{"id":25271,"date":"2014-06-02T23:16:11","date_gmt":"2014-06-03T02:16:11","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=25271"},"modified":"2023-03-29T01:22:03","modified_gmt":"2023-03-29T04:22:03","slug":"entrevista-lucio-maia-nacao-zumbi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/02\/entrevista-lucio-maia-nacao-zumbi\/","title":{"rendered":"Entrevista: L\u00facio Maia (Na\u00e7\u00e3o Zumbi)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-25272\" title=\"nacao1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/nacao1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/izarcosta\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Izabela Costa<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O calend\u00e1rio marcava dia 2 de fevereiro. O ano? 1997. O m\u00fasico, cantor, compositor e agitador cultural pernambucano Francisco de Assis Fran\u00e7a, mais conhecido como Chico Science, morria aos 30 anos de idade. V\u00edtima de um acidente de carro, no qual o cinto de seguran\u00e7a ativado n\u00e3o funcionou, Science saiu de cena de maneira tr\u00e1gica e abrupta, deixando companheiros de banda e f\u00e3s desnorteados. \u201cDurante tr\u00eas anos ensaiamos todos os dias, a gente recriou a banda e simulou um novo som, uma nova forma de ver\u201d, conta L\u00facio Maia, guitarrista da Na\u00e7\u00e3o Zumbi, banda criada por Chico Science que, ao lado da Mundo Livre S\/A, lan\u00e7ou as principais bases do movimento multicultural  manguebeat na d\u00e9cada de 90, em Recife.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exatamente duas d\u00e9cadas ap\u00f3s o lan\u00e7amento do primeiro \u00e1lbum, o cl\u00e1ssico &#8220;Da Lama Ao Caos&#8221;, a Na\u00e7\u00e3o Zumbi gera agora um novo foco de aten\u00e7\u00f5es. O disco hom\u00f4nimo in\u00e9dito, disponibilizado para download no come\u00e7o do m\u00eas \u2013 e que tamb\u00e9m j\u00e1 se encontra em lojas f\u00edsicas \u2013 saiu sete anos ap\u00f3s o \u00faltimo \u00e1lbum, o vibrante &#8220;Fome De Tudo&#8221;. Nesse meio tempo, a banda se dividiu em diversos projetos paralelos, o que possibilitou um ritmo de trabalho mais tranq\u00fcilo para o novo \u00e1lbum. \u201cA gente vinha numa pegada muito burocr\u00e1tica, tocando porque precisava de grana, n\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da arte&#8221;, relembra o guitarrista. &#8220;Principalmente o per\u00edodo que fomos parando, est\u00e1vamos muito obrigados no palco. Era uma coisa que se sentia dentro da banda mesmo. Todo mundo sabia que precis\u00e1vamos dar um tempo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por telefone, L\u00facio Maia bateu um papo com o Scream &amp; Yell e comentou sobre o novo trabalho, as saudades de Chico e o anivers\u00e1rio de &#8220;Da Lama Ao Caos&#8221;, entre outros assuntos. Filos\u00f3fico, o guitarrista tamb\u00e9m apontou a raz\u00e3o pela qual, vinte e tr\u00eas anos depois da cria\u00e7\u00e3o da banda, ele, Jorge Du Peixe (vocal), Pupillo (bateria), Dengue (baixo), Toca Ogan (percuss\u00e3o) e Gilmar Bola 8 (tambor) continuam a criar: \u201cAs pessoas ainda est\u00e3o interessadas em nos ouvir e ver como nos expressamos ao vivo, que \u00e9 o mais importante para mim. T\u00f4 feliz de estar aqui\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/OhNKpgwQPJ0\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/OhNKpgwQPJ0\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como que est\u00e1 sendo o lan\u00e7amento do novo disco (&#8220;Na\u00e7\u00e3o Zumbi&#8221;)? Muitas resenhas pontuam uma maturidade, mas a Na\u00e7\u00e3o por si s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 bastante madura. Queria entender como que voc\u00eas est\u00e3o vendo esse novo trabalho sair a\u00ed, para o mundo.