{"id":24765,"date":"2014-04-28T10:32:38","date_gmt":"2014-04-28T13:32:38","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=24765"},"modified":"2020-11-09T00:15:23","modified_gmt":"2020-11-09T03:15:23","slug":"entrevista-sereialarm","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/04\/28\/entrevista-sereialarm\/","title":{"rendered":"Scream &#038; Yell recomenda: Sereialarm"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-24766\" title=\"sereia1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/sereia1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEscuta isso que eu vou te mostrar. Mas voc\u00ea n\u00e3o pode comentar com ningu\u00e9m at\u00e9 ter sido lan\u00e7ado\u201d. Essa recomenda\u00e7\u00e3o, que soa deslocada em uma era de compartilhamentos online, era algo que eu n\u00e3o ouvia h\u00e1 anos. Por isso me chamou a aten\u00e7\u00e3o quando ela foi dita pelo m\u00fasico e cineasta Andr\u00e9 Pagnossim quando fui entrevist\u00e1-lo para o Scream &amp; Yell. O \u201csegredo\u201d em quest\u00e3o era \u201cBem A\u00e9reo\u201d, disco de estreia do Sereialarm, e o pedido de n\u00e3o divulgar o disco antes de ele estar dispon\u00edvel online tinha rela\u00e7\u00e3o com a expectativa de seus criadores, os multi-instrumentistas Marcos Andrada e Otavio Bertolo, que haviam levado nada menos que 14 anos da concep\u00e7\u00e3o ao lan\u00e7amento da obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria do Sereialarm come\u00e7a ainda mais anteriormente: quando Marcos v\u00ea todas as suas ambi\u00e7\u00f5es encontrarem uma triste \u201cirrealiza\u00e7\u00e3o\u201d. Marcos era l\u00edder do Vultos, banda que teve l\u00e1 seus quinze minutos de buchicho na noite paulistana, perdeu o timing da grava\u00e7\u00e3o de seu disco, e quando finalmente o lan\u00e7ou (\u201cFilme da Alma\u201d, em 1989) pelo selo Baratos Afins, encontrou indiferen\u00e7a e desprezo em cr\u00edtica e p\u00fablico. Um novo disco do Vultos s\u00f3 viria em 1996, o independente \u201cLixo Rico\u201d, e passaria despercebido \u2013 assim como \u2018O Melhor e o Pior do Rock no Curdist\u00e3o\u201d, disco solo em que Marcos assina cada uma das 15 faixas com um nome diferente, \u201cpensando como se cada uma fosse mesmo uma composi\u00e7\u00e3o de uma banda diferente\u201d, segundo suas palavras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A repercuss\u00e3o m\u00ednima dos discos tiraria o m\u00fasico dos palcos e dos est\u00fadios, mas n\u00e3o o impediu de continuar compondo e registrando tudo em fita cassete. Uma dessas fitas caiu nas m\u00e3os de Ot\u00e1vio \u201cJoey\u201d Bertolo, que Marcos conhecera num bar paulistano. Mesmo com as dist\u00e2ncias geogr\u00e1fica e et\u00e1ria (Ot\u00e1vio vivia ent\u00e3o em S\u00e3o Carlos, a 400 km da capital paulista, e \u00e9 15 anos mais jovem), estabeleceu-se uma amizade e uma parceria que resultaram em \u201cBem A\u00e9reo\u201d. A dist\u00e2ncia, as obriga\u00e7\u00f5es do dia a dia e quest\u00f5es financeiras resultaram em longos per\u00edodos de \u201cincuba\u00e7\u00e3o\u201d para o disco, que demorou 14 anos para ser finalizado, e agora \u00e9 finalmente lan\u00e7ado, por ora apenas em formato digital, no sistema \u201c<a href=\"http:\/\/sereialarm.bandcamp.com\/album\/bem-a-reo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pague quanto acha que vale<\/a>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cBem A\u00e9reo\u201d sobressaem tanto a l\u00edrica incomum de Marcos quanto a obsess\u00e3o de Ot\u00e1vio com Dave Fridmann (produtor e m\u00fasico respons\u00e1vel por