{"id":25870,"date":"2014-07-14T23:45:36","date_gmt":"2014-07-15T02:45:36","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=25870"},"modified":"2020-08-27T23:09:31","modified_gmt":"2020-08-28T02:09:31","slug":"entrevista-fernanda-takai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/07\/14\/entrevista-fernanda-takai\/","title":{"rendered":"Entrevista: Fernanda Takai"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-25871\" title=\"takai1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/takai1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"899\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fim de tarde de uma ter\u00e7a-feira quente em Belo Horizonte. Em um est\u00fadio fotogr\u00e1fico no bairro de Lourdes, Fernanda Takai veste o \u00faltimo figurino de uma sess\u00e3o de fotos e o clima no local \u00e9 descontra\u00eddo e animado. Terminado o trabalho, Fernanda conversa com a equipe de produ\u00e7\u00e3o, autografa CDs e tira fotos que v\u00e3o ser postadas em seguida numa rede social. Depois se ajeita numa sala, passa manteiga no p\u00e3o quentinho que acabou de chegar da padaria, e avisa \u201cA minha arma \u00e9 o bom humor\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem acompanha a carreira dessa amapaense (o sotaque mineiro indisfar\u00e7\u00e1vel deve enganar muitos) que escolheu Belo Horizonte para morar n\u00e3o deve se surpreender com a declara\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que Fernanda sempre atendeu f\u00e3s com sorriso no rosto, e tenta evitar embates, principalmente na internet. \u201cA opini\u00e3o das pessoas est\u00e1 mais vis\u00edvel hoje e todo mundo acha que tem o direito de falar sobre qualquer coisa\u201d, ela observa. \u201cQual a sa\u00edda? Ter bom humor, eu acho. E di\u00e1logo. Quando voc\u00ea responde de forma educada, a pessoa se surpreende\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, na fase atual de sua vida, Fernanda Takai parece mais \u00e0 vontade para exibir suas opini\u00f5es e ir atr\u00e1s das coisas que deseja. No Pato Fu, banda que integra desde 1992, reina a democracia. \u201cA gente vota tudo. Do repert\u00f3rio ao som no est\u00fadio\u201d, conta. No disco que gravou ao lado de Andy Summers, do The Police, ela era convidada. \u201cEra um disco mais dele. N\u00e3o trabalhei os arranjos, n\u00e3o dava muito palpite\u201d, relembra. \u201cE eu queria mostrar o meu jeito de fazer disco, gostaria de fazer de novo as minhas escolhas\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rec\u00e9m-lan\u00e7ado \u201cNa Medida do Imposs\u00edvel\u201d, seu segundo \u00e1lbum solo de est\u00fadio, \u00e9 fruto deste desejo e traz Fernanda cercada de convidados (Pitty, Z\u00e9lia Duncan, Marina, Samuel Rosa, Padre Fabio de Melo) e cantando um repert\u00f3rio que lan\u00e7a luz sobre \u201cjoias esquecidas\u201d de Leno &amp; Lilian, Marcelo Bonf\u00e1 e Reginaldo Rossi ao lado de vers\u00f5es em portugu\u00eas para can\u00e7\u00f5es de Julieta Venegas, George Michael e Yann Tiersen, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da s\u00e9rie parcerias inusitadas, uma can\u00e7\u00e3o de \u201cNa Medida do Imposs\u00edvel\u201d une Fernanda Takai com o Padre F\u00e1bio de Melo e o produtor Toshiyuki Yasuda, e lhe custou alguns unfollows em redes sociais. \u201cFicou parecendo uma trilha de joguinho\u201d, ela conta. \u201cMas tem gente que nem escuta e j\u00e1 acha ruim, s\u00f3 porque \u00e9 um padre\u201d, lamenta. A can\u00e7\u00e3o escolhida foi \u201cAmar como Jesus Amou\u201d, sucesso do Padre Zezinho, primeiro grande padre cantor brasileiro, que Fernanda aprendeu a tocar ainda quando estava na escola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conversa se direciona para o momento pol\u00edtico do pa\u00eds, e Fernanda se mostra bastante \u00e0 vontade ao elogiar o governo da \u201cpresidenta\u201d Dilma e justificar sua presen\u00e7a em uma campanha televisiva de um instituto do governo mineiro, atos que s\u00e3o frutos desta nova fase de sua vida: \u201cEssa tomada de posi\u00e7\u00e3o \u00e9 recente, porque estou solo\u201d, avisa. \u201cPor que n\u00e3o usar a minha pessoa para falar de coisas em que acredito? Demorei muito tempo para fazer isso\u201d. Com voc\u00eas, Fernanda Takai.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/IF-4K0z_eZI\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/IF-4K0z_eZI\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As pessoas n\u00e3o costumam pensar na vida do artista na estrada&#8230; essa coisa de ter que levar ferro para passar a roupa&#8230;<\/strong><br \/>\nTem que levar! \u00c9 isso ou voc\u00ea viaja como o Lulu Santos, que \u00e9 um exemplo extremo, j\u00e1 que ele viaja com seu pr\u00f3prio camareiro, n\u00e9. Ent\u00e3o ele leva todas as roupas que quer e o camareiro passa na hora que ele deseja. Mas a gente que \u00e9 meio indie (risos) passa a pr\u00f3pria roupa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tem o seu kit de sobreviv\u00eancia na estrada?<\/strong><br \/>\nSim, \u00e9 aquele kit de hotel. Eu sempre levo um, porque a gente gasta mesmo. Sai bot\u00e3o, abre um buraquinho na saia, a gente tem que arrumar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quantos shows voc\u00ea fez da turn\u00ea do \u201cLuz Negra\u201d?