{"id":257,"date":"2006-12-28T01:09:06","date_gmt":"2006-12-28T03:09:06","guid":{"rendered":"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/2006\/12\/28\/os-dez-discos-mais-influentes-de-todos-os-tempos\/"},"modified":"2010-01-19T18:19:20","modified_gmt":"2010-01-19T21:19:20","slug":"os-dez-discos-mais-influentes-de-todos-os-tempos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/12\/28\/os-dez-discos-mais-influentes-de-todos-os-tempos\/","title":{"rendered":"Os dez discos mais influentes de todos os tempos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Quinta, quase uma da manh\u00e3. Chego de um encontro de amigos para celebrar o fim de 2006 e penso no que escrever na \u00faltima coluna do ano, sendo que daqui cinco horas terei que estar no aeroporto voando para o Rio de Janeiro. \u00c9 nessas horas que algum texto quase in\u00e9dito cai no colo da mem\u00f3ria e se faz urgente. Esta lista abaixo foi feita a pedido de uma publica\u00e7\u00e3o impressa em Goi\u00e2nia, alguns meses atr\u00e1s, e n\u00e3o havia sido reproduzida na Internet. E nada melhor que fechar o ano com uma lista, vai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que vem a seguir n\u00e3o s\u00e3o os meus dez discos preferidos de todos os tempos (prometo fechar 2007 com uma lista assim), mas os dez discos que, para mim, mais influenciaram o rock em todos em tempos. S\u00e3o dez \u00e1lbuns essenciais em uma boa discoteca (em vinil, K7, CD ou MP3) que se preze, para se entender o desenvolvimento da m\u00fasica pop atrav\u00e9s dos anos, e para perceber que tudo que vem sendo feito hoje n\u00e3o chega aos p\u00e9s destes dez \u00e1lbuns sensacionais. N\u00e3o \u00e9 apologia da nostalgia n\u00e3o, infelizmente. \u00c9 a dura realidade. :o) Abaixo, a lista. E feliz 2007 para todos n\u00f3s.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2006\/12\/elvis_1956.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Elvis Presley<\/strong>, Elvis Presley (1956)<br \/>\nEm termos de influ\u00eancia, o primeir\u00e3o do rei Elvis \u00e9 insuper\u00e1vel. Elvis deixou para tr\u00e1s o volante de um caminh\u00e3o para se tornar a maior lenda da m\u00fasica pop em todos os tempos. Musicalmente, &#8220;Elvis Presley&#8221; \u00e9 inferior a trabalhos posteriores do cantor, mas \u00e9 em sua inoc\u00eancia e inspira\u00e7\u00e3o (elevadas a d\u00e9cima pot\u00eancia pelos improvisos do homem) que o disco acabou por ganhar o cora\u00e7\u00e3o de gente como John Lennon, Paul McCartney, fez o Clash estampar a mesma grafia de letra na capa de seu disco mais genial (&#8220;London Calling&#8221;, 1978) e atravessou d\u00e9cadas como se houvesse sido gravado ontem de manh\u00e3.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2006\/12\/dylan_bring.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bringing It All Back Home<\/strong>, Bob Dylan (1965)<br \/>\nAo eletrificar o folk, Dylan n\u00e3o estava apenas comprando uma briga ferrenha com seu p\u00fablico pseudo-intelectual (que o queria amarrado eternamente a um estilo) como tamb\u00e9m abria caminho para influenciar gera\u00e7\u00f5es e gera\u00e7\u00f5es, com estilha\u00e7os pingando at\u00e9 no Brasil, atrav\u00e9s da Tropic\u00e1lia (que era algo mais do que eletrificar o samba, mas havia ali um estilha\u00e7o deste \u00e1lbum de Bob Dylan).<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2006\/12\/beatles_revolver.