{"id":26893,"date":"2014-10-09T13:01:53","date_gmt":"2014-10-09T16:01:53","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=26893"},"modified":"2014-11-18T10:39:52","modified_gmt":"2014-11-18T13:39:52","slug":"faixa-a-faixa-camila-juliana-e-natalia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/10\/09\/faixa-a-faixa-camila-juliana-e-natalia\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas cantoras: Camila, Juliana e Natalia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26894\" title=\"camila_juliana_natalia\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/camila_juliana_natalia.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Par\u00e1 vive um momento musical excepcional. Com um festival excelente (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/08\/28\/em-belem-festival-se-rasgum-2014\/\" target=\"_blank\">Se Rasgum<\/a>), um projeto de valoriza\u00e7\u00e3o da m\u00fasica local sem igual no pa\u00eds (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/11\/em-belem-terrua-para-2013\/\" target=\"_blank\">Terru\u00e1 Par\u00e1<\/a>) e artistas locais com cada vez maior proje\u00e7\u00e3o nacional (Gang do Eletro, Felipe Cordeiro e Gaby Amarantos), o Estado passa por um momento de matura\u00e7\u00e3o de sua cena local em que convivem artistas de diversos g\u00eaneros, idades e musicalidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Molho Negro, Aeroplano, Turbo, Elder Effe, Antonio Novaes, F\u00e9lix Robatto, Lia Sophia, A\u00edla, Arthur Espindola, Jaloo, Strobo, Sammliz, Suzana Flag e Lu\u00ea (entre tantos outros) seguem um caminho aberto por gente como Pinduca, Mestre Vieira, Dona Onete, Mestre Laurentino, Faf\u00e1 de Bel\u00e9m e Pio Lobato, e que, felizmente, come\u00e7a a repercuitir Brasil afora. O Par\u00e1 \u00e9 guitarrada, \u00e9 tecnobrega, \u00e9 rock, \u00e9 lambada, \u00e9 MPB, \u00e9 pop, \u00e9 bastante coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso n\u00e3o deixa de ser sintom\u00e1tico que tr\u00eas cantoras da nova gera\u00e7\u00e3o paraense cheguem cada uma ao seu primeiro disco, todos com selo Natura Musical, praticamente juntas, mas mostrando personalidade ao mesmo tempo em que o repert\u00f3rio de uma namora o repert\u00f3rio da outra. Camila Honda, Juliana Sinimb\u00fa e Natalia Matos buscaram um caminho pr\u00f3prio, desde a escolha da sonoridade aos acompanhamentos de parceiros e produtores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCamila Honda\u201d, o disco, tem produ\u00e7\u00e3o de Felipe Cordeiro e uma sonoridade pop que flerta aqui e ali com o brega paraense, mas de modo contemplativo; \u201cUna\u201d, de Juliana Sinimb\u00fa, foi produzido por Donatinho e pega o ouvinte pela cintura levando-o a dan\u00e7ar por um sal\u00e3o imagin\u00e1rio, que pode ser sua pr\u00f3pria sala de casa; j\u00e1 a estreia de Natalia Matos conta com produ\u00e7\u00e3o de Guilherme Kastrup e parece chocar a saudade da cantora de uma sonoridade local (ela passou oito anos em S\u00e3o Paulo) com o desejo de ser cidad\u00e3 do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abaixo, Camila, Juliana e Natalia comentam, faixa a faixa, seus discos de estreia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"450\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/playlists\/41056539&amp;color=ff5500&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false\"><\/iframe><br \/>\n<strong>\u201cCamila Honda\u201d, faixa a faixa, por Camila Honda<\/strong><br \/>\n01 \u2013 <strong>Baile Saudoso<\/strong>: Eu tinha o refr\u00e3o e a vontade de fazer uma m\u00fasica com o Allan Carvalho. Foi assim que tudo come\u00e7ou. A mulher da letra do Allan dizia coisas como \u201ceu vou correndo me atirar no teu colch\u00e3o\u201d, \u201cnesta noite \u00e9 voc\u00ea quem eu quero comer, meu