<\/strong><br \/>\nMuitos! Eu fiquei tr\u00eas anos viajando. Muita coisa mesmo. Acho que mais de 100 shows.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E do \u201cNa Medida do Imposs\u00edvel\u201d, j\u00e1 h\u00e1 planos?<\/strong><br \/>\nVamos come\u00e7ar a fazer show desse disco s\u00f3 no segundo semestre (p\u00f3s Copa). Claro que se surgir propostas antes, vamos adiantar, mas acho dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E mesmo os festivais j\u00e1 est\u00e3o todos com a agenda praticamente fechada&#8230;<\/strong><br \/>\nMas fazer festival com esse tipo de projeto, antes das pessoas conhecerem (o disco), n\u00e3o \u00e9 bom n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Teria que fazer um show h\u00edbrido&#8230;<\/strong><br \/>\nEu queria fazer como fiz com o \u201cOnde Brilhem os Olhos Seus\u201d e o \u201cLuz Negra\u201d, que quando fui para a estrada, os discos j\u00e1 eram muito conhecidos. J\u00e1 tinham vendido muito e tocado em r\u00e1dio. Eu j\u00e1 lancei um clipe (do disco novo), j\u00e1 lancei outra m\u00fasica e estamos escolhendo um single agora. Provavelmente a gente lance outro clipe com algumas coisas que a gente filmou \u2013 estamos montando esse quebra-cabe\u00e7a. Quero que ele fique bastante conhecido quando eu for para a estrada, porque quero tocar ele quase todo (nos shows).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No show do Audit\u00f3rio Ibirapuera em outubro de 2013, voc\u00ea tocou com uma banda nova, sem o John. A forma\u00e7\u00e3o ser\u00e1 essa mesma?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o sei ainda! Voc\u00ea se lembra da minha banda anterior? A Mari\u00e1 Portugal est\u00e1 tocando com o Arrigo Barnab\u00e9 e tamb\u00e9m com uma companhia de dan\u00e7a, afinal ela \u00e9 artista. E nesse momento acho que preciso de m\u00fasicos, n\u00e3o artistas que tenham trabalho pr\u00f3prio, sabe. Cheguei a essa conclus\u00e3o h\u00e1 pouco tempo. Ent\u00e3o estou formando a banda, e s\u00f3 sei que quem deve ficar comigo por enquanto \u00e9 o Lulu Camargo. Porque ele gravou o disco comigo e \u00e9 um cara que s\u00f3 toca no Pato Fu. \u00c9 o \u00fanico fixo. J\u00e1 o John eu n\u00e3o sei&#8230; Na outra turn\u00ea eu viajei demais e a Nina ficou muito sozinha. N\u00e3o queria que ela ficasse t\u00e3o sozinha quanto nas turn\u00eas do \u201cM\u00fasica de Brinquedo\u201d e no meu disco. Conversamos e acho que ele ir\u00e1 fazer alguns shows mais importantes, mas devemos ter outra pessoa. Estou justamente vendo um monte de gente tocar, nos \u00faltimos dias, para escolher a banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As duas primeiras m\u00fasicas que sa\u00edram foram a parceria com a Pitty (\u201cSeu Tipo\u201d) e a do Cholly (\u201cYou and Me and The Bright Blue Sky\u201d)&#8230;<\/strong><br \/>\nVoc\u00ea conhecia? O Cholly \u00e9 uma figura muito conhecida no Sul, produtor, d\u00e1 aula na Unisinos&#8230; Essa m\u00fasica s\u00f3 tinha feito parte de um projeto dele chamado Vira Lata, e um canadense j\u00e1 tinha a gravado \u2013 eu tinha gravado outra m\u00fasica do Cholly (\u201cBackyard\u201d), mas quando ouvi \u201cYou and Me and The Bright Blue Sky\u201d pensei: Eu queria ter gravado essa! Tentei encaixar no Pato Fu, e n\u00e3o deu. O \u201cOnde Brilhem Os Olhos Seus\u201d era um disco dedicado a Nara, e n\u00e3o cabia. No \u201cLuz Negra\u201d eu coloquei mais can\u00e7\u00f5es conhecidas, e surgiu a oportunidade de gravar agora. \u00c9 a \u00fanica m\u00fasica em ingl\u00eas do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma das coisas que me deixou surpreso \u00e9 que a expectativa minha (e de muita gente) era que \u201cNa Medida do Imposs\u00edvel\u201d fosse um disco de in\u00e9ditas, e isso pareceu refor\u00e7ado com as duas primeiras m\u00fasicas, mas comecei a ouvir o disco e&#8230; perai, essa \u00e9 uma m\u00fasica da Julieta Venegas, aqui \u00e9 Benito di Paula&#8230;<\/strong><br \/>\nNo Pato Fu \u00e9 assim. H\u00e1 muita vers\u00e3o nos discos da banda. \u00c9 uma coisa normal pra mim. Quando comecei a pensar no disco, cheguei a conclus\u00e3o: claro, quero colocar o meu lado compositora, mas h\u00e1 muita m\u00fasica que eu quero gravar, que nunca gravei. Algumas s\u00e3o muito famosas, outras j\u00e1 foram famosas e hoje est\u00e3o completamente esquecidas e m\u00fasicas com a do Cholly, que praticamente ningu\u00e9m conhecia \u2013 talvez s\u00f3 quem more em Porto Alegre. O \u201cNa Medida do Imposs\u00edvel\u201d tem um ineditismo, sabe. Mesmo que seja uma can\u00e7\u00e3o do&#8230; Benito di Paula.