{"id":27181,"date":"2014-11-06T09:57:54","date_gmt":"2014-11-06T11:57:54","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=27181"},"modified":"2023-03-28T23:08:44","modified_gmt":"2023-03-29T02:08:44","slug":"entrevista-o-terceiro-disco-do-charme-chulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/11\/06\/entrevista-o-terceiro-disco-do-charme-chulo\/","title":{"rendered":"Entrevista: O 3\u00b0 disco do Charme Chulo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27182\" title=\"charme_chulo_2014\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/charme_chulo_2014.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"301\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.brandt.56\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pedro Brandt<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos nomes mais originais surgidos no rock brasileiro na \u00faltima d\u00e9cada, a banda curitibana Charme Chulo liberou para <a href=\"http:\/\/charmechulo.com.br\/charme\/discos-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">download<\/a> e audi\u00e7\u00e3o online, em 1\u00ba de novembro, seu terceiro \u00e1lbum, \u201cCrucificados Pelo Sistema Bruto\u201d \u2013 disco duplo que traz no t\u00edtulo refer\u00eancia tanto a Ratos de Por\u00e3o e seu cl\u00e1ssico LP de estreia, \u201cCrucificados Pelo Sistema\u201d (1984), quanto a Chit\u00e3ozinho &amp; Xoror\u00f3 (paranaenses como o Charme Chulo) e seu CD \u201cAqui o Sistema \u00e9 Bruto\u201d (2004).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No novo disco, a banda liderada pelos primos Igor Filus (vocal) e Leandro Delmonico (guitarra e viola) entrega \u2013 entre a acidez e o bom humor, o existencialismo e o deboche \u2013 um disco conceitual repleto de atentas observa\u00e7\u00f5es cotidianas e sagazes cr\u00edticas de costumes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo das 20 faixas do \u00e1lbum, o Charme Chulo d\u00e1 continuidade ao rock caipira que fez a fama do quarteto (uma cruza entre The Smiths e Ti\u00e3o Carreiro &amp; Pardinho) e amplia seu leque de refer\u00eancias, passando por sonoridades de funk carioca, reggae, ax\u00e9, polca, m\u00fasica de karaok\u00ea, eletr\u00f4nica e tantos outros, apontando poss\u00edveis di\u00e1logos entre esses g\u00eaneros musicais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como os discos \u201cCharme Chulo\u201d (2007) e \u201cNova Onda Caipira\u201d (2009), \u201cCrucificados Pelo Sistema Bruto\u201d tamb\u00e9m ganhar\u00e1 edi\u00e7\u00e3o em CD, com lan\u00e7amento marcado para dezembro. O disco foi produzido por Rodrigo Lemos (ex-A Banda Mais Bonita da Cidade) e viabilizado por financiamento coletivo. A discografia do Charme Chulo pode ser baixada gratuitamente em <a href=\"http:\/\/charmechulo.com.br\/charme\/discos-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">charmechulo.com.br<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista, Igor Filus e Leandro Delmonico contam detalhes sobre a produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum duplo e o momento atual da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como nasceu o conceito do \u201cCrucificados Pelo Sistema Bruto\u201d?<\/strong><br \/>\nLeandro: O que posso dizer \u00e9 que, antes mesmo do \u201cNova Onda Caipira\u201d, est\u00e1vamos falando do cl\u00e1ssico \u201cCrucificados Pelo Sistema\u201d, do Ratos de Por\u00e3o, e eu soltei uma brincadeira: \u201cAcontece que, no caso do Charme Chulo, estamos crucificados pelo sistema bruto\u201d. A partir da\u00ed, criamos um universo e o conceito come\u00e7ou a surgir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igor: O Charme Chulo \u00e9 uma banda conceitual por ess\u00eancia e este disco novo evidencia esse aspecto do grupo. A ideia deste