{"id":26426,"date":"2014-09-05T13:30:04","date_gmt":"2014-09-05T16:30:04","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=26426"},"modified":"2021-09-15T01:32:50","modified_gmt":"2021-09-15T04:32:50","slug":"entrevista-luciano-amaral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/09\/05\/entrevista-luciano-amaral\/","title":{"rendered":"Entrevista: Luciano Amaral"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26427\" title=\"luciano1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/luciano1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"428\"><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Capelas <\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAl\u00f4, al\u00f4! Planeta Terra chamando. Planeta Terra chamando! Essa \u00e9 mais uma viagem do di\u00e1rio de bordo de Lucas Silva e Silva, falando diretamente do Mundo da Lua&#8230; onde tudo pode acontecer!\u201d. Se voc\u00ea cresceu no come\u00e7o dos anos 90, certamente deve se lembrar dessa frase \u2013 e de muitas outras aventuras \u2013 de Lucas Silva e Silva, o garoto de 10 anos que, junto de seu gravador, vivia hist\u00f3rias incr\u00edveis no mundo da imagina\u00e7\u00e3o em \u201cMundo da Lua\u201d, seriado da TV Cultura que estreou em 1991. Assim como, muito provavelmente, j\u00e1 viu o mesmo rapaz, anos depois, perguntar qual era a senha para entrar no \u201cCastelo R\u00e1 Tim Bum\u201d, ouvindo o famoso \u201cKlift, Kloft, Stil, a porta se abriu\u201d do porteiro de lata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nome dele, entretanto, n\u00e3o \u00e9 Lucas, nem Pedro, mas sim Luciano Amaral, um cara que j\u00e1 conta com trinta anos de carreira (e 35 de vida) na televis\u00e3o, mas que entrou no mundo da telinha meio que por acaso, fazendo propagandas como a do Vick Vaporub. Ainda crian\u00e7a, Luciano teve a oportunidade rara de contracenar com nomes como Ant\u00f4nio Fagundes e Gianfrancesco Guarnieri, sendo o protagonista de \u201cMundo da Lua\u201d. Para ele, entretanto, atuar era uma brincadeira. \u201cEu n\u00e3o via muita TV quando era crian\u00e7a, n\u00e3o sabia quem eram eles. Para mim, aqueles adultos estavam ali para brincar comigo. Um brincava que era o meu av\u00f4, o outro brincava que era meu pai, uma dizia que era minha m\u00e3e, e eu deixava (risos)\u201d, conta Luciano, que, na pele de Lucas, pode realizar \u201csonhos de qualquer menino de 10 anos, como fazer o Brasil ganhar a Copa do Mundo ou ir para a Lua\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas anos depois da estreia de \u201cMundo da Lua\u201d, Luciano voltaria \u00e0 TV Cultura para fazer Pedro, o mais velho do trio de crian\u00e7as que brincavam com o feiticeiro Nino todas as noites, de segunda a sexta-feira, fazendo a TV Cultura atingir mais de 10 pontos no Ibope, mesmo com or\u00e7amento limitado.  \u201cO \u2018Castelo\u2019 era m\u00e1gico, e mais do que isso, grandioso. Era um absurdo pensar que a TV Cultura fazia aquilo, n\u00e3o pensando na audi\u00eancia ou no dinheiro. Ela tinha a peculiaridade de ter pessoas \u00fanicas, que queriam sempre passar algo al\u00e9m do entretenimento, com um carinho especial\u201d, diz o ator, tentando explicar o sucesso e a longevidade do \u201cCastelo\u201d. Atualmente, o programa est\u00e1 sendo homenageado pelo Museu da Imagem e do Som (MIS-SP) com uma exposi\u00e7\u00e3o que tem atra\u00eddo centenas de pessoas (e gerado filas) todos os dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista a seguir, Luciano conta hist\u00f3rias de \u201cCastelo R\u00e1 Tim Bum\u201d e de \u201cMundo da Lua\u201d, fala sobre como \u00e9 viver com o legado de dois personagens que s\u00e3o \u201cprimos\u201d de todo espectador que os acompanhou, relembra trabalhos como o \u201cTurma da Cultura\u201d, um dos primeiros programas brasileiros a usar email para participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, e discute a situa\u00e7\u00e3o atual da TV brasileira para jovens e crian\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m das mem\u00f3rias de TV, o ator e hoje apresentador da PlayTV tamb\u00e9m fala sobre games \u2013 assunto no qual foi pioneiro no Pa\u00eds e com o qual trabalha h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada.  &#8220;As coisas melhoraram bastante nos \u00faltimos dez anos. Para quem produz games, tudo se barateou \u2014 as ferramentas de produ\u00e7\u00e3o custam menos, a distribui\u00e7\u00e3o pode ser feita pela internet. Mesmo assim, o cara que produz um jogo no Brasil \u00e9 um her\u00f3i&#8221;, avalia Luciano, que ainda v\u00ea o setor prejudicado por pol\u00edticas atrasadas. \u201cJogo \u00e9 arte, mas vai explicar isso para quem manda, que acha que videogame \u00e9 coisa de crian\u00e7a e taxa importa\u00e7\u00e3o como se fosse brinquedo? Quem cresceu jogando sabe da import\u00e2ncia dos games, mas existe uma barreira de gera\u00e7\u00f5es. Apesar de tudo isso, o nosso mercado j\u00e1 \u00e9 grande, e tem poder de compra. O cen\u00e1rio \u00e9 promissor\u201d, diz ele. Aperta o start e deixa Luca&#8230; Luciano falar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/cv6Y5UkkIAk\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/cv6Y5UkkIAk\"><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea trabalha em TV h\u00e1 quase trinta anos, e teus principais personagens aconteceram h\u00e1 duas d\u00e9cadas. Como \u00e9 que \u00e9 dar tantas entrevistas sobre isso ao longo dos anos e n\u00e3o fazer as respostas sa\u00edrem no modo autom\u00e1tico?