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, que os jovens, a molecada, n\u00e3o conhecem&#8230;<\/strong><br \/>\nN\u00e3o conhecem! E s\u00e3o coisas que eu ouvia em casa, com meu pai. Dele as pessoas v\u00e3o conhecer \u201cMeu Amigo Charlie\u201d&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que \u00e9 seu grande hit&#8230;<\/strong><br \/>\nE eu n\u00e3o queria fazer isso, gravar a mais conhecida. Porque muita gente j\u00e1 fez isso. Eu nunca quero fazer a mesma coisa que outras pessoas fizeram, e mesmo que eu fa\u00e7a, eu tento ser um pouco diferente. No caso do Benito, dessa m\u00fasica em especial (\u201cComo Dizia o Mestre\u201d), acho que ela nunca havia sido regravada por nenhuma mulher, e \u00e9 uma m\u00fasica feita para uma mulher cantar. As escolhas foram mais ou menos assim, sabe. Ou porque ouvi bastante (tal m\u00fasica) ou porque achava que o interprete \/ autor era uma joia esquecida. \u201cMon Amour, Meu Bem, Ma Femme\u201d, do Reginaldo Rossi, eu j\u00e1 tinha cantado h\u00e1 muito tempo com a Z\u00e9lia Duncan em Recife. Ela j\u00e1 estava gravada (acho que a Z\u00e9lia gravou a parte dela dia 30 de setembro de 2013) h\u00e1 muito tempo, e a gente queria fazer surpresa, n\u00e9. S\u00f3 que ele foi ficando doente&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m desses tem Yann Tiersen&#8230;<\/strong><br \/>\nEssa vers\u00e3o \u00e9 da Zelia. Quem me apresentou essa m\u00fasica (\u201cMary\u201d, vertida para \u201cDepois Que o Sol Brilhar\u201d) foi o Luiz Ferr\u00e9, diretor que fez o meu clipe de \u201cInsensatez\u201d. Ele me deu um document\u00e1rio do Yann Tiersen em 2010, e tinha essa m\u00fasica com a Elizabeth Fraser, do Cocteau Twins, cantando. Achei a m\u00fasica linda e fiquei com vontade de fazer uma vers\u00e3o dela. A Z\u00e9lia faz vers\u00f5es muito bem de m\u00fasica francesa. E ela se apaixonou pela m\u00fasica tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E a m\u00fasica do Marcelo Bonfa? Essa foi uma surpresa para mim&#8230;<\/strong><br \/>\nEsse disco, \u201cO Barco Al\u00e9m do Sol\u201d, tem coisas muito boas. Tem uma m\u00fasica dele e do Jean (ela cantarola \u201cUm Dia Pra N\u00f3s Dois\u201d) que eu quase gravei, mas escolhi \u201cDe Um Jeito ou De Outro\u201d porque eu queria fazer uma coisa bem anos 80, New Order, eu j\u00e1 tinha ideia do arranjo \u2013 apesar da bateria ser tocada. Eu gosto desse disco do Bonf\u00e1. Acho que ele tem a voz bonita.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/OprMsRlHFBE\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/OprMsRlHFBE\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>George Michael \u00e9 coisa sua, n\u00e9 (risos)<\/strong><br \/>\nO dueto dele com Paul McCartney nessa m\u00fasica (\u201cHeal The Pain\u201d) \u00e9 maravilhoso.  E tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 \u201cFaith\u201d ou \u201cFather Figure\u201d, \u00e9 \u201cHeal The Pain\u201d, que \u00e9 para iniciados. John fez uma vers\u00e3o que, para mim, \u00e9 perfeita. Ent\u00e3o fiquei pensando: quem seria uma voz pop, legal, para dialogar comigo nessa can\u00e7\u00e3o? Samuel Rosa! Falei com ele e mandei a m\u00fasica, a vers\u00e3o com o Paul, e ele: P\u00f4, mas \u00e9 o Paul (risos). E eu: \u00e9 um elogio, n\u00e9. E ele riu (risos). Ele estava super atribulado, tinha sido convidado pelo Santana e estava gravando disco novo do Skank. Perguntei que dia ele podia: 23 de dezembro. Foi quando ele gravou. Foi a \u00faltima voz do disco todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 tinham trabalhado juntos?<\/strong><br \/>\nA gente fez turn\u00ea juntos, mas eu nunca tinha cantado com ele. E a gente acertou muito chamando ele. Sua voz \u00e9 muito representativa. N\u00e3o h\u00e1 quem cante igual ele, ele toca guitarra bem. \u00c9 uma figura super pop, no melhor sentido da m\u00fasica pop. E eu gosto muito disso, dessa coisa pop que eles fazem, com letras boas, e can\u00e7\u00f5es que emplacaram novela, AM, FM e elevador (risos). Tinha que ser ele mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Senti muito esse vi\u00e9s pop no disco. At\u00e9 na m\u00fasica do Yann Tiersen, a Z\u00e9lia tirou a parte tr\u00e1gica da letra e o arranjo traz uma leveza que a vers\u00e3o original n\u00e3o tem, porque ela \u00e9 mais dram\u00e1tica. Ent\u00e3o o disco tem o padr\u00e3o pop, at\u00e9 de produ\u00e7\u00e3o do John, que remete ao \u201cOnde Brilhem os Olhos Seus\u201d e ao \u201cLuz Negra\u201d.<\/strong><br \/>\nS\u00f3 que ele \u00e9 mais banda. O \u201cOnde Brilhem Os Olhos Seus\u201d somos s\u00f3 eu, Lulu Camargo e John.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando no tempo, lembro quando voc\u00ea falava que s\u00f3 sairia em carreira solo quando o Pato Fu n\u00e3o te representasse mais, e c\u00e1 estamos, sete anos depois, terceiro disco solo&#8230;<\/strong><br \/>\nE gravando minhas m\u00fasicas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea se descobriu artista solo? Como foi pra voc\u00ea aceitar a carreira solo?