{"id":25261,"date":"2014-06-02T20:10:30","date_gmt":"2014-06-02T23:10:30","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=25261"},"modified":"2016-09-04T13:46:21","modified_gmt":"2016-09-04T16:46:21","slug":"entrevista-fabio-brazz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/02\/entrevista-fabio-brazz\/","title":{"rendered":"Entrevista: Fabio Brazza"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-25262\" title=\"fabio1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/fabio1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"507\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/fabio1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/fabio1-300x251.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <\/strong><a href=\"https:\/\/twitter.com\/marquinhozp\" target=\"_blank\"><strong>Marcos Paulino<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sonho de Fabio Brazza era ser jogador de futebol. Depois de passar pelas categorias de base do Palmeiras, conseguiu uma bolsa de estudos para jogar bola nos Estados Unidos. Mas carregava consigo o gosto pela poesia, herdado do av\u00f4, Ronaldo Azeredo, que tamb\u00e9m lhe apresentou o samba de Noel Rosa e Cartola. Por\u00e9m, Fabio tamb\u00e9m curtia rap e, ap\u00f3s vencer uma \u201cbatalha\u201d na esta\u00e7\u00e3o Santa Cruz do metr\u00f4 paulistano, resolveu levar as rimas mais a s\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, foi meio que inevit\u00e1vel que samba e rap se misturassem nas composi\u00e7\u00f5es de Fabio, como se pode notar em \u201cFilho da P\u00e1tria\u201d, disco virtual que ele lan\u00e7ou, n\u00e3o por acaso, em 22 de abril, dia do descobrimento do Brasil. Dispon\u00edvel no iTunes e tamb\u00e9m para download gratuito no site do cantor (<a href=\"http:\/\/www.fabiobrazza.com\" target=\"_blank\">www.fabiobrazza.com<\/a>), o \u00e1lbum tem a participa\u00e7\u00e3o do rapper Chali 2na em uma das m\u00fasicas. Abaixo, Fabio fala sobre o disco e da experi\u00eancia de ensinar ingl\u00eas para crian\u00e7as no Camboja, entre outras coisas,<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/VHPFUWi6vW8\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/VHPFUWi6vW8\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Seu disco est\u00e1 sendo lan\u00e7ado de forma digital. N\u00e3o est\u00e1 previsto o CD f\u00edsico?<\/strong><br \/>\nLancei de forma digital porque estou nos Estados Unidos e o meu p\u00fablico est\u00e1 no Brasil. Por isso, senti a urg\u00eancia de lan\u00e7ar dessa forma por hora. Mas assim que eu voltar para o Brasil, em junho, vou lan\u00e7ar o CD f\u00edsico tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Suas letras retratam muitas das mazelas brasileiras, com cr\u00edticas bastante atuais aos nossos problemas pol\u00edticos e socioecon\u00f4micos. Morar fora do Brasil facilita essa vis\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAcho que facilita muito, e posso dizer que virei mais patriota assim que comecei a morar fora. Aprendi a enxergar as falhas do Brasil com mais clareza, mas principalmente a valorizar as coisas boas que poucos de n\u00f3s, brasileiros, conseguimos. Temos a mania de reclamar e s\u00f3 enxergar o lado ruim do nosso Brasil, mas, a exemplo dos americanos, creio que o pa\u00eds s\u00f3 ir\u00e1 pra frente quando aprendermos a valorizar o lado bom tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea foi criado ouvindo cl\u00e1ssicos do samba. Como se deu sua identifica\u00e7\u00e3o com o rap?<\/strong><br \/>\nFoi meu av\u00f4, Ronaldo Azeredo, que \u00e9 poeta concreto, que me apresentou aos cl\u00e1ssicos de samba, que cresci escutando. Aos 11 anos, ganhei do meu irm\u00e3o mais velho um CD dos Racionais MCs. O que me pegou no rap foi esse tom destemido e de manifesto. Eu sempre prestava aten\u00e7\u00e3o nas letras, e no rap a letra \u00e9 uma forma de discurso. Desde ent\u00e3o, comecei a fazer rap, at\u00e9 fui campe\u00e3o, aos 14 anos, num campeonato de m\u00fasica da minha escola com uma letra de rap. Mas mesmo assim o samba sempre foi e era, at\u00e9 ent\u00e3o, meu amor primeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea estudou em faculdade particular em S\u00e3o Paulo e tamb\u00e9m nos EUA, o que te distancia do perfil cl\u00e1ssico dos m\u00fasicos do rap. J\u00e1 sentiu alguma rejei\u00e7\u00e3o ao seu trabalho por conta disso?<\/strong><br \/>\nAssim que comecei a participar de batalhas de improviso de rap, eu sofria um pouco com isso. O argumento usado para me zoar era o de que eu era playboy e n\u00e3o devia fazer rap. Cresci ouvindo o rap que veio da rua e amo isso, mas, como n\u00e3o vim da rua, escrevo sobre o que vivi ou aprendi. O rap da rua \u00e9 muito legal e preserva as ra\u00edzes, mas se o rap quiser evoluir e atingir mais pessoas, n\u00e3o pode se limitar a um assunto s\u00f3, precisa abordar assuntos mais abrangentes. Acho que meu rap traz uma variedade de assuntos interessantes, que t\u00eam o tom do protesto da rua, mas tamb\u00e9m misturam um pouco com o deboche do samba em algumas m\u00fasicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como se deu a participa\u00e7\u00e3o do rapper Chali 2na no disco?