{"id":26437,"date":"2014-09-07T23:36:20","date_gmt":"2014-09-08T02:36:20","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=26437"},"modified":"2016-09-03T11:45:20","modified_gmt":"2016-09-03T14:45:20","slug":"musica-ultraviolence-lana-del-rey","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/09\/07\/musica-ultraviolence-lana-del-rey\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: Ultraviolence, Lana Del Rey"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26438\" title=\"ultraviolence\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/ultraviolence.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><\/strong>Com carreira iniciada em 2005, Elizabeth Woolridge Grant era apenas uma garota desconhecida que almejava seu lugar ao sol na vasta seara do mercado musical. Sob o pseud\u00f4nimo de May Jailer, ela entrou em est\u00fadio e gravou 15 faixas para um \u00e1lbum demo(nstra\u00e7\u00e3o), \u201cSirens\u201d, que foi engavetado e s\u00f3 se tornaria conhecido no mundo virtual sete anos mais tarde, exibindo uma influ\u00eancia da cantora folk Jewel, mas j\u00e1 com leves acenos para o hip hop e a m\u00fasica eletr\u00f4nica que a consagrariam anos mais tarde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob a batuta de uma gravadora independente (5 Points), a curadoria do produtor David Kahne e com um novo codinome, Lizzy Grant, Elizabeth entrou em est\u00fadio e gravou \u2013 em tr\u00eas meses &#8211; um grupo de can\u00e7\u00f5es que chegou ao mercado primeiramente em um EP de tr\u00eas faixas, \u201cKill Kill\u201d, em 2008, ignorada por p\u00fablico e m\u00eddia, e depois em um \u00e1lbum, \u201cLana Del Ray A.K.A. Lizzy Grant\u201d (2010), que n\u00e3o ganhou lan\u00e7amento f\u00edsico, apenas download digital em 4 de janeiro de 2010, retirado logo depois devido a desentendimento entre a artista e gravadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s v\u00e1rias desventuras, Lana encontrou finalmente nos bra\u00e7os da Interscope, gravadora associada ao grupo Universal Music, o suporte necess\u00e1rio para propaga\u00e7\u00e3o do seu trabalho. O EP \u201cLana Del Rey\u201d, lan\u00e7ado no dia 10 de janeiro de 2012, alcan\u00e7ou o Top 20 da Billboard ancorado em men\u00e7\u00f5es elogiosas de ve\u00edculos respeitados como Guardian e Pitchfork. \u201cBorn To Die\u201d, o segundo \u00e1lbum, chegou \u00e0s lojas 20 dias depois, obteve oito singles de sucesso e tornou-a um fen\u00f4meno mundial alcan\u00e7ando 5 milh\u00f5es de c\u00f3pias vendidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O potencial de can\u00e7\u00f5es como &#8220;Video Games&#8221; e &#8220;Blue Jeans&#8221;, presentes no elogiado EP que antecipou o \u00e1lbum (e que ainda contava com as m\u00fasicas &#8220;Off to the Races&#8221;  e &#8220;Born To Die&#8221;),  \u00e9 ineg\u00e1vel, por\u00e9m a cr\u00edtica, de maneira geral, destacou o inc\u00f4modo e a impress\u00e3o de estar ouvindo a mesma m\u00fasica por v\u00e1rias vezes. Somado a isso, a produ\u00e7\u00e3o extremamente polida mascarou a fraqueza do longo repert\u00f3rio composto por 12 faixas (15 na edi\u00e7\u00e3o deluxe e 23 na reedi\u00e7\u00e3o dupla \u201cParadise Edition\u201d) resultando num disco insosso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passados dois anos, Lana parece que encontrou seu caminho, como pode ser admirado no \u00e1lbum \u201cUltraviolence\u201d. Escudada pela produ\u00e7\u00e3o de Dan Auerbach (The Black Keys), a cantora finalmente encontrou a sonoridade adequada para a tristeza latente de seus versos. Se em &#8220;Born To Die&#8221;, a atmosfera hip hop soava estranha ao universo de amores partidos, gan\u00e2ncia e pecados originais representado pelas letras, \u201cUltraviolence\u201d se apoia nas ra\u00edzes dos blues e do dream pop, e o resultado \u00e9 admir\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/o3SqUUoJjW8\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/o3SqUUoJjW8\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conduzida pela estridente e crua guitarra de Auerbach, um espet\u00e1culo \u00e0 parte no \u00e1lbum, a faixa &#8220;Cruel World&#8221; abre o disco deixando a cantora \u00e0 vontade para colocar a sua bela voz em uma can\u00e7\u00e3o que narra o fim de um relacionamento tempestuoso (tema que tamb\u00e9m norteou o \u00e1lbum do Black Keys lan\u00e7ado neste ano, \u201cTurn Blue\u201d). A fantasmag\u00f3rica faixa t\u00edtulo surge encharcada da dramaticidade de uma rela\u00e7\u00e3o calcada na viol\u00eancia de um amor desenfreado, com direito a cita\u00e7\u00e3o literal da cl\u00e1ssica &#8220;He Hit Me (And It Felt Like A Kiss)\u201d, can\u00e7\u00e3o de Gerry Goffin e Carole King, sucesso com The Crystals produzido por Phil Spector.