terceiro \u00e1lbum surgiu antes mesmo do segundo, mas sab\u00edamos que era cedo para tal incurs\u00e3o. E, naturalmente, como se estiv\u00e9ssemos prevendo os fatos, este disco acabou caindo como uma luva para este momento. Se voc\u00ea tem uma banda que se preza de verdade e chega ao terceiro disco, significa que voc\u00ea tem algo muito importante a dizer e chegou a hora de evoluir, \u00e9 o momento pra isso, sua estrada inicial te d\u00e1 este aval. Ent\u00e3o nos sentimos quase como predestinados e respons\u00e1veis em ampliar a incurs\u00e3o da viola caipira no universo sat\u00e9lite do rock, como jazz, reggae, surf music, eletr\u00f4nico, entre outras. Basicamente, almejamos o primor do \u201c\u00c1lbum Branco\u201d (Beatles) e a unidade da salada musical do \u201cSandinista!\u201d (The Clash). N\u00e3o foi f\u00e1cil. Ent\u00e3o a\u00ed est\u00e1, a obra que mais justifica o nome e a ess\u00eancia da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As 20 faixas do \u00e1lbum somam 74 minutos, poderia caber num \u00fanico CD. Por que lan\u00e7ar em CD duplo (sabendo que isso encareceria a produ\u00e7\u00e3o, o financiamento coletivo, etc.)?<\/strong><br \/>\nLeandro: O \u201cCrucificados Pelo Sistema Bruto\u201d \u00e9 um \u00e1lbum muito conceitual pra gente. Nossa ideia era cometer alguns exageros, a come\u00e7ar pela proposta musical do disco. O fato dele se tornar duplo aconteceu durante o processo de composi\u00e7\u00e3o e foi uma das coisas menos planejadas. Sab\u00edamos que ele iria demorar pra sair e decidimos incluir mais faixas. Acho que outras duas coisas foram determinantes: a influ\u00eancia de outros \u00e1lbuns longos (como o Igor citou: \u201cSandinista!\u201d, do The Clash, e o \u201cWhite Album\u201d, dos Beatles) e o fato de evitar algum cansa\u00e7o ao ouvir 20 faixas na sequ\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igor: Muitos \u00e1lbuns duplos cl\u00e1ssicos do rock cabem em um \u00fanico CD. A quest\u00e3o est\u00e1 acima disso, somos da escola antiga, ent\u00e3o o formato duplo \u00e9 absolutamente est\u00e9tico (s\u00e3o dois discos ao mesmo tempo e n\u00e3o s\u00f3 um disco longo) e sonoro (por ser muito cansativo ouvir um \u00e1lbum inteiro de 80 minutos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De quando datam as m\u00fasicas mais antigas do \u00e1lbum? E as mais novas? Alguma m\u00fasica, por algum motivo, acabou ficando de fora?<\/strong><br \/>\nLeandro: No geral, as composi\u00e7\u00f5es do disco foram feitas entre 2012 e 2014, mas acabamos resgatando algumas coisas antigas, como a instrumental \u201cVinho de Mesa\u201d (que fiz na viola h\u00e1 uns sete anos) e \u201cLevante o Vestido\u201d (da nossa primeira demo, de 2003). Entre as novas, destaco \u201cMeu Peito \u00e9 Um Caminh\u00e3o Desgovernado\u201d, que teve a letra finalizada poucos dias antes da gente gravar. Temos um jeito muito particular e lento de compor. \u00c9 muito raro uma m\u00fasica n\u00e3o entrar no disco. \u201cNingu\u00e9m Mandou Nascer Jac\u00fa\u201d \u00e9 uma faixa de 2007, que acabou n\u00e3o entrando no \u201cNova Onda Caipira\u201d, mas fizemos um novo arranjo pra ela e ficou totalmente dentro. A instrumental \u201cNovos Ricos\u201d tamb\u00e9m entrou no fim do processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/9KlzAHg-0TA\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/9KlzAHg-0TA\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leandro, voc\u00ea diria que apresenta no \u201cCrucificados\u201d alguma nova influ\u00eancia como guitarrista ou compositor?