{"id":268,"date":"2007-02-15T05:00:00","date_gmt":"2007-02-15T07:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/2007\/02\/15\/o-futuro-do-klaxons-e-igual-ao-seu\/"},"modified":"2016-09-24T10:11:19","modified_gmt":"2016-09-24T13:11:19","slug":"o-futuro-do-klaxons-e-igual-ao-seu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/02\/15\/o-futuro-do-klaxons-e-igual-ao-seu\/","title":{"rendered":"O futuro do Klaxons \u00e9 igual ao seu?"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2007\/02\/klaxons_future.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Uns anos atr\u00e1s, numa noitada de boteco, eu e mais dois amigos chegamos a conclus\u00e3o que o marketing fazia um bem danado para a m\u00fasica pop. Depois de cada um dos tr\u00eas enumerar hist\u00f3rias antol\u00f3gicas de gente como Beatles, Stones, Sex Pistols e Oasis (se n\u00e3o me engano, o motivo daquela discuss\u00e3o toda), entendemos que a m\u00fasica pop teria ficado chatonilda demais sem um esc\u00e2ndalo aqui, uma pris\u00e3o por drogas acol\u00e1, e frases bomb\u00e1sticas e de efeito para dar uma corzinha na hist\u00f3ria toda.<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse papo de anos atr\u00e1s foi a primeira coisa que lembrei quando o Klaxons gritou, do alto de seu semi-anonimato, ainda no ano passado, que a Inglaterra precisava de festa, que a Inglaterra precisava deles. A frase vinha amparada num boca-a-boca danado, que dava conta de que o trio deveria repetir em 2007 o alvoro\u00e7o causado pelo Arctic Monkeys no mesmo per\u00edodo do ano passado. Singles vazados na web, remixes, m\u00fasicas registradas em shows\/raves pulavam de computador em computador. O marketing parecia a favor do grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Myths of the Near Future&#8221;, o primeiro \u00e1lbum oficial do Klaxons, chegou \u00e0s lojas timidamente no dia 29 de janeiro, e n\u00e3o repetiu o feito recordista do Arctic Monkeys, mas cravou um belo segundo lugar na parada brit\u00e2nica. Classudo e feito para as pistas, &#8220;Myths of the Near Future&#8221; n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o disco que a Inglaterra precisava, mas o mundo todo. S\u00e9rio. \u00c9 claro que quando escrevo &#8220;o mundo todo&#8221;, estou ciente que nem todo mundo gosta de dan\u00e7ar ao som de barulho. Ian McCulloch disse certa vez que se assustou quando descobriu que o sucesso dos Smiths representava um certo tipo de p\u00fablico que ele desconhecia: <em>&#8220;Eles eram o tipo de rapazes que n\u00e3o gostavam de futebol, viraram vegetarianos, n\u00e3o bebiam. Quando eles estouraram, eu fiquei assustado em ver como existia gente assim no mundo!&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m n\u00e3o estou optando cegamente pela via contr\u00e1ria. O debute do Klaxons poderia ser o \u00e1lbum a tirar a molecada dos cantos nas festas, colocando todo mundo para dan\u00e7ar junto em uma pista apertada, em busca dos \u00faltimos minutos de vida que valem a pena. Eles pr\u00f3prios criaram o termo que hoje abominam: new rave. Prefiro um que o amigo L\u00facio Ribeiro vive repetido: punk psicod\u00e9lico. O lance \u00e9 mais ou menos assim: pegue a dance music \/ indie dance da virada dos anos 80 pros 90, e de uma acelerada nela. Jogue uma colher de \u00e1cido com Bowie fase &#8220;Let&#8217;s Dance&#8221; e Blur pr\u00e9 &#8220;Parklife&#8221; na mistura, e sirva ao som de sirenes e luzes de neon verde-lim\u00e3o (voc\u00ea j\u00e1 entrou no site deles?) numa pista de dan\u00e7a. O resultado \u00e9 um dos grandes discos de&#8230; rock deste come\u00e7o de 2007. Nada perfeito, nada original, totalmente anos 2000. O que voc\u00ea esperava?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o voc\u00ea me pergunta: &#8220;Ok, mas s\u00f3 numa pista de dan\u00e7a?&#8221; Ou\u00e7a a faixa 9, &#8220;Magick&#8221;, j\u00e1 chegando ao Top 30 na minha Last FM. Vocais fazem a cama no in\u00edcio da can\u00e7\u00e3o. A id\u00e9ia \u00e9 que voc\u00ea deixe seu corpo flutuando para que a bateria entre massacrando seus pensamentos na seq\u00fc\u00eancia. Ali pelo minuto e meio, um break. E \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o se ver pulando e socando o ar na balada dan\u00e7ando a segunda parte da can\u00e7\u00e3o. Se \u00e9 s\u00f3 pista de dan\u00e7a? Klaxons \u00e9 para se ouvir como se voc\u00ea estivesse ouvindo The Clash, Blur e Oasis. Se for em uma pista, melhor. O som tem uma urg\u00eancia que pede para que voc\u00ea coloque seus dem\u00f4nios para fora, dan\u00e7ando e cantando. E isso, meu amigo, \u00e9 o que o rock faz desde que Elvis chacoalhou sua Pelvis na televis\u00e3o norte-americana 50 e poucos anos atr\u00e1s. O mundo sempre dan\u00e7ou, e nunca percebeu. Acontece que o Klaxons, agora, quer que voc\u00ea fa\u00e7a isso consciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E