{"id":26133,"date":"2014-08-06T22:36:12","date_gmt":"2014-08-07T01:36:12","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=26133"},"modified":"2025-03-16T22:56:16","modified_gmt":"2025-03-17T01:56:16","slug":"festivais-%c3%b8ya-festival-em-oslo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/08\/06\/festivais-%c3%b8ya-festival-em-oslo\/","title":{"rendered":"Ao vivo: National, QOTSA, Slowdive e Sharon Van Etten brilham no \u00d8ya Festival, em Oslo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto: Marcelo Costa<br \/>\nFotos: Liliane Callegari<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>DIA 1<\/strong><\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26134\" title=\"oslo2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo2.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem v\u00ea a grandiosidade atual do \u00d8ya Festival, em Oslo, n\u00e3o imagina que o maior festival da Noruega come\u00e7ou em 1999 com 1200 espectadores. No ano seguinte, o p\u00fablico pulou para 4 mil pessoas, em 2003 j\u00e1 somava 24 mil espectadores, em 2010 alcan\u00e7ava a marca de 85 mil pessoas no fim de semana (com os quatro dias alternando entre 20 e 25 mil pessoas, dependendo da atra\u00e7\u00e3o), n\u00famero que vem se mantendo desde ent\u00e3o. Esse p\u00fablico se divide em uma grande \u00e1rea que recebe (este ano) 96 atra\u00e7\u00f5es divididas em cinco palcos (um deles, uma tenda para apresenta\u00e7\u00f5es intimistas, debates e discuss\u00f5es sobre os rumos da m\u00fasica norueguesa).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26135\" title=\"oslo3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo3.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo3.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo3-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As atividades do festival n\u00e3o se restringem ao primeiro par\u00e1grafo, e muito menos ao ambiente do T\u00f8yen Park, no lado leste de Oslo: em todos os dias do festival, 23 casas noturnas da cidade recebem bandas norueguesas em seus palcos. A programa\u00e7\u00e3o para esta quarta-feira, por exemplo, vai do som minimal synthpop do Bl\u00e5, passando pelo folk de Janne Sea, pelo alternativo de Fay Wildhagen e pelo pop do Pow Pow at\u00e9 chegar ao hardcore do Haraball, o post metal do Kollwitz, o doom metal do Tombstones, o thrash do Condor e o kraut do Astro Sonic. Definitivamente, tem shows para todos os gostos (e, principalmente, bolsos).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26136\" title=\"oslo4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo4.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo4.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo4-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem n\u00e3o \u00e9 cidad\u00e3o escandinavo (nascido ou imigrante) pode levar um tremendo susto ao conferir os pre\u00e7os da regi\u00e3o, e olha que j\u00e1 existiram festivais brasileiros que conseguiram superar os R$ 900 do passe para os quatro dias do \u00d8ya Festival. A coisa fica feia no quesito bebida alco\u00f3lica, taxad\u00edssima na regi\u00e3o: um copo de chope na \u00e1rea do evento custa nada menos que R$ 30 \u2013 um hamb\u00farguer sai por R$ 35, um bald\u00e3o de pipoca por R$ 20, um prato de nachos por R$ 35 e um fish &amp; chips, R$ 40. As lojas de discos vendem vinis novos das atra\u00e7\u00f5es do festival com pre\u00e7os entre R$ 60 e R$ 80 e as camisetas oficiais custam, em m\u00e9dia, R$ 80.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26137\" title=\"oslo5\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo5.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo5.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo5-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O p\u00fablico \u00e9 o mais variado poss\u00edvel, e num primeiro momento surpreende a quantidade de pais de fam\u00edlia com filhos pequenos (de 1, 2 e 3 anos \u2013 todos com fones de prote\u00e7\u00e3o de ouvido \u2013 at\u00e9 moleques) presentes no recinto. O T\u00f8yen Park fica exatamente ao lado do Museu Munch (grande pintor noruegu\u00eas, respons\u00e1vel pelo quadro \u201cO Grito\u201d, de 1893, entre outros) e parece ter ca\u00eddo como uma luva para o festival, que mudou-se para c\u00e1 neste ano (a produ\u00e7\u00e3o precisou mudar o endere\u00e7o do festival ap\u00f3s 13 edi\u00e7\u00f5es no Medieval Park porque a \u00e1rea do metr\u00f4 que o atendia est\u00e1 em reconstru\u00e7\u00e3o, e isso prejudicaria o deslocamento do p\u00fablico).