bem\u201d e \u201cporque no baile saudoso \u00e9 gostoso se pegar\u201d. Eu achei um barato! Mas fiz alguns ajustes porque sou um bocadinho mais discreta que ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">02 \u2013 <strong>Fora de \u00c1rea<\/strong>: Essa m\u00fasica tem uma coisa de sarcasmo e do\u00e7ura, leveza e mal\u00edcia, descontra\u00e7\u00e3o. Foi muito divertido entrar nesse clima e fazer essa grava\u00e7\u00e3o para o disco. \u00c9 uma das minhas faixas preferidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">03 \u2013 <strong>Embara\u00e7o<\/strong>: Tem muito a ver com o fim de um ciclo, com a espera de novos ares e com a sensa\u00e7\u00e3o de ansiedade, e ao mesmo tempo conforto, de deixar acontecer, deixar fluir. Era bem o meu momento pessoal durante a grava\u00e7\u00e3o do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">04 \u2013 <strong>Cora\u00e7\u00e3o na Balan\u00e7a<\/strong>: Uma vez ouvi que, no Egito antigo, pesavam os cora\u00e7\u00f5es dos mortos em uma balan\u00e7a, contra o peso de uma pena. Os cora\u00e7\u00f5es que tivessem peso igual ao da pena eram considerados puros e as almas dignas do para\u00edso. Caso contr\u00e1rio, os cora\u00e7\u00f5es eram devorados e as almas estavam condenadas ao submundo. Escrevi \u201cCora\u00e7\u00e3o na Balan\u00e7a\u201d em torno da import\u00e2ncia de um momento de consci\u00eancia sobre o estado, o peso dos nossos cora\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m sobre o prazer da leveza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">05 \u2013 <strong>Aparelhagem de Apartamento<\/strong>: Num programa ao vivo da R\u00e1dio Cultura, em Bel\u00e9m, eu tive a oportunidade de conhecer e cantar essa m\u00fasica da banda paraense Molho Negro, numa vers\u00e3o despretensiosa e improvisada, que acabou entrando na programa\u00e7\u00e3o da r\u00e1dio. A m\u00fasica \u00e9 demais, merecia uma regrava\u00e7\u00e3o pra entrar no repert\u00f3rio do CD. Convidei o Arthur Kunz pra produzir a faixa e um dos autores da m\u00fasica, Jo\u00e3o Lemos, pra gravar a guitarra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">06 \u2013 <strong>Tamba-Taj\u00e1<\/strong>: O Waldemar Henrique \u00e9 um dos maiores compositores do nosso estado. \u00c9 o Villa Lobos da Amaz\u00f4nia. \u201cTamba-Taj\u00e1\u201d \u00e9 uma m\u00fasica muito conhecida no repert\u00f3rio erudito e que, nos anos 70, teve uma vers\u00e3o popular e inesquec\u00edvel da Faf\u00e1 de Bel\u00e9m. Sempre gostei muito dessa m\u00fasica que fala da lenda do tamba-taj\u00e1, uma hist\u00f3ria de amor, mas achei que no s\u00e9culo XXI seria legal cant\u00e1-la de outra maneira. Fui experimentando e descobrindo a minha maneira de contar essa hist\u00f3ria e cantar essa m\u00fasica t\u00e3o bonita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">07 \u2013 <strong>Nightinlady<\/strong>: Essa m\u00fasica aconteceu quando o Jorge Eir\u00f3, artista pl\u00e1stico paraense, escreveu um texto no Facebook, no dia do anivers\u00e1rio da sua filha, e me enviou sugerindo que eu musicasse. Todas aquelas refer\u00eancias musicais do texto me remeteram a um clima muito folk, muito leve&#8230; A melodia foi acontecendo muito naturalmente, nos poucos acordes que eu sei tocar. Fiz uma grava\u00e7\u00e3o caseira e enviei pro Felipe Cordeiro, mas nunca imaginei tocar o viol\u00e3o no CD. Ele me convenceu e a grava\u00e7\u00e3o aconteceu num clima \u201cao vivo\u201d, despretensioso, prazeroso e intimista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">08 \u2013 <strong>Sabi\u00e1<\/strong>: Quando eu comecei a cantarolar essa m\u00fasica, fui percebendo que sentido ela fazia pra mim e descobri que ela era triste, era um lamento. Entrei nesse clima profundo de tristeza, como se naquele momento s\u00f3 um sabi\u00e1 