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Revolver<\/strong>, The Beatles (1966)<br \/>\n&#8220;Revolver&#8221; marca a concretiza\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de amor dos Beatles com o est\u00fadio. Aqui a banda deixa definitivamente para tr\u00e1s o formato boy band (os cabelos bem cortados, os terninhos, as can\u00e7\u00f5es pop chicletudas de tr\u00eas minutos) para tr\u00e1s, espalha influ\u00eancias pelo disco &#8211; que v\u00e3o de mestres eruditos at\u00e9 cl\u00e1ssicos da Motown, passando pelos sons da \u00cdndia, jazz, folk e o bom e velho rock&#8217;n&#8217;roll &#8211; e muda (novamente) os rumos da m\u00fasica pop. Tematicamente, saem as can\u00e7\u00f5es de amor inocentes para donzelas dando lugar para Paul cantar o amor pela maconha (&#8220;Got To Get You Into My Life&#8221;), George Harrison criticar o sistema de impostos brit\u00e2nico (&#8220;Taxman&#8221;) e John contar a hist\u00f3ria de um tal &#8220;Dr. Robert&#8221; um m\u00e9dico alem\u00e3o que trabalhava em Nova York e era famoso por distribuir anfetaminas para seus pacientes. A m\u00fasica pop descobre que existem outras palavras no dicion\u00e1rio.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2006\/12\/velvet_and_nico.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>The Velvet Underground &amp; Nico<\/strong>, The Velvet Underground (1967)<br \/>\nVoc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido um dos maiores clich\u00eas do rock sobre este disco: Ele diz que o \u00e1lbum de estr\u00e9ia do Velvet Underground foi um retumbante fracasso comercial, e que pouco mais de 500 pessoas viu um show da banda na \u00e9poca, mas cada uma dessas pessoas saiu e montou sua pr\u00f3pria banda. Se isso n\u00e3o \u00e9 influ\u00eancia, sei l\u00e1 o que pode ser. O engra\u00e7ado \u00e9 Lou Reed comentando a frase em um document\u00e1rio. &#8220;Se isso \u00e9 verdade, quem dera me dessem parte dos direitos autorais&#8221;. Tematicamente, &#8220;The Velvet Underground &amp; Nico&#8221; fala de coisas nada comuns na \u00e9poca. E sua capa j\u00e1 era uma obra de arte que nem trazia o nome da banda, e sim o nome do artista que a fez: Andy Warhol.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2006\/12\/blacksabbath.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Black Sabbath<\/strong>, Black Sabbath (1970)<br \/>\nEu nunca entendi creditarem ao Led Zeppelin a cria\u00e7\u00e3o do heavy metal. O Led levou \u00e0 frente aquilo que o The Who vinha fazendo desde 1965, que era acelerar o blues com doses cavalares de guitarradas. James Patrick Page mexia com magia negra, Robert Plant era fascinado pela religi\u00e3o celta, mas tudo isso \u00e9 fichinha perto do peso demon\u00edaco do disco de estr\u00e9ia do Black Sabbath. Todos os pilares do que se convencionou chamar de heavy metal foram levantados aqui. De quebra, o Sabbath ainda marcou a gera\u00e7\u00e3o grunge. Disco pra l\u00e1 de fundamental e decisivo nos rumos do rock mundial.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2006\/12\/marvingaye.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>What&#8217;s Going On<\/strong>, Marvin Gaye (1971)<br \/>\nMarvin Gaye j\u00e1 era um cantor de sucesso quando, em 1971, decidiu desafiar sua gravadora (a popular Motown) e lan\u00e7ar um disco tematicamente forte. &#8220;M\u00fasica \u00e9 para entreter e n\u00e3o para fazer pensar&#8221;, dizia o dono da Motown, Barry Gordon. &#8220;What&#8217;s Going On&#8221;, no entanto, acabou por se tornar um cl\u00e1ssico, e serviu de start para a carreira de gente como Michael Jackson e, principalmente, Prince, al\u00e9m de influenciar o rap atrav\u00e9s do uso da m\u00fasica como v\u00e1lvula de escape para se falar de assuntos como a guerra, o racismo e religi\u00e3o.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2006\/12\/bowie_ziggy.