{"id":25489,"date":"2014-06-12T10:10:08","date_gmt":"2014-06-12T13:10:08","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=25489"},"modified":"2020-10-17T22:33:08","modified_gmt":"2020-10-18T01:33:08","slug":"livros-the-who-ian-curtis-e-smiths","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/12\/livros-the-who-ian-curtis-e-smiths\/","title":{"rendered":"Livros: The Who, Ian Curtis e Smiths"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" style=\"border: 1px solid black;\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/pete3.jpg\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"567\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cA Autobiografia\u201d, Pete Townshend (Globo Livros)<\/strong><br \/>\nO eterno guitarrista do The Who gasta aproximadamente 500 p\u00e1ginas para rememorar sua hist\u00f3ria pessoal, que, em muitos momentos, esbarra na hist\u00f3ria de sua banda. Usando a caneta como um div\u00e3, Pete Townshend relata as hist\u00f3rias ao mesmo tempo em que tenta entende-las e traduzi-las para os f\u00e3s (e para si mesmo). O exerc\u00edcio n\u00e3o deixa de ser interessante, ainda que o Who apare\u00e7a apenas no 2\/5 do livro e ali pelo final do 3\/5 j\u00e1 se torne um peso que Pete ter\u00e1 que carregar por toda sua vida \u2013 e que far\u00e1 dele t\u00e3o milion\u00e1rio quanto celebrado mundialmente. Na primeira parte, destaque para sua fam\u00edlia e incurs\u00e3o numa escola de artes (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2014\/01\/23\/uma-batalha-entre-o-velho-e-o-novo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">este trecho \u00e9 \u00f3timo<\/a>). A segunda foca no desenvolvimento de sua amizade com Roger Daltrey at\u00e9 a forma\u00e7\u00e3o do Who, os primeiros shows, os primeiros hinos e, na sequencia, o megassucesso das \u00f3peras rock \u201cTommy\u201d (1969) e \u201cQuadrophenia\u201d (1973) coincidindo com o momento eg\u00f3latra (alco\u00f3latra e drogado) que resvala na insist\u00eancia em projetos que tomaram anos (alguns deles, d\u00e9cadas) de sua vida (o lan\u00e7amento s\u00eaxtuplo da \u00f3pera \u201cLifehouse\u201d, de 2000, re\u00fane esbo\u00e7os de 1971 a 1999) mostram um homem genial e absolutamente inseguro diante de suas pr\u00f3prias conquistas. O saldo final \u00e9 positivo, pois Pete Townshend consegue soar sinceramente honesto tanto nos momentos em que junta cacos de um relacionamento (destru\u00eddo por seus pr\u00f3prios erros), como quando se aprofunda em seus sentimentos de f\u00e9 e\/ou se devota a sua banda, mostrando que at\u00e9 mesmo os deuses da guitarra t\u00eam d\u00favidas, e erram, e seguem em frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Pete Townshend fala de Jimi Hendrix (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2014\/01\/30\/pete-townshend-fala-de-jimi-hendrix\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Pete Townshend e a batalha entre o velho e o novo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2014\/01\/23\/uma-batalha-entre-o-velho-e-o-novo\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-25490   aligncenter\" title=\"iancurtis\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/iancurtis.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"647\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/iancurtis.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/iancurtis-208x300.jpg 208w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cTocando a Dist\u00e2ncia: Ian Curtis e Joy Division\u201d, por Deborah Curtis (Edi\u00e7\u00f5es Ideal)<\/strong><br \/>\nNa manh\u00e3 de 18 de maio de 1980, Deborah Curtis encontrou o marido (eles estavam se divorciando, mas os pap\u00e9is n\u00e3o haviam sido assinados) enforcado na cozinha do casal em Macclesfield, cidade vizinha de Manchester. O \u00faltimo gesto do vocalista do Joy Division colocou ponto final em uma vida breve (ele tinha 23 anos) e Deborah tenta entend\u00ea-lo neste livro lan\u00e7ado originalmente em 1995 na Inglaterra. \u201cTocando a Dist\u00e2ncia\u201d humaniza Ian Curtis ao mesmo tempo em que o mitifica. Segundo a esposa, Ian era ciumento e possessivo (ele fazia cenas quando ela usava roupas decotadas e saias curtas tanto quanto a proibia de conversar com homens e amigas de escola). Deborah tamb\u00e9m questionava o conte\u00fado nazista da banda (\u201cJoy Division era como os nazistas chamavam as prisioneiras mantidas vivas para serem usadas como prostitutas pelo ex\u00e9rcito alem\u00e3o. (&#8230;) Era repugnante, de mau gosto (&#8230;), apoiava a degrada\u00e7\u00e3o das mulheres\u201d), mas se apaixonou pelo \u00eddolo Ian Curtis muito antes da multid\u00e3o. Quando o Joy Division se tornou badalado (ainda que Ian n\u00e3o tivesse dinheiro para ajudar a esposa a pagar a conta de luz), Deborah foi exclu\u00edda do c\u00edrculo da banda para que Ian circulasse com sua amante belga. Repleto de entrevistas, \u201cTocando