{"id":27081,"date":"2014-10-30T21:36:31","date_gmt":"2014-10-31T00:36:31","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=27081"},"modified":"2020-04-15T23:02:23","modified_gmt":"2020-04-16T02:02:23","slug":"entrevista-nenung-os-the-darma-lovers","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/10\/30\/entrevista-nenung-os-the-darma-lovers\/","title":{"rendered":"Entrevista: Nenung"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27092\" title=\"nenung3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/nenung3.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"409\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/nenung3.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/nenung3-300x202.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os The Darma Lovers \u00e9 uma banda que surgiu quase que por acaso perto da virada do \u00faltimo s\u00e9culo atrav\u00e9s da insist\u00eancia de um amigo, Wanderley Luiz Wildner, que praticamente obrigou a dupla Ir\u00ednia e Nenung a registrar em um CDR as can\u00e7\u00f5es que eles tocavam juntos. \u201cCome\u00e7amos a vender (o CD) com capinha de giz de cera, e vendeu mais de 500 de largada\u201d, relembra Nenung numa tarde de sol de setembro em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De l\u00e1 para c\u00e1, Nenung e Ir\u00ednia partiram para retiros budistas pessoais (ele em Tr\u00eas Coroas, no Rio Grande do Sul; ela numa viagem para o Tibete) e j\u00e1 lan\u00e7aram, juntos, seis \u00e1lbuns (o \u00faltimo, \u201cEspa\u00e7o\u201d, \u00e9 de 2013) sob a alcunha <a href=\"http:\/\/www.darmalovers.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Os The Darma Lovers<\/a>. Nenung prepara agora sua segunda aventura musical, o <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/2IrsLt2y6v5NRtPpbYyuRU\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Projeto Drag\u00e3o<\/a>, que j\u00e1 tem algumas m\u00fasicas liberadas no Soundcloud e est\u00e1 prestes a ser lan\u00e7ado em CD (e em shows).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diferen\u00e7a entre um projeto e outro, segundo ele, \u00e9 que \u201co Darma tem uma fun\u00e7\u00e3o de pacificar\u201d enquanto \u201co Drag\u00e3o tem uma fun\u00e7\u00e3o de provocar\u201d. Nenung tamb\u00e9m percebe uma abertura maior na tem\u00e1tica de suas composi\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o aos primeiros trabalhos: \u201c(Agora) Quem quer ler com um sentido mais s\u00fatil, consegue; mas quem n\u00e3o quer, tamb\u00e9m consegue interpretar de uma maneira que sirva pra ele pr\u00f3prio\u201d, acredita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No bate papo abaixo, Nenung fala sobre seu retiro espiritual, relembra o processo de composi\u00e7\u00e3o de \u201cEspa\u00e7o\u201d, analisa a fragilidade da felicidade e diz que, cada vez mais, somos escravos dos bancos. Num momento em que pol\u00edtica virou assunto nacional, pontua: \u201c\u00c9 legal voc\u00ea ter uma posi\u00e7\u00e3o, \u00e9 important\u00edssimo, mas tu achar que isso muda as coisas \u00e9 um romantismo melequento demais para mim. Sou mais punk que isso&#8230; como budista (risos)\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Meu Amor se Mudou Pra Lua (Vers\u00e3o Ensaio) | Nenung &amp; Projeto Drag\u00e3o\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mNbSFbuegKI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi a temporada no Tibete?<\/strong><br \/>\nEu nunca fui pra l\u00e1! A Irinia foi. Ela foi conhecer os monast\u00e9rios cl\u00e1ssicos e, para ela, foi uma experi\u00eancia muito forte porque enquanto ela estava l\u00e1, o pai dela morreu. E o pai dela era o eixo referencial da vida dela&#8230; em termos biol\u00f3gicos&#8230; da vida, do tempo. Porque nos temos nosso eixo com os professores, mas o eixo temporal dela era o pai. E no momento que ele morreu, ela estava no Tibete com, talvez, o maior mestre vivo, que a ajudou. Eu sei da experi\u00eancia dela, mas nunca fui para a \u00cdndia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas voc\u00ea chegou a fazer um retiro aqui?