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars<\/strong>, David Bowie (1972)<br \/>\nDaria para dizer que \u00e9 exatamente este disco que marca a grande ruptura do homem que cria a obra com o artista que a interpreta. Os Beatles cresceram, enlouqueceram e envelheceram perante o p\u00fablico. De terninhos a barbas e roupas psicod\u00e9licas. Bowie n\u00e3o. Ele criou uma persona, um homem que caia na Terra e se tornava um \u00eddolo pop. Se vestir de mulher, passar l\u00e1pis no olho, mudar de personalidade, ser g\u00f3tico e o escambau \u00e9 tudo derivativo desde \u00e1lbum, que n\u00e3o bastasse ser grandioso em conceito, traz um dos repert\u00f3rios mais matadores de todos os tempos em um disco pop.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">&#8220;&gt;<\/div>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2006\/12\/floyd_dark.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dark Side of the Moon<\/strong>, Pink Floyd (1973)<br \/>\nA quest\u00e3o aqui n\u00e3o \u00e9 definir qual Pink Floyd \u00e9 o melhor: se o psicod\u00e9lico de Syd Barret ou se o grandiloquente de Roger Waters. No entanto, como influencia, &#8220;Dark Side Of The Moon&#8221; \u00e9 imbat\u00edvel. Al\u00e9m de ser um dos \u00e1lbuns mais vendidos de todos os tempos (estima-se que 1 em cada 14 pessoas nos EUA, com menos de 50 anos, tenha uma c\u00f3pia deste \u00e1lbum), &#8220;Dark Side Of The Moon&#8221; \u00e9 um marco do que viria a ser chamado de rock progressivo, e tamb\u00e9m bateu forte na gera\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia p\u00f3s-britpop (leia-se: Radiohead, The Verve e outros)<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2006\/12\/clash_londo.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>London Calling<\/strong>, The Clash (1979)<br \/>\nQue o punk mudou a hist\u00f3ria da m\u00fasica pop, isso todo mundo sabe. Por\u00e9m, h\u00e1 uma linha que separa as duas bandas m\u00e1rtires do movimento: Sex Pistols e The Clash. Enquanto os primeiros representavam o lado niilista do movimento, algo datado para acabar resumido no chegar, colocar fogo e ir embora, o The Clash partiu em frente seguindo uma linha evolutiva em sua carreira, e que encontra poucos paralelos na hist\u00f3ria da m\u00fasica pop. O que come\u00e7ou como algo simples (tocar o rock de Chuck Berry o mais r\u00e1pido poss\u00edvel) \u00e9 ampliado ao extremo neste \u00e1lbum, cuja variedade de estilos \u00e9 o que mais chama a aten\u00e7\u00e3o no disco, que re\u00fane punk, reggae, rockabilly, bebop, ska, R&amp;B, pop, lounge jazz, hard rock e baladas.<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/files\/2006\/12\/pixies_doo.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Doolittle<\/strong>, Pixies (1989)<br \/>\nUm ano antes o Pixies havia colocado nas lojas &#8220;Surfer Rosa&#8221;, um \u00e1lbum muito mais violento que pop, e que seu l\u00edder, Black Francis, resumia como &#8220;bom e antiquado rock and roll&#8221;. O segundo disco do Pixies \u00e9 muito mais pop que violento, e bateu na m\u00fasica pop de tal maneira que at\u00e9 hoje ela ainda n\u00e3o sabe direito o impacto. Kurt Cobain quis compor como o Pixies, e acabou criando &#8220;Smells Like a Teen Spirit&#8221;. Bob Mould, ex-l\u00edder do seminal Husker-D\u00fc, sempre invejou a banda (e nunca escondeu isso). David Bowie tamb\u00e9m abriu seu cora\u00e7\u00e3o. Depois de &#8220;Doolittle&#8221;, encher uma m\u00fasica de guitarras na primeira parte da melodia, para deixar o baixo carregar a can\u00e7\u00e3o no segundo trecho virou mania mundial at\u00e9 desembocar no punk pop de Green Day e afins.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ok, estendi o Top 10 para Top 13 e coloquei mais tr\u00eas discos para deixar todo mundo feliz <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/01\/04\/os-treze-discos-mais-influentes-de-todos-os-tempos\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quinta, quase uma da manh\u00e3. 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