{"id":253,"date":"2007-07-26T18:48:28","date_gmt":"2007-07-26T21:48:28","guid":{"rendered":"http:\/\/colunistas.ig.com.br\/revoluttion\/2007\/07\/26\/smashing-pumpkins-e-a-volta-do-rock-burro\/"},"modified":"2024-11-04T01:23:46","modified_gmt":"2024-11-04T04:23:46","slug":"smashing-pumpkins-e-a-volta-do-rock-burro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/07\/26\/smashing-pumpkins-e-a-volta-do-rock-burro\/","title":{"rendered":"Smashing Pumpkins, &#8220;Zeitgeist&#8221; e a volta do rock burro"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;\">\n<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-84954\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2007\/07\/smashing1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2007\/07\/smashing1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2007\/07\/smashing1-293x300.jpg 293w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos maiores riscos a que um apaixonado por m\u00fasica pode passar com o decorrer dos anos \u00e9 a elitiza\u00e7\u00e3o de seu gosto. A pessoa acha que j\u00e1 ouviu tudo, encontra seu nicho pessoal, e come\u00e7a a atirar farpas para todos os outros lados que n\u00e3o sejam o seu. Ela acredita, do alto de seu conhecimento adquirido, que ouve a melhor m\u00fasica, e que todo o resto (e quase sempre o rock) n\u00e3o passa de grande porcaria. Acontece muito, assim como tamb\u00e9m acontece o contr\u00e1rio: jovens que transpiram testosterona e se acham os donos da verdade com seus conhecimentos limitados amparados pelo &#8220;n\u00e3o gosto disso&#8221; sem argumenta\u00e7\u00e3o. S\u00e3o duas atitudes validas, mas que escorregam em suas pr\u00f3prias ranhetices (racionais ou irracionais).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Zeitgeist&#8221;, primeiro \u00e1lbum do Smashing Pumpkins em sete anos, chegou aos meus alto-falantes em uma manh\u00e3 de domingo, e bateu de frente com meu elitismo, mal-acostumado que estava com os arranjos inteligentes do Polyphonic Spree. O careca Billy Corgan chutou a porta do som, enfileirou riffs portentosos de metal, jogou sua voz de taquara por cima do barulho, e transformou o retorno de sua banda (dele, e ningu\u00e9m que ouse tentar roubar-lhe) na maior epop\u00e9ia do rock burro em 2007. N\u00e3o compreendi. Passei o ouvido em algumas faixas, franzi a testa, e aposentei a pasta de MP3 em algum lugar do computador sem d\u00f3 nem pena. O Smashing Pumpkins n\u00e3o tinha mais nada para me dizer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma pequena pausa para descansar os ouvidos do mundo no alto da Cordilheira dos Andes, e quando volto, mais calmo e de cora\u00e7\u00e3o aberto para novos sons, encontro a pastinha dos Pumpkins intacta. Abro e cada MP3 que surge parece esbofetear o meu gosto musical pretensamente elitista: &#8220;Zeitgeist&#8221; \u00e9 um corajoso \u00e1lbum de retorno que deixa de lado a fase grandiosa, inteligente e grandiloq\u00fcente dos Pumpkins (os cl\u00e1ssicos &#8220;Siamese Dream&#8221;, 1993, e &#8220;Mellon Colie And Infine Sadness&#8221;, 1995) para abra\u00e7ar &#8211; e n\u00e3o largar &#8211; o rock burro de guitarras altas sem muito polimento. Da faixa de abertura, o atropelo &#8220;Doomsday Clock&#8221;, at\u00e9 o encerramento, com a clim\u00e1tica &#8220;Pomp and Circumstances&#8221; (uma das poucas no \u00e1lbum a namorar climas), os Pumpkins ostentam a coroa dos reis do barulho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando lan\u00e7ou seu confuso \u00e1lbum solo, Billy Corgan deve ter pensado que estava enterrando a sete palmos do ch\u00e3o da hist\u00f3ria da m\u00fasica pop seus anos de esmagador de ab\u00f3boras. O fracasso solo, por\u00e9m, foi retumbante. E \u00e9 preciso ter muita cara de pau para se reerguer diante de uma derrocada pessoal, recuperar um dos grandes nomes do rock mundial na d\u00e9cada de 90 chutando para fora da forma\u00e7\u00e3o o guitarrista James Iha e a baixista D&#8217;Arcy (mas colocando em seus lugares quase s\u00f3sias), e mantendo na banda apenas o parceiro m\u00e3o pesada Jimmy Chamberlin nas baquetas. Como pose de dono do mundo, Corgan assume o Smashing Pumpkins como seu, e tenta deixar o mundo surdo com guitarras afiadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos de barulho, antes que voc\u00ea o fa\u00e7a, adianto que n\u00e3o h\u00e1 como comparar os Pumpkins com o Queens of The Stone Age. Mesmo n\u00e3o sendo um \u00e1lbum perfeito, &#8220;Era Vulgaris&#8221;, novo CD do combo comandado por Josh Homme, exibe mais daquilo que transformou o QOTSA nos reis do inferno no mundo atual: barulho, mas com charme; porrada, mas com detalhes. Homme faz de seu inferno de barulho uma viagem por paisagens sonoras. O QOTSA bate com viol\u00eancia, mas o faz de uma maneira primorosamente art\u00edstica, se \u00e9 que voc\u00ea me entende. Billy Corgan vai por outro lado. Ele desenha riffs na atmosfera sem detalhes. \u00c9 tudo na cara, sem romance, sem charme, sem perd\u00e3o. A op\u00e7\u00e3o funciona em um mundo que pode lhe atropelar na faixa de pedestres em pleno sinal vermelho, mas quem se acostumou