<\/strong><br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil, porque a tend\u00eancia \u00e9 mesmo que as respostas saiam no autom\u00e1tico. S\u00e3o 20 anos respondendo as mesmas perguntas, que s\u00e3o as curiosidades que todas as pessoas t\u00eam. Quando o assunto \u00e9 o \u201cCastelo\u201d, n\u00e3o tem s\u00f3 perguntas cl\u00e1ssicas, do tipo \u201ccomo eram as grava\u00e7\u00f5es?\u201d, mas tamb\u00e9m coisas curiosas. Era um universo m\u00e1gico t\u00e3o fora da realidade que \u00e0s vezes as pessoas duvidam se aquilo era um cen\u00e1rio de verdade, ou se o quarto do Nino existia mesmo. Hoje em dia, acho que todas as perguntas que me fizerem sobre os programas j\u00e1 foram respondidas. Entretanto, como a gente tem orgulho de ter feito o programa, a gente gosta de continuar falando sobre isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os teus primeiros trabalhos na televis\u00e3o foram fazendo propagandas, como a do Vick Vaporub, aos seis anos de idade. Como foi isso?<\/strong><br \/>\nComo toda crian\u00e7a dos anos 80, eu assistia televis\u00e3o. Mas, apesar de morar em S\u00e3o Paulo, eu ia muito para o interior nos finais de semana visitar a fam\u00edlia, ent\u00e3o tive uma vida&#8230; n\u00e3o sei dizer, mas eu jogava bola com os amigos, no parque, na pra\u00e7a, na rua, vivia andando de bicicleta&#8230; nunca fui o cara mais ligado em TV \u2013 mas minha irm\u00e3 era bastante. Na \u00e9poca, ela era adolescente e era modelo. Minha m\u00e3e a levava para fazer os testes, e eu ia junto porque era bem pequeno. Certa vez, enquanto minha irm\u00e3 fazia um teste em uma produtora grande, estavam fazendo testes para um comercial cujo papel era para ser feito por um menino de seis anos. Nessas obras do destino, era um perfil igual ao meu, e minha m\u00e3e me colocou no est\u00fadio e acabou rolando, fiz v\u00e1rias propagandas, mas nunca tive muita no\u00e7\u00e3o do que era aparecer na TV. S\u00f3 fui entender que isso era diferente e que talvez eu gostasse de fazer isso da minha vida na \u00e9poca do \u201cCastelo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Do Vick Vaporub, como \u00e9 que voc\u00ea chegou ao \u201cMundo da Lua\u201d?<\/strong><br \/>\nFoi via teste, tamb\u00e9m. Naquela \u00e9poca, eram poucas crian\u00e7as que faziam propagandas na TV. Digamos que, sei l\u00e1, tinha uns 10 meninos e umas 10 meninas que faziam propagandas. N\u00e3o era esse hype todo que tem em cima de trabalhar na TV, m\u00e3es querendo que os filhos apare\u00e7am, filas enormes para testes. Como eram poucas crian\u00e7as, sempre os mesmos apareciam. Na Cultura n\u00e3o, era diferente, tinha muita gente. N\u00e3o lembro como foi o teste, mas acabaram me escolhendo. \u00c9 muito louco isso, de n\u00e3o lembrar como foram as coisas. Eu me lembro de v\u00e1rias fases do \u201cMundo da Lua\u201d, coisas que me marcaram. Era um programa muito legal, porque o que o Lucas vivia na hist\u00f3ria era o que eu vivia na \u00e9poca \u2013 e o que qualquer moleque de 10 anos vive (ou sonha viver). No programa, eu podia ser um jogador de futebol, e mais do que isso, ganhar a Copa do Mundo para o Brasil. Piloto de F\u00f3rmula 1? Eu podia. Ir pra Lua? Eu podia. Eu podia tudo, e era muito especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Segundo relatos, o \u201cMundo da Lua\u201d foi um programa que teve uma produ\u00e7\u00e3o conturbada, com v\u00e1rias fases de produ\u00e7\u00e3o e roteiro, at\u00e9 chegar a um formato final, com a fam\u00edlia de classe m\u00e9dia paulistana morando em uma casa, e as aventuras tendo como foco o gravador do Lucas Silva e Silva. Em que fase do projeto voc\u00ea chegou?<\/strong><br \/>\nQuando eu cheguei, a hist\u00f3ria j\u00e1 estava centrada nesse conflito: um garoto de 10 anos de uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia de S\u00e3o Paulo, com conflitos e desejos inerentes a qualquer crian\u00e7a. Entretanto, me lembro de gravar alguns epis\u00f3dios que se passavam em um apartamento, com um elenco diferente. O av\u00f4 n\u00e3o era o Gianfrancesco Guarnieri, e a av\u00f3 do Lucas era a Etty Fraser, que depois se tornou uma amiga da av\u00f3 dele. Se n\u00e3o me engano, a gente chegou at\u00e9 a gravar um epis\u00f3dio em que a Fernanda Torres era uma vampira. S\u00e3o coisas que nunca foram ao ar, e parece at\u00e9 um universo paralelo do \u201cMundo da Lua\u201d. Como eu era pequeno, n\u00e3o sei o que foi feito desses epis\u00f3dios, mas tenho curiosidade em ver o que eles eram. At\u00e9 o gravador era diferente: ele era um gravador comum, daqueles pretos, de al\u00e7a, de uma marca Gradiente da vida. S\u00f3 na segunda vers\u00e3o, j\u00e1 com os epis\u00f3dios dentro de uma casa, \u00e9 que veio aquele gravador com os bot\u00f5es coloridos, todo charmoso&#8230; (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como era gravar com aquele tima\u00e7o de atores? Era um grupo que tinha o Ant\u00f4nio Fagundes, o Guarnieri, a Mira Haar, a Laura Cardoso&#8230;<\/strong><br \/>\nComo minha inf\u00e2ncia n\u00e3o foi totalmente ligada na TV, era algo normal, porque eu n\u00e3o sabia quem era o Fagundes, o Guarnieri, eu n\u00e3o via novela, s\u00f3 os programas de crian\u00e7a. Aqueles adultos que estavam ali comigo? Nunca tinha visto. Para mim, eles estavam ali para brincar comigo. Um brincava que era o meu av\u00f4, o outro brincava que era meu pai, uma dizia que era minha m\u00e3e, e eu deixava (risos). Anos mais tarde, j\u00e1 adulto, \u00e9 que eu fui ter consci\u00eancia disso, do peso daquele elenco. Fagundes, Lucinha Lins, Guarnieri, Laura Cardoso, Etty Fraser, Denise Fraga, Edson Celulari, Marisa Orth&#8230; \u00e9 um elenco de novela das oito, e eu ainda