discos do Mercury Rev, Flaming Lips, Caf\u00e9 Tacuba e muitos outros): \u00e9 inegavelmente uma viagem psicod\u00e9lica, plena de quest\u00f5es espirituais, viagens interiores, pop sinf\u00f4nico, solu\u00e7\u00f5es imprevis\u00edveis para arranjos. Sim, \u00e9 uma descri\u00e7\u00e3o que faz pensar em um disco \u201ccabe\u00e7\u00e3o\u201d e ripongo. Mas apesar de uma queda para o xamanismo, o Sereialarm \u00e9 pop, dolorido e belo \u2013 dor que vem principalmente da interpreta\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo fr\u00e1gil e entregue de Marcos, beleza nos arranjos que formam verdadeiras paisagens nada estranhas a quem contemplou a si pr\u00f3prio em viagens de ayahuasca ou \u00e1cido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria que levou \u00e0 feitura deste disco est\u00e1 sendo transformada em document\u00e1rio por Andr\u00e9 Pagnossim, ainda sem data de lan\u00e7amento. \u201cS\u00e3o tr\u00eas as coisas que mais me interessam no Sereialarm\u201d, diz Andr\u00e9, explicando seu envolvimento com a dupla: \u201cO fato de ser um disco extremamente pop, mel\u00f3dico, com m\u00fasicas que poderiam ser ouvidas em r\u00e1dios brasileiras, mas tamb\u00e9m ser psicod\u00e9lico, cheio de sintetizadores velhos, mellotron, guitarras intrincadas, e letras \u2018fora da casinha\u2019. Tamb\u00e9m gosto muito do fato do Marcos evitar fazer \u2018letras de amor\u2019, no sentido de cantar pra uma mulher. Ele fala muito de solid\u00e3o, impasses, morte e vida. E por \u00faltimo, me admira demais o trabalho do Joey na execu\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e mixagem do disco. Principalmente depois de ter ouvido as demos em cassete das m\u00fasicas, s\u00f3 com o Marcos tocando guitarra e um tecladinho Casio. O Joey conseguiu manter toda a ess\u00eancia das can\u00e7\u00f5es, mas completando-as com um trabalho de arranjos incr\u00edvel, principalmente por ter sido quase todo gravado e produzido em esquema home studio\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 introdu\u00e7\u00e3o melhor do que essas palavras para apresentar este que j\u00e1 \u00e9 um dos grandes discos de 2014. E assim, passamos a palavra \u00e0 banda, que conversou com o Scream &amp; Yell em v\u00e1rias sess\u00f5es por Skype, telefone e pessoalmente ao longo dos meses de mar\u00e7o e abril.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Qdv3uowJFnQ\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Qdv3uowJFnQ\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sei que foi o Ot\u00e1vio que apresentou ao Marcos o trabalho de Mercury Rev, Flaming Lips, Wilco, Daniel Johnston e outros que foram importantes influ\u00eancias para o \u201cBem A\u00e9reo\u201d. O curioso \u00e9 que s\u00e3o todos artistas com uma verve psicod\u00e9lica, e o Vultos era de uma escola totalmente p\u00f3s-punk, oitentista. Como foi para voc\u00eas dois esse interc\u00e2mbio de linguagens t\u00e3o diferentes?<\/strong><br \/>\nOt\u00e1vio: A principal coisa que me atraiu no trabalho do Marcos foram as letras, que fogem dessa coisa muito juvenil das bandas de rock, de falar de namoradas, de baladas. Ele j\u00e1 tocava isso no Vultos, e mais ainda no \u201cRock no Curdist\u00e3o\u201d \u2013 umas coisas mais existenciais, mais filos\u00f3ficas, at\u00e9. Quando o Marcos fez as m\u00fasicas do \u201cBem A\u00e9reo\u201d, ele ainda n\u00e3o tinha essas influ\u00eancias das quais falamos agora. Mas quando eu ouvi a fita crua, que era s\u00f3 ele no piano (ou na guitarra ou no viol\u00e3o), de certa forma casei as duas coisas na minha mente, o trabalho dele com o dessas bandas. E ele se conectou a isso, a essas novas sonoridades. A partir da\u00ed fomos em frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marcos, voc\u00ea estava fora do circuito profissional de m\u00fasica h\u00e1 tempos. Agora que o disco saiu, voc\u00eas v\u00e3o fazer turn\u00ea, colocar isso nos palcos?