<\/strong><br \/>\nLeandro: Certamente. O Charme Chulo tem muitas possibilidades. No meu caso, acho que consegui desenvolver algumas coisas dentro da nossa maior marca, que \u00e9 o rock caipira. Os instrumentais de \u201c\u00c9 Que \u00c1s Vezes (Melhor \u00e9 Morar na Fazenda)\u201d e \u201cA Viola Foi pro Saco\u201d surgiram num per\u00edodo em que ouvi algumas coisas do Almir Sater, por exemplo. Tento misturar alguns sons distintos como Belle and Sebastian, Ti\u00e3o Carreiro e Creedence em alguns riffs. Na parte das letras, acho que me apropriei mais dos notici\u00e1rios e redes sociais do que da literatura e poesia. O mundo real t\u00e1 a\u00ed, cheio de inspira\u00e7\u00e3o pra quem souber colher. A letra de \u201cQuem Vai Carpir o Lote?\u201d e \u201cMeu Peito \u00e9 Um Caminh\u00e3o Desgovernado\u201d mostram um pouco disso. No caso desse \u00faltimo \u00e1lbum s\u00e3o in\u00fameras influ\u00eancias, pois cada m\u00fasica tem um universo particular. Sem contar que brincamos com fogo corriqueiramente, haha!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea, Igor, diria que no \u00e1lbum p\u00f4de exercitar alguma nova influ\u00eancia enquanto letrista? E quem voc\u00ea citaria como seus letristas e escritores favoritos? Ainda sobre esse assunto, como nascem as letras do Charme Chulo?<\/strong><br \/>\nIgor: Acho que a mais nobre experi\u00eancia que pude exercitar neste disco, quanto \u00e0s letras, foi a faixa \u201cMulti Stillus\u201d. O melhor processo do Charme Chulo \u00e9: pego um riff bom do Leandro, desenvolvo harmonia e melodias em ingl\u00eas falso e depois ad\u00e9quo ao m\u00e1ximo o tema e a letra em portugu\u00eas com o clima da m\u00fasica (isso \u00e9 muito importante pra qualidade final). S\u00f3 que no caso de \u201cMulti Stillus\u201d, baseado naquele sentimento bem Tom Z\u00e9, do quanto a can\u00e7\u00e3o est\u00e1 morta, do quanto precisamos entender os novos valores de novos tempos, cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que a melhor forma para comunicar o que eu queria era deixar a letra em \u201cportugu\u00eas falso\u201d. Isso acontece na parte do rap de \u201cMulti Stillus\u201d, misturei l\u00ednguas, criei l\u00ednguas inexistentes, uma desconstru\u00e7\u00e3o total e an\u00e1rquica do formato tradicional, que acabou dizendo muito mais do que se fosse uma letra normal. Sou um leitor nanico, fico com os clich\u00eas da juventude, como Dalton Trevisan, Thomas Mann, Aldous Huxley, George Orwell, Oscar Wilde, Dostoievsky, Salinger&#8230; Ian Curtis, Renato Russo, Jim Morrison, Morrissey&#8230; deus me perdoe se esqueci de algu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas conseguem apontar as suas favoritas do \u201cCrucificados\u201d?<\/strong><br \/>\nLeandro: Gosto das m\u00fasicas que sintetizam a banda e \u2013 ao mesmo tempo \u2013 acompanham o disco. \u201c\u00c9 Que \u00e0s Vezes\u201d, \u201cNingu\u00e9m Mandou Nascer Jac\u00fa\u201d, \u201cDia de Matar Porco\u201d, \u201cFuzarca\u201d e \u201cCarca\u00e7a Sensacional\u201d s\u00e3o bons exemplos para mim. Me apego muito \u00e0s m\u00fasicas que acabam ficando no repert\u00f3rio da banda, pois tenho uma liga\u00e7\u00e3o muito forte com os shows do Charme Chulo. S\u00e3o m\u00fasicas que j\u00e1 nascem prontas. Mesmo assim, algumas m\u00fasicas mais conceituais, como \u201cMeu Peito \u00e9 Um Caminh\u00e3o Desgovernado\u201d est\u00e3o surpreendendo bastante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igor: \u201cMulti Stillus\u201d, j\u00e1 comentada, \u201cDia de Matar Porco\u201d, pelo tema vegetariano em pleno pa\u00eds do churrasco, e tamb\u00e9m \u201cVale a Pena Morrer Pelo Protesto\u201d, porque pra mim a piada fica vazia quando um assunto s\u00e9rio e cabeludo \u00e9 desprezado, t\u00edpica atitude que reflete o baixo n\u00edvel educacional de um povo. Apesar de todo o humor, este \u00e9 o disco mais s\u00e9rio que j\u00e1 fizemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00eas comparam a produ\u00e7\u00e3o dos dois primeiros discos com o terceiro?