eles imprimem esse ideal desde a m\u00fasica de abertura, &#8220;Two Receivers&#8221;, que chega com a bateria num crescendo hipn\u00f3tico querendo tirar o ouvinte do safari caustrof\u00f3bico do dia-a-dia para coloc\u00e1-lo em uma praia coberta por ondas de melodias e vocais sobrepostos. Sirenes anunciam &#8220;Atlantis To Interzone&#8221; acordando todos aqueles que ousaram pensar que o lance era fechar os olhos e viajar. O baixo, ali pelo meio, arrebenta tudo. Esta vers\u00e3o surge mais limpa que a lan\u00e7ada em single no ano passado, mas ainda exala caos enquanto discursa sobre ladr\u00f5es de mentes e cavalos que n\u00e3o conseguem dan\u00e7ar porque machucaram suas asas. &#8220;Golden Skans&#8221;, novo single, \u00e9 mais calma que suas predecessoras, e mais pop tamb\u00e9m. Uma guitarra suja (pra variar) dan\u00e7a por tr\u00e1s de uma bateria quase comportada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chapada e acelerada, &#8220;Totem On The Timeline&#8221; abre com James Ford, o l\u00edder da banda, repetindo: <em>&#8220;No Clube 18:30 eu encontrei com J\u00falio Cesar, Lady Diana e Madre Teresa&#8221;<\/em>. A calminha &#8220;As Above, So Below&#8221; coloca o vocal na frente, e com um refr\u00e3o devastador (que entra por uma porta da melodia e sai por outra deixando um zumbido de barulho para tr\u00e1s) engana aqueles que s\u00f3 ouvem a introdu\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica. &#8220;Isle Of Her&#8221; \u00e9 um mantra barulhento e rob\u00f3tico. &#8220;Gravitys Rainbow&#8221;, uma das primeiras m\u00fasicas da banda a ficar conhecida, ainda \u00e9 uma das mais empolgantes. Essa \u00e9 a tal que convida o ouvinte para viajar ao infinito, com base em um amor futuro sustentado por um baixo hipn\u00f3tico e matador, um refr\u00e3o desconcertante e um clima futurista anos 2000, tipo o futuro \u00e9 o pr\u00f3ximo segundo. Aproveite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Forgotten Works&#8221; \u00e9 uma dos raros momentos do \u00e1lbum que o cora\u00e7\u00e3o do ouvinte consegue acompanhar o batimento da m\u00fasica, embora o refr\u00e3o queira jogar os dois (ouvinte e m\u00fasica) em uma viagem psicod\u00e9lica. O come\u00e7o de &#8220;Its Not Over Yet&#8221; faz lembrar algo do Rapture, mas n\u00e3o d\u00e1 nem tempo de processar a informa\u00e7\u00e3o: o refr\u00e3o joga tudo na parede, e quando devolve o fregu\u00eas ao \u00e1lbum, ele j\u00e1 est\u00e1 diante de &#8220;Four Horsemen Of 2012&#8221;, o fim do mundo segundo o Klaxons. Tudo no \u00faltimo volume, misturado, mixado, mas com um resqu\u00edcio de algo que um dia chamaram de melodia. O mundo est\u00e1 queimando, e este final acachapante dura pouco mais de dois minutos, mas a can\u00e7\u00e3o tem 19 minutos. Ap\u00f3s 15 minutos de sil\u00eancio, uma coda ensurdecedora avisa que o CD chegou ao fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Myths of the Near Future&#8221; \u00e9 o mais pr\u00f3ximo que uma banda de rock chegou da m\u00fasica eletr\u00f4nica. O mais pr\u00f3ximo que o punk j\u00e1 chegou do psicod\u00e9lico. \u00c9 o registro sonoro do mundo tal qual o conhecemos acabando em forma de rave, com todos dan\u00e7ando e dan\u00e7ando e dan\u00e7ando enquanto o sol derrete geleiras, e os oceanos adentram as cidades costeiras em dire\u00e7\u00e3o ao infinito. Na verdade, o mundo precisa de muito mais coisas do que festa, do que do Klaxons. Por\u00e9m, o que eles oferecem \u00e9 algo bastante tentador: divers\u00e3o para os \u00faltimos dias. Basta aumentar o volume, apertar o play, e fechar os olhos. M\u00e1gica?<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"315\" height=\"80\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.ijigg.com\/jiggPlayer.swf?Autoplay=0&amp;songID=EFCDGFPE\" \/><param name=\"wmode\" value=\"transparent\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"315\" height=\"80\" src=\"http:\/\/www.ijigg.com\/jiggPlayer.swf?Autoplay=0&amp;songID=EFCDGFPE\" wmode=\"transparent\"><\/embed><\/object><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uns anos atr\u00e1s, numa noitada de boteco, eu e mais dois amigos chegamos a conclus\u00e3o que o marketing fazia um bem danado para \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/02\/15\/o-futuro-do-klaxons-e-igual-ao-seu\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/268"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=268"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/268\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40359,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/268\/revisions\/40359"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=268"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=268"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=268"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}