{"id":24818,"date":"2014-05-01T23:09:11","date_gmt":"2014-05-02T02:09:11","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=24818"},"modified":"2023-06-17T09:55:57","modified_gmt":"2023-06-17T12:55:57","slug":"6%c2%ba-in-editbrasil-um-filme-por-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/01\/6%c2%ba-in-editbrasil-um-filme-por-dia\/","title":{"rendered":"Balan\u00e7o: 6\u00ba In-Edit Brasil: Um filme por dia"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-24819\" title=\"backings\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/backings.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/backings.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/backings-300x123.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>01\/05\/2014<br \/>\n\u201cTwenty Feet from Stardom\u201d (2013)<br \/>\n***<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O document\u00e1rio vencedor do Oscar 2013 lan\u00e7a luz sobre as vozes de um grupo de cantoras que em boa parte do tempo permaneceu no canto do palco: as backing vocals. O diretor Morgan Neville j\u00e1 havia sido indicado ao Grammy por outros tr\u00eas document\u00e1rios musicais (\u201cMuddy Waters: Can&#8217;t Be Satisfied\u201d, \u201cRespect Yourself: The Stax Records Story\u201d e \u201cJohnny Cash&#8217;s America\u201d) e conduz muito bem a hist\u00f3ria de \u201cTwenty Feet from Stardom\u201d (frase cravada por Bruce Springsteen no longa), embora algumas vezes a edi\u00e7\u00e3o confunda o espectador sobre quem \u00e9 o foco da cena. Ainda assim, educativo para ne\u00f3fitos em cultura pop, \u201cTwenty Feet from Stardom\u201d apresenta vozes idolatradas de rostos pouco conhecidos (principalmente no Brasil) como Darlene Love, a musa que Phil Spector criou e quase destruiu segurando-a em contrato por 20 anos, Merry Clayton (respons\u00e1vel pelo backing de \u201cGimme Shelter\u201d, o momento para se levantar e aplaudir de p\u00e9 na sala de cinema, ainda mais depois de Mick Jagger contar que ela chegou \u2013 gr\u00e1vida \u2013 de roupa de dormir e bobs no est\u00fadio para gravar o vocal ic\u00f4nico), Lisa Fischer (que chegou a ganhar um Grammy como cantora solo, mas sua carreira n\u00e3o deslanchou e ela teve que se \u201ccontentar\u201d em ser a backing vocal dos Stones &#8211; de 1989 at\u00e9 hoje) e Judith Hill, que deveria ir ao estrelado ao participar do show que marcaria o retorno de Michael Jackson aos palcos \u2013 se ele n\u00e3o tivesse ido visitar Elvis Presley. Embora n\u00e3o abrace todo o universo das backing vocals, optando por deixar de lado as europeias (ignorar o vocal de Clare Torry em &#8220;The Great Gig in the Sky&#8221;, do Pink Floyd, faz o longa perder pontos), o filme cumpre seu papel de revelar rostos e emocionar, e ainda conta com declara\u00e7\u00f5es de Sting, Stevie Wonder e Sheryl Crow al\u00e9m de belas imagens de Ray Charles, Luther Vandross e outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-24847\" title=\"pulp1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/pulp1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/pulp1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/pulp1-300x123.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p><strong>02\/05\/2014<br \/>\n\u201cPulp: A Film About Life, Death and Supermarkets\u201d (2013)<br \/>\n****\u00bd<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSinto que as coisas n\u00e3o acabaram bem quando a banda terminou em 2002, e merec\u00edamos um final feliz\u201d, avalia a certa altura Jarvis Cocker, que conheceu o cineasta neozeland\u00eas Florian Habicht atrav\u00e9s de \u201cLove Story\u201d, filme de 2009, e convidou-o para n\u00e3o s\u00f3 contar a hist\u00f3ria do Pulp, que retornou aos palcos em 2011, mas