<\/strong><br \/>\nPrimeiro: eu gostei muito da experi\u00eancia porque deu muito certo. E eu vi que algumas escolhas que fiz encontraram eco nas pessoas. Desde o p\u00fablico primeiro (minha m\u00e3e), \u00e0 imprensa, \u00e0 plateia de teatro, de festival, de escola. Das fotos que eu tinha escolhido at\u00e9 a pessoa que fez a capa&#8230; acho que confiei mais em mim. Nesse meio tempo fiz um disco com Andy Summers, que \u00e9 um disco mais dele, porque fiz algumas vers\u00f5es e cantei, mas a est\u00e9tica sonora que eu fa\u00e7o \u00e9 muito mais moderna do que a que aquele disco representa. Mas era um disco que eu tinha sido convidada e participei at\u00e9 determinado lugar. N\u00e3o trabalhei os arranjos, n\u00e3o dava muito palpite, porque j\u00e1 estava tudo pronto. Ent\u00e3o pensei assim: gostaria de fazer de novo as minhas escolhas. Num disco do Pato Fu eu fa\u00e7o algumas escolhas, mas \u00e9 uma democracia. A gente vota. Do repert\u00f3rio ao som no est\u00fadio. E eu queria mostrar o meu jeito de fazer disco, com as minhas m\u00fasicas tamb\u00e9m, mas sem deixar de lado as m\u00fasicas dos outros que fazem parte importante do todo. Por exemplo: eu n\u00e3o consigo fazer um show s\u00f3 com as m\u00fasicas novas. Poderia fazer, conceitualmente, mas como p\u00fablico eu espero uma hora em que apare\u00e7a \u201caquela m\u00fasica\u201d&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A s\u00edndrome de Robert Smith, que faz shows de tr\u00eas horas e meia tocando quase tudo porque ele sabe que as pessoas querem ouvir \u201caquela m\u00fasica\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\nMas eu gosto de show curto! No m\u00e1ximo uma hora e vinte. Tento pensar no lado plateia, sabe. E esse disco tem essa coisa agregadora. Tem a Pitty, tem a Marina Lima&#8230; Trabalhar com essas pessoas e fazer acontecer foi o meu desafio dentro do prazo que me deram. A Marina&#8230; faz uns 10 anos que a gente planeja fazer algo junto. \u201cVamos fazer? Vamos fazer\u201d. Dessa vez vi um show dela e depois falei: \u201cMarina, vamos fazer uma m\u00fasica na semana que vem\u201d. E ela: \u201cBeleza\u201d, e ficou rindo (risos). Peguei uns versos que o Clim\u00e9rio Ferreira, de Bras\u00edlia, me mandou (ele sempre me manda coisas) e pedi para mexer em alguns, e ele: \u201cPode fazer o que quiser\u201d. Achei \u00f3timo, tem poeta que n\u00e3o aceita. \u201cOs meus poemicros s\u00e3o intercambi\u00e1veis. Voc\u00ea pode fazer o que voc\u00ea quiser\u201d, ele me disse. Mandei para a Marina, e ela achou lindo, e sugeri costurarmos isso juntas numa m\u00fasica. E ela \u00e9 muito boa nisso, muito inteligente. Fiz uma harmonia, uma melodia e mandei pra ela alguns peda\u00e7os, e ela rabiscou algumas coisas. Depois fui a casa dela, pouqu\u00edssimo tempo depois, e finalizamos juntas, com dois viol\u00f5es at\u00e9 sair. Foi uma das primeiras m\u00fasicas, \u201cQuase Desatento\u201d. \u00c9 uma m\u00fasica que fala de uma pessoa que funciona mais afastada do que no meio de uma multid\u00e3o. E eu tive que ficar em cima de todo mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Padre F\u00e1bio, por exemplo&#8230;<\/strong><br \/>\nO cara faz mais turn\u00ea do que a gente (risos). Falei com ele dessa m\u00fasica do Padre Zezinho, que eu tocava no viol\u00e3o, e \u00e9 muito conhecida para certa gera\u00e7\u00e3o. \u201cEle vai ficar muito feliz porque foi a m\u00fasica que o projetou\u201d, disse o Padre F\u00e1bio. E eu: \u201cMas \u00e9 um arranjo que ser\u00e1 feito por um japon\u00eas\u201d, comentei. E ele: \u201cPode mandar que estou dentro\u201d. Ele nem ouviu o arranjo! Mandei para o Toshiyuki Yasuda, e ele entende um pouco de portugu\u00eas, e comentou: \u201c\u00c9 uma m\u00fasica de Jesus?\u201d. E eu: \u201cPode gravar\u201d (risos). Mandei minha parte no viol\u00e3o para ele, e ele picotou tudo digitalmente, e construiu o arranjo sobre o meu viol\u00e3o. E a m\u00fasica ficou parecendo uma trilha de joguinho. O arriscado de chamar um Padre, de fazer deste jeito, \u00e9 que algumas pessoas nem escutam e j\u00e1 acham ruim. Porque \u00e9 um padre&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu n\u00e3o acho estranho&#8230;<\/strong><br \/>\nPorque voc\u00ea conhece o Pato Fu, conhece a gente&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/rWpY8EKPt7Q\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/rWpY8EKPt7Q\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso. Eu j\u00e1 tinha ouvido \u201cO Povo de Deus\u201d, mas vi pessoas que ficaram perplexas&#8230;<\/strong><br \/>\nAlgu\u00e9m no Instagram escreveu: vou te dar unfollow porque essa coisa com Padre n\u00e3o d\u00e1. E respondi: Mas voc\u00ea nem ouviu! At\u00e9 brinquei: Voc\u00ea deve gostar de Playstation, porque se fosse de Nintendo&#8230; (risos) A opini\u00e3o das pessoas est\u00e1 mais vis\u00edvel hoje e todo mundo acha que tem o direito de falar sobre qualquer coisa, e h\u00e1 coment\u00e1rios bons, mas h\u00e1 outros em que fica percept\u00edvel que existe um n\u00e3o conhecimento da coisa, ou um mau humor, ou mesmo um preconceito. A pessoa l\u00ea o t\u00edtulo da mat\u00e9ria, v\u00ea a foto, mas n\u00e3o leu a mat\u00e9ria e j\u00e1 tem uma opini\u00e3o. Viu o trailer e j\u00e1 disse que o filme \u00e9 uma porcaria, sabe. E essas pessoas v\u00e3o se envenenando. \u00c9 um rancor. E a gente n\u00e3o pode ter uma atitude de embate porque se batemos de volta&#8230; \u00e9 um terror. Qual a sa\u00edda? Ter bom humor, eu acho. E di\u00e1logo. Quando voc\u00ea responde de uma forma educada, a pessoa se surpreende. \u00c9 praticamente educar. Eu tenho filha&#8230; e ela precisa de informa\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas tem a coisa da crian\u00e7a ser cruel, algo natural devido a inoc\u00eancia&#8230;<\/strong><br \/>\nMas a Nina consegue encontrar com mais facilidade o lado bom das coisas do que eu! Coloquei uma historinha dia desses no Twitter: estava tocando uma m\u00fasica, e nem me lembro mais qual \u00e9, mas era muito ruim. Ela pediu para eu ouvir e perguntou o que eu achava: \u201cN\u00e3o gostei n\u00e3o\u201d. E ela: \u201cAh, a gente ia dan\u00e7ar essa m\u00fasica no Dia dos Pais\u201d. E eu: \u201cAinda bem que voc\u00eas n\u00e3o dan\u00e7aram\u201d. E ela: \u201cPor que voc\u00ea n\u00e3o gostou dessa m\u00fasica?