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26138\" title=\"oslo6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo6.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As atividades do Scream &amp; Yell no dia foram abertas pelo combo noruegu\u00eas Atlanter, que subiu ao palco acompanhado das compositoras Hanne Kolst\u00f8 e Anne Lise Fr\u00f8kedal, somando tr\u00eas guitarras no palco (e oito integrantes) e dando vida a um projeto que estreou ao vivo em fevereiro deste ano \u2013 e j\u00e1 ganhou um EP, \u201cTemple\u201d, lan\u00e7ado em junho. Ao vivo, a jun\u00e7\u00e3o de tr\u00eas nomes badalados da cena musical local soa mezzo kraut rock e mezzo progressivo (Yes do come\u00e7o) com vocais melodiosos (meio The Byrds), uma aparente salada sonora que, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, n\u00e3o soa indigesta. Nada de novo, mas, ainda assim, um bom show.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26139\" title=\"oslo7\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo7.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo7.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo7-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto isso, a tenda Biblioteket, um projeto resultante da parceria da Biblioteca P\u00fablica da cidade com duas casas de shows, recebia uma palestra de Benedikt e Kristoffer Momrak, dois ex-integrantes da banda Tusm\u00f8rke. Pelo que deu para (n\u00e3o) entender, o bate papo \u2013 que divertiu bastante a plateia e tinha como fundo o rock norte-americano dos anos 50 \u2013 era sobre ervas m\u00e1gicas do Jardim Bot\u00e2nico (ou alguma coisa muito doida nesse sentido). Do lado de fora, uma barraca vendia sorvete e sandu\u00edche de carne de alce desfiada. O dono, bastante solicito, n\u00e3o pestanejava em agradar o cliente: \u201cQuer um copo de leite?\u201d. J\u00e1 que \u00e9 de gra\u00e7a&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26140\" title=\"oslo8\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo8.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quer ver o Rival Sons, grupo de classic rock dos anos 70 nascido em 2009 em Long Beach? Venha para a Escandin\u00e1via no ver\u00e3o. Ano passado eles se apresentaram no Norweggian Wood, aqui mesmo em Oslo, e dessa vez foram escalados para o primeiro dia do \u00d8ya. Noruegueses ca\u00edram na farsa, e consta que brasileiros tamb\u00e9m, mas a banda \u00e9 datada, bocejante e mais apelativa no abuso dos clich\u00eas que qualquer Pearl Jam cover (ou melhor, Stone Temple Pilots cover) que j\u00e1 tenha pisado no palco do Caf\u00e9 Piu Piu, em S\u00e3o Paulo. Jay Buchanan, o vocalista, \u00e9 10 vezes mais afetado que Axl Rose&#8230; sem um cent\u00e9simo do talento. Tristeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26141\" title=\"oslo9\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo9.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No palco Vindfruen, exatamente ao lado do palco principal, o m\u00fasico norte-americano Jonathan Wilson tentava provar que todo o bl\u00e1 bl\u00e1 bl\u00e1 sobre seu \u00e1lbum \u201cFanfarre\u201d (2013) era digno, e n\u00e3o fruto de sua carteira de servi\u00e7os prestados no mundo pop (de produtor de \u00e1lbuns de Father John Misty e Dawes a participa\u00e7\u00f5es em \u00e1lbuns de Elvis Costello, Autumn Defense e Erykah Badu, entre muitos outros), e o que pode se dizer \u00e9 que ele sobrevive bem no palco, mas ainda precisa comer bastante sucrilhos para ser comparado a gente como Tom Petty, Graham Nash e Jackson Browne. Deixem o menino (de 39 anos) seguir em frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26142\" title=\"oslo10\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo10.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo10.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo10-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando no tempo, ali pelos idos de 2008, quando excursionava pela Europa divulgando o disco \u201cBoxer\u201d (2007), um excelente \u00e1lbum, ainda que uns dois degraus abaixo das obras primas \u201cAlligator\u201d (2005) e \u201cSad Songs for Dirty Lovers\u201d (2003), o The National era ent\u00e3o uma das melhores bandas no mundo sobre um palco. O epiteto n\u00e3o vale para os dias de hoje apenas porque o grupo de Matt Berninger colocou palet\u00f3 e gravata nos arranjos a partir de \u201cHigh Violet\u201d (2010), e as can\u00e7\u00f5es outrora \u00fanicas pareceram, desde ent\u00e3o, seguir uma f\u00f3rmula \u00f3bvia de \u201csil\u00eancio + explos\u00e3o\u201d que foi se desgastando com o tempo e perdendo brilho.