<\/strong><br \/>\nA gente tinha muita certeza de que o disco estava bom, (ent\u00e3o), de certa forma, j\u00e1 esper\u00e1vamos cr\u00edticas boas. Fizemos esse disco com calma quebrando um ciclo que vinhamos fazendo h\u00e1 20 anos: fecha contrato com gravadora, marca data de grava\u00e7\u00e3o do disco, lan\u00e7a o disco e cai na estrada. Era assim, de dois em dois anos, e esse novo \u00e1lbum quebrou essa rotina. Nos envolvemos em outras coisas depois do &#8220;Fome de Tudo&#8221; (2007). Lan\u00e7amos o CD e DVD &#8220;Ao Vivo no Recife&#8221; (2012), fizemos o disco com o Mundo Livre (&#8220;Mundo Livre S\/A Vs Na\u00e7\u00e3o Zumbi&#8221;, de 2013), que saiu pela Deck, e lan\u00e7amos o Los Sebosos Postizos (&#8220;Interpretam Jorge Ben Jor&#8221;, em 2012), que tamb\u00e9m era um disco que j\u00e1 estava engatilhado&#8230; Eu, Pupilo e Dengue participamos da turn\u00ea da Marisa Monte, que durou quase dois anos tamb\u00e9m. A gente vinha numa pegada muito burocr\u00e1tica, tocando porque precisava de grana, n\u00e3o estava mais em fun\u00e7\u00e3o da arte. Principalmente o per\u00edodo que fomos parando (a banda), est\u00e1vamos muito obrigados no palco. Apesar de que as pessoas n\u00e3o precebiam isso porque a Na\u00e7\u00e3o Zumbi sempre foi uma banda muito profissional, em rela\u00e7\u00e3o ao show e ao comportamento. Era uma coisa que se sentia dentro da banda mesmo, n\u00e3o no palco. As rela\u00e7\u00f5es internas&#8230; todo mundo sabia que precisava dar um tempo. Esse break foi um tempo legal para que a gente atingisse esse resultado, um disco de can\u00e7\u00f5es bonitas e relevantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E durante esses dois anos de produ\u00e7\u00e3o do novo \u00e1lbum, como rolou o processo de cria\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nA Na\u00e7\u00e3o sempre teve uma diretriz de que a parte criativa sempre fosse coletiva. E sempre vai ser. Esses dois anos, l\u00f3gico, foi uma coisa ben\u00e9fica, deu para fazer o disco com calma, at\u00e9 porque existe uma vis\u00e3o depois de um tempo. Eu gravei, um ano depois escutei novamente e n\u00e3o gostei, n\u00e3o achei que estava legal, a\u00ed gravei de novo. O Jorge [Du Peixe] tem muito disso tamb\u00e9m. Acho que a gente p\u00f4de completar o disco de uma forma tranquila. Eu n\u00e3o sei te explicar o porqu\u00ea dele ser mais enriquecido melodicamente, vai ver \u00e9 o nosso momento, aquela circunst\u00e2ncia que todos passamos ali. Principalmente Jorge e eu, n\u00f3s vivemos problemas pessoais semelhantes que talvez tenham levado esse disco a ser mais introspecto, sabe? Um aspecto mais envolvente da abertura da alma, do modo de falar. A maneira como estamos abordando as coisas mais bonitas da vida, que \u00e9 o amor. Eu acredito que tudo isso influenciou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em que sentido os demais trabalhos dos integrantes da banda influenciaram nesse disco novo?<\/strong><br \/>\nOlha, n\u00e3o sei mensurar, mas houve influ\u00eancia sim, sem d\u00favida. N\u00e3o sei em que quantidade, onde entrou, mas rolou. Com certeza, tudo que fazemos influencia na hora. A vida influencia mais do que qualquer coisa que esteja ligada ao trabalho. Todo mundo que trabalha com arte, com criatividade, sabe que a maior inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 a observa\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como que aconteceu a participa\u00e7\u00e3o da cantora Lula Lira [filha de Chico Science, ela faz parte da banda Afrobombas] nos coros femininos desse \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nA gente convidou a Lula porque ela faz parte da nossa fam\u00edlia, do nosso conv\u00edvio. E ela sempre cantou muito bem. Pensamos em fazer nesse disco algumas can\u00e7\u00f5es com backing vocals femininos. Ela estava muito perto e foi imediato pensar nela. \u00c9 algo que a Na\u00e7\u00e3o sempre traz, essa presen\u00e7a de mulheres em nossos \u00e1lbuns. Cantoras como C\u00e9u e Lia de Itamarac\u00e1 j\u00e1 participaram. Neste \u00faltimo, al\u00e9m de Lula, temos a Laya Lopes (O Jardim das Horas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outro ponto bastante tratado nas resenhas \u00e9 a lembran\u00e7a de Chico Science na can\u00e7\u00e3o \u201cCicatriz\u201d.  