\u201d. E eu: \u201cSei l\u00e1. N\u00e3o gostei do arranjo, n\u00e3o gostei da voz do cantor, achei a letra mais ou menos\u201d. E ela: \u201cM\u00e3e, fala pra mim s\u00f3 uma coisa que voc\u00ea gostou?\u201d. Ela \u00e9 assim, fica tentando achar o lado bom. Pode ser da \u00edndole dela tanto quanto ser das coisas que a cerca. A nossa casa tem muitas coisas diferentes porque a gente n\u00e3o tem um trabalho normal. Acho bom que ela tenha essa no\u00e7\u00e3o e cobre de mim quando eu fico mais dura, ela cobra de mim essa suavidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu imaginava voc\u00ea mais \u201canimada\u201d, n\u00e3o via esse seu lado&#8230;<\/strong><br \/>\nA minha arma \u00e9 o bom humor, realmente. Sou muito bem humorada e fa\u00e7o o meu dia virar outro, quando ele est\u00e1 ruim. Mas cobro muito das pessoas a minha volta porque me entrego muito. Eu me viro. Dou um jeito. Mas tenho um lado bravo&#8230; que acho que s\u00f3 a Nina quem conhece (risos). Os outros s\u00e3o filtrados pela pessoa p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea devolve livros mesmo (trecho da letra &#8220;O Seu Tipo&#8221;, parceria com Pitty?<\/strong><br \/>\nDevolvo mesmo! Devolvo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu detesto emprestar livros&#8230;<\/strong><br \/>\nPorque n\u00e3o voltam, mas eu devolvo&#8230; Tem livros e livros. Uma vez emprestei o \u201cDescoberta do Mundo\u201d, da Clarice Lispector, e nem lembro pra quem. Foi parar na casa do meu irm\u00e3o sabe se l\u00e1 como. Ele abriu, viu que era meu, e n\u00e3o sabemos como foi parar l\u00e1. Ele me devolveu. Mas eu n\u00e3o pergunto signo n\u00e3o (risos). Isso \u00e9 coisa da Pitty.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea hoje se imagina n\u00e3o sendo cantora?<\/strong><br \/>\nHoje n\u00e3o. Porque a coisa que mais gosto de tudo \u00e9 cantar. Mais do que compor, mais do que escrever, eu gosto de cantar. Pegar uma m\u00fasica e cantar&#8230; do meu jeito. Hoje n\u00e3o, mas talvez se eu n\u00e3o tivesse experimentado uma carreira como cantora que me deu tanta coisa, tanto reconhecimento, os amigos que eu conheci em outros pa\u00edses cantando, se isso me fosse tirado, eu iria ficar muito triste. Porque de tudo o que fa\u00e7o o que mais gosto \u00e9 cantar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E no palco, voc\u00ea se sente bem?<\/strong><br \/>\nAprendi a gostar do palco, me sinto bem, mas gosto mesmo \u00e9 de gravar. Porque sou cantora de microfone, n\u00e9. Claro que o show tem o momento de encontro com o p\u00fablico, de realiza\u00e7\u00e3o, mas o ambiente controlado do est\u00fadio me \u00e9 mais favor\u00e1vel. \u00c9 onde posso inventar, gastar tempo, ainda mais que \u00e9 no meu est\u00fadio. Se n\u00e3o tivesse tido \u00eaxito na minha carreira como tive, eu poderia trabalhar em uma agencia como rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, que \u00e9 \u00e1rea em que sou formada. Mas teria que ser uma agencia top (risos). Com muita alegria. Porque gosto da \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o, de escrever, de convencer as pessoas de uma ideia. Por\u00e9m, como experimentei viver de m\u00fasica, que \u00e9 algo que muita gente tenta e \u00e9 muito dif\u00edcil, realmente dif\u00edcil, eu ficaria muito triste se n\u00e3o pudesse cantar mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda acho incr\u00edvel como o Pato Fu conseguiu criar uma rotina particular&#8230;<\/strong><br \/>\nA nossa carreira improv\u00e1vel&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Exatamente! Por exemplo: na hora em que a ind\u00fastria estava em franca decad\u00eancia, estava dif\u00edcil tocar em r\u00e1dio e voc\u00eas lan\u00e7aram um disco mais contemplativo, paralelamente, no mesmo sai o seu disco solo, que era algo totalmente improv\u00e1vel, e estoura, permitindo voc\u00eas olharem outras coisas e chegarem ao \u201cM\u00fasica de Brinquedo\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\nAcho que isso tudo \u00e9 fruto das nossas escolhas teimosas. Talvez seja fruto da democracia da banda, que, algumas vezes, ao inv\u00e9s de nos levar para frente, faz a gente ir um pouquinho para o lado. E depois a gente at\u00e9 vai chegar l\u00e1 na frente, mas vamos arranjar um jeito mais est\u00e1vel de fazer isso. O Pato Fu \u00e9 uma banda que sobrevive nas vacas gordas, magras e mag\u00e9rrimas, porque a gente sabe qual \u00e9 o nosso tamanho, temos o nosso p\u00fablico e, sobretudo, temos autonomia. Temos a nossa editora, o nosso