tinha o privil\u00e9gio de ser o protagonista. Mas hoje eu acho bom que eu n\u00e3o tivesse no\u00e7\u00e3o, talvez seria muito mais complicado se soubesse quem eles eram. Vejo muitas entrevistas de atores adultos, falando que ficou nervoso ao contracenar com fulano&#8230; Eu nem fazia ideia. \u201cAh, vambora, todo mundo brinca aqui\u201d (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando o programa estreou, como ficou a sua vida? Imagino que um monte de gente te enchia o saco no col\u00e9gio&#8230;<\/strong><br \/>\nPassei boa parte da minha vida dentro dos est\u00fadios e estudando na mesma escola. Depois que eu comecei a fazer o \u201cMundo da Lua\u201d, minha rotina era bastante estressante para uma crian\u00e7a. Eu sa\u00eda da escola, ia gravar, ia pra casa \u00e0 noite, estudava ou fazia alguma coisa e ia dormir. No dia seguinte, a mesma coisa, de segunda a s\u00e1bado. Quando acabaram as grava\u00e7\u00f5es e o programa estreou, foi um sucesso absurdo. Entretanto, pouca coisa mudou: as pessoas j\u00e1 me reconheciam na rua por causa das propagandas. Quem me via na escola estava acostumado comigo, e quando eu n\u00e3o estava no col\u00e9gio, estava gravando. Minha vida sempre foi assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/--XlLWQxUeg\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/--XlLWQxUeg\"><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cMundo da Lua\u201d come\u00e7ou em 1989 e estreou em 1991, e o \u201cCastelo\u201d s\u00f3 come\u00e7aria a ser produzido em 1993. Entre esses dois trabalhos, o que voc\u00ea fez?<\/strong><br \/>\nFiquei contratado pela Cultura durante quase dois anos, entre 1989 e 1991, desde esses primeiros epis\u00f3dios que n\u00e3o foram ao ar at\u00e9 o fim das grava\u00e7\u00f5es do \u201cMundo da Lua\u201d. Em 1992, eu meio que tive um ano de descanso. Ou quase: acabei fazendo um projeto com o Cao Hamburger para a TV Cultura, o \u201cLucas e Juquinha\u201d. Eram umas vinhetas que usavam o personagem do \u201cMundo da Lua\u201d e um primo mais novo dele para falar sobre acidentes dom\u00e9sticos. \u00c9 um spin-off do \u201cMundo da Lua\u201d. O que pouca gente sabe, entretanto, \u00e9 que na ideia inicial, o Lucas e o Juquinha eram para ter sido parte do \u201cCastelo R\u00e1 Tim Bum\u201d \u2013 o Lucas virou o Pedro, e o Juquinha \u00e9 o Zequinha. Hoje, imaginando, teria sido muito louco ver esse crossover, ia acabar fritando a cabe\u00e7a da galera. Acho que n\u00e3o rolou justamente por conta disso, mas na exposi\u00e7\u00e3o do MIS tem documentos que mostram coisas como \u201ctestes para Lucas e Juquinha\u201d para o \u201cCastelo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse meio tempo, voc\u00ea tamb\u00e9m faz uma pe\u00e7a, certo?<\/strong><br \/>\n\u00c9&#8230; eu fui levado a fazer uma pe\u00e7a de teatro, \u201cA Fuga do Planeta Kiltran\u201d, s\u00f3 com crian\u00e7as. \u00c9ramos tr\u00eas meninos e uma menina \u2013 que era a Cynthia Rachel, que seria a Biba. Um dos meninos era o Fredy Allan (o Zequinha), e os dois acabaram fazendo o \u201cCastelo\u201d. A produ\u00e7\u00e3o estava procurando crian\u00e7as para compor o elenco, e lembro que eles curtiram bastante. Acho que teve um componente importante ali, que era a nossa sinergia. Sinergia entre crian\u00e7as \u00e9 um neg\u00f3cio muito louco, e j\u00e1 tendo esse entrosamento, ficava muito mais f\u00e1cil de trabalhar em um projeto como o \u201cCastelo R\u00e1 Tim Bum\u201d. A Cynthia j\u00e1 tinha feito trabalhos antes, era a garota do Tang, mas o Fredynho era um novato. Ele s\u00f3 tinha feito a pe\u00e7a, mas dava para ver que ele tinha nascido para isso. Lembro que eu fiz alguns testes com eles e o C\u00e1ssio, e ficou por isso mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea, Luciano, n\u00e3o chegou a fazer testes pro \u201cCastelo\u201d\u2026<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, porque eu meio que j\u00e1 era parte do projeto. Mas lembro de ajudar nos testes com outros atores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea chegou a ver outros Ninos, ou outros Dr. Victors?<\/strong><br \/>\nSim. Lembro-me de ver o teste de outro Nino, mas n\u00e3o lembro quem era. \u00c9 dif\u00edcil de imaginar: o Nino \u00e9 um menino de trezentos anos feito brilhantemente pelo C\u00e1ssio Scapin. \u00c9 uma coisa d\u00fabia, um personagem dif\u00edcil para caramba, porque ele \u00e9 um adulto, mas \u00e9 uma crian\u00e7a. O outro teste que eu vi tinha uma pegada de cientista maluco, uns tubos de ensaio, umas gargalhadas meio fatais, era bem louco. O Nino do C\u00e1ssio \u00e9 t\u00e3o distante disso que acabou ficando marcado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Wagner Bello, que fez o Etevaldo, fez testes para o Nino&#8230;<\/strong><br \/>\nN\u00e3o me lembro dele, mas sei que o Henrique Stroeter, o Nap\u00e3o, que depois virou o Per\u00f4nio, tamb\u00e9m fez teste para Nino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem era o Pedro quando voc\u00ea \u201crecebeu\u201d o personagem? O que ele tinha de diferente para o Luciano?<\/strong><br \/>\nO Philippe Barcinski, que hoje \u00e9 um grande diretor, era o assistente de dire\u00e7\u00e3o no \u201cCastelo\u201d. Uma das miss\u00f5es dele era ajudar a gente a ter uma linha de dire\u00e7\u00e3o nos personagens, e \u00e9 muito legal ver umas fotos antigas dele cuidando da gente. Desde o come\u00e7o, o Pedro tinha algumas coisas bem claras: ele era o mais velho da turma, eventualmente sendo at\u00e9 mais respons\u00e1vel que o Nino, que apesar dos trezentos anos era mais crian\u00e7a que os tr\u00eas juntos. O Pedro tinha de ser o mais disciplinado e o mais atento, \u00e9 o cara que \u00e9 antenado com o nome do pintor do quadro, aquele que vai sempre puxar o \u201cvoc\u00ea sabia\u201d. \u00c9 o nerd desde sempre, mas um nerd que n\u00e3o deixa de se divertir com os amigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nessa \u00e9poca voc\u00ea j\u00e1 entendia o que era compor um personagem?