<\/strong><br \/>\nOt\u00e1vio: Inicialmente, a ideia era terminar o CD, ou melhor, o \u00e1lbum. Acho que falar \u201cCD\u201d \u00e9 uma coisa do passado&#8230;  Agora o que vai surgir a partir disso eu ainda n\u00e3o sei. Pode ser que vire um show, com mais m\u00fasicos participando. Eu pelo menos n\u00e3o tenho nada planejado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcos: Eu tamb\u00e9m n\u00e3o&#8230; Mas na minha mente, o Sereialarm j\u00e1 tem dois discos prontos. J\u00e1 come\u00e7amos a fazer os arranjos do pr\u00f3ximo disco, que se chama \u201cFam\u00edlia da Nuvem\u201d. Fazer show agora at\u00e9 seria bom, mas fazer esse pr\u00f3ximo disco me interessa mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O nome Sereialarm nasceu quando o Marcos ouviu \u201co mar abrir-se em acordes\u201d. \u00c9 um nome que j\u00e1 entrega os temas de muitas letras: uma coisa muito elementar, percep\u00e7\u00f5es do inconsciente, uma rela\u00e7\u00e3o muito grande entre as coisas da natureza e com o mundo \u201cn\u00e3o vis\u00edvel\u201d. O intuito com isso \u00e9 uma busca?<\/strong><br \/>\nMarcos: Eu acho que \u00e9 de procurar [por essas coisas] mesmo. Uma liberta\u00e7\u00e3o, sei l\u00e1. Eu mostrei esse trabalho para pessoas que tomam ayahuasca, e elas n\u00e3o conseguiram ver, sentir tanto a rela\u00e7\u00e3o [entre elementos e inconsciente], e eu acho que tem uma rela\u00e7\u00e3o total de respeito, de querer louvar, de fazer que a pedra cante. Como seria a m\u00fasica se uma pedra cantasse, que som ela iria fazer? \u00c9 uma busca mesmo, e n\u00e3o precisa complicar. O que voc\u00ea acha, Joey?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ot\u00e1vio: Pra mim, \u00e9 mais uma maneira de se relacionar com isso. Como estou ligado mais a parte do som, dos arranjos, \u00e9 bem uma quest\u00e3o de estar em contato com outro tipo de rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica tamb\u00e9m, de eu n\u00e3o ter uma demanda de precisar fazer determinado tipo de m\u00fasica para determinado cliente [nota: Ot\u00e1vio trabalha com trilhas sonoras], ent\u00e3o \u00e9 realmente onde posso soltar as amarras e fazer alguma coisa espont\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcos: Espont\u00e2nea, e como fosse mesmo uma expans\u00e3o de influ\u00eancias que ele e eu temos. Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 copiar&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ot\u00e1vio: Essa associa\u00e7\u00e3o com o som de outras bandas \u00e9 algo que surge depois que eu fiz a m\u00fasica. N\u00e3o \u00e9 uma coisa que eu vou fazer de prop\u00f3sito: \u201dVou puxar o arranjo para parecer com fulano\u201d. A \u00faltima coisa que quero nesse trabalho \u00e9 fazer isso! L\u00f3gico, depois que voc\u00ea est\u00e1 editando, remixando, voc\u00ea repara que tal timbre parece de tal disco, mas \u00e9 algo em um segundo momento, j\u00e1 na analise. N\u00e3o faz parte do processo de criativo em si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os arranjos abrem muitas possibilidades para um caminho sinf\u00f4nico. Voc\u00eas fizeram o disco pensando no que tinham \u00e0 m\u00e3o \u2013 ou seja, s\u00f3 n\u00e3o usaram orquestra porque n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00f5es financeiras? Ou existia j\u00e1 essa ideia mesmo de certa economia de instrumentos?