est\u00fadio, os nossos escrit\u00f3rios que trabalham exclusivamente com a gente. E eles (a minha empresaria e o empres\u00e1rio do Pato Fu) acompanharam essa carreira pouca \u00f3bvia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Tnt5BNdLQf8\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Tnt5BNdLQf8\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eles entenderam isso&#8230;<\/strong><br \/>\nSim, porque o Pato Fu \u00e9 uma banda que n\u00e3o tem um caminho que serviu para outro e servir\u00e1 pra gente. Acho que muito artista novo devia pensar assim. Eles perguntam: como eu fa\u00e7o? E eu respondo: voc\u00ea vai ter que descobrir porque n\u00e3o adianta falar o que eu fiz&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sem contar que o mundo mudou muito&#8230;<\/strong><br \/>\nMudou, e as coisas que apareceram nas minhas encruzilhadas n\u00e3o v\u00e3o aparecer para voc\u00ea. N\u00e3o d\u00e1 para falar \u201cfa\u00e7a isso ou fa\u00e7a aquilo\u201d. Claro, voc\u00ea tem que fazer musica boa. E achar o seu p\u00fablico, o p\u00fablico da vida real. Sempre falei isso! Gosto muito da internet, mas voc\u00ea precisa ter um p\u00fablico na vida real, que \u00e9 de onde voc\u00ea vai viver. Ou voc\u00ea precisa ser um cara esperto que vai licenciar a sua m\u00fasica pra determinada coisa que vai te dar uma renda, ou vai produzir pra cinema, ou pra publicidade&#8230; voc\u00ea tem que dar um jeito de viver de m\u00fasica se \u00e9 isso que voc\u00ea quer. Mas n\u00e3o d\u00e1 para ficar apenas em frente ao computador fazendo m\u00fasica. Tem que ter a interface humana&#8230; ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 para voc\u00ea ser meio indie?<\/strong><br \/>\nDigo isso porque a nossa forma de trabalho \u00e9 totalmente indie. Eu sei quanto custa tudo! Sei que quero ter a minha camiseta na lojinha para vender porque tenho camiseta das bandas que gosto. \u00c9 preciso fidelizar o p\u00fablico. A Blitz sempre fez isso, desde revistinha at\u00e9 cart\u00e3o postal. E as bandas gringas, da maior \u00e0 menor, fazem isso. Aqui parece que s\u00f3 os indies \u00e9 que fazem. E isso tem que partir do artista. A lojinha do \u201cM\u00fasica de Brinquedo\u201d tem de tudo. Tem kazoo, tem fantoche, tem mochila, tem bolsa, tem camisa de beb\u00ea, tem camisa de adulto&#8230; gosto disso. Ent\u00e3o quando vou fazer um show, tenho a minha opini\u00e3o como plateia: penso como o p\u00fablico ir\u00e1 receber a minha m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cOnde Brilhem os Olhos Seus\u201d ter sido lan\u00e7ado em vinil foi pedido seu ou op\u00e7\u00e3o da DeckDisc?<\/strong><br \/>\nFoi mais op\u00e7\u00e3o da Deck. Eu n\u00e3o sou muito purista nesse neg\u00f3cio de vinil porque gosto da m\u00fasica, mas o formato \u00e9 lindo. N\u00e3o me desfiz dos meus vinis, mas hoje n\u00e3o saio cavando atr\u00e1s. O que eu tenho, est\u00e1 l\u00e1, e algumas coisas que est\u00e3o saindo me interessam, mas n\u00e3o fico garimpando. J\u00e1 a Polysom \u00e9 do Jo\u00e3o (Augusto) e ele tem esse amor muito grande pelo vinil. Ele \u00e9 um apaixonado. \u201cNa Medida do Imposs\u00edvel\u201d sair\u00e1 simult\u00e2neo em vinil, e foram eles que sugeriram. Vamos fazer? Vamos. \u00c9 mais um item, um objeto de desejo. Agora, a Polysom est\u00e1 lotada! Tem fila. O mercado est\u00e1 crescendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sinto que falta esse entendimento do mercado para o pessoal jovem. Ent\u00e3o o cara lan\u00e7a um disco e quer vender, sei l\u00e1, 50 mil c\u00f3pias, que \u00e9 o tamanho do mercado hoje&#8230;<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma derrota o disco de ouro ter ca\u00eddo para 40 mil exemplares. \u00c9 muito triste. Mas o vinil est\u00e1 subindo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E em muitos vinis vem o CD de gra\u00e7a. Comprei assim o Flaming Lips, o Primal Scream, o Camera Obscura&#8230;<\/strong><br \/>\nDisco novo do Camera Obscura? Adoro os clipes deles&#8230; Estou esperando a volta da fita cassete. Tenho muitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em um de seus livros, quando voc\u00ea fala das fitas cassetes, s\u00e3o fitas originais ou gravadas por seu pai?<\/strong><br \/>\nOs dois. \u201cAgua Viva\u201d, da Gal Costa, eu tenho em cassete. Alcione, Paulinho da Viola&#8230; mas tamb\u00e9m h\u00e1 muita colet\u00e2nea: \u201cBenito, Paulinho da Viola, Clara e Chico\u201d. Era o cassete das f\u00e9rias. Eu guardo tudo. Tem a letrinha do meu pai. Quando ele morreu, os amigos dele me mandaram as coisas do escrit\u00f3rio. E tem relat\u00f3rios di\u00e1rios, e eu guardo tudo porque a letra dele \u00e9 t\u00e3o bonita. Tudo certinho, aquela letra bonita, japonesa. Eu tenho essa afetividade com essas coisas dele. Dediquei o disco da Nara para ele, e esse disco novo dediquei para a minha m\u00e3e. \u201cNa Medida do Imposs\u00edvel\u201d \u00e9 completamente dedicado a ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea pensou nela quando escolheu as m\u00fasicas?