relaciona-la com Sheffield, cidade inglesa que viu a banda nascer em 1978, passar os anos 80 sendo solemente ignorada at\u00e9 fazer sucesso em 1995 quando o \u00e1lbum \u201cDifferent Class\u201d alcan\u00e7ou o 1\u00b0 lugar da parada brit\u00e2nica, e o single &#8220;Common People&#8221; chegou ao n\u00famero 2. Todas essas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o jogadas aleatoriamente no document\u00e1rio, que n\u00e3o se prende a contar em detalhes a carreira da banda, mas o faz de forma delicada. O foco \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o apaixonada da banda por sua cidade natal e, por conseguinte, por seus f\u00e3s tendo como fundo o \u00faltimo show do grupo no Reino Unido, em 08 de dezembro de 2012, em Sheffield, num gin\u00e1sio para 14 mil pessoas (o show exatamente anterior havia sido no Via Funchal, em S\u00e3o Paulo). A senhora da foto acima, num banco de pra\u00e7a, disserta que prefere Pulp a Blur, \u201cporque eles fazem melhor uso da palavra\u201d. Um rapaz (que conheceu sua namorada em um hosp\u00edcio) conta como foi ouvir Pulp ap\u00f3s uma experi\u00eancia traum\u00e1tica em Londres (\u201cSheffield n\u00e3o \u00e9 como Londres: aqui as pessoas te levam para o bar quando voc\u00ea n\u00e3o tem dinheiro e colocam Pulp para voc\u00ea ouvir\u201d). O baterista da banda, Nick Banks, decidiu patrocinar o time de futebol feminino em que a filha joga com o logo do Pulp na camiseta. \u201cAs amigas perguntaram: o que \u00e9 isso? E ela respondeu: \u00c9 a porcaria da banda do meu pai\u201d. H\u00e1 ainda um clone do Mestre dos Magos, uma jovem enfermeira de Atlanta, nos EUA, que fez um bate volta apenas para este show, Jarvis sendo uma pessoa comum, entrevistas curtas com todos os integrantes e um momento magn\u00edfico com um grupo de idosos cantando \u201cHelp The Aged\u201d em um document\u00e1rio absolutamente exemplar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-24857\" title=\"muscle\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/muscle.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/muscle.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/muscle-300x123.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>03\/05\/2014<br \/>\n\u201cMuscle Shoals\u201d (2013)<br \/>\n**\u00bd<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muscle Shoals \u00e9 uma cidadezinha de pouco mais de 12 mil habitantes localizada na margem sul do rio Tennessee, no Alabama, que abriga dois importantes est\u00fadios de grava\u00e7\u00e3o de m\u00fasica: FAME Studios e, derivado dele, o Muscle Shoals Sound Studio. Por estes dois pequenos galp\u00f5es passaram Aretha Franklin, Wilson Pickett, Otis Redding, Bob Dylan, Paul Simon e Rolling Stones, entre muitos outros. O diretor Greg &#8216;Freddy&#8217; Camalier se atrapalha com um roteiro que tenta abra\u00e7ar o mundo e 1) contar a hist\u00f3ria pessoal e melodram\u00e1tica de Rick Hall, dono do FAME, com trechos absolutamente piegas que reconstroem suas trag\u00e9dias pessoais, 2) falar sobre o misticismo com tend\u00eancia hippie da regi\u00e3o regido pela for\u00e7a da \u00e1gua do rio Tennessee, que seria respons\u00e1vel pela magia do lugar, 3) falar sobre a cidade, 4) apresentar a se\u00e7\u00e3o r\u00edtmica dos The Swampers, quinteto branquelo do FAME que gravou grandes hits da m\u00fasica negra norte-americana (como \u201cRespect\u201d, de Aretha \u2013 eles mereciam um document\u00e1rio s\u00f3 deles), 5) e, por fim, o que deveria ser o principal, contar a hist\u00f3ria dos dois est\u00fadios entremeada por aspas imperd\u00edveis de gente como Mick Jagger e Keith Richards (relembrando a sess\u00e3o no Muscle Shoals Sound Studio que rendeu \u201cWild Horses\u201d e \u201cBrown