<\/strong><br \/>\nEu tinha um pouco mais de no\u00e7\u00e3o. O Lucas Silva e Silva tinha coisas peculiares, mas ele era muito pr\u00f3ximo do Luciano da \u00e9poca. J\u00e1 no \u201cCastelo\u201d, fizemos v\u00e1rios laborat\u00f3rios juntos, muitos ensaios, era uma coisa bem acertada, bem conversada. Depois de um tempo, isso virou autom\u00e1tico, mas foi importante ter a experi\u00eancia de um adulto \u2013 e do Barcinski, ainda por cima \u2013 dando as dire\u00e7\u00f5es para n\u00f3s. O Pedro \u00e9 totalmente diferente do Lucas, porque o mundo de imagina\u00e7\u00e3o do Lucas \u00e9 meio que a vida real do Pedro dentro do \u201cCastelo\u201d. O que eu acho mais engra\u00e7ado \u00e9 que hoje tem gente que n\u00e3o sabe que o mesmo ator fez os dois papeis. Se eu abrir o Twitter para voc\u00ea ver, o n\u00famero de rea\u00e7\u00f5es \u00e9 enorme. E \u00e9 bacana isso, ter feito personagens diferentes, e n\u00e3o apenas ter um \u00f3culos e uma cartola escondendo meu rosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para quem via de casa, o cen\u00e1rio do \u201cCastelo\u201d parecia todo cheio de uma aura m\u00e1gica. Como era trabalhar nele?<\/strong><br \/>\nEra m\u00e1gico, mas, mais que isso, era grandioso. Acho que eu nunca fiz ou vi algo t\u00e3o grandioso. Era feito no maior est\u00fadio da TV Cultura, e o cen\u00e1rio ocupava literalmente o est\u00fadio inteiro. Para abrir a porta do \u201cCastelo\u201d, voc\u00ea tinha que abrir a porta do est\u00fadio para gravar a entrada das crian\u00e7as. E era um est\u00fadio cheio de detalhes. Recentemente, eu fui para Barcelona pela primeira vez, e visitei muita coisa do [arquiteto catal\u00e3o Antoni] Gaud\u00ed. Foi a primeira vez na minha vida que eu tive a sensa\u00e7\u00e3o de estar no \u201cCastelo\u201d sem estar realmente no est\u00fadio. Muita coisa do \u201cCastelo\u201d foi baseada nas obras dele \u2013 as portas, as janelas, tudo foi pensado. O trabalho de cenografia do \u201cCastelo\u201d me impressiona at\u00e9 hoje, especialmente pelos ambientes interligados. \u00c9 o que se via na TV: voc\u00ea ia do hall para a biblioteca no mesmo cen\u00e1rio, e o quarto do Nino era embaixo da escada e a gente gravava ali mesmo. \u00c9 muito louco estar e ter gravado naquele cen\u00e1rio, e ver todos os cuidados que se tinha com a loca\u00e7\u00e3o e os figurinos. Isso sem falar que era um absurdo, para a TV Cultura, que n\u00e3o \u00e9 uma emissora comercial, ter um cen\u00e1rio daquele tamanho, com um n\u00edvel de qualidade s\u00f3 feito fora do Pa\u00eds. Uma coisa que o C\u00e1ssio falou certa vez \u00e9 que o \u201cCastelo\u201d foi o primeiro produto da televis\u00e3o brasileira a apresentar um n\u00facleo familiar muito espec\u00edfico, mas que abrangia as crian\u00e7as com fam\u00edlias diferentes. O Nino \u00e9 um menino que n\u00e3o tem pai nem m\u00e3e, que mora com a tia av\u00f3 e com o seu av\u00f4, que \u00e9 o Dr. Victor. \u00c9 uma estrutura familiar que a gente v\u00ea hoje, mas na \u00e9poca ningu\u00e9m discutia&#8230; \u201ccad\u00ea a m\u00e3e e o pai desse menino?\u201d, \u201ccad\u00ea a irm\u00e3zinha?\u201d. A estrutura da fam\u00edlia-feliz americana n\u00e3o existe ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/j-uldPC8iTg\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/j-uldPC8iTg\"><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso para n\u00e3o falar nas crian\u00e7as&#8230; \u201cp\u00f4, elas n\u00e3o tem pai, m\u00e3e, todo mundo acha normal eles brincarem num castelo?\u201d.<\/strong><br \/>\nSim! \u00c9 totalmente diferente do que a gente estava acostumado e do que era colocado como fam\u00edlia-modelo. Se voc\u00ea parar para ver, at\u00e9 o \u201cMundo da Lua\u201d tinha essa estrutura cl\u00e1ssica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apesar de ser um projeto com patroc\u00ednios, o \u201cCastelo\u201d ainda assim tinha recursos limitados. Para voc\u00ea, o fato de ter recurso limitado provoca a criatividade?<\/strong><br \/>\nO recurso limitado n\u00e3o cerceia criatividade. No caso da Cultura, isso \u00e9 bem peculiar, n\u00e3o tendo compromisso com Ibope ou com produtos atrelados comercialmente. O que possibilitou todos esses programas era o empenho dos profissionais, independentemente do recurso ser limitado ou da remunera\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser adequada pelo trabalho que era feito. A TV Cultura tem a peculiaridade de sempre querer passar algo a mais al\u00e9m do entretenimento \u2013 e essa cultura ia do contrarregra ao diretor. Todos ali eram pessoas \u00fanicas em suas posi\u00e7\u00f5es, e com um carinho especial pela emissora. \u00c9 esse empenho que faz a diferen\u00e7a no \u201cCastelo\u201d e na Cultura, e talvez seja s\u00f3 por isso que a emissora ainda esteja de portas abertas, diante dos problemas pol\u00edticos e da mudan\u00e7a de administra\u00e7\u00e3o a cada tr\u00eas anos. A Cultura j\u00e1 falou muito para o p\u00fablico jovem: o Serginho Groisman nasceu l\u00e1, com o \u201cMat\u00e9ria Prima\u201d. Tinha o \u201cFanzine\u201d, o \u201cMusikaos\u201d, o \u201cTurma da Cultura\u201d&#8230; s\u00e3o programas que existiam e n\u00e3o existem mais, e o jovem \u00e9 um p\u00fablico que busca informa\u00e7\u00e3o, t\u00e1 a\u00ed nas redes sociais&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>(interrompe) Mas o jovem assiste \u00e0 TV tradicional hoje em dia?