{"id":24902,"date":"2014-05-07T10:07:46","date_gmt":"2014-05-07T13:07:46","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=24902"},"modified":"2022-03-03T23:11:40","modified_gmt":"2022-03-04T02:11:40","slug":"entrevistao-novo-ep-da-fresno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/07\/entrevistao-novo-ep-da-fresno\/","title":{"rendered":"Entrevista: o novo EP da Fresno"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/marquinhozp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcos Paulino<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das vantagens de ser independente: resolver gravar um disco com apenas cinco m\u00fasicas num s\u00edtio, \u00e0 beira de uma represa, com o requinte de registrar os vocais quase com os p\u00e9s na \u00e1gua, e realizar tudo isso pouco depois de um m\u00eas da decis\u00e3o ser tomada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi assim que a Fresno fabricou \u201cEu Sou a Mar\u00e9 Viva\u201d, EP rec\u00e9m-lan\u00e7ado que mant\u00e9m a banda ga\u00facha no caminho do rock progressivo e sinf\u00f4nico, mesmo que o l\u00edder, vocalista, compositor e produtor Lucas Silveira relute em abra\u00e7ar esse r\u00f3tulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cManifesto\u201d, com participa\u00e7\u00e3o de Lenine e Emicida, \u00e9 o ponto alto de um \u00e1lbum pesado e com letras acima da m\u00e9dia recente do rock nacional. Sobre esse trabalho, Lucas deu a entrevista a seguir ao PLUG, parceiro do Scream &amp; Yell. Confira.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fresno - 01 - A\u0300 Prova de Balas [Eu Sou A Mare\u0301 Viva]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pfx0LGTnAaQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O t\u00edtulo do disco traz refer\u00eancia \u00e0 mar\u00e9 viva, per\u00edodo em que h\u00e1 maior movimenta\u00e7\u00e3o dos peixes, portanto mais produtivo para a pesca. O que isso tem a ver com este trabalho?<\/strong><br \/>\nAcho que \u00e9 porque estou me aproximando mais do meu pai, que mora em Mostardas, uma cidade pesqueira l\u00e1 do Sul. A m\u00fasica que a gente cria \u00e9 sempre um produto daquilo em que a gente est\u00e1 imerso. Quando d\u00e1 a mar\u00e9 viva, a onda vai bater nas dunas. \u00c9 uma figura boa pra ilustrar quando precisamos de uma for\u00e7a sobre-humana para enfrentar um momento da nossa vida. N\u00e3o s\u00f3 uma banda, mas todos n\u00f3s temos nossos momentos de mar\u00e9 viva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas optaram por gravar na beira de uma represa e chegaram l\u00e1 com boa parte do material inacabado. Por que essa decis\u00e3o?<\/strong><br \/>\nQuando componho, j\u00e1 vou meio que produzindo, tra\u00e7ando um caminho. Nosso objetivo foi n\u00e3o se prender a esse caminho que tracei quando comecei a compor a m\u00fasica. Eu quis que o resto da banda tamb\u00e9m inventasse em cima daquilo. Depois de dois dias no s\u00edtio, tua energia come\u00e7a a mudar e quisemos condensar esses momentos na grava\u00e7\u00e3o. L\u00e1 tivemos escolhas muito importantes. Uma delas foi eu ter gravado os vocais fora da casa, quase com o p\u00e9 na \u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas realmente aproveitaram o ambiente para produzir alguns efeitos nos vocais?<\/strong><br \/>\nExperimentamos bastante coisa l\u00e1. Quando voc\u00ea est\u00e1 desconectado de internet, telefone, essas coisas, voc\u00ea se conecta mais com o que est\u00e1 dentro de ti, com coisas que o dia a dia da cidade n\u00e3o deixa. Pudemos parar tudo e tomar um banho de rio ou pegar um caiaque e sair remando pra pensar naquela m\u00fasica. Isso teve um papel cabal no resultado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Neste trabalho, assim como no pen\u00faltimo, \u201cInfinito\u201d (2012), o som do disco remete ao rock progressivo. Esse flerte \u00e9 reconhecido at\u00e9 no texto de divulga\u00e7\u00e3o do CD. Voc\u00eas realmente t\u00eam procurado essa linha ou tudo acontece naturalmente?<\/strong><br \/>\nAcho que rock progressivo engloba tantas bandas t\u00e3o diferentes. H\u00e1 muitas bandas hoje que revisitam um som mais antigo, numa tentativa de descomputadorizar a m\u00fasica. Mas n\u00e3o sou muito dessa coisa de volta \u00e0s ra\u00edzes, gosto de abra\u00e7ar a tecnologia. Mesmo tendo um flerte com sons mais alternativos, nossa linguagem final acaba sendo bem popular. Neste disco, inclusive, tivemos uma preocupa\u00e7\u00e3o de falar com todo mundo, mas sem nivelar por baixo, sem simplificar demais as coisas. Acho que a super simplifica\u00e7\u00e3o faz as pessoas n\u00e3o estarem mais acostumadas a ouvir aquilo que exija algum n\u00edvel de abstra\u00e7\u00e3o. Houve um momento em que esse rock progressivo era o que havia de mais popular na m\u00fasica. Hoje esse popular \u00e9 bastante mastigado. Vamos na contram\u00e3o disso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fresno - 02 - Manifesto (feat. Lenine e Emicida) [Eu Sou A Mar\u00e9 Viva]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/z4-iEm63OUM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A participa\u00e7\u00e3o do Lenine e do Emicida no disco tem a ver com essa ideia de falar com todo mundo?