Al\u00e9m das saudades, o que ficou dele em voc\u00eas e que continua at\u00e9 hoje? Na hora que voc\u00eas se sentam para criar, ele aparece de que forma?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei mensurar, mas ele est\u00e1 l\u00e1 sim. Chico foi um cara que mexeu em tudo. O grande entusiasta da hist\u00f3ria inteira. Foi ele que montou a banda, foi ele que deu muita diretriz, foi ele que veio com essa ideia do mangue. Ela era um letrista, era o frontman que dava o incentivo para a gente se desenvolver no palco. Muita coisa que fazemos at\u00e9 hoje, muitos discos que lan\u00e7amos, todo show, qualquer entrevista que a gente d\u00e1, j\u00e1 \u00e9 em tom de homenagem, sempre tentando levantar essa import\u00e2ncia dele. Passamos uma li\u00e7\u00e3o de vida que pouqu\u00edssimas pessoas passariam \u00e0 diante depois de viver o que vivemos. Ap\u00f3s a morte de Chico, tudo estava contra a gente voltar. Nessa \u00e9poca eu escutei um monte de coment\u00e1rio dizendo: \u201cAh, eu acho que a banda tem que acabar\u201d. E foi uma coisa muito pessoal, sab\u00edamos que seria a pior coisa do mundo terminar. Assim como foi o fim da vida dele, t\u00e3o tr\u00e1gico, t\u00e3o repentinamente parar aquilo ali, n\u00e3o quer\u00edamos que isso acontecesse com a m\u00fasica. Ficamos durante tr\u00eas anos ensaiando todos os dias! A gente recriou a banda e simulou um novo som, uma nova forma de ver. Muitos comparam: \u201cAh, prefiro mais antigamente, prefiro assim, assado\u201d e eu entendo. Porque realmente \u00e9 outra banda, n\u00e3o \u00e9 mais aquela. E a gente n\u00e3o tem inten\u00e7\u00e3o nenhuma de ser aquilo que foi. Acho que hoje, depois de 17 anos da morte dele, estamos completando 23 anos de banda, vejo que a Na\u00e7\u00e3o Zumbi conseguiu se manter mesmo n\u00e3o tocando em r\u00e1dio, n\u00e3o aparecendo na televis\u00e3o. As pessoas ainda est\u00e3o interessadas em nos ouvir e ver como nos expressamos ao vivo, que \u00e9 o mais importante para mim. E \u00e9 isso, estou feliz de estar aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse break voc\u00eas n\u00e3o ficaram parados, estavam no palco de qualquer forma. Mas como \u00e9 reencontrar os f\u00e3s de Na\u00e7\u00e3o Zumbi, de fato? E a receptividade das novas m\u00fasicas, como tem sido?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o indescrit\u00edvel. Uma coisa assim muito inspiradora. Acho que todo mundo que trabalha com o p\u00fablico procura por esse tipo de sensa\u00e7\u00e3o. Esse contato com o resultado final \u00e9 o que alimenta a criatividade, alimenta a sua necessidade de se expressar politicamente. Voc\u00ea leva tanto tempo, desde quando voc\u00ea cria a m\u00fasica, cria o riff, at\u00e9 aquilo ali ser ensaiado, depois todo o processo gr\u00e1fico at\u00e9 chegar nas m\u00e3os do f\u00e3 e o f\u00e3 dizer: \u201cCaralho, gostei!\u201d. Leva muito tempo, s\u00e3o muitas energias gastas at\u00e9 chegar aquele momento. A\u00ed, quando voc\u00ea d\u00e1 sua cara a tapa e as pessoas olham e dizem, \u201ccaralho, bixo! Ficou muito bom, valeu, muito obrigada!\u201d, voc\u00ea sabe que valeu a pena. Com as novas m\u00fasicas tem sido assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esses dias li um depoimento do Liminha a respeito da produ\u00e7\u00e3o de &#8220;Da Lama Ao Caos&#8221; (1994), que esse ano completa duas d\u00e9cadas de exist\u00eancia. Ele diz que durante a grava\u00e7\u00e3o, algumas coisas foram complicadas de se fazer. A partir da\u00ed, eu te pergunto: o <\/strong><strong><strong>&#8220;Da Lama Ao Caos&#8221;<\/strong> como a gente conhece poderia ter sa\u00eddo diferente? Existiu algo que voc\u00eas pensaram em colocar ali e n\u00e3o puderam?