<\/strong><br \/>\nEu fiz um ano e meio de retiro em Tr\u00eas Coroas (RS). Na \u00e9poca meu professor estava vivo, e ele orientava um retiro de tr\u00eas anos, tr\u00eas meses e tr\u00eas dias, que \u00e9 o formato cl\u00e1ssico dos retiros budistas antigos. Ele decidiu dar inicio a uma forma tradicional de fazer esse tipo de retiro, de aprofundamento da experi\u00eancia. Eu entrei no decorrer de um grupo, quase praticamente na metade, sem saber se eu conseguiria segurar tr\u00eas anos \u2013 (pensando) e a minha hist\u00f3ria de arte, pra onde vai quando eu sair daqui? Eu tinha essa inquietude. Ent\u00e3o ele me deixou um m\u00eas isolado, pensando e meditando a respeito disso (tamb\u00e9m). E quando chegou ao final (do per\u00edodo de isolamento), perguntei se eu poderia fazer metade (dos tr\u00eas anos), e ele disse que sim. Foi incr\u00edvel, porque no sexto m\u00eas ele morreu, fez a passagem, e quem nos orientava a partir de ent\u00e3o falou que de forma alguma conduziria algu\u00e9m al\u00e9m do final daquele ciclo. Foi uma experi\u00eancia muito louca, porque era um per\u00edodo que eu precisava muito (meditar)&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi quando isso?<\/strong><br \/>\nCome\u00e7ou em abril de 2002 e foi at\u00e9 o final de novembro de 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi logo depois do \u201cB\u00e1sico\u201d ent\u00e3o (disco de 2002)<\/strong><br \/>\nFoi. A gente tinha gravado o \u201cB\u00e1sico\u201d e eu tinha feito um retiro de ver\u00e3o com alguns lamas. N\u00f3s t\u00ednhamos uma data marcada de lan\u00e7amento do disco no Theatro S\u00e3o Pedro (em Porto Alegre) e, no meio de tudo isso, meu professor pediu para me avisar que queria que eu entrasse em retiro. Eu perguntei quanto tempo e ele disse: \u201cTr\u00eas anos\u201d. E eu&#8230; t\u00e1 (risos). S\u00f3 avisei-o que eu tinha um show muito importante, que era dif\u00edcil de desmarcar, e eu queria entrar em retiro depois. Ele falou: \u201cT\u00e1 bom. Pode ser no dia seguinte\u201d (mais risos). Passamos aquele tempo se preparando para o show, t\u00ednhamos uma gravadora, que era pequena, mas tinha investido o que para eles era uma quantia substancial em est\u00fadio e finaliza\u00e7\u00e3o do disco, e eles ficaram bem pouco confort\u00e1veis com a ideia. Perdemos a gravadora, mas fizemos um lan\u00e7amento sem igual porque, no final do show, todo mundo sabia que eu iria ficar tr\u00eas anos fora, e n\u00e3o sabia se a banda voltaria a tocar algum dia. A banda estava num momento muito interessante e havia acontecido muito movimento em torno de n\u00f3s. Naquela \u00e9poca havia r\u00e1dios que tocavam (a nossa m\u00fasica), havia a R\u00e1dio Ipanema, que, com alguma independ\u00eancia, era o eixo referencial da m\u00fasica autoral (no Sul do pa\u00eds). (O retiro) Foi legal porque sa\u00edmos de orbita no momento em que o giro da banda estava forte, n\u00e3o porque sentimos que alguma coisa estava decaindo. E quando voltamos, de cara sab\u00edamos que o Kassin, o Moreno e o Domenico estavam tocando m\u00fasica da gente (inclusive algumas m\u00fasicas eles n\u00e3o conseguiam tirar porque, segundo eles, era muito contra qualquer regra o jeito que eu tinha composto, n\u00e3o podia ser aquilo depois daquilo \u2013 risos), eles tinham feito algumas vers\u00f5es, mas que n\u00e3o era bem legal, n\u00e3o saia direito. Ent\u00e3o os conheci, conheci um monte de gente, a banda dura pra caramba, sem nenhum dinheiro (toda grana que eu tinha foi para ajudar a Ir\u00ednia a se sustentar no tempo em que eu estava fora, e eu tamb\u00e9m tinha um custo dentro do retiro), e espalhamos as m\u00fasicas que t\u00ednhamos gravado tanto com o Kassin e o Berna quanto com o Miranda, os Dreher, um monte