pudesse me ouvir e entender o que eu sentia. Foi um momento muito especial no est\u00fadio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">09 \u2013 <strong>Depois que a Chuva Passar<\/strong>: O Felipe Cordeiro me enviou a melodia e eu escrevi a letra. Escrevi num dia daqueles que a gente n\u00e3o tem pressa, que a gente quer e pode assistir ao p\u00f4r-do-sol, que a nossa casa \u00e9 o lugar mais delicioso do mundo, naqueles dias que a gente acorda e tem um amor come\u00e7ando e que essas coisas bastam pra nos fazer feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10 \u2013 <strong>Refluxo Sentimental<\/strong>: A \u00faltima faixa do disco foi tamb\u00e9m a nossa \u00faltima grava\u00e7\u00e3o. Foi gravada em Bel\u00e9m e \u00e9 uma m\u00fasica que fala de quando vem \u00e0 tona uma paix\u00e3o que a gente deseja esquecer.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"450\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/playlists\/28074850&amp;color=ff5500&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cUna\u201d, faixa a faixa, por Juliana Sinimb\u00fa<\/strong><br \/>\n01 \u2013 <strong>Clar\u00e3o da Lua<\/strong>: Se eu gravasse um disco s\u00f3 como int\u00e9rprete essa era uma m\u00fasica que certamente estaria no repert\u00f3rio. \u00c9 admir\u00e1vel a sensibilidade de um homem que escreve que \u201co clar\u00e3o da lua cheia \u00e9 pouco pro que eu te gosto\u201d. No fim das contas essa foi umas das poucas m\u00fasicas que ficaram para interpretar, por um carinho meu pelo compositor (Almirzinho Gabriel) e a obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">02 \u2013 <strong>Quero Quero<\/strong>: Iva Rothe, a compositora dessa m\u00fasica, \u00e9 uma das mulheres inspira\u00e7\u00e3o para que esse trabalho surgisse. Por sinal, ela quem batizou o disco, l\u00e1 em 2010, numa viagem nossa pra Salvador, quando me mostrou a m\u00fasica. \u201cQuero Quero\u201d seguiu com arranjos tipicamente africanos, tem influ\u00eancias diretas de Obina Shock e ficou uma del\u00edcia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">03 \u2013 <strong>Simpatia<\/strong>: Aqui no Par\u00e1 as meninas s\u00e3o bem supersticiosas. Al\u00e9m de botar o Santo Ant\u00f4nio de cabe\u00e7a pra baixo quando as coisas n\u00e3o v\u00e3o bem pras bandas do amor, elas v\u00e3o no Ver o Peso comprar as po\u00e7\u00f5es da Dona Col\u00f3, conhecidas como \u201cChega-te \u00e0 Mim\u201d  e \u201cPega e n\u00e3o me Larga\u201d. Faz se a simpatia e \u00e9 tiro e queda!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">04 \u2013 <strong>Vodka<\/strong>: Essa can\u00e7\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria de amor de um casal completamente diferente com p\u00e9ssimas chances de vingar&#8230; mas que vinga! Dai chamei Otto, que dispensa apresenta\u00e7\u00f5es, e ele disse umas verdades no meio da m\u00fasica. O resultado ficou maravilhoso!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">05 \u2013 <strong>Abra\u00e7a<\/strong>: Essa \u00e9 pra quem ama e quer amar de novo&#8230; Faz um bem danado ouvir essa m\u00fasica. \u00c9 pros namorados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">06 \u2013 <strong>Para Um Tal Amor (Arrocha)<\/strong>: A primeira m\u00fasica de trabalho do disco, que veio com clipe e tudo&#8230; um baita desaforo elegante pros canalhas. Quem nunca amou um canalha, hein?!