{"id":26303,"date":"2014-08-28T18:50:18","date_gmt":"2014-08-28T21:50:18","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=26303"},"modified":"2020-11-09T00:15:07","modified_gmt":"2020-11-09T03:15:07","slug":"cinema-mais-um-ano-mike-leigh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/08\/28\/cinema-mais-um-ano-mike-leigh\/","title":{"rendered":"Cinema: Um Ano Mais, Mike Leigh"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26304\" title=\"umanomais\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/umanomais.jpg\" alt=\"\" width=\"430\" height=\"626\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/umanomais.jpg 430w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/umanomais-206x300.jpg 206w\" sizes=\"(max-width: 430px) 100vw, 430px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estar sozinho \u00e9 sin\u00f4nimo de infelicidade? Aparentemente, o diretor ingl\u00eas Mike Leigh acredita que sim. \u201cUm Ano Mais\u201d (Another Year), filme de 2010 que s\u00f3 chega ao Brasil quatro anos depois de seu lan\u00e7amento, apresenta o casal Tom e Gerri (Jim Broadbent e Ruth Sheen) felizes ap\u00f3s mais de 30 anos de uni\u00e3o. Quem n\u00e3o parece estar feliz s\u00e3o as pessoas que habitualmente orbitam ao seu redor: seu filho Joe (Oliver Mallman), o amigo Ken (Peter Wight), o irm\u00e3o de Tom, Ronnie (David Bradley) e seu filho Carl (Martin Savage). E, mais que todos, Mary (Lesley Manville), colega de trabalho de Gerri.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora Tom e Gerri formem o eixo em torno do qual o filme gira, ningu\u00e9m \u00e9 mais protagonista do que Mary: divorciada, ela arrepende-se do passado, falseia o presente e fantasia o futuro. A todo tempo, a aus\u00eancia de um companheiro em sua vida \u00e9 uma sombra pesada que a arrasta para um abismo de parasitismo emocional em rela\u00e7\u00e3o ao casal central, e tamb\u00e9m numa espiral de depress\u00e3o infinita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filho Joe n\u00e3o \u00e9 um personagem t\u00e3o lament\u00e1vel, mas esconde sua solid\u00e3o como se fosse uma vergonha familiar. J\u00e1 o amigo Ken compensa sua vida s\u00f3 com doses abundantes de \u00e1lcool e comida, numa voracidade caricata. E Ronnie \u00e9 s\u00f3 mesmo sendo um homem casado e com um filho \u2013 o tamb\u00e9m solit\u00e1rio Carl.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sequ\u00eancia de eventos banais que o filme acompanha ao longo de um ano nos permite conhecer um pouco melhor essas pessoas. Sem pressa, Leigh nos mostra seus personagens preparando ch\u00e1s, participando de churrascos ou conversando no bar \u2013 ou seja, fazendo o que todo mundo faz. E a\u00ed podemos \u2013 n\u00f3s, espectadores \u2013 come\u00e7ar a ir um pouco al\u00e9m da casualidade simplista de &#8220;estar s\u00f3 \u00e9 estar triste&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26305\" title=\"umanomais2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/umanomais2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/umanomais2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/umanomais2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale, por exemplo, perguntar se a pretensa empatia de Gerri n\u00e3o alimenta a auto ilus\u00e3o predat\u00f3ria de Mary. E tamb\u00e9m n\u00e3o faz mal especular sobre as raz\u00f5es que levam Gerri, uma psic\u00f3loga especializada em depress\u00e3o, a ter sempre a seu redor pessoas sofridas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale tamb\u00e9m ver os rancores surgindo sob o verniz de simpatia e bom humor de Tom, quando uma morte na fam\u00edlia faz com que ele aja com uma firmeza que n\u00e3o se via antes disso. Ou ver como Ronnie \u00e9 capaz de empatia mesmo em seu momento mais triste. Ou&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sutilezas, segredos emocionais bem soterrados e apar\u00eancias que n\u00e3o enganam ningu\u00e9m: o realismo brutal (disfar\u00e7ado de banal) de Mike Leigh ati\u00e7a a imagina\u00e7\u00e3o e incomoda se voc\u00ea pensar que alguma daquelas pessoas pode ser voc\u00ea. \u00c9 verdade que algumas cenas se estendem alguns minutos al\u00e9m do necess\u00e1rio, como se Leigh tivesse prazer em esfregar na cara do espectador o constrangimento nosso de cada dia. Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que as atua\u00e7\u00f5es exageradas de Peter Wight e, principalmente, Lesley Manville dificultam a entrar no clima do filme e enxergar a tela como realidade \u2013 como est\u00e1 \u00e9 apenas dramaturgia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, dramaturgia contundente e provocante. Apesar de moralismos e vacilo em alguns di\u00e1logos, Leigh (tamb\u00e9m roteirista) prende o espectador na cadeira com o dia a dia de pessoas comuns. Talvez porque, ao contr\u00e1rio de reality shows, a hist\u00f3ria na tela seja veross\u00edmil. E talvez existam muitas Marys t\u00e3o hist\u00e9ricas e exageradas quanto a de Lesley Manville, e n\u00f3s simplesmente preferimos n\u00e3o crer nisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cUm Ano Mais\u201d \u00e9 um filme com falhas, \u00e0s vezes excruciante, mas bem-vindo e provocante. E se h\u00e1 as tais atua\u00e7\u00f5es desmedidas, h\u00e1 tamb\u00e9m Jim Broadbent e Ruth Sheen fazendo um trabalho not\u00e1vel na constru\u00e7\u00e3o de Tom e Gerri, bem como uma for\u00e7a imensa nos poucos minutos em que David Bradley aparece na tela. Certamente garante um p\u00f3s-cinema remoendo tudo o que foi habilmente sugerido nas falas, e principalmente nos sil\u00eancios, criados na tela. E mesmo que a inten\u00e7\u00e3o do diretor tenha sido fazer proselitismo da vida a dois, o filme vai te deixar pensando se isso \u00e9 mesmo t\u00e3o bom quanto parece ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/patxyyOZbNQ\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/patxyyOZbNQ\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>&#8211; <\/span><span>Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a><span>) no Scream &amp; Yel<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas\nEis um filme com falhas, \u00e0s vezes excruciante, mas bem-vindo e provocante. 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