{"id":25819,"date":"2014-07-10T01:48:37","date_gmt":"2014-07-10T04:48:37","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=25819"},"modified":"2016-09-09T17:56:22","modified_gmt":"2016-09-09T20:56:22","slug":"um-livro-sobre-will-eisner","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/07\/10\/um-livro-sobre-will-eisner\/","title":{"rendered":"Um livro sobre Will Eisner"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-25820\" title=\"will1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/will1.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"645\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/will1.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/will1-209x300.jpg 209w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/coisapop\" target=\"_blank\">Adriano Costa<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cEu n\u00e3o tinha ideia de que estava fazendo uma revolu\u00e7\u00e3o. Sabia que o meu trabalho era diferente porque eu queria que fosse diferente, e que estava falando com um leitor totalmente distinto\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pequeno texto acima \u00e9 uma das cita\u00e7\u00f5es que o escritor Michael Schumacher usa no in\u00edcio do livro \u201cWill Eisner: Um Sonhador Nos Quadrinhos\u201d. De autoria do biografado, a frase diz muito sobre a personalidade de um homem que sempre acreditou no potencial e no alcance da arte que fazia. Lan\u00e7ado l\u00e1 fora em 2010, \u201cWill Eisner: Um Sonhador Nos Quadrinhos\u201d ganhou edi\u00e7\u00e3o nacional pelo selo Biblioteca Azul, da Editora Globo, em 2013 e conta tradu\u00e7\u00e3o de \u00c9rico Assis e 410 p\u00e1ginas que passam a limpo toda a vida deste s\u00edmbolo da nona arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Michael Schumacher \u00e9 um bi\u00f3grafo que j\u00e1 escreveu obras sobre Allen Ginsberg, Eric Clapton e Francis Coppola, e parece entender muito bem do of\u00edcio. Sua escrita \u00e9 limpa e de f\u00e1cil acesso, e ele dosa com sabedoria dados hist\u00f3ricos e opini\u00f5es pessoais. No primeiro caso, os dados \u2013 oriundos de uma pesquisa vasta e cuidados \u2013 s\u00e3o o eixo que sustenta a narrativa permitindo ao autor um terreno independente para expressar suas opini\u00f5es, assim como apresentar a de pessoas do mesmo c\u00edrculo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a sorte de Schumacher, falar sobre a vida de Will Eisner \u00e9 um trabalho \u00e1rduo, mas muito prazeroso. E ele consegue transferir esse prazer perfeitamente ao leitor. Nascido no Brooklyn em Nova York em 1917, Eisner passou pela Grande Depress\u00e3o na adolesc\u00eancia e isso o moldou para a vida toda. Judeu, sentiu na pele os efeitos da Segunda Guerra Mundial, e sempre combateu nos seus \u00e1lbuns o antissemitismo. For\u00e7ado a ir para a rua muito cedo para ajudar com a renda familiar, sempre foi uma m\u00e1quina de trabalhar at\u00e9 falecer em janeiro de 2005 aos 87 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre acreditando no potencial da arte que fazia, Will Eisner foi um tit\u00e3 na briga para ver os quadrinhos localizados em livrarias e n\u00e3o somente em bancas, lutando para que a sua arte fosse respeitada e n\u00e3o ridicularizada e para que os quadrinhos fossem tidos como leitura adulta e s\u00e9ria e n\u00e3o somente infantil e engra\u00e7ada. Assim que teve oportunidade, Eisner montou o pr\u00f3prio est\u00fadio com 20 e poucos anos para gerenciar a produ\u00e7\u00e3o e os ganhos, como tamb\u00e9m controlar o fluxo financeiro de um modo geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele tamb\u00e9m foi muito criticado posteriormente (e com certa raz\u00e3o) pela m\u00e3o de ferro com que comandava seus est\u00fadios e pela pr\u00e1tica adotada no repasse de cr\u00e9ditos para os artistas que trabalhavam com ele. De personalidade af\u00e1vel, mas avesso a cr\u00edticas ao seu trabalho, Eisner manteve rela\u00e7\u00e3o cordial com poucos editores. Nos est\u00fadios dele passaram nomes como Bob Kane (criador do Batman), Jack Kirby (o monstro criador do Quarteto Fant\u00e1stico, Thor, Hulk, Homem de Ferro, Vingadores e tantos outros), Lou Fine e Bob Powell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses primeiros passos da ind\u00fastria dos quadrinhos