de gente (foram 12 produtores) e lan\u00e7amos o \u201cLaranjas do C\u00e9u\u201d (2005), que ficou legal e interessante por ter sido gravado assim, porque se fosse de qualquer outra forma convencional, iria ficar menos interessante e rico. E essa \u00e9 a hist\u00f3ria do Os The Darma Lovers: \u00e9 um aparente desastre que d\u00e1 numa surpresa muito legal atr\u00e1s da outra. \u00c9 tudo muito inesperado. A gente nunca teve planejamento, uma estrat\u00e9gia focada, a gente vai fazendo. N\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos nem ideia de ser banda! O Wander (Wildner) nos obrigou a gravar o primeiro disco, e come\u00e7amos a vender com capinha de giz de cera, e vendeu mais de 500 de largada. Fomos meio indo na onda. Foi se criando uma onda ao redor, que era a necessidade das pessoas de se ter aquela coisa extremamente simples, mas falando de coisas mais profundas do que habitualmente \u00e9 feito.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Os The Darma L\u00f3vers - O Dom das Estrelas\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dK8BBlHhlRQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu sinto que o som e, principalmente, a tem\u00e1tica de voc\u00eas foi abrindo com o tempo. At\u00e9 o \u201cLaranjas do C\u00e9u\u201d era algo mais fechado (em torno da doutrina, da ideia do budismo), mas que no \u201cSimplesmente\u201d e no \u201cEspa\u00e7o\u201d se abriram, ou se ampliaram&#8230;<\/strong><br \/>\nExplicitamente! O \u201cLaranjas do C\u00e9u\u201d j\u00e1 era para ser uma transi\u00e7\u00e3o para isso porque senti que eu precisava falar de coisas mais leves. Senti isso num show em Porto Alegre: quando terminamos o primeiro intervalo, ningu\u00e9m falou nada, nem aplaudiu. No intervalo seguinte, a mesma coisa. E no terceiro, algumas pessoas come\u00e7avam a aplaudir e outras viravam e faziam \u201cshhhhh\u201d, como dizendo: \u201cN\u00e3o perturba\u201d. Nos olhamos no final do show e pensamos: est\u00e1 ficando s\u00e9rio, grave demais o neg\u00f3cio. Era tudo muito denso e as pessoas estavam levando a coisa toda muito a s\u00e9rio. O \u201cLaranjas do C\u00e9u\u201d j\u00e1 \u00e9 uma m\u00fasica mais aberta, mais tropical, mais solar, e a ideia era essa mesmo, sair desse coisa densa pra n\u00e3o virar uma banda depr\u00ea. J\u00e1 o \u201cSimplesmente\u201d (2009) e o \u201cEspa\u00e7o\u201d (2013) s\u00e3o discos que compus posteriormente ao retiro, e quando sai do retiro ficou claro para mim que compor, escrever e criar as harmonias se tornou um processo mais f\u00e1cil e mais aberto. A capacidade de referenciar coisas e conseguir criar imagens para elas ficou mais universal. Eu queria isso para o \u201cLaranjas do C\u00e9u\u201d, mas ele ainda estava dentro daquela esfera \u201cs\u00e3o os budistas falando\u201d. A partir dali a est\u00e9tica abre. E por isso, de uns tr\u00eas anos para c\u00e1, criei o Projeto Drag\u00e3o, no sentido de abrir ainda mais. O disco \u201cSerenoato\u201d, que estou prestes a lan\u00e7ar, \u00e9 isso. Estava comentando isso com o Leo Cavalcanti, que tem um pouco esse impasse da coisa espiritual, das pessoas verem aquilo que ele faz como algo meio moral, e que tamb\u00e9m \u00e9 uma briga que a gente sempre teve com os The Darma Lovers, que \u00e9 essa coisa de conciliar (o discurso): quem quer ler aquilo com um sentido mais s\u00fatil, consegue; mas quem n\u00e3o quer, ou n\u00e3o d\u00e1 conta, tamb\u00e9m consegue ler e interpretar de uma maneira que sirva pra ele pr\u00f3prio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No que voc\u00ea diferencia o Drag\u00e3o dos Darmas?