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26143\" title=\"oslo11\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo11.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo11.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo11-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">D\u00f3i escrever isso, principalmente depois da aula de bom humor do obrigat\u00f3rio document\u00e1rio \u201cMistaken For Strangers\u201d (2013), mas seis m\u00fasicas de \u201cTrouble Will Find Me\u201d (2013) e quatro de \u201cHigh Violet\u201d num set list de 14 can\u00e7\u00f5es soam um erro descomunal (ainda que das quatro de \u201cHigh Violet\u201d, duas sejam as p\u00e9rolas &#8220;Bloodbuzz Ohio&#8221; e \u201cTerrible Love\u201d) num show que ainda depende da atua\u00e7\u00e3o arrepiante de Matt para ser salvo. \u00c9 ele quem pula no meio do p\u00fablico e canta \u201cMr. November\u201d carregando um garoto de uns 13 anos nas costas a can\u00e7\u00e3o inteira, e arrasa no vozeir\u00e3o entoando \u201cFake Empire\u201d. Por alguns minutos, parece 2008. Saudade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26144\" title=\"oslo12\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo12.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos shows mais esperados do dia (para os noruegueses) era o de Thomas Dybdahl, nome de bastante sucesso da m\u00fasica do pa\u00eds neste novo s\u00e9culo. J\u00e1 comparado com Nick Cave e Jeff Buckley, ao menos por este show pode-se dizer que as compara\u00e7\u00f5es s\u00e3o equivocadas e, principalmente, exageradas. Com boa vontade d\u00e1 para pintar o retrato de um James Taylor n\u00f3rdico breguinha da fazenda, e olhe l\u00e1. O p\u00fablico, por\u00e9m, cantou boa parte das can\u00e7\u00f5es de forma apaixonada e aprovou o show, que teve l\u00e1 alguns momentos interessantes embalados numa proposta feita e refeita um bom par de zilh\u00f5es de vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26145\" title=\"oslo13\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo13.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fechando o palco principal, a segunda passagem da turn\u00ea \u201c&#8230;Like Clockwork\u201d por Oslo (a primeira foi em dezembro de 2013) come\u00e7ou a 300 por hora com Michael Shuman disparando no baixo a linha inconfund\u00edvel de \u201cFeel Good Hit of the Summer\u201d. No tradicional break do meio da can\u00e7\u00e3o, em que a melodia vai sumindo, Josh Homme come\u00e7ou a cantar \u201cNever Let Me Down Again\u201d, do Depeche Mode, at\u00e9 puxar a fila de narc\u00f3ticos novamente: \u201cNicotine, Valium, Vicodin, marijuana, ecstasy and alcohol: Co-co-co-co-co-cocaine\u201d. Como num passe de m\u00e1gica, a liga\u00e7\u00e3o com \u201cThe Lost Art of Keeping a Secret\u201d, do \u00e1lbum \u201cRated R\u201d (2000), foi mantida. Festa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26146\" title=\"oslo14\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo14.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de come\u00e7ar a terceira, Josh avisou: \u201cEssa \u00e9 uma m\u00fasica bem velha\u201d. E \u201cAvon\u201d, do primeiro disco do Queens (1998), surgiu no set list para del\u00edrio dos f\u00e3s mais antigos. O show, dai em diante, foi absolutamente impec\u00e1vel. \u201cMy God Is the Sun\u201d, que estreou no Lolla Brasil de 2013, est\u00e1 ainda mais densa. \u201cI Sat by the Ocean\u201d perdeu um pouco de corpo e ganhou mais sujeira. Com Josh ao piano, \u201c\u2026Like Clockwork\u201d foi um dos momentos de destaque na noite. O empolgante coro da galera antes de come\u00e7ar \u201cBurn the Witch\u201d pegou Josh de surpresa, e o vocalista n\u00e3o resistiu e brindou ao p\u00fablico&#8230; com u\u00edsque (na terra do \u00e1lcool 4.7%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26147\" title=\"oslo15\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo15.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por duas vezes, Homme pediu: \u201cAcendam as luzes: quero olhar para voc\u00eas! Que noite linda, hein\u201d. O caminh\u00e3o de hinos n\u00e3o ficou de fora: \u201cMonsters in the Parasol\u201d, \u201cLittle Sister\u201d, \u201cMake It Wit Chu\u201d, \u201cSick, Sick, Sick\u201d, \u201cGo With the Flow\u201d e \u201cNo One Knows\u201d fizeram a festa dos 20 mil presentes, que puderam ver como Jon Theodore fez o som da banda crescer e ganhar inflex\u00f5es (s\u00f3 ele consegue fazer a bateria de \u201cNo One Knows\u201d, um momento m\u00e1gico de Dave Grohl, soar no palco como no disco). O respeito que o m\u00fasico conseguiu dentro da banda \u00e9 tamanho que o show termina com uma vers\u00e3o cacetada de \u201cA Song for the Dead\u201d, com direito a solo de bateria de Theodore, ap\u00f3s uma hora e meia de porrada. Impressionante. E perfeito. Que show.