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">07 \u2013 <strong>N\u00e3o Me Provoca<\/strong>: M\u00fasica da senhora mais querida do Par\u00e1, Dona Onete. Fala da mo\u00e7a tinhosa, que \u00e9 vaidosa e quente. N\u00e3o mexa com ela! Conta com um solo envenenado do Kassin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">08 \u2013 <strong>Delicadeza<\/strong> : Uma de minhas primeiras m\u00fasicas. \u00c9 a respira\u00e7\u00e3o literalmente do disco e tem a participa\u00e7\u00e3o dos cordistas da Orquestra do Theatro Municipal do RJ. Fiquei emocionada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">09 \u2013 <strong>\u00d3<\/strong>: M\u00fasica del\u00edcia dos amigos baianos Marcella Belas, Helson Hart e Tenilson Del Rey. Marcella, al\u00e9m de ser patrocinada pelo Natura Musical tamb\u00e9m, tem um astral incr\u00edvel em suas letras e melodias. Me identifico muito com seu clima e tratei de pegar uma can\u00e7\u00e3o pra mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10 \u2013 <strong>Pra Voc\u00ea Voltar<\/strong>: Can\u00e7\u00e3o que fiz pra falar do la\u00e7o entre artista e p\u00fablico. \u00c9 como uma rela\u00e7\u00e3o de amor, de afeto. N\u00e3o se trata de f\u00e3, \u00e9 algo al\u00e9m&#8230; Conta com o coro de cantoras paraenses, algo que remete ao canto de sereias, algo que faz referencia ao encantamento gerado que faz as pessoas, voltarem e voltarem&#8230; Que assim sempre seja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">11 \u2013 <strong>Nua Ideia<\/strong>: Jo\u00e3o Donato e Caetano Veloso s\u00e3o dois \u00eddolos. Donato fez parte diretamente da minha hist\u00f3ria art\u00edstica. Meus shows levavam o nome de suas m\u00fasicas. E t\u00ea-lo tocando nessa faixa foi um presente t\u00e3o grande que n\u00e3o precisei de anivers\u00e1rio.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"450\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/playlists\/42507966&amp;color=ff5500&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false\"><\/iframe><br \/>\n<strong>\u201cNat\u00e1lia Matos\u201d, faixa a faixa, por Nat\u00e1lia Matos<\/strong><br \/>\n01 \u2013 <strong>Cio<\/strong>: \u00c9 uma m\u00fasica do terceiro \u00e1lbum do Kiko Dinucci, em parceria com Douglas Germano. Sempre quis gravar essa m\u00fasica, pela intensidade que ela carrega e pela identifica\u00e7\u00e3o com esse universo de imagens e emo\u00e7\u00f5es. Ela j\u00e1 estava no repert\u00f3rio dos meus shows e agora ganhou um lindo arranjo do Kastrup, cheio de mist\u00e9rios, que flerta com a cumbia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">02 \u2013 <strong>Beber Voc\u00ea<\/strong>: Mais uma p\u00e9rola dessa parceria de Felipe, Arnaldo, Manoel, Lu\u00ea e Bet\u00e3o. Que belo jogo de palavras de uma saudade do\u00edda de um amor. Ela \u00e9 bem humorada, que at\u00e9 a saudade se veste de leveza, como faz a \u00e1gua. A m\u00fasica \u00e9 graciosa e ficou cheia de suingue com as percuss\u00f5es arrasadoras de Guilherme Kastrup.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">03 \u2013 <strong>Voc\u00ea Me Ama, Mas<\/strong>: Essa \u00e9 a nossa m\u00fasica pop do disco. Uma das minhas primeiras composi\u00e7\u00f5es, fala dos limites do amor e exp\u00f5e a dificuldade de se ser s\u00f3 quando somos, os dois amantes, um s\u00f3. Frases impulsivas e um tanto ir\u00f4nicas trazem um qu\u00ea de humor no inc\u00f4modo com o outro e na busca da tristeza e da solid\u00e3o para se compor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">04 \u2013 <strong>Cora\u00e7\u00e3o Sangrando<\/strong>: Um brega rasgado da Dona Onete, compositora que conquista qualquer cora\u00e7\u00e3o com seu chamego e suas incr\u00edveis can\u00e7\u00f5es. Quando estive em sua casa, ela cantarolou toda a inten\u00e7\u00e3o do arranjo dos sopros, e no dia em que ele ficou pronto eu fui abaixo de emo\u00e7\u00e3o. Pra completar, tive o prazer de cant\u00e1-la ao lado de Zeca Baleiro, que trouxe ainda mais beleza. \u00c9 de chorar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">05 \u2013 <strong>Baila de Havana<\/strong>: A gente deu um ar super moderno para esta m\u00fasica in\u00e9dita de um grande compositor do Par\u00e1, o qual