<\/strong><br \/>\nLeandro: Considero a produ\u00e7\u00e3o do \u00faltimo disco madura e realista. O primeiro \u00e9 muito rom\u00e2ntico, mas ainda est\u00e1vamos aprendendo muita coisa sobre grava\u00e7\u00e3o. No segundo disco rolou o lance de compor muito r\u00e1pido, o que contrariou um pouco o curso natural das coisas. \u201cCrucificados Pelo Sistema Bruto\u201d traz a liberdade de composi\u00e7\u00e3o das nossas primeiras grava\u00e7\u00f5es somada \u00e0 experi\u00eancia de estar no terceiro \u00e1lbum. Queria um disco mais vivo, com uma hist\u00f3ria e tal. O Charme Chulo \u00e9 muito torto para buscar alguma formula ou refer\u00eancia restrita de grava\u00e7\u00e3o. Nossa \u00fanica solu\u00e7\u00e3o \u00e9 enfiar o p\u00e9 na jaca e ser feliz!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igor: Fa\u00e7am minhas as palavras do Leandro.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/aoOslRAWxgo\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/aoOslRAWxgo\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Produzir um disco com ajuda de financiamento coletivo deve ser tenso. Como foi a experi\u00eancia para voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nLeandro: O Igor acabou cuidando mais do financiamento coletivo. \u00c9 algo muito diferente mesmo. A grande maioria do recurso veio da verba dos f\u00e3s. Procuramos atender os prazos e no fim do processo de grava\u00e7\u00e3o a coisa ficou mais tensa, pois chega um momento que d\u00e1 vontade de se estender e voc\u00ea precisa pensar duas vezes, tanto pela verba quanto pelo prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igor: Est\u00e1 sendo a experi\u00eancia mais desgastante e ao mesmo tempo recompensadora da minha vida. S\u00e3o muitos detalhes e voc\u00ea tem que ter muita humildade e profissionalismo pra ficar algo realmente legal ao final. Criamos um v\u00ednculo de cumplicidade e parceria com as pessoas mais especiais que j\u00e1 tivemos a chance de conhecer, os entusiastas mais gentis e os f\u00e3s mais queridos e apaixonados que uma banda pode almejar. Na pr\u00e1tica, conseguimos 80% do valor, R$ 24 mil, o restante foi financiado por Anselmo Rzesnik (\u201ca\u00e7ougueiro\u201d em polaco), personagem e alterego charmechuliano da m\u00fasica \u201cDia de Matar Porco\u201d. Ele foi muito, muito gentil tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Do lan\u00e7amento de \u201cNova Onda Caipira\u201d, em 2009, pra c\u00e1, a banda trocou algumas vezes de forma\u00e7\u00e3o. Quem passou pela banda nesse meio tempo e como voc\u00eas chegaram na forma\u00e7\u00e3o atual?<\/strong><br \/>\nLeandro: Desde que fundamos a banda em 2003, a cozinha do Charme Chulo passou por algumas altera\u00e7\u00f5es. Pouco antes da grava\u00e7\u00e3o do primeiro disco, em 2006, encontramos a forma\u00e7\u00e3o mais conhecida da banda at\u00e9 hoje, com Peterson no baixo e Rony na bateria (ambos gravaram \u201cCharme Chulo\u201d e \u201cNova Onda Caipira\u201d). Ressalto isso, pois poucas pessoas sabem que o Charme Chulo tamb\u00e9m teve outro baixista e outros bateristas antes de 2006. Ap\u00f3s a turn\u00ea do \u00e1lbum \u201cNova Onda Caipira\u201d, o Peterson e o Rony tiveram que deixar a banda por quest\u00f5es pessoais. De imediato, chamei o Hudson, baixista conhecido na cena musical de Curitiba. No come\u00e7o de 2013, o Emanuel Moon, baterista da banda Relesp\u00fablica, gravou a faixa \u201cCoisas Desesperadoras do Rock \u2018n Roll\u201d com a gente e tamb\u00e9m acabou participando do clipe. Ainda no primeiro semestre de 2013, fechamos a forma\u00e7\u00e3o do \u201cCrucificados Pelo Sistema Bruto\u201d com o Douglas Vicente na bateria, \u00f3timo m\u00fasico vindo da banda Pallets, de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Pinhais-PR. Entre 2009 e 2011, antes do Hudson no baixo, contamos com o Marano (hoje baixista d\u2019A Banda Mais Bonita da Cidade) e com o Luciano (m\u00fasico de Londrina).