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>DIA 2<\/strong><\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26155\" title=\"oya1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo dia do \u00d8ya Festival come\u00e7ou bem cedo: \u00e0s 10h, a produ\u00e7\u00e3o do festival colocou toda a imprensa estrangeira em um barco e os enviou para uma casa comunit\u00e1ria pr\u00f3xima de um pequeno fiorde. Ali, em meio a churrasco (de salsicha), cerveja e frutas, o pessoal do \u00d8ya promoveu jogos e debates interessantes al\u00e9m de liberar a galera para pular na \u00e1gua. A comitiva francesa n\u00e3o decepcionou, os ingleses se divertiram (e divertiram a galera), os japoneses ficaram olhando, os suecos n\u00e3o pensaram duas vezes, os norte-americanos fizeram que n\u00e3o era com eles e apenas metade da equipe brasileira (a fot\u00f3grafa) encarou a \u00e1gua fria.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26156\" title=\"oya2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto isso, dentro da casa, uma mesa formada por quatro franceses (dois bookings, um representante de selo e uma representante de major) e mediada por uma norueguesa discutia os rumos futuros da nova m\u00fasica escandinava. O ponto de partida era o sucesso da m\u00fasica local na Fran\u00e7a, um pa\u00eds cuja lei determina que 40% do que toca em r\u00e1dio tem que ser cantado na l\u00edngua francesa. Muito se discutiu, e algumas coisas valem para o mercado brasileiro: o pessoal ressaltou a import\u00e2ncia das majors francesas investirem em novos talentos e, principalmente, das bandas encontrarem \u201csua fam\u00edlia\u201d, o seu verdadeiro p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26157\" title=\"oya3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya3.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 na \u00e1rea do festival, Bill Callahan (que come\u00e7ava aqui sua nova turn\u00ea europeia) surpreendia a todos ao abrir seu show com &#8220;The Wheel&#8221;, faixa de sua \u00f3tima estreia solo, \u201cWoke on a Whaleheart\u201d, de 2007, e emendar, para felicidade geral, com \u201cLet Me See the Colts\u201d, do \u00faltimo \u00e1lbum do Smog, \u201cA River Ain&#8217;t Too Much to Love\u201d (2004). \u201cSpring\u201d, do \u00f3timo \u201cDream River\u201d (2013) apareceu em vers\u00e3o mais encorpada (Callahan surgiu acompanhado de uma segunda guitarra, bateria e baixo) e o set list caprichado ainda trouxe \u201cJavelin Unlanding\u201d, \u201cSeagull\u201d, \u201cWinter Road\u201d e \u201cOne Fine Morning\u201d num belo show que lotou a grande tenda Sirkus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26158\" title=\"oya4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya4.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No palco principal, uma multid\u00e3o aguardava Janelle Mon\u00e1e, e quando um MC de sua banda a trouxe amarrada para o palco (todo decorado nas cores branco e preto), a galera foi ao del\u00edrio. A menina \u00e9 um estouro em cena: ela dan\u00e7a (muito), canta (bastante) e ainda faz alguns raps. Com o p\u00fablico nas m\u00e3os, distribui hits colados um nos outros, mantendo a adrenalina do p\u00fablico (muito maior neste hor\u00e1rio do que no dia anterior) em alta. Uma pena que a guitarra estivesse inaud\u00edvel (o baixo, por sua vez, parecia duas vezes mais alto do que o normal), mas ainda assim Janelle deixou o festival aplaudid\u00edssima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26159\" title=\"oya5\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya5.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um giro pelo festival permitiu descobrir o local em que as boas cervejas s\u00e3o vendidas: se o copo da Ringnes, a cerveja oficial do \u00d8ya (uma pilsen tradicional meio sem gra\u00e7a, mas que cai muito bem neste dia de sol de ver\u00e3o escandinavo), custa cerca de R$ 29, uma long neck de Brooklyn, Leffe ou Guinness sai por R$ 35. Melhor se hidratar com \u00e1gua, n\u00e9 mesmo. No quesito comida, hamb\u00fargueres, fish &amp; chips, tortilhas mexicanas, jambalaya e outros quitutes eram vendidos entre R$30 e R$ 40. Enquanto isso, o Little Dragon mostrava seu som gen\u00e9rico no palco Vindfruen e o Thulsa Doom fazia muito barulho por nada no palco Hagen.