<\/strong><br \/>\nOt\u00e1vio: Uma coisa que \u00e9 importante dizer \u00e9 que, no processo criativo, eu recebi as fitas do Marcos tocando guitarra ou viol\u00e3o, piano, e meio que eu tinha carta branca para fazer o que eu quisesse. Ent\u00e3o deixei que as can\u00e7\u00f5es determinassem os pr\u00f3prios arranjos. Eu nunca pensei que esse disco tinha que soar \u201cdesse jeito\u201d ou de outros&#8230; Eu ia ouvindo e tocando junto,  come\u00e7ava vir alguma coisa na minha cabe\u00e7a, eu tentava reproduzir. N\u00e3o sou nenhum m\u00fasico formalmente treinado, n\u00e3o tenho muita habilidade com partitura, contraponto, harmonia. Para mim ainda \u00e9 muito instintivo. \u201cBem A\u00e9reo\u201d \u00e9 instintivo e emp\u00edrico, ent\u00e3o \u00e9 l\u00f3gico que, por exemplo, tem alguns trechos de arranjos de cordas que, se fossem tocados por um m\u00fasico, o resultado soaria muito mais expressivo do que uma coisa feita no computador, mas no geral n\u00f3s nunca deixamos de fazer porque n\u00e3o \u00edamos conseguir chamar um m\u00fasico \u201cprofissional\u201d pra tocar. Sab\u00edamos que ter\u00edamos algumas limita\u00e7\u00f5es aqui, mas as ideias est\u00e3o todas l\u00e1, e eu acho que para a maioria do p\u00fablico isso vai ser um detalhe impercept\u00edvel. Talvez apenas outros m\u00fasicos ou pessoas que t\u00eam um treinamento musical mais apurado identifiquem que alguns trechos orquestrais foram feitos por um computador. Ent\u00e3o para mim, essa \u201cimperfei\u00e7\u00e3o\u201d vem tamb\u00e9m como um desapego, faz parte da est\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Houve longos intervalos entre uma sess\u00e3o de est\u00fadio e outra, e voc\u00eas passavam meses sem se encontrar pessoalmente. \u00c9 justo perguntar se o disco ficou fiel \u00e0 ideia original de quando ele foi concebido l\u00e1 em 2000, ainda nas fitas do Marcos, ou o tempo e as mudan\u00e7as pessoais pelas quais voc\u00eas certamente passaram alterou o direcionamento que o \u201cBem A\u00e9reo\u201d deveria ter?<\/strong><br \/>\nOt\u00e1vio: Quando fui ajustar as mixagens no final do ano passado, tive essa disciplina de n\u00e3o mexer em nenhum arranjo. Vinha aquela coisa: \u201cTem aquela nota aqui, aquele arranjo l\u00e1, tenho uma puta ideia, eu podia fazer outro neg\u00f3cio\u201d. Mas n\u00e3o, cara! Eu me focava: Isso \u00e9 um disco de 2002 (que \u00e9 quando as sess\u00f5es \u201coficiais\u201d come\u00e7aram), estou remixando um disco de 2002, n\u00e3o posso mexer em nada!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea n\u00e3o teve medo de deixar o disco datado?<\/strong><br \/>\nOt\u00e1vio: Essa foi a surpresa mais legal: pra mim n\u00e3o soou. \u00c9 como se realmente ele tivesse resistindo ao teste do tempo, desde a concep\u00e7\u00e3o. A gente nunca teve a preocupa\u00e7\u00e3o de soar como \u201ca banda do momento\u201d. N\u00e3o tem nenhum timbre, pelo menos pro meu ouvido, que deixe datado. Pra mim \u00e9 algo que soa muito mais pr\u00f3ximo dos anos 70 em algumas faixas, em outras mais dos anos 80 Talvez tenha uma aura, uma coisa retr\u00f4, mas n\u00e3o \u00e9 algo datado de uma forma pejorativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tenho uma pergunta meio delicada: esse \u00e9 disco muito pessoal para voc\u00eas dois, e toda vez que algu\u00e9m coloca um trabalho art\u00edstico na rua, est\u00e1 dando a cara a tapa, correndo o risco da incompreens\u00e3o. E quanto mais pessoal a cria\u00e7\u00e3o, mais dolorosa essa poss\u00edvel rejei\u00e7\u00e3o. J\u00e1 teve gente que ouviu e falou que era disco \u201cde maluco\u201d, ou que \u00e9 dado, ou que \u00e9 esot\u00e9rico&#8230; todo tipo de coisa. Como voc\u00eas est\u00e3o preparados para lidar com isso?