<\/strong><br \/>\nA intensidade, com certeza. A frequ\u00eancia da coisa. A minha autonomia de enlouquecer, porque nos Darmas eu preciso sempre estar atento a tudo, \u00e0 minha forma de cantar, o tempo \u00e9 tamb\u00e9m \u00e0 expectativa das pessoas de terem que, necessariamente, criar uma onda mais harm\u00f4nica. O Darma tem uma fun\u00e7\u00e3o de pacificar. O Drag\u00e3o tem uma fun\u00e7\u00e3o de provocar. Eles est\u00e3o na mesma dire\u00e7\u00e3o e na mesma linha, mas tem fun\u00e7\u00f5es diametralmente definidas como sendo aparentemente dissonantes. Quem ouvir conseguir\u00e1 reconhecer que \u00e9 da mesma fonte, mas o resultado \u00e9 diferente. Para quem tem apenas os Darmas como referencia \u00e9 chocante porque \u00e9 mais maluco, mais pesado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando come\u00e7ou o processo de composi\u00e7\u00e3o do \u201cEspa\u00e7o\u201d?<\/strong><br \/>\nPor volta de 2011. Eu fiz as m\u00fasicas numa sequencia a partir dos ensinamentos de um professor budista que tenho muito como referencia. Ele me ensinou a dizer para as pessoas, que tinham uma resist\u00eancia \u00e0 ideia da medita\u00e7\u00e3o e do budismo, o que era medita\u00e7\u00e3o, que \u00e9 gerar espa\u00e7o dentro da sua mente, conseguir incluir as outras pessoas no espa\u00e7o pessoal, n\u00e3o ficar uma coisa t\u00e3o reativa ou paranoica. Isso me deu um gancho muito forte, e a partir disso escrevi cinco m\u00fasicas. Come\u00e7amos a pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o e&#8230; estacionou (por quase um ano inteiro). N\u00e3o tinha ainda um porqu\u00ea de criar algo consistente que eu considerasse um disco. Um tempo depois, o Marcelo 4Nazzo, que estava encarregado da produ\u00e7\u00e3o, falou: \u201cVamos acabar esse neg\u00f3cio\u201d. E nesse tempo entrou na hist\u00f3ria o Andr\u00e9 Vicente, um rapaz que \u00e9 deficiente visual, quase 100% cego, que se formou em composi\u00e7\u00e3o e reg\u00eancia na UFRGs por conta pr\u00f3pria, j\u00e1 que n\u00e3o existia \u2013 at\u00e9 ent\u00e3o \u2013 partituras em braile. Ele criou uma forma de se adequar ao m\u00e9todo e foi aprendendo, com toda desvantagem evidente, porque tinha que se dedicar 10 vezes mais do que qualquer outro (a partir dele, a UFRGs passou a destinar verbas para criar partituras em braile, por seu esfor\u00e7o e dedica\u00e7\u00e3o). E \u00e9 um guri com astral incr\u00edvel. E toca loucamente! Porque toca como algu\u00e9m que n\u00e3o enxerga as teclas, ent\u00e3o ele necessariamente precisa internalizar e sentir as m\u00fasicas para ent\u00e3o devolve-las. A presen\u00e7a dele na hist\u00f3ria da grava\u00e7\u00e3o deu um g\u00e1s, um por que est\u00e9tico da coisa toda ser realizada e trazida a tona. A partir dali surgiu o entusiasmo da banda toda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E calhou com a viagem da Irinia&#8230;<\/strong><br \/>\nFoi. Esse intervalo (de um ano) calhou com a morte do pai dela e com a viagem para a \u00cdndia. Ela foi fazer uma peregrina\u00e7\u00e3o. Foi a forma dela de fazer retiro porque ela tem uma energia muito inquieta. Ent\u00e3o isso de se colocar em lugares sagrados perto de grandes professores \u00e9 a forma de ela fazer a experi\u00eancia mais profunda e radical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como o disco est\u00e1 funcionando ao vivo?<\/strong><br \/>\nA gente teve poucas oportunidades de experimentar o \u201cEspa\u00e7o\u201d ao vivo porque ele ficou muito pautado na presen\u00e7a do acordeom e do piano (do Andr\u00e9 Vicente), e eu acho dif\u00edcil reproduzi-lo. Ok a gente pegar um baixista, um guitarrista e um percussionista, mas pela forma com que o Andr\u00e9 Vicente entrou na hist\u00f3ria, eu acho dif\u00edcil pegar outra pessoa que fizesse e tivesse a import\u00e2ncia que ele tem quando est\u00e1 presente. Quando a gente toca no Sul, ali pelos arredores de Porto Alegre, \u00e9 mais f\u00e1cil de ele estar presente. Fizemos um show em que a ideia era mostrar a totalidade do disco, e funcionou. \u201cEspa\u00e7o\u201d \u00e9 um disco muito refinado em termos de sonoridade, mas no show, inevitavelmente, ele acaba sendo mais vibrante, porque temos uma vibe rock and roll. A gente tem uma frequ\u00eancia que, quando ela vibra, faz as pessoas vibrarem junto. N\u00e3o fica tudo t\u00e3o inquieto, mas \u00e9 uma inquietude bacana, saud\u00e1vel, eu acho. Eu espero que a gente ainda tenha oportunidades de toca-lo da maneira mais completa, como a gente se prop\u00f4s a fazer.