<\/strong><br \/>\nMuitas das m\u00fasicas eu ouvi com ela, mas um dos \u00faltimos textos que fiz, quando parei de escrever para jornal, foi um texto falando que eu sempre falei muito do meu pai, porque, sim, ele era uma pessoa \u00f3tima, mas talvez tamb\u00e9m porque ele tenha morrido muito novo. E a minha m\u00e3e \u00e9 uma pessoa extraordin\u00e1ria, s\u00f3 que ela est\u00e1 viva. Tem gente que vale muito mais morto do que vivo. At\u00e9 para o seguro de vida (risos). Quis homenagear os vivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sou partid\u00e1rio daquele pensamento que diz que temos sempre que dizer pras pessoas o quanto elas s\u00e3o importantes para n\u00f3s&#8230;<\/strong><br \/>\nEu tamb\u00e9m, mas \u00e9 que m\u00e3e&#8230; sabe como \u00e9, \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o conturbada, porque ela conhece todas as nossas qualidades e todos os nossos defeitos, e elas s\u00f3 apontam os defeitos (risos). Tipo quando gravo alguma entrevista para a televis\u00e3o, e pergunto se ela viu e o que ela achou: \u201cVoc\u00ea estava meio corcunda\u201d. (risos). E eu: \u201cP\u00f4, m\u00e3e\u201d. E ela: \u201cO batom estava muito claro\u201d. Dou uma de Nina: \u201cM\u00e3e, fala alguma coisa que voc\u00ea gostou\u201d (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Nina mudou radicalmente a sua vida?<\/strong><br \/>\nRadicalmente n\u00e3o. O que ela fez foi melhorar alguns aspectos em mim, e arredondar os outros. Sempre digo que ela me faz ser uma pessoa melhor. Ela tem isso de extrair de mim, de me fazer esfor\u00e7ar para que o cotidiano seja melhor, mais interessante. \u00c0s vezes chego no domingo, que \u00e9 o dia de folga dela, e o finalzinho do domingo \u00e9 o meu dia de folga, mas ela quer fazer algo. Quer ou ir ao cinema, ou ao teatro, ou quer que eu a leve para jantar fora. Porque ela est\u00e1 me esperando para fazer algo com ela no dia de folga dela. Isso eu tenho aprender, a segurar um pouco o meu cansa\u00e7o e participar dessa etapa com ela. Ela me faz me esfor\u00e7ar para ser uma pessoa mais flex\u00edvel. E de passar por cima de mau humor&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/FHSJu6qgNek\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/FHSJu6qgNek\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tem acompanhado essa nova gera\u00e7\u00e3o da m\u00fasica brasileira?<\/strong><br \/>\nA  gente est\u00e1 vivendo uma grande fase de artistas masculinos solo, em que  os dois expoentes s\u00e3o Silva e Leo Cavalcanti. S\u00e3o os meus preferidos  disparados. Eu canto no disco novo do Silva e acho o Leo incr\u00edvel. Os  dois cantam, comp\u00f5e, tocam, produzem. E eles s\u00e3o duas figuras impares,  especiais. Acho que eles v\u00e3o muito longe. Tor\u00e7o muito por eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea est\u00e1 vendo esse momento do pa\u00eds?<\/strong><br \/>\nEu acho que para muita gente, para a grande maioria, o Brasil tem melhorado. Gosto muito da presidenta, e chamo-a de presidenta porque \u00e9 uma coisa que ela pede, que ela gosta. Fui cantar na posse dela! Sou muito mais simp\u00e1tica ao estilo de governo dela do que do Lula. Enxergo nela uma pessoa muito correta e respons\u00e1vel. Acho que ela tem feito o poss\u00edvel para imprimir o ritmo dela de governo. N\u00e3o que eu seja completamente a favor de Bolsa Fam\u00edlia, Bolsa Tudo, Minha Casa Minha Vida, eu s\u00f3 gostaria que em algum momento deixassem de existir porque acho que a gente precisa dar suporte para que as pessoas deixem essa muleta. Pra muita gente, esses mecanismos foram quase que uma diferen\u00e7a entre ir pra escola e comer, viver e morrer. Era necess\u00e1rio. Espero que o projeto de governo, em longo prazo, pense em ir movendo essas camadas para uma auto sustenta\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes me cobram: voc\u00ea est\u00e1 se alinhando com essas pessoas! Mas s\u00e3o as melhores pessoas poss\u00edveis agora. Nos estamos vivenciando o processo. Essa tomada de posi\u00e7\u00e3o da minha parte \u00e9 uma coisa recente, porque estou mais solo. Antes com a banda era dif\u00edcil porque quase nunca havia uma unanimidade. E n\u00e3o existe at\u00e9 hoje, mas n\u00e3o posso (na minha carreira solo) ficar ausente, me omitir de causas boas e ruins. Tem gente que acha \u00f3timo, tem gente que acha ruim. Recentemente fiz uma campanha para o Governo de Minas, para o CODEMIG, que arrecada recursos para serem investidos em Minas. Quando o pessoal da minha produ\u00e7\u00e3o me chamou, eu disse que n\u00e3o ia fazer. Ent\u00e3o explicaram: n\u00e3o \u00e9 uma campanha do governo, \u00e9 uma campanha do instituto CODEMIG. E respondi: Quero saber tudo. Quero saber se todos esses dados s\u00e3o verdadeiros. Porque \u00e9 um testemunhal, e eu tenho no\u00e7\u00e3o disso, e me preocupo com isso. Falei com a minha empres\u00e1ria: voc\u00ea precisa me dar uma certeza grande de que isso que vou falar \u00e9 uma verdade e tem que ser feito de uma forma muito verdadeira. Escolhi morar em Minas, e quanto melhor ficar o meu Estado, melhor pra mim. Vejo todo sentido em tentar trazer investimentos para Minas. Adoro o Ant\u00f4nio Anastasia, ele \u00e9 um grande administrador, professor da UFMG e fala muito bem. \u00c9 um entusiasta da educa\u00e7\u00e3o. As escolas estaduais de Minas ganharam muito com ele. Estou falando em nome desse governo! Por que n\u00e3o falar? Por que n\u00e3o usar a minha pessoa para falar de coisas em que eu acredito? Demorei muito tempo para fazer isso, e foi importante fazer para uma pessoa que merece, que leva em considera\u00e7\u00e3o o longo prazo, algo que a educa\u00e7\u00e3o exige.