<\/strong><br \/>\nAcho que sim, mas depende do jeito que a TV \u00e9 feita. Ela precisa se adaptar, precisa estar na internet. O que o jovem assiste na internet n\u00e3o deixa de ser TV, e n\u00e3o \u00e9 que ele n\u00e3o assista \u00e0 TV. Ele assiste, mas tamb\u00e9m est\u00e1 ao mesmo tempo no PC, ou no smartphone, ou no tablet. A TV de antigamente n\u00e3o pode existir mais, tem que interagir direito com o jovem. \u00c9 um desafio para todo mundo, e n\u00e3o s\u00f3 para a Cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea disse que no \u201cCastelo\u201d j\u00e1 tinha mais no\u00e7\u00e3o do que acontecia no set de filmagens. Como era o ambiente das grava\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nEra um bando de gente maluca, com muita vontade de fazer, mas em uma rotina estafante. Tinha ator que come\u00e7ava a gravar \u00e0s 8h da manh\u00e3 e ia at\u00e9 as 8h da noite. O natural seria que todo mundo ficasse bravo, estressado, cansado&#8230; mas nunca houve conflito entre as pessoas. Todo mundo ria, contava hist\u00f3rias, vivia junto. Falar de uma coisa s\u00f3 que era divertida no est\u00fadio \u00e9 bobagem. Era um clima t\u00e3o legal: o C\u00e1ssio, por exemplo, quebrava um objeto de cena que era \u00fanico. Numa situa\u00e7\u00e3o normal, todo mundo ficaria puto, mas a gente s\u00f3 come\u00e7ava a rir e falava: \u201ct\u00e1, ok, a gente grava essa cena na semana que vem\u201d. Novela costuma ter um ritmo intenso, grava 40 cenas por dia, um cap\u00edtulo a cada dois dias. No \u201cCastelo\u201d, havia um cuidado diferente, coisas simples como n\u00e3o poder colocar o t\u00eanis em cima do sof\u00e1, de n\u00e3o poder falar \u201ct\u00e1\u201d, era para falar \u201cest\u00e1\u201d&#8230; a gente gravava seis, sete cenas por dia, levava uma semana, \u00e0s vezes at\u00e9 duas para gravar um epis\u00f3dio. A gente tinha mais tempo de viver cada cena. Vira e mexe a gente tinha crises de riso. Tamb\u00e9m pudera: imagina voc\u00ea estar l\u00e1, querendo se concentrar, e vir o Pascoal [da Concei\u00e7\u00e3o] do teu lado pulando que nem o Dr. Abobrinha. N\u00e3o tinha como fazer uma cena s\u00e9ria com ele! Mas tinha que fazer, especialmente por que ele era o vil\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem a hist\u00f3ria que o Zequinha quebra o bra\u00e7o no meio de uma cena\u2026<\/strong><br \/>\nSim (risos). Era uma cena que a gente tinha de entrar no castelo engatinhando, na portaria. Acho que ele foi descer a escada e trope\u00e7ou, caiu e quebrou o bra\u00e7o. D\u00e1 para reparar que ele passa uma boa parte dos epis\u00f3dios com o bra\u00e7o engessado. Mas a melhor parte nem \u00e9 que ele quebrou o bra\u00e7o, mas sim que n\u00e3o tinha uma explica\u00e7\u00e3o boa para ele estar com o bra\u00e7o engessado. Lembro que at\u00e9 tentaram dizer algo assim num epis\u00f3dio, mas n\u00e3o funcionava. Al\u00e9m disso, a gente brincava muito. Era rotina mandarem algu\u00e9m buscar a gente porque a gente estava jogando bola \u2013 com os figurinos. Imagina: suava o figurino, sujava a bota de couro branca do Zequinha&#8230; era uma bagun\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea se lembra de como foi o dia da estreia do \u201cCastelo\u201d, em maio de 1994?<\/strong><br \/>\nSei que na \u00e9poca da estreia, a gente ainda estava gravando, e paramos para assistir todos juntos no est\u00fadio. Foi meio estranho. Era um projeto t\u00e3o legal, com uma edi\u00e7\u00e3o t\u00e3o diferente, que todo mundo estranhou no come\u00e7o, sem saber se era legal ou n\u00e3o. O C\u00e1ssio disse que todo mundo ficou meio&#8230; \u201cah, legal, mas vamos voltar a gravar?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26429\" title=\"luciano2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/luciano2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"428\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/luciano2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/luciano2-300x212.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para voc\u00ea, o \u201cCastelo\u201d fez mais ou menos sucesso que o \u201cMundo da Lua\u201d?<\/strong><br \/>\nEm S\u00e3o Paulo, os dois programas fizeram muito sucesso. O \u201cMundo da Lua\u201d teve impacto especial no Estado de S\u00e3o Paulo, especialmente porque contava uma hist\u00f3ria paulistana, classe m\u00e9dia, era mais regionalizado. J\u00e1 o \u201cCastelo\u201d fez sucesso no Pa\u00eds inteiro, e conta uma hist\u00f3ria mais universal. At\u00e9 por isso, o \u201cCastelo\u201d est\u00e1 tendo uma exposi\u00e7\u00e3o, e sonho que o \u201cMundo da Lua\u201d tamb\u00e9m tenha. \u00c9 um projeto que merece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na sequ\u00eancia do sucesso do programa, voc\u00ea e alguns dos principais atores se uniram e fizeram pe\u00e7as de teatro do \u201cCastelo\u201d. Foi algo instant\u00e2neo ou houve um intervalo nesse meio tempo?<\/strong><br \/>\nA pe\u00e7a come\u00e7ou a ser produzida em 1996, e estreou em SP em 1997. Nesse meio tempo, eu fiz uma novela no SBT, no papel de um menino de rua, o Rato. Era algo totalmente diferente: o Lucas era de classe m\u00e9dia, o Pedro vinha de um mundo m\u00e1gico. Foi um choque: \u201cnossa, agora o Lucas Silva e Silva mata gente e cheira cola!