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Os The Darma L\u00f3vers - 1 Milh\u00e3o de Anos\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vTa9BYWeQJM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gostei muito de \u201c1 Milh\u00e3o de Anos\u201d. Como ela surgiu?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma parceria com Jimi Joe, e ele \u00e9 um cara que tem muita m\u00fasica, muita musicalidade, mas que, paradoxalmente, \u00e9 t\u00edmido na forma de se apresentar. E eu enchia ele h\u00e1 muito tempo para fazermos uma parceria, mas ele nunca apresentava nada. S\u00f3 que, de uns anos para c\u00e1, ele est\u00e1 apaixonado, vivendo um relacionamento com uma garota, que \u00e9 muito querida, e um dia tomou coragem e chegou dizendo (imitando a voz do Jimi Joe): \u201cTenho uma m\u00fasica para tocar para voc\u00eas\u201d. Na hora em que ele estava tocando me veio \u00e0 coisa do um milh\u00e3o de anos, as primeiras frases, o que ele queria dizer com aquela melodia. Eu estava sendo meio que o ghost writer da hist\u00f3ria, escrevendo a m\u00fasica que ele queria ter escrito pra ela. O engra\u00e7ado \u00e9 que eu, especialmente, n\u00e3o estava vivendo uma rela\u00e7\u00e3o, pelo contr\u00e1rio, estava numa ressaca violenta da rela\u00e7\u00e3o que eu havia tido anteriormente, e estava dando um tempo. Mas n\u00e3o era uma coisa minha, era uma coisa dele. Ent\u00e3o a m\u00fasica ficou muito legal. Eu fui pra casa e esqueci uma parte da letra, que era o refr\u00e3o, e eu meio que refiz a partir do que eu lembrava que tinha sentido quando ele tocou a can\u00e7\u00e3o para mim. Eu meio que arrematei a m\u00fasica, mas a ess\u00eancia \u00e9 o que ele trouxe. Fundimos a coisa toda de um jeito meio louco. N\u00e3o \u00e9 uma parceria convencional. Foi meio que a simbiose daquela hora, de ele estar ali, e se expor, e a gente ter uma conex\u00e3o muito legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A can\u00e7\u00e3o que abre o disco, \u201cFr\u00e1gil Felicidade\u201d, me lembrou uma can\u00e7\u00e3o do Porno For Pyros, banda do Perry Farrell, chamada \u201cSadness\u201d, em que a letra diz que \u201ca felicidade \u00e9 algo bom por uma hora\u201d. Li uma entrevista depois dele falando dessa m\u00fasica, e exemplificando com um atleta, que quando ganha um t\u00edtulo e levanta uma ta\u00e7a, aquele \u00e9 o momento de maior felicidade, mas depois bate uma tristeza, uma nostalgia&#8230;<\/strong><br \/>\n&#8230;uma depr\u00ea de ele saber que n\u00e3o vai sustentar essa felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Exatamente. E voc\u00ea, na letra de \u201cFr\u00e1gil Felicidade\u201d, fala dessa sensa\u00e7\u00e3o da felicidade ser um fio de fuma\u00e7a que pode nos sufocar. Voc\u00ea acredita que a felicidade pode se tornar um problema ou ela \u00e9 apenas uma coisa boa?<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 uma faixa especialmente budista. A quest\u00e3o, na verdade, \u00e9 como se relacionar com a felicidade, que \u00e9 como a vida. Se tu sabe que ela \u00e9 fr\u00e1gil, tu d\u00e1 o valor devido no momento que ela merece. N\u00e3o (s\u00f3) quando voc\u00ea est\u00e1 morrendo. Tu faz um bom uso, adequado, e tu percebe a preciosidade dela enquanto voc\u00ea est\u00e1 em curso, n\u00e3o apenas no momento do retrospecto. Eu estava comentando isso com a Irinia no carro hoje, porque estamos convivendo com algumas pessoas que se acostumaram a bater boca, e isso vai criando um v\u00edcio, um h\u00e1bito, justificado com um \u201ca rela\u00e7\u00e3o \u00e9 assim\u201d. N\u00e3o \u00e9. Isso \u00e9 falta da no\u00e7\u00e3o da imperman\u00eancia