eu n\u00e3o poderia deixar de gravar, Ronaldo Silva. A letra \u00e9 despretensiosa, fala de um jogo de conquista dentro de um baile, ainda faz refer\u00eancia a v\u00e1rios ritmos latinos e tem um clima super caliente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">06 \u2013 <strong>Flor do Segredo<\/strong>: Fui tocada pela delicadeza e sinceridade desta letra de amor. Embalada por um clima de fado, ganhou efeitos e condu\u00e7\u00e3o minimalista do Guilherme Kastrup que se somam \u00e0 viola do Ca\u00e7apa, aos violinos de Hertz, e trouxe uma intensidade que eu procurava. Ela \u00e9 do Almirzinho Gabriel, autor de outras tantas belas m\u00fasicas como esta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">07 \u2013 <strong>Um Amor de Morrer<\/strong>: Conheci esta can\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=84RsZT-jp_8\" target=\"_blank\">por este v\u00eddeo<\/a>: Achei aquilo tudo muito precioso e a pedi ao R\u00f4mulo, que me entregou de cora\u00e7\u00e3o, como se entrega um p\u00e1ssaro ao voo. O arranjo ficou precioso como ela: o cavaco do Rodrigo Campos e a viola do Ca\u00e7apa ressoando tocantes e doloridos como um amor de morrer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">08 \u2013 <strong>Pouca Luz<\/strong>: Um momento de solid\u00e3o, encantamento e reflex\u00e3o sobre o tempo e a luz el\u00e9trica. A m\u00fasica passa por ritmos diferenciados que, neste arranjo, ganharam um refinamento e uma profundidade incr\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">09 \u2013 <strong>Maria do Par\u00e1<\/strong>: Iva Rothe a comp\u00f4s pensando nas marchinhas do Pinduca, e n\u00f3s a fizemos mais experimental. A hist\u00f3ria \u00e9 um barato: um romance entre uma paraense do interior, de uma ilha, e um rapaz da \u201ccidade\u201d, que enfrentam a dist\u00e2ncia pelo \u201c\u00e9cran\u201d e viagens de po-po-p\u00f4 (barquinho monomotor usado para chegar a comunidades ribeirinhas). Gosto muito do MPC misturado aos meus vocais, que se confundem com a voz principal quase como se fosse a tenta\u00e7\u00e3o desta Maria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10 \u2013 <strong>Este Pranto \u00e9 Meu<\/strong>: Quis regravar esta m\u00fasica do Pim, irm\u00e3o do Pinduca. Fizemos mais grave, mais lenta, passeando pelo carimb\u00f3 e pelo marabaixo, com as guitarras do Kiko Dinucci \u201cferindo mais que um punhal\u201d. H\u00e1 nela um lirismo que me encanta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">11 \u2013 <strong>C\u00e2ndido Brilho<\/strong>: Minha primeira m\u00fasica em parceria. Renato Torres veio fazer perdurar o encantamento com a noite e com a lua e levou minha urbana solid\u00e3o para a beira do mar. Ela flertava com a guitarrada quando cantada no Terru\u00e1 Par\u00e1, e entrou no disco, para registrar este meu momento, em vers\u00e3o mais r\u00e1pida, quase uma lambada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">12 \u2013 <strong>Cio (DubMix)<\/strong>: Guilherme se encantou com a possibilidade de iniciar e finalizar o trabalho com a mesma m\u00fasica depois que vimos prontos os belos Dub que o Victor Rice preparou para esta e v\u00e1rias outras m\u00fasicas do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/UBBnTDe2keE\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/UBBnTDe2keE\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/_vOwwYU-Heg\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/_vOwwYU-Heg\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/MM5m36gYVTA\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/MM5m36gYVTA\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nAs cantoras Camila Honda, Juliana Sinimb\u00fa e Nat\u00e1lia Matos comentam, faixa a faixa, seus discos de estreia. 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