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26160\" title=\"oya6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya6.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Grande atra\u00e7\u00e3o do dia, e um dos principais nomes do line-up 2014 do \u00d8ya Festival (e uma das principais turn\u00eas do ano), o Outkast causou uma catarse coletiva no T\u00f8yen Park, com a lourada escandinava (de crian\u00e7as at\u00e9 senhoras) cantando e dan\u00e7ando hip hop como se tivesse nascido no Bronx. Ningu\u00e9m reclamou dos 25 minutos de atraso. Assim que o DJ (o palco ainda trazia uma baixista e duas backings) soltou a base de \u201cB.O.B.\u201d, Big Boi (de bermuda e camisa colorida) e Andre 3000 (de peruca cinza, todo de preto com uma camiseta onde se lia: \u201cLoners Get Lonely Too\u201d) adentraram o recinto e tomaram conta da festa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26161\" title=\"oya7\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya7.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya7.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya7-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a maior parte das can\u00e7\u00f5es na ponta da l\u00edngua, o p\u00fablico escandinavo n\u00e3o decepcionou acompanhando no gogo \u201cGasoline Dreams\u201d quase inteira e arremessando copos de cerveja (de R$ 30 \u2013 para n\u00f3s, brasileiros) para o alto. O clima seguiu quente m\u00fasica a m\u00fasica (o set list \u00e9 exatamente o mesmo em toda a turn\u00ea) culminando no j\u00e1 tradicional momento de \u201cHey Ya\u201d, em que dezenas de pessoas retiradas da plateia sobem ao palco para dan\u00e7ar com a dupla. O alto astral da apresenta\u00e7\u00e3o fez a arena do \u00d8ya Festival viver um momento especial, um daqueles shows com pinta de inesquec\u00edvel para o p\u00fablico local. Bonito de ver.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26191\" title=\"oya38\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya38.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>DIA 3<\/strong><\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Terceiro dia do \u00d8ya Festival e a sensa\u00e7\u00e3o em meio a maratona de shows \u00e9 de que, a cada dia que passa, o sol est\u00e1 mais pr\u00f3ximo da cidade \u2013 e consequentemente o festival. Se o p\u00fablico da quinta-feira (cujo headliner era Outkast) havia superado o do primeiro dia (com QOTSA \u00e0 frente), nesta sexta-feira o ambiente pareceu lotar apenas no come\u00e7o da noite, quando o sol deu um leve descanso. Ele s\u00f3 foi embora ali pelas 21h, e entre 16h e 17h estava em seu auge, castigando a pele branca da lourada e tornando as \u00e1reas de sombra bastante disputadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26170\" title=\"oya24\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya24.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya24.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya24-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o n\u00e3o foi s\u00f3 por ter substitu\u00eddo os brit\u00e2nicos do The Horrors (que cancelaram a vinda no meio da semana) na \u00faltima hora que o guitarrista sueco Robert Hurula (acompanhado de um quarteto barulhento) encontrou menos de 100 ovelhas pingadas na plateia do palco principal quando come\u00e7ou seu show, ainda debaixo de um sol digno do Rio no ver\u00e3o. Mesmo assim, o rapaz fez uma apresenta\u00e7\u00e3o pop noise na medida, uma cacetada seguida de outra, e a plateia foi se enchendo de curiosos conforme o bom show transcorria. Uma boa surpresa do dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26168\" title=\"oya22\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya22.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya22.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya22-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No palco ao lado, f\u00e3s j\u00e1 aguardavam pelo Neutral Milk Hotel meia hora antes do show come\u00e7ar (algo raro por estes lados), e quando Jeff Mangum entrou sozinho em cena e atacou de &#8220;Two-Headed Boy&#8221;, todos se beliscaram. \u201cThe Fool\u201d surgiu em seguida, j\u00e1 com a banda toda no palco, e a artilharia de punk folk descompromissado com jeit\u00e3o de fanfarra do interior tocou boa parte do cl\u00e1ssico \u201cIn the Aeroplane over the Sea\u201d (1998) com metais, serrote e bateria encobrindo o viol\u00e3o e a voz de Mangum em v\u00e1rios momentos at\u00e9 mais da metade do show, mas nem isso tirou a beleza de um dos shows mais importantes do ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26169\" title=\"oya23\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya23.