que faz desandar essa rela\u00e7\u00e3o da preciosidade do quanto \u00e9 raro tu estar perto de algu\u00e9m que tu ama num tempo inevitavelmente curto. A coisa da no\u00e7\u00e3o da fragilidade da felicidade \u00e9 o que d\u00e1 a preciosidade dela. Tenho um professor que diz assim: a flor que \u00e9 considerada a mais linda do mundo \u00e9 aquela que floresce uma vez a cada ano e fica aberta durante um \u00fanico dia. Se ela ficasse aberta por tr\u00eas semanas j\u00e1 n\u00e3o seria a flor mais linda do mundo. Tu d\u00e1 o valor dela e n\u00e3o perde a no\u00e7\u00e3o de preciosidade que ela tem apesar de tudo que surge em torno. Acho que a fragilidade \u00e9 a qualidade que a gente pode ter no refinamento da nossa rela\u00e7\u00e3o com a felicidade. Sabendo que inevitavelmente permanente a forma como a gente se relaciona com essa realidade temporal. Saber que ela \u00e9 s\u00fatil, que ela n\u00e3o \u00e9 eterna. \u00c9 isso que d\u00e1 valor para que uma situa\u00e7\u00e3o seja reconhecida como preciosa. Essa coisa de se expor e deixar o cora\u00e7\u00e3o aberto para sentir as coisas \u00e9 o que faz com que genuinamente tu possa ter a experi\u00eancia da felicidade. Sem isso tu j\u00e1 cria um monte de filtros e o padr\u00e3o da felicidade fica dependendo unicamente da excita\u00e7\u00e3o \u2013 e a depress\u00e3o \u00e9 o contraponto dela. Afinal \u00e9 cool ser depr\u00ea.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Os The Darma L\u00f3vers - Toda Verdade | Loop Sessions\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OiekBx1uIBI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea a rela\u00e7\u00e3o do \u201cEspa\u00e7o\u201d, o disco, com uma mega cidade como S\u00e3o Paulo, em que n\u00e3o existe sil\u00eancio&#8230;<\/strong><br \/>\nAcho que o disco \u00e9 especialmente significativo (para S\u00e3o Paulo), mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o diferente de Porto Alegre, por exemplo. E acho que isso \u00e9 uma vantagem, porque quando a gente est\u00e1 no campo, ou quando a gente cria a fantasia de que \u201cquando eu for morar na beira da praia eu vou ter sil\u00eancio\u201d, n\u00e3o vai. Porque se tua mente for inquieta e voc\u00ea tiver a ansiedade que sempre foi tua (ningu\u00e9m te deu ela de presente), tu vai continuar com a tua mente inquieta, insatisfeita, frustrada, dependente, condicionada e, talvez, mais depressiva, porque n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda (no campo ou na praia) para te ocupar. Ent\u00e3o quando voc\u00ea est\u00e1 em S\u00e3o Paulo, voc\u00ea ao menos tem a chance de ter uma decis\u00e3o mais clara, como boa parte dos meus amigos, que j\u00e1 decidiu: \u201cEu preciso sair de S\u00e3o Paulo em tanto tempo porque isso aqui n\u00e3o favorece a encontrar tranquilidade\u201d. Cada pessoa precisa entender o seu ponto e entender que n\u00e3o \u00e9 um ponto gen\u00e9rico. N\u00e3o h\u00e1 uma sa\u00edda rom\u00e2ntica que funcione. \u201cAh, quando todos formos iluminados\u201d&#8230; N\u00e3o vai existir uma ilumina\u00e7\u00e3o coletiva, tu tens que fazer a tua parte! Tu precisa encontrar o sil\u00eancio dentro de ti para lidar com o caos. O tipo de exig\u00eancia que uma cidade assim prop\u00f5e lhe da oportunidade de ter uma decis\u00e3o mais radical. Eu fa\u00e7o ou n\u00e3o fa\u00e7o. E voc\u00ea sabe que pode ser tragado por isso. E at\u00e9 por isso \u00e9 muito legal estar aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um tempo atr\u00e1s surgiu o desafio de criar um conceito do pr\u00f3ximo disco do Projeto Drag\u00e3o, e eu pensei em realmente escrever sobre esse sentimento, e andando por S\u00e3o Paulo (ontem fomos passear no MASP) vi a exposi\u00e7\u00e3o \u201cAs Cidades Invis\u00edveis\u201d, e era explicitamente o que eu precisava para ter esse alimento de pensar a cidade como um organismo ca\u00f3tico, vivo e cheio de seres humanos. Ent\u00e3o eu pego