Sugar\u201d), Bono, Alicia Keys, Gregg Allman, Jimmy Cliff e Steve Winwood al\u00e9m de belas imagens de arquivo de Stones, Aretha e Etta James gravando em Muscle Shoals. O resultado \u00e9 um document\u00e1rio repleto de altos e baixos, que faz bocejar nos momentos hippies e piegas tanto quanto se torna cl\u00e1ssico quando m\u00fasicos que passaram por l\u00e1 pescam lembran\u00e7as na mem\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-24861\" title=\"punk1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/punk1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/punk1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/punk1-300x123.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>03\/05\/2014<br \/>\n\u201cThe Punk Singer\u201d (2013)<br \/>\n****<\/strong><br \/>\nQuando se tem uma boa hist\u00f3ria s\u00f3 \u00e9 preciso focar nela e deixar que as imagens (arquivo e entrevistas) a contem, resume o manual do documentarista feliz, e a diretora Sini Anderson segue a risca esse mandamento em \u201cThe Punk Singer\u201d, filme que n\u00e3o s\u00f3 conta a hist\u00f3ria de Kathleen Hanna, mas investiga o motivo de seu sumi\u00e7o do cen\u00e1rio pop desde 2005. Poderosa vocalista e letrista das bandas Bikini Kill (1990\/1997) e Le Tigre (1998\/2011) e uma das figuras centrais do movimento feminista riot grrrl, Kathleen \u00e9 um dos exemplos mais recentes da for\u00e7a da m\u00fasica pop como transformadora da sociedade. Suas letras cr\u00edticas, sua performance eletrizante e suas entrevistas provocativas abriram (junto a dezenas de outras batalhadoras do cen\u00e1rio underground, n\u00e3o s\u00f3 na m\u00fasica, mas em fanzines, cinema e artes em geral \u2013 uma clareira feminista na sociedade exatamente no momento em que revistas como a Time Magazine sentenciavam a morte do movimento. Sini Anderson \u00e9 educativa em sua reconstru\u00e7\u00e3o do personagem indo das ra\u00edzes de Kathleen, passando pela cena musical de Portland (uma pena a op\u00e7\u00e3o de n\u00e3o citarem a Kill Rock Stars e ouvirem o menos de homens poss\u00edvel para o filme, deixando de fora gente como Thurston Moore, Ian MacKaye e Calvin Johnson &#8211; a parceira Tobi Vail preferiu n\u00e3o participar), sua amizade com Kurt Cobain, sua passagem pelas bandas e sua intensa liga\u00e7\u00e3o com o movimento feminista. Joan Jett acrescenta pouco ao filme, mas Kim Gordon \u00e9 uma das figuras centrais ao lado do marido de Hanna, Adam Horovitz (dos Beastie Boys), de Billy Karren (guitarrista do Bikini Kill), e Corin Tucker e Carrie Brownstein (do Sleater-Kinney) em um filme que come\u00e7a celebrat\u00f3rio e termina deixando um gosto intensamente amargo na alma. A mensagem, no entanto, sobrevive.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-24866\" title=\"mistaken\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/mistaken.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"250\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>04\/05\/2014<br \/>\n\u201cMistaken for Strangers\u201d (2013)<br \/>\n****<\/strong><br \/>\n\u00c9 extremamente elogi\u00e1vel que uma banda que sempre posou de s\u00e9ria como o National tenha tamanho senso de humor para protagonizar um document\u00e1rio montypythiano como \u201cMistaken for Strangers\u201d, comandado por Tom Berninger, irm\u00e3o do vocalista Matt, e s\u00f3sia em maluquices de Alan, o personagem de Zach Galifianakis na trilogia \u201cHangover\u201d. O ponto de partida \u00e9 simples: The National est\u00e1 em turn\u00ea divulgando o \u00e1lbum \u201cHigh Violet\u201d e o vocalista Matt Berninger convida o irm\u00e3o metaleiro, que mora em Cincinatti com os pais, para trabalhar como roadie na tour. A fun\u00e7\u00e3o de Tom \u00e9 cuidar da comida