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando vi voc\u00ea na TV, pensei: o que a Fernanda est\u00e1 fazendo? Automaticamente veio a resposta: deve ser algo em que ela acredita, ent\u00e3o deve ser algo bacana&#8230;<\/strong><br \/>\nConversei muito com a minha empresaria, com o John (acho que ele n\u00e3o faria), mas ele tamb\u00e9m n\u00e3o tem tanto o envolvimento que tive, de escrever num jornal, sentir o envolvimento do p\u00fablico. Fiz com muita convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Disco novo saindo, turn\u00ea, e a pergunta inevit\u00e1vel: Pato Fu fica pra 2015&#8230; 2016&#8230;<\/strong><br \/>\nPato Fu era para ter feito disco no segundo semestre passado, mas o Xande gravou com o Preto Massa, que a outra banda dele, e lan\u00e7ou no final do ano passado (o baterista deixou o Pato Fu um m\u00eas ap\u00f3s essa entrevista sendo substitu\u00eddo por Glauco, do Tianast\u00e1cia). O Ricardo (Koctus) est\u00e1 lan\u00e7ando o segundo CD solo. E eu estava pensando nesse disco novo desde que terminei o disco com o Andy Summers. Pensei: vou fazer o meu disco se der certo o encontro com todos os meus convidados. Ent\u00e3o conversei com os meninos: vamos aproveitar e todo mundo lan\u00e7a seus discos solos (o John estava fazendo a trilha de \u201cAlice no Pa\u00eds das Maravilhas\u201d, composta e produzida por ele a convite do Grupo Giramundo \u2013 eu estava fazendo algumas coisas com ele, s\u00e3o 27 m\u00fasicas in\u00e9ditas) e gravamos o disco novo do Pato Fu antes de eu come\u00e7ar a minha turn\u00ea e lan\u00e7amos no finalzinho deste ano ou s\u00f3 no ano que vem. Assim d\u00e1 tempo de todo mundo fazer todas as suas coisas solo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/01Bz_X69Aok\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/01Bz_X69Aok\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/qfYTOVXyd8M\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/qfYTOVXyd8M\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/i0uJ7ueQ720\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/i0uJ7ueQ720\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Uma noite mineira em S\u00e3o Paulo: Fernanda Takai e Graveola (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/14\/uma-noite-mineira-em-sao-paulo\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia Comentada: Pato Fu -&gt; a loucura, o sonho e a maturidade (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/07\/26\/discografia-comentada-pato-fu\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Entrevista: John Ulhoa e os 20 anos do Pato Fu, por Tiago Agostini (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/07\/25\/entrevista-john-ulhoa-pato-fu\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cM\u00fasica de Brinquedo\u201d ao vivo no Ibirapuera, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/01\/24\/cerebro-pato-fu-moveis-e-los-porongas\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Quatro v\u00eddeos: Lados b do Pato Fu, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/03\/09\/quatro-videos-lados-b-do-pato-fu\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cOnde Brilhem os Olhos Seus\u201d, Fernanda Takai, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2007\/12\/17\/inteligencia-a-favor-da-musica\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Scream &amp; Yell entrevista Fernanda Takai, por Andr\u00e9 Azenha (<a href=\"ttp:\/\/screamyell.com.br\/musicadois\/patofu_takai_entrevista.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cRotomusic de Liquidificapum 15 Anos\u201d, Pato Fu, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/12\/02\/500-toques-pelico-pato-fu-ivan-santos-giancarlo-ruffato\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Pato Fu libera v\u00eddeos em site especial, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/05\/05\/pato-fu-libera-videos-em-site-especial\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nEm bate papo franco, Fernanda Takai parece mais \u00e0 vontade para exibir suas opini\u00f5es e ir atr\u00e1s das coisas que deseja\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/07\/14\/entrevista-fernanda-takai\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1816],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25870"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25870"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25870\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57142,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25870\/revisions\/57142"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25870"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25870"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25870"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}