\u201d. Al\u00e9m disso, fiz o Telecurso 2000, fiz um menino bonzinho dando aula de matem\u00e1tica (risos). A pe\u00e7a veio na sequ\u00eancia, em 1997, e foi um sucesso absurdo, com sess\u00f5es de segunda a segunda. Nessa \u00e9poca, eu estava no terceiro ano do Ensino M\u00e9dio e estudava pro vestibular. Sa\u00eda do col\u00e9gio, ia para o teatro, fazia duas ou tr\u00eas sess\u00f5es para escolas, e depois ainda ia para a Cultura fazer o \u201cTurma da Cultura\u201d. Eu praticamente n\u00e3o tinha vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi voltar para o papel do Pedro tr\u00eas anos depois \u2014 e fazendo aos 17 um personagem que teria, no m\u00e1ximo, uns doze anos?<\/strong><br \/>\nFoi no autom\u00e1tico. Era como um jogador de futebol que um dia joga no Maracan\u00e3, e no outro tem de ir pro est\u00e1dio da esquina. Precisa jogar igual e fazer gol do mesmo jeito. O que era legal era ter o contato di\u00e1rio com o p\u00fablico, ver beb\u00eas que tinham sido batizados como Pedro, Nino, Beatriz ou Zeca, e ouvir as mais variadas hist\u00f3rias. Era cansativo, mas era divertido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou do \u201cTurma da Cultura\u201d. O que era esse projeto?<\/strong><br \/>\nEm 1997, a Cultura resolveu que queria ter outro programa para jovens, anos depois do fim do \u201cFanzine\u201d, que era apresentado pelo Marcelo Rubens Paiva. Lembro que foi um dos primeiros programas do Brasil a ter email, e coisas engra\u00e7adas como mostrar como era uma enciclop\u00e9dia no computador. Al\u00e9m de ler sobre um p\u00e1ssaro, dava pra ouvir o p\u00e1ssaro, era incr\u00edvel! Hoje, parece absurdo. Al\u00e9m disso, foi o primeiro programa que eu apresentei na vida, com todos os desafios poss\u00edveis: era ao vivo, di\u00e1rio, com participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e banda. Sem querer, ele definiu minha carreira para o futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi essa transi\u00e7\u00e3o, de ator para apresentador?<\/strong><br \/>\nFoi sem pensar. Assim como das outras vezes, o convite apareceu e foi algo natural. Ser ator ajuda, mas ao mesmo tempo me d\u00e1 a oportunidade de ser mais o Luciano. Al\u00e9m disso, foi uma atividade que me deu contato com uma \u00e1rea que eu adoro, os games. Em 2002, eu apresentei o meu primeiro programa de videogames, o \u201cG4 Brasil\u201d, na TV Bandeirantes, e da\u00ed n\u00e3o parei mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lembro que para mim, como espectador, era engra\u00e7ado ver o Pedro falando de videogames. Como surge esse teu interesse? Voc\u00ea tinha tempo para jogar enquanto atuava?<\/strong><br \/>\nComo toda crian\u00e7a nascida ap\u00f3s os anos 80, eu sempre joguei videogame. Antes do \u201cMundo da Lua\u201d, eu fiz a propaganda do primeiro Dynavision, e como parceria com a Dynacom, eles mandavam para casa todos os jogos. Meus pais n\u00e3o podiam me dar um Atari, mas depois dos 8-bits, eu tinha jogos novos em casa todo m\u00eas. Era um absurdo, o sonho de qualquer crian\u00e7a. Depois, fui evoluindo com o Master System, o Mega Drive, sempre arranjava um tempo no meio das grava\u00e7\u00f5es. Quando eu tinha 17, 18 anos, me juntava com os amigos para passar a madrugada jogando \u201cWinning Eleven\u201d, \u201cMario Kart\u201d, \u201cGolden Eye\u201d, os jogos da \u00e9poca. Acho que por isso eu consegui a vaga no \u201cG4 Brasil\u201d: no teste, tinha uma coisa meio quadradona, e eu improvisei em cima do texto, porque tinha a ver com o Winning Eleven, e eu sabia a escala\u00e7\u00e3o do Ir\u00e3 de cor por causa do jogo. Foi uma sorte.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/9An9tkTY680\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/9An9tkTY680\"><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea trabalha com games nos \u00faltimos 10 anos. Al\u00e9m de ser um pioneiro, voc\u00ea viu a ind\u00fastria mudar muito nesse intervalo. Como voc\u00ea percebe essas mudan\u00e7as? As coisas melhoraram?<\/strong><br \/>\nMudou muita coisa, sem d\u00favida. As pessoas encaram games com mais seriedade agora. Nos primeiros programas, a gente martelava que game era coisa s\u00e9ria, e n\u00e3o podia relacionar nada com crian\u00e7a, para n\u00e3o refor\u00e7ar o estere\u00f3tipo. Ainda hoje tem estigma, mas como os n\u00fameros cresceram e agora tem dinheiro forte na jogada, fica mais f\u00e1cil. Agora, na verdade, existe um segundo trabalho, que \u00e9 mostrar coisas al\u00e9m dos n\u00fameros. Para mim, videogame \u00e9 arte. Outra coisa que mudou \u00e9 que, com o YouTube, o conte\u00fado que voc\u00ea produz sobre games \u00e9 totalmente outro. D\u00e1 para fazer v\u00eddeos mostrando como se joga, ou um cara falando bobagens sobre um game. Antigamente, a gente dava dicas e truques no programa \u2013 hoje o cara tem o Google para isso. Al\u00e9m disso, antes voc\u00ea s\u00f3 jogava no videogame ou no computador. Agora tem o celular para isso, e qualquer pessoa tem jogo no celular. As mulheres est\u00e3o jogando muito mais \u2013 elas sempre jogaram, mas sofriam com o estigma. Isso est\u00e1 acabando. Est\u00e1 tudo mudando muito, e \u00e9 preciso atingir todo mundo: tem que falar com crian\u00e7a e adulto, com jogos para smartphone e para o cara que vai passar horas na frente do console. O que me deixa feliz \u00e9 que hoje, apesar de poder brincar, eu consigo fazer um produto s\u00e9rio para quem me assiste. \u00c9 essa a principal diferen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o mercado brasileiro? Como ele evoluiu nesse tempo?