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igor: Hudson e Douglas n\u00e3o eram apenas m\u00fasicos, mas tamb\u00e9m f\u00e3s do trabalho da banda, o que facilitou muito a entrada e a adapta\u00e7\u00e3o deles ao grupo. Especialmente por este motivo, tocar com eles e t\u00ea-los na forma\u00e7\u00e3o atual \u00e9 algo m\u00e1gico e flui muito bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muitas das bandas com 10 (ou mais) anos de estrada enfrentam, com o passar do tempo, a indiferen\u00e7a de parte do p\u00fablico que um dia a acompanhou e da imprensa que um dia deu aten\u00e7\u00e3o para ela. Voc\u00eas percebem isso?<\/strong><br \/>\nLeandro: Sou muito preocupado com isso, at\u00e9 porque minha forma\u00e7\u00e3o \u00e9 de jornalista. No caso do Charme Chulo, acontece exatamente o contr\u00e1rio. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos tivemos mais contato com o p\u00fablico paranaense do que em outros estados, \u00e9 verdade. Mas \u00e9 n\u00edtido o respeito que ganhamos em Curitiba com o passar dos anos, al\u00e9m de n\u00e3o perder resposta e contato com os f\u00e3s espalhados pelo Brasil. Prova disso \u00e9 que a nossa campanha de financiamento coletivo recebeu apoio de 67 cidades diferentes. Acho, inclusive, que a resposta do nosso pequeno e fiel p\u00fablico ao longo destes anos foi o que ajudou a gente a segurar a barra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igor: Com f\u00e3s cativos e sempre um espa\u00e7o minimamente satisfat\u00f3rio na m\u00eddia, francamente, n\u00f3s nunca sentimos isso. A euforia do p\u00fablico nos shows atuais de pr\u00e9-lan\u00e7amento \u00e9 a prova cabal. O que acontece, sim, no caso do Charme Chulo, \u00e9 que n\u00f3s n\u00e3o somos mais uma novidade para a m\u00eddia, como na \u00e9poca do EP de estreia de 2004, quando a mistura inusitada da banda gerou uma incr\u00edvel badala\u00e7\u00e3o de alguns cr\u00edticos e revistas especializadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/3eNFebWZGD8\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/3eNFebWZGD8\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda passou uma temporada em S\u00e3o Paulo. O que a cidade da garoa ensinou ao Charme Chulo?<\/strong><br \/>\nLeandro: Ficamos em S\u00e3o Paulo durante o ano de 2010. T\u00ednhamos algumas d\u00favidas sobre qual seria o verdadeiro p\u00fablico da banda, pois alguns produtores e formadores de opini\u00e3o comentavam que o nosso som era muito acess\u00edvel e popular, podendo atingir um n\u00famero grande de pessoas. Foi muito pouco tempo para concluir isso, pois esse n\u00e3o foi o \u00fanico motivo pelo qual nos mudamos pra cidade (nosso selo, Volume 1, \u00e9 de l\u00e1, inclusive). Apesar disso, minha maior impress\u00e3o foi de que o Charme Chulo deve continuar buscando a autenticidade, pois \u2013 no geral \u2013 tudo \u00e9 muito ef\u00eamero e n\u00e3o vale a pena correr atr\u00e1s do sucesso a qualquer custo, ainda mais quando se tem uma banda que j\u00e1 nasceu para quebrar alguns conceitos, de uma forma ou de outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igor: Independente do seu n\u00edvel de notoriedade, a arte deve ser sempre o seu objetivo principal e sagrado. Quando voc\u00ea a perde de vista, sendo um principiante ou um artista de muito sucesso, l\u00e1 no fundo a frustra\u00e7\u00e3o toma conta e tudo perde o sentido, pros f\u00e3s e pra voc\u00ea. A li\u00e7\u00e3o mais simples: se voc\u00ea se considera um artista, ent\u00e3o seja um artista, em qualquer situa\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 o sucesso. E \u00e9 isso que vai ficar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais os principais desafios de manter uma banda independente ativa e na estrada?