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Defendendo a escala\u00e7\u00e3o (death) metal no dia mais importante para o estilo no festival, os franceses do Gojira empilharam uma dezena de amplis Marshalls no fundo do palco e sentaram o sarrafo sonoro na plateia com a galera do gargarejo jogando cabelos ao alto no p\u00f4r-do-sol. Com uma condu\u00e7\u00e3o mais seca e compassada do que acelerada, o baterista Mario Duplantier (destaque da banda) fazia com que seus dois bumbos despejassem socos no peito do p\u00fablico, um misto de f\u00e3s fieis do estilo, curiosos e muitas crian\u00e7as (algumas, inclusive, maquiadas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26171\" title=\"oya25\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya25.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois momentos especiais aconteceriam na mesma hora na terceira noite do \u00d8ya Festival: no palco principal, a cantora sueca Robyn iria se juntar ao duo noruegu\u00eas R\u00f8yksopp, e a turma da m\u00fasica eletr\u00f4nica escandinava estava em polvorosa. Robyn entrou mostrando carisma de palco e ginga (bastou uma rebolada pra galera enlouquecer). Torbj\u00f8rn Brundtland e Svein Berge vieram na sequencia e foram ovacionados pela plateia. O encontro dos dois artistas, no entanto, iria acontecer no terceiro bloco do show, que coincidiria com a entrada em cena do Mayhem na tenda Sirkus comemorando 30 anos de Black Metal. Partiu inferno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26172\" title=\"oya26\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya26.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naturais de Oslo e com uma hist\u00f3ria complicada marcada por dezenas de pol\u00eamicas (um dos vocalistas se matou, o baixista fotografou o cad\u00e1ver e colocou na capa de um disco; outro baixista esfaqueou 23 vezes um guitarrista \u2013 e foi condenado a 21 anos de pris\u00e3o pelo assassinato; isso tudo sem contar a participa\u00e7\u00e3o de integrantes no Inner Circle, grupo famoso por queimar mais de 100 igrejas no pa\u00eds), n\u00e3o deixa de ser surpreendente o Mayhem estar completando 30 anos na ativa, mesmo que com apenas dois integrantes da forma\u00e7\u00e3o original.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26173\" title=\"oya27\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya27.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya27.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya27-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os locais se dividem quanto \u00e0 banda. No mesmo momento em que mais de 15 mil pessoas dan\u00e7avam ao som de R\u00f8yksopp e Robyn, cerca de 2 mil \u201cadmiravam\u201d o palco do Mayhem, que mais parecia um a\u00e7ougue (com cabe\u00e7as de porco e costelas de boi em meio a cruzes invertidas) iluminado por velas. E nem todos os presentes eram f\u00e3s: \u201cEles s\u00e3o uns idiotas fodidos\u201d, comentou uma norueguesa. \u201cO som \u00e9 uma piada\u201d, completou. Pode ser uma piada, mas uma piada beeem pesada, at\u00e9 mesmo ela (que &#8220;prestigiou&#8221; o show) precisa reconhecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26174\" title=\"oya28\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya28.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o vocalista h\u00fangaro Attila Csihar \u00e0 frente (ap\u00f3s uma passagem pela banda no meio dos anos 90, Attila voltou ao posto em 2004, e permanece desde ent\u00e3o) cantando abra\u00e7ado a uma cabe\u00e7a de caveira, o quarteto instrumental come\u00e7ou o massacre sonoro com a condu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida do baterista Hellhammer passando como um trator sobre os presentes \u2013 muitos deles, crian\u00e7as acompanhadas dos pais \u2013 mostrando que, 30 anos depois, o Mayhem segue firme como uma banda poderosa, barulhenta e demon\u00edaca ao vivo. Am\u00e9m.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>DIA 4<\/strong><\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26183\" title=\"oya30\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya30.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya30.