s\u00e3o realmente instigantes de se ler. Did\u00e1tico, Schumacher narra um pequeno universo repleto de intrigas, falsidade, trai\u00e7\u00f5es e desonestidade. Will Eisner come\u00e7a a galgar espa\u00e7os maiores quando, no come\u00e7o dos anos 40, idealiza o personagem que \u00e9 vinculado a ele at\u00e9 hoje, The Spirit, que passou a ser publicado em suplementos de jornais, alcan\u00e7ando a casa dos milh\u00f5es de leitores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O per\u00edodo de maior ostracismo (mas n\u00e3o de trabalho) \u00e9 pela primeira vez bem abordado. Depois da Segunda Guerra (na qual foi convocado e lutou), o quadrinista optou por montar uma nova empresa e trabalhar para o governo e empresas privadas. Esse per\u00edodo de muito trabalho, mas de pouca criatividade e relev\u00e2ncia, foi fundamental para que nos anos 70 se surpreendesse com a novidade das comixs de nomes como Robert Crumb, Art Spielgeman e Gilbert Shelton, e a partir disso impulsionasse a carreira para o patamar que idealizava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Will Esiner n\u00e3o foi o criador do termo graphic novel, mas definitivamente foi ele que o potencializou. Com hist\u00f3rias pessoais alinhadas a uma arte distinta, potente e comovente criou obras fant\u00e1sticas como \u201cUm Contrato Com Deus\u201d (1978), \u201cAo Cora\u00e7\u00e3o Da Tempestade\u201d (1991), \u201cA For\u00e7a da Vida\u201d (1988), \u201cAvenida Dropsie\u201d (1995) e \u201cPequenos Milagres\u201d (2000). Depois dessa retomada de produ\u00e7\u00e3o para o p\u00fablico em geral, mesmo obras menores tem seu valor, como \u201cPessoas Invis\u00edveis\u201d (1993) e \u201cFagin, O Judeu\u201d (2003) \u2013 at\u00e9 mesmo as adapta\u00e7\u00f5es de cl\u00e1ssicos da literatura em um projeto educativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Michael Schumacher conduz muito bem a biografia, que \u00e9 vasta em imagens e fotos, e mesmo ficando clara a sua admira\u00e7\u00e3o pelo artista, n\u00e3o deixa de emitir opini\u00f5es cr\u00edticas (ainda que em doses moderadas). Isso fortalece muito o trabalho e faz de \u201cWill Eisner: Um Sonhador Nos Quadrinhos\u201d uma leitura imprescind\u00edvel para os amantes de quadrinhos. Uma leitura sobre um fundamental e formid\u00e1vel artista e sua cren\u00e7a de que sempre podia fazer mais. \u00c9 para acabar de ler, correr para a estante e retirar seus trabalhos de l\u00e1 novamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-25821\" title=\"will2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/will2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"429\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/will2.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/will2-300x214.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Adriano Mello Costa (siga <a href=\"http:\/\/twitter.com\/coisapop\" target=\"_blank\">@coisapop<\/a> no Twitter) e assina o blog de cultura <a href=\"http:\/\/coisapop.blogspot.com\/\" target=\"_blank\">Coisa Pop<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Teatro: Guilherme Weber conta como foi adaptar &#8220;Avenida Dropsie&#8221; (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/mais\/dropsie.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Comprando vinis com Robert Crumb em S\u00e3o Paulo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/08\/11\/comprando-vinis-com-robert-crumb\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Michael Schumacher conduz muito bem uma excelente biografia, vasta em imagens e fotos, e cr\u00edtica quando precisa ser\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/07\/10\/um-livro-sobre-will-eisner\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[1201],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25819"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25819"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25819\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40177,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25819\/revisions\/40177"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25819"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25819"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25819"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}