<\/strong><br \/>\nLeandro: O lado financeiro \u00e9 o que mais pesa, pois a banda n\u00e3o consegue montar uma boa equipe em torno dela e acaba se sobrecarregando. Inclusive, esse excesso de fun\u00e7\u00f5es foi o que fez o Charme Chulo dar um tempo para compor o terceiro disco. \u00c9 muito complicado gerenciar os shows, divulgar, cuidar de documenta\u00e7\u00e3o e ser o mais importante: m\u00fasico. Organiza\u00e7\u00e3o m\u00ednima e coisas pra dizer acho que a gente tem!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igor: O desafio de todo mundo que tem o seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio: manter o equil\u00edbrio da valoriza\u00e7\u00e3o do seu produto versus a procura por ele. No nosso caso: cach\u00eas X shows. Pois sem shows, o caixa da banda e dos m\u00fasicos abaixa e os projetos (discos, clipes, etc.) come\u00e7am a ser engavetados e os m\u00fasicos come\u00e7am a buscar trabalhos paralelos. Mais uma vez, para o artista grande ou pequeno, os \u201caltos e baixos\u201d s\u00e3o inerentes ao mundo art\u00edstico, \u00e9 um trabalhinho bastante inst\u00e1vel esse. E nada de f\u00e9rias, seguro desemprego, garantias trabalhistas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A cena roqueira curitibana (e paranaense tamb\u00e9m) ficou muito mais conhecida no resto do pa\u00eds nos \u00faltimos dez anos. Como voc\u00eas enxergar a cena da cidade atualmente? E como o Charme Chulo est\u00e1 nesse contexto?<\/strong><br \/>\nLeandro: Faz um tempo que digo por a\u00ed que Curitiba tem a melhor cena de bandas do pa\u00eds (sem esquecer o Nevilton, que vem representando o norte do Estado com maestria). A diversidade e qualidade que se encontra por aqui \u00e9 algo raro. Recentemente, tivemos dois bons discos lan\u00e7ados na cidade, os novos de Giovanni Caruso e o Escambau e ru\u00eddo\/mm. \u00c9 poss\u00edvel citar v\u00e1rios nomes de destaque, pelo menos no \u00e2mbito independente. Acontece que n\u00e3o est\u00e1 muito f\u00e1cil manter boas festas com m\u00fasica autoral por aqui e nas outras capitais do pa\u00eds. O Charme Chulo tem uma posi\u00e7\u00e3o muito curiosa em Curitiba. Temos uma \u00f3tima rela\u00e7\u00e3o com o cen\u00e1rio e acho que conseguimos o reconhecimento de uma banda que tem 10 anos e \u2013 ao mesmo tempo \u2013 ainda rola um frescor e renova\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, pois o rock no Brasil virou algo muito restrito, ao contr\u00e1rio do que muitas pessoas pensam. Ao mesmo tempo em que \u00e9 f\u00e1cil gravar e produzir um v\u00eddeo, parece que o p\u00fablico cansou de baixar qualquer banda que aparece. \u00c9 dif\u00edcil ganhar a confian\u00e7a do p\u00fablico atualmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igor: Enxergo como a primeira vez na hist\u00f3ria de Curitiba em que uma quantidade relevante de bandas e cantores superam uma d\u00e9cada de vida e passam, juntamente com os novos grupos, a ter uma atividade e uma produ\u00e7\u00e3o realmente interessantes. Uma cena ecl\u00e9tica musicalmente (como sempre foi a caracter\u00edstica da cidade) e tamb\u00e9m de sucessos indiscut\u00edveis, como o caso de Bonde do Rol\u00ea, Copacabana Club, A Banda Mais Bonita da Cidade, Karol com K, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando e como voc\u00eas perceberam que viver da banda era apenas um sonho e que teriam que voltar para empregos \u201cformais\u201d?