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o&#8230; Ele \u00e9 o que \u00e9 porque foi assim. O disco s\u00f3 alcan\u00e7ou esse legado todo, s\u00f3 se tornou um cl\u00e1ssico, porque ele soou desse jeito. Ficou tudo esquisito ali mesmo e de certa forma ficou como tinha de ficar, eu n\u00e3o vejo o disco diferente em absolutamente nada. Escutando-o hoje, sei que ele \u00e9 um grande registro. Naquela \u00e9poca a gente n\u00e3o sabia nada direito, n\u00e3o tinhamos equipamento, nem experi\u00eancia de grava\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tocavamos porra nenhuma direito, mas pra gente era muito fresco, muita energia da juventude. Chegamos no est\u00fadio com o Liminha, um dos maiores produtores do Brasil, todo aquele legado dos anos 80 nas costas dele. Ele tinha sido d\u2019Os Mutantes e era dono do Nas Nuvens [est\u00fadio carioca onde o disco foi gravado], que era um est\u00fadio absurdamente grande e moderno. Prov\u00e1velmente o \u00e1lbum ficou assim justamente por tudo isso acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea consegue identificar atualmente bandas ou sonoridades que tenham nascido do Da Lama&#8230; ou acha que esse contato de gera\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o aconteceu?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o e nem fico procurando essas coisas. N\u00e3o saberia te dizer que tipo de influ\u00eancias outras bandas receberam, porque influ\u00eancia \u00e9 uma coisa t\u00e3o dif\u00edcil de explicar. Voc\u00ea pode sofrer influ\u00eancia de um neg\u00f3cio e criar sua pr\u00f3pria identidade, fazer diferente. Influ\u00eancia n\u00e3o \u00e9 uma boa palavra para a gente dizer at\u00e9 onde essas bandas foram influenciadas. Pode ter sido muito, ou pode ter sido nada, n\u00e3o sei dizer. Mas sobre as bandas que agregaram tambores e outras percuss\u00f5es, eu acho \u00f3timo. \u00c9 ma-ra-vi-lho-so! Porque o Brasil tem uma tend\u00eancia muito forte de virar as costas para sua pr\u00f3pria identidade. Aqui no Sul existe um caguete horr\u00edvel, que diz que tudo da Bahia para cima \u00e9 \u201cregional\u201d. Pra mim, isso \u00e9 um tema pejorativo. \u00c9 de uma cultura que \u00e9 pr\u00f3pria de todo mundo que \u00e9 daqui do Brasil. Quem tem a carteira de identidade e olhar l\u00e1 em cima, vai ver assim: \u201cV\u00e1lida no territ\u00f3rio nacional\u201d. Isso significa que essa cultura que a gente tem \u00e9 de todo mundo, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 minha n\u00e3o. Eu n\u00e3o toco maracatu porque eu sou pernambucano. Eu toco maracatu porque eu gosto da cultura brasileira. Do mesmo jeito que eu toco samba, do mesmo jeito que eu fa\u00e7o rock e gosto das outras coisas do resto do mundo. Eu acho que \u00e9 meio chato esse tipo de rela\u00e7\u00e3o (de chamar de &#8220;regional&#8221;). O que acredito que ficou de bom nisso tudo \u00e9 que muita gente se inspirou. A Na\u00e7\u00e3o Zumbi teve a coragem de pegar e come\u00e7ar a usar coisas que a gente tinha aqui dentro. Em vez de ficar aquela repeti\u00e7\u00e3o did\u00e1tica, transformamos em algo interessante. \u00c9 maravilhosa toda a cultura do frevo, s\u00f3 que ela parou no tempo. A gente pegou o frevo e fez um neg\u00f3cio diferente, o neg\u00f3cio tomou outra dimens\u00e3o. Todo mundo come\u00e7ou a enxergar o frevo de outro jeito. \u201cAh, mas isso a\u00ed n\u00e3o \u00e9 frevo\u201d. L\u00f3gico, n\u00e3o \u00e9 mais. Eu acho que muita banda resolveu fazer isso, perdeu o medo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E nessa linha de novidades, de gente fazendo diferente, como voc\u00ea me explica que mesmo j\u00e1 tendo mais de 20 anos de carreira, voc\u00eas continuam dentro daquele hall de grandes bandas de rock convidadas a tocar em grades festivais. A Na\u00e7\u00e3o Zumbi e os Raimundos foram os maiores nomes nacionais do Lollapalooza Brasil desse ano. Por que n\u00e3o tem gente mais nova nesse mesmo patamar?