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya30-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00faltimo dia do \u00d8ya Festival 2014, um s\u00e1bado, Oslo amanheceu nublada e com jeit\u00e3o de chuva. Deve ter sido por isso e, tamb\u00e9m, pela escala\u00e7\u00e3o mais fraca, que o quarto dia do festival tenha sido o que recebeu menos p\u00fablico. Na noite de abertura, Queens of The Stone Age levou uma \u00f3tima plateia ao T\u00f8yen Park; Outkast foi respons\u00e1vel na noite seguinte por garantir o maior p\u00fablico ao festival neste ano; a terceira, com dois eventos locais (o show de 30 anos do Mayhem mais o encontro entre R\u00f8yksopp e Robyn), n\u00e3o decepcionou, enquanto a noite de encerramento, com Brian Ferry e Todd Terje, ficou aqu\u00e9m da media do festival.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26184\" title=\"oya31\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya31.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Focado nas mulheres (ao menos no come\u00e7o), o s\u00e1bado foi aberto com um bom show de Nadine Shah mostrando as can\u00e7\u00f5es de \u201cLove Your Dum and Mad\u201d (2013), que lhe valeram compara\u00e7\u00f5es (inevit\u00e1veis) com PJ Harvey. No mesmo palco, logo depois, a jovem Aurora Aksnes mostrou que pode existir muita melancolia na vida de uma garota norueguesa de 17 anos. Aposta do \u00d8ya Festival em 2014, a cantora de Bergen, que ainda n\u00e3o tem nem disco lan\u00e7ado, foi uma surpresa agrad\u00e1vel do palco Vindfruen, com gestual que lembra Lorde e uma postura inquieta no palco que remete a Tori Amos dos primeiros anos. Vale acompanha-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26185\" title=\"oya32\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya32.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 que o assunto \u00e9 melancolia, a delicadeza cristalina e deliciosamente desajeitada de Sharon Van Etten combinou perfeitamente com a tarde nublada de Oslo. De cabelos curtos e toda vestida de preto, Sharon abriu o show com tr\u00eas (belas) can\u00e7\u00f5es de seu rec\u00e9m-lan\u00e7ado quarto disco, \u201cAre We There\u201d \u2013 &#8220;Afraid of Nothing&#8221;, &#8220;Taking Chances&#8221; e &#8220;Tarifa&#8221; \u2013, mostrou velhas can\u00e7\u00f5es (\u201cEssa \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o folk mais antiga\u201d, disse ao apresentar \u201cSave Yourself\u201d, de seu segundo \u00e1lbum, \u201cepic\u201d, de 2010), e, antes de tocar \u201cYou Love is Killing Me\u201d, avisou: \u201cEssa \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o de amor: n\u00e3o chorem\u201d. Para fechar, a bela \u201cEvery Time The Sun Comes Up\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26186\" title=\"oya33\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya33.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya33.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya33-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No palco Hagen, vestindo uma camiseta com uma estampa de Elton John, Mac DeMarco se divertia muito numa jam session de uns 15 minutos na passagem de som, com apenas o retorno de palco levando uma galera para a grade. Quando foi autorizado a come\u00e7ar a apresenta\u00e7\u00e3o, avisou: \u201cAgora vamos tocar de verdade\u201d. E seguiu-se um indie rock desafinado e divertido. Cada can\u00e7\u00e3o vinha com uma historinha introdut\u00f3ria: \u201cEssa eu fiz para um amigo\u201d&#8230; e assim se seguiram \u201cSalad Days\u201d, \u201cBlue Boy\u201d, \u201cCooking Up Something Good\u201d e \u201cChamber of Reflection\u201d culminando num stage dive (proibido no festival). Ponto para o canadense.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26187\" title=\"oya34\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya34.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya34.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya34-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na tenda Sirkus, um redivivo Slowdive fez os apaixonados por guitarras altas flutuarem no ar. \u201cSlowdive\u201d, a m\u00fasica, abriu a noite, com o vocal de Rachel Goswell (de vestido preto) sendo encoberto pelos riffs de Neil Halstead (bancando o modelo fazendeiro) e Christian Savill. A lisergia instrumental seguiu-se com as explos\u00f5es clim\u00e1ticas de \u201cAvalyn\u201d, \u201cCatch the Breeze\u201d e \u201cAlison\u201d. A cena em \u201cMachine Gun\u201d foi id\u00edlica: o pau comendo entre bateria, baixo e as duas guitarras, e Rachel no centro do palco tocando pandeiro inabal\u00e1vel, curtindo o momento, como se tivesse esperado a vida inteira por toda aquela microfonia. Rolou at\u00e9 declara\u00e7\u00e3o de amor no gargarejo num dos melhores e mais aplaudidos shows do festival.