<\/strong><br \/>\nLeandro: Eu encarei esse dilema por muito tempo. Durante o per\u00edodo que a banda evitou os shows pra compor cheguei a encarar uma boa rotina de trabalho em assessoria e estudos na \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o. O grande problema \u00e9 que o Charme Chulo ainda \u00e9 apaixonante pra gente e d\u00e1 uma boa dose de trabalho (e pouco dinheiro, pra variar). Sempre que a banda volta a lan\u00e7ar eu preciso dar um jeito de dividir as fun\u00e7\u00f5es e arranjar complementos flex\u00edveis. Esta semana conversamos sobre isso e eu comentei com o Igor que j\u00e1 havia desencanado desse dilema, pois j\u00e1 passamos da idade de desistir dessa vida ou daquela. Dez anos de rock, tr\u00eas discos e um EP mexe com voc\u00ea pra sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igor: Atualmente, somente eu e Douglas (baterista) temos um trabalho \u201cformal\u201d, fora da \u00e1rea musical. Com um filho pequeno pra sustentar n\u00e3o pude mais depender da vida inst\u00e1vel da arte, quando a maior parte da banda voltou pro Paran\u00e1, em 2011. Ainda assim, conciliar duas ou tr\u00eas (meu filho) ocupa\u00e7\u00f5es \u00e9 algo desafiador, especialmente quando o assunto \u00e9 lan\u00e7ar um disco duplo! Por\u00e9m, ironicamente, sem essa mudan\u00e7a o Charme Chulo teria acabado. A expectativa era muito grande e o prazer foi ficando pequeno. Hoje somos uma banda muito mais leve e equilibrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/ym_w2-G04f0\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/ym_w2-G04f0\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/N2YL-nQJQm0\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/N2YL-nQJQm0\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/mOs7l4jLxKM\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/mOs7l4jLxKM\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>&#8211; Pedro Brandt (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.brandt.56\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.facebook.com\/pedro.brandt.56<\/a>) \u00e9 jornalista e vive em Bras\u00edlia<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Charme Chulo (2005): &#8220;A inspira\u00e7\u00e3o vem dos sentimentos mais pesados e \u00edntimos&#8221; (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/charmechulo.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Charme Chulo faz rock para dialogar com as grandes massas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/03\/17\/charme-chulo-e-a-defesa-da-brasilidade-esquecida\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Charme Chulo (2009): &#8220;A m\u00fasica caipira \u00e9 s\u00f3 uma das influ\u00eancias da banda&#8221;  (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/09\/23\/a-moda-caipira-do-charme-chulo\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Festa Scream &amp; Yell #1 na Casa Dissenso: Charme Chulo ao vivo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/03\/28\/festa-scream-yell-1-na-casa-dissenso\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Charme Chulo&#8221;, o \u00e1lbum, amplia a equa\u00e7\u00e3o e vai al\u00e9m de Smiths com viola caipira  (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/04\/30\/estreia-do-charme-chulo-e-o-disco-da-semana\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pedro Brandt\nAo longo das 20 faixas, o Charme Chulo d\u00e1 continuidade ao rock caipira que fez a fama do quarteto. Conversamos com eles&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/11\/06\/entrevista-o-terceiro-disco-do-charme-chulo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27181"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27181"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27181\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27188,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27181\/revisions\/27188"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27181"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}