no camarim em cada show al\u00e9m de pequenas tarefas como assegurar que a lista de convidados esteja na porta, mas ele tem uma ideia na cabe\u00e7a: fazer um document\u00e1rio sobre o National na estrada, e o que poderia se transformar em um retrato de um grupo de rock n\u2019 roll no auge acaba virando uma deliciosa bobagem amparada nas gafes de Tom e amplificada pela diferen\u00e7as entre os irm\u00e3os. Ou seja, se voc\u00ea quer ver um document\u00e1rio s\u00e9rio sobre o National \u00e9 melhor focar em \u201c<a href=\"http:\/\/vimeo.com\/5661854\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Skin, A Night<\/a>\u201d, de Vincent Moon, que registra as grava\u00e7\u00f5es de \u201cBoxer\u201d, de 2008, porque \u201cMistaken for Strangers\u201d \u00e9 impagavelmente c\u00f4mico (e indicado at\u00e9 para quem n\u00e3o conhece a banda), com Matt abrindo o \u201cdocument\u00e1rio\u201d dando um esporro no irm\u00e3o, que quer entrevista-lo, mas n\u00e3o sabe fazer nenhuma pergunta (ele passar\u00e1 todo o filme n\u00e3o sabendo fazer perguntas para todos os integrantes da banda). Hil\u00e1rio e at\u00e9 comovente, \u201cMistaken for Strangers\u201d s\u00f3 escorrega no trecho final, longo demais, mas ap\u00f3s tantas risadas voc\u00ea n\u00e3o ir\u00e1 se importar com isso. Palmas para Tom Berninger e, principalmente, para a banda. N\u00e3o se levar \u00e0 s\u00e9rio tamb\u00e9m deveria render discos de ouro&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ps. Segundo o documentarista Michael Moore, &#8220;Mistaken For Strangers&#8221; \u00e9 &#8220;um dos melhores document\u00e1rios sobre uma banda que eu j\u00e1 vi&#8221;&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-24900\" title=\"harry\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/harry.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><strong>05\/05\/2014<br \/>\n\u201cHarry Dean Stanton: Partly Fiction\u201d (2012)<br \/>\n***<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele j\u00e1 atuou em mais de 250 filmes (segundo o pr\u00f3prio) desde que colocou seu rosto nas telas em \u201cTomahawk Trail\u201d (1957), incluindo passagens ic\u00f4nicas por \u201cPat Garrett &amp; Billy the Kid\u201d (de 1973, quando \u201cestragou\u201d uma tomada de p\u00f4r-do-sol por atravessar a filmagem correndo atr\u00e1s de Bob Dylan), \u201cO Poderoso Chef\u00e3o II\u201d (de 1974, que o aproximou de Marlon Brando, que ficaria ainda mais pr\u00f3ximo em seus \u00faltimos anos de vida: \u201cConvers\u00e1vamos horas sobre tudo: poesia, religi\u00e3o&#8230;\u201d), \u201cAlien\u201d (1979), \u201cParis, Texas\u201d (1984, Wim Wenders explica que Harry queria um fim mais esperan\u00e7oso para seu personagem), \u201cRepo Man\u201d (1984), \u201cTwin Peaks\u201d (1992) e \u201cMedo e Del\u00edrio em Los Angeles\u201d (1998), entre muitos outros. Em certo momento, algu\u00e9m pergunta: \u201cVoc\u00ea est\u00e1 filmando algo agora?\u201d. E ele: \u201cSim, o novo filme de Sean Penn. Interpreto o cara que inventou a mala de rodinhas&#8230; (\u201cAqui \u00e9 Meu Lugar\u201d, dirigido por Paolo Sorrentino)\u201d. Extremamente lac\u00f4nico, Harry Dean Stanton tenta sempre encerrar o assunto na primeira oportunidade, mesmo quando quem pergunta \u00e9 David Lynch. Solit\u00e1rio aos 87 anos, o ator carrega uma melancolia no olhar e na voz, que interpreta diversas can\u00e7\u00f5es durante o longa de Sophie Huber, e tende mais a Tom Waits do que a Roy Orbison (embora, mesmo assim, ele cante \u201cBlue Bayou\u201d). Devoto do ditado que diz que \u201co que est\u00e1 feito, est\u00e1 feito\u201d, Harry Dean relembra sua fase \u201cwomanizer\u201d, quando s\u00f3 se interessava por bebidas e mulheres, conta que morou com Jack Nicholson durante dois anos (imagina a farra) e se arrepende de n\u00e3o ter tentando ser cantor num document\u00e1rio que capta a ess\u00eancia de um dos atores que mais trabalhou em Hollywood, e soa como o crep\u00fasculo de um Deus que sempre optou pelo sil\u00eancio.