{"id":26951,"date":"2014-10-14T17:35:33","date_gmt":"2014-10-14T20:35:33","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=26951"},"modified":"2016-10-06T08:53:11","modified_gmt":"2016-10-06T11:53:11","slug":"tres-discos-de-ali-farka-toure","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/10\/14\/tres-discos-de-ali-farka-toure\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas discos de Ali Farka Tour\u00e9"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26952 aligncenter\" title=\"toure1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/toure1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cTalking Timbutku\u201d, Ali Farka Tour\u00e9 &amp; Ry Cooder (World Circuit)<\/strong><br \/>\nO primeiro disco do bluesmen Ali Farka Tour\u00e9 data de 1976 e at\u00e9 o final dos anos 80 (com mais seis discos) ele seguiria como um segredo bem guardado da m\u00fasica africana. Constantemente comparado a John Lee Hooker, sua carreira musical d\u00e1 uma guinada quando, aos 49 anos, ele assina com o selo World Circuit, que come\u00e7a a distribuir \u201cAli Farka Tour\u00e9\u201d, \u00e1lbum de 1988, no Ocidente. Seguem-se os elogiados \u201cAfrican Blues\u201d (1990), \u201cThe River\u201d (1990) e \u201cThe Source\u201d (1992), trilogia que flagra o m\u00fasico em seu auge, momento em que ele decide se recolher a sua fazenda de arroz e abandonar a m\u00fasica. Por insist\u00eancia de seu produtor, ele parte para Los Angeles em 1994 para gravar \u201cTalking Timbutku\u201d, premiado no mesmo ano com o Grammy de Melhor \u00c1lbum de World Music. As 10 can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum (nove de Tour\u00e9 mais a tradicional malinesa \u201cDiaraby\u201d, rearranjada pelo guitarrista) flagram Tour\u00e9 alternando o canto entre quatro dialetos de Timbutku (Peul, Bambara, Tamasheq e Songhai) e a musicalidade entre a guitarra el\u00e9trica, a ac\u00fastica, o banjo e a njarka, pequeno violino tradicional de Mali, acompanhado de Cooder (guitarra, marimba, bandolim), do lend\u00e1rio baterista Jim Keltner e de um duo percussivo e vocal africano que n\u00e3o s\u00f3 impede que o \u00e1lbum, mesmo gravado em LA, seja uma simples adapta\u00e7\u00e3o anglo-sax\u00e3 de um estilo africano como amplia a musicalidade de Tour\u00e9 destacando a melodia cativante de \u201cSoukura\u201d, o som da njarka na empolgante \u201cSega\u201d e o blueza\u00e7o \u201cAmandral\u201d, cantado no dialeto Tamasheq, uma varia\u00e7\u00e3o do Tuareg.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26953 aligncenter\" title=\"toure2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/toure2.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cIn the Heart of the Moon\u201d, Ali Farka Tour\u00e9 &amp; Toumani Diabat\u00e9 (World Circuit)<\/strong><br \/>\n2004: dois mestres da cena musical de Mali tocam juntos em uma sala do \u00faltimo andar de um hotel em Bamako, com vista para o rio N\u00edger. O resultado \u00e9 \u201cIn the Heart of the Moon\u201d, primeira parte da trilogia &#8220;The Hotel Mand\u00e9 Sessions&#8221; (seguida por \u201cSavane\u201d, de Tour\u00e9, e \u201cBoulevard de l&#8217;Independence\u201d, de Diabat\u00e9, ambos de 2006), que marca a uni\u00e3o de dois m\u00fasicos de lados opostos do Mali: do Norte surge o experiente guitarrista e vocalista Ali Farka Tour\u00e9 (65 anos), que une a m\u00fasica tradicional do Mali com o blues norte-americano; do Sul aparece o jovem Toumani Diabat\u00e9 (40 anos), um m\u00fasico talentoso especializado na kora, esp\u00e9cie de harpa com 21 cordas exclusiva da \u00c1frica Ocidental. Aqui Tour\u00e9 e Diabat\u00e9 recriam sete can\u00e7\u00f5es tradicionais malinesas de forma emocional e l\u00edrica \u2013 o baixo do maestro cubano Orlando &#8220;Cachaito&#8221; Lopez, o piano kawai tocado por Ry Cooder (em duas faixas) e a percuss\u00e3o de Joachim Cooder e Olalekan Babalola foram adicionados de forma delicada posteriormente, colorindo os arranjos. Inevitavelmente, a estrela \u00e9 a kora, e Tour\u00e9 (que s\u00f3 canta em duas faixas) se at\u00e9m ao viol\u00e3o (de forma simples, sem floreios) abrindo espa\u00e7os para que Diabat\u00e9 hipnotize o ouvinte. De seus discos solo, Tour\u00e9 recria (o verbo \u00e9 perfeito), com os improvisos de Diabat\u00e9, can\u00e7\u00f5es como \u201cKadi Kadi\u201d (do \u00e1lbum \u201cThe River\u201d, de 1990), \u201cHawa Dolo\u201d (de \u201cSource\u201d, 1992) e &#8220;Gomni&#8221; (de \u201cTalking Timbuktu\u201d, 1994), que perdem impacto, mas ganham delicadeza. Daqueles discos para \u201cesquecer\u201d tocando por dias e dias&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-26954 aligncenter\" title=\"toure3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/toure3.