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26188\" title=\"oya35\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya35.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No palco principal (e j\u00e1 debaixo de chuva), Bryan Ferry posava de membro de sua pr\u00f3pria banda, tocando teclados na lateral esquerda do palco enquanto a baterista Cherisse Osei dava um show. O repert\u00f3rio, caprichad\u00edssimo, trouxe n\u00fameros do Roxy Music (da abertura com &#8220;Re-Make\/Re-Model\u201d passando por \u201cStronger Through the Years\u201d, \u201cAvalon\u201d e \u201cVirginia Plain\u201d), cl\u00e1ssicos da carreira solo (o cavalo de batalha \u201cSlave To Love\u201d foi a terceira da noite) e um cover de John Lennon, \u201cJealous Guy\u201d, encerrando de forma especial um grande show, prejudicado por S\u00e3o Pedro, mas valorizado por uma banda excelente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26189\" title=\"oya36\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya36.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya36.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya36-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda deu pra ver um peda\u00e7o do show do Todd Terje encerrando a noite no T\u00f8yen Park (sim, rolou &#8220;Johnny and Mary&#8221; com Brian Ferry) e havia Boogarins numa casa noturna, mas a equa\u00e7\u00e3o \u201cquatro dias de festival\u201d + \u201cchuva\u201d + \u201carrumar quatro malas\u201d + \u201cacordar \u00e0s 7h da manh\u00e3 para voar para Amsterdam\u201d cobrou seu pre\u00e7o. O saldo final, no entanto, foi extremamente positivo. O \u00d8ya Festival parece ter encontrado um formato e trabalha dentro dele da melhor maneira poss\u00edvel. A organiza\u00e7\u00e3o cuidadosa do line-up, com shows pontuais come\u00e7ando exatamente quando o do palco ao lado encerra, \u00e9 um dos pontos altos de um evento que coloca a m\u00fasica norueguesa lado a lado com o melhor que o mundo tem a oferecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26190\" title=\"oya37\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oya37.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mudan\u00e7a acertada para o T\u00f8yen Park, devido \u00e0 reforma da esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 que atende ao local anterior do festival, mostra a preocupa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o com a viabilidade de chegada dos frequentadores, e merece aplausos. Ainda que seja assustador para bolsos latino-americanos no quesito comida (no qual o primeiro dia do Lollapalooza Brasil saiu ganhando em termos de qualidade) e, principalmente, bebida (um copo de cerveja = R$ 30), o \u00d8ya Festival \u00e9 um festival irrepreens\u00edvel que oferece tudo aquilo que um f\u00e3 de boa m\u00fasica necessita para aproveitar ao m\u00e1ximo a experi\u00eancia de quatro dias de m\u00fasica em quase 100 shows. Que o modelo perdure e inspire festivais ao redor do mundo: esses sabem fazer um festival de m\u00fasica de qualidade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-26147\" title=\"oslo15\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/oslo16.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"404\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a><br \/>\n&#8211; Liliane Callegari (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/licallegari\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@licallegari<\/a>) \u00e9 arquiteta e fot\u00f3grafa. Veja mais fotos do festival <a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/sets\/72157646088109354\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nOs destaques de um dos grandes festivais da Escandin\u00e1via, que neste ano recebeu QOTSA, Outkast, National e muito mais\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/08\/06\/festivais-%c3%b8ya-festival-em-oslo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26133"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26133"}],"version-history":[{"count":34,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26133\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":88186,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26133\/revisions\/88186"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}