{"id":26474,"date":"2014-09-09T17:30:11","date_gmt":"2014-09-09T20:30:11","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=26474"},"modified":"2024-03-24T01:36:40","modified_gmt":"2024-03-24T04:36:40","slug":"o-que-ha-de-magico-no-terno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/09\/09\/o-que-ha-de-magico-no-terno\/","title":{"rendered":"O que h\u00e1 de m\u00e1gico n&#8217;O Terno?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/o-terno-2014.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/marcosxi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcos Xi<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 muito que falar de \u201cO Terno\u201d (2014), novo disco do trio paulista que, mesmo exibindo pouco apelo pop em doze faixas diretas, sem solos ou refr\u00e3os repetitivos e palat\u00e1veis, prende a aten\u00e7\u00e3o do ouvinte de forma surpreendente, deixando no ar uma (quase) inc\u00f3gnita do que h\u00e1 de m\u00e1gico nos delays e acordes com ter\u00e7a do grupo formado por Victor Chaves (bateria), Guilherme d\u2019Almeida (baixo) e Tim Bernardes (guitarra, voz, piano, \u00f3rg\u00e3o e assinatura de todo o repert\u00f3rio do disco).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a chancela de Tom Z\u00e9 (que gravou uma can\u00e7\u00e3o de Tim no EP \u201cTribunal do Feicibuqui\u201d, de 2013, e participa aqui de \u201cMedo do Medo\u201d), Mulheres Negras (Maur\u00edcio Pereira \u00e9 pai do jovem compositor), Marcelo Jeneci (que toca \u00f3rg\u00e3o na faixa \u201cQuando Estamos Todos Dormindo\u201d e j\u00e1 havia participado do \u00e1lbum de estreia), quase 400 mil views em dois clipes de extrema qualidade e R$ 35 mil doados pelo p\u00fablico para a concep\u00e7\u00e3o de seu novo \u00e1lbum (R$ 5 mil a mais que o pedido originalmente), \u201cO Terno\u201d deixa de lado o humor e do rock diretivo do \u00e1lbum de estreia (\u201c66\u201d, de 2012) e parte em busca de temas mais profundos, sociais, al\u00e9m de dar um grande salto de qualidade sonora, chegando ao ponto do \u2018disco dos sonhos do Tim\u2019 citado no v\u00eddeo de divulga\u00e7\u00e3o do crowdfunding da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O diferencial nasce porque a banda \u2018ousa ousar\u2019, tratando o rock como uma via de express\u00e3o sincera e de contesta\u00e7\u00e3o do que \u00e9 cotidiano, como originalmente o estilo nasceu h\u00e1 mais de 70 anos. Se o funk e o rap falam diretamente das mazelas e problemas da vida das classes D e E, com este novo disco, O Terno se torna a \u00fanica voz eloquente e direta sobre a classe m\u00e9dia jovem nacional (e isso \u00e9 um elogio!), principalmente paulista, criando identifica\u00e7\u00e3o, dando-lhe voz, um l\u00edder e um representante. Isso porque n\u00e3o h\u00e1, na m\u00fasica, um nome para assumir essas mazelas, como j\u00e1 vemos com larga gama de exemplos na TV e no Cinema. Eis a brecha para a novidade n\u00e3o explorada, bem no meio do movimento \u201ctudo se copia, nada se cria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fragilidade de sentimentos ditos de forma descolada de \u201cAi, Ai, Como Eu Me Iludo\u201d, a revolta adolescente aos pais de \u201cBote ao Contr\u00e1rio\u201d, o drama da classe C mimada de \u201cEu Confesso\u201d, a mensagem cr\u00edtica em forma de poema generalista e estereotipado em ingl\u00eas de \u201cBrazil\u201d; tudo isso \u00e9, ao final, um retrato do pr\u00f3prio Martim Bernardes e sua vida jovem de classe m\u00e9dia paulista. A diferen\u00e7a entre ele e o p\u00fablico alvo de suas can\u00e7\u00f5es \u00e9 que o compositor tem consci\u00eancia do mundo que vive sendo capaz de assumir, assimilar e ainda transformar essa realidade em m\u00fasica \u2013 fazendo com que os pr\u00f3prios criticados gostem, cantem e ainda assumam inconscientemente suas contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As m\u00fasicas do \u00e1lbum causam uma press\u00e3o social interessante, parecendo que a pr\u00f3pria banda antecipa a cr\u00edtica ao seu nicho, seu p\u00fablico, suas m\u00fasicas e seu estilo, se protegendo ao mesmo tempo em que desarma o cr\u00edtico de suas opini\u00f5es, chegando antes dele pr\u00f3prio no ponto. \u201cFilhos da Vanguarda\u201d torna-se ainda mais deliciosa se for feita uma busca no Google pelas palavras \u201cO Terno\u201d e \u201cVanguarda\u201d e entender a quantidade de mat\u00e9rias onde estes dois termos se encontram. Soa como uma amea\u00e7a velada e c\u00f4mica na hora de falar sobre a banda, al\u00e9m de uma m\u00fasica diretamente cr\u00edtica contra a pr\u00f3pria imprensa que um dia j\u00e1 os elogiou. Versos como \u201cQuem vai ouvir n\u00e3o sabe bem distinguir \/ O que \u00e9 bom do que \u00e9 ruim \/ E o que n\u00e3o entenderem v\u00e3o dizer\/ Vanguarda!