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-24911\" title=\"freda\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/freda.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><strong>06\/05\/2014<br \/>\n\u201cGood Ol&#8217; Freda\u201d (2013)<br \/>\n**\u00bd<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs Beatles duraram 10 anos. Freda esteve com eles durante 11 anos. Ela estava l\u00e1 no come\u00e7o e ficou at\u00e9 depois que tudo acabou\u201d, conta Billy Kinsley, do Merseybeats, em certo momento do document\u00e1rio que repassa a vida de Freda Kelly, a secret\u00e1ria pessoal da banda, que, convidada por um amigo, se viu no Cavern Club no come\u00e7o dos anos 60 e, como ela mesma diz, foi \u201cfisgada\u201d. F\u00e3 da banda, mas n\u00e3o fan\u00e1tica, Freda foi convidada por Brian Epstein para ser a secret\u00e1ria dos Beatles, e sua fun\u00e7\u00e3o primordial era organizar o correio dos f\u00e3s (colhendo aut\u00f3grafos, peda\u00e7os de camiseta e, em certo momento, mechas de cabelo para atender aos pedidos cada vez mais inusitados que chegavam por carta), al\u00e9m de levar pagamentos para os m\u00fasicos, entre outras pequenas coisas. N\u00e3o espere grandes novidades, fofocas, entrevistados famosos ou fatos inusitados neste document\u00e1rio de Ryan White, pois apesar de ficar calada durante 50 anos, Freda mant\u00e9m um compromisso raro de lealdade apaixonada para com os integrantes da banda, e para com o grupo do qual foi presidente do f\u00e3 clube se correspondendo com cerca de 70 mil f\u00e3s mundo afora. A secret\u00e1ria decidiu fazer o filme para que seu neto, ent\u00e3o com 3 anos, soubesse que ela teve uma adolesc\u00eancia bastante movimentada, e esse delicado registro familiar permite acompanhar o olhar de uma pessoa bastante pr\u00f3xima da banda que observou, dia a dia, Paul, John, Pete (depois Ringo) e George perderem a inoc\u00eancia e se transformarem em deuses do Olimpo pop enquanto boa parte das pessoas ao seu redor, Freda inclusa, continuaram sendo reles mortais. Para se pensar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-24918\" title=\"jimi\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/jimi.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/jimi.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/jimi-300x123.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p><strong>07\/05\/2014<br \/>\n\u201cJimi Hendrix: Hear My Train a Comin\u2019\u201d (2013)<br \/>\n***<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito j\u00e1 se falou sobre Jimi Hendrix, mas rar\u00edssimas vezes com a ben\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, o que na grande maioria das vezes \u00e9 tanto uma vantagem quanto uma desvantagem para o p\u00fablico: se por um lado h\u00e1 um olhar pr\u00f3ximo do documentado, o que inclui imagens (muitas vezes raras) e declara\u00e7\u00f5es de familiares, por outro, a tend\u00eancia a ser chapa branca eliminando assuntos pol\u00eamicos prejudica o resultado final. \u201cJimi Hendrix: Hear My Train a Comin\u2019\u201d \u00e9 um exemplo perfeito dessa equa\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o quisemos falar das drogas porque outros document\u00e1rios sobre Jimi j\u00e1 falaram e quer\u00edamos focar na m\u00fasica\u201d, desculpou-se o diretor Bob Smeaton na sess\u00e3o do In-Edit S\u00e3o Paulo, mas se esse \u00e9 o \u201cdocument\u00e1rio definitivo\u201d sobre o m\u00fasico (como a fam\u00edlia tenta vender), ficaram