com a voz de Corgan ir\u00e1 sentir falta do apuro mel\u00f3dico e dos arranjos suntuosos vistos em outras eras smashingpumpkianas. O passado condena \u00e9 uma frase que parece saltar aos ouvidos a cada segundo executado de &#8220;Zeitgeist&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Movida por camadas de distor\u00e7\u00e3o, &#8220;Doomsday Clock&#8221; abre o \u00e1lbum como se um um pr\u00e9dio estivesse caindo, e cita Kafka ao versar sobre o desconforto dos dias que vivemos; o desespero do mundo moderno continua em &#8220;7 Shades of Black&#8221;, faixa fraquinha que vem na seq\u00fc\u00eancia; em &#8220;Bleeding the Orchid&#8221;, a dramaticidade dos vocais enchem um pouco o saco, mas h\u00e1 um interessante break no final da can\u00e7\u00e3o que quase nos salva do purgat\u00f3rio; &#8220;That&#8217;s the Way (My Love Is)&#8221; faz sentir saudade do velho Smashing com seu refr\u00e3o rom\u00e2ntico e suas guitarras comportadas afundadas na mixagem; o primeiro single, &#8220;Tarantula&#8221;, \u00e9 disparada a melhor can\u00e7\u00e3o do disco, com seu riff sujo na cara e sua letra direta e esperta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em &#8220;Starz&#8221;, o teclado se faz ouvir enquanto Corgan repete: <em>&#8220;N\u00f3s somos estrelas&#8221;<\/em>; os nove minutos de &#8220;United States&#8221; s\u00e3o amplamente dispens\u00e1veis; a guitarra s\u00f3 descansa, de verdade, na abertura de &#8220;Neverlost&#8221;, faixa 8, bonitinha e ordin\u00e1ria; &#8220;Bring the Light&#8221; \u00e9 outra faixa medianamente boa; e &#8220;For God and Country&#8221; e &#8220;Pomp and Circumstances&#8221; fecham o \u00e1lbum estranhamente, uma mais eletr\u00f4nica, outra mais clim\u00e1tica, em total falta de sintonia com a primeira parte do disco (sem contar &#8220;Zeitgeist&#8221;, faixa t\u00edtulo que ficou de fora da vers\u00e3o final, e que \u00e9 uma das melhores composi\u00e7\u00f5es da nova safra do careca, e que surge como b\u00f4nus em uma das v\u00e1rias vers\u00f5es do disco, e \u00e9 essencialmente&#8230; ac\u00fastica, com viol\u00f5es e tudo &#8211; ali\u00e1s, &#8220;Stellar&#8221;, outra boa faixa, ficou tamb\u00e9m como lado B). A rigor, Billy Corgan come\u00e7a o \u00e1lbum de um jeito e termina de outro, e no meio dessa indefini\u00e7\u00e3o se sobressai o barulho, sua paix\u00e3o pelo rock burro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 injusto, eu sei, mas comparar \u00e9 preciso, e em termos de compara\u00e7\u00e3o, &#8220;Zeitgeist&#8221; \u00e9 o ponto mais baixo da carreira dos Pumpkins; uma das grandes bandas do rock nos anos 90, os Pumpkins parecem um zumbi caminhando sobre uma terra de mortos, o que parece soar proposital. Em seu retorno no di\u00e1logo com as massas (depois da chafurdada carreira solo), Billy Corgan parece n\u00e3o querer se relacionar com seu p\u00fablico de quase quinze anos atr\u00e1s. Ele parece mais interessado na molecada g\u00f3tica apaixonada por barulho, e que transformou bandas como Linkin Park, Deftones e Korn em grandes nomes do rock nos anos 00.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imagino que voc\u00ea, assim como eu, tor\u00e7a o nariz para as bandas citadas acima, mas sempre lembro de uma aula na faculdade, em que o professor analisava uma propaganda de sab\u00e3o em p\u00f3, e finalizava seu pensamento sobre o desinteresse de todos os alunos com a frase: <em>&#8220;voc\u00eas n\u00e3o s\u00e3o o p\u00fablico alvo dessa propaganda&#8221;<\/em>. E talvez seja isso mesmo: Billy Corgan n\u00e3o quer falar com quem o ouvia quinze anos atr\u00e1s, e por isso fez um disco de rock burro para afastar os f\u00e3s de &#8220;Tonight, Tonight&#8221; e &#8220;Disarm&#8221;. Se voc\u00ea \u00e9 um desses f\u00e3s, tente ouvir &#8220;Zeitgeist&#8221; com o distanciamento necess\u00e1rio. N\u00e3o \u00e9 um dos grandes discos do ano (acho que n\u00e3o vai entrar nem num Top 100), mas \u00e9 um \u00f3timo exerc\u00edcio de deselitismo. \u00c9 pouco, eu sei, mas basta para mim (por enquanto, por enquanto). E para voc\u00ea, leitor?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;Zeitgeist&#8221; foi lan\u00e7ado na gringa no dia 09 de julho, em v\u00e1rias vers\u00f5es diferentes (Purple, Brown e outras) incluindo bonus tracks, e ainda n\u00e3o ganhou lan\u00e7amento nacional.<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Smashing Pumpkins - Doomsday Clock\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2ptlJklPoxU?list=PLCqS4xDDygMj5-B59XNiEi-l1wcEtEN0M\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"texto por Marcelo Costa Um dos maiores riscos a que um apaixonado por m\u00fasica pode passar com o decorrer dos anos \u00e9 a \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/07\/26\/smashing-pumpkins-e-a-volta-do-rock-burro\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[7449],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=253"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":84955,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253\/revisions\/84955"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}