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/toure3.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/toure3-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/toure3-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cSavane\u201d, Ali Farka Tour\u00e9 (World Circuit)<\/strong><br \/>\nLan\u00e7ado postumamente em 2006, quatro meses ap\u00f3s a morte de Ali Farka Tour\u00e9, aos 66 anos, \u201cSavane\u201d encerra a trilogia de discos gravados no H\u00f4tel Mand\u00e9, em Bamako. Tour\u00e9 j\u00e1 estava com c\u00e2ncer, e n\u00e3o queria\/podia viajar, e a sa\u00edda foi improvisar um est\u00fadio no \u00faltimo andar do hotel. Se \u201cIn the Heart of the Moon\u201d (2005) mostrava Ali Farka Tour\u00e9 levantando a bola (e a guitarra) para que Toumani Diabat\u00e9 cortasse de forma majestosa (com a kora), \u201cSavane\u201d (sem Diabat\u00e9) \u00e9 um aut\u00eantico disco de blues africano mostrando Farka em um dos melhores momentos de sua carreira. O \u00faltimo esfor\u00e7o solo do mais conhecido e amado guitarrista da \u00c1frica \u00e9 absolutamente impec\u00e1vel. De todos os seus \u00e1lbuns, \u201cSavane\u201d \u00e9 tamb\u00e9m o que mais apresenta m\u00fasicos n\u00e3o africanos, como o bluesman brit\u00e2nico Little George Sueref na harm\u00f4nica e o norte-americano Pee Wee Ellis (da banda de James Brown) no sax. \u201cErdi\u201d abre o disco ancorada em um riff b\u00e1sico de guitarra, que serve de cama para solos de harm\u00f4nica e dos instrumentos africanos ngoni e njarka. No final, Ali entra na farra solando e a m\u00fasica cresce ainda mais. \u201cYer Bounda Fara\u201d \u00e9 mais mel\u00f3dica e sedutora enquanto \u201cBeto\u201d, a terceira faixa, \u00e9 um del\u00edrio bluesistico de primeira grandeza. \u201cSavane\u201d, a faixa t\u00edtulo, \u00e9 arrepiante. Abre com Ali na guitarra e o ngoni (tocado por Mama Sissoko e Bassekou Kouyate) soando dolorido, cutucando as feridas do fregu\u00eas por quase oito minutos de dura\u00e7\u00e3o (e de altern\u00e2ncia de solos). Mais nove faixas fazem a ponte entre \u00c1frica e Am\u00e9rica deste que, segundo Martin Scorsese, carregava o \u201cDNA do Blues\u201d. Um disco majestoso para encerrar uma carreira majestosa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SZet60Hw0z4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"587\" height=\"440\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NpWUcI7bGmY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LEPDfBhK_XQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Entrevista: Edgard Scandurra fala sobre o encontro com Toumani Diabate (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/03\/12\/entrevista-a-curva-da-cintura\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A parceria com Ry Cooder em \u201cTalking Timbutku\u201d; o lirismo de \u201cIn the Heart of the Moon\u201d; a despedida com &#8220;Savane&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/10\/14\/tres-discos-de-ali-farka-toure\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26951"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26951"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26951\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40570,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26951\/revisions\/40570"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26951"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26951"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26951"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}