um taxi e fico puxando assunto com os motoristas o tempo todo, e isso basta para descobrir como existem seres humanos carregados de humanidade dentro dessa esfera de concreto a qual \u00e9 atribu\u00edda uma superioridade \u00e0 qualidade humana que est\u00e1 dentro dela, o que causa uma perda de propor\u00e7\u00e3o das coisas porque vemos a cidade como um monstro que nos engole, e essa sensa\u00e7\u00e3o nos faz perder muitas coisas, porque S\u00e3o Paulo tem um lado muito lindo. H\u00e1 muita coisa legal, como as pessoas preservarem a gentileza, andar nesse transito louco e n\u00e3o ficar maluco (n\u00e3o sair batendo um no outro, isso \u00e9 sensacional). Os motoristas de taxi geralmente s\u00e3o tranquilos. Porque \u00e9 o fluxo que ele vive, e que ele escolheu. N\u00e3o tem essa coisa de ficar se debatendo com a cidade. Se tu sabe que isso n\u00e3o te serve, tu tem que fazer um movimento interno para que alguma coisa te sirva. Ok sair daqui, mas se tu n\u00e3o mudar alguma coisa internamente n\u00e3o vai fazer muita diferen\u00e7a. Essa vis\u00e3o rom\u00e2ntica de que somos vitimados pela cidade \u00e9 uma mentira. A gente n\u00e3o \u00e9. Tem uma escolha e tu escolhe estar em S\u00e3o Paulo. Tem algo que te favorece, que \u00e9 uma vantagem na forma de sua mente funcionar e at\u00e9 de se aquietar. Porque tem tanto barulho ao redor que a pessoa pensa: \u201cN\u00e3o preciso ser mais um pra ficar somando\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E isso entra na pr\u00f3xima pergunta. Para mim, o ser humano passou sua hist\u00f3ria na Terra buscando maneiras para ocupar seu tempo ocioso, o tempo que ele tinha consigo mesmo, em sil\u00eancio. Vivemos agora, provavelmente, o \u00e1pice desse cen\u00e1rio com internet e redes sociais em tablets e smartphones mantendo a pessoa conectada e integrada ao mundo 24 horas por dia. O que tiro disso: pouca gente est\u00e1 preparada para lidar com ela mesma num momento de sil\u00eancio. Voc\u00ea acha que as pessoas temem o sil\u00eancio?<\/strong><br \/>\nTotalmente. E cada vez mais. Quanto mais a gente se distancia, ou quanto mais a gente se coloca dentro de um universo que prop\u00f5e que as sa\u00eddas s\u00e3o barulhentas, ou que tu te comprometa com coisas a longo prazo que v\u00e3o exigir toda a sua energia e v\u00e3o te sugar, tu n\u00e3o vai ter mais a no\u00e7\u00e3o de ter liberdade ou responsabilidade ou autonomia ou seguran\u00e7a. A seguran\u00e7a se baseia na ideia de que se tu entrar na onda geral (de te encher de d\u00edvidas) voc\u00ea ser\u00e1 um ser humano adequado. Ou seja, \u00e9 consumir, prestar contas, justificar a tua exist\u00eancia pelo trabalho escravo pra ti pr\u00f3prio, para a corpora\u00e7\u00e3o e para os bancos. Somos escravos dos bancos. Somos escravos de um sistema consumista, de uma fantasia de felicidade simbolizado \u201cnas minhas f\u00e9rias\u201d. O natal \u00e9 isso: voc\u00ea espera 364 dias para abra\u00e7ar algu\u00e9m e dizer que o ama, mas na hora em que ele est\u00e1 do seu lado, voc\u00ea fica irritado com tudo o que ele diz. Ou ent\u00e3o quando algu\u00e9m bebe demais e fala aquela palavra errada (na hora de ceia), toda a sua expectativa de felicidade se transforma em uma frustra\u00e7\u00e3o sem fim. Eu recebo muitos visitantes em Tr\u00eas Coroas e, dia desses, apareceu uma senhora que me perguntou, s\u00e9ria: \u201cPor que voc\u00ea n\u00e3o p\u00f5e alto-falantes na rua tocando m\u00fasicas orientais?