<\/strong><br \/>\nEu tinha escrito uma m\u00fasica com um tema mais global e o refr\u00e3o em ingl\u00eas, ent\u00e3o achei que combinava colocar uma participa\u00e7\u00e3o de um americano. O meu irm\u00e3o, que est\u00e1 estudando music businnes em Los Angeles, conseguiu o contato do Chali 2na e mandou a m\u00fasica. Prontamente ele respondeu: \u201cEspero que gostem\u201d. Quando escutei, quase chorei de emo\u00e7\u00e3o. O Chali 2na \u00e9 um \u00eddolo de moleque e muito respeitado na cena do rap mundial. Considero esse o maior feito do meu CD.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que voc\u00ea resolveu homenagear Anderson Silva? Como recebeu a rea\u00e7\u00e3o dele, que postou a m\u00fasica nas suas redes sociais?<\/strong><br \/>\nEu j\u00e1 tinha escrito essa m\u00fasica h\u00e1 dois anos, mas n\u00e3o tinha interesse de gravar, porque achava que tinha outras can\u00e7\u00f5es com assuntos mais relevantes, e tamb\u00e9m n\u00e3o queria soar oportunista. Por\u00e9m, quando o Anderson perdeu sua luta, escutei todo mundo falando mal dele e vi ele postar no Twitter: \u201cF\u00e1cil falar, o dif\u00edcil \u00e9 ser eu\u201d. A\u00ed pensei: \u201cPoxa, esse \u00e9 o refr\u00e3o da minha m\u00fasica pra ele\u201d. Pensei que esse era o momento de apoiar o meu \u00eddolo, porque era o momento em que todos estavam contra e eu queria mostrar que estava com ele. Quando o Anderson postou no seu Twiter minha m\u00fasica dizendo que estava emocionado, fiquei muito feliz e pra mim ali todo trabalho valeu a pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00ea trouxe de influ\u00eancias do per\u00edodo em que realizou trabalhos volunt\u00e1rios na \u00c1sia?<\/strong><br \/>\nNa \u00c1sia, tive um choque de cultura muito grande e presenciei muita pobreza, por\u00e9m tamb\u00e9m muita gente humilde e feliz. Comecei a me questionar o qu\u00e3o pouco a gente precisa pra ser feliz. Ao fazer trabalho volunt\u00e1rio para ensinar ingl\u00eas para as crian\u00e7as no Camboja, foram eles que me ensinaram outra l\u00edngua, a linguagem do amor, que \u00e9 universal e mais rica que qualquer outra moeda. Levei minha c\u00e2mera e gravei muitas imagens legais, que v\u00e3o ser usadas no meu videoclipe para a m\u00fasica \u201cTime to love\u201d, com o rapper Chali 2na. A parte dele foi gravada na favela do Cap\u00e3o Redondo, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vai haver uma turn\u00ea de lan\u00e7amento do disco?<\/strong><br \/>\nTenho muitos convites para shows j\u00e1, mas n\u00e3o tenho datas. Assim que voltar para o Brasil, vou mergulhar na divulga\u00e7\u00e3o do meu \u00e1lbum atrav\u00e9s de shows e da produ\u00e7\u00e3o do CD f\u00edsico. Tamb\u00e9m tenho a ambi\u00e7\u00e3o de come\u00e7ar a gravar outras m\u00fasicas que compus. Quem sabe j\u00e1 podem ficar pro pr\u00f3ximo \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/VSdUb7cazf8\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/VSdUb7cazf8\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcos Paulino \u00e9 jornalista e editor do caderno <a href=\"http:\/\/www.mundoplug.com.br\/\" target=\"_blank\">Plug<\/a>, do jornal <a href=\"http:\/\/www.gazetadelimeira.com.br\/\" target=\"_blank\">Gazeta de Limeira<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Capicua: &#8220;Infelizmente, chega pouco rap brasileiro a Portugal&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/24\/a-nova-cena-portuguesa-capicua\/\">leia aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Document\u00e1rio sobre a rela\u00e7\u00e3o do rap com a m\u00eddia (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2014\/05\/27\/documentario-o-rap-e-a-midia\/\">assista aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;O rap da rua preserva as ra\u00edzes, mas se quiser evoluir e atingir mais pessoas, n\u00e3o pode se limitar a um assunto s\u00f3&#8221;, diz Fabio\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/02\/entrevista-fabio-brazz\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1051],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25261"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25261"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25261\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39837,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25261\/revisions\/39837"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25261"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25261"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25261"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}