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o fa\u00e7o ideia porque ainda n\u00e3o apareceu. \u00c1s vezes j\u00e1 apareceu alguma coisa nova, pode ser que apare\u00e7a amanh\u00e3, pode at\u00e9 mesmo ser que j\u00e1 esteja rolando alguma coisa e a gente n\u00e3o saiba. Quando a gente come\u00e7ou toda aquela movimenta\u00e7\u00e3o no in\u00edcio dos anos 90, at\u00e9 ali a \u00fanica coisa que tinha rolado no estado de Pernambuco tinha sido vinte anos antes, com Alceu Valen\u00e7a, Ave Sangria e toda aquela movimenta\u00e7\u00e3o da d\u00e9cada de 70.  Ali eles j\u00e1 misturavam caboclinho com rock e n\u00e3o sei o que. E quando a gente come\u00e7ou em 90, encontramos tudo parado, nada acontecia. O boom dos anos 80 foi aquela onda das bandas brasileiras imitando as inglesas, aquilo ali n\u00e3o tinha nada a ver com a fomenta\u00e7\u00e3o cultural brasileira. Uma coisa comercial e sem diretriz. Eu acho que foi legal, eu curti muito, mas foi isso. S\u00e3o coisas que acontecem de tempos em tempos. N\u00e3o sei te dizer porque n\u00e3o t\u00e1 rolando nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00ea tem escutado de novo, L\u00facio?<\/strong><br \/>\nCara, eu entrei em contato com algumas coisas no Lollapalooza. Jake Bugg, aquelas meninas do Savages&#8230; O Bugg com elementos de country, achei bem legal. Aqui no Brasil gosto de pouca coisa, n\u00e3o tem nada exc\u00eantrico o bastante que me atraia (risos) e n\u00e3o sou muito a favor das coisas voltadas para o comercialz\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No livro &#8220;Mondo Massari&#8221; (2013, Ideal), o Reverendo selecionou uma entrevista contigo no lan\u00e7amento de &#8220;Homem Bin\u00e1rio&#8221;, do Maquinado, em 2007. No papo, voc\u00ea diz que se organiza de um modo bastante simples: cada trabalho, uma pasta na \u00e1rea de \u00edcones do seu computador. Se eu ligar seu computador hoje, quais pastas vou encontrar l\u00e1?<\/strong><br \/>\nUm monte de ideias e coisas que eu ainda quero fazer. Minha rela\u00e7\u00e3o \u00e9 com m\u00fasica, eu gosto de me diversificar. Nunca fui um cara quieto. Pra mim \u00e9 muito importante viver me expressando, sabe? N\u00e3o sou o tipo de pessoa que se realiza com pouca coisa, e pensar em carreira \u00e9 o mais importante, mais do que fazer discos. Eu sou m\u00fasico, meu neg\u00f3cio \u00e9 trabalhar com m\u00fasica, ent\u00e3o \u00e9 isso que eu fa\u00e7o. Se eu fosse advogado, teria quatro escrit\u00f3rios (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/HDzWWVZMusU\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/HDzWWVZMusU\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Z-D25DQsxE0\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Z-D25DQsxE0\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Izabela Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/izarcosta\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@izarcosta<\/a>) \u00e9 jornalista e editora do programa <a href=\"http:\/\/www.perdidosnoar.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Perdidos no Ar <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Izabela Costa\n&#8220;Todo mundo sabia que precis\u00e1vamos dar um tempo\u201d, diz Lucio Maia, que analisa a volta com disco novo da Na\u00e7\u00e3o Zumbi\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/02\/entrevista-lucio-maia-nacao-zumbi\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2511],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25271"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25271"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25271\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73510,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25271\/revisions\/73510"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25271"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25271"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25271"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}