\u201d. E eu pensei: uau, que grave, essa incapacidade de lidar com o sil\u00eancio porque dai tu vai ver onde tu est\u00e1. Tem quase que uma obrigatoriedade ou de ver o quanto tu \u00e9 neur\u00f3tico ou do ponto em que tu t\u00e1, que em geral \u00e9 bem insatisfat\u00f3rio. Ao longo do tempo esse processo vai se agravando, enquanto tu n\u00e3o se ouve e n\u00e3o respeita o que tu precisa. Cada vez mais tu vai terceirizando e culpando os outros dizendo que sua vida vai se resolver quando o mundo inteiro for iluminado. A tend\u00eancia \u00e9 ir cada vez mais para um beco sem sa\u00edda. E isso \u00e9 cultural. As crian\u00e7as desde a primeira s\u00e9rie com celular no ouvido e disputando pra ver quem vai ser o primeiro lugar no vestibular. Isso \u00e9 muito massacrante, \u00e9 muito&#8230; louco. Ser\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 uma referencia em casa que a salve disso? Ela ser\u00e1 mais uma para entrar no turbilh\u00e3o da boiada, outra vitima. Est\u00e1 ferrada. E isso acontece porque a educa\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio \u00e9 algo que n\u00e3o existe. Pontualmente existe por pessoas que desejam desbravar e criar n\u00facleos poss\u00edveis disso, mas \u00e9 algo bem pontual nessa cultura de agora. Televis\u00e3o, r\u00e1dio, m\u00fasica, streaming, shuffle&#8230; \u00e9 uma polui\u00e7\u00e3o sem fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 uma anestesia&#8230;<\/strong><br \/>\nE tamb\u00e9m uma capacidade de n\u00e3o reconhecer o que \u00e9 essencial, o que \u00e9 teu. Tudo \u00e9 dos outros. Ou n\u00e3o \u00e9 de ningu\u00e9m. H\u00e1 uma despersonaliza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel. A medita\u00e7\u00e3o, por exemplo, te despersonaliza, mas voc\u00ea se responsabiliza por completo por aquilo que sobrar \u2013 e que pode ser alguma coisa mais livre e at\u00e9 mais assustadora do que aquilo que voc\u00ea pressup\u00f5e. Dai tu vai viver a raiva essencial que tu cultiva, o medo essencial que tu cultiva, mas voc\u00ea tem chance de mudar se tiver coragem de olhar isso de frente. E mudar pelo teu exemplo, n\u00e3o pelo teu discurso de como voc\u00ea acha que o mundo devia ou n\u00e3o ser. \u00c9 como discutir pol\u00edtica: \u00e9 legal voc\u00ea ter uma posi\u00e7\u00e3o, \u00e9 important\u00edssimo, mas tu achar que isso muda as coisas \u00e9 um romantismo melequento demais para mim. Sou mais punk que isso&#8230; como budista (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"DVD Completo |  Nenung &amp; Projeto Drag\u00e3o - Serenoato ao Vivo\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dmzNue6ExNk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Os The Darma Lovers - Peixes | Loop Sessions\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SAWXa31ipQ4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"simplesmente__os the darma l\u00f3vers\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oCZjtUiDzYE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ir Al\u00e9m__os the darma l\u00f3vers\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eT2381LFyJw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Desapego__os the darma l\u00f3vers (ao vivo)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IC5SQuHJlNg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Os The Darma L\u00f3vers no Cultura Livre\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_HiiB90ynfQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: center;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Nenung fala sobre seu retiro espiritual, analisa a fragilidade da felicidade e fala d&#8217;Os The Darma Lovers e do Projeto Drag\u00e3o\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/10\/30\/entrevista-nenung-os-the-darma-lovers\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1116,4332],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27081"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27081"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27081\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":55429,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27081\/revisions\/55429"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27081"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27081"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27081"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}