a Dist\u00e2ncia\u201d \u00e9 bem mais profundo e completo em ideias do que o raso filme inspirado no livro (\u201cControl\u201d, de Anton Corbijn, que <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/11\/03\/tres-filmes-lust-caution-control-about-son\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">foca demasiadamente nas d\u00favidas de Ian<\/a> em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas mulheres \u2013 a esposa, a amante e a filha Natalie) e desenha um retrato intenso do vocalista focando na epilepsia, na bipolaridade e em seu desejo de morrer jovem, algo que Deborah j\u00e1 havia identificado no come\u00e7o do relacionamento, oito anos antes, mas n\u00e3o acreditava que Ian levaria a cabo. Ele levou. Mesmo sendo o livro de uma esposa tra\u00edda (de diversas formas), \u201cTocando a Dist\u00e2ncia\u201d \u00e9 obrigat\u00f3rio para tentar entender Ian Curtis e o Joy Division.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Document\u00e1rio traz esfor\u00e7o interessante de contar a hist\u00f3ria da banda do Joy Division (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/06\/15\/cinema-joy-division-de-grant-gee\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cBest Of\u201d, Joy Division: apenas para quem descobriu Ian Curtis ontem (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/05\/28\/500-toques-joy-division-radiohead-e-mundo-livre-sa\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-25491  aligncenter\" title=\"smiths1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/smiths1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cThe Smiths: A Light That Never Goes Out\u201d, Tony Fletcher (Ed. Best Seller)<\/strong><br \/>\nEntre 1982 e 1987, se n\u00e3o foram a maior banda do mundo, com certeza os Smiths foram a maior banda da Inglaterra, e esse volume imperd\u00edvel de mais de 600 p\u00e1ginas que reconta a hist\u00f3ria do grupo lan\u00e7a luz sobre boa parte das coisas que impediram os Smiths de serem t\u00e3o grandes quanto o R.E.M. (seu equivalente espiritual no Novo Mundo). Tony Fletcher soa did\u00e1tico e consegue um resultado surpreendente ao cavocar n\u00e3o s\u00f3 a hist\u00f3ria das fam\u00edlias de Stephen Morrissey e Johnny Marr, mas, principalmente, de Manchester (numa das melhores introdu\u00e7\u00f5es de biografias musicais j\u00e1 escritas), para mostrar como a cidade influenciou decididamente na personalidade dos futuros m\u00fasicos (para o bem e para o mal). Morrissey e Mike Joyce se negaram a colaborar com Tony Fletcher, mas Marr e Andy Rourke foram ouvidos e, juntando-se a isso pesquisas (Morrissey falou tanto no per\u00edodo \u2013 e depois dele \u2013 que a quantidade de aspas o faz parecer t\u00e3o presente no livro quanto Marr) e entrevistas com uma por\u00e7\u00e3o de quase empres\u00e1rios, jornalistas, gente da Rough Trade, da Sire, da EMI e da equipe que acompanhava os Smiths em turn\u00ea, Tony Fletcher consegue desenhar um painel extremamente bem acabado da banda, com Johnny Marr posando de g\u00eanio e rockstar, Morrissey de g\u00eanio com ataques sem no\u00e7\u00e3o de estrelismo, e Andy e Mike como coadjuvantes de luxo (ainda que important\u00edssimos para fazer os Smiths soarem como Smiths) num grupo que poderia ter tido o mundo nas m\u00e3os, mas ningu\u00e9m quis atender quando o sucesso bateu a porta &#8211; na verdade, dificultou ao m\u00e1ximo a chance de ser popular, algo que Morrissey faria totalmente ao inverso no in\u00edcio de sua carreira solo (\u201cTypical me, typical me\u201d, grita o letrista de algum lugar). A \u00faltima p\u00e1gina \u00e9 de chorar. Obrigat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 10<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cThe Sound of Smiths&#8221; substitui de forma exemplar as colet\u00e2neas anteriores (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/02\/the-cure-the-clash-e-the-smiths\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada: sobre todos os discos da carreira solo de Morrissey (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/21\/discografia-comentada-morrissey\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nA autobiografia honesta de Pete Townshend; Joy Division visto pela esposa de Ian; a fenomenal biografia dos Smiths\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/12\/livros-the-who-ian-curtis-e-smiths\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25489"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25489"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25489\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57899,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25489\/revisions\/57899"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25489"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25489"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25489"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}