\u201c. Ser\u00e1 que o cr\u00edtico estar\u00e1 abastecendo a banda com o tema para uma nova m\u00fasica ao definir o disco com a palavra \u201camadurecimento\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Causar esse inc\u00f4modo e esse suspense \u00e9 um dos diferenciais que faz qualquer pessoa olhar de maneira diferente o trabalho, al\u00e9m de for\u00e7ar um real entendimento ao \u00e1lbum. Se em seus vinte e poucos anos, Martim questiona \u2013 com tanta propriedade \u2013 grandes meios e jornalistas al\u00e9m de sua pr\u00f3pria banda e seus f\u00e3s sem perder o sorriso, o humor e a eloqu\u00eancia, alguma coisa esse moleque tem que ter de especial. E cabe a n\u00f3s, cr\u00edticos e ouvintes, tentar descobrir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proposta maior reside na poesia das letras esconderem um foco no cotidiano\/mente adolescente baseado nos f\u00e3s, e engolida sob salva de palmas por um p\u00fablico adulto que j\u00e1 passou por isso e toma as p\u00edlulas da ironia das palavras atrav\u00e9s de arranjos que buscam, em Pink Floyd, Clube da Esquina, Tom Z\u00e9 e Tame Impala, uma forma de embalar suas mensagens para v\u00e1rias idades. E o som se multiplica cada vez mais para mais ouvidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessas poucas jun\u00e7\u00f5es, este disco d\u2019O Terno se conecta com diversas gera\u00e7\u00f5es e estilos sem, contudo, atingir a massa, mantendo seu crit\u00e9rio art\u00edstico e sua sonoridade sem se preocupar diretamente com o bolso no fim do m\u00eas \u2013 o que, c\u00e1 entre n\u00f3s, n\u00e3o \u00e9 nenhuma surpresa no cen\u00e1rio atual. Eles sabem bem com qual p\u00fablico falam, com qual linguagem devem se dirigir e como se apresentar. N\u00e3o \u00e0 toa, ainda provocam (na faixa \u201cEu Confesso\u201d): \u201cEu n\u00e3o quero deixar ningu\u00e9m ver que eu sou mesmo \/ O que pensam de mim quando me veem na rua \/ Classe m\u00e9dia enjoada com pinta de artista \/ Ser\u00e1 que eu sou t\u00e3o previs\u00edvel assim?\u201d. Ser\u00e1?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26475\" title=\"oterno2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/oterno2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/oterno2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/oterno2-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcos Xi (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/marcosxi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@marcosxi<\/a>) \u00e9 editor do site <a href=\"http:\/\/www.rockinpress.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rock in Press<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Ainda que cercado por cacoetes sessentistas, \u201c66\u201d, d&#8217;O Terno, \u00e9 bacana (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/08\/18\/cds-o-terno-andre-mendes-trupe\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcos Xi\nSegundo disco do trio paulista nega apelo pop, mas prende a aten\u00e7\u00e3o do ouvinte de forma surpreendente. Qual o segredo? \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/09\/09\/o-que-ha-de-magico-no-terno\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26474"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26474"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26474\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":80593,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26474\/revisions\/80593"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26474"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26474"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26474"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}