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(nota-se o desconforto entre eles para decidir quem come\u00e7a a responder)&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcos: Olha, eu tive uma banda nos anos 80, Vultos, e foi uma banda assim, do sexto escal\u00e3o do rock paulista, mas algumas pessoas, inclusive jornalistas, vieram demolindo [o trabalho]&#8230; Voc\u00ea tem que aprender a lidar com isso, passar por cima. Eu n\u00e3o vou fazer igual ao cara do Killing Joke, o Jaz Coleman, que foi numa reda\u00e7\u00e3o e tacou carne podre na cara do jornalista que detonou o disco dele&#8230; Acontece, e acho que tem que estar preparado. Hoje em dia, estando mais velho, acho que vou dar at\u00e9 risada. Eu ficava super incomodado, eu recebi cr\u00edticas positivas na \u00e9poca do Vultos, mas recebi cr\u00edticas dinamitando mesmo, coisas at\u00e9 pessoais&#8230; Naquela \u00e9poca como eu era garoto, incomodava muito, pois eu tinha outras expectativas, entende? A minha grande expectativa com rela\u00e7\u00e3o a este disco, para dizer a verdade, j\u00e1 foi suprida, pois o Joey finalizou o trabalho. Claro que eu gostaria que as pessoas conhecessem, gostassem, que pud\u00e9ssemos fazer algumas \u201cgigs\u201d e tudo, mas eu n\u00e3o vou ficar me matando por isso&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ot\u00e1vio: Dizendo por mim, o meu principal intuito nesse trabalho, na \u00e9poca em que a gente come\u00e7ou o \u201cBem A\u00e9reo\u201d, at\u00e9 foi atuar como uma banda de uma maneira mais convencional, fazer shows, e tornar isso uma atividade. Mas hoje em dia n\u00e3o: eu tenho o meu trabalho, o Marcos as atividades dele, ent\u00e3o a gente n\u00e3o tem expectativa comercial nenhuma, n\u00e3o depende de nada que isso possa proporcionar financeiramente, comercialmente \u2013 ent\u00e3o a gente est\u00e1 livre para fazer o que quiser. A \u00fanica vontade que eu tinha \u00e9 um dia deitar, dar um play e pensar, \u201cp\u00f4, legal, ficou do jeito que eu queria, veio um som bacana, eu me sinto bem ao ouvir isso\u201d, e isso eu acho que consegui.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-24769\" title=\"bemaereo\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/bemaereo.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"605\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/bemaereo.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/bemaereo-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/bemaereo-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span> &#8211; Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a><span>) no Scream &amp; Yell<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas\nAp\u00f3s 14 anos de gesta\u00e7\u00e3o, &#8220;Bem \u00c1ereo&#8221;, o disco de estreia do Sereialarm, surge como um dos melhores lan\u00e7amentos do ano\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/04\/28\/entrevista-sereialarm\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24765"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24765"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24765\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58229,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24765\/revisions\/58229"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}