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Shades of Cool&#8221; mant\u00e9m o clima l\u00fagubre numa balada orquestrada e com solo de guitarra memor\u00e1vel. &#8220;Brooklyn Baby&#8221;, jovial e pegajosa can\u00e7\u00e3o inspirada em Lou Reed (com quem Lana planejava trabalhar futuramente), narra as desventuras amorosas de uma moradora do distrito mais populoso de Nova York. A hipn\u00f3tica &#8220;West Coast&#8221;, cart\u00e3o de visitas do \u00e1lbum lan\u00e7ado com single em abril, surpreende pelas mudan\u00e7as de andamento, a sensualidade transparente nos vocais e poderia facilmente figurar numa das enigm\u00e1ticas trilhas dos filmes de David Lynch.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A largamente autobiogr\u00e1fica &#8220;Sad Girl&#8221; versa sobre uma garota triste e m\u00e1 que se comporta de forma prom\u00edscua em prol do sucesso repentino, tema tamb\u00e9m presente em &#8220;Fucked My Way Up To the Top&#8221;. J\u00e1 &#8220;Pretty When You Cry&#8221; , faixa composta e produzida em parceria com Blake Stranathan, prima pelo aspecto angustiante de uma rela\u00e7\u00e3o fadada ao fracasso. Para o fim, a ic\u00f4nica cover de \u201cThe Other Woman\u201d, composta por Jesse Mae Robinson (hitmaker dos anos 60) e eternizada pela diva Nina Simone, encerra de forma bel\u00edssima o trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A edi\u00e7\u00e3o deluxe do \u00e1lbum \u2013 lan\u00e7ada no Brasil \u2013 tem ainda outras tr\u00eas faixas b\u00f4nus, destacando a sombria \u201cGuns and Roses\u201d e o contraponto ensolarado \u201cFlorida Kilos\u201d, faixa que mais se aproxima da tem\u00e1tica do disco anterior. \u201cUltraviolence\u201d estreou no n\u00famero 1 nos Estados Unidos, no Reino Unido e em mais 13 pa\u00edses, e embora cr\u00edticos insistam em tentar aproximar o t\u00edtulo do \u00e1lbum com a tem\u00e1tica do livro \u201cA Clockwork Orange\u201c, de Anthony Burgess, e o subsequente filme de Stanley Kubrick, a cantora despista negando a influ\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado final de \u201cUltraviolence\u201d se beneficiou da colabora\u00e7\u00e3o de Dan Auerbach, que assina a produ\u00e7\u00e3o de oito das 11 can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum, e permitiu que Lana encontrasse um caminho brilhante que os discos anteriores ainda n\u00e3o haviam revelado totalmente. Ainda \u00e9 cedo para avaliar se o futuro seguir\u00e1 promissor talvez seja cedo para avaliar, mas o que importa neste momento \u00e9 que Lana Del Rey lan\u00e7ou um dos grandes discos de 2014, um \u00e1lbum de qualidade que talvez n\u00e3o emocione pessoas interessadas em hype, mas que deve atrair quem gosta de boa m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/rJABBmAMXnY\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/rJABBmAMXnY\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/ZFWC4SiZBao\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/ZFWC4SiZBao\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/T5xcnjAG8pE\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/T5xcnjAG8pE\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Bruno Lisboa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\">@brunorplisboa<\/a>) \u00e9 redator e colunista do <a href=\"http:\/\/pignes.com\" target=\"_blank\">pignes.com<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia mais:<\/strong><br \/>\n&#8211; Como estrat\u00e9gia a curto-prazo, a dial\u00e9tica Grant-DelRey (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/12\/a-dialetica-grant-delrey\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Em \u201cTurn Blue\u201d, Black Keys aposta no retrocesso (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/04\/cd-turn-blue-the-black-keys\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um \u00e1lbum de qualidade que talvez n\u00e3o emocione os interessados em hype, mas que deve atrair quem gosta de boa m\u00fasica\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/09\/07\/musica-ultraviolence-lana-del-rey\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1013],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26437"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26437"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26437\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39788,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26437\/revisions\/39788"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26437"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26437"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26437"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}