<\/strong><br \/>\nMelhoramos bastante. Para quem produz games, tudo se barateou. As ferramentas s\u00e3o mais baratas. Ainda que seja um caminho distante, um desenvolvedor indie tem um caminho mais simples hoje. As ferramentas de produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o menores, a distribui\u00e7\u00e3o pode ser feita pela internet. Mesmo assim, o brasileiro que consegue lan\u00e7ar um jogo dentro da PSN [PlayStation Network, plataforma da Sony para venda de games] ou da Live [Xbox Live, similar da Microsoft] \u00e9 um her\u00f3i. Normalmente, \u00e9 uma equipe de at\u00e9 cinco caras, que fazem de tudo, numa baita correria, e acabam conseguindo&#8230; mas ainda estamos muito longe do que podemos ser. \u00c9 um absurdo, pensando no tamanho do Brasil e no nosso poder de compra, mas s\u00f3 agora a gente conseguiu se equiparar ao M\u00e9xico dentro do mercado de games. Algumas coisas precisam ser revistas, como o enquadramento de que um jogo entra como importa\u00e7\u00e3o no Brasil. Jogo \u00e9 arte, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 entretenimento puro. Devia ser importado como se importa um livro. Entretanto, quem manda nisso \u00e9 uma galera velha, que tem medo do novo e n\u00e3o conhece videogame.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acha que videogame \u00e9 coisa para crian\u00e7a.<\/strong><br \/>\nExato. Acha que videogame \u00e9 brinquedo, e por isso que videogame \u00e9 taxado como brinquedo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma das coisas que s\u00e3o ditas a respeito do sucesso do Castelo \u00e9 que os criadores do programa s\u00e3o de uma gera\u00e7\u00e3o que j\u00e1 cresceu vendo TV. Ser\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 isso o que vai acontecer com os games tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>\nVai. A gente v\u00ea isso no cinema americano. Quem manda em Hollywood hoje era a galera que cresceu nos anos 80, e \u00e9 por isso que a gente est\u00e1 vendo revival do \u201cTransformers\u201d, um monte de filmes da Marvel&#8230; a TV e a pol\u00edtica no Brasil, por\u00e9m, est\u00e3o na m\u00e3o de caras que pensam na d\u00e9cada de 40. A gera\u00e7\u00e3o que cresceu jogando sabe da import\u00e2ncia dos games, e dos usos que eles podem ter na medicina, na educa\u00e7\u00e3o, na capacita\u00e7\u00e3o profissional. Existe uma barreira de gera\u00e7\u00f5es. Mesmo assim, com todos esses problemas, n\u00f3s temos um mercado promissor. Igualamos o M\u00e9xico, temos a montagem dos principais consoles sendo feita dentro do Brasil, ainda que o pre\u00e7o seja absurdo&#8230; Caminhamos, mas precisa mudar muita coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cCastelo\u201d foi um programa que teve in\u00fameros produtos licenciados, e foi reprisado um sem-fim de vezes. Voc\u00ea recebeu alguma coisa de direitos autorais ou de imagem em cima disso?<\/strong><br \/>\nSim, mas foi algo t\u00e3o pequeno, t\u00e3o longe do justo \u2013 e n\u00e3o digo nem do que a gente gostaria, mas do que poderia ser justo. \u00c9 engra\u00e7ado: a Cultura tinha uma equipe t\u00e3o respons\u00e1vel, profissional e capaz fazendo o programa, mas n\u00e3o teve quando foi para a quest\u00e3o da marca Castelo. Dava para ver que n\u00e3o havia preparo, at\u00e9 pela qualidade de muitos dos produtos. As empresas que receberam esses licenciamentos n\u00e3o eram as tops do mercado, como o \u201cCastelo\u201d era algo top para a programa\u00e7\u00e3o infantil na TV. Quando n\u00f3s assinamos os contratos, que cediam os direitos para a Cultura, ningu\u00e9m tinha no\u00e7\u00e3o do sucesso que o programa ia ser. Entretanto, em nenhum lugar do mundo, se um programa \u00e9 veiculado, reprisado ou vendido para fora, as pessoas ficam t\u00e3o \u00e0 merc\u00ea de um contrato ruim. Para voc\u00ea ter uma ideia, a gente tinha que esperar juntar um ano remunerando para buscar algo que n\u00e3o chegaria a um sal\u00e1rio m\u00ednimo. Voc\u00ea pensava, \u201cpoxa, deve ter vendido bastante\u201d, mas n\u00e3o tinha como saber\u2026 No fim das contas, os maiores prejudicados fomos n\u00f3s, e o p\u00fablico tamb\u00e9m, que poderia ter acesso a produtos maravilhosos do \u201cCastelo\u201d, ou do \u201cMundo da Lua\u201d&#8230; j\u00e1 pensou, ter um gravador igual ao do Lucas Silva e Silva? Se fosse um projeto feito nos EUA, com certeza teria sido diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se voc\u00ea ganhou algum dinheiro com o \u201cCastelo\u201d, de onde veio esse dinheiro?<\/strong><br \/>\nSe teve alguma parte do \u201cCastelo\u201d que rendeu para n\u00f3s um pouco mais de grana, foi a pe\u00e7a. Viajamos o Pa\u00eds inteiro com ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26430\" title=\"castelo1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/castelo1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"485\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/castelo1.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/castelo1-300x242.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Imagino que voc\u00ea tenha sentido a repercuss\u00e3o do programa de in\u00fameras maneiras desde a estreia, mas parece que \u00e9 diferente quando acontece algo formal, institucionalizado, como <a href=\"http:\/\/www.mis-sp.org.br\/icox\/icox.php?mdl=mis&amp;op=programacao_interna&amp;id_event=1602\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00e9 a exposi\u00e7\u00e3o do MIS<\/a>. Como est\u00e1 sendo esse momento pra voc\u00ea, vendo o programa ser homenageado ao completar 20 anos de idade?