\nNo caso do C\u00e9rebro a estrat\u00e9gia estava voltada para uma gama de produtos f\u00edsicos (ainda que tamb\u00e9m tenhamos disponibilizado vers\u00f5es digitais) que ia de um cart\u00e3o de download, passando por duas vers\u00f5es do CD (uma mais simples e outra em embalagem digipack com conte\u00fados extras) e chegando a uma caixa com conte\u00fados exclusivos e tiragem limitada. Nesse projeto concluimos que existe p\u00fablico para cada um desses formatos. Todos os produtos venderam bem e, de certa maneira, a venda de cada um deles estava ligada ao tipo de relacionamento que a pessoa tinha com a banda. Os cart\u00f5es de download venderam muito bem pela internet para um p\u00fablico que estava conhecendo a banda e as caixas venderam bastante para pessoas que j\u00e1 conheciam o C\u00e9rebro h\u00e1 mais tempo e queriam \u201cpossuir\u201d algo exclusivo.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\">Para o Jumbo Elektro nos concentramos mais nos produtos digitais e, como disse antes, foi um \u201cexperimento\u201d para ver como funcionaria. At\u00e9 agora, pouco depois do lan\u00e7amento, vendemos algumas unidades do MP3 em 320kbps e tamb\u00e9m do FLAC, al\u00e9m do CD que tamb\u00e9m vendeu. O WAVE ainda n\u00e3o saiu. Obviamente, o download gratuito \u00e9 o mais procurado. Mas ainda \u00e9 cedo para demais para avaliar.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>Acha que esse modelo \u00e9 vi\u00e1vel?<\/strong><br \/>\nA estrat\u00e9gia usada para o C\u00e9rebro \u00e9 vi\u00e1vel e vamos repeti-la no pr\u00f3ximo \u00e1lbum. Dessa forma voc\u00ea atinge uma gama maior de consumidores que vai do cara que s\u00f3 quer conhecer a banda (e faz o download gratuito) at\u00e9 aquele que j\u00e1 possui alguma rela\u00e7\u00e3o com o artista e quer guardar uma lembran\u00e7a, levar um \u201csouvenir\u201d, seja ele o CD, uma camiseta, um adesivo, uma caixa ou um \u00e1lbum digital com qualidade superior. No caso do Jumbo, precisamos esperar mais um pouco pra saber como a estrat\u00e9gia vai se comportar<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>H\u00e1 quem diga que o download deve acabar em algum tempo, tudo vai partir pro streaming. Concorda? Como isso pode impactar esse modelo independente?<\/strong><br \/>\nEu acho que as coisas ir\u00e3o conviver. Download, streaming, CD, vinil, produtos de merchandise, etc. A somat\u00f3ria disso tudo \u00e9 que possibilitar\u00e1 ao artista e seus parceiros obterem uma renda com o fonograma e com a \u201cmarca\u201d.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>Voc\u00ea se posicionou contra o patroc\u00ednio p\u00fablico de arte no twitter. Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sou contr\u00e1rio \u00e0s Leis de Incentivo, apenas fiz uma ressalva de que alguns\u00a0 projetos financiados com dinheiro p\u00fablico deveriam ser como um Plano de Neg\u00f3cios no qual voc\u00ea precisa comprovar, a m\u00e9dio ou longo prazo, sua capacidade de auto-sufici\u00eancia. Funcionaria, portanto, como um mecanismo de financiamento banc\u00e1rio ou via investidor s\u00f3 que a fundo perdido. Mas todas as obriga\u00e7\u00f5es e responsabilidade contidas em um Business Plan estariam ali e solicita\u00e7\u00f5es futuras estariam condicionadas \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de resultados. Caso contr\u00e1rio, a lei n\u00e3o estimula a capacidade empreendedora do \u201cproponente\u201d e se transforma em um ciclo de depend\u00eancia que condiciona a produ\u00e7\u00e3o \u00e0 capta\u00e7\u00e3o de recursos. Contrapartida pra mim \u00e9 capacidade empreendedora e de auto-sufici\u00eancia. Por isso n\u00e3o concordo com os incentivos dados a grandes artistas como Ivete Sangalo e Caetano Veloso. Eles s\u00e3o auto-suficientes e, nesse caso, a lei funciona apenas como um mecanismo de aumentar a renda liqu\u00edda desses artistas.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>Como fazer o financiamento ent\u00e3o?<\/strong><br \/>\nNo in\u00edcio de um projeto, o financiamento pode \u2013 e talvez seja necess\u00e1rio \u2013 ser feito pelas Leis de Incentivo contanto que preveja a apresenta\u00e7\u00e3o de um plano de auto-sufici\u00eancia minimamente execut\u00e1vel e que estejam definidas algumas responsabilidades b\u00e1sicas. O que me incomoda \u00e9 o \u201cciclo da depend\u00eancia\u201d que essas leis acabam possibilitando.<\/p>\n<p style=\"TEXT-ALIGN: justify\"><strong>Por exemplo, o CD do C\u00e9rebro teve uma caixa especial com um monte de material especial. Fica muito caro bancar isso? E se paga s\u00f3 com venda?<\/strong><br \/>\n\u00c9 bom dizer que n\u00e3o usamos nenhuma lei de incentivo para o \u201cPare\u00e7o Moderno\u201d. A Phonobase e a banda financiaram o projeto todo com recursos pr\u00f3prios. Obviamente fica mais caro fazer as caixas do que simplesmente mandar prensar os CDs, mas nesse caso o projeto todo funcionou organicamente unindo a estrat\u00e9gia de marketing \u00e0 concep\u00e7\u00e3o e venda dos produtos. Pensando somente na venda, ap\u00f3s quase 2 anos do lan\u00e7amento, o caixa ficou deficit\u00e1rio em cerca de R$4.000,00. Mas se contarmos as receitas com direitos autorais e shows, o projeto deu lucro. Com o C\u00e9rebro Eletr\u00f4nico temos um plano de m\u00e9dio e longo prazo e nossa expectativa \u00e9 que os produtos do pr\u00f3ximo \u00e1lbum da banda se paguem apenas com a venda. Isso est\u00e1 no Business Plan que fizemos para o C\u00e9rebro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tiago Agostini \u00e9 jornalista e assina o blog <a href=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/tiagoagostini\/\">A Day in The Life<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Tiago Agostini\nJuliano Polimeno \u00e9 a cabe\u00e7a por tr\u00e1s da Phonobase, empresa que faz a gest\u00e3o das bandas C\u00e9rebro Eletr\u00f4nico e Jumbo Elektro. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/12\/05\/entrevista-juliano-polimeno\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2723"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2723"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2723\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3373,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2723\/revisions\/3373"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2723"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2723"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2723"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}