faltando muitas pe\u00e7as para entender o quebra-cabe\u00e7as Jimi Hendrix (a morte por overdose nem \u00e9 citada). Ainda assim, \u201cJimi Hendrix: Hear My Train a Comin\u2019\u201d \u00e9 rico em imagens ao vivo de Jimi Hendrix que, mais de 40 anos depois, ainda impressionam e o colocam uns cinco n\u00edveis acima de todos os guitarristas que j\u00e1 existiram (a apresenta\u00e7\u00e3o em Monterey, em que ele simula sexo com a guitarra apoiado nas caixas de som, e depois incendeia a pobrezinha, \u00e9 absurdamente sensacional) e traz Paul McCartney num dia de reles mortal, como n\u00f3s, babando em Jimi Hendrix como um f\u00e3. N\u00e3o \u00e9 o document\u00e1rio definitivo, mas preenche uma lacuna hist\u00f3rica importante (principalmente no que tange a fam\u00edlia) deste que \u00e9 um dos maiores guitarristas (sen\u00e3o o maior) que j\u00e1 pisou nessa pobre terra abandonada.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-24958\" title=\"geracao1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/geracao1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><strong>08\/05\/2014<br \/>\n\u201cGera\u00e7\u00e3o Bar\u00e9 Cola\u201d (2014)<br \/>\n**\u00bd<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s Legi\u00e3o Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude serem conhecidos nacionalmente na metade dos anos 80, Bras\u00edlia viu multiplicar o n\u00famero de grupos de rock por metro quadrado na cidade. \u201cGera\u00e7\u00e3o Bar\u00e9 Cola\u201d, document\u00e1rio rec\u00e9m-lan\u00e7ado de Patrick Grosner, n\u00e3o faz essa liga\u00e7\u00e3o \u2013 at\u00e9 porque entre a gera\u00e7\u00e3o dos anos 90 retratada no filme e o triunvirato que colocou o DF no cen\u00e1rio nacional houve um segundo levante com Finis Africae, Detrito Federal e Arte No Escuro assinando com majors, mas sem repetir o sucesso inicial das bandas da cidade \u2013 se concentrando primeiramente no underground brasiliense e focando na cena hardcore, thrash e metal para, no meio, citar nomes como Little Quail and Mad Birds, Mascavo Roots, Pravda e, a mais famosa delas, Raimundos. O trabalho de resgate de fitas de bandas da \u00e9poca merece aplausos por registrar para a posteridade uma cena vasta e variada, embora isso pare\u00e7a mais valoroso para quem viveu a cena ou vive em Bras\u00edlia. Desta forma, o que destaca o document\u00e1rio para \u201cestrangeiros\u201d s\u00e3o as declara\u00e7\u00f5es de um grande n\u00famero de personagens, como Gabriel Thomaz, o quarteto original do Raimundos (incluindo o convertido Rodolfo, relembrando os primeiros anos da banda), o pessoal da Maskavo e do Pravda, bandas que chegaram a ter lan\u00e7amentos nacionais e quase entraram no redemoinho formado pelo sucesso dos Raimundos (Maskavo e Pravda tamb\u00e9m era do Banguela, selo de Carlos Eduardo Miranda com os Tit\u00e3s). Repleto de bons momentos, \u201cGera\u00e7\u00e3o Bar\u00e9 Cola\u201d peca por duas coisas: n\u00e3o ouvir ningu\u00e9m da Legi\u00e3o, Capital e Plebe (at\u00e9 para contraponto) e n\u00e3o fechar o ciclo das principais bandas citadas, algo que uma foto e um texto resolveriam (Quantas pessoas sabem que o grande D.F.C. completou 30 anos em 2013 e continua firme, na ativa?). Ainda assim, \u00e9 um retrato interessante de uma juventude movida a fitas k7, guitarras toscas e muita divers\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Gera\u00e7\u00e3o Bar\u00e9-Cola - usu\u00e1rios de rock\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5hEqTzUKTyo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A sexta edi\u00e7\u00e3o do Festival In-Edit~Brasil compila 58 document\u00e1rios musicais em sete telas de cinema da cidade. 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