<\/strong><br \/>\nAo longo de 20 anos, depois de j\u00e1 ter respondido as perguntas de todos os jornalistas, ter ouvido as maiores hist\u00f3rias do mundo e etc etc etc, a magia n\u00e3o se perdeu, mas o tom especial de tudo isso foi se diluindo ao longo dos anos. O que a gente est\u00e1 vendo agora \u00e9 um momento muito especial. Talvez a gente nunca ouviu falar tanto do \u201cCastelo\u201d quanto agora, porque calhou de estarmos comemorando 45 anos da Cultura e 20 anos do \u201cCastelo\u201d. \u201cP\u00f4, eu fiz o Castelo\u201d. Que outras pessoas podem dizer isso? Eu e aquela equipe, \u00e9 muito bacana e d\u00e1 um orgulho bem grande. \u00c9 o \u201cChaves\u201d brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea teve de lidar com a mem\u00f3ria do Pedro e do Lucas durante mais de 20 anos. Tem gente que te chama de Lucas Amaral? Em algum momento, voc\u00ea chegou a cansar dos dois e nunca mais querer falar sobre o assunto?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. As pessoas criam o estigma que voc\u00ea fica bravo se te chamam de Lucas ou algo do tipo. Na verdade, explico isso de um jeito simples: para muita gente, eu cresci ao lado delas, como um primo pr\u00f3ximo. O cara viu o Lucas, depois viu o Pedro, depois me via dar dicas de videogames&#8230; \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima. Se o cara me encontra na rua, ele fica emocionado, vem me abra\u00e7ar, porque ele me conhece h\u00e1 muito tempo. Mas eu nunca vi o cara mais gordo. Ele n\u00e3o \u00e9 meu primo (risos). O que acontece \u00e9 que as pessoas esperam que a minha rea\u00e7\u00e3o seja igual \u00e0 delas, e nunca vai ser. Por isso, as pessoas criam esse estigma, chamam de metido. Cara&#8230; eu n\u00e3o ia gostar de ser lembrado se eu fosse participante de reality show e tivesse feito alguma merda muito grande. N\u00e3o! Eu fiz o \u201cMundo da Lua\u201d e o \u201cCastelo\u201d, fa\u00e7o parte da hist\u00f3ria da TV brasileira. N\u00e3o d\u00e1 para n\u00e3o ter orgulho disso. Pode me chamar de Lucas, de Pedro, do que voc\u00ea quiser&#8230; (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Olhando para a televis\u00e3o brasileira hoje, daria para ter um programa com a mesma qualidade que o \u201cCastelo\u201d teve?<\/strong><br \/>\nAcho que sim, acho que sempre d\u00e1. Hoje, a TV a cabo \u00e9 quem manda na programa\u00e7\u00e3o infantil, a proibi\u00e7\u00e3o da publicidade infantil \u00e9 um entrave, mas existe um p\u00fablico muito carente desse tipo de programa. Voc\u00ea tem coisas sensacionais na TV por assinatura, mas na TV aberta n\u00e3o existe nada. E \u00e9 somente uma decis\u00e3o comercial, porque espa\u00e7o sempre tem. As pessoas querem assistir? N\u00e3o tenho d\u00favida de que querem ver um programa t\u00e3o bom quanto. N\u00e3o acho que um \u201cCastelo\u201d novo deva ser feito, ou um remake, mas sim um programa com aquela qualidade. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o complicada, porque no fim das contas, \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de dinheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cCastelo\u201d pode ser exibido hoje para uma crian\u00e7a que tem 4, 5 anos de idade? Ele \u00e9 capaz de contar sobre o mundo que ela vive?<\/strong><br \/>\nO \u201cCastelo\u201d tem suas limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, pela \u00e9poca em que foi feito. Hoje, essas limita\u00e7\u00f5es saltam aos olhos, mas, na \u00e9poca, o que foi feito ali era o melhor que existia. Isso talvez acabe incomodando uma crian\u00e7a mais nova, mas a ess\u00eancia do programa s\u00e3o assuntos inerentes a qualquer ser humano. N\u00e3o falar de internet n\u00e3o \u00e9 um problema, por exemplo, porque tem tantas outras coisas ali\u2026 tem uma cobra que fala. Isso j\u00e1 \u00e9 demais. N\u00e3o tem necessidade de falar de tecnologia dentro do contexto do programa \u2014 n\u00e3o tem internet, mas tem uma m\u00e1quina que divide e multiplica pessoas. A magia vai al\u00e9m do que \u00e9 a internet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26433\" title=\"luciano3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/luciano3.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>&#8211; Bruno Capelas (<\/span><a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas<\/a><span>) \u00e9 jornalista e assina o blog <\/span><a href=\"http:\/\/pergunteaopop.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pergunte ao Pop<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas as fotos s\u00e3o de  Bruno Capelas e o estudo de figurino foi cedido pelo figurinista do Castelo R\u00e1-Tim-Bum, Carlos  Alberto Gardin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211;&nbsp; Museu da Imagem e do Som de S\u00e3o Paulo prepara Mostra Legi\u00e3o Urbana (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/07\/17\/mis-prepara-mostra-legiao-urbana\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Bruno Capelas\nAl\u00e9m das mem\u00f3rias do Castelo Ra-Tim-Bum e do Mundo da Lua, o ator e hoje apresentador tamb\u00e9m fala sobre games\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/09\/05\/entrevista-luciano-amaral\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7497],"tags":[4193],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26426"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26426"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26426\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":62293,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26426\/revisions\/62293"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26426"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26426"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26426"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}