<\/strong><br \/>\nO que me fez ter uma banda de rock foi uma s\u00e9rie de vari\u00e1veis que me levou a ter isso como prefer\u00eancia. Mas se eu tivesse nascido em outro lugar, me mudado pra uma cidade diferente, eu teria virado outra coisa. O Lenine e o Emicida pensam mais ou menos o mesmo que a gente, mesmo que isso aconte\u00e7a numa linguagem diferente. Sou muito f\u00e3 deles, e quando apareceu a faixa \u201cManifesto\u201d, percebi que precisaria deles pra engrossar aquele discurso. Essa faixa \u00e9 o grande acontecimento deste disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No lan\u00e7amento do \u201cInfinito\u201d, voc\u00eas estavam lidando com a sa\u00edda do Tavares. Agora, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 oposta, com a estreia do Guerra na bateria. Isso mudou o astral durante as grava\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nA sa\u00edda de um integrante nunca \u00e9 legal, mas a entrada de um cara novo sempre \u00e9 legal. O p\u00fablico \u00e9 testemunha da eterna evolu\u00e7\u00e3o da banda, e \u00e0s vezes essa evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a mesma que a das pessoas que fazem parte da banda. Vamos seguindo os caminhos para os quais a m\u00fasica vai nos levando, e ningu\u00e9m \u00e9 obrigado a estar 100% de acordo com isso. Por isso que as sa\u00eddas acontecem. O Tavares teve os motivos dele, que est\u00e3o mais do que explicados. As sa\u00eddas s\u00e3o sentidas, mas nunca ser\u00e3o uma cicatriz irrepar\u00e1vel. J\u00e1 o Guerra tocava comigo h\u00e1 muitos anos, e estou feliz de ele hoje ser da Fresno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente, o Marquim, do Raimundos, disse que eles est\u00e3o felizes por serem independentes de uma gravadora. Voc\u00eas tamb\u00e9m se sentem assim?<\/strong><br \/>\nCom certeza. Essa liberdade \u00e9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o e um fardo. Na nossa fase underground, tudo tinha um peso muito menor. Hoje a Fresno \u00e9 uma empresa que, dependendo do show, emprega dezenas de pessoas. Mas nada paga a liberdade e a agilidade criativa que a gente tem. Um m\u00eas depois de decidirmos gravar este disco no s\u00edtio, est\u00e1vamos fazendo isso. Com a gravadora, isso n\u00e3o existe. At\u00e9 agora, eu estaria aprovando repert\u00f3rio com um diretor art\u00edstico, que de art\u00edstico n\u00e3o tem nada, \u00e9 um diretor de neg\u00f3cios. O crowdfunding feito pelo Raimundos para gravar o disco deles mostra cada vez mais que a nossa gravadora s\u00e3o os nossos f\u00e3s. Eles que v\u00e3o divulgar, te colocar na TV ou no r\u00e1dio, de tanto que v\u00e3o pedir, e que v\u00e3o te fazer gravar um pr\u00f3ximo disco, te mantendo motivado econ\u00f4mica e mentalmente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fresno - 03 - Eu Sou A Mare\u0301 Viva [Eu Sou A Mar\u00e9 Viva]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ibmKeyEZiLo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcos Paulino \u00e9 jornalista e editor do caderno <a href=\"http:\/\/www.mundoplug.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Plug<\/a>, do jornal <a href=\"http:\/\/www.gazetadelimeira.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gazeta de Limeira<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Entrevista 2013: &#8220;A gente diversificou muito nossa gama de influ\u00eancias&#8221;, diz Lucas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/01\/08\/entrevista-fresno\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cRevanche\u201d, quinto \u00e1lbum da Fresno, \u00e9 muito bem resolvido, por Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/08\/21\/cd-revanche-fresno\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Na nossa fase underground, tudo tinha um peso muito menor. Hoje a Fresno \u00e9 uma empresa&#8221;, diz o vocalista Lucas Silveira\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/07\/entrevistao-novo-ep-da-fresno\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":5,"featured_media":64762,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[77,1052,868,732],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24902"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24902"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24902\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":64763,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24902\/revisions\/64763"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64762"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24902"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24902"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24902"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}