{"id":25169,"date":"2014-05-24T12:08:24","date_gmt":"2014-05-24T15:08:24","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=25169"},"modified":"2016-05-30T10:41:51","modified_gmt":"2016-05-30T13:41:51","slug":"tres-filmes-anna-karina-e-godard","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/24\/tres-filmes-anna-karina-e-godard\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas filmes: Anna Karina e Godard (1)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-25170\" title=\"anna1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/anna1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cUma Mulher \u00e9 Uma Mulher\u201d (\u201cUne Femme est Une Femme\u201d, 1961)<\/strong><br \/>\nHanna Karin Blarke Bayer chegou a Paris com 17 anos (1957) e logo o diretor Jean-Luc Godard se viu apaixonado por ela. Ele a queria para \u201cAcossado\u201d (1960), mas a jovem dinamarquesa n\u00e3o aceitou o papel devido a um nu exigido pelo roteiro (que ficou de fora da vers\u00e3o final do filme). Ele n\u00e3o desistiu: casou-se com ela, que passou a ser o principal rosto da Nouvelle Vague. Sua estreia sob as lentes de Godard foi em \u201cUm Pequeno Soldado\u201d (1960), mas \u00e9 com \u201cUma Mulher \u00e9 Uma Mulher\u201d (o terceiro filme de Godard) que Anna Karina desponta para o mundo ganhando o Urso de Prata de Melhor Atriz em Berlim. Homenagem singela aos musicais norte-americanos, \u201cUma Mulher \u00e9 Uma Mulher\u201d \u00e9 uma com\u00e9dia doce, descompromissada e leve que conta a hist\u00f3ria da stripper Angela (Anna Karina). Ela vive um relacionamento conturbado e apaixonado com \u00c9mile (Jean-Claude Brialy) enquanto \u00e9 cortejada pelo melhor amigo do marido, Alfred (Jean-Paul Belmondo). Angela quer ter filhos, \u00c9mile n\u00e3o, e isso \u00e9 pretexto para algumas situa\u00e7\u00f5es c\u00f4micas do roteiro, como o marido oferec\u00ea-la para passantes na rua (\u201cPor favor, voc\u00ea poderia engravidar a minha mulher?\u201d). Destaque para a trilha invasiva de Michel Legrand, para o roteiro apaixonado (e feminista) de Godard e para Jeanne Moreau, que faz uma ponta, num bar, contando que est\u00e1 filmando\u2026 \u201cJules et Jim\u201d. Um filme simples e eficiente (como Godard raramente seria daqui pra frente) que mant\u00e9m seu charme.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-25171\" title=\"viver\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/viver.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/viver.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/viver-300x123.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cViver a Vida\u201d (\u201cVivre Sa Vie\u201d, 1962)<\/strong><br \/>\nNo quarto filme de Godard (o terceiro em sequencia estrelado pela esposa), Anna Karina vive o papel de Nana, uma garota sonhadora de 20 anos que deixa marido e filho para tentar ser atriz, n\u00e3o consegue se destacar e acaba precisando se prostituir para sobreviver. Pr\u00eamio do J\u00fari em Veneza, \u201cViver a Vida\u201d \u00e9 dividido em 12 pequenos atos que permitem a Godard fragmentar a hist\u00f3ria e divertir-se em cenas que trazem seus personagens de costas para a c\u00e2mera, como a genial abertura, uma longa conversa no balc\u00e3o de um bar em que Nana rompe com o marido. Nana flutua entre o ing\u00eanuo sonhador e o sil\u00eancio contemplativo enquanto Godard explica em detalhes a profiss\u00e3o de prostituta na Fran\u00e7a (leis, pol\u00edcia, quanto ganha, quem atender, onde circular, como usar o quarto, etc\u2026) e questiona a import\u00e2ncia da verbaliza\u00e7\u00e3o: \u201cQuanto mais falamos, menos as palavras significam\u201d, ela diz. Depois pergunta a um fil\u00f3sofo: \u201cAs palavras nos traem?\u201d e ganha como resposta: \u201cN\u00f3s nos tra\u00edmos\u201d. Ela questiona o amor, e o fil\u00f3sofo diz que ningu\u00e9m com 20 anos pode entend\u00ea-lo. O olhar de Nana atravessa a c\u00e2mera (como se questionando o marido cineasta). Ela encontrou o amor (Godard tamb\u00e9m), mas o destino ser\u00e1 cruel\u2026 no cinema. Um dos melhores Godard da primeira fase (fresco e atual mesmo hoje).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-25172\" title=\"bande\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/bande.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cBande \u00e0 Part\u201d (\u201cBande \u00e0 Part\u201d, 1964)<\/strong><br \/>\nDois outsiders conhecem uma garota (Anna Karina, aqui de cabelos compridos e postura adolescente n\u00e3o exalando a sensualidade a flor da pele de \u201cViver a Vida\u201d e \u201cUma Mulher \u00e9 Uma Mulher\u201d), que conta a um deles que seu tio tem um fortuna guardada dentro do guarda-roupa (sem tranca, chave, cadeado, nada). J\u00e1 imaginou o filme inteiro, certo? A forma sobrep\u00f5e o conte\u00fado em \u201cBande \u00e0 Part\u201d. Godard usa e abusa do estilismo em v\u00e1rias passagens que ainda soam geniais mesmo sem o contexto de \u00e9poca (repeti\u00e7\u00f5es de fala, c\u00e2mera tremida, improvisa\u00e7\u00f5es e a brilhante cena do literal \u201cum minuto de sil\u00eancio\u201d al\u00e9m da dan\u00e7a, que Godard j\u00e1 havia explorado delicadamente em \u201cViver a Vida\u201d, mas que soa muito melhor resolvida aqui), mas que se perdem em uma hist\u00f3ria (quase) previs\u00edvel: a radicaliza\u00e7\u00e3o\/desconstru\u00e7\u00e3o visual n\u00e3o tem um complemento textual a altura. Ainda assim, o tri\u00e2ngulo amoroso cativa o espectador que fica aguardando o desenlace fat\u00eddico. O quase entre par\u00eanteses tem seu motivo: por mais previs\u00edvel que o roteiro (de centenas de filmes franceses) seja(m), Godard consegue fugir do estere\u00f3tipo no desencadear da trama deixando para o espectador um final levemente surpreendente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/HD92rKFiwIE\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/HD92rKFiwIE\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/ubK2Qa44V84\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/ubK2Qa44V84\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/u1MKUJN7vUk\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/u1MKUJN7vUk\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211;\u00a0 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\n&#8220;Uma Mulher \u00e9 Uma Mulher&#8221; \u00e9 simples e eficiente; &#8220;Viver a Vida&#8221; \u00e9 fresco e atual; &#8220;Bande \u00e0 Part&#8221; cativa o espectador\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/24\/tres-filmes-anna-karina-e-godard\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[733],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25169"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25169"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25169\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25181,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25169\/revisions\/25181"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25169"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25169"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25169"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}